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André Frateschi e Heroes com o melhor de Bowie em Sampa

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Por Fabian Chacur

Aos 7 anos de idade, André Frateschi ouviu pela primeira vez o antológico álbum Alladin Sane (1973), de David Bowie. Nascia uma paixão que iria gerar, em 2005, o surgimento da banda Heroes, com a qual o cantor, compositor e ator já fez inúmeros e concorridos shows com o repertório do saudoso astro britânico. Ele se apresenta em São Paulo nesta sexta (12) e sábado (13), às 21h, no Teatro Morumbi Shopping (avenida Roque Petroni Junior, nº 2.800- estacionamento do piso G1- fone 0xx11-5183-2800), com ingressos a R$ 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira).

Pode se dizer que Frateschi realmente incorporou o personagem que representa em seus shows. Acompanhado por ótimos músicos, ele não só canta com muita garra e categoria as sofisticadas músicas do Camaleão do Rock, como também possui uma performance cênica que torna suas apresentações temáticas ainda melhores. Fica claro para todos que ele realmente ama as canções que interpreta, fugindo de cair na armadilha de um projeto caça-níqueis ou coisa que o valha.

A Heroes tem em seu repertório mais de 80 canções de David Bowie ensaiadas, o que possibilita a eles fazer shows bastante distintos uns dos outros. Para essas apresentações em São Paulo, estão previstas algumas canções que priorizam o piano, como All You Pretty Things e Changes, hits como Ziggy Stardust, Let’s Dance, China Girl, Space Oddity e Starman e também Lazarus, esta lançada no início de 2016 no álbum Blackstar, lançado dois dias antes da morte do genial astro britânico.

Além do trabalho com as músicas de David Bowie, Frateschi também ficou conhecido ao participar da turnê de aniversário de 30 anos do primeiro álbum da Legião Urbana ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá como o vocalista principal. Ele lançou em 2014 seu primeiro álbum autoral, Maximalista, que conta com a participação especialíssima de Mike Garson, pianista que fez inúmeras gravações e shows com David Bowie, incluindo o demencial solo em Alladin Sane.

Under Pressure (ao vivo)- André Frateschi e Miranda Kassin:

Life On Mars (ao vivo)- André Frateschi:

Cracked Actor (ao vivo)- André Frateschi:

André Frateschi faz o tributo digno a David Bowie em SP

andre frateschi-400x

Por Fabian Chacur

Como diria o meu amigo carioca Carlos Eduardo Lima, agora irão aparecer inúmeros pseudo-especialistas em David Bowie, caras que afirmam ouvir a obra do Camaleão do Rock deste que nasceram, na maior cara dura. Entre eles, certamente, não será colocado André Frateschi. Esse talentoso cantor e ator paulistano faz um belo tributo à obra do autor de Changes há 11 anos com sua banda Heroes. Ele toca no dia 16 de fevereiro (terça) às 21h30 no Bourbon Street (rua dos Chanés, 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com couvert artístico a R$ 50,00.

Nascido em São Paulo em 29 de março de 1975, André Frateschi é filho dos atores Denise Del Vecchio e Celso Frateschi. Aos 7 anos de idade, ganhou o LP Alladin Sane do padrasto, e desde então ficou fascinado por David Bowie. Após muitos anos de preparação como cantor, músico e ator, achou os músicos certos e, em 2005, iniciou o grupo Heroes, cujo repertório é totalmente dedicado à obra do saudoso roqueiro.

Desde então, por onde passa Frateschi arrebata a plateia, com interpretações convincentes de clássicos sofisticados do naipe de Modern Love, Cracked Actor, Let’s Dance, Changes, The Man Who Sold The World e tantos outros. Ele fez uma temporada de longos sete anos no antigo Studio SP, sempre com casa cheia.

A atual escalação da Heroes traz, além do líder nos vocais e violão, sua esposa, a também talentosa cantora Miranda Kassin (vocais), Renato Cortez (baixo), Fernando Coelho (guitarra), Angelo Kanaan (bateria), Piero Damiani (teclados) e Tiago Sormani (sax). Esses músicos também integram bandas autorais bacanas como Chimpanzé Clube Trio, Numismata, Seycelles e Banda Paralela.

