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Antonio Adolfo grava CD com a ótima Orquestra Atlântica

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Por Fabian Chacur

Antonio Adolfo serve como bom exemplo de como a atividade profissional constante e bem planejada ajuda o ser humano a se manter eternamente jovem e inquieto. Aos 71 anos de idade, este pianista, compositor, arranjador e produtor carioca recusa-se a deitar nos muitos louros de uma carreira impecável, trabalhando bastante e nos proporcionando novos lançamentos. O mais recente é o CD Encontros, que inicia sua parceria com a ótima Orquestra Atlântica.

Habitualmente, o autor do seminal álbum Feito em Casa (1977), marco da produção independente brasileira, costuma ser acompanhado por formações musicais mais compactas. Ele desejava investir em uma parceria corm um grupo maior, e ao ver um show da Orquestra Atlântica, percebeu que ali estava o time capaz de realizar seu desejo.

Na ativa desde 2012 e com um CD no currículo, a Orquestra Atlântica reúne onze músicos do primeiro time, entre os quais Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Marcos Nimrichter (piano e acordeon), Marcelo Martins (sax tenor e flauta) e Jorge Helder (baixo). Sua mistura de música brasileira, sons latinos e jazz se encaixa feito luva nas preferências musicais de Antonio Adolfo, e a parceria se mostrou certeira, levando-se em conta a qualidade deste álbum.

O repertório incluído traz 10 faixas, sendo nove delas composições recentes e antigas de Adolfo (duas delas em parceria com Tiberio Gaspar) e uma, Milestones, um clássico do repertório do mestre do jazz Miles Davis. Além dos músicos da Orquestra Tropical, temos participações especiais de feras do porte de Nelson Faria (violão), Zé Renato (vocalizações) e Leo Amuedo (guitarra), entre outros.

O som criado por eles é uma delícia de se ouvir, conciliando solos divididos generosamente entre os músicos envolvidos, belas melodias e variações rítmicas muito bem concatenadas. A sofisticação se mostra presente, mas sem deixar de lado aquele elemento que nos livra ao mesmo tempo do tecnicismo excessivo e da acessibilidade sem sal e digna do som de elevador. Temos aqui música elaborada e com raro requinte, mas para todos curtirem sem dificuldades.

A rigor, todas as faixas são dignas de serem citadas, mas pegarei apenas algumas como bons exemplos. Partido Samba-Funk, que abre o CD, tem ecos da Banda Black Rio, e energiza o ouvinte logo nos seus primeiros instantes. Capoeira Yá parte do som básico da trilha da capoeira rumo a algo mais consistente em termos musicais, enquanto África Bahia Brasil mergulha com classe e bom gosto em uma fusão afro-brasileira.

Sá Marina, uma das composições de maior sucesso de Antonio Adolfo, é relida com uma verve jazzística/bossa-novista que é um luxo, enquanto Milestones recebe um tempero brazuca, sem no entanto perder a sua essência. Novamente, esse mestre da música brasileira nos mostra como fazer música instrumental boa de se curtir e bem elaborada. Que essa inquietude continue nos proporcionando novos e ótimos trabalhos.

E vale ressaltar um último, porém muito importante, detalhe. As versões físicas em CD dos álbuns de Antonio Adolfo primam pelo bom gosto, com embalagem digipack sempre com capas lindas (a deste novo traz bela ilustração de Bruno Liberati) e com textos nos quais o artista explica sua abordagem musical. Capricho total!

leia mais textos de Mondo Pop sobre Antonio Adolfo aqui.

Encontros- Antonio Adolfo- Orquestra Atlântica (ouça em streaming):

Fred Falcão mostra o seu lado regional no CD Ser Tão Brasil

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Por Fabian Chacur

Após lançar o antológico álbum Leny Andrade Canta Fred Falcão-Bossa Nossa (leia a resenha aqui), o cantor, compositor e músico Fred Falcão volta com outro trabalho digno de ser devidamente apreciado. Trata-se de Ser Tão Brasil- Canções de Fred Falcão (Fina Flor), no qual traz como mote o lado mais regional de sua inspiração, ele que é pernambucano de Recife e radicado há décadas no Rio de Janeiro. Mais brasileiro, impossível.

