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Sergio Mendes promete CD e um documentário para 2018

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Por Fabian Chacur

Aos 76 anos de idade muito bem vividos, Sergio Mendes não parece disposto a desacelerar. Pelo menos, essa é a conclusão que temos ao saber de suas boas novidades. Segundo a edição americana do site da Billboard, o músico e produtor brasileiro conhecido no mundo todo promete para 2018 um novo álbum e também um documentário sobre seus mais de 60 anos de carreira. Ou seja, vem coisas boas, muito boas, por aí.

O documentário será dirigido por John Scheinfeld, conhecido por trabalhos muito bons nessa área específica, entre os quais destacam-se The U.S. Vs. John Lennon (2006), Who Is Harry Nilsson? (2006) e Chasing Time: The John Coltrane Documentary (2016). Teremos uma geral na carreira dele, com direito a cenas de arquivo, entrevistas e também registros de shows que o maestro fará este ano, e para os quais está atualmente ensaiando no Rio de Janeiro.

Quando ao CD, o que se divulgou até o momento é que terá músicas inéditas e também algumas releituras de clássicos do seu repertório. O parceiro Will.i.am, do Black Eyed Peas, que já atuou junto com ele no álbum Timeless (2006), trabalhará com Mendes em algumas faixas, e outros nomes das novas gerações devem marcar presença. Vale lembrar que ele já bateu bola com astros atuais como John Legend, India Arie, Jill Scott e Justin Timberlake, entre outros.

Sergio Mendes nasceu em Niterói (RJ) em 11 de fevereiro de 1941, e ainda novo se destacou na então ainda emergente bossa nova, no finalzinho dos anos 1950/começo dos anos 1960. Com o tempo, percebeu que poderia ter futuro no mercado internacional e se mudou para os EUA, após ter lançado alguns discos por aqui. Em 1966, lançou Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil 66, álbum do qual foi extraído o single Mas Que Nada, de Jorge Ben, que rapidamente o levou ao top 10 da parada ianque.

A seguir, o bandleader se mostrou craque não só em dar um formato pop à bossa nova como também a “bossanovear” clássicos da música pop daquela época, como The Fool On The Hill (dos Beatles) e The Look Of Love (de Burt Bacharach e Hal David). O seu som orquestral balançado e sempre com vocalistas femininas, entre as quais Lani Hall e Gracinha Leporace (com a qual se casaria), soube se manter atualizado.

Tanto que volta e meia ele volta às paradas de sucesso, o que ocorreu em 1983 com o single Never Gonna Let You Go, em 1992 com o álbum Brasileiro e em 2006 com o CD Timeless. Em seu currículo, milhões de álbuns vendidos e três troféus Grammy, o Oscar da música.

Curiosamente, ele sempre foi detonado por boa parte dos críticos no Brasil, durante décadas, algo que só se reduziu de uns anos para cá. Como dizem por aí, a verdade e o talento sempre vencem, no fim das contas. Bem, nem sempre, mas ao menos neste caso específico.

The Fool On The Hill- Sergio Mendes:

DVD Mr. Dynamite viaja pela trajetória de James Brown

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Por Fabian Chacur

James Brown (1933-2006) teve uma vida que nem mesmo o mais criativo roteirista de cinema poderia ter imaginado, de tão fascinante e improvável. Criado por uma tia em uma casa de prostituição, preso ainda muito novo, encrenqueiro, poderia perfeitamente ter morrido jovem e desconhecido. Pois o cara não só sobreviveu como ainda virou um dos nomes mais importantes e influentes da história da música pop. Essa trajetória é contada de forma crua e sem rodeios em Mr. Dynamite- The Rise Of James Brown, documentário que a Universal Music acaba de lançar em DVD no Brasil.

Com produção de ninguém menos do que Mick Jagger e direção de Alex Gibney, o documentário traz riquíssimo material de arquivo, com direito a registros de shows, trechos de entrevistas concedidas pelo protagonista do filme em diversos momentos de sua vida e, creme do creme, entrevistas atuais com alguns dos músicos mais próximos a ele e integrantes de suas bandas de apoio, que tiveram importância decisiva para que o cara chegasse onde chegou.

Aliás, uma das grandes virtudes do documentário é a franqueza com que os músicos falam sobre o antigo patrão. Elogiam quando é o caso, mas baixam o cacete no cara nas horas certas, sem pintar um quadro de santinho que qualquer pessoa que conheça um pouco da vida de James Brown sabe que ele nunca foi e nunca quis ser, por sinal. O com lembranças mais afetivas é o baixista William “Bootsy” Collins, e o mais amargo é o saxofonista Maceo Parker.

As revelações sobre como era James Brown como bandleader são simplesmente deliciosas. Melhor não ficar contando muito para não estragar a surpresa de quem ainda não viu. Mas vou entregar uma passagem fantástica: a lembrança do baterista Melvin Parker, quando apontou a arma e ameaçou Brown, quando este vinha em direção a seu irmão Maceo pronto para enfiar uma muqueta em sua cara, nos bastidores após a realização de um show. Inacreditável.

