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Lô Borges nos oferece 10 novos clássicos no inspirado Rio da Lua

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Por Fabian Chacur

Em 2018, Lô Borges nos ofereceu uma bela e emocionante releitura de seus trabalhos de estreia de 1972, o maravilhoso DVD Tênis+Clube Ao Vivo no Circo Voador (leia a resenha aqui). Seria até normal esperar que ele ficasse um bom tempo capitalizando os louros oriundos desse lançamento. No entanto, o cantor, compositor e cantor mineiro prova que, aos 67 anos, quer mesmo é viver novas emoções. No caso, um novo CD, o maravilhoso Rio da Lua (Deck).

Rio da Lua adiciona duas novidades a sua carreira. Normalmente, Lô compõe as melodias, para depois encaixar as letras, feitas por ele ou outros parceiros. Desta vez, inverteu-se o processo. As letras apareceram primeiro, para serem posteriormente musicadas. A segunda nova decorre daí: pela primeira vez, ele compôs em parceria com o cantor, compositor e músico mineiro Nelson Angelo, outro egresso do Clube da Esquina. O amigo mandava as letras via aplicativo digital, e ele as ia transformando em canções. O resultado gerou dez belezuras compatíveis com o que de melhor eles já fizeram.

Tendo seu violão como âncora, Lô traz a seu lado Henrique Matheus (guitarras), o irmão Telo Borges (piano e teclados), Thiago Corrêa (baixo) e Fernando Monteiro (bateria). Esse time criou uma sonoridade envolvente e consistente, repleta de sutilezas e de uma capacidade inesgotável de embelezar canções que já seriam capazes de nos cativar, mesmo que fossem executadas só no modo voz-e-violão. Virou uma sólida banda de folk-pop-rock, ou de MPB pop, se preferir. Tudo criando o clima ideal para abrigar a voz suave, docemente apaixonada e fantasticamente bem colocada desse trovador roqueiro que é Lô Borges.

O parceiro de Milton Nascimento soube aproveitar a poesia visionária e viajante de Nelson Angelo, cujas letras nos falam de sonhos e de como encarar a vida, os momentos difíceis, as paixões e as perspectivas futuras, tudo sem cair em autoajuda barata ou reducionismo imbecilizante. Aqui, o tom é a beleza estética com forte conteúdo filosófico. Tudo embalado por aquelas melodias que vão te ganhando de tal forma que, quando você se dá conta, já ouviu o CD umas mil vezes. E que venha a milésima primeira!

Qualquer uma das dez canções merece elogios efusivos, mas a faixa-título, Em Outras Canções, Flecha Certeira, Partimos, Inusitada e especialmente Profeta, que encerra o álbum com seu clima jazzy misterioso, são pepitas preciosas em meio a uma verdadeira Serra Pelada musical. Rio da Lua, é obra ao mesmo tempo repleta da consistência que só a maturidade dá ao artista e recheada daquele idealismo juvenil inspirado e sincero que tantas coisas boas proporcionou no mundo da música. Que venham boas novas todo dia!

Ouça Rio da Lua, de Lô Borges:

Lô Borges lança single Em Outras Canções, amostra de novo álbum

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Por Fabian Chacur

Em 2018, Lô Borges deu um belíssimo mergulho no seu passado de glórias ao reler, ao vivo, as músicas de seu primeiro álbum solo (o célebre “Disco do Tênis”) e também a sua parte no antológico Clube da Esquina, gravado em parceria com Milton Nascimento. O resultado, o DVD Tênis+Clube- Ao Vivo No Circo Voador (leia a resenha aqui) foi um dos melhores lançamentos de 2018. Mostrando que não está a fim de dormir em cima das glórias já conquistadas, o astro mineiro nos oferece uma nova música, Em Outras Canções.

Trata-se da terceira parceria de Lô com Nelson Angelo, conhecido como autor da maravilhosa Fazenda, eternizada na voz de Milton Nascimento. A canção foi viabilizada na base do WhatsApp, com Angelo mandando a letra e o autor de Um Girassol da Cor do Seu Cabelo a colocando no papel e musicando. Com mensagem positiva e o melhor clima de balada pop, Em Outras Canções equivale a uma bela amostra do que será o novo disco de inéditas do astro mineiro.

O álbum, por sinal, já tem título definido pelo artista: Rio da Lua, com lançamento programado já para abril, via gravadora Deck, a mesma do trabalho anterior. As gravações tiveram como local a cidade de Belo Horizonte (MG), e Lô coproduziu o álbum em parceria com Henrique Matheus. Por esse primeiro momento apresentado, a expectativa em torno desse trabalho é das melhores.

