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Linda Ronstadt brilha em álbum ao vivo inédito gravado em 1980

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Por Fabian Chacur

Com mais de 35 álbuns lançados em seus 50 anos de carreira discográfica, Linda Ronstadt nunca havia nos ofertado um disco gravado ao vivo. Pois essa lacuna acaba de ser preenchida de forma brilhante com Live In Hollywood, que a Warner Music lançou nos formatos CD e vinil no exterior, e também nas plataformas digitais de todo o mundo. Eis um registro sensacional de uma cantora considerada uma das grandes da história do country rock, e não só dele, por sinal.

Infelizmente, esta icônica artista se afastou do cenário musical em 2011. Em agosto de 2013, revelou a razão: é portadora do mal de Parkinson, que a impede de desempenhar o dom que a tornou capaz de emplacar três álbuns no topo da parada americana, de ganhar 13 troféus Grammy, vender mais de 30 milhões de discos em todo o mundo, entrar no Rock And Roll Hall Of Fame e ser considerada a pioneira entre as roqueiras solo a lotar grandes arenas, na década de 1970.

Live In Hollywood foi gravado ao vivo em um show registrado para exibição no canal a cabo HBO em 24 de abril de 1980 no Television Center Studios, em Hollywood. Aos 33 anos (completaria 34 no dia 15 de julho daquele mesmo ano), a moça vivia o auge em termos de popularidade, estando no início da turnê que divulgou o álbum Mad Love, lançado dois meses antes e que atingiu o terceiro lugar na parada ianque graças a hits como I Can’t Let Go e How Do I Make To You, que por sinal fazem parte do set list do show que gerou este trabalho ao vivo.

O elenco de músicos que a acompanha no show é uma verdadeira seleção de craques da cena de Los Angeles, mais precisamente do bittersweet rock e do country rock. O saudoso Kenny Edwards (guitarra), que esteve a seu lado no efêmero (porém influente) grupo The Stone Poneys em 1967-1968 e depois se tornou seu braço direito, Danny Kortchmar (guitarra), Dan Dugmore (pedal steel), Russell Kunkel (bateria), Bob Glaub (baixo), Bill Payne (do grupo Little Feat, teclados), Wendy Waldman (vocais de apoio) e Peter Asher (seu produtor, percussão e vocais de apoio). Um timaço, nomes que você encontra em discos das feras dessa praia, tipo James Taylor, Jackson Browne e tantos outros.

Além das músicas do álbum mais recente, ela também nos mostra hits bacanas do seu repertório, entre os quais uma explosiva releitura de You’re No Good com direito a belas performances dos músicos, incluindo um solo de guitarra espetacular de Kenny Edwards. Outras canções matadoras são Just One Look, Back In The U.S.A. e Desperado. Aliás, vale recordar que esta última foi composta e gravada originalmente por uma banda que em 1971, por alguns meses, foi sua banda de apoio, e deixou a função para se aventurar no voraz mundo do rock. Seu nome: The Eagles, ninguém menos do que eles.

Coincidência ou não, Live In Hollywood sai no ano em que a carreira-solo de Linda Ronstadt completa 50 anos, ela que anteriormente havia gravado três álbuns com os Stone Poneys. Em 1969, a cantora lançou Hand Sown…Home Grown, e se criou no cenário do clube Troubadour (West Hollywood, California), que revelou ela, os Eagles, Jackson Browne, James Taylor, Carole King (como cantora) e até mesmo o britânico Elton John (que iniciou sua conquista do mercado americano com um show lá em 1970).

Com forte veia roqueira, Linda no entanto não se limitou a esse estilo musical em sua carreira. Quando criança e adolescente, ouviu literalmente de tudo na casa dos pais, e a partir da década de 1980, deu vasão a essa veia eclética gravando standards do jazz, música mexicana, gospel, ópera e até new age. Entre esses trabalho, destacam-se os gravados com direção do célebre arranjador e maestro Nelson Riddle (que trabalhou com Frank Sinatra) e o grupo Trio, que integrou ao lado das amigas Dolly Parton e Emmylou Harris. Vale recordar que ela foi uma das primeiras a gravar músicas de Elvis Costello.

