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David Crosby surpreende com novo CD e um documentário

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Por Fabian Chacur

No incrível frescor de seus 77 anos de idade, David Crosby mostra estar mais produtivo do que nunca. Em outubro, lançou nos EUA o álbum Hear If You Listen, trabalho colaborativo ao lado dos músicos Michael League, Becca Stevens e Michelle Willis, seu quarto álbum em cinco anos. De quebra, será exibido pela primeira vez em janeiro de 2019, no festival de cinema Sundance, realizado anualmente em Park City, Utah (EUA), o documentário David Crosby: Remember My Name. Ufa!

Com direção a cargo do oscarizado diretor e jornalista Cameron Crowe (Quase Famosos, Jerry Maguire a Grande Virada), David Crosby: Remember My Name dá uma geral na incrível trajetória do lendário cantor, compositor e músico americano. Em entrevista à ABC Radio (EUA), ele comentou sobre o filme:

“Cameron me conhece muito bem, e é um ótimo entrevistador e um cara muito esperto. Ele me fez perguntas bem difíceis que eu respondi o mais honestamente que eu humanamente pude”. Ao contrário de outras atrações do gênero, Crosby garante que seu documentário tem poucas aparições de músicos e amigos famosos, com uma exceção: Roger McGuinn, seu parceiro nos Byrds, primeira banda de sucesso da qual fez parte, na década de 1960.

Inédito no Brasil, assim como os três álbuns anteriores (leia mais sobre esses trabalhos aqui), Hear If You Listen reúne Crosby com três músicos que marcaram presença nesses recentes CDs, mas que desta vez apareceram de forma mais efetiva, como se fossem uma banda. Eles atualmente fazem alguns shows pelos EUA, divulgando o álbum.

Ouça 1974, do CD Here If You Listen:

David Crosby e seu Sky Trails, mais um desses CDs incríveis

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Por Fabian Chacur

David Crosby é um dos grandes gênios do nosso amado rock. Não satisfeito em ter integrado algumas das mais importantes bandas de todos os tempos, The Byrds e Crosby, Stills & Nash/Crosby, Stills, Nash & Young, o cara ainda possui uma carreira solo das mais elogiáveis, e que anda bem produtiva nos últimos anos. Seu mais recente CD é o maravilhoso Sky Trails, que saiu cerca de um ano após outra maravilha, Lighthouse (2016- leia a resenha aqui).

Em sua trajetória musical, este brilhante cantor, compositor e músico americano que caminha para completar 77 anos de idade conseguiu criar uma sonoridade própria que mistura com desenvoltura rock, folk, country e jazz. Sabe harmonizar vozes como ninguém, tem uma voz belíssima, compõe com assinatura inconfundível e toca muito bem guitarra e, principalmente, violão.

Sky Trails guarda boas semelhanças com o trabalho da banda CPR, e não é para menos. O braço direito de Crosby durante todo o álbum é exatamente um de seus parceiros naquele trio, o filho tecladista e compositor James Raymond, sendo que em uma faixa, o incisivo rock midtempo Sell Me a Diamond, o terceiro integrante da banda, o guitarrista Jeff Pevar, marca presença com seus solos intensos.

O CPR lançou dois discos de estúdio e dois ao vivo entre 1998 e 2001, e nos oferecia uma mescla de jazz-rock e folk envolvente. E esse é basicamente o clima deste trabalho. A abertura fica por conta de uma composição solo de Raymond, a deliciosa e delicadamente funkeada She’s Got To Be Somewhere, com um jeitão de Steely Dan e muito swing.

Sky Trails, a faixa que dá nome ao disco, é uma parceria de Crosby com a talentosa cantora, compositora e guitarrista americana Bekka Stevens, dobradinha que já havia rendido uma faixa antes, no álbum Lighthouse, a incrível By The Light Of Common Day. A nova colaboração nos mostra o belo encaixa das vozes dos dois, em uma melodia delicada e de rara beleza, capaz de cativar o ouvinte logo nos seus primeiros segundos.

