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Chris Cornell, ou mais um dos grandes que nos deixa cedo

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Por Fabian Chacur

Em pleno caos político que vive o Brasil nesse exato momento, os fãs de rock estão vivenciando mais um duro luto. Chris Cornell, 52 anos, foi encontrado morte nesta quarta (17) no banheiro de um hotel em Detroit, EUA, horas após ter feito um show com o Soundgarden, banda que o tornou famoso mundialmente. Há indícios de que possa ter sido suicídio. Uma perda irrecuperável, de um artista que estava na ativa e ainda poderia nos proporcionar muita coisa.

Nascido em Seattle no dia 20 de julho de 1964, Cornell foi um dos nomes mais importantes da cena musical que ajudaria a resgatar o rock dos porões rumo ao topo das paradas de sucesso novamente. Criada em 1984, sua banda principal, a Soundgarden, foi a primeira da cena do que se convencionou chamar de grunge a assinar com uma grande gravadora, em 1988. O grupo começou a firmar seu nome no mainstream rock com Badmotorfinger (1991), um álbum furioso e com músicas do porte de Outshined e Rusty Cage.

Mais ou menos na mesma época de Badmotorfinger, também saiu Temple Of The Dog, álbum no qual ele homenageou o amigo Andrew Wood (1966-1990), morto por uma overdose de heroína, e teve a seu lado músicos que a seguir formariam o Pearl Jam e também um colega do Soundgarden. Um trabalho que ficou marcado na história do rock não só pelo tributo em si, mas também graças à qualidade de suas músicas.

Dos grupos do núcleo do grunge, o Soundgarden era o com mais influência do heavy metal, especialmente do Black Sabbath, e o vozeirão de Cornell se encaixava feito luva nesse panorama. Com Superunknown (1994), o grupo atingiu o topo da parada americana, e se mostrava um pouco mais melódico, com canções como Black Old Sun e Spoonman. Após lançar Down On The Upside (1996), no entanto, o grupo entraria em crise e a separação se tornaria o passo a seguir, tomado em 1997.

No período em que o Soundgarden ficou fora de cena, Chris Cornell apostou na versatilidade como proposta. Lançou três álbuns-solo bem diferentes entre si, Euphoria Morning (1999), Carry On (2007) e Scream (2009), sendo que no último ousou ao investir em r&b pop e com produção a cargo do badalado Timbaland. Outro trabalho individual sairia em 2015, Higher Truth, além do ao vivo Songbook (2011).

De 2001 a 2007, ele também integrou o Audioslave, grupo que era uma espécie de Rage Against The Machine com Cornell na vaga do cantor Zack de La Rocha. O quarteto lançou três álbuns, sendo o melhor o autointitulado trabalho de estreia, lançado em 2002 e trazendo canções intensas como Cochise, Like a Stone e Show Me How To Live. O supergrupo acabou quando o Rage original resolveu seguir adiante, e seu cantor voltou à carreira-solo.

O Soundgarden fez a alegria dos fãs em 2010 ao anunciar o seu retorno, coroado com um álbum de inéditas, King Animal, lançado em 2012. Atualmente, a banda estava em turnê, e é uma pena ver Cornell sair de cena de forma tão prematura e trágica. Seu vozeirão, carisma e talento, que o público brasileiro teve a chance de conferir em shows solo e com o Soundgarden, ficarão marcados na memória de todos.

Like a Stone– Audioslave:

King Animal é Soundgarden em boa forma

Por Fabian Chacur

Na explosão do grunge ocorrida em 1991 e liderada pelo Nirvana de Kurt Cobain, uma das bandas que mais se destacou foi a Soundgarden. O quarteto de Seattle lançou naquela época o impactante Badmotorfinger, e até 1996 atingiu o topo das paradas ianques, com os ótimos Superunknown (1994) e Down On The Upside (1996). Em 1997, no entanto, o quarteto se desfez.