Eis as músicas de Live In Hollywood:

1. I Can’t Let Go
2. It’s So Easy
3. “Willin’
4. Just One Look
5. Blue Bayou
6. Faithless Love
7. Hurt So Bad
8. Poor Poor Pitiful Me
9. You’re No Good
10. How Do I Make You
11. Back In The U.S.A.
12. Desperado”

You’re No Good (ao vivo)– do álbum Live In Hollywood:

Michel Freidenson e Teco Cardoso releem Luiz Millan e Moacyr Zwarg em DVD e CD

Michel Freidenson, Anna Setton, Luiz Millan e Teco Cardoso - Foto Priscila Prade-400x

Por Fabian Chacur

Formado em medicina com especialização em psiquiatria, Luiz Millan também desenvolveu sua veia musical, estudando piano e violão. Após ver um show do pianista Moacyr Zwarg, não só procurou o músico para elogiá-lo como também quis ter aulas com ele. O aprendizado formal não foi lá essas maravilhas, mas rendeu coisa melhor: uma parceria musical. Nascia ali uma semente que rendeu quase 40 músicas, um CD de estúdio e, agora, um DVD-CD, Dois Por Dois Ao Vivo. Trata-se de um trabalho inusitado, e cuja história é deliciosa, envolvendo fortes amizades e muito talento e emoção. O resultado merece bons elogios.

Pois vamos acrescentar mais informações sobre os eventos que geraram este trabalho. Millan viu que o número de obras compostas por ele e Zwarg era bastante significativo. Aí, surgiu a ideia de registrar uma parte delas, 14, para ser mais preciso, em um CD. Mas o conceito em torno desse trabalho seria diferente. Ao invés de os autores as gravarem, eles convidariam dois outros músicos para interpretá-las. E Millan resolveu convidar um amigo que já havia trabalhado com ele, o pianista, compositor e arranjador Michel Freidenson.

Na estrada desde os anos 1980 com muito destaque, integrante de bandas como a ZonaZul e acompanhando nomes do porte de Hermeto Pascoal, Djavan, Milton Nascimento e outros, além de trabalhos próprios, Freidenson aceitou de imediato o convite do velho amigo, e logo em seguida outro parceiro dele de muitos anos, o flautista e saxofonista Teco Cardoso, entrou no time. Teco integrou o ZonaZul junto com Freidenson, e tocou com Edu Lobo, Hermeto Pascoal, Dori Caymmi, Ivan Lins e Toots Thielemans. Mesmo sem tocar junto há algum tempo, o duo logo viu que continuava entrosado.

O CD Dois Por Dois saiu em 2016, e no dia 25 de agosto daquele mesmo ano foi realizado em São Paulo, no Teatro Espaço Promon, um show de lançamento. O espetáculo traria no palco Freidenson, Cardoso e também a cantora Anna Setton, que participou do álbum na única faixa com vocais do mesmo, a delicada balada Janeiro de 76. Millan apresentou as músicas e tocou piano em um único momento, para acompanhar no piano a leitura do poema Depois de Ouvir o Millan (de autoria de Márcia Salomão) por Marília Pereira Bueno Millan.

Felizmente, surgiu a ideia de gravar, com quatro câmeras e direção do jovem Thales Menezes, a apresentação, mas com o intuito apenas de registrar o evento. O resultado, no fim das contas, ficou tão bom que o lançamento se mostrou inevitável, e é exatamente o que acaba de acontecer, em luxuosa embalagem digipack com direito a encarte caprichado e englobando DVD e CD em um único produto, distribuído pela Tratore e com preço médio de R$ 30,00.

O repertório traz as 14 faixas do CD de estúdio mais o já citado poema e também três canções de Millan compostas com outros parceiros: E O Palhaço Chorou (com Mozar Terra), Entre Nuvens (com Plinio Cutait) e Montparnasse (também com Plinio Cutait). As três, e também Janeiro de 76, são interpretadas em um único bloco no show por Anna Setton, que se mostra à vontade na função, ressaltando as boas melodias e letras de cada faixa.

