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Luizinho Lopes, um cantor e compositor mineiro de primeira

Luizinho Lopes-400x

Por Fabian Chacur

Muitos músicos de grande talento são obrigados a dividir sua vocação com o trabalho em outras áreas para conseguir sobreviver. Este é o caso do cantor, compositor e músico mineiro Luizinho Lopes, que além das artes é graduado em engenharia e atua como funcionário público desde 1996. No entanto, ele soube conciliar as duas atividades e, dessa forma, criar uma obra rica, consistente e admirável, em seus mais de 40 anos na música.

Como forma de celebrar essas quatro décadas como músico, Luizinho lançou o álbum-vídeo Dossiê40, já disponível nas plataformas digitais e ainda sem previsão de lançamento em formatos físicos (uma pena!). Nessa longa e deliciosa entrevista concedida a Mondo Pop, ele viaja pela sua belíssima trajetória como músico e criador de um songbook que merece ser mais conhecido Brasil e mundo afora, por sua qualidade incontestável.

MONDO POP- Para começar, fale um pouco de como teve início a sua relação com a música, se sua família tem músicos, o que você ouvia quando era criança, quando começou a tocar e cantar etc.
LUIZINHO LOPES
– Comecei a cantar, em casa, desde muito cedo. Na década de 60 havia os grandes festivais de MPB. Meu pai adorava. Sempre um LP era lançado com as finalistas. Meu pai comprava e me dava de presente. Com seis, sete anos, eu já curtia Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano, Gil, Milton, Geraldo Vandré, Elis Regina, Agostinho dos Santos e muitos outros. Considero essa a minha primeira formação musical. Meu pai teve dois irmãos que eram músicos, um tocava flauta e saxofone e o outro chegou a ser maestro de banda de cidade do interior. Meu pai nasceu em São Pedro dos Ferros, zona da mata mineira, próximo a Ponte Nova. Comecei a tocar violão bem mais tarde aos 18 anos! Antes,fiz algumas músicas de ouvido. Escrever, comecei desde cedo. E lia muito.

MONDO POP- Você nasceu em Pirapora (MG), mas está em Juiz de Fora há muito tempo. Qual a influência dessas duas cidades em sua vida e, por tabela, na sua criação musical?
LUIZINHO LOPES
– Meu pai era bancário. Somos seis filhos. Eu sou o caçula. Meu pai foi transferido de Governador Valadares para Pirapora, onde chegou promovido a gerente do banco. Morou lá por uns sete anos. Nasci lá, mas quando a família mudou-se da cidade, eu tinha somente dois anos. Então, Pirapora nem chegou a exercer uma influência considerável em minha formação, não tenho lembranças de lá. Só mais tarde que retornei para conhecer. Posteriormente, meu pai foi transferido para Bom Jesus do Itabapoana, fronteira do estado do Rio com Espírito Santo, onde moramos por apenas três anos. De novo, meu pai foi transferido para Leopoldina, Minas, onde morei dos cinco aos treze anos. De Leopoldina meu pai foi para Juiz de Fora, onde se aposentou. Foi em Juiz de Fora que tudo começou para mim em relação à arte.

MONDO POP- Você é graduado em engenharia civil. Trabalha na área? Muitos músicos aceleraram seus contatos ao participar do meio universitário, isso também ocorreu com você?
LUIZINHO LOPES
– Foi Na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) que iniciei de forma a princípio amadora a minha carreira musical. Ganhei um violão de meu pai logo quando passei do primeiro para o segundo período(semestre) na Engenharia. Tinha acabado de completar dezoito anos. Uma tarde, após o almoço, estava de férias, fui para o meu quarto escutar um pouco de música, e logo depois, meu pai entrou e me disse que havia visto um violão “bonitinho” na vitrine de uma loja e pensou em me dar de presente, já que eu adorava música. Nessa época, meu pai já havia se aposentado, a diferença de idade dele para mim era de quarenta e dois anos, ele tinha sessenta anos, isso foi em 1977. Acabei convencido, e fui com ele até a tal loja. Quando cheguei com o violão em casa, por volta das duas e meia da tarde, tranquei-me em meu quarto e comecei a tocar. Lá pelas oito da noite, meu pai bateu na porta, e assim que entrou, foi logo comentando: “Meu filho, você está aqui trancado sem sair desde quando chegamos da rua, se soubesse que seria assim, nem teria tido a ideia de dar um violão pra você. Você não saiu nem pra ir ao banheiro ou tomar água. Não é possível, dê um tempo. Vá comer alguma coisa. O que você fez esse tempo todo? Que eu saiba, você nunca havia tocado violão antes”. E eu respondi: “Fiz uma música. Quer ouvir?”… Daí em diante, na atmosfera da UFJF, sem dúvida, adquiri muitos contatos. Estávamos em plena ditadura militar, sentíamos necessidade de estar juntos, cantar juntos, como se isso nos protegesse contra o
medo e a censura. E hoje afirmo com certeza, foi o grande aprendizado que carreguei para a minha vida, não só artística.