Parceria de Crosby com Michael McDonald (ex-Doobie Brothers, que não participou da gravação), Before Tomorow Falls On Love é uma bonita balada com piano em destaque no acompanhamento. Here It’s Almost Sunset aposta em clima mais acústico. Capitol investe em jazz rock, em um momento um pouco mais swingado.

De autoria de Joni Mitchell e lançada originalmente no álbum da estrela canadense Hejira (1976), Amelia mereceu uma releitura próxima do registro da autora, e não foi escolhida por acaso, pois sua letra segue a linha das viagens internas e externas propostas a rigor em todas as faixas do álbum, como as delicadas Somebody Home e Curved Air.

Uma marca registrada do CD é a participação destacada dos sopros em vários momentos, comandados pelo experiente Steve Tavaglione. Mais uma vez Crosby se concentra nos vocais, tocando seu violão endiabrado apenas na bela Home Free, que encerra o álbum. Sky Trails transmite paz de espírito, boas energias e muita emoção ao ouvinte, mostrando que, sim, a vida pode seguir em frente e nos surpreender positivamente. David Crosby é a prova concreta disso.

Sky Trails- David Crosby (ouça em streaming):

David Crosby, ou a inquietude de um grande gênio do rock

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Por Fabian Chacur

David Crosby equivale a um grande mistério. Aos 76 anos, completados no dia 14 de agosto, este cantor, compositor e músico americano se mostra mais atuante do que nunca. Menos de um ano após lançar o incrível Lighthouse, ele se prepara para nos oferecer outro lançamento, previsto para sair no exterior no dia 29 de setembro. O título é Sky Trails, que já tem uma faixa circulando na rede, a envolvente She’s Got To Be Somewhere.

Ao contrário do essencialmente acústico trabalho anterior, sobre o qual falaremos mais no decorrer desta matéria, Sky Trails é um álbum de banda, no qual Crosby tem a seu lado, entre outros músicos, os ex-parceiros de CPR, o filho James Raymond (teclados) e Jeff Pevar (guitarra). A sonoridade traz influências de jazz fusion, soul e rock. A faixa Before Tomorrow Falls On Love é uma parceria do roqueiro com Michael McDonald, ex-Doobie Brothers.

Quatro músicas são parceria de Crosby e Raymond, filho temporão que o roqueiro deu para adoção no inicio dos anos 1960 e só redescobriu nos anos 1990. Uma única faixa não é autoral. Trata-se de Amelia, de Joni Mitchell, cuja versão original foi registrada pela estrela canadense em 1976 no álbum Hejira. A expectativa em torno deste álbum é grande.

A carreira de David Van Cortland Crosby equivale a uma inacreditável viagem, repleta de surpresas. Ele passou seus anos de formação nos Byrds, banda na qual ele era um coadjuvante de luxo para o líder Roger McGuinn (vocal, composições e guitarra) e também para Gene Clark (vocal). Com o tempo, percebeu que não conseguiria ter no grupo o espaço suficiente para dar vasão a seu talento, e no processo acabou sendo expulso do time, no final de 1967.

A partir daí, ele abriu as portas da sua carreira para novas experiências. Conheceu Stephen Stills (ex-Buffalo Springfield) e Graham Nash (ex-The Hollies) e criou o Crosby, Stills & Nash, grupo seminal para a história do rock no qual as individualidades eram respeitadas, e que volta e meia virava Crosby, Stills, Nash & Young com a eventual participação de Neil Young (também ex-Buffalo Springfield).

Paralelamente ao CSN/CNSY e a trabalhos em dupla com Graham Nash, Crosby também desenvolveu uma carreira solo que iniciou de forma brilhante, com If I Could Only Remember My Name (1971). Teríamos de esperar 18 longos anos para poder ouvir um segundo trabalho solo do artista, com o irônico título Oh Yes I Can (1989). “Se eu ao menos pudesse me lembrar do meu nome”, dizia o título da estreia solo. “Oh, sim, eu posso”, afirma sem sombra de dúvidas o segundo.