As músicas da dupla Millan & Zwarg possuem uma delicadeza muito grande, valendo-se de elementos de várias vertentes da música brasileira e com um tempero erudito. A seleção, segundo conta Millan no ótimo making of de 16 minutos contido no DVD, procurou optar por uma diversidade de estilos, com direito a canções, bossa nova e até frevo. O Passar das Horas, Frevo Para Léa (bela homenagem a Lea Freire), Dois Por Dois e Primeiro Amor são destaques de um repertório que flui sem dificuldade.

A parte triste ficou para o fim. No dia 22 de junho de 2017, durante a fase de produção do DVD, Moacyr Zwarg nos deixou, aos 72 anos de idade. Ele aparece tanto no making of (gravado em 2016, após o lançamento do CD de estúdio) como na plateia do show, e este lançamento equivale a uma bela e merecida homenagem a ele, oriundo de uma família de vários músicos (incluindo o pai, Antonio Bruno Zwarg) e com trabalhos ao lado de nomes como Hermeto Pascoal, Fagner, Ednardo, Leny Andrade e Peri Ribeiro, entre outros.

Janeiro de 76 (ao vivo)- Michel Freidenson e Teco Cardoso, com Anna Setton:

Mutinho mostra as músicas de Meu Segredo no Bar Brahma

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Por Fabian Chacur

Mutinho está há mais de 50 anos na cena musical brasileira. Nesses anos todos, brilhou como baterista e compositor, tendo atuado ao lado de Toquinho, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Nara Leão, Pery Ribeiro, Chico Buarque, Leny Andrade e outros. No entanto, ele só havia lançado um único disco próprio, um compacto duplo em 1977. Faltava um álbum completo. Não falta mais. Lançado pela gravadora Kuarup, Meu Segredo já está disponível nas plataformas digitais e em uma magistral versão em CD com direito a capa do mestre Elifas Andreato e encarte luxuoso. O show completo de lançamento em São Paulo será realizado nesta quarta-feira (9) às 21h no Bar Brahma (avenida São João, nª 677- Centro- fone 0xx11-2039-1251), com couvert artístico a R$ 30,00.

Meu Segredo teve um parto complicado, digamos assim, pois suas gravações foram realizadas durante longos cinco anos, com início em 2012 e finalização em 2017. Mas valeu a pena a espera. E convenhamos: para quem aguardava por essa realização desde a década de 1960, até que não demorou tanto assim… O repertório é totalmente autoral, mesclando composições inéditas e outras gravadas anteriormente, parcerias com Vinícius de Moraes, Toquinho, João Palmeiro, Carlos Chagas, Marcio Mutalupi e Luiz Carlos Seixas.

As sonoridades se alternam entre samba, marcha-rancho, bossa nova, valsa e latinidade, com direito a belas melodias e letras inteligentes e sensíveis. Temos as participações especiais da saudosa Miúcha e também de Toquinho e Georgiana de Moraes, esta última filha do inesquecível Poetinha.

Com concepção artística e produção artística de Wagner Amorosino, Bruno De La Rosa e Marcos Alma, o CD conta em seu elenco de músicos com feras do porte de Silvia Góes (piano), Fi Maróstica (baixo) e Alex Braga (violino), entre outros. Um dos destaques é a deliciosa faixa Turbilhão, hit na gravação de Toquinho & Vinícius em 1975 e muito bem relida aqui.

No show, Mutinho, baterista que assumiu seu lado vocalista neste CD, terá a seu lado Bruno De La Rosa (violão e voz), Wagner Amorosino (teclado) e Nicolo De Caro (percuteria). No show, as canções do CD e outras, entre as quais possivelmente outro hit de Toquinho & Vinícius que leva a sua assinatura, Escravo da Alegria. Como se não bastasse tanto currículo, Mutinho ainda é sobrinho do grande compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues. Aliás, seu nome de batismo é Lupicinio Morais Rodrigues, e também tem origem nos pampas gaúchos, nascido em Porto Alegre em 4 de fevereiro de 1941. Mas que baita pedigree, tchê!