Compositor inspirado e versátil, Fred foi gravado por artistas de áreas bem distintas, como Clara Nunes, Boca Livre, Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga e Os Cariocas, entre outros. É exatamente essa capacidade de enveredar por vários estilos musicais com jogo de cintura que ele nos apresenta neste novo CD, no qual também dá vasão ao seu lado cantor e se mostra muito competente nessa área, dando conta do recado.

Inteligente, deu um espaço significativo no álbum para um bom valor da nova geração, a cantora Mariana Brant, sobrinha do grande e saudoso poeta mineiro Fernando Brant, um dos melhores parceiros de Milton Nascimento. Ela marca presença em cinco das doze faixas do álbum, emprestando a elas seu tom doce e bem utilizado, com destaque para as envolventes Valsa Sertaneja, Ser Tão Brasil e Faca de Ponta. A moça prova ter um ótimo potencial que tem tudo para gerar belos frutos.

Além de Mariana, o álbum traz outras presenças importantes. Entre outros, temos aqui Rildo Hora (harmônica), Elias Muniz (vocal), Manno Góes (vocal), Dirceu Leite (flauta e clarinete), Jaime Alem (viola caipira e viola 12 cordas), Lula Galvão (violão e guitarra), Jorge Helder (baixo), Jurim Moreira (bateria) e Marcelo Costa (percussão). Os arranjos e regências foram divididos por João Carlos Coutinho e Geraldo Vianna, com resultado expressivo e classudo.

O repertório passa por bolero, baião, xote, toada, canções e bossa nova, esta última a especialidade de Fred, que assina todas as músicas. Entre seus parceiros, temos aqui Antônio Cícero, Manno Góes, Elias Muiz, Aluizio Reis, Carlos Henrique Costa e Ronaldo Monteiro de Souza.

As envolventes melodias foram aliadas a letras impecáveis, versando sobre as várias vertentes do amor, memórias bacanas e impressões sobre o Brasil, com direito à citação de ícones da nossa música como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Altamiro Carrilho e Ademilde Fonseca.

Ser Tão Brasil equivale a uma deliciosa viagem por um universo musical oriundo da abençoada mestiçagem brasileira, fundindo ritmos e estilos e dando origem a uma sonoridade própria, típica da nossa terra e rica por natureza. E fica o registro: intérpretes talentosos/talentosas e de bom gosto em busca de músicas de qualidade deveriam procurar Fred Falcão urgente, pois o seu songbook não só é repleto de coisas boas, como também se renova e se amplia a olhos vistos.

Ser Tão Brasil– Fred Falcão e Mariana Brant:

Cher lançará álbum de covers do grupo Abba em setembro

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Por Fabian Chacur

Cher é uma das estrelas do filme Mamma Mia 2- Here We Go Again (no Brasil, Mamma Mia- Lá Vamos Nós de Novo), ao lado de Meryl Streep e extenso elenco. Para quem achou interessante o envolvimento dela com a música do Abba, uma notícia adicional dentro do mesmo universo. A cantora anunciou que lançará no dia 28 de setembro pela gravadora Warner o álbum Dancing Queen, com dez releituras de hits do célebre grupo sueco.

A premiada cantora, atriz, apresentadora e ativista política americana explicou as razões pela qual optou por esse novo projeto, em declaração divulgada em press-release pela gravadora:

“eu sempre gostei do Abba e vi o musical original de ‘Mamma Mia’, na Broadway, três vezes. Depois de filmar ‘Mamma Mia! Here We Go Again’, eu me lembrei novamente das músicas maravilhosas e pensei ‘por quê não fazer um álbum com música deles? As músicas eram mais difíceis de cantar do que eu imaginava, mas estou muito feliz com a forma como saiu. Estou muito animada para as pessoas escutarem. É um momento perfeito. ”

O CD foi gravado e produzido em sessões de gravação realizadas em Londres e Los Angeles por Mark Taylor, o mesmo produtor por trás do megahit Believe, que trouxe a estrela pop de volta às paradas de sucesso de todo o mundo há 20 anos. A primeira faixa a ser divulgada é Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight), que Madonna usou em 2005 como base de seu sucesso Hung Up.