O início difícil, as inseguranças, a criação do seu som, as mudanças da banda, a evolução da soul music para a funk music, está tudo ali, detalhado, de forma muito boa de se ver. Seu incoerente posicionamento político também é exposto, com guinadas da esquerda à direita. Mas o mais importante fica sempre em evidência, a genialidade criativa de um cara que rompeu barreiras e ganhou fãs nos quatro cantos do mundo. E a seção de extras traz 27 minutos de depoimentos adicionais, sendo que o documentário tem mais de duas horas.

Obs.: nos extras, temos também uma excepcional parceria gravada ao vivo lá pelos idos de 1976 no legendário programa de TV Soul Train reunindo James Brown, B.B.King e Bobby “Blue” Bland, que por si só já valeria a aquisição deste DVD.

Mr. Dynamite- The Rise Of James Brown-em streaming:

Funky Drummer– James Brown:

Cold Sweat– James Brown:

Belo documentário do Premê sai em DVD repleto de extras

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Por Fabian Chacur

Uma das melhores notícias para os fãs da música brasileira sem rótulos ou definições pré-determinadas foi o lançamento em 2015 do ótimo documentário Quase Lindo, de Alexandre Sorriso e Danilo Moraes, dando uma bela geral na carreira do genial Premê (ex-ou eterno Premeditando o Breque). Pois temos outra nova bacana: o filme agora está disponível em DVD, com direito a muitos extras essenciais. Imperdível é pouco.

A resenha sobre Quase Lindo publicada em abril de 2015 por Mondo Pop você pode ler aqui. Lógico que sempre dá para acrescentar algumas opiniões. Uma delas é de como é gostoso ver o material de arquivo sendo tão bem encadeado, nos dando a oportunidade de não só relembrar ou conhecer a banda como também viajar rumo a uma era muito distante, dos Bolinhas, Hebes e quetais. Bons tempos…

Mas é legal também ver que o som do Premê continua atual, bom de se ouvir e absolutamente original. Que algumas de suas músicas tenham sido tocadas em rádio e TVs é prova de que estávamos então em tempos mais democráticos em termos de mídia. Hoje, provavelmente o grupo paulistano teria de se virar no meio virtual, mesmo. Uma música ao mesmo tempo intrincada e acessível, sofisticada e capaz de ser popular. Um achado musical do mais alto quilate.

O lançamento em DVD de Quase Lindo proporciona aos fãs e interessados em conhecer a obra desta banda surgida em meados dos anos 1970 na gloriosa USP fica por conta dos extras, que equivalem a rigor a um outro documentário. Se o filme original conta com 69 minutos de duração, temos na sua versão física nada mais do que 102 minutos aproximadamente de material adicional. E não é qualquer coisa, não.

Como que para compensar a quase inexistência de depoimentos atuais no filme, os extras trazem apenas e tão somente entrevistas novas feitas especialmente para o documentário. Foram ouvidos os integrantes das várias formações do grupo, empresários, produtores, amigos, críticos etc, todos com boas lembranças, opiniões e “causos” referentes à anárquica trajetória do Premeditando o Breque.

Lógico que alguns críticos ou espectadores poderiam imaginar o material total (somando filme e extras), com quase três horas de duração, editado de forma diferente e mesclando entrevistas e cenas de arquivo em uma produção com algo em torno de 1h40, seguindo uma linha mais convencional. Mas teria isso algo a ver com o Premê, essa incrível bagunça organizada que de bagunça não tinha nada?

No geral, Quase Lindo, o DVD, com seus extras complementares, equivale à experiência completa e indispensável para quem deseja ir fundo nesses anos incríveis vividos por Wandi, Manga, Marcelo, Klaus, Osvaldo e companhia bela. E fica a torcida para que o grupo possa voltar para um desses shows comemorativos, uma hora dessas.

Fim de Semana– Premê:

Pinga Com Limão– Premê:

Carrão a Gás (Tração nas 4)- Premê:

Documentário sintetiza bem o fenômeno Amy Winehouse

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Por Fabian Chacur

O início do documentário Amy, de Asif Kapadia, mostra cenas caseiras de uma então adolescente Amy Winehouse brincando com as amigas e se deliciando com um pirulito daqueles redondos. Aquela ingenuidade permearia toda a curta trajetória dessa grande cantora, que nos deixou de forma prematura. O filme será exibido em São Paulo em sessões exclusivas na Rede Cinemark, e é absolutamente essencial para os fãs de boa música pop, jazz etc. Traz o making of de uma estrela trágica sem rodeios.

Miss Winehouse é de uma era na qual a documentação de cenas caseiras tornou-se rotineira até para famílias de classe média baixa. Então, o diretor teve acesso a um material dos mais ricos, que soube aproveitar com maestria, dando vida a uma viagem intensa e nem sempre muito agradável pelos 27 anos de vida da cantora, compositora e musicista.