Ouça Meu Segredo, de Mutinho, em streaming, na íntegra:

Miguel Barone relê Adoniran Barbosa com nova roupagem

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Por Fabian Chacur

Miguel Barone possui duas faces bem distintas, digamos assim, em termos musicais. Uma delas, na qual se vale do pseudônimo Krafor, é a de vocalista, compositor e líder da banda de rock Zona Proibida, que tem em seu currículo dois ótimos trabalhos, Corrida Noturna (1991) e Pane Cega (2016, (leia a resenha aqui). A outra o apresenta como fã ardoroso de Adoniran Barbosa (1910-1982), investindo de forma incomum e original nas canções deste saudoso cantor e compositor. Essa segunda faceta acaba de render um novo fruto.

Trata-se do EP Adoniran Mezzo a Mezzo, disponível em versão física e com cinco faixas, sendo quatro delas versões em italiano para as letras originais e uma, Trem das Onze, com a letra tradicional em português. A primeira experiência de Barone com essa releitura das canções do grande mestre do samba paulista ocorreu em 1996 com o lançamento de uma fita cassete independente que obteve boa repercussão e lhe valeu participação em programas de TV.

Oriundo do bairro paulistano da Bela Vista, o mítico Bixiga, com forte presença de descendentes de italianos e personificado em várias canções do genial Adoniran, Miguel resolveu unificar essas duas marcas do bairro em um pacote só. Essa característica marcante do Brasil, a mistura de diversas culturas, é ressaltada ainda mais na forma como Krafor resolveu gravar tais canções.

Além das novas letras em língua napolitana, o samba original do autor de Saudosa Maloca, embora ainda forte e presente, recebe fortes elementos de rock, blues e jazz nos arranjos, com um resultado bastante criativo, mas sem fugir excessivamente da essência do som do compositor paulista.

Com interpretação ao mesmo tempo roqueira e swingada, Miguel Barone nos oferece Prova Del Mio Amore (Prova de Carinho), Alvaro (Tiro ao Álvaro), Samba (No Morro da Casa Verde) e Non Lasciarmi (Malvina), além de Trem das Onze em português, que encerra a festança com gosto de quero mais.

Os músicos escolhidos ajudam a dar consistência às releituras. São eles Markinhos Rodriguez (bateria), Danilo Rocha (violão), Marcos Prado (guitarra), Dico Santana (baixo) e Alecio Rodrigues (teclados). Temos também participações especiais de Romualdo da Rocha (vocais, congas e pandeiro), Jean Marcell Saad (surdo) e Ayrton Mugnaini Jr (vocais), este último jornalista, músico, cantor, compositor, pesquisador e autor de livro sobre Adoniran, Dá Licença de Contar.

Difícil reler de forma original um repertório tão regravado anteriormente e por tanta gente como o de Adoniran Barbosa, mas Miguel Barone conseguiu concretizar essa façanha em seu EP Adoniran Mezzo a Mezzo.

Álvaro (Tiro ao Álvaro)– Miguel Barone:

Tânia Grinberg e Fabio Madureira lançam CD com show em Sampa

Tania Grinberg e Fabio Madureira - Foto Lou Gaioto (02) -400x

Por Fabian Chacur

Tânia Grinberg e Fabio Madureira se conheceram em 2013, quando participavam do curso de pós-graduação em canção popular da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo. Em 2015, deram início a um trabalho em dupla cujo primeiro fruto, o CD Gota Onde Nada o Peixe, acaba de sair. Um desses trabalhos mágicos, envolventes, que te capturam logo de cara, na primeira audição, de bate-pronto. Eles mostram suas canções em São Paulo neste sábado (15) às 21h no Teatro da Rotina (rua Augusta, nª 912- cj.12- Consolação- fone 0xx-3582-4479), com ingressos a R$ 20,00 e R$ 40,00.

