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Sonic Highways: Foo Fighters celebram a música americana

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Por Fabian Chacur

Em novembro, os Foo Fighters lançaram seu oitavo álbum de estúdio, Sonic Highways. O CD traz como mote o fato de ter suas faixas gravadas em oito cidades americanas diferentes: Austin, Chicago, Los Angeles, Nashville, New Orleans, Nova York, Seattle e Washington. Mais: cada gravação gerou um documentário de aproximadamente uma hora, cuja exibição no Brasil está sendo feita pelo canal a cabo Bis. São atrações ótimas.

Dave Grohl, que criou o Foo Fighters em 1995 logo após o fim do Nirvana e comanda a banda desde então, não é um daqueles roqueiros que fez a fama e deitou na cama. Ambicioso, sempre busca novos horizontes, novas parcerias. Seu excelente documentário Sound City, por exemplo, relata a história daquele lendário estúdio de Los Angeles onde foram gravados álbuns clássicos do rock como Rumours (Fleetwood Mac) e Nevermind (Nirvana).

Além de contar a história do estúdio, Grohl (que comprou a lendária mesa de som daquele hoje extinto estúdio) ainda promoveu gravações suas ao lado de gente como Paul McCartney e Stevie Nicks, valendo-se daquele equipamento vintage. Além do DVD, aquelas gravações geraram um CD de áudio que é simplesmente excelente, com rock de primeira o tempo todo.

Agora, o ex-baterista do Nirvana foi além. Aproveitou a estada dos Foo Fighters e fez documentários registrando a importância e falando com grandes músicos de cada cena local. O resultado é excelente, dando a oportunidade aos seus fãs de conhecerem músicos como Allen Toussaint, Bonnie Raitt, Buddy Guy e inúmeros outros, além de flagrar as gravações feitas pelos FF em cada lugar.

As músicas novas são bacanas, mas o grande lance é mesmo essa apresentação detalhada de cada uma dessas importantes cenas musicais dos EUA. As entrevistas foram conduzidas pelo próprio Dave Grohl e são repletas de histórias deliciosas, além de gerar jam sessions bacanas. Cada episódio pode ser visto individualmente, e vale cada minuto.

A série é exibida por aqui na antevéspera da primeira turnê do grupo por aqui, eles que antes só haviam tocado no Brasil em grandes festivais. Os shows, que terão a abertura dos Kaiser Chiefs e dos grupos brasileiros Raimundos e Comunidade Nin-Jitsu (este apenas no Rio Grande do Sul), serão realizados em Porto Alegre (21/1), São Paulo (23/1), Rio de Janeiro (25/1) e Belo Horizonte (28/1). Informações adicionais em www.ticketsforfun.com.br.

Em São Paulo, o show será no estádio do Morumbi, com ingressos custando entre R$ 100 a R$ 640. A banda inclui, além de Grohl, os músicos Taylor Hawkins(bateria e vocais), Nate Mendel (baixo), Chris Shiflett (guitarra) e Pat Smear (guitarra). O repertório dos shows trará músicas do novo álbum e também hits desses seus 20 anos de estrada.

Ouça Sonic Highways em streaming:

Filme mostra a história do Sound City

Por Fabian Chacur

O que nomes tão diferentes entre si como Fleetwood Mac, Dio, Nirvana, Barry Manilow e Rage Against The Machine tem em comum? Todos gravaram discos no Sound City, um dos estúdios mais badalados da história da música popular. Sua fascinante história é o mote do documentário Sound City, já disponível no Brasil em DVD e Blu-ray.

A ideia do filme surgiu da mente de Dave Grohl, que viu sua carreira ganhar projeção mundial após gravar o álbum Nevermind com o Nirvana por lá em 1991. Mal sabia ele que aquele estouro também significaria muito para o Sound City, naquele momento em vias de fechar.

A história desse mitológico estúdio teve início em 1969, quando Joe Gottfried se associou a Tom Skeeter e ambos iniciaram o estúdio no espaço antes usado pela empresa britânica Vox em Van Nuys, Los Angeles, Califórnia. Os anos iniciais não foram muito animadores, embora Neil Young e até o abominável Charles Manson tenham gravado por lá.

A coisa embalou quando os proprietários resolveram investir em uma mesa de gravações de primeira e encomendaram um modelo exclusivo da inglesa Neve. As primeiras gravações feitas nela tiveram como protagonistas dois então ilustres desconhecidos: o cantor e guitarrista Lindsey Buckingham e a cantora Stevie Nicks.

