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Karla Bonoff, uma artista que você precisa conhecer agora

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Por Fabian Chacur

Em 1977, uma jovem cantora, compositora e musicista americana chamada Karla Bonoff lançava o seu autointitulado álbum de estreia pela gravadora Columbia. Quatro décadas após, esse álbum continua não só soando maravilhosamente belo, como prossegue aguardando um maior reconhecimento por parte de crítica e, especialmente, de público. Então, como forma de celebrar esses 40 anos, vamos mergulhar de cabeça na carreira desta incrível artista.

A forma como descobri Karla foi típica de quem trabalha como crítico musical e é curioso. Lá pelos idos de 1999, entrevistei um trio country brasileiro dos mais competentes, o West Rocky. No disco de estreia deles, Me Faz Bem (1998), o destaque era a deliciosa Quando o Amor se Vai, versão em português de Tell Me Why, música escrita exatamente por miss Bonoff, que até então eu não tinha nem ideia de quem era.

Algumas semanas depois da entrevista, estava em uma loja de CDs situada no Shopping Eldorado, em São Paulo, e dei de cara com o CD All My Life- The Best Of Karla Bonoff. Como sou curioso, ávido comprador de discos e estava com dinheiro, comprei esse álbum cuja capa trazia aquela bela moça de olhar tímido e cabelos escuros.

Logo ao ouvir a primeira faixa dessa excepcional coletânea, quase caí de costas. Lay Down Beside Me é sem medo de errar uma balada rock avassaladora. Com letra que toca no tema da solidão de forma emotiva, traz uma melodia encantadora, em tom menor, um clima introspectivo e uma interpretação de arrepiar de Karla, com direito a certeiras intervenções de guitarra. Tipo da música perfeita, um clássico óbvio que também abre o álbum de estreia de Karla.

Nesse seu primeiro LP solo, Karla Bonoff contou com a participação de músicos do primeiríssimo escalão do chamado bittersweet rock, ou soft rock, aquele estilo musical surgido no finalzinho dos anos 1960 que somava elementos de rock, country e folk com letras emotivas, introspectivas e confessionais e que teve em James Taylor, Carole King, Crosby, Stills & Nash e Cat Stevens alguns de seus nomes seminais.

Karla Bonoff (o álbum) apresenta ao mundo uma cantora de bela voz, uma instrumentista extremamente competente e uma compositora iluminada. Além da já citada Lay Down Beside Me, o álbum nos traz pérolas sonoras como a envolvente balada country em andamento de valsa Home, o rockão I Can’t Hold On, a balançada Isn’t It Always Love e a tocante Lose Again, só para citar algumas.

Era um álbum que permitia ao ouvinte mais atento notar que sua autora não estava estreando com tanta competência do nada. Fica claro, ao ouvi-lo, que tínhamos ali o fruto de anos anteriores de trabalho, mesmo sendo Karla ainda bastante jovem. E é exatamente este antes, e também o depois da carreira dela que vamos contar daqui pra frente. Com direito à entrada em cena de muitos nomes conhecidos da música, trilhas de filme etc. Vamos lá!

Dupla com a irmã, um grupo, Linda Ronstadt…

Nascida em 27 de dezembro de 1951, Karla Bonoff iniciou de fato sua carreira musical ao formar uma dupla com a irmã, Lisa, intitulada The Daughters Of Chester P.(as filhas de Chester P.), uma homenagem ao pai. Elas tiveram a oportunidade de gravar uma demo para a Elektra Records no final dos anos 1960 com a produção de Bruce Botnick, que trabalhou com os Doors, mas a gravadora não as contratou, e Lisa preferiu seguir carreira como professora.

Karla seguiu adiante, e virou presença constante no Troubador, mitológico barzinho de Los Angeles nos quais nomes como James Taylor, Jackson Browne, Elton John e os músicos que depois formariam os Eagles eram figuras constantes. Por lá, a moça fez amizade com o músico Kenny Edwards, integrante da Stone Poneys, banda da qual também fazia parte a cantora Linda Ronstadt. Com o fim desse grupo, eles começaram uma parceria musical que duraria mais de 40 anos.