Em 2014, André Frateschi lançou seu primeiro CD autoral, o ótimo Maximalista, no qual conta com a participação especialíssima do consagrado pianista Mike Garson, conhecido por suas brilhantes atuações ao lado de (adivinhe?) David Bowie, especialmente no álbum Alladin Sane. Ele também está fazendo shows com repertório da Legião Urbana ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.

Cracked Actor (ao vivo)-André Frateschi:

Modern Love (ao vivo)- André Frateschi:

Changes (ao vivo)- André Frateschi:

David Bowie emplaca o álbum Blackstar no 1º lugar nos EUA

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Por Fabian Chacur

A expectativa em torno da performance comercial de Blackstar, novo álbum de David Bowie, já era grande. Com a inesperada e lamentável morte do grande astro no último dia 10 (leia mais aqui), tornou-se enorme, e se confirmou de forma positiva. O trabalho leva o autor de Heroes pela primeira vez ao topo da parada americana entre os álbuns mais vendidos, após aproximadamente 50 anos de carreira.

Conforme informações do site americano da revista Billboard, a bíblia do mercado fonográfico mundial, Blackstar teve 181 mil cópias comercializadas durante a semana de vendas encerrada no dia 14 de janeiro. Com esse desempenho, conseguiu tirar do número 1 o álbum 25, da cantora britânica Adele, que durante este mesmo período vendeu 143 mil exemplares. Uma bela façanha.

Para quem achar que foi só a morte do cantor que impulsionou vendas tão expressivas, vale relembrar que The Next Day (2013), trabalho anterior de inéditas do Camaleão do Rock, teve 85 mil cópias vendidas em sua semana de lançamento e atingiu o 2º lugar nos charts americanos. Ah, e tem mais: a coletânea Best Of Bowie (2002) retornou às paradas, vendendo esta semana 94 mil cópias e atingindo o 4º lugar nos EUA. Na época, essa compilação tinha conseguido apenas o nº70.

Vale lembrar que Bowie já havia sido número 1 na terra de Barack Obama, mas apenas nas paradas de singles, com Fame (1975) e Let’s Dance (1983). Entre os álbuns, teve, além dos já citados, os seguintes no Top 10: Let’s Dance (1983- 3º lugar), ChangesOneBowie (1976- 10º lugar), Station To Station (1976- 3º lugar), Young Americans (1975- 9º lugar), David Live (1974- 8º lugar) e Diamond Dogs (1974- 5º lugar).

A parte mais surpreendente do feito obtido por Blackstar foi o fato de se tratar de um trabalho de veia mais experimental, longe de momentos mais assimiláveis do trabalho de Bowie, como Let’s Dance, por exemplo. Acompanhado por uma banda de orientação jazzística, o artista mergulhou em sete faixas mais longas, sem ambições radiofônicas e fugindo dos padrões dos hits atuais. Ousadia que deu frutos.

Blackstar (clipe)- David Bowie:

Rebel Rebel (live-2004)- David Bowie:

David Bowie e as lembranças de um grande ídolo do rock

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Por Fabian Chacur

David Bowie nos deixou neste domingo (10), apenas dois dias após completar 69 anos de idade. Conforme comunicado oficial de seu manager, o cantor, compositor e músico britânico lutava há 18 meses contra um câncer, o que não o impediu de gravar Black Star, novo álbum que lançou no dia de seu aniversário e que chegará às lojas brasileiras em breve. Uma perda para o mundo das artes do tamanho…do mundo!

O som de David Bowie entrou na minha vida no já longínquo ano de 1975, quando meu saudoso irmão Victor comprou um compacto simples que incluía Young Americans e Sufragette City. A primeira logo se tornou uma das minhas músicas favoritas, com sua levada soul-funk e vocais que evocavam Elvis Presley, curiosamente nascido no mesmo mês e ano que ele (8 de janeiro, só que de 1935, enquanto Bowie nasceu em 1947).

