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D.A. Pennebaker eternizou cenas de grandes nomes da música pop

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Por Fabian Chacur

As décadas de 1960, 1970 e 1980 foram palco de grandes momentos da história da música pop mundial. Se por ventura você ainda não era vivo ou não tinha idade suficiente para ter presenciado in loco o que de melhor ocorreu nessas épocas, a única saída é recorrer a documentários. E um dos profissionais que melhor trabalhou no ofício de eternizar performances sublimes em filmes foi o diretor americano D.A. Pennebaker, que infelizmente nos deixou aos 94 anos de idade no último dia 1º (quinta), sendo que sua morte só foi divulgada no último sábado (3). Seu currículo na área musical é simplesmente arrasadora.

Don Alan Pennebaker nasceu em Evanston, Illinois (EUA) em 15 de julho de 1925, filho de um fotógrafo. Ele se formou em engenharia, mas acabou se embrenhando pelo cinema. Seu primeiro curta-metragem envolvendo música saiu em 1953, Daybreak Express, no qual cenas registradas em estação de metrô de Nova York ao som da música de mesmo título, de Duke Ellington. Em 1960, ganhou os holofotes com Primary, na qual registrou a disputa das primárias do Partido Democrata que nomearam como candidato John F. Kennedy.

O método com o qual Pennebaker fazia seu trabalho partia de um princípio básico: ser uma espécie de espectador neutro dentro de um contexto, ou “fly on the wall” (mosca na parede), como ficou conhecido esse tipo de abordagem. Em uma entrevista concedida à revista Film Comment, ele delineou seu método de trabalho:”observe. Apenas observe. Não interprete, não explique”.

O pulo do gato em termos de projeção na área musical ocorreu quando foi convidado a registrar a turnê realizada por Bob Dylan na Inglaterra em 1965. O filme resultante desta experiência, Dont Look Back (1967) flagra toda a polêmica passagem do artista de sua fase acústica para uma abordagem mais roqueira, atraindo reações agressivas por parte dos fãs mais puristas, que desejavam ver seu ídolo eternamente atrelado ao folk acústico.

Mama Cass de queixo caído

Em 1967, lá estava Pennebaker registrando o seminal Monterey Pop, festival que se tornou um marco da música pop e do rock em particular, atraindo um público muito maior do que se esperava e escancarando a importância roqueira no universo cultural naqueles anos efervescentes e criativos.

A cena em que ele mostra a cantora Mama Cass, do The Mamas And The Papas, com o queixo caído ao presenciar na platéia uma performance demencial da então ainda desconhecida Janis Joplin na música Ball And Chain é um dos pontos altos do simplesmente espetacular Monterey Pop (1968).

Posteriormente, seriam lançados outros dois filmes com material inédito registrado durante aquele festival, Jimmy Plays Monterey (1986) e Shake! Otis At Monterey (1987), centradas nos shows incríveis realizados por Jimmy Hendrix e Otis Redding naquele evento mitológico.

Plastic Ono Band no Canadá

Em 1969, John Lennon montou um grupo com a esposa, Yoko Ono, e os amigos Eric Clapton (guitarra), Klaus Woorman (baixo) e o então desconhecido Allan White (bateria, tocaria depois com o Yes) e participou de um festival de música em Toronto, no Canadá, evento do qual também participaram os pioneiros do rock Bo Diddley, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Little Richard.

O show, uma das raras performances ao vivo de John Lennon sem os Beatles, virou filme graças às lentes de Pennebaker, gerando o documentário Sweet Toronto (1971), que embora traga performances dos outros roqueiros, é centrada na performance completa de Lennon e seus asseclas, a mesma que gerou o álbum ao vivo Live Peace In Toronto (1969), o “álbum da nuvem”, creditado à Plastic Ono Band.

Em 1973, chega a vez de Pennebaker filmar o último show da turnê de David Bowie encarnando o personagem Ziggy Stardust, realizado em 3 de julho daquele ano no Hammersmith Odeon, em Londres. Um registro cru e direto de um show no qual Bowie vive um dos vários momentos icônicos de sua trajetória, ao lado da banda Spiders From Mars.

O filme propriamente dito, Ziggy Stardust And The Spiders From Mars- The Motion Picture, só sairia em 1979, e sua impactante trilha sonora, em 1983.

