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Sergio Mendes promete CD e um documentário para 2018

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Por Fabian Chacur

Aos 76 anos de idade muito bem vividos, Sergio Mendes não parece disposto a desacelerar. Pelo menos, essa é a conclusão que temos ao saber de suas boas novidades. Segundo a edição americana do site da Billboard, o músico e produtor brasileiro conhecido no mundo todo promete para 2018 um novo álbum e também um documentário sobre seus mais de 60 anos de carreira. Ou seja, vem coisas boas, muito boas, por aí.

O documentário será dirigido por John Scheinfeld, conhecido por trabalhos muito bons nessa área específica, entre os quais destacam-se The U.S. Vs. John Lennon (2006), Who Is Harry Nilsson? (2006) e Chasing Time: The John Coltrane Documentary (2016). Teremos uma geral na carreira dele, com direito a cenas de arquivo, entrevistas e também registros de shows que o maestro fará este ano, e para os quais está atualmente ensaiando no Rio de Janeiro.

Quando ao CD, o que se divulgou até o momento é que terá músicas inéditas e também algumas releituras de clássicos do seu repertório. O parceiro Will.i.am, do Black Eyed Peas, que já atuou junto com ele no álbum Timeless (2006), trabalhará com Mendes em algumas faixas, e outros nomes das novas gerações devem marcar presença. Vale lembrar que ele já bateu bola com astros atuais como John Legend, India Arie, Jill Scott e Justin Timberlake, entre outros.

Sergio Mendes nasceu em Niterói (RJ) em 11 de fevereiro de 1941, e ainda novo se destacou na então ainda emergente bossa nova, no finalzinho dos anos 1950/começo dos anos 1960. Com o tempo, percebeu que poderia ter futuro no mercado internacional e se mudou para os EUA, após ter lançado alguns discos por aqui. Em 1966, lançou Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil 66, álbum do qual foi extraído o single Mas Que Nada, de Jorge Ben, que rapidamente o levou ao top 10 da parada ianque.

A seguir, o bandleader se mostrou craque não só em dar um formato pop à bossa nova como também a “bossanovear” clássicos da música pop daquela época, como The Fool On The Hill (dos Beatles) e The Look Of Love (de Burt Bacharach e Hal David). O seu som orquestral balançado e sempre com vocalistas femininas, entre as quais Lani Hall e Gracinha Leporace (com a qual se casaria), soube se manter atualizado.

Tanto que volta e meia ele volta às paradas de sucesso, o que ocorreu em 1983 com o single Never Gonna Let You Go, em 1992 com o álbum Brasileiro e em 2006 com o CD Timeless. Em seu currículo, milhões de álbuns vendidos e três troféus Grammy, o Oscar da música.

Curiosamente, ele sempre foi detonado por boa parte dos críticos no Brasil, durante décadas, algo que só se reduziu de uns anos para cá. Como dizem por aí, a verdade e o talento sempre vencem, no fim das contas. Bem, nem sempre, mas ao menos neste caso específico.

The Fool On The Hill- Sergio Mendes:

Nana Caymmi: suas deliciosas “canções para novelas de TV”

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Por Fabian Chacur

Nana Caymmi é uma cantora de personalidade forte. Embora não seja uma compositora de ofício (só tem uma composição em seu currículo, Bom Dia, parceria com o ex-namorado Gilberto Gil), é daquelas que não grava nada que não a agrade, e que não tenha sido escolhido com critério e bom gosto. Uma boa prova é Nana Novelas, coletânea que reúne 15 músicas de seu repertório que integraram trilhas de novelas e minisséries globais. Quer algo mais popular do que uma novela global?

No entanto, nenhuma dessas gravações cai no popularesco ou na vulgaridade que algumas canções selecionadas para embalar romances ficcionais possuem. Nada disso. Quando uma gravação da filha de Dorival Caymmi é escolhida, o selecionador sabe que terá em mãos um registro de alta qualidade artística, com belas letras, melodias caprichadas e interpretações daquelas que vem do fundo da alma, sem concessões ao sentimentalismo barato.