Se a dupla ainda vive momentos iniciais, o currículo de seus integrantes é repleto de itens. Tânia é cantora, compositora, escritora, educadora e atriz. Integra o grupo Azdi, que investe em música judia. Lançou o livro Balada dos Bichos, e este ano, três anos depois, nos oferece um disco com músicas compostas a partir do livro. Por sua vez, Fábio, que canta, compõe e toca violão e percussão, é formado em música e estudou violão popular e clássico, além de ser professor de guitarra e violão. Toda essa experiência se refletiu na qualidade deste primeiro trabalho.

Definir as 11 faixas de Gota Onde Nada o Peixe é uma tarefa complicada, pois o duo mostra versatilidade, mostrando influências de folk, música de vanguarda, ritmos brasileiros e até mesmo rock progressivo, com um tempero psicodélico simplesmente irresistível. Cada canção equivale a uma nova viagem sensorial por mares nunca dantes apreciados. Participam do álbum gente talentosa do porte de Antonio Nóbrega, Alexandre Fontanetti, Guilherme Kastrup e Ari Colares, entre outros. Uma turma afiada, jogando em prol de cada canção.

Novelo, Dragão Dourado, Gota Onde Nada o Peixe, Toca o que Não Vê , Semente e Fluir, Florir são destaques de um trabalho no qual temos a voz límpida e extremamente bem colocada de Tânia, aliada ao violão delicado de Fabio. No show deste sábado, eles terão a participação de Priscila Brigante na percussão. Distribuído pela Tratore, o CD Gota Onde Nada o Peixe é um dos lançamentos mais bacanas de 2018, ideal para quem curte música inventiva e boa de se ouvir.

Gota Onde Nada o Peixe -Tânia Grinberg e Fabio Madureira:

David Crosby surpreende com novo CD e um documentário

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Por Fabian Chacur

No incrível frescor de seus 77 anos de idade, David Crosby mostra estar mais produtivo do que nunca. Em outubro, lançou nos EUA o álbum Hear If You Listen, trabalho colaborativo ao lado dos músicos Michael League, Becca Stevens e Michelle Willis, seu quarto álbum em cinco anos. De quebra, será exibido pela primeira vez em janeiro de 2019, no festival de cinema Sundance, realizado anualmente em Park City, Utah (EUA), o documentário David Crosby: Remember My Name. Ufa!

Com direção a cargo do oscarizado diretor e jornalista Cameron Crowe (Quase Famosos, Jerry Maguire a Grande Virada), David Crosby: Remember My Name dá uma geral na incrível trajetória do lendário cantor, compositor e músico americano. Em entrevista à ABC Radio (EUA), ele comentou sobre o filme:

“Cameron me conhece muito bem, e é um ótimo entrevistador e um cara muito esperto. Ele me fez perguntas bem difíceis que eu respondi o mais honestamente que eu humanamente pude”. Ao contrário de outras atrações do gênero, Crosby garante que seu documentário tem poucas aparições de músicos e amigos famosos, com uma exceção: Roger McGuinn, seu parceiro nos Byrds, primeira banda de sucesso da qual fez parte, na década de 1960.

Inédito no Brasil, assim como os três álbuns anteriores (leia mais sobre esses trabalhos aqui), Hear If You Listen reúne Crosby com três músicos que marcaram presença nesses recentes CDs, mas que desta vez apareceram de forma mais efetiva, como se fossem uma banda. Eles atualmente fazem alguns shows pelos EUA, divulgando o álbum.

Ouça 1974, do CD Here If You Listen:

Daniela Spielmann lança o seu 2º CD solo com show no Rio

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Por Fabian Chacur

Celebrando 20 anos de uma carreira repleta de realizações, a saxofonista e flautista carioca Daniela Spielmann marca esse momento de sua trajetória musical com um novo CD. Trata-se de Afinidades, o segundo álbum solo e o primeiro autoral, sucedendo Brazilian Breath (2003). O lançamento no Rio será nesta quinta (18) às 20h no Blue Note Rio Club (avenida Borges de Medeiros, nº 1.424- Lagoa- fone 0xx21-3799-2500), com ingressos a R$ 45,00 (meia) e R$ 90,00 (inteira).