Uma curiosidade sobre esse documentário: o lendário guitarrista Jeff Beck participou do show em sua parte final, no pot-pourry The Jean Genie/Love Me Do e em Round And Round. Essa performance, no entanto, só foi exibida em um especial na TV americana que foi ao ar em 1974, e não aparece nem no filme, nem na trilha sonora. As razões pela qual o guitarrista pediu para que a sua participação fosse tirada do filme nunca foram devidamente esclarecidas.

Chris Hegedus, Depeche Mode etc

Em 1976, Pennebaker ganha uma assistente ao trabalhar pela primeira vez com Chris Hegedus, então com apenas 25 anos. Eles se casaram em 1982, e ela se mostrou uma talentosa documentarista, trazendo nova energia para o trabalho do veterano cineasta. A chamada união do útil com o agradável.

O fruto dessa renovação se mostrou em toda a sua intensidade no genial 101 (1989), que documentou o exato momento em que a banda britânica Depeche Mode deixou de ser mais uma das inúmeras bandas de tecnopop aspirando ao estrelato e entrou com tudo no primeiro escalão da música pop. Isso ocorreu durante a turnê americana do grupo realizada em 1988.

A grande sacada de 101 é mostrar a banda de Dave Gahan e Martin L. Gore sendo acompanhada por um grupo de fãs devotados e carismáticos, algo que seria imitado posteriormente por emissoras de TV como a MTV, por exemplo. Pennebaker e Hegedus afirmaram em entrevistas ter sido este o seu trabalho favorito, na seara musical.

Se boa parte das incursões musicais de D.A. Pennebaker registrou fatos que estavam acontece naquele exato momento, um de seus filmes mais bacanas equivale a um verdadeiro resgate, embora tenha como mote a realização de um show. Trata-se de Only The Strong Survive (2002), que reúne craques da soul music como Isaac Hayes, Jerry Butler, The Chi-lites, Sam Moore (da dupla Sam & Dave), Wilson Pickett, Mary Wilson e Rufus e Carla Thomas, entre outros.

Este documentário chegou a ser considerado uma espécie de Buena Vista Social Club do soul, por reunir artistas seminais daquela vertente musical deixados de lado pela grande mídia. Depoimentos emocionantes, como Sam Moore lembrando dos tempos em que atuou como traficante, Jerry Butler virando político ou o medo de Carla Thomas em arrumar os dentes e eventualmente perder seu estilo vocal, são cerejas de um bolo no qual performances arrasadoras são o mote. Saiu em DVD no Brasil, procurem que vale a pena.

Veja o trailer de Only The Strong Survive:

Hunky Dory, Ziggy Stardust e Heroes relançados no Brasil

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Por Fabian Chacur

A discografia de David Bowie é uma das mais importantes da história do rock. Portanto, nada melhor do que ter acesso a esses títulos tão bacanas, ainda mais se for em formato físico. A Warner Music está disponibilizando no Brasil em CD três joias desse acervo maravilhoso, em versões remasterizadas. São todos da década de 1970: Hunky Dory (1971), The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972) e Heroes (1977), em versões devidamente remasterizadas.

Uma ressalva fica por conta de esses títulos seguirem o padrão das reedições imediatamente anteriores, feitas pela EMI há 20 anos, que retirou as faixas-bônus incluídas na fantástica série de relançamentos promovida pelo selo americano Rykodisc no início da década de 1990 (quem comprou, comprou…), cujo acervo, curiosamente, hoje pertence à própria Warner Music.

Hunky Dory tem vários pontos importantes, entre os quais ser o primeiro LP do astro britânico a incluir os músicos que integraram sua lendária banda de apoio, a Spiders From Mars. São eles Mick Ronson (guitarra), Trevor Bolder (baixo) e Mick Woodmansey (bateria). O convidado especial, tocando teclados, é ninguém menos do que Rick Wakeman. Três grandes hits, todos baladas empolgantes, estão aqui: Changes, Life On Mars? e Oh! You Pretty Things. A deliciosa Kooks, a ardida Queen Bitch e a divertida Andy Warhol são outros destaques.

Responsável por sua explosão em termos de popularidade no Reino Unido, The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars marcou o surgimento do glam rock enquanto fenômeno musical e de popularidade entre o público rocker, alucinando a garotada com petardos como Ziggy Stardust, Sufraggette City, Hang On To Yourself e baladas como Starman e Rock And Roll Suicide. Um dos discos mais “rock na veia” do Camaleão.