Sufragette City, de 1972, do seminal álbum Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, só foi devidamente compreendida por mim depois de vários anos. Não muito tempo depois, em 1976, Golden Years fez parte de trilha de novela e deu sequência a minha experiência em relação à obra desse grande artista. No início dos anos 1980, comprei duas coletâneas e começava a ampliar minha coleção dele.

Com o estouro de Let’s Dance (1983), e mesmo um pouco antes, já estava indo atrás dos discos anteriores lançados pelo astro britânico. Vale lembrar que estavam todos fora de catálogo no Brasil, e custavam bem caro nos sebos da vida. Mas, com paciência e juntando cada centavo, fui aos poucos completando minha coleção. Também nessa época, conheci Rosa Kaji, presidente do incrível fã-clube de Bowie no Brasil, que me ajudou muito no sentido de conhecer a obra desse gênio.

Ironicamente, Rosa se mudou do Brasil para os EUA lá pelos idos de 1987 pelo fato de ter como sonho ver um show de seu grande ídolo, e de não acreditar que ele viria se apresentar ao vivo em nossos palcos. Curiosamente, isso acabou ocorrendo muito antes do que se poderia imaginar, em 1990, durante a turnê Sound + Vision, que em São Paulo passou pelo estádio Palestra Itália, do Palmeiras, em belo show debaixo de chuva que teve abertura dos Titãs.

A Sound + Vision foi uma turnê com repertório calcado nos grandes sucessos da carreira do roqueiro e teve como marca uma bela campanha de relançamento de sua discografia lançada entre 1969 e 1980 pela gravadora RCA, cujos direitos então passaram para a EMI-Odeon (no Brasil) e Rykodisc (nos EUA). Enfim esses álbuns seminais voltavam aos catálogos e puderam ser devidamente apreciados por muito mais gente.

Em 1º de novembro de 1997, Bowie voltou a tocar por aqui como atração principal do festival Close Up Planet, realizado em São Paulo na Pista de Atletismo do Ibirapuera. E mais uma vez a chuva esteve presente, desta vez uma garoa que felizmente não durou o tempo todo. Outro show incrível, repleto de pique e com a sonoridade com tempero drum n’ bass do álbum Earthling, que ele tinha lançado há pouco.

Vale lembrar que esse show de 1997 pode ser considerado mais ousado em termos estilísticos, mas o de 1990 equivaleu a um maravilhoso desfile de grandes hits, tendo a guitarra de Adrian Belew como cereja de um bolo delicioso. Tive a oportunidade de trocar umas rápidas palavras com esse guitarrista, que também tocou com o King Crimson e Talking Heads, no hotel Hilton, onde Bowie estava hospedado. Foi o mais perto que cheguei do roqueiro britânico…

Porque David Bowie é tão vital para a história do rock? Eis uma explicação para ser dada em muitas e muitas linhas. Logo de cara, é por ter sido um artista multimídia quando esse termo nem ao menos existia. Nunca se restringiu apenas à música, mergulhando de cabeça no cinema, teatro, literatura, artes plásticas e o que mais pintasse, sempre com muita curiosidade e procurando aprender o máximo possível. Um verdadeiro operário da arte.

O autor de clássicos como Space Oditty, Ziggy Stardust, Heroes, Let’s Dance e tantos outros nunca dormiu em cima dos louros conquistados. Rock futurista em Space Oditty, glam rock em Ziggy Stardust e Rebel Rebel, soul-funk em Young Americans, experimentalismo eletrônico em Low e Heroes, pop funk rock em Let’s Dance, o cara se renovava constantemente. Sua discografia é uma verdadeira aula de rock.

Ao contrário de muitos inovadores, que pagaram um alto preço por sua ousadia, David Bowie conseguiu criar novidades maravilhosas em termos musicais e vender milhões de discos, além de sempre lotar seus shows pelo mundo afora. Soube se manter relevante, e quando lançou em 2013 um novo álbum de inéditas após dez anos, o sublime The Next Day (leia a resenha desse álbum aqui), tinha milhões de ouvintes dispostos a curtir novamente seu trabalho. Ele sabia se renovar.