Em Outras Canções– Lô Borges:

Lô Borges faz 2 shows em SP e lança o seu novo DVD ao vivo

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Por Fabian Chacur

Considerado um dos mais importantes integrantes do movimento musical chamado de Clube da Esquina, Lô Borges resolveu reler músicas de seus dois discos de estreia no incrível DVD Tênis + Clube (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Ele mostra esse trabalho com shows em São Paulo nesta sexta (5) e sábado (6) às 21h no Sesc Pinheiros- Teatro Paulo Autran (rua Paes Leme, nº 195- Pinheiros- fone 0xx11-3095-9400), com ingressos de R$ 15,00 a R$ 40,00.

A direção musical (do DVD e do show) é de Pablo Castro (voz, violões, piano, guitarra e vocais), que lidera a banda composta por Gui de Marco (violões, guitarras, percussão e vocais), Paulim Sartori (contrabaixo, bandolim, percussão e vocais), D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais), Dan Oliveira (guitarras, violões, percussão e vocais) e Alê Fonseca (teclados e programações), um timaço capaz de muitas e boas.

O repertório do show traz todas as faixas do primeiro álbum solo de Lô, autointitulado e mais conhecido como “Disco do Tênis”, e todas as canções de sua autoria do LP Clube da Esquina (1972), creditado a ele e a um certo Milton Nascimento. De quebra, também temos Para Lennon e McCartney, sua composição gravada brilhantemente pelo Bituca em 1970. Tipo do show feito sob medida para receber o adjetivo de imperdível, ainda mais no delicioso Sesc Pinheiros.

Veja trechos do DVD Tênis+Clube, de Lô Borges:

Lô Borges resgata um de seus álbuns clássicos em belo DVD

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Por Fabian Chacur

Em 1972, com apenas 20 anos de idade, Lô Borges surpreendeu aos fãs de música brasileira ao lançar dois trabalhos que com o tempo seriam consagrados como antológicos. Um é Clube da Esquina, álbum duplo que gravou em parceria com o amigo e mentor Milton Nascimento. Outro, um álbum solo autointitulado hoje mais conhecido como “Disco do Tênis”. Hoje curtindo a maturidade de seus 66 anos, ele resgata o repertório desses dois trabalhos seminais no DVD Tênis+Clube- Ao Vivo No Circo Voador, lançado pela gravadora Deck. Desde já, um dos grandes lançamentos deste 2018. Sublime é pouco!

Lô Borges marcou sua trajetória musical como autor de algumas das mais belas e enigmáticas canções do repertório pop brasileiro. Misturando com maestria folk, rock, country, MPB e experimentalismo, ele rapidamente se firmou como um dos grandes nomes a despontar do time de craques capitaneados por Milton Nascimento que recebeu o nome geral de Clube da Esquina. Se não fez tanto sucesso como o Bituca ou mesmo Beto Guedes, ele possui porte artístico compatível.

Em sua belíssima discografia, repleta de grandes momentos, o “Disco do Tênis” (ouça aqui) é certamente um dos mais badalados. O repertório do novo DVD do cantor, compositor e músico mineiro traz as 15 faixas daquele álbum (tocadas em ordem diferente da do LP original), as oito assinadas por Borges em Clube da Esquina e Para Lennon e McCartney, uma das primeiras composições dele a serem gravadas, mais precisamente por seu mestre e amigo, no LP Milton (1970).

Gravado ao vivo no Circo Voador (RJ) no dia 23 de março, o DVD nos traz um show sóbrio e elegante em termos visuais, sem grandes efeitos ou elementos cenográficos. O foco é todo na parte musical do espetáculo, e aí estamos diante da total e completa excelência, a começar pelos seis músicos selecionados por Lô, que toca guitarra, violão e caxixi, além de cantar com uma voz deliciosamente madura.

O capitão do time é Pablo Castro (vocal, piano, violão, guitarra), que além de ser o diretor musical da coisa toda ainda dá um banho de sensibilidade e talento ao reproduzir com rara competência os vocalizes feitos por Milton Nascimento na gravação original de Clube da Esquina Nº 2. Aliás, o projeto foi levar ao palco os arranjos originais gravados nos álbuns de 1972, e a missão não poderia ter sido melhor cumprida.

Além de Pablo, integram a banda os excelentes Gui de Marco (guitarra, violão, percussão e vocais), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocais), D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais), Dan Oliveira (guitarra, violão, percussão e vocais) e Alê Fonseca (teclados e programações), um elenco que não se preocupou apenas em “tocar igualzinho”, mas sim de trazer para o palco a emoção contida em cada uma dessas canções admiráveis.