Heroes é o irmãos siamês de Low (1977), e traz como marca sua mistura de rock e música eletrônica, com direito a elementos de música vanguardista, krautrock e por aí vai. E vai bem! Não faltam faixas antológicas, entre as quais vale lembrar da envolvente e nervosa Beauty And The Beast e da icônica música que deu título a este CD, um verdadeiro hino rocker. As presenças de Brian Eno e Carlos Alomar são marcantes nessa fase do saudoso astro britânico.

Saiba as faixas contidas em cada CD:

Hunky Dory:

Changes (2015 Remaster) 03:37
Oh! You Pretty Things (2015 Remaster) 03:13
Eight Line Poem (2015 Remaster) 02:55
Life On Mars? (2015 Remaster) 03:55
Kooks (2015 Remaster) 02:53
Quicksand (2015 Remaster) 05:06
Fill Your Heart (2015 Remaster) 03:10
Andy Warhol (2015 Remaster) 03:54
Song For Bob Dylan (2015 Remaster) 04:13
Queen Bitch (2015 Remaster) 03:20
The Bewlay Brothers (2015 Remaster) 05:29

The Rise and Fall od Ziggy Stardust and the Spiders from Mars:

Five Years (2012 Remastered Version
Soul Love (2012 Remastered Version)
Moonage Daydream (2012 Remastered Version)
Starman (2012 Remastered Version)
It Ain’t Easy (2012 Remastered Version)
Lady Stardust (2012 Remastered Version)
Star (2012 Remastered Version)
Hang On To Yourself (2012 Remastered Version)
Ziggy Stardust (2012 Remastered Version)
Suffragette City (2012 Remastered Version)
Rock ’N’ Roll Suicide (2012 Remastered Version)

Heroes:

Beauty And The Beast (2017 Remastered Version
Joe The Lion (2017 Remastered Version)
Heroes (2017 Remastered Version)
Sons Of The Silent Age (2017 Remastered Version)
Blackout (2017 Remastered Version)
V-2 Schneider (2017 Remastered Version)
Sense Of Doubt (2017 Remastered Version)
Moss Garden (2017 Remastered Version)
Neuköln (2017 Remastered Version)
The Secret Life Of Arabia (2017 Remastered Version)

Ouça Hunky Dory em streaming:

David Bowie terá caixa de singles em vinil com 9 gravações raras

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Por Fabian Chacur

As redes sociais dedicadas a divulgar o trabalho do saudoso David Bowie anunciaram uma bela novidade para seus fãs, especialmente para os colecionadores mais ávidos por raridades. Será lançada em breve, infelizmente só no exterior, Spying Through a Keyhole-Demos And Unreleased Songs. Trata-se de uma caixa contendo singles de 7 polegadas, os antigos compactos simples de vinil, contendo nove gravações inéditas em formato físico registradas pelo genial cantor, compositor e músico britânico nos idos de 1967 e 1968.

Lançada pelo selo Parlophone (hoje distribuído pela Warner Music), a caixa traz canções inéditas como Love All Around (de onde foram extraídos os versos que deram nome ao trabalho) e versões demo de In The Heat Of The Morning, por exemplo, ótima canção da fase inicial do astro britânico que possui trechos que posteriormente inspirariam um hit massivo dele, Ziggy Stardust.

O principal gancho para este projeto foram os 50 anos do lançamento de Space Oddity, que aparece em duas versões diferentes, uma demo que parecer ser a primeira gravação feita deste clássico, e outra na qual Bowie a interpreta junto com John Hutch Hutchinson, que integrou o trio Feathers ao lado do astro inglês e também tocou com ele nos anos 1970. A qualidade técnica das gravações, segundo informes da própria gravadora, não é perfeita, mas vale pela raridade.

Eis o repertório completo: Mother Gray, In The Heat Of The Morning, Goodbye 3D (Threepennny Joe), Love All Around, London Bye, Ta-Ta, Angel, Angel Grubby Face- Version 1, Angel, Angel Grubby Face- Version 2, Space Oddity- demo excerpt e Space Oddity-demo+alternative lyric (com John Hutch Hutchinson).

Essas canções foram disponibilizadas por um curto período de tempo em dezembro de 2018 nas plataformas digitais. A gravadora afirma que essas canções serão lançadas futuramente em outros formatos, mas não especificou quais e quando esses lançamentos ocorrerão.