Nos anos 1990, foram três trabalhos solo, um de estúdio com composições alheias e duas de sua autoria, o belíssimo Thousand Roads (1991) e dois ao vivo, It’s All Coming Back To Me Now (1994) e King Biscuit Flower Hour (1996). Aí, surge o trio CPR com Raymond e Jeff Pevar, que lançou quatro álbuns (dois de estúdio e dois ao vivo) entre 1998 e 2001) com uma bela mistura de rock, jazz, folk e country.

Filho do premiado cineasta Floyd Crosby (1899-1985), David Crosby tem como marcas um forte lado intelectual, além de ouvinte atento de jazz, preferência audível nos acordes de violão que usa em suas composições. De temperamento difícil e rebelde, ele teve de superar problemas como prisão por consumo de drogas na metade dos anos 1980, um transplante de fígado nos anos 1990 e um problema cardíaco em 2014, percalços que venceu tal qual um highlander do rock.

Em 2014, após alguns anos se dedicando a trabalhos com o Crosby, Stills & Nash, Crosby volta à carreira solo com o excelente Croz (leia a resenha de Mondo Pop aqui). E não parou mais de fazer shows e gravar, afora aquele susto cardíaco que felizmente foi só um sustão.

Lighthouse- a resenha

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Em outubro de 2016, chegou ao mercado internacional Lighthouse, que, assim como Croz, permanece inédito no Brasil. O álbum traz como marca a parceria de Crosby com o multi-instrumentista Michael League, líder do grupo (na verdade, uma espécie de coletivo) de jazz fusion Snarky Puppy, que está na estrada desde 2004 e já faturou três troféus Grammy com seus mais de 10 CDs lançados até o momento.

League é o braço direito de Crosby no álbum, atuando como coprodutor (ao lado de Fab Dupont), vocalista de apoio e também tocando vários instrumentos, além de ser o coautor de cinco das nove faixas do CD. Aliás, na maior parte das faixas são só os dois em cena, sendo que os tecladistas Cory Henry e Bill Laurance (também do Snarky Puppy) marcam presença em duas cada.

Com base fundamentalmente acústica, Crosby e League nos oferecem acordes belíssimos e sutilezas que vão sendo descobertas a cada audição do álbum. Curiosidade: não temos nem bateria, nem percussão. Em um making of do trabalho, o roqueiro afirma que os únicos som mais percussivos saíram dele batendo com sua aliança no violão.

O clima das canções varia da balada Things We Do For Love à jazzy-bossa Look In Their Eyes, passando pelo clima hipnótico e quase dark de Somebody Other Than You e a sacudida The City. A voz do astro roqueiro se mostra mais afinada e afiada do que nunca, cativando no modo solo e também nas vocalizações, uma de suas marcas registradas.

A canção que encerra o álbum, By The Light Of Common Day, é parceria de Crosby com outra integrante da família Snarky Puppy, a incrivelmente talentosa Becca Stevens. Com mais de seis minutos de duração que passam a jato, essa música equivale a um verdadeiro farol (tradução do título do álbum) perante os mares revoltos e não tão animadores do mundo atual. As vozes dos dois se encaixam feito luva, e o violão de Michael League evoca as belas sonoridades do saudoso Michael Hedges, que não por acaso também foi parceiro de Mr. Crosby.

Aliás, uma das explicações pelas quais é possível entender porque um músico de 76 anos de idade que passou por tantas coisas na vida consegue se manter tão relevante é a sua eterna abertura ao novo. Ele sabe se renovar, trocando figurinhas com músicos das novas gerações e nunca se rendendo aos caminhos mais fáceis em termos musicais e de carreira. Dessa forma, cada novo show e cada novo álbum de David Crosby merecem toda a nossa atenção, pois as perspectivas são sempre as melhores. O passado é de glórias, o presente, belíssimo, e o futuro nos trará ainda mais, se Deus quiser. Parabéns, mestre!