Tocando perante um Circo Voador lotado e com plateia gritando “Lô, eu te amo” desde o início, o mestre mineiro da canção esbanja simpatia, evidente timidez e emoção em músicas divinas como Você Fica Melhor Assim, Pensa Você, Aos Barões, Canção Postal, Tudo Que Você Podia Ser, Nuvem Cigana, Paisagem da Janela… São 78 minutos de puro prazer, um belo culto a canções que equivalem a um verdadeiro bálsamo sonoro em tempos tão difíceis como os atuais.

Clube da Esquina Nº2 (ao vivo)- Lô Borges:

Alaíde Costa e Toninho Horta fazem 4 shows em São Paulo

Toninho Horta e Alaíde Costa -foto Geraldo Rocha-400x

Por Fabian Chacur

A amizade entre Alaíde Costa e Toninho Horta teve início entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970, nos bons tempos do Clube da Esquina. Em 2011, o produtor Geraldo Rocha teve a ideia de reuni-los, projeto que se concretizou em 2015 com o lançamento do elogiado álbum Alegria é Guardada em Cofres Catedrais. A dupla estará em São Paulo para shows de quinta a domingo (9 a 12), sempre às 19h15, na Caixa Cultural São Paulo (Praça da Sé, nº111- Centro- fone 0xx11-3321-4400), com entrada gratuita.

Alaíde Costa tornou-se conhecida do grande público na fase inicial da bossa nova, e se firmou como uma das elogiadas intérpretes da nossa música. Por sua vez, Toninho Horta apresentou seu talento como cantor, guitarrista, violonista e compositor ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges e companhia bela. Em 1972, Alaíde participou do seminal álbum Clube da Esquina, em estupenda regravação de Me Deixa Em Paz (Monsueto) ao lado do Bituca. Horta também marcou presença nesse álbum clássico da música brasileira e mundial.

Alegria é Guardada em Cofres Catedrais, o CD, traz basicamente um resgate de clássicos dos anos 1960 e 1970 dos geniais compositores mineiros, entre os quais Travessia, Outubro, Beijo Partido, Nascente, Sol de Primavera e Tudo o Que Você Podia Ser. Também entrou no repertório Sem Você (Tom e Vinícius), que Horta afirma ter sido a primeira música que ouviu na voz de Alaíde, faixa de seu álbum Alaíde Joia Moderna, lançado em 1961 e com o genial Baden Powell no violão.

O show será em um formato bem intimista, com Alaíde cantando e Toninho se alternando entre violão e guitarra. Ambos também tem projetos individuais sendo concretizados. No caso do músico mineiro, um songbook com o melhor de sua bela produção musical. Já Alaíde lançará em breve o seu primeiro DVD, em parceria com o Canal Brasil. Também teremos no futuro um documentário registrando a parceria histórica entre esses dois grandes artistas.

Tudo Que Você Podia Ser– Alaíde Costa e Toninho Horta:

Beto Guedes dá geral nos hits em um show no Rio de Janeiro

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Por Fabian Chacur

Inspirado basicamente em Beatles, rock progressivo e MPB, Beto Guedes construiu em seus mais de 40 anos de carreira uma discografia com pouco mais de dez títulos. A qualidade desse material, no entanto, é a prova cabal de seu talento, tranquilidade e criatividade. O cantor, compositor e músico mineiro dá uma geral em seus maiores hits em show no Rio neste sábado (12) às 21h no Teatro Bradesco Rio (av. das Américas, nº 3.900-loja 160- Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos de R$ 80,00 a R$ 160,00.

Nascido em Montes Claros (MG) em 13 de agosto de 1951, filho do músico e compositor Godofredo Guedes, Beto começou a ficar conhecido no cenário musical após gravar um álbum coletivo em 1973 ao lado de Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta. Em 1975, participou com destaque do álbum Minas, de Milton Nascimento, em dueto na hoje clássica Fé Cega Faca Amolada. Em 1977, enfim sai seu primeiro álbum solo, o excelente A Página do Relâmpago Elétrico.

A partir daí, seu rock melódico, romântico e visionário rendeu álbuns elogiados como Amor de Índio (1978), Sol de Primavera (1979) e Contos da Lua Vaga (1981), emplacando músicas em trilhas de novelas globais e se firmando como um dos grandes nomes da música mineira.