O bacana é que Nana tem como tema básico de seu repertório as idas e vindas do amor, um dos setores mais explorados pelos artistas de viés comercial. Em seu caso, ela dá um tratamento classudo ao romance, ao olho no olho, aos suspiros no portão. Difícil ouvir uma interpretação dessa carioca nascida em 29 de abril de 1941 e não ficar com lágrimas nos olhos, pois ela sabe tocar no nervo daqueles corações apaixonados.

O repertório de Nana Novelas traz músicas de trilhas de novelas lançadas pela Globo entre 1977 e 2010. Não coube tudo. Então, maravilhas do porte de Beijo Partido e Doce Presença, por exemplo, ficaram de fora. O consolo é que nenhuma das que entraram pode ser considerada como bicona nesse reino de maravilhas sonoras. Não há um único acorde aqui que não possa proporcionar prazer aos enamorados.

Temos bolero, bossa nova, samba canção e MPB,com arranjos inspirados que vão da utilização de orquestras a momentos intimistas. Duas faixas são duetos, uma com Erasmo Carlos (Não se Esqueça de Mim, de Roberto e Erasmo Carlos), outra com Chico Buarque (Até Pensei, do próprio Chico, cuja presença na faixa não foi creditada no CD).

Só tem autor craque aqui. Milton Nascimento e Ronaldo Bastos (Cais, de arrepiar até zumbi), Ivan Lins e Vitor Martins (Mudança dos Ventos), Agustin Lara (Solamente Uma Vez), Gonzaguinha (De Volta ao Começo), Tom Jobim (Só Em Teus Braços), Aldir Blanc e Cristóvão Bastos (Suave Veneno e Resposta ao Tempo), João Bosco e Aldir Blanc (Quando o Amor Acontece), papai Dorival Caymmi e Carlos Guinle (Não Tem Solução)…

Só faltou um pequeno, porém importante, detalhe para que Nana Novelas merecesse uma nota dez com louvor. O encarte possui apenas quatro páginas, trazendo só o nome das músicas, os autores e de que trilha sonora de novela ou minissérie cada gravação fez parte. Como forma de valorizar o produto físico, a publicação das letras das canções e um texto contextualizando as gravações seria essencial. Apesar disso, trata-se de um disco para se ouvir suspirando de felicidade.

Cais– Nana Caymmi:

Banda Maneva lança um novo DVD com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Após 10 anos de carreira como banda independente, a Maneva inicia uma parceria com a Universal Music. O primeiro fruto é o DVD/CD Ao Vivo em São Paulo, gravado no Espaço das Américas perante 6.800 fãs entusiásticos. O trabalho inclui seus sucessos e também oito canções inéditas. O lançamento em São Paulo ocorrerá nesta sexta (31) a partir das 22h com um show na Audio (avenida Francisco Matarazzo, nº 694- Água Branca- fone 0xx11-3862-8279), com ingressos custando R$ 30,00 (pista) e R$ 65,00 (mezanino).

Maneva é uma palavra de origem africana cujo significado é prazer. O time teve início em 2005 com Tales de Polli (vocal e guitarra) e Diego Andrade (percussão). Entraram posteriormente Felipe Sousa (guitarra), Fernando Gato (baixo) e Fabinho Araújo (bateria). Eles lançaram por conta própria os trabalhos Maneva (2006-CD), Tempo de Paz (2009-CD), Teu Chão (2012-CD), Maneva- 8 Anos ao Vivo (2013- DVD e CD), 5 Cabeças (2014-EP) e Somos Maneva (2015-CD).

“Um empresário nos mostrou que poderíamos ir ainda mais longe na carreira se tivéssemos um apoio maior, com uma estrutura mais forte, e a Universal é uma ótima parceria nesse sentido, pois tem um lugar de destaque em excelentes vitrines”, explica Tales sobre a decisão da banda de iniciar sua parceria com a Universal.