Além de reveladores filmes caseiros, também temos material extraído das entrevistas concedidas pela autora e intérprete de Rehab para programas de rádio e TV, nas quais sempre se mostrava direta, aberta e sem frescuras, embora em alguns momentos aparentasse ser vítima do uso excessivo de drogas, não falando coisa com coisa.

A incrível beleza e força de sua voz se mostrava desde criança, e progrediu a ponto de simplesmente encantar os dirigentes da gravadora Universal, quando ela foi contratada em 2003. No ano seguinte, lançou o álbum Frank, trabalho que a tornou extremamente badalada no Reino Unido e Europa, criando um clima de atenção em cima dela.

Seu envolvimento amoroso com Blake Field-Civil, com quem ficou casada durante três anos, ampliou seu envolvimentos com drogas, assim como sua incapacidade de lidar de forma tranquila com as consequências oriundas do sucesso comercial. O filme nos mostra que ela esteve próxima de sair de cena antes mesmo de gravar o álbum que a tornou um estouro mundial.

Felizmente, ou não, Back To Black saiu em 2006, e a partir daí o furacão Amy Winehouse tomou conta do mundo, especialmente dos EUA, onde o CD chegou ao segundo lugar na parada pop e vendeu milhões de cópias. Mais: rendeu a ela cinco troféus Grammy, o Oscar da música, em fevereiro de 2008. O cenário do seu fim precoce estava pronto.

A partir do sucesso de músicas maravilhosas e envolventes como Back To Black (“nossa, que final triste”, comenta ela, após gravar a canção com o produtor Mark Ronson), Rehab (tirando sarro dela mesma ter tentado uma internação para se curar dos efeitos gerados pelas drogas, sem sucesso) e Tears Dry On Their On, Amy ganhou as manchetes e também a perseguição da mídia e dos papparazzi, especialmente os britânicos.

O documentário flagra algumas dessas perseguições, e se chega às raias do insuportável para quem as vê na tela, imagine para a protagonista daqueles ataques à privacidade. Temos a cantora em alguns momentos peitando fotógrafos que a atingiram fisicamente, empolgados para ter registros escandalosos. Pior: a mídia ajudou a transformá-la em alvo de piadas cruéis e politicamente incorretas até a medula.

Era difícil para Amy para aguentar. Para onde olhasse, só tinha “amigos do alheio” ao seu redor. De um lado, fãs do tipo “olha lá, que legal, ela é muito doida”, similares a alguns que seguiram Raul Seixas e o curtiram pelas razões erradas. Do outro, gente a ridicularizando, como se ela fizesse aquelas presepadas por querer, e não por estar doente.

Para piorar, tinha a seu lado (a seu lado?) um pai, Mitchell, que sempre se preocupou apenas com o que a filha poderia lhe render em termos financeiros, sendo capaz de invadir por várias vezes um recanto em que a estrela tentava se refugiar do mundo hostil levando a tiracolo uma equipe de filmagem no melhor estilo “reality show picareta” para botar tudo no ar. O horror! Joe Jackson teve um “bom” seguidor, pelo visto…

Em meio a tudo isso, temos também a chance de ouvir ela mostrando seu imenso talento em interpretações de alguns de seus grandes hits, covers bacanas e mesmo o registro de seu encontro com o ídolo Tony Bennett, já perto do fim de sua curta vida, quando o mestre do jazz esbanja generosidade e paciência para com ela, que no fim arrasa em dueto com ele no standard Body And Soul, infelizmente lançado só quando a moça já não estava mais entre nós.

Amy (o documentário) pega leve com sua triste morte, apenas mostrando a remoção de seu corpo (devidamente coberto) e com algumas reações de fãs. As entrevistas com figuras fundamentais em sua trajetória, como os produtores, músicos e amigos, também nos ajuda a entender essa vida tão conturbada. A música incidental, a cargo de Antônio Pinto, é sublime, especialmente o tema tocado na parte dedicada à morte de Amy. De arrepiar!

Está previsto para 2 de novembro (no exterior, ao menos) o lançamento de Amy em DVD e Blu-ray, e também de uma trilha sonora incluindo gravações inéditas da intérprete-compositora e também as faixas feitas por Antônio Pinto. Desde já, podem ser considerados como objetos de desejo para o Natal de 2015. E, quatro anos após sua morte. a música de Amy Winehouse continua arrepiando, sinal de que veio para ficar.

Trailer do filme Amy:

Amy com Mark Ronson no estúdio, cena do filme Amy:

Tears Dry On Their Own– Amy Winehouse (clipe):

Procurando Sugar Man chega ao formato DVD com extras

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Por Fabian Chacur

A saga de Sixto Rodriguez é daquelas que supera de longe qualquer tipo de ficção, com alternativas dignas dos melhores novelistas e roteiristas de cinema. Essa história fantástica é o mote do documentário vencedor do Oscar em 2013 Procurando Sugar Man (Searching For Sugar Man), que chega ao Brasil no formato DVD com belos extras. E o enredo não para de ganhar novos e bons capítulos.