Confirma a tracklist completa de Dancing Queen:

1. Dancing Queen
2. Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)
3. The Name Of The Game
4. SOS
5. Waterloo
6. Mamma Mia
7. Chiquitita
8. Fernando
9. The Winner Takes It All
10. One Of Us

Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)– Cher:

Nila Branco nos delicia com as suas canções folk-pop-rock

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Por Fabian Chacur

Há 20 anos, a cantora mineira radicada em Goiânia (GO) Nila Branco lançava o seu autointitulado primeiro álbum. Manteve-se na ativa em tempo integral até 2006, quando problemas particulares a fizeram levar a carreira de forma um pouco mais espaçada, embora não a abandonasse. De uns anos para cá, no entanto, ela retomou o foco total na música, e vai batalhando para retomar a atenção do público. Se depender da qualidade artística de seu novo CD, Azul Anil, conseguirá seu intento sem dificuldades.

Com uma voz deliciosa de timbre grave que tem afinidades com a de Zélia Duncan, Nila conseguiu emplacar músicas em trilhas de novelas da Globo, SBT e Record. No seu currículo, constam seis CDs (incluindo o novo) e três DVDs. Ela compõe, mas abre generosos espaços para outros compositores, e investe em uma sonoridade que mistura rock, folk, country e MPB com direito a melodias bacanas e letras românticas sem cair na banalidade ou redundância de viés comercial.

Azul Anil inclui 11 canções, sendo apenas uma (Com Açúcar, Sem Engano) assinada por ela, em parceria com Marcelo Dinelza. Temos faixas escolhidas a dedo escritas por compositores como Roberta Campos, Karine Bizinoto, Samuel Fujimoto, Beto Marcio, Maura Matiuzzi, Dulce Abreu e Marcelo Dalla, entre outros. Como toda boa intérprete, Nila incorpora cada letra e melodia como se fossem suas, tornando-se uma coautora espiritual delas.

Ouvir este trabalho é um exercício de puro prazer. Se não oferece inovações ou ousadias ao seu ouvinte, a cantora proporciona algo muito melhor, que é a garantia de prazer em cada momento. Acompanhada por excelentes músicos, que dão a ela uma moldura sonora simples e bem consistente, Nila mergulha com fé nas idas e vindas do amor com interpretações que nunca se perdem em exageros ou inconsistências. Um banho de sensibilidade e bom gosto pop.

Não faltam momentos bacanas em Azul Anil. Com Açúcar Sem Engano, Eu Não Sei Mais Ficar Só , Jardim da Vida e Eu Te Amo mereciam se tornar hits massivos, pois cativam os ouvidos de forma quase que instantânea. Como faixa “diferente”, digamos assim, destaca-se Cuidado, com uma interpretação meio falada mezzo rap-mezzo dylaniana com uma letra forte e filosófica com bons conselhos embutidos.

Em um momento no qual o mainstream pop aposta em muita apelação e pouca consistência artística, Nila Branco prefere seguir os conselhos do mestre Paul McCartney, que em 1976 perguntava o que havia de errado em investir em “silly love songs”, que de tolas não tinham rigorosamente nada. Eis exatamente o que essa ótima artista mineiro/goiana nos proporciona. Como reclamar? Prefiro ouvir essa dose intensa de simples beleza musical e me deliciar mais uma vez.

Jardim da Vida– Nila Branco:

Griswolds dá um toque punk a hits das trilhas de animações

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Por Fabian Chacur

Várias das músicas mais populares de todos os tempos saíram das trilhas das animações, antigamente chamadas de “desenhos animados”. São aquelas melodias que todos conhecem, e cujas letras acompanhamos juntos. Pois o grupo Griswolds teve a ideia de reunir 12 desses petardos em seu novo CD, Punkidz. O título entrega a intenção do trio: os hits aparecem em inusitadas versões punk rock.