Desde o seu início, o objetivo da Maneva foi criar uma obra autoral personalizada e de qualidade artística e técnica. Tanto que, segundo Tales, o grupo investiu tudo o que ganhou até 2012 no próprio trabalho, como forma de consolidar o seu crescimento. Como filosofia, uma sonoridade ao mesmo tempo melódica, pop e próxima do reggae de raiz. “Sempre pregamos o amor ao próximo, e nunca buscamos o sucesso como nosso objetivo final, ele veio de forma natural”.

Ao Vivo Em São Paulo conta com diversas participações especiais. “O Armandinho, a Tatti Portella (do grupo Chimarruts) e o Zeider Pires (do grupo Planta & Raiz) são grandes influências, ouvimos muito os seus trabalhos, e eles foram muito atenciosos conosco. O Haikaiss e Oriente nos trouxeram a energia do rap, enquanto o Deko é um dos caras mais consistentes da nova geração do reggae”.

E já que o tema é o reggae brasileiro, Tales afirma que vê belas perspectivas para esse gênero musical no Brasil. “Acredito em uma nova explosão do reggae por aqui depois daquela fase boa de 2000 a 2005. Todos os grandes nomes estão vindo com novos trabalhos muito bons, e isso certamente ajudará nesse sentido”.

Uma das novidades do DVD/CD ao vivo é a presença de metais e cordas dando apoio à banda original, o que Tales pretende levar para os shows da turnê de divulgação. “Esse trabalho é uma celebração da boa música, dos bons sentimentos, e nosso projeto é ter a banda completa nos shows, com metais, teclados e tudo”

Saudades do Tempo (ao vivo)- Maneva:

Biquini Cavadão faz um show em SP para lançar novo álbum

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Por Fabian Chacur

Com seu novo álbum, As Voltas Que o Mundo Dá, o Biquini Cavadão realiza um antigo sonho, que era ser produzido por Liminha, um dos grandes nomes do rock e do pop brasileiro de todos os tempos. A banda carioca traz a turnê de lançamento deste trabalho a São Paulo para um único show no dia 23 de março (quinta-feira) às 21h no Teatro Bradesco (rua Palestra Itália, nº 500- 3º andar- loja 263- Pompéia-SP- call center 4003-1212), com ingressos custando de R$ 40,00 a R$ 200,00.

Integrado por Bruno Gouveia (vocal), Carlos Coelho (guitarra e violão), Miguel Flores da Cunha (teclados) e Álvaro Birita (bateria), o Biquini Cavadão só tem palavras elogiosas para definir sua parceria com Liminha, que já trabalhou com Paralamas do Sucesso, Titãs, Gilberto Gil e uma infinidade de outros nomes importantes da nossa música. “Liminha foi um intensivão que fizemos, uma aula de rock nacional e uma injeção ânimo e ideias”, diz Miguel.

As Voltas que o Mundo Dá traz 12 faixas inéditas, com direito a parcerias com os americanos Eric Silver (Um Minuto Com Você) e Beth Hart (A Saudade é o Museu do Amor) e o neozelandês Simon Spire (Para Sempre Seu Maior Amor). Além de produzir, Liminha também toca baixo, guitarra, violão, bandolim e loops no álbum, cuja turnê de divulgação chegará ao Rio de Janeiro no dia 8 de abril, na Fundição Progresso.

Um Rio Sempre Beija o Mar– Biquini Cavadão:

Hyldon apresenta inspiração e boas canções em novo CD

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Por Fabian Chacur

Hyldon integra a santíssima trindade da soul music brasileira ao lado de Tim Maia e Cassiano, com quem, por sinal, trabalhou antes de assumir sua carreira-solo em tempo integral, lá pelos idos de 1975. Naquele ano, lançou o fantástico Na Rua Na Chuva Na Fazenda, um dos melhores álbuns de qualquer gênero musical já lançados por aqui. Mais de 40 anos depois, ei-lo esbanjando inspiração em seu 12º trabalho, o delicioso As Coisas Simples da Vida (Deck), comparável com aquela estreia incrível.