Para quem não conhece, vale relatar a trajetória do cantor, compositor e músico americano descendente de latinos Sixto Rodrigues. Nascido em 10 de julho de 1942, ele ganhou experiência tocando em bares na cidade de Detroit, lar da Motown Records. Tocando uma mistura de folk, rock e bittersweet rock, foi descoberto pelos músicos e produtores Dennys Coffey e Mike Theodore, ambos egressos da Motown.

Contratado pela gravadora Sussex, de outro oriundo da Motown, Clarence Armant, Rodriguez lançou em 1970 Cold Fact. Embora elogiado, o LP não vendeu nada, assim como seu sucessor, Coming From Reality, produzido por Steve Rowland e lançado em 1971. Pior: foi logo a seguir demitido da gravadora. Um final que parecia infeliz.

Se não teve sucesso algum em sua terra natal, o que Rodriguez não soube na época é que Cold Fact não só foi lançado como se transformou em um enorme sucesso de vendas na longínqua África do Sul, vendendo algo em torno de 500 mil cópias por lá e o tornando mais popular naquele país do que Elvis Presley e os Rolling Stones.

Só que ninguém no país africano sabia nada sobre Rodriguez. Havia, inclusive, mitológicas explicações sobre seu sumiço, do tipo “botou fogo no próprio corpo” ou “atirou na própria cabeça durante um show”. Como se tratava de um país que viveu durante anos oprimido por uma violenta ditadura, sem contatos efetivos com o exterior, a lenda se manteve.

Até que, em meados dos anos 1990, o fã Stephen Segerman (que recebeu o apelido Sugar em função da música Sugar Man, do artista americano) foi questionado por uma amiga sul-africana que estava morando nos EUA onde poderia comprar uma cópia de Cold Fact. Ele descobriu que ninguém sabia desse disco nos EUA, e nem quem era o tal de Rodriguez, que para eles era um astro americano, e não um ninguém.

Aí, Segerman criou um site na então ainda emergente internet tentando encontrar pistas de Rodriguez. De quebra, fez o texto para o encarte do lançamento em CD de Coming From Reality, alertando para a falta de informações sobre Rodriguez e “convocando” detetives musicais para resolver aquele mistério. E o jornalista sul-africano Craig Bartholomeu-Strydom topou o desafio.

Conseguiram, depois de muita batalha, o contato do produtor Dennis Coffey, e ligaram para ele em Detroit. Lá, tiveram a notícia inesperada: Rodriguez ainda estava vivo. Logo em seguida, em mensagem publicada no site de busca, ninguém menos do que uma das filhas de Rodriguez entrou em contato com eles, passando os contatos dela e dele.

Resumo da ópera: Rodriguez foi convidado a se apresentar na África do Sul em 1998, foi tratado como um astro do rock e lotou ginásios em três shows por lá. Desde então, voltou e fez mais de 30 shows. Ele também ficou popular na Austrália, onde se apresentou em 1979 e 1981, mas em escala menor do que no país africano.

Só faltava o resto do mundo conhecer essa história fascinante, e isso ocorreu quando o jovem aspirante a diretor e roteirista de cinema sueco Malik Bendjelloul ficou sabendo dessa história através de Segerman e resolveu encarar o desafio de fazer um documentário. Foram quatro anos de muitas dificuldades e investimentos próprios. Até que seu sonho virou realidade.

Procurando Sugar Man estreou no mítico festival de Sundance nos EUA e desde então conquistou o mundo. Ganhou o Oscar de melhor documentário em 2013, merecidamente. E conta essa história com riqueza de detalhes, entrevistas suculentas, belas cenas de arquivo e criativas artes para ilustrar momentos importantes não documentados. E tem as músicas, belíssimas.

Fica difícil entender o porque Rodriguez não fez sucesso nos anos 1970. Seu trabalho tem tudo a ver com o espírito daquela época, um bittersweet rock recheado de afinidades com os trabalhos de Cat Stevens, James Taylor, Bob Dylan e Jose Feliciano (cujo timbre vocal é bem semelhante ao seu) e canções sublimes como Sugar Man, I Wonder, I Think Of You, I’ll Sleep Away e outras.

O mais curioso é saber que, nessas décadas longe dos holofotes, Rodriguez criou as três filhas trabalhando no ramo da construção civil, dando duro e carregando geladeiras nas costas, por exemplo. Sua postura zen, no entanto, não nos leva a crer que ele tenha encarado isso como sofrimento. Aguentou tudo, e soube encarar o sucesso tardio.

Os dois álbuns dele foram relançados nos EUA depois do sucesso do filme. Juntos, venderam mais de 300 mil cópias, e a trilha do documentário também vendeu muito bem. Ele tem feito shows pelos EUA e Europa e participado dos programas de TV de maior audiência, e não está descartada a hipótese do lançamento de um novo disco de canções inéditas.