Afinidades foi concebido e realizado durante um período de dois anos, e traz como grupo base os músicos que habitualmente tocam com Daniela ao vivo: Xande Figueiredo (bateria), Domingos Teixeira (violão) e Rodrigo Villa (contrabaixo). Também participaram do álbum músicos badalados como Silvério Pontes (trompete e flugelhorn), Matheus Ceccato (violoncelo) e Dudu Maia (bandolim).

A saxofonista e flautista investe em uma mistura de ritmos como maracatu, samba-choro típico de gafieira, bossa nova, afoxé, baião e latinidade, sempre com muita brasilidade e uma abertura ao improviso oriunda do jazz. O show terá as participações especiais de Silvério Pontes (flugel e trompete), Alexandre Romanazzi (Flauta), Sheila Zagury (piano) e Beto Cazes (percussão).

Em seu currículo, Daniela Spielmann traz a participação, entre 2000 e 2014, na banda do programa global Altas Horas, apresentado por Serginho Groismann. Ela também tocou e gravou com grupos como Rabo de Lagartixa, Sincronia Carioca e Mulheres em Pixinguinha, além de ter atuado com nomes do porte de Sivuca, Zé Menezes, Zé da Vlha, Silvério Pontes, Áurea Martins e Zélia Duncan. Diversos shows pelo Brasil e exterior também marcam sua trajetória.

Choro Pro Zé– Daniela Spielmann e Sheila Zagury:

Toquinho comemora 50 anos de bela carreira com DVD/CD

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Por Fabian Chacur

Toquinho é um desses nomes tão grandes da nossa música popular que às vezes pode parecer que é menos louvado do que deveria. Mas há uma explicação para isso: sua elegância. Cantor, compositor, violonista, ele mantém desde o início de sua carreira, na década de 1960, uma postura humilde, sóbria e sem cair em excessos ou estrelismo. Para comemorar meio século de trajetória artística, ele acaba de lança o DVD/CD 50 Anos de Carreira (Deck), um trabalho enxuto, bem feito e à altura da trajetória desse craque da canção popular brasileira.

Antonio Pecci Filho, nascido em São Paulo em 6 de julho de 1942 e apelidado Toquinho pela mãe, tornou-se conhecido ao lançar parcerias com Jorge Ben como Carolina Carol Bela e Que Maravilha. A seguir, tornou-se parceiro de palcos, discos e composições de ninguém menos do que Vinícius de Moraes. A dupla, com enorme sucesso de público e critica, durou uma década, encerrando-se apenas devido à morte prematura do grande Poetinha em 1980.

Como artista solo, consagrou-se de vez com o estouro de Aquarela, em 1983, e não só lançou trabalhos individuais bem bacanas como também manteve parcerias com craques como Paulinho da Viola, Chico Buarque, MPB-4, Sadao Watanabe e vários outros. Nos últimos anos, mostrou-se aberto ao intercâmbio com as novas gerações, atuando ao lado de Paulo Ricardo, Tiê, Veronica Ferriani e Anna Setton, por exemplo.

O DVD/CD equivale a uma pequena amostra dessa trajetória, gravado ao vivo em duas sessões no dia 25 de março de 2016 no Teatro WTC, Hotel Sheraton, em São Paulo. A seu lado, uma banda composta por Guga Machado (percussão), Ivâni Sabino (baixo), Nailor Proveta Azevedo (clarinete e sax alto) e Pepa D’Elia (bateria), um time afiado que se mostra muito adequado e ensaiado para acompanhar um dos melhores violonistas brasileiros de todos os tempos.

O repertório dos 55 minutos de show traz 24 músicas acomodadas em 14 faixas, sendo apenas uma delas de fora do repertório do artista, A Noite, sucesso da cantora Tiê que ela interpreta ao lado de seu padrinho artístico. De resto, temos desde o primeiro sucesso, Que Maravilha, até a recente Quem Viver Verá, de 2011. Além de Tiê, participam Anna Setton, Verônica Ferriani, Mutinho e Paulo Ricardo.