Nascido em 17 de abril de 1951 na Bahia e radicado no Rio desde os 7 anos de idade, Hyldon sabe como poucos compor aquele tipo de canção ao mesmo tempo swingada, intensa e envolvente, com letras bacanas falando de amor, natureza, família e outros temas com os quais todos podem se identificar. Com uma voz deliciosa e mais do que adequada ao estilo soul-funk-pop, ele sabe como fazer música acessível e com alto grau de sofisticação. Coisa de mestre.

Bastante ativo nos últimos anos e sem se mostrar disposto a descansar em cima dos preciosos louros do passado, Hyldon volta ao universo das canções inéditas após o elogiado Romances Urbanos (2013), no qual trouxe parcerias com Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Jorge Vercillo, Mano Brown e Dexter, entre outros. Neste, ele é o autor de todas as dez canções, sendo cinco sozinho e as outras cinco com parceiros como Alex Malheiros e Luiz Otávio.

A principal virtude de As Coisas Simples da Vida é a sua fluência e concisão. Não há aqui um único acorde, um único verso, uma única canção sobrando. Dá para se ouvir de ponta a ponta com o mesmo prazer. Além disso, não se mantém em um único andamento, indo do soul swingado ao mais romântico, com direito a bossa, funk de verdade e até rock. Os arranjos de metais são simplesmente impecáveis, e os vocais andam pela mesma estrada.

A faixa que dá nome ao álbum é tão boa como seus hits clássicos, aquelas maravilhosas As Dores do Mundo, Na Rua Na Chuva Na Fazenda (Casinha de Sapê) e Na Sombra de Uma Árvore. Tem uma levada soul swingada com cara de anos 70 e meio jazzística. Depois do Inverno traz a veia soul mais tradicional, enquanto Música Bonita, com direito a quatro vocalistas solo (Hyldon, Guinho Tavares, Arthur de Palla e Márcio Pombo), envolve com sua melodia, seu violão no centro e um refrão daqueles que nascem clássicos.

A ala mais agitada do repertório traz o funkão Um Trem Pra Bangu, a bossa-soul Sábado Passado, o funk a la Tim Maia Papai e Mamãe e o rock no melhor estilo Erasmo Carlos Todo Mundo é Dono da Rua. As baladas O Raio do Amor, Nosso Lar é Onde o Amor Morar e Não Molhe os Olhos completam o repertório de forma consistente e inspirada.

Em outros tempos, As Coisas Simples da Vida teria pelo menos umas três músicas estourando nas programações das rádios e venderia muito. Como isso não parece ser muito fácil de se concretizar atualmente, ao menos este álbum serve como prova de que Hyldon continua em plena forma aos 65 anos de idade, com a voz intacta e inspirado para nos oferecer novidades quentes. Ignore a indiferença da mídia e mergulhe neste trabalho de cabeça!

Obs.: o único ponto a ser lamentado neste CD é o fato de o encarte não trazer as ótimas letras das canções, o que ajudaria a tornar perfeita a ótima embalagem digipack e as fotos bacanas das gravações. O formato físico não pode prescindir desse tipo de informação, ainda mais se levarmos em conta a poesia e as belas mensagens das letras de Hyldon.

As Coisas Mais Simples da Vida– Hyldon:

Danilo Caymmi relê com pura classe a obra de Tom Jobim

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Por Fabian Chacur

A carreira discográfica de Danilo Caymmi começou em um disco do seu pai, Dorival Caymmi, o antológico Caymmi Visita Tom (1964). Nele, teve a primeira oportunidade de trabalhar com Tom Jobim. Era o início de uma parceria que se estreitaria a partir de 1983, quando o flautista e cantor passou a integrar a Banda Nova, que acompanhou o Maestro Soberano em discos e em inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo.

Tom foi decisivo na carreira de Danilo, ao incentivá-lo não só a cantar, mas como a assumir a tonalidade natural de sua voz. O artista carioca que completará 69 anos no próximo dia 7 de março faz uma bela viagem no universo de seu mentor no CD Danilo Caymmi Canta Tom Jobim, que acaba de ser lançado pela Universal Music.