Em 2014, mais de 80 mil pessoas tiveram a oportunidade de conferir em São Paulo uma maravilhosa exposição com memorabilia de Bowie (leia matéria sobre esse incrível evento pop aqui), uma rara e preciosa oportunidade de se ter a plena noção da abrangência e criatividade de uma obra seminal em todos os sentidos.

Ele já era uma lenda mesmo antes de nos deixar, imaginem agora, quando infelizmente não o teremos mais por perto. A rigor, trabalhou até muito próximo de seu fim, o que lhe dava muito prazer e força. Aliás, claro que o teremos por perto, sim, ao menos em discos, DVDs, Blu-rays, livros etc. Bowie é trilha sonora eterna!

Young Americans– David Bowie:

Fashion– David Bowie:

– Ashes To Ashes- David Bowie:

– Rebel Rebel- David Bowie:

The Stars (Are Out Tonight)– David Bowie:

Mike Garson participa de CD autoral de André Frateschi

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Por Fabian Chacur

Nos últimos anos, o cantor André Frateschi se tornou bastante conhecido por capitanear o projeto Heroes, dedicado com brilhantismo ao trabalho de David Bowie. Ele agora se prepara para lançar o primeiro álbum autoral, Maximalista, previsto para sair no início de agosto. Nele, uma surpresa daquelas: a participação do pianista e tecladista Mike Garson.

Os fãs mais fieis de David Bowie certamente sentiram um arrepio ao ler esse nome. Para quem não sabe, Mike Garson é simplesmente o músico responsável pelo espetacular solo de piano no clássico hit Alladin Sane, um dos mais cultuados da história do rock. Mais: tocou em álbuns seminais do Camaleão do Rock, como Alladin Sane (1973), Young Americans (1975), Black Tie White Noise (1993) e Reality (2003), só para citar alguns desses clássicos marcantes.

Tudo começou quando Frateschi fez um contato com Garson e lhe mandou algumas músicas, convidando-o para participar do álbum. O músico gostou tanto do que ouviu que marcou presença em seis faixas, a saber: Queda, Tudo Vai Dar Tempo, Eu Não Tenho Saco, Gosto da Raiva, Isso é Coisa Pra Homem e É Tudo Nosso. De quebra, ainda compôs e gravou para o brasileiro a faixa Soul Searching, também incluída no CD.

Maximalista é um CD duplo com 15 faixas produzidas no estúdio 12 Dólares por Fábio Pinczowski e Mauro Motoki. O premiado quadrinista Fábio Moon criou duas imagens exclusivas que foram utilizadas no projeto gráfico do álbum. Nem é preciso dizer que a expectativa em torno do álbum autoral de Frateschi é grande, ainda mais depois do anúncio desse convidado mais do que especial. Que aval!

Cracked Actor (David Bowie), ao vivo, com André Frateschi:

Exposição faz Bowie virar herói em SP

Por Fabian Chacur

O mundo muda, e nem sempre para pior, como costumamos imaginar de forma pessimista. No início dos anos 1980, quando resolvi colecionar a obra de David Bowie, lembro muito bem de como era difícil e caro obter material sobre esse genial cantor, compositor e músico britânico. Aliás, eram poucos os que conheciam de fato sua exemplar trajetória artística até aquele momento. Poucos e bons.

Hoje, podemos comemorar o fato de sermos o terceiro país no mundo a receber a exposição David Bowie, com algo em torno de 300 itens fundamentais relativos aos trabalhos do autor de Heroes. Melhor do que isso: o evento se tornou histórico, pois em seu período de duração, entre 30 de janeiro e 20 de abril, conseguiu atrair 80.190 pessoas ao Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.