Com o acréscimo de Andrew Gold e Wendy Waldman, Karla e Edwards criaram a Bryndle. Essa banda gravou um álbum para a A&M Records no início dos anos 1970, mas novamente nossa heroína não deu sorte, pois o disco nunca foi lançado, o que levou os integrantes do grupo a partirem para seus próprios projetos. Eles, no entanto, nunca se distanciariam, sempre participando uns dos discos/shows dos outros, deixando no ar a possibilidade de um dia voltarem.

Kenny Edwards foi convidado a integrar a banda de apoio da ex-colega de Stone Poneys, Linda Ronstadt, que se tornou uma estrela da cena country rock. Um dia, Karla teve a chance de mostrar canções para Ronstadt, e um ano depois disso, mais precisamente em 1976, nada menos do que três músicas da compositora entraram no álbum Hasten Down the Wind: Someone To Lay Down Beside Me, Lose Again e If He’s Never Near, com direito a participação de Karla fazendo backing vocals.

A qualidade das músicas rendeu o contrato com a Columbia. Após o primeiro álbum, que teve repercussão mediana, apesar de sua alta qualidade, ela lançou em 1979 Restless Hearts, outro LP belíssimo com direito a baladas doloridas como Restless Nights, rocks como Baby Don’t Go e dois momentos bacanas para o currículo: When You Walk In The Room, grande sucesso em 1963 de e com Jackie De Shannon (que de quebra participou dessa releitura), e The Water Is Wide, hit do Kingston Trio com participação nos vocais e violão de James Taylor.

Como a repercussão do álbum anterior foi respeitável (nº 31 nos EUA), tivemos em 1982 o terceiro trabalho dela, Wild Heart Of The Young, que traz como destaques a maravilhosa balada que lhe dá o nome e Personally, obscura canção de r&b regravada por ela que acabou se tornando, ironicamente, o maior sucesso de sua carreira solo, atingindo o posto de nº 19 na parada de singles da Billboard.

O quarto álbum de Karla, New World, chegou às lojas em 1988 e tem em seu repertório as encantadoras Tell Me Why, All My Life e Goodbye My Friend. Seria o último trabalho solo de estúdio dela até o momento (2017), que depois lançaria apenas o excelente CD duplo ao vivo Live (2007). Antes, tivemos a coletânea All My Life- The Best Of Karla Bonoff (1999), melhor iniciação para a sua obra.

Compositora regravada por grandes nomes da música

Expressiva representante da ala singer-songwritter (cantautori, em italiano) do universo pop, ou seja, aqueles artistas que gravam com mais frequência as suas próprias canções, Karla Bonoff no entanto também é bastante conhecida por ter seu repertório relido por grandes nomes da música. Linda Ronstadt abriu essa porteira em 1976, como já dissemos anteriormente. E não foi só isso.

Em 1989, no seu álbum Cry Like a Rainstorm, Howl Like the Wind, Linda voltou a recorrer ao songbook da amiga, e gravou de uma só vez All My Life, Trouble Again e Goodbye My Friend. Além de o álbum ter vendido muito, All My Life, que teve a participação do cantor Aaron Neville, rendeu a Linda Ronstadt um troféu Grammy.

Bonnie Raitt, aclamada cantora, compositora e guitarrista americana, fez belíssima gravação de Home no álbum Sweet Forgiveness (1977). Em 1979, foi a vez de a cantora country Lynn Anderson (famosa pelo megahit Rose Garden, que fez sucesso no Brasil na versão Mar de Rosas, com os Fevers) recorrer a uma canção da Karlinha, a sacudida Isn’t It Always Love, do seu álbum Outlaw Is Just a State Of Mind.

E tem também Tell Me Why. Em 1993, a estrela country Wynonna Judd, ex-integrante do duo The Judds e irmã da atriz Ashley Judd, resolveu regravar essa canção, só que seus músicos não conseguiam reproduzir o arranjo da gravação original. Aí, surgiu a ideia de convidar a própria Karla, que tocou o violão e fez backing vocals nessa releitura, um grande hit country naquele ano, integrante do álbum Tell Me Why, de Judd.