By The Light Of Common Day– David Crosby:

Stephen Stills, Captain Many Hands, completa 70 anos

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Por Fabian Chacur

Nada melhor para começar a movimentação de 2015 em Mondo Pop do que comemorar os 70 anos de idade de um dos grandes nomes da história do rock. Neste sábado (3), Stephen Stills vira setentão, ele que possui um daqueles currículos mais do que invejáveis. Felizmente, continua na ativa e fazendo coisas legais para seus inúmeros fãs mundo afora.

Stills é completo. Canta muito bem, sabe encaixar feito luva sua voz em vocalizações com feras como David Crosby, Graham Nash e Neil Young, toca violão e guitarra como poucos e é compositor de clássicos do rock do naipe de Suite: Judy Blue Eyes, Love The One You’re With, Carry On, Helplessy Hoping e Rock & Roll Woman, só para citar alguns. Cara iluminado mesmo.

Suas influências musicais são o rock, folk, country e mesmo música latina, esta última fruto dos anos que morou na América Latina na infância/adolescência. Após várias experiências, fez sucesso pela primeira vez ao integrar a banda Buffalo Springfield ao lado de Neil Young. É dele o maior sucesso do grupo, For What It’s Worth. Gravaram só três álbuns, todos recomendáveis.

Com a separação prematura do Buffalo em 1968, Stills inicialmente se preparou para uma carreira solo, além de gravar o álbum Super Session ao lado de Mike Bloonfield e Al Kooper naquele mesmo ano. Mas um encontro com David Crosby (ex-Byrds) e Graham Nash (ex-The Hollies) levou sua vida em direção a um novo rumo: o trio Crosby, Stills & Nash.

Lançado em 1969, o autointitulado álbum de estreia do CSN pode ser colocado entre os melhores trabalhos da história do rock, impulsionando o trio rumo ao estrelato, especialmente após sua brilhante atuação no festival de Woodstock. Neil Young acabou entrando no time, criando uma segunda possibilidade, o CSN&Y, que em 1970 lançou seu álbum Dèja Vu, outra obra-prima.

Naquele mesmo 1970, Stills lançou também seu primeiro álbum solo, Stephen Stills, com direito a participações especiais de Jimi Hendrix e Eric Clapton e um repertório impecável. Como o CSN e o CSN&Y trabalhavam com o conceito de liberdade para que seus integrantes fizessem trabalhos paralelos, o músico manteve a carreira solo ativa.

Mais: lançou dois discos com um novo grupo, o Manassas, no qual o outro destaque era mais um ex-integrante dos Byrds, o baixista, cantor e compositor Chris Hilman. Também fez em 1976 o ótimo Long May You Run, LP gravado em dupla com Neil Young. O CSN e o CSN&Y volta e meia voltam à tona, com ele sempre aparecendo com o devido destaque.

Sua versatilidade como músico lhe valeu, durante a gravação do primeiro álbum do CSN, o apelido de Captain Many Hands, pois o cara tocava guitarra, violão, teclados, percussão e o que mais pintasse na sua frente. Ele também participou de diversos trabalhos alheios, sendo o mais surpreendente tocando percussão em You Should Be Dancing, dos Bee Gees, em 1976.

Nos últimos anos, além de fazer turnês com o CSN (a de 2012 os trouxe ao Brasil pela primeira vez), também lançou um CD em 2013 com o projeto The Rides, ao lado dos badalados e jovens enny Wayne Sheperd e Barry Goldberg. Também lançou em 2009 o CD e DVD gravados ao vivo Live At Shepherd’s Bush, no qual relê de forma acústica e elétrica hits de toda a carreira.

Em 2013, chegou às lojas Carry On, caixa com quatro CDs contendo material oriundo de todas as fases da carreira de Stephen Stills, incluindo material inédito e raro, além de um livreto repleto de fotos bacanas, textos informativos e muitas fotos. Um verdadeiro tesouro para quem é fã desse craque do rock, e bela forma de descobrir a importância de seu trabalho.

Valeu pelo toque, Cláudio Foá, este post é dedicado a você!