Lógico que isso só se tornou possível graças ao visionário André Sturm, aquele mesmo do maravilhoso Cine Belas Artes (que deve voltar à ativa em breve) e atualmente diretor-executivo e curador-geral do MIS. Ele apostou nesse projeto, conseguiu os apoios necessários e deu aos fãs de David Bowie essa maravilhosa oportunidade de conferir memorabilia do mais alto valor.

A exposição merece nota máxima por sua ambiência multimídia, que possibilitou ao visitante um verdadeiro mergulho no universo bowie, com direito a roupas, quadros, calçados, instrumentos musicais, cartazes, manuscritos, clipes, entrevistas e muita música. O visitante saía do MIS com a alma lavada. Quem é fã, ficou mais, e quem não era, provavelmente virou.

Com ingressos a preços baixos, assim como o belíssimo catálogo da exposição, uma preciosa lembrança do evento vendida a apenas R$ 40,00 , a exposição se tornou um programa obrigatório para todo o fã do astro e também para as pessoas interessadas em moda, cultura pop, teatro, cinema e artes em geral. Valeu cada minuto que se esperou em filas, por sinal organizadas e sem grandes tumultos, no geral.

O êxito das mostras de David Bowie e a anterior, dedicada no mesmo local ao cultuado cineasta Stanley Kubrick e visitada por 80.972 pessoas (números divulgados pela assessoria do MIS) durante 79 dias, prova que existe, sim, público para eventos dedicados a artistas importantes, mesmo que fora do mainstream artístico atual. Que venham outros do mesmo alto nível. Biscoitos finos para as massas, mesmo!

Vale lembrar que essa exposição de David Bowie coroou um processo de crescimento da popularidade do artista por aqui que teve como marcos seus shows em solo nacional em 1990 e 1997, além do relançamento de sua discografia e também dos lançamentos simultâneos de seus novos trabalhos. Um sonho de gente como a adorável Rosa Kaji, presidente do melhor fã-clube de Bowie existente por aqui nos anos 80 e que deixou o Brasil por volta de 1987 para realizar o sonho de ver o Camaleão ao vivo. Por onde andará ela, por sinal?

Boys Keep Swinging, com David Bowie:

Morre Trevor Bolder, do Uriah Heep e Spiders

Por Fabian Chacur

O mundo do rock perdeu nesta terça-feira (21) um de seus grandes baixistas. Trata-se do britânico Trevor Bolder, que nos deixou aos 62 anos após lutar contra um câncer que o obrigou a deixar os palcos e estúdios de gravação no início deste ano. A notícia foi divulgada pelo site oficial do grupo Uriah Heep.

Nascido em 9 de junho de 1950, Trevor Bolder começou no mundo do rock atuando nos grupos The Rats e Rono ao lado do guitarrista Mick Ronson. Ele e o amigo ficariam famosos ao integrar pouco tempo depois a banda Spiders From Mars, que entre 1972 e 1973 acompanharia David Bowie na fase glam rock/glitter rock de sua carreira.

Bolder tocou baixo nos álbuns Hunky Dory (1971), The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972), Alladin Sane (1973) e Pin Ups (1973), além de ter participado das turnês que Bowie fez naqueles anos históricos.

Em 1976, o baixista entrou no Uriah Heep, célebre banda de heavy metal da qual fez parte até o início de 2013, com um pequeno hiato, entre 1981 e 1983, período no qual esteve em outro grupo bastante badalada no cenário roqueiro de então, os também britânicos Wishbone Ash.

Na primeira visita do Uriah Heep ao Brasil, ocorrida em julho de 1989, Trevor estava no time, ao lado de Mick Box (guitarrista e líder do grupo), Lee Kerslake (bateria), Bernie Shaw (vocal) e Phil Lanzon (teclados). Eles tocaram no Rio (4 e 5/7, no Canecão) e São Paulo (7, 8 e 9/7 no Olympia), atraindo as atenções dos fãs de rock pesado.