Mas Procurando Por Sugar Man não teve apenas desdobramentos positivos. Malik Bendjelloul ganhou o Oscar com seu primeiro longa, mas não segurou a onda. Começou a trabalhar como roteirista em Hollywood e se afastou dos amigos e das pessoas mais próximas. Voltou a Estocolmo e, no dia 13 de maio de 2014, jogou-se nos trilhos do metrô da cidade, suicidando-se aos 36 anos de idade. Uma tragédia horrível.

Chega a ser difícil ver, nos extras do DVD, a boa entrevista concedida por Malik à TV alemã na qual fala sobre como fez o filme, suas experiências anteriores e seus planos para um futuro que, hoje sabemos, não viria. O making of do filme também é repleto de cenas com ele, Rodriguez e os entrevistados. Triste fim para um autor tão promissor, e mais um capítulo em uma saga simplesmente fascinante. Tipo do DVD essencial para os fãs de cinema e de música.

Sixto Rodriguez -Cold Fact – CD em streaming:

Coming From Reality- Sisto Rodriguez (CD em streaming):

Dead Men Don’t Tour – Rodriguez in South Africa 1998 (TV Documentary):

– Veja Procurando Sugar Man:

Projetos homenageiam Mestre Dominguinhos

Por Fabian Chacur

Em 2013, tivemos a lamentável perda de Dominguinhos (leia matéria de Mondo Pop sobre o mestre aqui). Para felicidade de seus inúmeros fãs, dois belos projetos irão ajudar a preservar a memória desse inesquecível cantor, compositor e músico pernambucano, ambos capitaneados pela cantora e compositora Mariana Aydar.

O primeiro a ver a luz do dia é a websérie Dominguinhos+, cujo teaser estará disponível a partir desta terça-feira (11) no portal Natura Musical (acesse aqui). São oito capítulos, que irão ao ar sempre às quartas-feiras entre os dias 26 de fevereiro e 16 de abril, sendo que o episódio inicial poderá ser visto com exclusividade no portal Natura Musical no dia 25 de fevereiro.

A websérie nos oferece os registros das últimas performances em estúdio do autor de Eu Só Quero Um Xodó, nas quais ele teve como convidados Hermeto Pascoal, João Donato, Wilson das Neves, Luiz Alves, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Lenine, Mayra Andrade, Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, Djavan e a Orquestra Jazz Sinfônica, com direito a bate-papo e performances musicais inesquecíveis entre o artista e seus amigos.

O documentário intitulado Dominguinhos e com previsão de exibição nos cinemas a partir do mês de maio mesclam imagens de arquivo (com narração do próprio Dominguinhos) e entrevistas recentes, além de cenas de shows famosos na trajetória do músico oriundo de Garanhuns (PE), entre eles um que reuniu de forma descontraída ele e seu padrinho musical, ninguém menos do que o mestre Luiz Gonzaga, o Gonzagão.

Os dois projetos de Mariana Aydar começaram a ser desenvolvidos há seis anos, e obtiveram o apoio do programa Natura Musical em 2010. Participaram da produção deles a produtora audiovisual paulistana bigBonzai e também Duani, Eduardo Nazarian, Deborah Osborn, Felipe Briso e Gilberto Topczewski. Onde quer que esteja, Mestre Dominguinhos certamente estará sorrindo feliz com a concretização dessas obras tão bacanas e relevantes.

Onde Está Você, com Dominguinhos e Mariana Aydar, gravado em 2011:

Documentário mostra o genial Levon Helm

Por Fabian Chacur

A distribuidora Kino Lorber lançará nos EUA no dia 8 de outubro de 2013 nos formatos DVD e Blu-ray o documentário Ain’t it For My Health: A Film About Levon Helm. Dirigido por Jacob Hatley, trata-se de um filme sobre o saudoso e genial baterista, cantor e compositor americano Levon Helm (1940-2012), um dos integrantes da seminal banda americana The Band.

O documentário traz cenas registradas por seus produtores durante quase três anos, entre 2007 e 2010, quando Helm, mesmo lutando contra um câncer na garganta que quase levou de vez a sua voz, conseguiu se recuperar o suficiente para lançar os álbuns solo Dirt Farmer (2007) e Electric Dirt (2009), que lhe renderam boas vendagens, troféus Grammy e grande reconhecimento por parte de crítica e público.

O músico americano é flagrado em sua casa, tocando e se relacionando com amigos como o ator e cantor Billy Bob Thornton e com a filha Amy, com quem começou a recuperação de voz fazendo backing vocals, inicialmente, para depois retomar os microfones. Também foram utilizadas cenas de arquivo registrando o artista em seus tempos de The Band, no mítico Festival de Woodstock em 1969 e em participação no Ed Sullivan Show.

