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Janelle Monáe faz música-tema para filme sobre o voto nos EUA

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Por Fabian Chacur

Mesmo na maior democracia do mundo, há inúmeras questões nebulosas e polêmicas acerca dos direitos ao voto e aos processos eleitorais. Esse é o tema do documentário All In: The Fight For Democracy, dirigido por Liz Garbus e Lisa Cortés e coproduzido por Stacey Abrams (veja o trailler aqui), exibido em algumas salas de cinema nos EUA e que a Amazon Prime Video promete disponibilizar em streaming no próximo dia 18 (sexta-feira).

Stacey Abrams foi líder da minoria da câmara dos representantes da Georgia (EUA), além de fundadora do grupo Fair Right Action, que defende as pessoas que são excluídas do direito ao voto por algumas barreiras legais. O documentário mostra todo o histórico eleitoral dos EUA, e traz seu foco exatamente nessas dificuldades impostas às minorias que tentam apenas desfrutar de seus direitos mais essenciais.

A música-tema do filme, Turntables, é interpretada pela excelente cantora e compositora Janele Monáe, de 34 anos, que a escreveu em parceria com Nathaniel Irvin III e George A. Peters e cuja produção ficou nas mãos de Nate “Rocket” Wonder e Roman GianArthur. Trata-se de uma canção incisiva, vibrante, que em seu clipe traz a cantora em ação e também cenas do documentário, com um resultado potente e envolvente.

Com mais de dez anos de carreira, Janele veio ao Brasil em duas ocasiões no ano de 2011, a primeira abrindo shows da saudosa Amy Winehouse e a outra para apresentação no Rock in Rio. Seu mais recente álbum, Dirty Computer (o terceiro de sua carreira), chegou ao 6º posto na parada americana, e sua mistura de soul, hip-hop, funk, pop e jazz é de primeiríssima linha.

Turntables (clipe)- Janene Monáe:

Sting- A Free Man (2017) é um documentário bastante eficiente

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Por Fabian Chacur

Abordar uma carreira de mais de 45 anos como a de Sting em apenas 52 minutos parece uma tarefa difícil, senão impossível de se realizar. O diretor francês Julie Veille, no entanto, mesmo sem ter esgotado o tema, proporciona uma interessante e muito bem realizada amostra do que de melhor o grande cantor, compositor e músico britânico fez nesses anos todos. Sting- A Free Man (2017), o resultado desse projeto, está disponível na programação do Canal Bis e também em sua plataforma de streaming.

Feito para um canal de TV francês, o filme tem como base uma ótima entrevista feita com o astro da música especialmente para a atração. Também temos bons depoimentos de pessoas ligadas a ele, entre os quais o guitarrista Dominic Miller, que toca há muito tempo em sua banda de apoio e é seu parceiro em algumas composições, e também o italiano Zucchero, o baterista Vinnie Colaiuta, Will.I.am (do grupo Black Eyed Peas) e Bob Geldof. Este último surpreende pelo aparente profundo conhecimento da vida e obra do colega de profissão.

A opção foi por ter foco principal na carreira solo de Sting, passando por alto por seus anos no The Police, incluindo uma justificativa pela qual ele saiu da banda: “Não queria repetir as mesmas fórmulas, eu queria a liberdade que me seria ditada pelas músicas, e não pelo grupo”.

Sting fala sobre o desafio de contar histórias relevantes em um formato tão compacto como o das canções pop, e de como escreveu alguns de seus clássicos, como Shape Of My Heart, Desert Rose e do repertório do álbum The Soul Cages (1991), este último feito em homenagem ao seu pai.

O envolvimento do músico com questões humanitárias e ecológicas também é abordado, entre eles sua ligação com o cacique brasileiro Raoni e as mães das vítimas da ditadura de Pinochet no Chile (que rendeu a bela canção They Dance Alone). O show que fez em Toscana, Itália, no mesmo dia dos ataques às torres gêmeas em Nova York em 11 de setembro de 2001, está na pauta, assim como a inspiração das belas canções Russians e Inshala.