Uma curiosidade: foi exatamente essa regravação de Wynonna que levou o grupo brasileiro West Rocky a fazer a sua versão. Eles nem tinham ideia de quem era Karla Bonoff, e, no entanto, por tabela foram os responsáveis por eu ter descoberto essa artista maravilhosa. Vale registrar que, em 2006 e 2013, a dupla sertaneja Guto & Nando também releu Quando o Amor Se Vai (Tell Me Why), respectivamente em um CD de estúdio e em um DVD ao vivo.

A segunda chance do Bryndle enfim chegou

A história do Bryndle aparentemente seria a de uma espécie de grupo que foi sem nunca ter sido, em razão do melancólico fim de seu contrato com a gravadora A&M. Isso, embora seus integrantes sempre tenham se mantido próximos um dos outros. Kenny Edwards, por exemplo, foi o produtor de vários dos discos de Karla, enquanto Andrew Gold e Wendy Waldman participaram deles.

No entanto, o tempo acabou dando uma nova chance aos amigos, que se reuniram novamente com o objetivo de reativar a banda no inicio dos anos 1990. Desta vez, o projeto se mostrou plenamente vitorioso, pois rendeu dois álbuns, Brindle (1995) e House Of Silence (2002), além de inúmeros shows e aparições em programas de TV.

Infelizmente, tudo acabou com as mortes de Kenny Edwards em 2010 e Andrew Gold em 2011. Desde então, Karla continuou na estrada fazendo shows solo, dando uma geral em seu repertório de hits. Alguns deles são em parceria com Livingston Taylor, irmão de James Taylor.

Duetos e participações em trilhas de filmes

Acho que a história de Karla Bonoff tinha acabado por aqui? Doce ilusão! Chegou a hora de dar uma geral nos duetos e participações em trilhas de filmes. E tem muita coisa boa. Em 1983, por exemplo, ela participou do segundo CD de Christopher Cross, Another Page, fazendo um dueto com ele em What Am I Supposed To Believe.

Em 1996, ela gravou junto com a consagrada banda country Dirt Band a música You Believed In Me, que entrou no álbum feito em homenagem aos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. J.D. Souther, seu contemporâneo dos tempos de Troubadour e grande nome do soft rock dos anos 1970, gravou em dueto com ela Step By Step, incluída em 1986 na trilha do filme About Last Night.

E já que entramos no tópico trilhas sonoras, temos outro dueto bacana feito com o astro country Vince Gill, When Will I Be Loved, incluída na trilha do filme 8 Seconds, que por sinal também traz outra canção interpretada por Karla, Standing Right Next To Me.

A gravação feita especialmente para filmes que provavelmente mais lhe rendeu deve ter sido a da canção Somebody’s Eyes, integrante da trilha de Footloose, álbum que permaneceu 10 semanas no topo da parada americana e vendeu milhões de cópias mundo afora, impulsionado pela faixa-título, interpretada por Kenny Loggins.

Para os fãs de músicos, vai aí uma pequena relação dos craques da música que participaram dos álbuns de estúdio de Karla Bonoff: Waddy Watchel, Leland Sklar, Dan Dugmore, Russel Kunkel, Rick Marotta, Danny Kortchmar, Don Henley, Victor Feldman, Bill Payne, Timothy B. Schmidt, Garth Hudson, Peter Frampton e Glenn Frey.

Bem, se você chegou até aqui, não deixe de ouvir o trabalho de Karla Bonoff, que está disponível nas melhores plataformas digitais disponíveis na rede, e em selecionadíssimas lojas de CDs e LPs. Duvido que quem tiver um ouvido apurado e curtir música pop de qualidade não acabe se apaixonando pela obra desta brilhante artista. Comece como eu, por essa música que eu postei abaixo. Boa viagem sonora:

Someone To Lay Down Beside Me– Karla Bonoff:

Lady Antebellum lança single beneficente para Porto Rico

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Por Fabian Chacur

O furacão Maria trouxe violentos transtornos para Porto Rico. Como forma de ajudar o povo de lá a dar a volta por cima nos prejuízos sofridos, o grupo americano Lady Antebellum resolveu doar tudo o que arrecadar com o seu novo single, Heart Break, para este fim. Além disso, eles também vão destinar uma porcentagem da venda dos ingressos de sua nova turnê para o povo porto-riquenho.Uma atitude bem bacana.