Único americano na formação original do The Band, que foi criado no Canadá, Levon Helm se destacou como grande vocalista e um baterista excepcional. Além de atuar no The Band, que viveu o seu auge nas décadas de 60 e 70, ele também teve uma elogiada carreira solo e trabalhou como ator em diversos filmes, entre os quais Coal Miner’s Daughter (1980), cinebiografia da cantora country Loretta Lynn.

Diagnosticado com câncer na garganta em 1998, Levon teve de passar por inúmeras sessões de radiação e sofreu absurdamente, ficando um bom tempo sem poder cantar ou até mesmo falar. Sua luta contra a doença foi valorosa, e mesmo tendo sido finalmente vitimado por ela em 19 de abril de 2012, ele ao menos conseguiu gravar novos discos e ter um fim mais do que digno.

Veja os trailers de Ain’t In It For My Health: A Film About Levon Helm:

Filme mostra a história do Sound City

Por Fabian Chacur

O que nomes tão diferentes entre si como Fleetwood Mac, Dio, Nirvana, Barry Manilow e Rage Against The Machine tem em comum? Todos gravaram discos no Sound City, um dos estúdios mais badalados da história da música popular. Sua fascinante história é o mote do documentário Sound City, já disponível no Brasil em DVD e Blu-ray.

A ideia do filme surgiu da mente de Dave Grohl, que viu sua carreira ganhar projeção mundial após gravar o álbum Nevermind com o Nirvana por lá em 1991. Mal sabia ele que aquele estouro também significaria muito para o Sound City, naquele momento em vias de fechar.

A história desse mitológico estúdio teve início em 1969, quando Joe Gottfried se associou a Tom Skeeter e ambos iniciaram o estúdio no espaço antes usado pela empresa britânica Vox em Van Nuys, Los Angeles, Califórnia. Os anos iniciais não foram muito animadores, embora Neil Young e até o abominável Charles Manson tenham gravado por lá.

A coisa embalou quando os proprietários resolveram investir em uma mesa de gravações de primeira e encomendaram um modelo exclusivo da inglesa Neve. As primeiras gravações feitas nela tiveram como protagonistas dois então ilustres desconhecidos: o cantor e guitarrista Lindsey Buckingham e a cantora Stevie Nicks.

O então casal gravou por lá o álbum Buckingham Nicks (1973), que mais de um ano depois serviu como apresentação da qualidade técnica do local para o baterista Mick Fleetwood, do Fleetwood Mac, que procurava um lugar para gravar o novo álbum da banda. Ele também procurava um guitarrista, e se apaixonou pelo som de Buckingham.

O músico impôs a entrada no grupo da namorada para aceitar o convite. Isso se concretizou, e o novo Fleetwood Mac gravou seu primeiro disco com a nova escalação por lá. O estouro daquele álbum autointitulado, lançado em 1975, não só impulsionou a banda rumo ao estrelato, como tornou o Sound City um dos mais badalados estúdios dos EUA.

O documentário de Dave Grohl mostra essa história com detalhes e depoimentos dos músicos que por lá gravaram clássicos do rock, gente do naipe de Tom Petty, os integrantes do Fleetwood Mac, Ronnie James Dio, Rick Springfield e até mesmo Barry Manilow, que gravou um disco de sucesso mediano por lá (Here Comes The Night, de 1982, com o hit Memory) e aparece como verdadeiro ET no filme.

O contraste entre a qualidade da mesa de som e da ambiência para a gravação de bateria do local e o aspecto de boteco de beira de estrada das suas instalações (sujo, poeirento, com móveis velhos) é bem apresentado, com direito a belos depoimentos de antigos funcionários, entre eles o consagrado produtor Keith Olsen.

Símbolo das gravações feitas com o sistema analógico, o Sound City viveu uma fase de vacas magras no fim dos anos 80, quando a tecnologia digital começou a tomar conta, mas o estouro de Nevermind deu a ele uma sobrevida, e a gravação por lá de clássicos como o disco de estreia do Rage Against The Machine e álbuns de Johnny Cash, Carl Perkins e Queens Of The Stone Age, entre outros.

A origem do documentário surgiu no momento em que Dave Grohl soube que o Sound City enfim iria fechar, e resolveu tentar comprar a célebre mesa Neve 8028. Quando a comprou e a levou para seu novo estúdio, o 606, ele decidiu fazer um filme registrando a história de lá e também uma outra, tão fascinante quanto.

Como forma de inaugurar o 606, Grohl teve a ideia de gravar um álbum com alguns amigos famosos, entre os quais Stevie Nicks, Paul McCartney, Butch Vig (produtor de Nevermind e líder da banda Garbage), o também ex-Nirvana Krist Novoselic, todo focado em músicas inéditas. O CD, intitulado Real To Reel e também já lançado por aqui, é ótimo, e os bastidores de suas gravações são a outra metade de Sound City.

Além de boa músicas e a revelação de incríveis bastidores da história do rock, o filme traz depoimentos do próprio Tom Skeeter, e de Rick Springfield admitindo de forma emocionante o jeito não muito correto com que se desligou de Joe Gottfried como empresário. Segundo ele, houve tempo para se desculpar com Gottfried antes de sua morte, ocorrida em 1992.