Black Queen – Stephen Stills:

Stephen Stills (1970)- ouça o álbum em streaming:

Manassas -ouça o álbum em streaming:

David Crosby lançará CD Croz em janeiro

Por Fabian Chacur

Aos 72 anos de idade, David Crosby parece longe de querer dar uma reduzida em suas atividades musicais. Após turnê com o Crosby Stills & Nash que passou pelo Brasil em março de 2012, o cantor, compositor e músico americano anuncia para o dia 28 de janeiro de 2014 o lançamento de seu novo álbum solo, intitulado Croz, pelo selo Blue Castle Records, que criou com o fiel parceiro musical Graham Nash.

Croz será o primeiro álbum solo com gravações de estúdio de Crosby desde Thousand Roads (1993). O trabalho inclui 11 faixas, sendo uma delas What’s Broken, que será divulgada como prévia do novo disco. Outra, The Cleaning, será disponibilizada como bônus para quem encomendar previamente o álbum nas lojas virtuais. As gravações ocorreram no estúdio Groove Masters, de Jackson Browne, em Santa Monica, com Daniel Garcia na coprodução.

Como forma de divulgar o novo CD, Crosby fará shows nos EUA em janeiro e fevereiro de 2014, com início em Nova York no dia 28 de janeiro. De 23 a 25 de fevereiro, ele estará no palco do lendário Troubadour, que ajudou a lançar nomes do porte de James Taylor, Elton John, Linda Ronstadt, The Eagles e Jackson Browne. No resto do ano, ele poderá tocar com o Crosby Stills & Nash ou mesmo com o trio acrescido de Neil Young, tudo ainda a confirmar.

A banda que acompanhará o autor de Almost Cut My Hair nessa curta turnê incluirá seu filho, o tecladista James Raymond (com quem fundou o trio CPR), e também Marcus Eaton (guitarra e parceiro de duas músicas de Cros), Steve DiStanislao (bateria), Shane Fontayne (guitarra) e Kevin McCormick (baixo), além do próprio Crosby nos vocais, guitarra e violão.

O repertório desses shows deverá incluir o repertório de Croz na íntegra, mais canções das várias fases da carreira do astro, incluindo várias de seu brilhante álbum de estreia como solista, o antológico If I Could Only Remember My Name (1971), que inclui faixas como Cowboy Movie, Laughing e Music Is Love, entre outras maravilhas.

O roqueiro também anunciou em seu site oficial que por volta de março ou abril deverá ser lançada uma caixa (box set) com material extraído de oito shows feitos pelo Crosby Stills Nash & Young em 1974, com direito a um DVD e vários CDs. Ele garante, no entanto, que o show do quarteto em Wembley, na Inglaterra, não aparecerá na íntegra, pois o resultado final não agradou os músicos.

Ouça versão alternativa do álbum If I Could Only Remember My Name :

The Rides é novo supergrupo de Stephen Stills

Por Fabian Chacur

Stephen Stills criou um dos primeiros supergrupos da história do rock, o Crosby, Stills & Nash, ao lado de Graham Nash e David Crosby, em 1968. Novamente se envolvendo no conceito de montar uma banda com integrantes previamente famosos, ele agora nos oferece The Rides, trio no qual tem como parceiros o jovem blueseiro Kenny Wayne Shepherd e um velho amigo, Barry Goldberg.

Shepherd tem 36 anos e ficou conhecido na segunda metade dos anos 90 graças a bons álbuns e shows nos quais mostrou talento como cantor e guitarrista de blues e rock. Por sua vez, Barry Goldberg foi tecladista da banda Electric Flag, surgida em 1967 e na qual atuou ao lado de lendas como Mike Bloonfield (guitarra), Buddy Miles (bateria) e Nick Gravenites (vocal).

Stills e Goldberg participaram juntos do mitológico álbum Super Session (1968). Aliás, segundo matéria publicada no site americano da revista Billboard, a reunião deles com Shepherd surgiu de sugestão do executivo do meio musical Bill Bentley de que o jovem músico deveria tentar fazer um trabalho na linha de Super Session, calcado na improvisação.