O clipe foi gravado em San Juan, cidade mais conhecida de Porto Rico. Heart Break é a faixa título do mais recente álbum lançado por Hillary Scott (vocal), Charles Kelley (vocal e violão) e Dave Haywood (vocal, guitarra, piano e mandolin). O trabalho saiu nos EUA em junho, atingiu o 4º posto na parada pop de lá, e marcou o retorno deles três anos após o lançamento do CD 747, período durante o qual tiveram um hiato na carreira da banda e se dedicaram a outros projetos.

Com 11 anos de estrada e sete troféus Grammy em seu acervo, o Lady Antebellum faz uma excelente mistura de country, pop e rock, com direito a canções melódicas e vocalizações bem bacanas. Eles se tornaram famosos mundialmente com seu segundo álbum, Need You Now (2010), especialmente graças à faixa título. Eles já lançaram sete álbuns, e possuem no currículo gravações em parceria com nomes do porte de Stevie Nicks e Maroon 5. Leia mais sobre eles aqui.

Heart Break (clipe)- Lady Antebellum:

Michael Johnson/Bluer Than Blue nos deixa aos 72 anos

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Por Fabian Chacur

Em 1978, a canção Bluer Than Blue estourou no mundo inteiro, Brasil incluso, e tornou conhecido o cantor, compositor e violonista americano Michael Johnson. A bela balada com tempero country tornou-se para sempre o cartão de apresentações dele, que infelizmente nos deixou no dia 26 de julho, aos 72 anos. O artista sofreu uma cirurgia cardíaca em 2007, e também lutava há anos contra um enfisema pulmonar.

Para quem só sabia da existência desse artista por causa de seu maior hit, senta, que lá vem história. Ele nasceu no estado americano do Colorado em 8 de agosto de 1944, e começou a tocar violão com 13 anos de idade. Passou a cursar música na Colorado State University, em 1963, mas em 1965 venceu um concurso de talentos, que lhe valeu seu primeiro contrato com uma gravadora, a Epic. A seguir, lançou o single Hills, de sua autoria, com pequena repercussão.

Sem desanimar, Johnson viajou para uma temporada na Espanha, durante a qual estudou violão clássico com os consagrados Graciano e Renata Tarragó. Ele integrou a banda New Society e integrou um trio ao lado de John Denver. Como forma de expandir seus horizontes, atuou como ator no espetáculo teatral Jacques Brel Is Alive And Well And Living In Paris, com o qual viajou pelo país.

Em 1973, volta à música ao acertar contrato com a Atco Records. O primeiro álbum, There Is a Breeze, saiu a seguir, tendo como coprodutores nomes do calibre de Peter Yarrow (do trio Peter, Paul And Mary) e Phil Ramone. Ele lançaria mais dois trabalhos por este selo, novamente sem grande sucesso. Aí, resolveu ir para Nashville trocar figurinhas com produtores de lá. Não poderia ter sido melhor.

Ele gravou, produzido por Brent Maher e Steve Gibson, uma nova canção, Bluer Than Blue(de Randy Goodrum), e incluiu-a em uma fita demo. A gravadora EMI América se interessou e resolveu contratá-lo. Em 1978, sai The Michael Johnson Album. Incluída nele, Bluer Than Blue atingiu, no formato single, o posto de número 12 na parada americana. Seu arranjo e melodia envolventes, aliados a uma letra tocante e romântica, se mostrariam irresistíveis.

O mesmo álbum traria mais um single de sucesso, Almost Like Being In Love. Em 1979, viria o LP Dialogue, trazendo como destaque outro single bem-sucedido, This Night Won’t Last Forever, balada com pegada mais country que atingiu o nº 19 nos EUA e também tocou bastante nas rádios brasileiras. Em 1985, Johnson sai da EMI América.