Acompanhado por Arthur Rezende (bateria), Adriano Campagnani (baixo), Ian Guedes (guitarra) e Will Motta (teclados), Beto cantará e tocará em sua guitarra sucessos do porte de Feira Moderna, O Sal da Terra, Lumiar, Sol de Primavera, Amor de Índio e Quando Te Vi (Til There Was You), sempre com sua simpática timidez.

A Página do Relãmpago Elétrico- Beto Guedes (álbum em streaming):

Lô Borges vai gravar um DVD com o Disco do Tênis ao vivo

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Por Fabian Chacur

Nesta sexta (23), a partir das 22h, o público carioca terá um belíssimo programa musical. Trata-se do show no qual Lô Borges irá apresentar, na íntegra, o repertório de seu álbum de estreia como artista-solo, autointitulado e apelidado de Disco do Tênis pelo fato de ter um par deles em sua capa. A apresentação será no Circo Voador (Rua dos Arcos, s/nº- Lapa- fone 0xx21-2533-0354), com ingressos custando R$ 60,00 (meia) e R$ 120,00 (inteira).

Lançado em 1972, quando o cantor, compositor e músico mineiro era ainda muito jovem, o álbum é considerado um dos grandes clássicos da MPB e da produção do chamado Clube da Esquina, grupo de talentosos amigos musicais que trazia em seu elenco nomes do porte de Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta e os irmãos Borges, entre os quais Lô. Aliás, o álbum Clube da Esquina, dividido por ele e Milton Nascimento, saiu naquele mesmo ano mágico.

Lô será acompanhado por uma banda que traz em sua formação Pablo Castro (piano, guitarra, violão e vocal), Guilherme de Marco (violão, guitarra e vocal), Marcos Danilo (violão, guitarra, percussão e vocal), Alê Fonseca (teclados), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocais) e D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais).

O show será gravado, e traz em seu repertório as 15 faixas do célebre álbum, entre elas Você Fica Bem Melhor Assim, Canção Postal, Como o Machado e Pra Onde Vai Você?, e também quatro faixas de autoria de Lô que fazem parte do Clube da Esquina, entre as quais Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, Nuvem Cigana e O Trem Azul. O DVD está previsto para sair em julho pela gravadora Deck. A abertura do show do Circo Voador ficará a cargo de Roberta Campos.

Lô Borges (disco do tênis)- Lô Borges (em streaming):

Lô Borges canta em SP para a festa de 45 anos de estrada

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Por Fabian Chacur

Este ano marca a celebração de belas datas redondas na trajetória de Lô Borges. O cantor, compositor e músico mineiro comemora 65 anos de vida e 45 anos de carreira. Para partilhar esse momento de festa com seu público paulistano, ele toca na cidade neste sábado (1º/7) às 21h e domingo (2/7) às 18h no Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nº 1.000- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos de R$ 9,00 a R$ 30,00.

Tudo começou oficialmente em 1972 com aqueles dois discos históricos, respectivamente Clube da Esquina, gravado em parceria com o amigo de fé, irmão, camarada Milton Nascimento, e Lô Borges, o mundialmente conhecido como o “Disco do Tênis”. Aquele moleque de 20 anos mostrava logo de cara que não estava entrando naquela profissão para marcar bobeira ou enganar os tontos. As belas canções, as melodias deliciosas e as misturas bacanas já estavam lá.

Desde então, o sujeito amadureceu ainda mais, proporcionando aos fãs de boa música maravilhas do alto gabarito de Clube da Esquina nº 2, Paisagem da Janela, O Trem Azul, Tudo Que Você Podia Ser e Para Lennon e McCartney, só para citar algumas. Suas canções foram gravadas por unanimidades como Elis Regina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, 14 Bis e muito, mas muito mais gente mesmo.

De quebra, ele sempre se mostrou aberto a novas parcerias, e fez projetos e escreveu canções com Samuel Rosa, Nando Reis, Arnaldo Antunes e Tom Zé, por exemplo. Neste show, intitulado Paisagem da Janela- Uma Retrospectiva da Carreira-45 Anos, parte do projeto Estação Brasileiro, ele será acompanhado por Henrique Matheus (guitarra), Telo Borges (teclados), Robinson Mattos (bateria) e Renato Valente (baixo), além dele próprio nos vocais e guitarra. Festa da boa!

Clube da Esquina nº2- Lô Borges:

Polysom relança em LP/vinil o “disco do tênis” de Lô Borges

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Por Fabian Chacur

A Polysom, em parceria com a Universal Music e como parte integrante da sua série Clássicos em Vinil, está lançando uma edição em vinil de 180 gramas do álbum Lô Borges, de 1972, que marcou a estreia como artista solo do compositor e músico mineiro. O LP é mais conhecido como “disco do tênis”, pelo fato de ter na capa um surrado par de tênis de couro de cano alto. O trabalho celebra 45 anos melhor do que nunca.