A capa do CD possui uma diagramação que lembra a dos álbuns Tide e Wave, do homenageado. A faixa Estrada do Sol traz uma belíssima participação especial da cantora americana Stacey Kent. Em deliciosa entrevista exclusiva concedida por telefone a Mondo Pop, ele fala do disco, do seu relacionamento com Tom e muito mais.

Mondo Pop- A primeira gravação da sua vida foi no álbum Caymmi Visita Tom, gravado por seu pai com a participação de Tom Jobim. Quais as recordações que você tem dessa experiência?
Danilo Caymmi– Meu pai era muito amigo do Tom. A ideia desse disco surgiu do produtor Aloysio de Oliveira. Lembro que eu estava mais preocupado com a prova de Química que faria (risos). Tocava flauta há poucos meses, era muita responsabilidade, o Dori e a Nana (seus irmãos, que também participaram do álbum) também eram muito novos. A gravação de Saudade da Bahia tem um contracanto do Tom incrível. Ele respeitava muito o meu pai. Esse disco contou com grandes músicos, é um trabalho maravilhoso.

Mondo Pop- Como surgiu a oportunidade de você entrar na Banda Nova, que se tornou o grupo de apoio do Tom a partir de 1983?
Danilo Caymmi
– O Tom estava meio parado no Rio, e foi chamado para fazer um show na Áustria, na cidade de Viena. O Paulo Jobim, seu filho e meu amigo, me chamou para participar da banda que iria acompanha-lo nessa apresentação. Durante os ensaios, o Tom me convidou para cantar A Felicidade e Samba do Avião, como solista. Fui até estudar canto.Já havia lançado um LP solo (Cheiro Verde, em 1977), mas usava falsete. Foi com a Banda Nova que assumi o meu verdadeiro tom de voz.

Mondo Pop- Qual o critério que você seguiu na seleção das 11 músicas que estão em Danilo Caymmi Canta Tom Jobim?
Danilo Caymmi
– Acho que esse é provavelmente o melhor disco que gravei em minha carreira, é o mais trabalhado, um mergulho profundo na obra do Tom. O critério de escolha das canções foi puramente afetivo. Ele gostava muito de vocais. Fiz de uma forma que ele gostasse. Por Causa de Você eu ouço desde garoto. Eu participei da gravação original de Chora Coração. Querida eu vi ele fazer, ele não terminava nunca. Quando a finalizou, eu mostrei para o produtor Mariozinho Rocha no viva voz, e acabou entrando na abertura da novela O Dono do Mundo (1991). E Tema Para Gabriela tem a citação da música do Papai, Modinha Para Gabriela.

Mondo Pop-Fale um pouco sobre a concepção sonora do seu CD.
Danilo Caymmi
– O Flávio Mendes se incumbiu dos arranjos. Não é um repertório fácil, são canções minimalistas e complexas. E não tem nem bateria e nem piano, o disco traz eu na voz e flautas, o Flávio no violão e o Hugo Pilger no violoncelo. Inclusive, penso em fazer o show de divulgação com esse mesmo formato, espero concretizar ainda esse ano.

Mondo Pop- Era impressionante a simplicidade do Tom Jobim. Quem teve a chance de conhece-lo não imaginaria o tamanho de sua importância, se levarmos em conta esse desapego à frescura. Como você avalia isso?
Danilo Caymmi
– Essas pessoas mais geniais, como o meu pai, o Tom, o Vinícius de Moraes, eram muito simples. Eles sabiam que não precisavam provar nada a ninguém. A arrogância não passava por esse povo. Aprendi isso com eles. A gente sabe que tem de ser acessível, de respeitar o caminho, é importante saber que são as pessoas que nos possibilitam uma carreira.

Mondo Pop- Os formatos musicais mudaram muito desde o começo de sua carreira. Vinil, fita cassete, CD, agora streaming. Como você lida com isso?
Danilo Caymmi
– Eu vejo que os formatos musicais vão e voltam. No fim das contas, tudo se ajeita. Sempre foi muito ligado à tecnologia. Hoje é o streaming, não é nada linear. Estamos em meio a uma revolução, e é importante saber se adaptar aos novos formatos.

