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Crosby, Stills & Nash em SP: arrepiante

Por Fabian Chacur

Às 22h05 da noite de 10 de maio de 2012, um bela quinta-feira, o meu sonho de ver ao vivo um show de Crosby, Stills & Nash começava a se tornar realidade. Às 00h57 desta sexta (11), tudo estava consumado. Valeu a pena esperar tantos anos para enfim apreciar essa lendária banda em cena.

Desde o princípio, com Carry On/Questions (faixa de abertura do sublime álbum Dèja Vú, de 1970), ficou claro que a noitada no palco da Via Funchal em São Paulo seria mesmo inesquecível. Razões não faltaram para isso.

A banda de cinco músicos que acompanha o trio que encantou Woodstock em 1969, por exemplo, provou estar à altura da missão. James Raymond (teclados e vocais) é filho de Crosby e parceiro do pai e do guitarrista Jeff Pevar no grupo CPR, do qual, por sinal, o baterista Steve Distanislao também participou. Alias, ele é o batera que tocou com David Gilmour (ex-Pink Floyd) no álbum On An Island e na sua respectiva tour, nos idos de 2005/2006.

Shane Fontayne (guitarra) já tocou com Bruce Springsteen e outros cobras da música, enquanto Kevin McCormick (baixo) trabalhou durante anos com Jackson Browne, grande nome do folk-country rock americano. O tecladista Todd Caldwell, que gravou e fez shows com Stephen Stills em sua carreira solo, completa bem o time.

Já passando dos 70 anos, David Crosby e Graham Nash impressionaram pela qualidade de suas vozes, que continuam tão boas como nos velhos e bons anos 60, 70 e 80. O desempenho deles individualmente em Almost Cut My Hair (Crosby) e Cathedral (Nash) e em dupla em Guinevere comprovou esta afirmação de forma contundente.

O “fraldinha” do trio, Stills (aod 67 anos), estava com níticos problemas na garganta, o que o impediu de ter um desempenho perfeito nos vocais, mas o respaldo e o apoio dos colegas o ajudou a segurar a onda. Como guitarrista, no entanto, o ex-integrante do Buffalo Springfield se mostrou encapetado, extraindo solos vigorosos de suas várias guitarra e violões. Ele provou que ninguém recebe o apelido Captain Manyhands por acaso.

O repertório do show, que foi dividido em duas partes de aproximadamente 1h15 cada, mesclou grandes sucessos como Marrakesh Express, Wooden Ships, Teach Your Children e Love The One You’re With a canções inéditas como as belíssimas In Your Name (da Nash) e Radio (de Crosby), além de pérolas resgatadas do repertório deles como Lay Me Down e um cover certeiro de Girl Of The North Country, de Bob Dylan.

A interpretação fantástica de Dèja Vú, com direito a solos inspirados de todos os músicos, o desempenho impactante de Stills solando em Bluebird (do Buffalo Sprinfield), a delicadeza arrepiante de Guinevere (na qual Nash e Crosby tinham apenas o violão de Crosby no acompanhamento ibstrumental) e o trio no esquema violão (Stills) e vozes (o trio) mergulhando na épica Suite: Judy Blue Eyes nunca mais sairão da minha lembrança.

Set List do show de Crosby, Stills & Nash na Via Funchal em 10 de maio de 2012:

Primeira parte:

– Carry On – Questions

– Marrakesh Express

– Long Time Comin’

– Military Madness

– Southern Cross

– Lay Me Down

– Almost Gone

– The Lee Shore

– Radio

– Bluebird

– Dèja Vú

– Wooden Ships

Segunda parte

– Helplessy Hoping

– In Your Name

– Girl From The North Country

– As I Come Of Age

– Guinevere

– Jesus Of Rio

– So Begins The Task

– Cathedral

– Our House

– Almost Cut My Hair

– Love The One You’re With

– For What It’s Worth

– Teach Your Children

– Suite: Judy Blue Eyes

Crosby Stills & Nash lançam ótimo CD de demos

Por Fabian Chacur

Crosby, Stills & Nash é certamente um de meus cinco grupos favoritos. Isso mesmo, na formação que deixa Neil Young de fora e inclui David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash. Em trio, embora com individualidades bem a mostra, eles se completam como poucos. Young só bagunça a coisa, embora o CNS & Y também seja beeeeeem legal.

O elemento perfeccionista faz parte do DNA dos trabalhos feitos por esses três amigos, e se mostra presente até em um trabalho como o lançado por eles em 2009 e só agora descoberto (e adquirido) por este que vos tecla. O título não deixa margem a dúvidas sobre seu conteúdo: Demos.

São 12 gravações inéditas de canções posteriormente lançadas por eles ou como trio, ou como quarteto, ou ainda em suas carreiras solo. Algumas são bem conhecidas, enquanto outras, nem tanto. Mas a edição, a cargo de Nash e de Joel Bernstein, dá ao álbum uma fluência elogiável. Os registros foram feitos entre 1968 e 1971.

Características pessoais aparecem mais claras para quem por ventura não as percebeu nas gravações originais. Marrakesh Express, por exemplo, ressalta a habilidade de Crosby e Nash em concatenar vocalizações. Stills, aqui, fica só no baixo.

Em Long Time Gone, na qual Crosby e Stills se dividem em vários instrumentos, o duelo de guitarras entre os dois é excitante, com o primeiro improvisando alguns versos que não entraram na roupagem da canção que conhecemos através do álbum Crosby Stills & Nash (1969).

O mais fraco (embora não ruim) no violão deles é Nash, como se pode constatar em Be Yourself, na qual ele está sozinho se acompanhando. Solo também em Chicago, ele demonstra ser mais habilidoso com os teclados. Mas a sua voz é aquela coisa maravilhosa de sempre.

David Crosby toca um violão personalizado, no qual belíssimos acordes oriundos do jazz misturados a elementos de folk, country e rock dão a suas canções uma riqueza enorme, mesmo só com ele na voz e violão.

Se tiver dúvidas em relação a isso, ouça sua versão solitária de Dèja Vu, cuja estrutura da gravação definitiva já aparece toda definida nesta demo, com os espaços devidamente reservados para baixo, guitarra, bateria e vocalizações. Arrepiante.

Um verdadeiro virtuose no violão, Stephen Stills esmerilha em You Don’t Have To Cry, My Love Is a Gentle Thing e Love The One You’re With, nas quais ele vai na base do eu, eu mesmo e o Stills. E quase deixei de citar Singing Call, a melhor das quatro, na qual sua performance no violão é fluente e deliciosa, lembrando um pouco a de um clássico incluído em Dèja Vu, a tocante 4+20.

Neil Young aparece em uma faixa. Trata-se da gravação bruta de Music Is Love, da qual também participam Nash e Crosby, e que aparece, em sua versão com overdubs feitas por Young posteriormente, no primeiro álbum solo do ex-integrante dos Byrds, o seminal If I Could Only Remember My Name, de 1971.

Na verdade, nove das 13 faixas inclui apenas um dos músicos. Alguns poderão reclamar disso. Não eu. Nos trabalhos em que esses caras estão envolvidos, qualquer acorde, qualquer vocalização, qualquer canção é sempre bem-vinda. Sabe porque? Pelo fato de eles sempre, sempre e sempre respeitarem os fãs. E esse é, mais uma vez, o caso, aqui nessa maravilha de Demos.

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