Com efeitos cênicos simples e bem concatenados, entre os quais três telões com imagens ilustrando cada canção, o show traz Toquinho à vontade, cantando com sua voz agradável e doce e contando pequenos ‘causos’ entre uma música e outra, entre os quais uma deliciosa recordação de episódio envolvendo sua assumida hipocondria. Da ótima banda, o destaque é o lendário Proveta, que dá um colorido especial às canções com seus belos e inspirados solos.

Da fase com Vinícius, temos representadas A Tonga da Mironga do Kabuletê, Tarde em Itapoã (dueto com Paulo Ricardo), Samba de Orly e O Velho e a Flor/Veja Você (dueto com Verônica Ferriani), entre outras. As canções dedicadas ao público infantil aparecem em um pot-pourry que traz A Casa, O Pato, O Ar (O Vento), A Bicicleta e O Caderno.

Os megahits Que Maravilha, Turbilhão (dueto com o parceiro Mutinho) e Aquarela não poderiam ficar de fora, e não ficaram. Nos extras do DVD, temos pequenos depoimentos de amigos como Galvão Bueno, Roberto Menescal, Zico, Eliane Elias e Ivan Lins, e 10 minutos deliciosos nos quais Toquinho mostra seu talento como solista de violão, tocando sozinho e em estúdio maravilhas como Abismo de Rosas, Bachianinha nº 1 (do seu mestre Paulinho Nogueira) e Gente Humilde, entre outras.

Toquinho 50 Anos de Carreira equivale a uma deliciosa viagem por uma carreira repleta de boas músicas, feitas e interpretadas por um artista que nunca se valeu de recursos reprováveis para fazer sucesso e conseguiu sua popularidade de forma justa e mais do que merecida. Usando versos de seu eterno parceiro naquela célebre canção com a grife Tom & Vinícius: “se todos fossem iguais a você, que alegria viver”…

obs.: e falar o que dessa bela capa, do sempre genial Elifas Andreato?

Tarde em Itapoã– Toquinho e Paulo Ricardo:

Bixiga 70 destila grooves com categoria em Quebra-Cabeça

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Por Fabian Chacur

Durante algum tempo no Brasil, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, música instrumental era quase que sinônimo de sonoridades intrincadas e melhor entendidas por estudiosos do que pelo público em geral. Nada contra, mas fazia falta quem se dedicasse a investir em um som sofisticado, mas sem perder o groove jamais. E é exatamente esta a marca registrada do excepcional grupo paulistano Bixiga 70, que nos oferece outro petardo, o CD Quebra-Cabeça, lançado pela gravadora Deck em parceria com o selo Traquitana.

O Bixiga 70 surgiu lá pelos idos de 2010, quando o tecladista Maurício Fleury reuniu uma turma de músicos que frequentavam e atuavam no estúdio Traquitana, situado na rua 13 de Maio, nº 70, no tradicional bairro paulistano do Bixiga, para gravar a música Grito de Paz. Como ele me disse em entrevista, “íamos gravar apenas uma música, e acabamos criando uma banda”. Melhor para eles e melhor para nós.

O time é integrado por Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Cris Scabello (guitarra), Mauricio Fleury (teclado e guitarra), Rômulo Nardes e Gustávo Cék (percussão), Cuca Ferreira (sax barítono), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete). Embora todos sejam craques em seus respectivos instrumentos, eles jogam sempre em função do grupo, sem exibicionismos tolos. O resultado final sempre fala mais alto.

Quebra-Cabeça é o quarto álbum dessa intrépida trupe, e mostra que o entrosamento e a criatividade deles continua com forte viés de alta em termos qualitativos. Aqui, o que manda é o groove, o balanço, o diálogo democrático entre os instrumentos, resultando em uma massa sonora deliciosa de se ouvir e deliciosa de se ter como trilha sonora para dançar até a sola do sapato, sapatilha, tênis etc se desgastar por completo.