Mondo Pop- Você usa as redes sociais para divulgar seu trabalho e dialogar com os fãs?
Danilo Caymmi
– Uso muito o Facebook. Até criei por lá umas aparições eventuais ao vivo que apelidei de TV Dendê que sempre dão um ótimo retorno. Isso me aproximou mais do público. Gosto muito do bom humor, de uma relação mais próxima com os fãs.

Mondo Pop- Você deve ter centenas de histórias legais para contar das suas viagens com o Tom. Conte uma delas.
Danilo Caymmi
– Uma coisa muito engraçada ocorria nas entrevistas no exterior. Sempre perguntavam a ele o que era a bossa nova, e toda vez ele vinha com uma resposta diferente. Duas delas são bem divertidas: bossa nova é “euforia controlada” e “Guerra de guerrilhas”. (risos)

Ouça a gravação de Querida, com Danilo Caymmi:

Cantora Fátima Fonseca lança O Espelho com show em SP

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Por Fabian Chacur

O Espelho é o primeiro CD da cantora e compositora paulistana Fátima Fonseca. Lançado pela via independente, o trabalho traz oito faixas interpretadas em português, castelhano e inglês. Ela mostra esse repertório e mais outras canções em show neste domingo (12) às 20h30 no Café Piu Piu (rua Treze de Maio, nº 134-Bela Vista- fone 0xx11-3258-8066), com ingressos a R$ 25,00.

O álbum coroa a parceria artística entre Fátima e o pianista, compositor e arranjador David Pasqua, que é autor ou coautor de cinco das oito canções do CD, sendo duas delas assinadas pelos dois. Ele também se incumbirá, no show deste domingo, de piano e arranjos da banda de apoio da cantora, que também traz como integrantes Diego Trindade (guitarra), Marcelo Rocha (baixo) e Edson Ghilardi (bateria), com participação especial de Marcelo Mejia (autor da faixa Desde Que Tú No Estás, um dos destaques do disco).

Além de faixas autorais, como Como Um Ímã e Rio de Moinhos, o trabalho de estreia de Fátima Fonseca também conta com composições alheias, entre elas We’ve Only Just Begin (Paul H. Williams-Roger S.Nichols), grande hit com os Carpenters. Descendente de portugueses, a artista recentemente fez um show de lançamento do CD na cidade de Viseu, em Portugal, no qual também cantou alguns fados.

O Espelho (clipe)- Fátima Fonseca:

Rapha Oliveira inicia série de shows no Beco das Garrafas

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Por Fabian Chacur

Rapha Oliveira inicia nesta sexta (3) às 21h uma série de shows no histórico Beco das Garrafas (rua Duvivier, nº 37- Copacabana- fone 0xx21- 2543-2962). O cantor e compositor se apresentará no Little Club daquele espaço para shows, e voltará nos dias 10, 17 e 24 de fevereiro, sempre no mesmo horário e local. Os ingressos custam R$ 40,00.

A carreira de Rapha teve início como vocalista de apoio de artistas como Anitta, Sorriso Maroto e Kleber Lucas. Ele também teve composições de sua autoria gravadas por artistas do porte da própria Anitta, Ferrugem, Péricles (ex-Exaltasamba) e Raquel Mello. Ele está iniciando a sua carreira-solo com o lançamento de seu primeiro CD, O Mundo Lá Fora.

O álbum de estreia traz nove composições do próprio artista, nas quais ele se divide entre samba, MPB e pop nacional. Marcam presença no disco Milton Guedes, Thais Macedo e Jessé Sadoc. Músicas deste trabalho, como Ilusão, Fardo, Seu Par e O Mundo Lá Fora, estarão no set list de seus shows no Beco das Garrafas, além de canções dos repertórios de Luciana Melo (Simples Desejo), Djavan (Meu Bem Querer), Lulu Santos (Tudo Bem) e Sandra de Sá (Olhos Coloridos), entre outras.