Can’t Get Enough, primeiro álbum do trio, sairá no dia 27 de agosto nos EUA, um lançamento da 429 Records. A produção ficou por conta de Jerry Harrison (ex-Talking Heads), e o repertório mescla composições próprias (entre as quais Word Game, composta por Stills nos anos 70) e covers como Search And Destroy (Iggy & The Stooges) e Rockin’ In The Free World (Neil Young), além de composições de Elmore James e Muddy Waters.

O álbum será divulgado com uma turnê pelos EUA que terá início no dia 28 de agosto em Nova York. Stills continua com o Crosby, Stills & Nash, com quem tocou no Brasil em maio de 2012, fez recente turnê pela Europa e planeja gravar um esperado álbum inédito, ainda sem previsão de ser concretizado, e também lançará uma autobiografia. Haja fôlego!

Enquanto isso, Kenny Wayne Shepherd reservou para o primeiro semestre de 2014 um novo trabalho em sua carreira solo composto por covers de clássicos obscuros do blues, do qual participaram astros do alto gabarito de Ringo Starr, Robert Randolph e Joe Walsh.

E o The Rides não parece um projeto efêmero, pelo visto. Na entrevista para a Billboard, Shepherd e Stills garantiram que já estão preparando material para o próximo álbum, que começaria a ser gravado em dezembro deste ano. A ideia é que esse segundo disco seja composto apenas por composições inéditas escritas pelos três músicos.

Eis as músicas de Can’t Get Enough, do The Rides:

Roadhouse
That’s a Pretty Good Love
Don’t Want Lies
Search And Destroy
Can’t Get Enough Of Loving You
Honey Bee
Rockin’ In The Free World
Talk To Me Baby
Only Teardrops Fall
Word Game

Veja vídeo com entrevistas dos integrantes do The Rides:

Ouça trechos das músicas de Can’t Get Enough, do The Rides:

Crosby,Stills & Nash e Wynton Marsalis juntos

Por Fabian Chacur

Após uma inesquecível passagem pelo Brasil em maio de 2012, Crosby Stills & Nash continuam oferecendo novidades bacanas aos seus milhões de fãs mundo afora. A mais recente é a confirmação de uma desde já histórica parceria entre o trio e o maestro e jazzista Wynton Marsalis, que se concretizará em maio deste ano.

David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash tocarão nos dias 1º (só para convidados) e 3 (aberto ao público) de maio no Rose Theater, em Nova York, acompanhados pela Jazz At Lincoln Center Orchestra, com participação de Wynton Marsalis, responsável pelos arranjos concebidos e escritos ao lado de outros músicos integrantes da orquestra americana.

O show, intitulado The Crosby Stills & Nash Songbook, trará releituras de grandes clássicos do repertório do trio com acompanhamento orquestral. Este será o principal evento do ano do Jazz At The Lincoln Center, entidade que tem como objetivo promover eventos e preservar o jazz e a música americana e que tem Wynton Marsalis como manager e diretor artístico.

Os dois shows com Marsalis darão início à temporada 2013 do CSN, que já tem datas marcadas para os EUA e Europa até meados de julho. Os shows ajudarão a promover CSN 2012, vídeo que registra a mais recente turnê mundial da banda e está disponível desde julho do ano passado em DVD, Blu-ray e download pago.

CSN 2012 inclui grandes sucessos do grupo, músicas inéditas e canções gravadas em outros projetos por seus integrantes. Como extras, temos entrevistas com Crosby, Stills, Nash e os demais integrantes da banda de apoio que os acompanhou nos espetáculos.

Veja Carry On/Questions, extraída do DVD CSN 2012:

Veja o trailer do DVD CSN 2012:

Como turnê do Buffalo Springfield virou CSN

Por Fabian Chacur

Em entrevista concedida ao site americano da Rolling Stone, Stephen Stills revelou que o Buffalo Springfield deveria ter feito uma turnê com ao menos 30 shows durante 2012. No entanto, o reencontro de um dos grupos mais bacanas dos anos 60 acabou durando um total de apenas sete apresentações, realizadas entre 2010 e 2011,incluindo uma elogiada no badalado festival de Bonnarooo, nos EUA.