Os elementos utilizados na mistura são diversos, especialmente afrobeat, rock, soul, funk de verdade, latinidade a la Carlos Santana, jazz, música brasileira em geral e temperos que a gente nem consegue definir, de tão refinados. Não é de se estranhar que eles tenham no currículo shows pelos quatro cantos do mundo, incluindo participações marcantes em festivais de música como Glastonbury (Inglaterra) Roskilde (Dinamarca) e Womad Austrália/Nova Zelândia.

O álbum traz 11 faixas, todas muito boas, a começar da hipnótica faixa título, divulgada com um clipe que se vale como cenário do estúdio Traquitana e de pontos bacanas do Bixiga. Psicodelia, latinidade, afro-jazz, chame como quiser. Ilha Vizinha, Primeiramente, Camelo, Areia, Pedra de Raio, é uma faixa melhor do que a outra. Do Brasil para o mundo, um som capaz de energizar até zumbis. Ouça sem moderação.

Quebra-Cabeça (clipe)- Bixiga 70:

ClaudetteSoares-AlaídeCosta são realmente o fino da bossa

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Por Fabian Chacur

Muitas homenagens aos 60 anos da Bossa Nova estão sendo feitas neste ano, e uma das mais louváveis e bem realizadas acaba de chegar às lojas e às plataformas digitais. Trata-se do estupendo álbum 60 Anos de Bossa Nova, lançado pela gravadora Kuarup e que reúne duas expoentes do gênero, as cantoras Claudette Soares e Alaíde Costa. O show de lançamento no Rio ocorre nesta terça (9) às 21h o Theatro Net Rio (rua Siqueira Campos, nº 143- 2º piso- fone 0xx21-2147-8060), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 100,00.

As cariocas Claudette e Alaíde estavam na área quando João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e outros mestres desse naipe deram o pontapé inicial no gênero musical que somou o swing do samba com a elaboração do jazz. Foram participantes desde o começo, e ajudaram a divulgar essa “batida diferente” no Rio e principalmente em São Paulo, onde elas se radicaram ainda na década de 1960. Ou seja, as moças possuem conhecimento suficiente para encarar a tarefa.

Com produção musical a cargo de Thiago Marques Luiz, que há muito já virou uma verdadeira grife desses projetos envolvendo craques da nossa música com muita estrada nas costas, as duas intérpretes foram acompanhadas no show que deu origem ao álbum e gravado em 23 de março de 2018 em São Paulo no Teatro Itália por Giba Estebez (produção musical, arranjos e piano), Renato Loyola (baixo acústico) e Nahame Casseb (bateria, o célebre Naminha, que integrou o grupo Língua de Trapo na década de 1980).

Com arranjos classudos e despojados a acompanha-las, as cantoras deram conta do recado diante de um repertório composto por 18 faixas, sendo algumas delas pot-pourris. Em alguns momentos elas atuam juntas, mas na maior parte se incumbem de blocos solo. A seleção traz canções integrantes do songbook máximo da bossa, entre as quais Insensatez, Dindi, Caminhos Cruzados, Chega de Saudade, O Barquinho, Os Grilos, Oba-la-la e Vem Balançar, só para citar algumas.

Os estilos das protagonistas se mostram bem claros. Alaíde é mais contida, discreta e doce, brilhando muito nos momentos intimistas. Por sua vez, Claudette é serelepe, sabendo alternar partes introspectivas com momentos de puro swing, encantando e sendo capaz de conquistar até o ouvinte mais distante e cético em relação ao gênero musical homenageado. A interação entre as duas é ótima e cordial, proporcionando momentos de raro prazer ao ouvinte.

60 Anos de Bossa Nova flui deliciosamente em sua viagem encantadora pelas preciosidades bossa novísticas, e demonstra que Claudette e Alaíde se mantém em plena forma, capazes ainda de oferecer a seus inúmeros fãs shows maravilhosos e discos com este altíssimo padrão artístico e técnico. Prova mais do que concreta de que elas continuam o fino da bossa, 60 anos depois, e que esse repertório é para sempre.

60 Anos de Bossa Nova- ouça em streaming:

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