Ao ser contratado pela RCA Records (hoje Sony Music), o artista investiria de forma mais direta no country contemporâneo, e entre 1986 e 1989 emplacaria cinco hits no top 10 country, entre as quais Give Me Wings e The Moon Is Still Over Her Shoulders. Entre 1993 e 1998, novamente mostrou versatilidade ao assinar a coluna The Solo Performer para a revista Performing Songwriter.

Michael Johnson fez diversas turnês com outros artistas, e gravou dois duetos de sucesso, um em 1991, It Must Be You, com a cantora Juice Newton (do hit Angel Of The Morning), e outro em 1997, Whenever I Call You Friend, com Alison Krauss, consagrada artista country também conhecida por ter gravado o bem-sucedido álbum Raising Sand (2007) com o ex-Led Zeppelin Robert Plant.

O último álbum de Johnson foi Moonlit Déja Vu (2012), em parceria com sua filha, a cantora Truly Carmichael. Vale lembrar que Bluer Than Blue mereceu uma bela releitura por parte de Barry Manilow em 1996 no seu belíssimo álbum Summer Of ’78, no qual basicamente regravou grandes sucessos do ano de 1978. E podem ter certeza de que essa canção de Michael Johnson certamente foi uma delas.

Bluer Than Blue– Michael Johnson:

Before This World mostra um James Taylor bem inspirado

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Por Fabian Chacur

James Taylor é o que se pode chamar de um estilista da canção. Ótimo violonista e cantor de voz deliciosa, o astro americano prima pelo capricho e pela inspiração em seus trabalhos. Tanto que não é de lançar disco toda hora. Before This World, seu novo CD, é o primeiro de inéditas desde October Road (2002), e sua estreia no número 1 da parada de álbuns nos EUA (leia mais aqui). Discaço!

Nesses 13 anos sem canções novas, Taylor nos proporcionou um disco natalino (A Christmas Album-2004), um ao vivo (One Man Band-2007), um de covers (Covers-2008) e o histórico ao vivo Live At Troubadour (2010-leia crítica aqui ), este último em dupla com a amiga Carole King. Ou seja, continuou fazendo coisas boas e trabalhando bastante.

Esse retorno às inéditas não poderia ter sido mais legal. No encarte que acompanha o CD, lançado no Brasil pela Universal Music, ele afirma que até tirou um tempo especialmente para compor, algo que já não fazia há algum tempo. De quebra, montou uma banda com ótimos músicos, entre os quais o guitarrista Michael Landau, o percussionista Luis Conte e o baterista Steve Gadd, feras do primeiro escalão da música pop.

Não há arestas aqui a serem aparadas. Temos dez músicas, todas muito boas. Sting marca presença na belíssima faixa título, da qual também participa o músico Yo-Yo Ma (que também toca na balada You And I Again). O repertório é um mergulho no universo habitual de Taylor, com direito a folk, country, rock e pitadas de pop e jazz aqui e ali.

Today Today Today tem aquela levada folk pra cima que marca hits como Your Smiling Face, enquanto Stretch Of The Highway equivale a um rock manso. Watchin’ Over Me é um rock de acento country com refrão expressivo, e Angels Of Fenway possui um tempero gospel delicioso. As evocativas Montana e Showtime são cativantes, assim como Far Afghanistan, momento mais politicamente engajado do trabalho.

Before This World é um trabalho de um artista fiel a seus caminhos musicais, que no entanto não cai em repetições. Suas sutilezas vão aparecendo a cada nova audição, e certamente deliciarão seus milhões de fãs mundo afora. Aos 67 anos, James Taylor se mostra inspirado, lúcido e capaz de nos oferece novas e belas canções.

Before This World– James Taylor (ouça em streaming):

Priscilla Pach mostra talento em CD Blue

Por Fabian Chacur

Boa voz, composições interessantes e um estilo que mostra influências de artistas como Taylor Swift, Jewel e Shania Twain. Tudo isso com apenas 17 anos. Essa é Priscilla Pach, que está estreando no meio fonográfico com o CD Blue, álbum produzido por Ronaldo Rayol que soa como eficiente cartão de apresentações.