Seu Par– Rapha Oliveira e Thais Macedo:

Thadeu Romano dá um show de estilo em Da Reza à Festa

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Por Fabian Chacur

Thadeu Romano é um daqueles músicos com currículo de dar inveja. Entre outros, ele já atuou ao lado de nomes do alto gabarito de Bibi Ferreira, Antônio Nóbrega, Danilo Caymmi, Marina de La Riva, Roberta Miranda, Zizi Possi, Geraldo Azevedo, Fábio Jr., Dominguinhos e Fernanda Porto. A amostra dá uma dica do que surge em seu disco solo Da Reza à Festa: versatilidade, estilo próprio e muita categoria. Coisa de quem de fato sabe o que está fazendo.

Com coprodução musical a cargo do experiente e consagrado Swami Jr., que o incentivou a gravar este álbum, Thadeu Romano se cercou de ótimos músicos para realizar o que pretendia em termos musicais. Gente do porte de Toninho Ferragutti, François de Lima, Luiz Guello, Laércio de Freitas, Carlos Malta, Marcelo Modesto, Rodrigo Sater e Paulo Ribeiro. O time vestiu a camisa do trabalho, e se sai bem no acompanhamento, solos e texturas apresentadas.

As onze faixas contidas no CD provam que o título não está aí por acaso, pois os climas sonoros variam das batidas mais festeiras a alguns momentos reflexivos com ambiência espiritual e introspectiva. Ritmos como o forró, o chamamé, o samba, o tango e até mesmo uma eventual pitada roqueira geram uma sonoridade rica, boa de se ouvir e que nos leva a uma viagem deliciosa rumo a um mundo no qual a gente é obrigado a ser feliz. E feliz seremos!

Romano, que recentemente fez turnê de um mês pela Europa, nos oferece de bom grado as várias possibilidades de seu instrumento, além de se mostrar um ótimo compositor, com um fornada de temas instrumentais requintados e bons de se ouvir. Da Reza à Festa equivale a uma profissão de fé no instrumento divulgado por virtuoses como Sivuca, de quem, por sinal, o músico admite ter boas influências, especialmente nesse lado versátil e sem fronteiras.

Lua Cheia (ao vivo)- Thadeu Romano:

Gatos e Ratos traz Odair José com rock básico e tema irado

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Por Fabian Chacur

Odair José sempre incluiu boas doses de rock em seu trabalho, vide o incrível e injustiçado O Filho de José e Maria (1977). De uns tempos para cá, no entanto, esse gênero musical virou o eixo de sua criação, vide o excelente e muito elogiado Dia 16 (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Seu novo álbum, Gatos e Ratos, equivale a mais rock na fogueira. Rock do bom!

A concepção sonora do novo trabalho deste consagrado cantor, compositor e músico goiano aposta em uma sonoridade crua, com a presença de apenas três músicos: o próprio Odair (vocal e guitarra), o coprodutor (ao lado de Conrado Ruther) Júnior Freitas (guitarra, baixo, teclados e piano) e Caio Mancini (bateria e percussão). Muitos riffs e solos de guitarras ótimos, vocais bem entrosados e pequenas sutilezas aqui e ali, para dar um colorido e um toque de classe.

A temática das letras é baseada no inconformismo com a situação atual do mundo, no qual o ser humano não se respeita e não respeita a natureza, o próximo, o bem-estar, coisa alguma. Irado, o artista libera sua visão com letras fortes, simples em seu formato para que todos possam entender, mas sem cair na banalidade. Nada de tomar partidos ou de panfletarismo. O que ele defende é um respeito que parecemos ter perdido por tudo e por todos.

São dez músicas, com destaques para a ótima faixa-título, as ardidas Carne Crua e Cobrador de Impostos e a virulenta Segredos. Um momento particularmente inspirado é a ácida balada Livre, com guitarra slide a la George Harrison e letra na qual fica claro que nem sempre ser livre é o melhor para nós. Pelo menos, não no caso específico que ele aborda. Gatos e Ratos é papo reto bem tocado e bem cantado. Odair rules!

Gatos e Ratos- Odair José (CD em streaming):

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