Sound City agrada como documentário histórico, documentário musical e puro entretenimento, e serve como uma bela homenagem ao estúdio que enfim encerrou suas atividades em 2011, não sem deixar saudades nos fãs do rock and roll. E a mesa Neve continua na ativa, graças a Dave Grohl. Esse cara é realmente incrível, e seu filme, idem.

Veja o trailer do documentário Sound City:

Gretchen Filme Estrada, bizarro e genial

Por Fabian Chacur

Adoro ver documentários sobre praticamente qualquer tema. Música, então, vira obrigação, por razões profissionais e também gosto pessoal. Neste sábado (15), tive a oportunidade de finalmente conferir Gretchen Filme Estrada (2010), e fiquei simplesmente estupefato. Bizarro e genial ao mesmo tempo!

Maria Odete Miranda virou Gretchen na segunda metade dos anos 70, e tornou-se sucesso nacional graças ao faro do produtor argentino radicado no Brasil Mister Sam. Ele sacou a sensualidade da jovem e soube oferecer a ela um repertório ideal, composto de pop dançante com tempero latino e muita simplicidade, ideais para sua voz de pequena extensão, embora bastante agradável. Deu certo.

Durante um período de aproximadamente cinco anos, a cantora levou às paradas hits dançantes como Freak Le Boom Boom, Melô do Piripiri (Je Suis La Femme) e Conga Conga Conga e se tornou figurinha fácil em programas populares de TV do tipo Silvio Santos e Chacrinha. Aí, Sam e Gretchen seguiram caminhos distintos, e o sucesso da moça acabou.

A partir de meados dos anos 80, Gretchen passou a viver do passado, dublando seus sucessos onde fosse possível. De tempos em tempos, tentava gravar novos hits, mas seus discos nunca mais venderam coisa alguma, e nem mesmo um breve retorno da parceria com Sam nos anos 90 reverteu tal situação, ou Marisa Monte cantar Conga Conga Conga em alguns shows.

Gretchen Filme Estrada surgiu com o intuito de registrar a campanha da moça para tentar ser eleita em 2008 prefeita de Itamaracá, em Pernambuco, onde se radicou há mais de uma década. Seu projeto era abandonar a vida artística e mergulhar de vez na política. Inacreditável, mas real. Quem será que deu a ela essa ideia “genial”?

O que vemos no documentário é uma pessoa próxima dos 50 anos de idade com a ingenuidade de uma adolescente de antigamente. Sua incursão na política é do tipo “eu sou a solução para tudo”, típica de quem não tem noção de onde está entrando. Seu ataque de choro no finalzinho do filme prova isso de forma certeira. Isso, mesmo com pessoas tentando treiná-la.

Enquanto sua campanha se desenvolve aos trancos e barrancos, com direito a uma inesperada mudança da candidata a vice no decorrer do período, ela é flagrada durante apresentações patéticas em pequenos shows no nordeste, realizados em circos com condições precárias e na base da dublagem dos sucessos dos velhos e bons tempos.

Em uma das apresentações, o CD player falha, e Gretchen paga o mico de, perante um público quase inexistente, ter de repetir a música mais de uma vez. O momento mais triste é em João Pessoa (PB), quando uma chuva de proporções bíblicas afasta o público e deixa o circo mais vazio do que bolso de pobre. De chorar.

Conforme o tempo vai passando, a inicialmente animada Gretchen vai se dando conta da fria na qual entrou, e com isso nossa personagem se torna perdida, tensa, agressiva e em muitos momentos sem saber o que fazer. Uma senhora chega a questionar Gretchen: “eu acho que você sonhou alto demais”. Sonhou mesmo…

No fim das contas, a Rainha do Bumbum não passa de 400 votos, algo em torno de 2% do eleitorado local, e vê seu “sonho” enterrado bem fundo. Na verdade, fica claro, no fim das contas, que ela foi vítima de sua total falta de noção e incapacidade de investir em uma carreira política. Tremo só de pensar no que ocorreria, se ela fosse eleita.

Eliane Brum e Paschoal Samora mereciam um prêmio por terem conseguido, a partir de um material tão ruim, concretizar um documentário como esse. Em alguns momentos do filme, por exemplo, temos depoimentos das pessoas autorizando o uso de suas imagens no documentário. Vários momentos, por sinal! Em um deles, com o público de um dos circos onde ela cantou falando junto com ela a frase cedendo seus direitos.

Se esse material exibido era o melhor disponível, dá arrepios imaginar nas sobras de filmagens… Pouco se fala na carreira de Gretchen, de como começou, como gravou os hits etc, e o nome de Mister Sam sequer é citado durante ele. No fim, é exibido um clipe com ela cantando nos bons tempos, o que equivale a uma espécie de “olhem como ela era, e olhem como ela ficou, depois de tantos anos”.