Pontuado por um bem selecionado material de arquivo, Sting- A Free Man equivale a uma concisa e bem realizada viagem na obra de um artista que soube como poucos trafegar por gêneros musicais como rock, reggae, jazz, pop, world music, folk etc com desenvoltura, criatividade e muito talento. E pensar que, no relato do próprio Sting, tudo começou quando ele herdou o violão de um tio que se mudou para o Canadá…

Veja o trailer de Sting- A Free Man:

Uma Garota Chamada Marina mostra pistas de Marina Lima

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Por Fabian Chacur

Marina Lima é um enigma dos bons. Uma cantora, compositora e instrumentista que não cabe em padronizações. Que percorreu os mais diversos caminhos musicais, sempre com classe. Que soube vencer o machismo, os rótulos limitantes, os preconceitos, e dessa forma, graças também a muito talento e perseverança, pavimentou uma carreira instigante e repleta de bons momentos. Algumas pistas para entender essa artista incrível estão no documentário Uma Garota Chamada Marina, dirigido por Candé Salles e disponível na programação do Canal Curta! .

Uma das marcas deste documentário de 71 minutos que teve produção de Leticia Monte e Lula Buarque de Hollanda é o fato de não seguir um formato linear. Embora aborde toda a carreira de Marina Lima (leia mais sobre a vida e obra dela aqui), a narrativa se concentra no período entre 2009 e 2019, com ênfase na mudança dela para São Paulo e as razões que a motivaram a fazer isso.

Marina, que é a coautora do roteiro do filme em parceria com a diretora, aparece em entrevistas feitas em momentos diversos, sempre abordando de forma franca temas referentes a sua vida e carreira. A saída do Rio, por exemplo, é justificada assim: “Senti que o Rio queria me enquadrar. Uma coisa cristalizada, tipo ‘o Corcovado, o Pão de Açúcar, Marina Lima’. Não! Tô viva e cheia de ideias!”.

Dessa forma, saiu de lá para mergulhar de cabeça em novos projetos em São Paulo. Um dos pontos máximos dessa mudança é o incrível álbum Climax, de 2011 (leia a resenha aqui), no qual investe em novas sonoridades e se mostra renovada e vibrante, gerando um dos grandes trabalhos musicais desta década.

O profundo relacionamento com o irmão Antonio Cicero, que foi seu principal parceiro de composições durante muito tempo, as novas parcerias musicais, seu relacionamento com os animais de estimação, cenas de shows e a atual namorada (questão que ela aborda de forma discreta e sem alarde) são temas que aparecem durante o filme, além de alguns depoimentos de amigos e colegas. Vale a pena conhecer essa garota. O duro é não se apaixonar por ela…

Veja o trailer de Uma Garota Chamada Marina:

Linda Ronstadt terá sua carreira relembrada em documentário

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Por Fabian Chacur

Para tristeza de todos os fãs da boa música, a cantora americana Linda Ronstadt abandonou a carreira artística em 2011. A razão: não ter mais condições físicas de cantar, gravar e fazer shows, por ser vítima do mal de Parkinson. Como forma de homenagear essa grande artista que completou 73 anos no último dia 15, os diretores Rob Epstein e Jeffrey Freedman realizaram o documentário The Sound Of My Voice, que será lançado nos EUA em setembro.

O filme faz uma bela viagem pela incrível trajetória de Linda, indo desde seu início como vocalista do grupo The Stone Poneys, passando pelo estrelato como cantora de rock nos anos 1970 e com maior abrangência de estilos a partir dos anos 1980, investindo de forma brilhante em standards da música americana, country, pop, soul e até música mexicana, encarando de forma corajosa controvérsias surgidas em cenários machistas e preconceituosos.

Temos entrevistas com a cantora extraídas de arquivo e também atuais, mescladas com depoimentos de parceiros e pessoas importantes em sua trajetória, como Dolly Parton, Emmylou Harris, Karla Bonoff, Bonnie Raitt, David Geffen, Aaron Neville e outros. “Linda era capaz de, literalmente, cantar qualquer estilo que quisesse; ela era tão perfeccionista que às vezes era um difícil de aguentar”, relembra Dolly em uma de suas aparições no filme.