O então casal gravou por lá o álbum Buckingham Nicks (1973), que mais de um ano depois serviu como apresentação da qualidade técnica do local para o baterista Mick Fleetwood, do Fleetwood Mac, que procurava um lugar para gravar o novo álbum da banda. Ele também procurava um guitarrista, e se apaixonou pelo som de Buckingham.

O músico impôs a entrada no grupo da namorada para aceitar o convite. Isso se concretizou, e o novo Fleetwood Mac gravou seu primeiro disco com a nova escalação por lá. O estouro daquele álbum autointitulado, lançado em 1975, não só impulsionou a banda rumo ao estrelato, como tornou o Sound City um dos mais badalados estúdios dos EUA.

O documentário de Dave Grohl mostra essa história com detalhes e depoimentos dos músicos que por lá gravaram clássicos do rock, gente do naipe de Tom Petty, os integrantes do Fleetwood Mac, Ronnie James Dio, Rick Springfield e até mesmo Barry Manilow, que gravou um disco de sucesso mediano por lá (Here Comes The Night, de 1982, com o hit Memory) e aparece como verdadeiro ET no filme.

O contraste entre a qualidade da mesa de som e da ambiência para a gravação de bateria do local e o aspecto de boteco de beira de estrada das suas instalações (sujo, poeirento, com móveis velhos) é bem apresentado, com direito a belos depoimentos de antigos funcionários, entre eles o consagrado produtor Keith Olsen.

Símbolo das gravações feitas com o sistema analógico, o Sound City viveu uma fase de vacas magras no fim dos anos 80, quando a tecnologia digital começou a tomar conta, mas o estouro de Nevermind deu a ele uma sobrevida, e a gravação por lá de clássicos como o disco de estreia do Rage Against The Machine e álbuns de Johnny Cash, Carl Perkins e Queens Of The Stone Age, entre outros.

A origem do documentário surgiu no momento em que Dave Grohl soube que o Sound City enfim iria fechar, e resolveu tentar comprar a célebre mesa Neve 8028. Quando a comprou e a levou para seu novo estúdio, o 606, ele decidiu fazer um filme registrando a história de lá e também uma outra, tão fascinante quanto.

Como forma de inaugurar o 606, Grohl teve a ideia de gravar um álbum com alguns amigos famosos, entre os quais Stevie Nicks, Paul McCartney, Butch Vig (produtor de Nevermind e líder da banda Garbage), o também ex-Nirvana Krist Novoselic, todo focado em músicas inéditas. O CD, intitulado Real To Reel e também já lançado por aqui, é ótimo, e os bastidores de suas gravações são a outra metade de Sound City.

Além de boa músicas e a revelação de incríveis bastidores da história do rock, o filme traz depoimentos do próprio Tom Skeeter, e de Rick Springfield admitindo de forma emocionante o jeito não muito correto com que se desligou de Joe Gottfried como empresário. Segundo ele, houve tempo para se desculpar com Gottfried antes de sua morte, ocorrida em 1992.

Sound City agrada como documentário histórico, documentário musical e puro entretenimento, e serve como uma bela homenagem ao estúdio que enfim encerrou suas atividades em 2011, não sem deixar saudades nos fãs do rock and roll. E a mesa Neve continua na ativa, graças a Dave Grohl. Esse cara é realmente incrível, e seu filme, idem.

Veja o trailer do documentário Sound City:

Dave Grohl dá pistas sobre fim do Foo Fighters

Por Fabian Chacur

O grupo Foo Fighters, um dos melhores do rock atual, está em vias de sair de cena? Se levarmos em conta algumas declarações de seu líder, o cantor, compositor e guitarrista Dave Grohl, a resposta é um sim contundente. O que, se se concretizar, será uma pena para quem curte rock visceral e de grande qualidade artística.

Em sua participação neste sábado (29) no Global Citizen Festival realizado no Central Park em Nova York perante mais de 60 mil pessoas, o ex-baterista do Nirvana falou algumas vezes sobre o assunto, entre uma canção e outra, e certamente deixou seus fãs arrepiados no mal sentido. Afinal, ninguém quer ver o fim da banda que idolatra.

Antes de tocar a quarta música de seu set list no show (Learning To Fly), o roqueiro americano soltou a seguinte frase, segundo matéria publicada no site americano da Billboard:

“Sem fazer muita onda em torno disso, não temos outros shows marcados para realizar depois desse aqui. Era isso, pessoal. Honestamente, não sei se iremos fazer isso novamente. E este é o melhor lugar para fazer isso pela última vez”.