Tive a honra de participar da entrevista coletiva concedida pela banda, realizada no Hilton Hotel (então situado no centro de São Paulo) no dia 7 de julho de 1989, e consegui autógrafos dos músicos no então recém-lançado Live In Moscow, álbum gravado ao vivo na antiga União Soviética que saiu por aqui pela extinta gravadora RGE (Legacy Records na Inglaterra) e não incluído, sabe-se lá o porque, na discografia oficial da banda.

Após a coletiva, consegui conversar rapidamente com Trevor, que se mostrou muito simpático e respondeu duas perguntas adicionais sobre sua participação nos Spiders From Mars. Para ele, os registros ao vivo dos shows da banda não davam a exata medida de como aquelas apresentações foram excitantes. Gente fina. Que descanse em paz. Viverá para sempre nos discos de Bowie e do Uriah Heep de que participou com brilhantismo.

Ouça The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, na íntegra:

The Next Day é David Bowie inspiradíssimo

Por Fabian Chacur

Demorei bastante para resenhar The Next Day, primeiro trabalho de inéditas de David Bowie após 10 longos anos nos quais se imaginava termos perdido de vez o Thin White Duke. O álbum está há mais de um mês nas lojas brasileiras, em bela edição de luxo com direito a 17 faixas, três a mais do que a versão comum.

E qual a razão de tanta demora? É que eu fiz questão de ouvir muito e muito o álbum antes de escrever sobre ele. E quer saber? Valeu a pena. Dessa forma, posso cravar, sem medo de errar, que The Next Day é não só um dos melhores trabalhos do genial cantor, compositor e músico britânico, como tem tudo para ser eleito o melhor lançamento de 2013. E quem diz isso é alguém que tem todos os álbuns do cara, os ouviu muito e não baba ovo para todos. Opinião de fã, sim, mas fã consciente dos altos e baixos de seu ídolo.

No Reino Unido, o álbum entrou direto no primeiro lugar. No disputado mercado americano, vendeu 85 mil cópias na semana de lançamento no fim de março e atingiu o segundo lugar, melhor posto já obtido por um álbum de David Bowie no mercado americano. Station To Station (1976- nº3) e Let’s Dance (1983- nº4) haviam sido os melhores resultados anteriores do roqueiro britânico. Os fãs estavam ávidos por novas músicas do autor de Heroes.

A boa expectativa criada pelos dois singles lançados previamente, a melancólica e tocante balada Where Are We Now? e o rockão The Stars (Are Out Tonight) se confirmou por completo. The Next Day é, acima de tudo, um álbum recheado de grandes canções.

O clima musical traz boas referências de sua produção do fim dos anos 70, especialmente do álbum Scary Monsters (1980), com uma poderosa fusão de climas misteriosos, guitarras nervosas, boas melodias e uma diversidade musical que foge da mesmice com grandes resultados. E a voz do astro continua incisiva e com aquele timbre inconfundível.

Os fãs da faceta mais pop de Bowie irão vibrar com as deliciosas Valentine’s Day e Dancing Out In Space, por exemplo. Os mais roqueiros se deliciarão com as vibrantes The Next Day, (You Will) Set The World On Fire e I’d Rather Be High, enquanto quem curte o lado soul do mestre irão se arrepiar com a belíssima You Feel So Lonely You Could Die.

A competência dos músicos participantes (entre os quais a baixista Gail Ann Dorsey, os guitarristas Earl Slick e Gerry Leonard e o baixista Tony Levin) e a produção do velho parceiro Tony Visconti dão ao álbum uma sonoridade ao mesmo tempo vintage e atualizada. Não, Bowie não está se repetindo, e sim aproveitando de forma inteligente elementos já usados por ele antes para criar novas canções relevantes.

A capa, que reaproveita de forma surpreendente a arte do clássico LP Heroes, aparece em belíssima embalagem digipack. Minha única restrição fica em relação ao encarte, com os créditos e letras em letras pequenas e diagramação que dificulta e muito a leitura. Afora isso, The Next Day é um clássico instantâneo que cresce a cada nova audição.