Leia mais sobre Linda Ronstadt aqui.

Veja o trailer de The Sound Of My Voice:

Meu Tio e o Joelho de Porco na programação do Canal Brasil

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Por Fabian Chacur

Em 1988, um certo Rafael perdeu precocemente seu pai, o empresário Sérgio Terpins, vítima de um infarto. A presença de seu tio Tico o ajudou bastante a lidar com uma perda tão terrível e repentina. Dez anos depois, é Tico que se vai, também antes do que se imaginaria. Em 2018, agora cineasta, Rafa nos oferece um delicado relato sobre esse parente tão peculiar, que para o público em geral tem relevância como o criador da incrível banda Joelho de Porco. Trata-se de Meu Tio e o Joelho de Porco, delicioso documentário que o Canal Brasil exibe nesta quinta (30) às 18h45, sexta (31) às 15h45 e domingo (2-6) às 10h55.

É importante ter em mente essa dualidade de intenções do documentário para apreciá-lo melhor. Não se trata de um filme exclusivamente sobre o grupo paulistano surgido em 1972 e criado pelo cantor, compositor e baixista Tico Terpins em parceria com o vocalista Próspero Albanese, que ele conheceu nos tempos de colégio. Ou seja, análises um pouco mais detalhadas dos álbuns lançados pela banda, suas influências musicais, algumas contradições em sua trajetória e mesmo opiniões de críticos ficaram de fora, mostrando que um segundo filme só sobre o grupo em si seria mais do que bem-vindo.

Mas a relação entre Rafael e seu tio famoso, explicitada na tela, nos ajuda muito a conhecer melhor esse personagem peculiar. Um cara genial em termos artísticos, que soube encaminhar o bom humor existente no trabalho dos Mutantes rumo a estâncias ainda mais extremas, em uma união rock-sátira que iria inspirar Língua de Trapo, Premeditando o Breque e diversos outros artistas dessa praia, até mesmo os Mamonas Assassinas, como ilustra depoimento de Zé Rodrix, integrante do grupo nos anos 1980.

Fugindo de uma abordagem mais convencional, Rafael é uma espécie de mestre de cerimônias do filme, amarrando as cenas com suas participações guiando o LTD do tio e conversando com um boneco que representa o músico, em diálogos deliciosos. O material de arquivo teve excelente utilização, permitindo conferir a trajetória da banda e suas performances em apresentações na TV e em shows, além de algumas entrevistas resgatadas. Depoimentos atuais de ex-integrantes como Próspero e de parentes de Tico nos permitem descobrir peculiaridades desse personagem incomum.

Se era um músico de primeira, Tico tinha um bom-humor do tipo “perco o amigo, mas não perco a piada”. Vários desses momentos absurdos gerados por seu temperamento irrequieto são relatados no filme, incluindo “causos” bizarros ocorridos durante shows e programas de TV. O legal é que Rafael não tenta esconder esse lado inconsequente do tio, uma das possíveis razões pelas quais o Joelho de Porco não conseguiu o sucesso que merecia ter atingido.

Outro problema que Rafael conseguiu superar do jeito que deu foi o fato de Billy Bond, vocalista da banda durante a sua “fase punk”, que gerou o álbum Joelho de Porco (1978), lançado pela gravadora global Som Livre, ter saído do time de forma nada amigável. No filme, o bonequinho Tico afirma que aquele álbum, o com mais visibilidade dentre os quatro que gravaram, com direito a comerciais na Globo e tudo, não passava de “um disco sem alma”.

E Rafa lê o SMS enviado por Billy justificando o porque não aceitou o convite para dar a sua versão para o fim de sua participação no Joelho de Porco. O curioso fica por conta da apresentação dos registros de TV e shows dessa fase, nas quais as imagens de Bond são distorcidas. Ficou estranho, mas acabou sendo melhor do que excluí-las, pois são em quantidade bastante expressiva.