Após o show realizado em outubro de 2010 no evento beneficente Bridge School (promovido por Young) que deu início ao reencontro de Neil Young, Stephen Stills e Richie Furay, os remanescentes da banda que existiu originalmente entre 1966 e 1968 e lançou três álbuns deveriam ter dado continuidade a um projeto mais longo, segundo Stills.

“Não criaria uma infraestrutura tão grande para apenas sete shows, nossa equipe incluía mais de 100 pessoas, e quando Neil resolveu desistir do projeto, no meio de 2011, fiquei completamente na mão”, disse Stills, falando pela primeira vez à imprensa sobre o tema, que seu ex-colega já havia abordado em entrevistas em 2011.

Conhecido por sua capacidade de largar um trabalho e iniciar outro praticamente do nada, Neil Young se mandou do projeto de retorno do Buffalo Springfield e se uniu novamente aos velhos companheiros do Crazy Horse, após nove anos distantes, lançando dois álbuns durante este ano- Americana e Psychedelic Pill.

A sorte de Stills é a de ter dois amigos mais do que fiéis, David Crosby e Graham Nash. Eles iriam iniciar uma turnê como Crosby & Nash e já estavam até agendando datas quando souberam do rolo entre os dois amigos.

Nash disse que, em pouco tempo, o que seria um duo virou de novo trio. Surgia do nada uma nova turnê de Crosby, Stills & Nash, que para alegria dos brasileiros passou por aqui em maio.

Apesar dos pesares, Stephen Stills não demonstrou mágoa em relação ao imprevisível Young. Na entrevista, ele demonstrou serenidade e calma. “Ele falou bem de mim no livro que lançou recentemente. Foi muito gentil. Trabalhar com ele é um privilégio, não um direito”.

No entanto, o autor de For What It’s Worth e tantos outros clássicos do rock deu uma resposta bem diferente da de Young sobre um possível retorno do Springfield. Enquanto o roqueiro canadense disse que os shows feitos em 2010/2011 foram a semente para algo que poderá frutificar de novo no futuro, o astro americano não teve dúvidas.

“Para o propósito dessa entrevista, só posso dar uma resposta referente à possibilidade de um retorno do Buffalo Springield: não!”

Rock And Roll Woman/Child Claim To Fame, com o Buffalo Springield em 2010:

Crosby,Stills & Nash tocam 1º CD na íntegra

Por Fabian Chacur

Em maio, o brasileiro teve a honra de ver e ouvir ao vivo, pela primeira vez, uma das mais talentosas e importantes bandas da história do rock, o Crosby, Stills & Nash. Os shows foram maravilhosos. O trio, no entanto, reservou uma belíssima surpresa aos fãs de Nova York que certamente deixou todos os outros morrendo de inveja.

Além de dar aquela belíssima viagem pelo passado, presente e até futuro do trio (músicas inéditas fizeram parte do set list dos shows) que vimos por aqui, CSN tocaram no último de uma série de cinco shows no mítico Beacon Theatre nova-iorquino, no último domingo (21), nada menos do que o repertório de seu álbum de estreia, Crosby, Stills & Nash. Na íntegra.

Lançado em 1969 e considerado um dos melhores álbuns de estreia de todos os tempos, além de ser também um dos marcos da discografia do rock and roll, esse álbum inclui maravilhas do naipe de Suite: Judy Blue Eyes, Guinnevere, You Don’t Have To Cry, Helplessy Hoping, Wooden Ships e Long Time Gone, só para citar algumas.

Foi a primeira vez que David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash realizaram essa difícil tarefa em toda a sua consagradora carreira, e o presente acabou sendo dado ao público presente naquele que foi o último show da atual turnê mundial do trio, que contou com um total de 80 apresentações espalhadas por diversos países.

Segundo matéria publicada no site americano da revista Billboard, Nash não escondeu o orgulho de o grupo ter concretizado essa missão, até ressaltando o fato de aquilo ter sido inédito. Crosby também ressaltou isso, quando o grupo iniciava 49 Bye-bye’s, última faixa daquele fantástico álbum, um dos meus favoritos de todos os tempos. Nova York sortuda!