In The Heat Of The Morning (BBC Sessions)- David Bowie:

David Bowie em um CD duplo gravado ao vivo em tour de 78

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Por Fabian Chacur

Welcome To The Blackout (Live London ’78) é um CD duplo inédito de David Bowie gravado ao vivo durante sua turnê Isolar II realizada entre março e dezembro de 1978 e lançado no Brasil pela Warner em formato físico. Como já havia saído naquela época um álbum duplo ao vivo registrado na mesma tour, Stage, a pergunta inicial é: seria este novo lançamento indicado apenas aos colecionadores mais fanáticos e a completistas de plantão? A resposta é um solene e categórico não.

Logo de cara, vale a pena levar em conta as datas em que esses álbuns foram gravados. Stage é oriundo de shows realizados em 28 e 29 de abril e 5 e 6 de maio de 1978 em Filadélfia, Boston e Providence, nos EUA, quando tínhamos por volta de 20 shows realizados da Isolar II Tour. Welcome To The Blackout saiu de registros feitos nos dias 30 de junho e 1º de julho daquele mesmo ano, em Earls Court, Londres, com mais de 50 shows da turnê já feitos. Ou seja, este último álbum traz um show mais bem concatenado.

O set list de Welcome To The Blackout é basicamente o mesmo dos shows de 1978, enquanto o de Stage traz uma ordem de músicas bem diferente. Vale registrar que a reedição em CD de Stage lançada em 2005 apresenta pela primeira vez o set list original das apresentações ao vivo, sendo que a recentemente lançada caixa A New Career in a New Town (1977–1982) traz as duas versões desse álbum em seu conteúdo.

A Isolar II Tour mostrava um David Bowie investindo na sonoridade eletrônica, experimental e um pouco mais introspectiva do que em eras anteriores de sua trajetória, cujas marcas são exatamente os dois álbuns que ele lançou em 1977, Low e Heroes, e cujos repertórios são a base dos set list de Welcome To The Blackout. Completam o repertório diversas músicas de Ziggy Stardust (1972) e algumas outras pinçadas dos outros álbuns, devidamente adequadas à sonoridade daquela turnê.

Como de praxe em toa a trajetória de Bowie, a banda de apoio é excepcional, trazendo como destaques os guitarristas Adrian Belew e Carlos Alomar, o tecladista Roger Powell e o baterista Dennis Davis. Um time afiado, que criou uma moldura sonora tensa, urbana, claustrofóbica e metódica, mais do que adequada à performance estupenda de Bowie como cantor, apostando bem nas regiões mais graves de sua voz.

Das 24 músicas apresentadas, algumas delas instrumentais (como Warszawa e Sense Of Doubt), destacam-se as sublimes Heroes, Beauty And The Beast, Sound And Vision, Fame, Blackout e Station To Station, assim como uma hipnótica e insana releitura de Alabama Song (de Kurt Weill e Bertold Brecht, da década de 1920 e regravada pelos Doors em 1967). Mas, a rigor, não há uma única música fraca ou irregular.

Welcome To The Blackout (Live London ’78) flagra um dos maiores gênios da história do rock em um momento de criação fervilhante, no qual suas performances ao vivo se mostravam absolutamente essenciais para se ter uma ideia total da qualidade de seu trabalho. Ah, e mais uma vantagem deste álbum em relação a Stage: a capa, muito mais expressiva. O encarte traz belas fotos em preto e branco e uma resenha do show publicada na época. Para ouvir uma, duas, três, mil vezes.

Welcome To The Blackout-Live London ’78- ouça em streaming:

Welcome To The Blackout, de Bowie, chega ao Brasil em CD

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Por Fabian Chacur

Lançado no exterior no dia 21 de abril deste ano apenas no formato álbum triplo de vinil, o disco ao vivo Welcome To The Blackout (Live London ’78), de David Bowie, agora também já está disponível para o público brasileiro através da Warner Music, mas como CD duplo e digitalmente. O material traz 24 músicas gravadas ao vivo nos dias 30/6 e 1º/7 de 1978 em Earls Court, em Londres, com produção de Tony Visconti e mixagem feita em 1979 pelo próprio Bowie com David Richards.

O álbum inclui gravações realizadas no mesmo período das incluídas no ao vivo Stage, lançado originalmente em 1978. A diferença básica fica por conta do país onde os registros deste trabalho mais antigo se concretizaram, nos EUA, mais precisamente em shows ocorridos nas cidades de Filadélfia, Boston e Providence entre o fim de abril e o início de maio de 1978. O repertório de ambos é semelhante.