A parceria com Arnaldo Baptista em seu primeiro compacto simples, de 1973, o incrível álbum de estreia São Paulo 1554-Hoje (1975), um dos melhores da história do rock brasileiro, o polêmico “disco punk” de 1978 e os dois dos anos 1980, já na fase com Zé Rodrix, Saqueando a Cidade (1983) e 18 Anos Sem Sucesso (1988) são abordados, assim como a atuação de Tico Terpins no mercado publicitário e como dono de estúdio de gravação.

Meu Tio e o Joelho de Porco equivale a uma deliciosa viagem pela vida de um cara do tipo malucão que nos deixou um legado musical que merece ser mais reverenciado, e sua principal virtude é exatamente essa: incentivar quem o vê a ir atrás dos quatro álbuns do grupo, todos repletos de maravilhas do porte de Boing 723897, México Lindo, Mardito Fiapo de Manga, São Paulo By Day, O Rapé, Vai Fundo, A Última Voz do Brasil e tantas outras.

Ouça São Paulo 1554-Hoje, do Joelho de Porco:

Carole King conta sua bela história em Natural Woman

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Por Fabian Chacur

Em uma época na qual a participação feminina no mundo da música parece aumentar e ser mais valorizado, nada melhor do que relembrar a trajetória de uma pioneira no setor. Carole King é o tema do excelente documentário Natural Woman (2016), integrante da série American Masters, já lançado em DVD no exterior. O filme, com aproximadamente 60 minutos de duração, será exibido pelo Canal Bis nesta terça (22) às 13h30 e nesta quarta (23) às 10h na faixa Arquivo Musical, além de já estar disponível na plataforma de streaming pago do canal, a Bis Play.

Nascida em Nova York em 9 de fevereiro de 1942, Carole King começou a tocar piano ainda criança, e não demorou a dominar o instrumento. Ainda adolescente, já compunha, e em 1959 não só arrumou um parceiro para composições, o letrista Gerry Goffin, como ganhou de quebra um marido, pois eles se casaram naquele ano. O documentário registra bem esse período, no qual ela e Goffin escreviam músicas para outros artistas, emplacando hits clássicos como Up On The Roof, The Loco-Motion, One Fine Day, Chains, Will You Love Me Tomorrow, Take a Giant Step, Going Back e (You Make Me Feel Like a) Natural Woman, só para citar alguns dos mais bem-sucedidos.

Com uma mescla de entrevistas feitas em épocas diferentes (incluindo uma realizada especialmente para Natural Woman), a cantora, compositora e pianista relembra com franqueza a dolorosa separação de Goffin, o início de sua carreira como cantora, a parceria musical com James Taylor e o estouro do álbum Tapestry (1971), que vendeu milhões de cópias e a consagrou de uma vez por todas. Os problemas com os outros maridos, a dificuldade de fazer shows e ter de ficar semanas longe das filhas são outros temas muito bem abordados.

Foram aproveitadas imagens de vários momentos da vida de Carole, incluindo fofíssimas cenas de quando ela era criança e começava a tocar piano. Temos também deliciosos depoimentos de amigos e cúmplices do mundo da música como James Taylor, o guitarrista fantástico Danny Kortchmar, o produtor Peter Asher, o casal de compositores Barry Mann e Cynthia Weil, a letrista Toni Stern (parceria dela em hits como It’s Too Late), o produtor Lou Adler e outros.

Natural Woman aproveita muito bem o curto espaço de tempo para abranger uma brilhante carreira que beira 60 anos e equivale a um belíssimo cartão de apresentações para quem não tem muita ideia de quem seja essa tal de Carole King. Duvido que, após ver esse documentário, você não se disponha a ouvir mais, ver mais e saber mais sobre a obra dessa incrível artista, que além de ter uma obra incrível no pop-rock ainda arruma tempo para um ativismo civil muito importante. Temos até ela recebendo o importante prêmio Guershwin das mãos do então presidente americano Barack Obama em 2013.