Um bom exemplo do repertório do disco de estreia dessa jovem cantora e compositora de cabelos longos é Get Over You, canção com levada country moderna, melodia delicada e letra direta na qual a voz funciona como a cereja do bolo, afinada e colocada com bom gosto.

Priscilla morou nos EUA e estudou em escolas de lá desde os 11 anos, o que a ajudou a desenvolver de forma muito boa a pronúncia da língua inglesa, idioma que usa para escrever suas letras. Ela afirma ter por volta de 40 composições próprias em seu acervo, e revela ser também fã das brasileiras Rita Lee e Cássia Eller.

O álbum Blue traz 12 faixas e foge das traquitanas eletrônicas que às vezes só servem para disfarçar a falta de talento de algumas artistas. Aqui, temos guitarras, violões, baixo, teclados, bateria e percussão, com arranjos de cordas em três faixas. O foco fica na voz de Priscilla.

Se em alguns momentos o noviciado cobra o seu preço, algo bastante natural para quem está começando, no todo a estreia de Priscilla Pach mostra que o cenário country pop brasileiro (e, porque não, mundial) está ganhando mais um nome com um potencial bastante grande a ser desenvolvido. Vale ficar de olho nessa garota!

Saiba mais sobre ela em www.priscillapach.com

Ouça Get Over You (versão acústica) com Priscilla Pach:

Cantora das Dixie Chicks lançará CD solo

Por Fabian Chacur

Natalie Maines, cantora do trio country americano Dixie Chicks, anunciou em seu site oficial que lançará seu primeiro disco solo no dia 7 de maio. Mother, o álbum em questão, foi bancado pelo selo Columbia da Sony Music, e não significa o fim da banda ou a saída da badalada vocalista do time.

Coproduzido pelo astro do rock Ben Harper, a estreia de Maines na carreira individual inclui 10 músicas, entre elas Mother (do Pink Floyd), Lover You Should’ve Come Over (Jeff Buckley) e Come Cryin’ To Me (parceria de Maines com suas colegas de Dixie Chicks, as irmãos Martie Maguire e Emily Robinson).

Natalie afirma que procurou fazer um disco bem diferente dos trabalhos que registrou anteriormente com sua banda, até como forma de justificar essa incursão solo, o que explica a produção a cargo de Ben Harper e a inclusão de Mother, música que o Pink Floyd lançou em seu clássico álbum The Wall (1979).

Para quem se preocupa com uma possível saída de Natalie Maines do grupo Dixie Chicks, vale lembrar que o trio oriundo do estado americano do Texas já marcou três apresentações para julho em festivais no Canadá. A cantora, no entanto, promete divulgar sua estreia individual de forma bastante efetiva nos próximos meses.

Com mais de 20 anos de estrada, as Dixie Chicks estouraram em 1998 com o excelente CD Wide Open Spaces, cuja maravilhosa faixa título tocou nos quatro cantos do mundo. Sua mistura de country de raiz com elementos de rock, pop e blues rendeu mais de 27 milhões de cópias vendidas, 13 troféus Grammy e três álbuns que atingiram o número 1 em seu país natal.

São eles Fly (1999), Home (2002) e Taking The Long Way (2006). O trio também ganhou fama por razões extra-musicais. Em 2003, Natalie criticou abertamente George W.Bush pela guerra contra o Iraque, o que gerou diversos ataques dos conservadores contra as meninas.

Ouça Mother (ao vivo), com Natalie Maines e Ben Harper:

Ouça Wide Open Spaces (ao vivo), com as Dixie Chicks:

Morre coautor de Sunshine On My Shoulders, sucesso de John Denver nos anos 1970/80

Por Fabian Chacur

Morreu nesta quarta-feira (25), embora só divulgado nesta sexta (27), o músico americano Richard Kniss, também conhecido como Dick Kniss. Ele tinha 74 anos, e em seu invejável currículo constava o fato de ser coautor de um dos grandes sucessos de John Denver, Sunshine On My Shoulders.