Criada e sediada na cidade de Jaú (SP), a Griswolds pensou inicialmente em Punkidz como um show, mas durante sua gestação, ficou claro que o resultado merecia virar um CD, o que ocorreu após um ano e meio do início de tudo. E outra coisa ficou clara nesse processo criativo: o ideal seria gravar as versões em português das músicas, e não as originais em inglês, como costumam fazer em seus discos e shows.

“Até gravamos You’ll Be In My Heart (da trilha de Tarzan, hit de Phil Collins), mas logo percebemos que a maioria das pessoas conhece e canta essas músicas nas versões dubladas em português das animações, e ficou legal, pois é algo diferente do que a gente faz habitualmente”, explica o vocalista e guitarrista Fernando Lazzari, que integra o grupo com o irmão Alexandre (bateria) e o cunhado Naka (baixo).

Além da música do ex-cantor e baterista do Genesis (cuja versão em inglês encerra o álbum, como faixa-bônus), temos canções de animações desde clássicos dos anos 1960 até os atuais, incluindo A Bela e a Fera, Mogli, Toy Story e O Rei Leão. A curiosidade é a divertida A Canção dos Gatos Siameses, de A Dama e o Vagabundo. “Queríamos uma canção de vilões, e essa se encaixou perfeitamente”, justifica Fernando.

O show de lançamento de Punkidz, que teve uma bela prévia no último dia 26 de julho no Cinema Municipal de Jaú, com casa cheia e ótima acolhida por parte do público, traz músicas do novo CD, algumas dos anteriores e uma ou outra ainda não gravada pelo trio. “Cada uma é ilustrada por um vídeo com cenas das animações”, explica o músico.

Criado em 2010, o grupo, que foi batizado com o sobrenome da família do filme Férias Frustradas, surgiu como um projeto paralelo do grupo de canções próprias e covers Estado de Shock, que lançou um LP/CD em 1993 e durou de 1990 a 2011. Inicialmente, o trio apenas gravava as músicas, até que realizou seu primeiro show em maio de 2011.

A Griswolds fica numa espécie de fronteira entre banda cover e de material próprio, pois se só toca canções alheias, sempre faz isso com arranjos originais, criativos e distantes dos gravados originalmente por seus criadores. “Não ligo de nos chamarem de banda cover, mas a gente procura fazer as nossas versões, com a nossa pegada, fugindo do óbvio e trazendo coisas inusitadas”, comenta Fernando.

Durante esses oito anos de existência, a Griswolds conseguiu criar um público fiel em sua cidade natal, e também tem no currículo várias apresentações no estado de São Paulo, em cidades como Campinas, Bertioga, Registro e Presidente Prudente, além de conseguir boa repercussão através das redes sociais.

Para saber mais sobre a banda, entre aqui.

A Bela e a Fera (clipe)- Griswolds:

Vânia Bastos volta a SP com a homenagem a Pixinguinha

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Por Fabian Chacur

Desde sua estreia, em abril de 2013, o show Concerto Para Pixinguinha, de Vânia Bastos e Marcos Paiva, não só passou por palcos nobres e plateias idem como também gerou o elogiadíssimo CD homônimo (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Com novo cenário e figurinos, o espetáculo volta a São Paulo nesta terça(7) às 21h no Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, nº 740- Campos Elísios- fone 0xx11-3226-7300), com ingressos custando de R$ 30,00 a R$ 80,00.

O show, assim como o CD, oferecem ao público uma caprichada seleção de clássicos do repertório de Pixinguinha (1897-1973), um dos nomes mais importantes da história da nossa música popular, dono de uma obra densa e deliciosa. Aquela incrível combinação de letras poéticas e melodias que, embora sofisticadas, tem o eterno dom de cativar os ouvintes de todas as faixas etárias e classes sociais. Vânia e Paiva souberam reler essas canções com reverência e ousadia.