Veja o trailer do documentário Natural Woman:

Serguei, o Último Psicodélico, um documentário certeiro e delicioso

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Por Fabian Chacur

Sergio Augusto Bustamante é, acima de tudo, um grande personagem. Poucos roteiristas seriam capazes de conceber uma trajetória tão fascinante e cheia de idas e vindas quanto as vividas na realidade por este cantor e compositor carioca, mais conhecido pelo nome artístico Serguei. Enfim essa vida, louca vida ganhou um documentário, o genial Serguei, O Último Psicodélico (2017), que o Canal Brasil está exibindo em dezembro. Para quem ainda não viu, o canal a cabo programou o filme para os dias 27 (quinta) às 8h20 e 30 (domingo) às 5h10. Absolutamente essencial.

Com 1h55 minutos de duração, o documentário dirigido por Ching Lee e Zahy Tata Pur’gte mergulhou fundo no seu tema, com direito a raras cenas de programas de TV (algumas em condições não muito ideais em termos técnicos, mas valendo pela raridade) e deliciosas entrevistas com o próprio cantor e pessoas que conviveram ou convivem com ele, um saco de gatos que inclui Erasmo Carlos, Alcione, Angela Maria, Michael Sullivan, Ney Matogrosso e Sylvinho Blau Blau, só para citar alguns.

Nascido em 8 de novembro de 1933, Serguei trabalhou em banco e foi comissário de bordo antes de mergulhar de vez no mundo artístico, isso quando já havia passado dos 30 anos. Ousado, usava roupas transgressivas e primava pela irreverência, isso em plena Ditadura Militar. Seu carisma o levou a participar em mais de 20 ocasiões do Programa Flávio Cavalcanti, cujo apresentador era um conservador de marca maior, mas que não rasgava notas de 100 dólares. Ele sabia que aquele maluquete dava audiência, e muita.

Das inúmeras pessoas com quem manteve amizade e relacionamentos afetivos, Janis Joplin foi de longe a mais importante, e essa passagem bacana de sua vida é muito bem enfocada no documentário, com direito a um surpreendente depoimento de Alcione, que na época (1970) cantava na noite e presenciou o dueto de Serguei e a cantora americana no palco de uma boate carioca. Fotos bem bacanas de arquivo também ilustram essa parte, assim como depoimentos do onipresente Nelson Motta.

Lógico que a música marca presença, e temos a oportunidade de ouvir várias interpretações deste roqueiro de corpo e alma, que gravou muito menos do que merecia nesses anos todos. Os incríveis singles As Alucinações de Serguei (1967) e Eu Sou Psicodélico (1968) e a versão Rolava Bethânia (Roll Over Beethoven, de Chuck Berry) são destaques, assim como suas releituras de Summertime e Move Over, cavalos de batalha de Janis Joplin.

Aos 85 anos de idade, Serguei conseguiu ver o seu trabalho venerado neste belo documentário, que tem como marcas a irreverência, a busca pelos detalhes e a abrangência de mostrar um pouco de tudo o que esse cara viveu nesse tempo todo, incluindo suas participações no Rock in Rio, a gravação de um LP pela BMG em 1991 com produção de Michael Sullivan e muito mais. Nada melhor do que receber as flores em vida, e Serguei, O Último Psicodélico é exatamente isso. Toca, toca, toca rock and roll!!!

Leia mais sobre Serguei aqui .

Veja o trailer de Serguei, O Último Psicodélico:

David Crosby surpreende com novo CD e um documentário

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Por Fabian Chacur

No incrível frescor de seus 77 anos de idade, David Crosby mostra estar mais produtivo do que nunca. Em outubro, lançou nos EUA o álbum Hear If You Listen, trabalho colaborativo ao lado dos músicos Michael League, Becca Stevens e Michelle Willis, seu quarto álbum em cinco anos. De quebra, será exibido pela primeira vez em janeiro de 2019, no festival de cinema Sundance, realizado anualmente em Park City, Utah (EUA), o documentário David Crosby: Remember My Name. Ufa!