Kniss foi vítima de uma doença pulmonar. Ele atuou durante 45 anos  como músico de apoio do célebre trio folk Peter, Paul And Mary, e também trabalhou com músicos de jazz do porte de Herbie Hancock, Woody Herman e Donald Byrd, entre outros.

Nascido no dia 24 de abril de 1937, o baixista iniciou sua carreira ainda na década de 1950. Ele atuou ao lado de John Denver em gravações e shows de 1970 a 1978 e, embora tenha admitido ter aceito o convite para tocar com o músico por razões financeiras, logo se entrosou no time e ajudou o cantor a se tornar um dos grandes astros da música country/pop.

Sunshine On My Shoulders, composta por Kniss, Denver e Mike Taylor, faz parte do álbum Poems, Prayers And Promisses, lançado em 1971 e responsável por tornar John Denver, então apenas conhecido como compositor de sucessos para Peter, Paul And Mary, como um intérprete de sucesso, o que se consolidaria nos anos seguintes.

Essa belíssima canção tornou-se conhecida também pelo fato de integrar a trilha sonora do filme Um Dia de Sol (Sunshine, de 1973), que relata a história real de uma mãe que morreu aos 20 anos, vítima de câncer, e de sua luta para deixar lembranças para a filha, então ainda um bebê.

Reprisado na TV nos anos 80, Um Dia de Sol trouxe Sunshine On My Shoulders de volta às paradas de sucesso no Brasil, levando a então gravadora RCA a relançar, com sucesso, Poems, Prayers And Promisses por aqui.

Dick Kniss, que também compôs com Denver The Season Suite, foi um ativista pelos direitos civis nos Estados Unidos, e tocou em vários shows beneficentes em nome dessa causa, nos anos 60.

Ouça Sunshine On My Shoulders, com John Denver (e Richard Kniss, no baixo):

Universal relança dois CDs de Paula Fernandes

Por Fabian Chacur

Ao ser contratada pela gravadora Universal Music, Paula Fernandes conseguiu enfim ver seu trabalho divulgado de forma massiva em todo o país, e estourou com o álbum Pássaro de Fogo (2009).

Logo depois, em 2011, gravou seu primeiro DVD/CD, Ao Vivo, que permanece firme e forte entre os mais vendidos desde que chegou às lojas, há alguns meses.

A participação, em 2010, de um especial com o Rei Roberto Carlos, obviamente ajudou um pouco no processo, mas não pode ser considerada decisiva, não.

Como normalmente ocorre no caso de artistas que estouram após alguns anos de carreira, o público começou a procurar trabalhos anteriores dessa cantora e compositora mineira, que hoje tem 27 anos.

Para atender a esses novos fãs, a Universal Music recolocou no mercado os dois trabalhos lançados por Paula antes de assinar com eles, ambos distribuídos inicialmente pela via independente (selo Sonhos & Sons).

São os CDs Canções do Vento Sul e Dust In The Wind, ambos de 2006. Vale a pena lembrar que ela lançou também dois álbuns nos anos 90, quando ainda era criança.

Canções do Vento Sul já mostra o formato country-folk-sertanejo que levou a bela garota de cabelos longos e ondulados ao topo das paradas de sucesso, e inclui seu primeiro grande sucesso, Ave Maria Natureza, tema da novela global América.

Em Dust In The Wind, Paula relê em inglês sucessos internacionais como Dust In The Wind (do grupo Kansas), Fallen e Angel (ambas da canadense Sarah McLachlan), One Of Us (da cantora Joan Osbourne) e Nothing Else Matters (do Metallica). A faixa que encerra o CD é em castelhano, Un Dia Sin Ti, versão do hit Spending My Time, do duo Roxette.

São dois momentos distintos da carreira de uma das principais estrelas da música atual e que certamente agradarão quem já está quase furando Ao Vivo de tanto tocá-lo.

Ouça Dust In The Wind, com Paula Fernandes:

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