Bowie, nessa turnê, estava lançando na estrada seus ousados discos Low e Heroes, ambos de 1977, e que mesclam rocks intensos e eletrônicos com faixas instrumentais inspiradas no krautrock de Kraftwerk e nos experimentalismos de Brian Eno, que por sinal participou ativamente da criação, produção e gravação desses dois álbuns. A mescla desse repertório com clássicos de sua carreira é bastante interessante. A banda, bastante afiada, traz como destaque a dupla de guitarristas, Carlos Alomar e Adrian Belew, que se completam com precisão.

Eis as faixas de Welcome To The Blackout (Live In London ’78):

CD 1:

1. WARSZAWA – 06:27
2. HEROES – 07:33
3. WHAT IN THE WORLD – 04:01
4. BE MY WIFE – 02:45
5. THE JEAN GENIE – 06:34
6. BLACKOUT – 03:42
7. SENSE OF DOUBT – 03:25
8. SPEED OF LIFE – 02:37
9. SOUND AND VISION – 03:10
10. BREAKING GLASS – 03:31
11. FAME – 03:52
12. BEAUTY AND THE BEAST – 04:58

CD 2:

1. FIVE YEARS – 06:08
2. SOUL LOVE – 02:51
3. STAR – 02:30
4. HANG ON TO YOURSELF – 02:39
5. ZIGGY STARDUST – 03:24
6. SUFFRAGETTE CITY – 03: 50
7. ART DECADE – 03:08
8. ALABAMA SONG – 03:58
9. STATION TO STATION – 11:08
10. TVC 15 – 04:17
11. STAY – 06:58
12. REBEL REBEL – 03:51

Welcome To The Blackout-David Bowie (em streaming):

ChangesTwoBowie:relançado em CD após mais de 30 anos

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Por Fabian Chacur

Em 1981, chegou às lojas brasileiras a coletânea ChangesTwoBowie. Naquele momento, era uma rara oportunidade de se conferir alguns dos maiores hits de David Bowie, pois seus álbuns da fase RCA estavam fora de catálogo e custavam uma fortuna nos sebos da vida. Essa compilação chegou a sair em CD nos EUA em 1985, mas logo saiu de cena. Para felicidade dos colecionadores, esse disco acaba de voltar ao mercado nacional em versão remasterizada pela Warner, nos formatos CD e digital. No exterior, também está disponível em LP de vinil.

Esta coletânea saiu como um complemento para ChangesOneBowie (1976). Ao contrário do que normalmente ocorre nesses casos, ela não se atém ao período posterior ao lançamento do volume 1, trazendo dez faixas abrangendo material de Hunky Dory (1971) até Scary Monsters (And Super Creeps) (1980). Seu grande atrativo na época era o raro single John I’m Only Dancing (Again), espécie de releitura disco gravada em 1975 do single John I’m Only Dancing (1972).

Além dessa faixa, que originalmente saiu em single em 1979 e depois foi incluída em outras compilações, o diferencial bacana desta compilação é a incrível capa, cuja foto foi feita pelo célebre Greg Gorman, ainda na ativa até hoje e conhecido por seus cliques de celebridades do mundo da música e do cinema como Jimi Hendrix, Elton John, Grace Jones, Richard Gere e inúmeros outros, desde o final da década de 1960.

Vale lembrar outra curiosidade envolvendo esta compilação. Quando o selo Rykodisc fez em 1990 o relançamento da discografia de Bowie de 1969 a 1980, optou por não incluir no pacote as coletâneas ChangesOneBowie e ChangesTwoBowie, criando uma nova compilação intitulada ChangesBowie (que saiu na época no Brasil em LP de vinil duplo pela EMI). Acho muito provável que fãs mais fieis de Bowie comprem essa nova edição de ChangesTwoBowie pela memória afetiva, capa e boa seleção de faixas, mas existem diversas outras coletâneas mais indicadas para quem quiser se iniciar na obra desse gênio do rock.

Conheça o repertório de ChangesTwoBowie:

Aladdin Sane (1913-1938-197?)
Oh! You Pretty Things
Starman
1984
Ashes To Ashes*
Sound And Vision
Fashion
Wild Is The Wind
John, I’m Only Dancing (Again) 1975
D.J.