Gretchen Filme Estrada é ao mesmo tempo bizarro e essencial, pois mostra a coragem de uma artista ao se mostrar tão frágil, perdida e mal assessorada em uma fase de carreira na qual deveria estar devidamente consolidada. Tipo do filme ideal para quem acha fácil ser artista.

Ainda mais quando a artista em questão não conseguiu dar continuidade ao que parecia ser seu destino, no início: uma diva pop. No fim das contas, virou uma melancólica caricatura disso. Mesmo assim, Gretchen merece nosso carinho e nosso apoio, pois continua sendo aquela adolescente sonhadora de seu início, nos já distantes anos 70 do século passado.

Veja cenas de Gretchen Filme Estrada:

Filme traz inacreditável vida de Ginger Baker

Por Fabian Chacur

Que tal um documentário que abre com o personagem principal acertando uma certeira bengalada no nariz de seu respectivo diretor? É assim que tem início Beware Of Mr. Baker, que registra de forma brilhante e abrangente a trajetória de Ginger Baker,ex-integrante do Cream e considerado um dos melhores bateristas de todos os tempos. E também um ser humano inacreditável.

Jay Bulger, o diretor que tomou a porrada no nariz e sangrou de dar gosto, levou três anos para realizar o seu sonho. Ele passou três meses na casa de Baker, na África do Sul, período durante o qual teve a chance de conhecer a fundo seu personagem. Inicialmente, escreveu uma matéria para a Rolling Stone americana (leia aqui) publicada em agosto de 2009, quando o músico completava 70 anos. Depois, registrou as entrevistas com o músico em vídeo.

O documentário mergulha de cabeça na trajetória do baterista britânico nascido em 19 de agosto de 1939. Desde a infância, quando perdeu o pai aos 4 anos de idade durante a Segunda Guerra Mundial até os dias de hoje. Seu envolvimento com a música, as drogas, os relacionamentos afetivos, nada fica de fora.

Ginger Baker surge na tela como um indivíduo contraditório. Ora agressivo, ora afetivo, mas sempre controverso e capaz das maiores brigas, o que explica a duração sempre reduzida de seus projetos musicais. O Cream, por exemplo, considerado um dos grandes trios da história do rock (com Baker, Jack Bruce e Eric Clapton), durou apenas dois anos (1966 a 1968). O Blind Faith, menos ainda (nem um mísero ano).

A qualidade musical dessas diversas incursões, no entanto, sempre foi no mínimo interessante, e frequentemente seminal para a história da música. Os depoimentos de músicos do naipe de Bill Ward (Black Sabbath), Neil Peart (Rush), Johnny Rotten (Sex Pistols, PIL), Steve Winwood, Denny Laine (Wings), Stewart Copeland (The Police), Eric Clapton e Jack Bruce (Cream), entre outros, sustentam essa visão durante o documentário.

As entrevistas com seus familiares, incluindo quatro ex-mulheres, duas filhas e o filho Kofi (que também é baterista) servem como ilustração de seu temperamento difícil. Kofi acha que o pai não deveria ter tido filhos, enquanto uma das ex-esposas questiona se Ginger merece elogios por sempre ir em frente ou críticas por não ter capacidade de consolidar seus relacionamentos pessoais e profissionais, fugindo no fim das contas.

Além das excelentes entrevistas feitas especialmente para o filme, temos também belíssimas animações ilustrando vários momentos da vida do músico, incluindo alguns pornográficos e outros com mapas contextualizando suas várias viagens pelo mundo durante sua longa trajetória de vida. Ele morou na Inglaterra, Itália, Nigéria, EUA e África do Sul.

O título do filme teve como inspiração a placa que o ex-integrante do Cream colocou na entrada de sua casa na África do Sul (Beware Of Mr. Baker- cuidado com Mr. Baker). Durante a atração, temos acesso também a seu amor aos cavalos e cães, sua faceta como jogador de cricket e a relação sempre complicada com as drogas.

Jazzista, roqueiro, precursor do heavy metal e da world music, capaz de jogar no lixo milhões de dólares em diferentes épocas de sua vida, Ginger Baker é um personagem que nem o autor mais criativo conseguiria conceber, tal a sua complexidade como músico e ser humano.

Beware Of Mr. Baker foi exibido durante a edição 2013 do festival In-Edit de documentários musicais em São Paulo e é um dos melhores trabalhos nesse setor que já vi nos meus 51 anos de vida. E olha que sou um verdadeiro devorador de documentários musicais…

Duas notas finais: o produtor de Beware Of Mr. Baker é Fisher Stevens, que fez inúmeros trabalhos bacanas como ator, um deles na maravilhosa e extinta série televisiva Early Edition, além de ter namorado com Michelle Pfeifer nos anos 80, quando ela estava no auge. E em uma cena de arquivo, temos a chance de ver Mr.Baker cair sentado no palco, obviamente encharcado de drogas e quetais…

Veja o trailer de Beware Of Mr. Baker:

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