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Francis Hime conta histórias sobre suas canções clássicas

Francis Hime 400x

Por Fabian Chacur

Há mais de cinco décadas as canções de Francis Hime embalam os sonhos, romances e as vidas de inúmeros brasileiros. São clássicos que ele compôs ao lado de outros craques da nossa música durante esse tempo todo. Como forma de compartilhar a feitura de algumas dessas pepitas musicais, o artista estreia nesta quarta (13) às 19h uma webserie na qual contará as histórias de algumas delas. O programa tem como título Trocando em Miúdos- As Minhas Canções, o mesmo do livro que lançou há algum tempo.

“A ideia é abordar não apenas a feitura de cada canção, mas também as influências e circunstâncias que as cercam. Serão encontros semanais, onde eu discorrerei sobre uma determinada obra”, explica o artista.

Como não poderia deixar de ser, o primeiro episódio abordará Trocando em Miúdos, grande clássico de seu repertório composto com um de seus parceiros preferenciais, Chico Buarque, e que expressa o fim de uma relação amorosa com rara precisão e sensibilidade.

Os temas de alguns dos próximos episódios, cujas gravações tem como cenário o estúdio situado na casa de Francis, já estão definidos. No dia 20, por exemplo, a canção em foco será Sem Mais Adeus, escrita com o eterno poeta Vinícius de Moraes.E no dia 27, teremos Parceiros, escrita com o grande Bituca de Três Pontas, Milton Nascimento.

“Na sequência, virão canções que fiz com Ruy Guerra, Olivia Hime, Paulo Cesar Pinheiro, Geraldo Carneiro, Cacaso, Gilberto Gil , Thiago Amud, Guinga, Zelia Duncan e muitos outros, já que uma das características do meu trabalho é gostar de compor com muitos parceiros”, adianta Francis.

Suas incursões por trilhas feitas para cinema e teatro e no universo da música erudita ganharão alguns episódios. A webserie Trocando em Miúdos- As Minhas Canções poderá ser conferidas nos canais @francishimeoficial no Instagram e Facebook e nos canais oficiais da Blooks Livraria (@blookslivraria).

Trocando em Miúdos– Francis Hime:

Chico Buarque tem o primeiro compacto de vinil relançado

chico buarque compacto simples vinil-400x

Por Fabian Chacur

Há relançamentos musicais em formato físico que tem como grande atrativo o seu conteúdo artístico. Outros, porém, tornam-se um fetiche para colecionadores, pois não trazem nada além de suas embalagens como atrativos. E esse último é o caso do novo produto colocado no mercado pela Polysom na série Clássicos em Vinil. Em parceria com a Som Livre, eles nos proporcionam uma reedição do 1º disco de Chico Buarque.

Lançado originalmente no formato compacto simples de vinil em 1965 pela hoje extinta gravadora RGE, o single traz as músicas Pedro Pedreiro no lado A e Sonho de Um Carnaval no lado B. Ambas seriam incluídas no LP de estreia do artista, autointitulado e disponibilizado para o público em geral naquele mesmo ano com grande repercussão.

Pedro Pedreiro tem forte conteúdo político, e infelizmente se mostra mais atual do que nunca, com seus versos incisivos “esperando, esperando, esperando o trem, esperando o aumento para o mês que vem, esperando um filho pra esperar também”.

Por sua vez, Sonho de Um Carnaval participou do festival de música da extinta TV Excelsior também em 1965, interpretada por Geraldo Vandré. Não ganhou, mas ao menos conquistou o coração do artista nordestino, que a gravaria posteriormente.

O bacana do compacto simples é a sua capa vintage, indicando a rotação (33 RPM), com tipologia estilosíssima e uma foto do artista novinho, ainda na altura de seus 20 anos de idade. Garanto que os fanáticos pelo grande astro da MPB adorariam ter esse item em sua coleção, nem que seja apenas para decorar sua parede ou estante.

Pedro Pedreiro– Chico Buarque:

Chorinhos em Desfile agora no céu, Altamiro

Por Fabian Chacur

Minha mãe era fã incondicional de música, da clássica à popular, e costumava ter sempre uma boa trilha sonora para seus afazeres de dedicada dona de casa que era. Eu, quando criança, tive a honra de ouvir com minha eterna dona Victoria vários de seus LPs.

Entre eles, um dos favoritos era Chorinhos em Desfile (1959), lançado pela gravadora Copacabana e creditado a Altamiro Carrilho e Seu Conjunto Regional. Era o “disco do passarinho”, devido à sua bela capa, com uma ave cantando nos galhos de uma árvore, em foto colorida que você pode ver ilustrando este post.