Vânia terá a seu lado no show o Marcos Paiva Quarteto, integrado por seu experiente líder no contrabaixo, arranjos e direção musical, Cesar Roversi (sax tenor e soprano, clarinete e flauta), Jônatas Sansão (bateria) e Nelton Essi (vibrafone). Canções como Rosa, Carinhoso, Isso É Que É Viver e Urubu Malandro são alguns dos destaques. O CD foi lançado pelo selo Conexão Musical, de Fran Carlo e Petterson Melo, em parceria com a gravadora Atração Fonográfica.

Após ter se destacado na primeira metade dos anos 1980 como integrante da célebre banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, Vânia Bastos lançou seu primeiro álbum solo em 1986. Desde então, firmou-se como intérprete talentosa e de muito bom gosto na seleção de repertório, dedicando projetos a Edu Lobo, Tom Jobim, Caetano Veloso, Clube da Esquina e Pixinguinha, firmando-se como dona de uma das mais consistentes carreiras entre as melhores cantoras brasileiras.

Concerto Para Pixinguinha- Vânia Bastos e Marcos Paiva:

Joyce Moreno relê seu álbum de estreia de forma sublime

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Por Fabian Chacur

Como forma de comemorar seus 50 anos de carreira e 70 de vida, ambas muito bem vividas, Joyce Moreno teve uma ideia bem interessante. A cantora, compositora e violonista carioca resolveu regravar na íntegra o seu álbum de estreia, lançado em 1968 e autointitulado. Uma forma de concretizar aquele pensamento que às vezes temos, do tipo “como eu teria feito o que fiz aos 20 anos com a maturidade de hoje?” O resultado é o CD 50, lançado pela Biscoito Fino.

Joyce, o álbum, equivale a uma estreia promissora, mas com algumas arestas, especialmente se levarmos em conta o que essa incrível artista faria nos anos posteriores ao seu lançamento. Os arranjos orquestrais são classudos, mas nem sempre adequados, e sua voz soava afinada, mas sem a personalidade e a forte assinatura própria que os anos de estrada bem aproveitados lhe proporcionariam. De quebra, com seu violão sem destaque, só como pano de fundo.

Em 50, o excelente repertório do disco de 1968 recebe um tratamento mais minimalista, embora sofisticado e criativo, tendo como estrutura básica a incrível banda que a acompanha há muitos anos, formada por ela na voz e violão, o marido Tutty Moreno na bateria, Rodolfo Stroeter no contrabaixo e Hélio Alves no piano. Um time entrosadíssimo que se entende perfeitamente, com muito swing e sem nunca pecar pelo excesso. As canções mandam, sempre.

Temos também diversos convidados especiais que se encaixam feito luva nas faixas das quais participam. Gente do porte de Francis Hime, André Mehmari, Marcos Valle, Danilo Caymmi, Roberto Menescal, Zélia Duncan, Fabio Peron e Pedro Miranda. Em quatro faixas, Joyce deixa seu icônico violão de lado e se concentra nos vocais, dando aos convidados a tarefa de assinar esses arranjos musicais.

O resultado mescla bossa nova, samba, chorinho e canções com sutileza, categoria, swing e aquele jeito solto que marca o melhor da obra da autora de Feminina, Mistérios e tantos outros clássicos da MPB. Composições próprias como Não Muda Não e Me Disseram convivem bem com canções de então jovens amigos como Paulinho da Viola, Toninho Horta, Francis Hime, Marcos Valle e Ruy Guerra.

Há momentos particularmente arrepiantes, como Anoiteceu, parceria de Francis Hime e Vinícius de Moraes lançada naquele álbum de estreia e que faria sucesso em 1978, quando Hime a regravou em seu álbum Passaredo e a mesma entrou na trilha de novela global Sinal de Alerta, e Bloco do Eu Sozinho, de Marcos Valle e na qual o autor faz uma participação simplesmente perfeita nos teclados e arranjo.