Ouça The Next Day, de David Bowie, na íntegra:

Nova de Bowie tem sabor de Scary Monsters

Por Fabian Chacur

David Bowie continua adoçando a boca de seus fãs. Após a grande repercussão obtida por Where Are We Now?, canção divulgada no dia de seu aniversário (8 de janeiro) e a primeira inédita em dez anos, ele nos oferece a segunda amostra extraída de The Next Day, seu aguardado álbum de retorno, previsto para sair em março.

The Stars (Are Out Tonight) é um rock energético com ótimas guitarras na linha de frente e camadas de teclados (e/ou cordas) ao fundo, e poderia perfeitamente estar incluída no célebre álbum Scary Monsters (1980), com direito a delicioso clima misterioso e uma interpretação impecável do Tin White Duke. Coisa fina!

O clipe, dirigido por Floria Sigismondi (já trabalhou com o mestre antes), traz como destaque a premiada atriz Tilda Swinton, que vive a esposa de Bowie. O casal, de perfil tradicional, é visitado por outro bem andrógino e do tipo “celebridades polêmicas”, e a convivência entre eles oferece transtornos e uma sacudida no universo outrora tranquilão da dupla inicial.

A canção é bem distinta da bela balada Where Are We Now?, e dá a entender que David Bowie não voltará ao cenário pop para nos fazer perder tempo com canções fracas e sem sal. Não vejo a hora de ouvir The Next Day na íntegra! E a hora está chegando!

Veja o clipe de The Stars (Are Out Tonight):

Veja o clipe de Where Are We Now? :

Bowie não fará mais turnês, afirma produtor

Por Fabian Chacur

Nesta semana, como você leu aqui em Mondo Pop, David Bowie lançou nova música e anunciou que The Next Day, seu primeiro álbum de inéditas após dez longos anos, chegará ao mercado musical em março nos formatos físico e digital e em duas edições.

Essa foi a parte boa da notícia. A ruim veio em reveladora entrevista concedida pelo produtor do álbum, o consagrado Tony Visconti (FOTO), ao site americano da revista Billboard, a bíblia da indústria fonográfica mundial. Segundo ele, o eterno camaleão do rock and roll não fará mais turnês, nem dará entrevistas à imprensa em geral.

Visconti, que trabalhou com Bowie em álbuns como Young Americans (1975), Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979), entre outros, garantiu que o “patrão” e amigo só quer saber de gravar discos, daqui por diante.

“Ele me disse que não, absolutamente não, nada de shows ou entrevistas. Ele me disse que tocou ao vivo e deu entrevistas durante 30 anos, e que não quer mais fazer nenhuma dessas duas coisas”, explicou Visconti, incumbido de falar sobre The Next Day para a imprensa.

O produtor afirmou que Where Are We Now?, primeira faixa divulgada do álbum, é a única balada do repertório do disco, que tem uma sonoridade que mistura rocks mais agitados e alguns momentos mais ousados e experimentais, mas com pegada “comercial”, digamos assim.

Participaram das gravações basicamente músicos que já atuaram anteriormente com Bowie, como Earl Slick (guitarra solo), Gerry Leonard (guitarra base), David Torn (guitarra base), Zackary Alford (bateria), Sterling Campbell (bateria), Gail Ann Dorsey (baixo e vocais) e Tony Levin, além de músicos de cordas que já atuaram em musicais da Broadway.

Visconti também garante que não rolaram participações especiais de nomes famosos, e que todos os que participaram das gravações, incluindo os técnicos e donos do estúdio em Nova York, tiveram de assinar um termo de silêncio, para que ninguém ficasse sabendo de nada. O álbum estava sendo produzido há dois anos. Deu super certo, como todos notaram.

Será que nunca mais veremos Bowie em turnês ou concedendo entrevistas mesmo? Ou seria mais uma de suas estratégias para atrair as atenções da mídia? Só saberemos nos próximos meses. Mas o produtor disse que o autor de Rebel Rebel e tantos outros hits não vê a hora de entrar em estúdio para gravar de novo. Beleza!

Rebel Rebel ao vivo na turnê Reality (2003/2004):

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