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Documentário improvável mostra essência dos Kinks

Por Fabian Chacur

Você conseguiria reunir sua banda favorita, eventualmente fora de cena e com seus integrantes ainda vivos e com saúde, para tocar ao menos uma música ao seu lado?

Pois esse foi o “sonho maluco do Gugú” que o jornalista americano Geoff Edgers tinha em mente.

A banda em questão era The Kinks, um dos grandes marcos do rock britânico, e que foi para o espaço em 1996, após mais de 30 anos de brigas entre os irmãos Ray (vocal, guitarra-base e composições) e Dave Davies (guitarra solo e vocais de apoio).

Os cineastas suecos Mikel CeeKarlsson e Fredrik Egertrand resolveram se unir a Edgers no intuito de registrar essa tentativa amalucada.

Isso gerou o documentário Do It Again (2010), outro que está sendo exibido no festival In-Edit~Brasil, realizado em maio em São Paulo e no Rio.

Contra tudo e contra todos, mas contando com alguns apoios importantes, o jornalista consegue no fim das contas um resultado paradoxal: ele não concretizou seu sonho, mas tornou realidade diversos outros que, juntos, provavelmente são muito mais significativos do que o objetivo inicial.

Durante os deliciosos 75 minutos de duração do filme, Geoff Edgers é visto com sua família, sendo que a esposa se mostra obviamente contrariada com o projeto alucinado do companheiro, enquanto a linda filhinha pede um jantar com lagosta ao pai, se ele não tornar o sonho real.

Nesse meio-tempo, cenas de arquivo são exibidas e vários nomes famosos são contatados para entrevistas.

Alguns se recusam de imediato, tipo Dave Lee Roth, do Van Halen, que teve como um de seus primeiros sucessos a releitura de You Really Got Me, da banda britânica.

Mas gente importante dá apoio ao jornalista, como o lendário produtor Clive Davis, que dá uma simpática entrevista, o ex-The Jam Paul Weller, O ex-Soft Boys Robyn Hitchcock, Peter Buck, do R.E.M., a atriz e cantora Zooey Deschannel e outros.

Um em especial dá um banho de simpatia: Sting. Além de falar com prazer e conhecimento de causa sobre o grupo, ele toca músicas da banda, acompanhados pelo jornalista, que, após a gravação, pergunta ao câmera que registrou tudo: “isso de fato aconteceu?”

Na busca, Geoff Edgers vai até Londres e, por lá, consegue entrevistas importantes, a maior delas com Dave Davies, com quem consegue tocar.

Ray, no entanto, lhe permite apenas um contato rápido e sem registros em vídeo, após meses e meses de negociações.

Do It Again dá uma boa ideia de o porquê os Kinks são tão importantes para a história do rock, e também nos mostra uma grande realidade.

O que realmente impressiona não é o fato de os Kinks terem se separado há 15 anos e não darem o menor sinal de que voltarão à ativa, e sim o fato de Ray e Davies terem conseguido manter a banda por 32 anos,mesmo com o clima péssimo entre eles.

Veja o trailer de Do It Again:

Documentário mostra os sublimes The Kinks

Por Fabian Chacur

Os Kinks são uma daquelas bandas que fizeram tanta coisa boa em sua carreira que acabaram sendo influentes para públicos os mais distintos possíveis.

Nos aproximadamente 30 anos em que estiveram na ativa (dos anos 60 aos 90 do século passado), o grupo britânico construiu uma discografia que influenciou gêneros como o heavy metal, o hard rock, o punk, o britpop e muitos outros.

Acaba de sair no Brasil o DVD You Really Got Me – The Story Of The Kinks, que equivale a uma ótima oportunidade de se conhecer um pouco da trajetória desses caras.

Tudo nos Kinks girava em torno da genialidade do cantor, guitarrista base e compositor Ray Davies, hiper bem assessorado por seu irmão, o ótimo guitarrista solo Dave Davies.

Os caras brigaram muito durante a existência da banda, mas conseguiram fazer muita coisa boa.

O baterista Mick Avory se manteve com eles de 1964 até 1985, enquanto tivemos mudanças de tecladistas e baixistas durante esses anos todos.

De um início focado no rhythm and blues e no rock original dos anos 50, bem na praia dos Rolling Stones e Yardbirds, os Kinks logo de cara surgiram com os power chords de You Really Got Me e All Day And All Of The Time, base para o surgimento posterior do heavy/hard rock.

Com o tempo, a banda mergulhou na tradição da música de seu país, incorporando elementos de folk, vaudeville e toques medievais, até.

Depois, tivemos óperas rock, rock básico, heavy metal, pop e muito mais, sempre sem medo de ousar e mergulhar de cabeça na criação.

Sem se propor a contar a história da banda de forma muito formal, o documentário investe mesmo em trechos de entrevistas com os integrantes da banda e muita, mas muita música mesmo, ao vivo e em videoclipes.

A importância da fase inicial é bem ilustrada com uma sensacional versão de Milk Cow Blues, capaz de fazer até um zumbi dançar como se vivo fosse, de tão encapetada.

A quase lírica Celluloid Heroes e a inicialmente disco Superman, aqui em releitura alucinada, acelerada e irresistível, são também outros momentos fantásticos do documentário.

Destaco os trechos extraídos de One For The Road (1980), álbum ao vivo também disponível em DVD que flagra a banda no auge de sua fase “arena rock” nos EUA e na qual eles davam um banho de competência e garra no palco.

Tem a também divertida, contagiante e quase brega Come Dancing, de 1983, que virou um improvável hit graças à então iniciante MTV e certamente influenciou a posterior Walk Of Life (1985), do Dire Straits.

You Really Got Me – The Story Of The Kinks é uma ótima oportunidade de se mergulhar na obra dessa seminal banda inglesa, não tão badalada quanto mereceria ser, mas que certamente precisa ser melhor conhecida por quem é roqueiro de corpo e alma.

Veja Victoria ao vivo com os Kinks:

Veja espécie de clipe para Superman:

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