No papel de faixas-bônus, temos duas composições inéditas que trazem em suas letras uma espécie de diálogo com a Joyce de 1968 e uma declaração de intenções da atual Joyce Moreno. A primeira é Com o Tempo, parceria dela com Zélia Duncan e belo dueto dessas talentosas artistas. A segunda, que fecha o álbum, é a irresistível A Velha Maluca, na qual a artista esbanja bom humor e deixa claro que ainda vem muita coisa pela frente. Como duvidar disso?

No fim das contas, 50 serve como bela recriação para aquele primeiro LP, mostrando ao mesmo tempo um presente incrível apontado para um futuro que promete muita coisa boa. Sem nunca ter se traído em termos artísticos, Joyce Moreno construiu uma carreira respeitada no Brasil e no exterior. Quem apostou naquela talentosa menina de 1968, como o saudoso Vinícius de Moraes, deve se orgulhar dessa trajetória repleta de luz e som do bom. Que bela “Velha Maluca” de responsa aquela jovem morena promissora se tornou!

Bloco do Eu Sozinho– Joyce Moreno:

Chico Lobo /Zé Alexandre em show de lançamento de CD

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Por Fabian Chacur

Há não muito tempo, o cantor, compositor e violeiro Chico Lobo iniciou uma parceria com o cantor, compositor e violonista Zé Alexandre. O encontro gerou a música Esperança. Era o pontapé inicial do que viria a ser o CD Tempo de Paz, lançado pela gravadora Kuarup. Eles vão mostrar o repertório desse trabalho em pocket show nesta quinta-feira (26) em São Paulo às 19h30 na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, nº 915- Pinheiros- fone 0xx11-3814-5811), com entrada gratuita.

Centrado em sonoridades da música rural brasileira e essencialmente acústico, Tempo de Paz traz 11 faixas, sendo três parcerias de Lobo e Alexandre, seis composições deles (solo ou com outros parceiros) e duas releituras. Uma é Bandolins, de Oswaldo Montenegro, que Zé Alexandre apresentou ao lado do autor no Festival da Tupi de 1979 com grande sucesso, e a outra é Cruzada, dos craques mineiros integrantes do Clube da Esquina Tavinho Moura e Márcio Borges.

Delicioso, o álbum flui com facilidade nos ouvidos, com destaque para a endiabrada viola de Chico e para as belas vozes dos dois parceiros. Suas composições em dupla são muito boas: Esperança, Tempo de Paz e Estradar. As letras trazem poesia de primeira. Participam do álbum músicos como Milton Guedes (gaita), Carlinhos Ferreira (percussão) e Sérgio Chiavazolli (violão de 12 cordas e bandolim).

Com mais de 30 anos de carreira e natural de São João Del Rey (MG), Chico Lobo tem mais de 20 CDs, dois DVDs e um livro lançados, além de ter feito shows pelo Brasil e vários outros países. De quebra, ainda tem no currículo trabalhos com Maria Bethânia, que escolheu sua composição Criação para o DVD Abraçar e Agradecer e ainda participou do álbum Viola de Mutirão, do músico, interpretando a canção Maria, feita em homenagem à estrela baiana.

Nascido no Rio de Janeiro e criado em Brasília, Zé Alexandre tornou-se conhecido nacionalmente ao interpretar Bandolins com Oswaldo Montenegro, de quem virou parceiro em inúmeros shows e projetos. A seguir, mergulhou em uma carreira solo que já rendeu quatro álbuns, entre os quais Alma de Músico e Zé Alexandre Ao Vivo. Recentemente, lançou o CD e livro infantil Pedrinho e o Formigueiro, do qual participaram Sandra de Sá, Luis Melodia, Oswaldo Montenegro e Eduardo Dussek, entre outros.