Esse álbum incluía 11 faixas, entre as quais maravilhas como Tico-Tico No Fubá (Zequinha de Abreu), André de Sapato Novo (André Victor Corrêa) e Canarinho Teimoso (Altamiro Carrilho e Ary Duarte), só para citar algumas que permanecem firmes na minha memória musical.

Através desse disco fantástico, gravado pelo flautista fluminense Altamiro Carrilho quando ele tinha 35 anos de idade, conheci um dos gêneros musicais mais cativantes da música brasileira, o chorinho, com seus improvisos, melodias deliciosas, predominância instrumental e berço/inspiração de músicos brilhantes, entre os quais o próprio AC.

Infelizmente, esse verdadeiro gênio da flauta e da música popular nos deixou no dia 15 (quarta-feira), vítima de um câncer no pulmão, e irá se juntar a minha saudosa mãe (1926-1996), apenas uma entre as inúmeras fãs desse verdadeiro gênio da música.

Altamiro Carrilho começou a tocar ainda muito jovem, aos 5 anos, e no decorrer dos anos passou a se dedicar à flauta e ao estudo da música, enquanto trabalhava como farmacêutico. No início dos anos 50, passou a atuar como músico em tempo integral.

Além de gravar inúmeros discos, entre os quais o citado Chorinhos em Desfile, Carrilho também atuou como músico de estúdio, sendo utilizado por grandes astros e sempre em posição de destaque em incontáveis gravações antológicas.

Dois de seus momentos marcantes como flautista estão nas gravações originais de estúdio de dois grandes clássicos da MPB, Detalhes (1971), de Roberto Carlos, e Meu Caro Amigo (1976), de Chico Buarque. Só essas duas participações bastariam para que eu o considerasse um gênio. E ele fez muito, mas muito mais.

Tive a honra de entrevistar esse monstro sagrado da música brasileira lá pelos idos de 1992, e fiquei cativado por sua simpatia e simplicidade, características que o marcavam também no intercâmbio com músicos mais jovens, dividindo seu talento com generosidade e inteligência.

Altamiro Carrilho (21.12.1924-15.8.2012) é mais um músico do primeiríssimo escalão da MPB que nos deixa. Sorte que temos os discos e vídeos para matarmos a saudade. Entre os quais Chorinhos em Desfile, que eu herdei da Dona Victoria. Que herança maravilhosa!

André de Sapato Novo, com Altamiro Carrilho:

Meu Caro Amigo, com Chico Buarque e Altamiro Carrilho:

Detalhes, com Roberto Carlos (flauta tocada por Altamiro Carrilho):

Morre Magro Waghabi, do grupo MPB 4

Por Fabian Chacur

Morreu nesta quarta-feira (8) Antonio José Waghabi Filho (1943-2012), o Magro Waghabi, integrante do MPB 4, um dos mais importantes e talentosos grupos vocais da história da música brasileira de todos os tempos.

Segundo nota publicada no site oficial do quarteto por um de seus integrantes, Aquiles, Magro foi vítima de um câncer contra o qual lutou durante 10 anos.

O grupo gravou e lançou há pouco Boleros-Contigo Aprendi, álbum dedicado a versões em português de boleros clássicos. No citado site (www.mpb4.com.br), existe um post com comentários de Magro referentes ao material registrado no novo CD deles.

O MPB 4 teve sua gênese em 1962 no Centro de Cultura Popular da Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ), onde estudavam Ruy (primeira voz), Magro Waghabi (segunda voz e direção musical), Aquiles (terceira voz) e Miltinho (quarta voz).

A banda registra o ano de 1965 como seu início na trajetória profissional. Naquele ano, participaram do programa O Fino da Bossa e conheceram Chico Buarque, com quem fizeram inúmeros shows e gravação, entre elas a magnífica Roda Viva.

Inspirados em grupos vocais brasileiros anteriores como Os Cariocas, o MPB 4 rapidamente desenvolveu um estilo próprio de vocalizações, no qual os arranjos e direção musical de Magro se mostraram decisivos.

Outra marca registrada do quarteto sempre foi o extremo bom gosto para selecionar repertório, de autores como Chico Buarque, Caetano Veloso, João Bosco, Milton Nascimento e tantos outros. Também ajudaram a revelar novos talentos, entre os quais Kleiton & Kledir, e a resgatar clássicos da música brasileira.

O grupo gravou álbuns antológicos, entre os quais destaco Bons Tempos, Heim? (1979) e Vira Virou (1980), e estiveram na linha de frente da MPB no combate à Ditadura Militar.

Meu álbum favorito deles é o sensacional Cicatrizes, de 1972, do qual fazem partes clássicos do porte de Partido Alto (Chico Buarque), Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro), Bom Dia Boa Tarde Boa Noite (Jorge Ben), Canto de Nanã (Dorival Caymmi) e a faixa título, gravadas com arranjos irrepreensíveis e vocalizações matadoras.