Com direção a cargo do oscarizado diretor e jornalista Cameron Crowe (Quase Famosos, Jerry Maguire a Grande Virada), David Crosby: Remember My Name dá uma geral na incrível trajetória do lendário cantor, compositor e músico americano. Em entrevista à ABC Radio (EUA), ele comentou sobre o filme:

“Cameron me conhece muito bem, e é um ótimo entrevistador e um cara muito esperto. Ele me fez perguntas bem difíceis que eu respondi o mais honestamente que eu humanamente pude”. Ao contrário de outras atrações do gênero, Crosby garante que seu documentário tem poucas aparições de músicos e amigos famosos, com uma exceção: Roger McGuinn, seu parceiro nos Byrds, primeira banda de sucesso da qual fez parte, na década de 1960.

Inédito no Brasil, assim como os três álbuns anteriores (leia mais sobre esses trabalhos aqui), Hear If You Listen reúne Crosby com três músicos que marcaram presença nesses recentes CDs, mas que desta vez apareceram de forma mais efetiva, como se fossem uma banda. Eles atualmente fazem alguns shows pelos EUA, divulgando o álbum.

Ouça 1974, do CD Here If You Listen:

George Michael se revela por completo em documentário

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Por Fabian Chacur

Muitas pessoas questionam a idoneidade de documentários sobre artistas que contam com a autorização dos mesmos para serem realizados, pois teoricamente permitiriam a eles ocultar fatos de suas vidas que achassem convenientes serem escondidos. No caso de George Michael, fica difícil contestar Freedom, que ele codirigiu e criou em parceria com o diretor David Austin. Lançado na Inglaterra em outubro de 2017, ele será exibido nesta sexta (6) às 7h e neste sábado (7) às 11h50 no canal a cabo Bis (saiba mais aqui).

O documentário estava praticamente concluído quando o cantor, compositor e músico britânico nos deixou, no dia de natal de 2016. Esse fato é revelado em seus primeiros minutos, pela modelo Kate Moss. Acabou se tornando uma espécie de despedida do astro, e de uma forma franca, aberta e abrangente. Temos entrevistas antigas e outras feitas especialmente para a atração por ele, além de depoimentos de celebridades como Elton John, Stevie Wonder, Ricky Gervais, Liam Gallagher, Nile Rodgers, Clive Davis, Mary J. Blige e diversos outros.

Valendo-se de vasto material de arquivo, o filme mostra George desde seus tempos de Wham!, duo criado com o amigo de infância/adolescência Andrew Ridgeley que o emplacou no primeiro escalão da música pop na primeira metade dos anos 1980, passando pelo megaestouro na carreira solo logo com seu primeiro álbum nessa fase, Faith (1987), que vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o planeta e permitiu a ele encarar Madonna, Michael Jackson e Prince na época, em termos de popularidade e prestígio.

Sem papas na língua, o autor de Father Figure admite que após os dez meses de duração da turnê que divulgou Faith, em 1988, ficou no “limite da sanidade”, e que, por isso, resolveu tomar uma opção radical para seu próximo álbum, Listen Without Prejudice Vol.1 (1990): não teria sua foto na capa do disco, não apareceria em seus videoclipes e também não promoveria o álbum com entrevistas.

O escritório americano da gravadora Sony, com a qual ele tinha contrato, não aceitou a proposta, e passou de forma velada a sabotar a divulgação do trabalho. Isso gerou uma extensa briga jurídica que levou o astro e a gravadora aos tribunais, em um processo que durou anos e se encerrou de forma desvantajosa para Michael. Esse embate é ilustrado com depoimentos do cantor e também de integrantes da sua equipe e da direção da gravadora naquele período, dando uma visão bem abrangente das posições dos lados envolvidos. Bem democrático.

Se depois conseguiu dar continuidade à sua carreira, esse lado profissional conturbado teve outro ponto a agravar a vida do artista na primeira metade da década de 1990: seu breve, porém marcante relacionamento com o brasileiro Anselmo Feleppa (1956-1993), que conheceu quando se apresentou no Rock in Rio, em janeiro de 1991. “Fui feliz com ele como nunca havia sido antes na minha vida”, afirma. Ele dedicou a música Jesus To a Child e o álbum Older (1996) ao ex-companheiro, além de definir esse CD como sobre luto (sua mãe morreu na mesma época, outro duro golpe sofrido por ele) e recomeço.