Suite: Judy Blue Eyes, com Crosby, Stills & Nash, ao vivo em 2012:

Guinevere, com Crosby, Stills & Nash, ao vivo em Belo Horizonte, 2012:

Deja Vu, com Crosby, Stills & Nash, ao vivo em São Paulo, 2012:

Mais sobre Crosby, Stills & Nash em SP

Por Fabian Chacur

O show de Crosby, Stills & Nash realizado em São Paulo na noite desta quinta-feira (10) marcou tanto as pessoas que o viram que achei interessante acrescentar coisas e fatos ao que escrevi na minha resenha.

Farei de forma desorganizada e sem me prender a uma ordem específica. Trata-se apenas de uma desculpa para escrever mais sobre um show que realmente marcou a sensibilidade de muita gente boa.

De cara, vamos a uma análise mais pormenorizada do repertório apresentado por eles. Do álbum Crosby, Stills & Nash (1969), que marcou a estreia do trio, tivemos Marrakesh Express, Long Time Comin’, Wooden Ships, Helplessy Hoping, Guinevere e Suite: Judy Blue Eyes.

De Dèja Vu (1970), primeiro álbum creditado a Crosby, Stills, Nash & Young, marcaram presença no show Carry On/Questions, Dèja Vu, Our House, Almost Cut My Hair e Teach Your Children.

The Lee Shore e Love The One You’re With podem ser encontrados em Four Way Street (1971), álbum duplo ao vivo do Crosby, Stills, Nash & Young, sendo que a segunda teve sua versão de estúdio registrada no primeiro álbum solo do Stills, intitulado Stephen Stills (1970).

Bluebird e For What’s Worth foram gravadas em suas versões originais de estúdio pelo grupo Buffalo Springfield, respectivamente Buffalo Springfield Again (1967) e Buffalo Springfield (1966). So Begins The Task é do álbum Manassas (1972), do grupo liderado por Stills e Chris Hillman (dos Byrds), e As I Come To Age é do álbum solo Stills (1975).

Crosby Nash (2004), belíssimo álbum duplo da dupla que não foi muito badalado na época de seu lançamento (uma injustiça, pois o disco é ótimo!!!), contribuiu com duas músicas, Lay Me Down e Jesus Of Rio.

Military Madness, que o trio e o quarteto tocaram em diversos shows, é do disco solo de Graham Nash Songs From Beginners (1971). Já a bela e quase progressiva Cathedral vem de CSN (1977).

Girl From The North Country é de Bob Dylan e foi lançada originalmente no álbum The Freewheelin’ Bob Dylan (1963).

E duas canções interpretadas no show são inéditas em disco: Radio, de David Crosby, e Almost Gone (The Ballad Of Bradley Manning), de Graham Nash e James Raymond. Esta última possui até clipe.

Durante o show, David Crosby aprsentou duas músicas com especial deferência: Girl Of The North Country e As I Come Of Age, que ele definiu como suas canções favoritas de, respectivamente, Bob Dylan e Stephen Stills.

Dos três, Stills foi de longe o que mais vezes saiu do palco. No entanto, foi ele quem demonstrou certa insatisfação quando David Crosby, aparentemente de forma inesperada, saiu do palco pelo lado esquerdo. “Where’s the fucking Crosby?”, disse ele, ao não ver o colega no palco. Sorte que o ex-Byrds logo voltou e ficou tudo por isso mesmo.

Graham Nash, por sua vez, é aparentemente o mais simpático, e sem dúvida quem está em melhor forma física, fato ressaltado por seu visual (camiseta preta básica e jeans) e pelo fato de cantar descalço, o que não o impediu de dar umas corridas pelo palco bem elogiáveis.

Se estava meio rouco, Stills deu um banho de categoria em seu desempenho como músico. Dos vários violões e guitarras que tocou durante o show, minha favorita foi a guitarra modelo strato na cor verde limão. Linda, e da qual ele tirou sons simplesmente arrepiantes e virulentos, especialmente em Bluebird.

Veja o clipe de Almost Gone (The Ballada Of Bradley Manning):

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