Johnny I’m Only Dancing (Again)– David Bowie:

André Frateschi e Heroes com o melhor de Bowie em Sampa

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Por Fabian Chacur

Aos 7 anos de idade, André Frateschi ouviu pela primeira vez o antológico álbum Alladin Sane (1973), de David Bowie. Nascia uma paixão que iria gerar, em 2005, o surgimento da banda Heroes, com a qual o cantor, compositor e ator já fez inúmeros e concorridos shows com o repertório do saudoso astro britânico. Ele se apresenta em São Paulo nesta sexta (12) e sábado (13), às 21h, no Teatro Morumbi Shopping (avenida Roque Petroni Junior, nº 2.800- estacionamento do piso G1- fone 0xx11-5183-2800), com ingressos a R$ 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira).

Pode se dizer que Frateschi realmente incorporou o personagem que representa em seus shows. Acompanhado por ótimos músicos, ele não só canta com muita garra e categoria as sofisticadas músicas do Camaleão do Rock, como também possui uma performance cênica que torna suas apresentações temáticas ainda melhores. Fica claro para todos que ele realmente ama as canções que interpreta, fugindo de cair na armadilha de um projeto caça-níqueis ou coisa que o valha.

A Heroes tem em seu repertório mais de 80 canções de David Bowie ensaiadas, o que possibilita a eles fazer shows bastante distintos uns dos outros. Para essas apresentações em São Paulo, estão previstas algumas canções que priorizam o piano, como All You Pretty Things e Changes, hits como Ziggy Stardust, Let’s Dance, China Girl, Space Oddity e Starman e também Lazarus, esta lançada no início de 2016 no álbum Blackstar, lançado dois dias antes da morte do genial astro britânico.

Além do trabalho com as músicas de David Bowie, Frateschi também ficou conhecido ao participar da turnê de aniversário de 30 anos do primeiro álbum da Legião Urbana ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá como o vocalista principal. Ele lançou em 2014 seu primeiro álbum autoral, Maximalista, que conta com a participação especialíssima de Mike Garson, pianista que fez inúmeras gravações e shows com David Bowie, incluindo o demencial solo em Alladin Sane.

Under Pressure (ao vivo)- André Frateschi e Miranda Kassin:

Life On Mars (ao vivo)- André Frateschi:

Cracked Actor (ao vivo)- André Frateschi:

André Frateschi faz o tributo digno a David Bowie em SP

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Por Fabian Chacur

Como diria o meu amigo carioca Carlos Eduardo Lima, agora irão aparecer inúmeros pseudo-especialistas em David Bowie, caras que afirmam ouvir a obra do Camaleão do Rock deste que nasceram, na maior cara dura. Entre eles, certamente, não será colocado André Frateschi. Esse talentoso cantor e ator paulistano faz um belo tributo à obra do autor de Changes há 11 anos com sua banda Heroes. Ele toca no dia 16 de fevereiro (terça) às 21h30 no Bourbon Street (rua dos Chanés, 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com couvert artístico a R$ 50,00.

Nascido em São Paulo em 29 de março de 1975, André Frateschi é filho dos atores Denise Del Vecchio e Celso Frateschi. Aos 7 anos de idade, ganhou o LP Alladin Sane do padrasto, e desde então ficou fascinado por David Bowie. Após muitos anos de preparação como cantor, músico e ator, achou os músicos certos e, em 2005, iniciou o grupo Heroes, cujo repertório é totalmente dedicado à obra do saudoso roqueiro.

Desde então, por onde passa Frateschi arrebata a plateia, com interpretações convincentes de clássicos sofisticados do naipe de Modern Love, Cracked Actor, Let’s Dance, Changes, The Man Who Sold The World e tantos outros. Ele fez uma temporada de longos sete anos no antigo Studio SP, sempre com casa cheia.

A atual escalação da Heroes traz, além do líder nos vocais e violão, sua esposa, a também talentosa cantora Miranda Kassin (vocais), Renato Cortez (baixo), Fernando Coelho (guitarra), Angelo Kanaan (bateria), Piero Damiani (teclados) e Tiago Sormani (sax). Esses músicos também integram bandas autorais bacanas como Chimpanzé Clube Trio, Numismata, Seycelles e Banda Paralela.