Bem franco ao falar sobre sua vida pessoal e profissional, Michael também é bem descrito por seus amigos e parceiros. Uma boa surpresa é saber o quanto o sempre ácido e irreverente Liam Gallagher, ex-vocalista do Oasis, era fã dele, elogiando-o de forma entusiástica. Stevie Wonder comenta sobre a química existente entre ele e George, que regravou e cantou em shows diversas músicas do autor de You Are The Sunshine Of My Life: “é algo que não dá para fingir”.

Um ponto bacana da personalidade de George Michael descrita pelo ator Ricky Gervais é a sua capacidade de nunca fugir de um assunto, mesmo os mais constrangedores ou polêmicos, como sua homossexualidade ou escândalos protagonizados por ele. O videoclipe da sensacional Freedom 90, protagonizado pelas cinco supermodelos mais badaladas da época, também é destrinchado de forma minuciosa, com depoimentos das beldades envolvidas.

Lógico que, em meio a tudo isso, a obra do astro pop aparece com destaque, ficando claro o como esse cara nos deixou um legado muito precioso em termos musicais, passando por pop, rock, black music, jazz etc, sempre com uma voz poderosa e recheada de alma. Compositor talentoso, ele também sabia como poucos interpretar material alheio, como suas expressivas e vibrantes releituras de Somebody To Love (Queen) e As (Stevie Wonder) deixam bem claro.

Franco, direto e sem maquiar incoerências e fraquezas, Freedom (o documentário) nos mostra um ser humano contraditório, mas repleto de pontos positivos, e que merece ser relembrado por tudo o que fez de bom durante seus 53 anos de vida. Um filme que nos faz rir, refletir, chorar e principalmente querer ouvir cada vez mais os ótimos trabalhos que George Michael nos deixou, um legado mais do que precioso.

Freedom ainda não foi lançado em DVD/Blu-ray, só estando disponível na programação de canais a cabo ou de streaming por demanda. Se sair em formato físico, compre na hora, se for fã do artista, pois valerá cada centavo que você pagar por ele. E uma dica: prepare o lenço na parte final de seus 95 minutos de duração, pois fica difícil não verter lágrimas, muitas lágrimas, nesses instantes finais.

Veja trechos do documentário Freedom:

The Beatles in India: filme vai ser lançado ainda este ano

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Por Fabian Chacur

Em fevereiro de 1968, os Beatles viajaram para Rishikesh, na Índia, com o intuito de estudar meditação transcendental com o guru local Maharishi Mahesh Yogi, que eles haviam conhecido em uma viagem do indiano pela Inglaterra no ano anterior. Essa curiosa passagem da trajetória da banda britânica é o tema do documentário The Beatles in India, que segundo informações da revista britânica Uncut, deve ser lançada mundialmente por volta de outubro.

Paul Saltzman é um fotógrafo e cineasta canadense que tinha 23 anos quando teve a oportunidade de conhecer os Beatles na Índia, por absoluta coincidência. Convidado a conviver com eles naquela experiência, fez fotos e filmagens que registaram aquele momento de redescoberta do quarteto britânico. Seu documentário dá uma geral na viagem, e mostra os registros e também as músicas que, compostas lá, acabariam integrando o célebre Álbum Branco (cujo título de fato é simplesmente The Beatles), lançado naquele mesmo 1968.

Com mais de 300 filmes no currículo, entre documentários e dramas, Paul Saltzman tem em seu currículo o badalado Prom Night In Mississipi (2008), e também integra projetos humanitários. Uma exposição permanente de suas fotos dos Beatles na Índia tem como local um espaço no John Lennon Airport, em Liverpool, Inglaterra. Ele lançou dois livros com reproduções de suas célebres fotos, The Beatles in Rishikesh (2000) e The Beatles in India (2006), este último em edição limitada.

Dear Prudence (c/cenas do grupo na Índia)- The Beatles:

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