Lô Borges teve um belo ano de 1972. Além de lançar o mais do que histórico Clube da Esquina em parceria com Milton Nascimento, ele ainda teve gás suficiente para nos oferecer sua estreia solo, um álbum que traz nove músicas assinadas somente por ele e outras seis escritas com parceiros como Tavinho Moura, Ronaldo Bastos e Márcio Borges. Músicas como Você Fica Bem Melhor Assim, Canção Postal, Calibre e Fio da Navalha são destaques de um belo trabalho de MPB.

Como forma de festejar essa importante efeméride em sua carreira, Lô tem feito desde o início do ano apresentações enfatizando o repertório do “disco do tênis”. Os shows já passaram por São Paulo, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Ouro Preto, e no segundo semestre deverão voltar a algumas dessas cidades e também chegar a outras, graças ao grande sucesso das datas já realizadas até agora.

Lô Borges– Lô Borges (1972)- Ouça em streaming:

Márcio Borges emociona com as suas lembranças do Clube da Esquina de Milton Nascimento e cia bela

Por Fabian Chacur

Há livros que contam histórias. Outros relembram experiências. Ainda há aqueles que registram estradas percorridas, erros, acertos, sonhos, fé. Há livro de tudo quanto é tipo. Os ruins, obviamente, nem merecem ser chamados de livros. Prefiro ignorá-los. Não é a eles a que me refiro aqui.

Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, de Márcio Borges, lançado originalmente em 1996 e que agora volta em luxuosa edição com direito a CD bônus (e ao preço de R$ 29,90) é tudo isso e muito mais. Tudo de bom e muito mais!

Márcio Borges, o primeiro parceiro musical de Milton Nascimento, é quem nos oferece essa maravilhosa oportunidade de viajar em suas memórias, que se iniciam lá pelos anos 60, aquela era mítica para a música popular.

Fruto de uma família generosa e grande (mais de 10 irmãos e irmãs de sangue!), Márcio nos descreve como essa família aumentou de tamanho de forma exponencial com o decorrer dos anos.

Milton Nascimento, seu irmão de número 12, como ele o apelidou, é o personagem principal desse livro, mas não de longe o único.

Temos os irmãos Marilton, Telo e Lô Borges (entre outros), os amigos Milton, Tavinho Moura, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Beto Guedes e por aí vai. E vai longe. E vai bem.

A paixão pelo cinema, que deu início a tudo, o envolvimento com a música, a parceria com Milton, que era para ser exclusiva na cabeça daqueles jovens idealistas, mas que se ampliou e incluiu posteriormente Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Lô Borges e tantos outros…

Os papos idealistas nos bares da vida, os romances fugazes, as ideias aparentemente malucas que surgem, os sonhos, o reconhecimento do terreno, os novos personagens surgindo a cada nova incursão pela vida…

Com um texto delicioso e repleto de carga emotiva, Márcio Borges nos conduz por um Brasil que nos anos 60 e 70 era repleto de esperança, mas também de medo, de sumiços, de trajetórias violentamente interrompidas pela força das armas da Ditadura Militar que nos tomou os sonhos por longos 21 anos.

Mas, mesmo assim, os sonhos desses rapazes não envelheceram, não.

Pelo contrário. Vários deles se tornaram realidade, como por exemplo o estupendo álbum Clube da Esquina (1972), gravado por Milton e Lô Borges e com participação de tantos amigos maravilhosos.

Onde fica o Clube da Esquina? Fisicamente, em uma esquina humilde na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Na real, no coração de todos esses personagens maravilhosos, de músicas como Tudo o Que Você Podia Ser, Clube da Esquina, Clube da Esquina 2 (versões instrumental e com letra), Cais, O Trem Azul… E no meu, no seu, no nosso.

Faça esse favor à sua alma: leia Os Sonhos Não Envelhecem. É emoção pura, é uma viagem gostosa por um tempo idealista que pode nos servir de inspiração mesmo hoje, uma era tão cinzenta, tão repleta de portas fechadas, de nãos  grosseiros, de pragmatismo covarde e tacanho. Experimente!

E com um CD grátis contendo 10 maravilhas da era do Clube da Esquina dos anos 70, os R$ 29,90 equivalem a uma ninharia, de custo/benefício incalculável. Vá por mim. E nem precisa agradecer. Agradeça a Márcio Borges!

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