Em 2014, André Frateschi lançou seu primeiro CD autoral, o ótimo Maximalista, no qual conta com a participação especialíssima do consagrado pianista Mike Garson, conhecido por suas brilhantes atuações ao lado de (adivinhe?) David Bowie, especialmente no álbum Alladin Sane. Ele também está fazendo shows com repertório da Legião Urbana ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.

Cracked Actor (ao vivo)-André Frateschi:

Modern Love (ao vivo)- André Frateschi:

Changes (ao vivo)- André Frateschi:

David Bowie emplaca o álbum Blackstar no 1º lugar nos EUA

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Por Fabian Chacur

A expectativa em torno da performance comercial de Blackstar, novo álbum de David Bowie, já era grande. Com a inesperada e lamentável morte do grande astro no último dia 10 (leia mais aqui), tornou-se enorme, e se confirmou de forma positiva. O trabalho leva o autor de Heroes pela primeira vez ao topo da parada americana entre os álbuns mais vendidos, após aproximadamente 50 anos de carreira.

Conforme informações do site americano da revista Billboard, a bíblia do mercado fonográfico mundial, Blackstar teve 181 mil cópias comercializadas durante a semana de vendas encerrada no dia 14 de janeiro. Com esse desempenho, conseguiu tirar do número 1 o álbum 25, da cantora britânica Adele, que durante este mesmo período vendeu 143 mil exemplares. Uma bela façanha.

Para quem achar que foi só a morte do cantor que impulsionou vendas tão expressivas, vale relembrar que The Next Day (2013), trabalho anterior de inéditas do Camaleão do Rock, teve 85 mil cópias vendidas em sua semana de lançamento e atingiu o 2º lugar nos charts americanos. Ah, e tem mais: a coletânea Best Of Bowie (2002) retornou às paradas, vendendo esta semana 94 mil cópias e atingindo o 4º lugar nos EUA. Na época, essa compilação tinha conseguido apenas o nº70.

Vale lembrar que Bowie já havia sido número 1 na terra de Barack Obama, mas apenas nas paradas de singles, com Fame (1975) e Let’s Dance (1983). Entre os álbuns, teve, além dos já citados, os seguintes no Top 10: Let’s Dance (1983- 3º lugar), ChangesOneBowie (1976- 10º lugar), Station To Station (1976- 3º lugar), Young Americans (1975- 9º lugar), David Live (1974- 8º lugar) e Diamond Dogs (1974- 5º lugar).

A parte mais surpreendente do feito obtido por Blackstar foi o fato de se tratar de um trabalho de veia mais experimental, longe de momentos mais assimiláveis do trabalho de Bowie, como Let’s Dance, por exemplo. Acompanhado por uma banda de orientação jazzística, o artista mergulhou em sete faixas mais longas, sem ambições radiofônicas e fugindo dos padrões dos hits atuais. Ousadia que deu frutos.

Blackstar (clipe)- David Bowie:

Rebel Rebel (live-2004)- David Bowie:

David Bowie e as lembranças de um grande ídolo do rock

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Por Fabian Chacur

David Bowie nos deixou neste domingo (10), apenas dois dias após completar 69 anos de idade. Conforme comunicado oficial de seu manager, o cantor, compositor e músico britânico lutava há 18 meses contra um câncer, o que não o impediu de gravar Black Star, novo álbum que lançou no dia de seu aniversário e que chegará às lojas brasileiras em breve. Uma perda para o mundo das artes do tamanho…do mundo!

O som de David Bowie entrou na minha vida no já longínquo ano de 1975, quando meu saudoso irmão Victor comprou um compacto simples que incluía Young Americans e Sufragette City. A primeira logo se tornou uma das minhas músicas favoritas, com sua levada soul-funk e vocais que evocavam Elvis Presley, curiosamente nascido no mesmo mês e ano que ele (8 de janeiro, só que de 1935, enquanto Bowie nasceu em 1947).

Sufragette City, de 1972, do seminal álbum Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, só foi devidamente compreendida por mim depois de vários anos. Não muito tempo depois, em 1976, Golden Years fez parte de trilha de novela e deu sequência a minha experiência em relação à obra desse grande artista. No início dos anos 1980, comprei duas coletâneas e começava a ampliar minha coleção dele.

Com o estouro de Let’s Dance (1983), e mesmo um pouco antes, já estava indo atrás dos discos anteriores lançados pelo astro britânico. Vale lembrar que estavam todos fora de catálogo no Brasil, e custavam bem caro nos sebos da vida. Mas, com paciência e juntando cada centavo, fui aos poucos completando minha coleção. Também nessa época, conheci Rosa Kaji, presidente do incrível fã-clube de Bowie no Brasil, que me ajudou muito no sentido de conhecer a obra desse gênio.