Após tocar a última música da apresentação, Everlong, o roqueiro complementou: “não sei quando, mas a gente se verá novamente”. O evento também incluiu The Black Keys e Neil Young & Crazy Horse, que encerraram a festa do rock.

Se esse fim realmente se concretizar, ao menos poderemos dizer que o Foo Fighters sairá de cena no auge. Wasting Light, lançado em 2011, é seu álbum mais recente, e provavelmente o melhor de todos, com produção de Butch Vig (o mesmo de Nevermind, do Nirvana) e participações de Krist Novoselic (baixista do Nirvana) e Bob Mould (vocalista e guitarrista do seminal Husker Du). Vendeu muito e é excelente em termos musicais.

Dave Grohl é uma espécie de Phil Collins do grunge. Ele foi baterista do Nirvana na fase áurea da banda, entre 1990/1994. Com o fim do trio, lançou em 1995 o Foo Fighters, no qual investiu em seu talento como cantor, compositor e guitarrista, surpreendendo a todos, tal qual Phil Collins quando assumiu os vocais no Genesis, substituindo Peter Gabriel após ter sido apenas baterista durante anos. E deu super certo nos dois casos.

Ouça All My Life, com o Foo Fighters:

Foo Fighters voltam com CD pra lá de bom

Por Fabian Chacur

A afirmação é óbvia, mas merece ser repetida: Dave Grohl é o Phil Collins da geração grunge.

Não há como não comparar as trajetórias dos dois, logicamente deixando estilos e tendências musicais seguidas por cada um à parte.

Os dois começaram tocando bateria e sendo coadjuvantes em bandas que ficaram famosas e, posteriormente, provaram que tinham talento para ir muito além de simplesmente defender com galhardia as baquetas de algum time.

No caso de Collins, a virada ocorreu com a saída do vocalista Peter Gabriel do Genesis, em 1975.

Com a trágica morte de Kurt Cobain em 1994 e o inevitável fim do Nirvana, o baterista Dave Grohl ficou com uma estrada aberta à sua frente para fazer o que quisesse.

Pois em 1996 ele surpreendeu o mundo ao montar o Foo Fighters, projeto no qual se incumbe de vocais, composições e guitarra, acompanhado por músicos que mudaram nesses 15 anos, mas sem perder a qualidade.

Nesses anos todos, ficou claro que Grohl é realmente um talento exponencial, pois canta bem, toca guitarra com categoria, compõe com estilo e também toca bateria com fúria e estilo.

Após integrar o supergrupo Them Crooked Vultures ao lado de John Paul Jones (Led Zeppelin) e Josh Homme (Queens Of The Stone Age), ele retoma sua banda titular em grande estilo.

Wasting Light, sétimo trabalho dos Foo Fighters, entrou direto no primeiro lugar na parada americana, vendendo em uma semana 235 mil cópias, e dando ao grupo sua primeira vez no topo do mercado fonográfico mais importante do mundo.

Até aí, só falamos de negócios. O bacana mesmo é que Grohl fez por merecer essa façanha comercial, oferecendo aos fãs 11 músicas não menos do que excelentes.

A ótima mistura de punk, hard rock, pop, grunge e rock básico que marca os Foo Fighters aparece mais azeitada do que nunca a partir da faixa de abertura, a incendiária Bridge Burning.

Dear Rosemary, uma das melhores do álbum, nasceu histórica, pois reúne duas gerações do rock.

Junto a Grohl, temos na guitarra e vocais Bob Mould, ex-integrante da seminal, subestimada e efêmera banda americana Husker Du, que nos anos 80 foi uma da precursoras do grunge e nos proporcionou álbuns como o fantástico Candy Apple Gray (1986, faz parte dos Discos Indiscutíveis de Mondo Pop).

Em I Should Have Known, quem aparece no baixo e acordeon é Krist Novoselic, ex-colega de Nirvana.

A energética e melódica Rope, a primeira faixa de trabalho, está sendo divulgada com um clipe que consegue ser simples e criativo ao mesmo tempo. Não deixe de vê-lo.

Wasting Light é para se ouvir de ponta a ponta, numa enfiada só. E você vai querer ouvir de novo, e de novo, e de novo…

Rock energético, bem elaborado e que consegue carregar a bandeira do que de melhor esse estilo nos proporcionou nesses anos todos. Belo retorno, Dave Grohl!

Veja This Is a Call ao vivo no programa de Dave Letterman:

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