Outro momento mágico do MPB 4 é Porto (Dori Caymmi), da trilha da novela global Gabriela (1975), na qual se valem de vocalizações para interpretar uma melodia maravilhosa.

Embora tenha vivido o seu auge de popularidade nos anos 70 e 80, o MPB 4 manteve-se na ativa com muita competência nas últimas décadas, lançando inclusive um álbum, MPB 4 e a Nova Música Brasileira (2000), no qual faziam releituras de músicas de compositores da então nova safra da MPB, como Lenine, Zélia Duncan e Zeca Baleiro.

Ouça Porto, com o MPB 4:

Ouça Pesadelo (ao vivo), com o MPB 4:

Ouça Partido Alto (ao vivo), com o MPB 4:

Generosos extras tornam o DVD de Uma Noite Em 1967 ainda melhor do que o ótimo documentário

Por Fabian Chacur

Uma Noite Em 67 é um dos melhores documentários já feitos tendo a música popular brasileira como tema.

O filme dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil retrata de forma brilhante o 3º Festival da Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record em 1967 e um marco na história de nossa música.

Já escrevi em Mondo Pop sobre a atração.

Agora, tive a oportunidade de conferir a edição em DVD, que merece a palavra sublime como adjetivo a denotar sua alta qualidade.

Aos 85 minutos do filme, foi acrescentado mais ou menos o mesmo tempo de extras.

Esse material amplia o universo abordado pelo documentário de forma magnífica.

Temos, por exemplo, entrevistas com alguns dos integrantes da atuante plateia daquele evento, entre os quais a incrível jornalista Telé Cardim, que rouba a cena com seu carisma e deliciosas memórias.

Foram 12 as músicas finalistas da competição musical. As cinco primeiras foram abordadas no documentário.

Seis das outras sete ficaram para os extras, com direito a detalhes bacanas sobre cada uma delas e a execução das mesmas na íntegra.

Só ficou faltando Ventania, de Geraldo Vandré, que sequer é citada no filme ou nos extras.

Certamente para evitar problemas legais que poderiam ser causados pelo polêmico autor e intérprete. Mas não faz falta…

No segmento intitulado Causos, temos histórias adicionais daquele festival e também da época, contados por Chico Buarque, Caetano Veloso, Marília Medalha, Ferreira Gullar e outros.

Uma Noite em 67, o DVD, é uma fantástica viagem a uma era em que a música no Brasil era encarada como algo que ia muito além de simples notas em partituras interpretadas por seres humanos iguais a nós.

Este DVD equivale a uma verdadeira aula de história e música feita de forma fluente, gostosa e cativante.

Um presentão que todo fã de música popular brasileira de verdade precisa dar para si.

Ouça Ponteio, a vencedora do festival:

Coleção Chico Buarque da Abril é um luxo

Por Fabian Chacur

Chico Buarque é indispensável em qualquer discoteca que se preze. Em seus melhores trabalhos, temos a MPB em estado de graça, com padrão internacional de letras, melodias, arranjos, tudo.

Levando essa constatação óbvia em conta, a editora Abril lançou na semana passada a Coleção Chico Buarque. São 20 álbuns lançados pelo fantástico cantor, compositor e músico carioca em seus quase 50 anos de carreira.

Cada álbum original chega às bancas de jornais e outros pontos de venda com capa dura, encarte luxuoso repleto de fotos, texto sobre os discos, contextualização de época, letras de todas as músicas incluídas e fichas técnicas. Respeito total ao consumidor.

Os volumes podem ser adquiridos separadamente ao excelente preço de R$7,90 (o primeiro volume) e R$ 14,90 (os outros). Também está disponível uma caixa na qual os discos-livros podem ser guardados, encontrável nos pontos de venda.

A coleção abrange desde o início da carreira de Chico Buarque, na metade dos anos 60, até o recente Carioca. Seus mais importantes trabalhos estão aqui, sem exceção.

Já saíram até agora Chico Buarque, de 1978 (inclui Apesar de Você, Feijoada Completa, Trocando Em Miúdos e Cálice) e o seminal Construção (1971), na minha humilde opinião o melhor disco da história da MPB, com as fantásticas Construção, Olha Maria, Deus Lhe Pague e Cotidiano como destaques.

A possibilidade de adquirir os volumes semanalmente equivale a um parcelamento que torna viável a aquisição de todo o pacote, além de também permitir ao fã mais exigente selecionar o que de fato lhe interessa.

Apesar de genial, Chico também tem discos não tão consistentes, e alguns deles fazem parte da coleção, como Uma Palavra (1995), Per Un Pugno Di Samba (1970, gravado na Itália). De qualquer forma, um disco fraco do autor de As Vitrines é melhor do que 90% das obras completas de muita gente boa por aí.

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