Durante os 13 anos seguintes, o vocalista Chris Cornell lançou CDs solo e integrou o supergrupo Audioslave ao lado de três integrantes do Rage Against The Machine, enquanto os ex-colegas atuaram de maneira low profile. Em 2010, no entanto, Cornell (vocal e guitarra), Matt Cameron (bateria), Kim Thayil (guitarra líder) e Ben Shepherd (baixo) voltaram à ativa.

Agora, é a vez do álbum que finalmente sucede Down On The Upside. E felizmente os 16 anos de espera valeram a pena para os fãs da banda. King Animal, que entrou na parada ianque direto no quinto lugar na semana de seu lançamento, é Soundgarden em boa forma.

Quem curte a banda encontrará em suas 13 faixas o que eles habitualmente fazem em seus trabalhos. Trata-se de uma mistura de hard/heavy rock pontuada por elementos de psicodelismo, folk e pop que remetem a Black Sabbath, Led Zeppelin e outras bandas do gênero. O vozeirão de Cornell está em plena forma, assim como os riffs pesados e a batida energética do time, que também sabe ser sutil aqui e ali.

Been Away Too Long, que abre o álbum, traz o grupo com a faca entre os dentes. A fantástica e bem psicodélica A Thousand Days Before pega o ouvinte e o envolve logo de cara, enquanto Blood On The Valley Floor, Black Saturday e Worse Dreams não deixam margem a dúvidas: uma grande banda está de volta disposta a não sujar sua boa reputação.

Clipe de Been Away Too Long, do Soundgarden:

Coletânea Telephantasm é um bom cartão de visitas da banda americana Soundgarden

Por Fabian Chacur

O Soundgarden fez parte do primeiro time do que se convencionou chamar de rock grunge, ao lado de Nirvana, Pearl Jam e Alice In Chains.

Entre 1984 e 1997, o grupo cuja formação clássica inclui Chris Cornell (vocal), Kim Thayil (guitarra), Ben Shepherd (baixo) e Matt Cameron (bateria) lançou bons trabalhos e se firmou como força do rock.

Entre outros, gravaram álbuns seminais como Badmotorfinger (1991) e Superunknown (1994), além de consolidar uma bela mistura de hard rock, heavy metal, pop, punk e até mesmo country e folk aqui e ali.

Durante os 13 anos em que permaneceram separados, seus integrantes se dedicaram a outros projetos, com destaque para Cornell, que lançou discos solo e também três álbuns com a banda Audioslave, na qual era acompanhada pelos músicos do Rage Against The Machine.

Em 2010, o quarteto resolveu voltar à ativa, tocando em eventos como o festival Lollapalooza e dando indicação de que não deve sair de cena tão rapidamente.

Enquanto os fãs aguardam algum novo trabalho, a banda coloca no mercado Telephantasm, que acaba de sair no Brasil via Universal Music.

Trata-se de uma coletânea com 12 faixas, sendo uma delas a inédita (e boa) Black Rain.

Birth Ritual é da seminal trilha do filme Singles – Vida de Solteiro (1992).

Hunted Down abre com virulência o CD e faz parte do primeiro EP da banda lançado pela mítica gravadora Sub Pop, Screaming Life, de 1987.

Os maiores hits da banda estão aqui, as ótimas Outshined, Rusty Cage, Spoommam e Black Hole Sun, assim como as não menos bacanas Hands All Over, My Wave e Blow Up The Outside World.

A compilação equivale a um belo cartão de visitas para quem deseja conhecer um pouco da obra deste ótimo quarteto americano.

O fã mais ávido certamente irá preferir a versão dupla, que inclui como bônus versões ao vivo e/ou alternativas dos hits, mais canções dos álbuns e embalagem e encarte especiais.

Pena que não haja previsão de esse material sair por aqui. Só na base da importação, mesmo.

Mas mesmo na versão simples Telephantasm é uma bela pedida para quem gosta de rock and roll sincero, virulento e feito com categoria por uma banda que realmente conseguiu entrar para a história.

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