Ironicamente, Rosa se mudou do Brasil para os EUA lá pelos idos de 1987 pelo fato de ter como sonho ver um show de seu grande ídolo, e de não acreditar que ele viria se apresentar ao vivo em nossos palcos. Curiosamente, isso acabou ocorrendo muito antes do que se poderia imaginar, em 1990, durante a turnê Sound + Vision, que em São Paulo passou pelo estádio Palestra Itália, do Palmeiras, em belo show debaixo de chuva que teve abertura dos Titãs.

A Sound + Vision foi uma turnê com repertório calcado nos grandes sucessos da carreira do roqueiro e teve como marca uma bela campanha de relançamento de sua discografia lançada entre 1969 e 1980 pela gravadora RCA, cujos direitos então passaram para a EMI-Odeon (no Brasil) e Rykodisc (nos EUA). Enfim esses álbuns seminais voltavam aos catálogos e puderam ser devidamente apreciados por muito mais gente.

Em 1º de novembro de 1997, Bowie voltou a tocar por aqui como atração principal do festival Close Up Planet, realizado em São Paulo na Pista de Atletismo do Ibirapuera. E mais uma vez a chuva esteve presente, desta vez uma garoa que felizmente não durou o tempo todo. Outro show incrível, repleto de pique e com a sonoridade com tempero drum n’ bass do álbum Earthling, que ele tinha lançado há pouco.

Vale lembrar que esse show de 1997 pode ser considerado mais ousado em termos estilísticos, mas o de 1990 equivaleu a um maravilhoso desfile de grandes hits, tendo a guitarra de Adrian Belew como cereja de um bolo delicioso. Tive a oportunidade de trocar umas rápidas palavras com esse guitarrista, que também tocou com o King Crimson e Talking Heads, no hotel Hilton, onde Bowie estava hospedado. Foi o mais perto que cheguei do roqueiro britânico…

Porque David Bowie é tão vital para a história do rock? Eis uma explicação para ser dada em muitas e muitas linhas. Logo de cara, é por ter sido um artista multimídia quando esse termo nem ao menos existia. Nunca se restringiu apenas à música, mergulhando de cabeça no cinema, teatro, literatura, artes plásticas e o que mais pintasse, sempre com muita curiosidade e procurando aprender o máximo possível. Um verdadeiro operário da arte.

O autor de clássicos como Space Oditty, Ziggy Stardust, Heroes, Let’s Dance e tantos outros nunca dormiu em cima dos louros conquistados. Rock futurista em Space Oditty, glam rock em Ziggy Stardust e Rebel Rebel, soul-funk em Young Americans, experimentalismo eletrônico em Low e Heroes, pop funk rock em Let’s Dance, o cara se renovava constantemente. Sua discografia é uma verdadeira aula de rock.

Ao contrário de muitos inovadores, que pagaram um alto preço por sua ousadia, David Bowie conseguiu criar novidades maravilhosas em termos musicais e vender milhões de discos, além de sempre lotar seus shows pelo mundo afora. Soube se manter relevante, e quando lançou em 2013 um novo álbum de inéditas após dez anos, o sublime The Next Day (leia a resenha desse álbum aqui), tinha milhões de ouvintes dispostos a curtir novamente seu trabalho. Ele sabia se renovar.

Em 2014, mais de 80 mil pessoas tiveram a oportunidade de conferir em São Paulo uma maravilhosa exposição com memorabilia de Bowie (leia matéria sobre esse incrível evento pop aqui), uma rara e preciosa oportunidade de se ter a plena noção da abrangência e criatividade de uma obra seminal em todos os sentidos.

Ele já era uma lenda mesmo antes de nos deixar, imaginem agora, quando infelizmente não o teremos mais por perto. A rigor, trabalhou até muito próximo de seu fim, o que lhe dava muito prazer e força. Aliás, claro que o teremos por perto, sim, ao menos em discos, DVDs, Blu-rays, livros etc. Bowie é trilha sonora eterna!

Young Americans– David Bowie:

Fashion– David Bowie:

– Ashes To Ashes- David Bowie:

– Rebel Rebel- David Bowie:

The Stars (Are Out Tonight)– David Bowie:

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