Caipira (ao vivo)- Chico Lobo:

Marcelo Quintanilha mostra CD Caju em Santo André-SP

Marcelo Quintanilha - Foto Patricia Ribeiro 02-400x

Por Fabian Chacur

Cazuza nos deixou em 1990, mas o poder de sedução e encantamento de sua obra se mostra mais forte do que nunca. Isso explica as releituras de suas eternas canções. O cantor Marcelo Quintanilha mergulhou nesse universo com o CD Caju- Canções de Cazuza, cujo repertório ele mostra em show em Santo André (SP) neste sábado (21) às 20h no Teatro do Sesc Santo André (rua Tamarutaca, nº 302- Vila Guiomar- fone 0xx11-4469-1200), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Quintanilha, que também é músico e compositor, terá a seu lado uma banda afiada composta pelo incrível Rogério Rochlitz (teclados e programações, saiba mais sobre ele aqui), Simon Abbud (guitarra e violões), Danilo Viana (baixo acústico) e Peu Del Rei (guitarra). Os arranjos musicais, exceto o de Faz Parte do Meu Show, de Xinho Rodrigues, foram feitos por Quintanilha em parceria com o maestro Rodrigo Petreca, produtor do álbum.

O CD reúne 11 clássicos do repertório de Cazuza, entre os quais Blues da Piedade, Um Trem Pras Estrelas, Pro Dia Nascer Feliz , Ideologia e Exagerado, e também uma composição de Marcelo Quintanilha intitulada Caju, uma bela homenagem ao ex-cantor do Barão Vermelho e um dos maiores nomes da história do rock brasileiro.

Com mais de 25 anos de carreira, Marcelo Quintanilha tem em seu currículo dez álbuns, entre os quais Pierrot & Colombina (2006), gravado em parceria com a sua esposa, a cantora e compositora Vânia Abreu. Suas canções já foram gravadas por nomes famosos do universo musical brasileiro, como Nando Reis, Daniela Mercury (irmã de Vânia), Belô Veloso e o Padre Fábio de Melo, entre outros.

Caju- Canções de Cazuza- Marcelo Quintanilha (streaming):

Cibele Codonho lança seu 1º CD solo com um show em SP

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Por Fabian Chacur

Cibele Codonho estreou em disco em 1998 com Vocalise, integrando ao lado de Leni Requena e Solange Codonho o grupo vocal A Três. Em 2005, foi a vez de gravar em parceria com Filó Machado Tom Brasileiro, álbum no qual releram canções de Tom Jobim. Desta vez, esta talentosa cantora paulistana nos oferece o primeiro CD solo, Afinidade, que será lançado em São Paulo com show no dia 21 (quinta-feira) às 21h no Sesc Pompeia (rua Clélia, nº 93- Pompeia- fone 0xx11-3871-7700), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Afinidade é uma verdadeira aula de, digamos assim, “brazilian jazz”, pois traz um repertório de 12 músicas assinadas por grandes compositores brasileiros, como João Bosco, Aldyr Blanc, Milton Nascimento, Edu Lobo, Paulo Cesar Pinheiro, Johnny Alf e João Donato, vestidas em envolventes arranjos sofisticados e de inspirado tempero jazzístico. Cibele se vale dessa roupagem sonora para desfilar com sua bela e afinada voz aguda, em resultado impecável.

O álbum tem convidados especiais como o amigo Filó Machado, o cantor americano Mark Kibble (líder do célebre grupo vocal Take 6), o baterista americano Lewis Nash, o guitarrista Natan Marques, o saxofonista Roberto Sion, o pianista Michel Freidenson e o baixista Sizão Machado, além de uma afiada banda base comandada por Pichu Borrelli, que também se incumbiu com classe de teclados e arranjos.

O repertório traz maravilhas do naipe de Casa de Marimbondo, Coisas da Vida, A Paz, Mamãe Natureza, Vento Bravo, Love Dance/Lembrança e Amado. Além das canções do CD, também teremos no show Desafinado e Resposta ao Tempo. A banda será composta por Pichu Borrelli (direção musical, piano e arranjos), Sidiel Vieira (baixo), Fabio Canella (bateria) e Danilo Silva (guitarra), com participações especiais de Filó Machado (violão), Léa Freire (flauta) e Carlinhos Antunes (korah n’goni).

Love Dance/Lembrança-Cibele Codonho e Mark Kibble:

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