MONDO POP- Fale um pouco de como foi a experiência como integrante do grupo Vértice, como surgiu, quanto durou, se gravou algo, e porque acabou. Ainda tem contato com seus ex-integrantes?
LUIZINHO LOPES
– O Vértice surgiu em 1979. Inicialmente eram sete integrantes, quatro estudantes de engenharia, um de economia, um de farmácia e outro que cursava medicina. O nome Vértice foi dado, obviamente, por um estudante de engenharia, na época, o que era o melhor músico do grupo, o Thadeu Grizendi. Todos homens na primeira formação. Com o tempo, chegaram duas cantoras: Andréa Gomes (hoje, Monfardini) e Lúcia Neves. O auge do Vértice foi a participação no programa Som Brasil da TV Globo, em dezembro de 1981. Na época o programa era comandado por Rolando Boldrin. Gravamos três músicas, uma instrumental, “Sete Lenços”, composta pelo Thadeu Grizendi e por Edson Zaghetto, que fora o último a entrar no grupo, “Vice-Versa” e “Chaminés”, ambas de minha autoria, letra e música. O programa foi ao ar em janeiro de 1982, mas a instrumental foi cortada, somente as minhas duas músicas foram apresentadas no programa. Meses mais tarde, descobrimos que “Sete Lenços” estava sendo usada como fundo de uma propaganda da Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo. Nós éramos muito ingênuos, pedimos só para que a música fosse extraída da propaganda. A nossa apresentação repercutiu bastante. Fomos convidados a fazer diversos shows. O Grupo Vértice realizou dois shows oficiais em teatro, o “Sem Fronteiras”, em 1981 e o “Via Luz”, em 1982, ambos em Juiz de Fora. O grupo acabou no final de 1982. A maioria dos integrantes formou-se na Universidade e partiu para a vida profissional. Também me formei no fim de 1982, mas resolvi partir para a música. Em 1983, fiz o primeiro show, já fora do Vértice, com a cantora Andréa Gomes, chamado “Hóstia da Noite”.

MONDO POP- Você está celebrando 40 anos de carreira. Qual é o marco inicial, a partir do qual você conta essas quatro décadas?
LUIZINHO LOPES
– O marco inicial é 1978, ano em que comecei a me apresentar cantando tão somente canções de minha autoria, no palco do Anfiteatro do ICBG (Instituto de Ciências Biológicas) na UFJF, em um projeto que se chamava Som Aberto, com edições que aconteciam todos os sábados, a partir das dez da manhã. O show “DOSSIÊ40” foi gravado em dezembro de 2018, completando justamente estes quarenta anos. DOSSIÊ40 foi lançado somente em 2020. Em 2019, gravei e lancei um outro álbum, “Pé de Letras”, o que acabou atrasando o lançamento de “DOSSIÊ40”.

MONDO POP- Seu primeiro álbum, Nem Tudo Que Nasce é Novo, saiu em 1990, quando você já tinha por volta de uma década de estrada. Quais as dificuldades para conseguir, enfim, concretizar esse disco, e na sua opinião porque demorou tanto tempo para realizar esse sonho?
LUIZINHO LOPES
– Na época, era muito mais difícil gravar um disco do que hoje. Os custos eram bem mais elevados e eu vivia, na ocasião, somente da música, tinha poucos recursos e o “Nem Tudo Que Nasce É Novo” foi um disco feito de forma independente. Tive uma ideia que pus em prática e que possibilitou a gravação do meu primeiro disco: um vale-disco, em que a pessoa comprava o LP de forma antecipada. Deu certo, vendi cerca de trezentos vales assim.

MONDO POP- Qual a importância na sua trajetória de participar de festivais? Lembre-se de algumas experiências nessa área que você considere as mais significativas em termos de repercussão.
LUIZINHO LOPES
– Participei de diversos festivais, como integrante do Vértice e de forma individual. Os mais marcantes foram os festivais do TUCA, em São Paulo (SP), em 1982, em Porto Alegre(RS) e Ouro Preto(MG), ambos em 1983, no Festival Nacional do Carrefour, semifinal em Uberlândia(MG), em 1992, e no Musicanto, em Santa Rosa (RS), festival de música latino-americana, em que faturei o segundo lugar com a música “Lume” numa interpretação antológica do grande cantor paulistano Renato Braz, acompanhado pelo maestro Roberto Lazzarini ao piano, e por mim no violão. O prêmio neste festival trouxe uma grande visibilidade, que contribuiu muito para a expansão de meu trabalho.

MONDO POP- A sua carreira ganhou força a partir de 2014, com mais lançamentos de CDs e DVDs do que em todos os anos anteriores. Qual a razão?
LUIZINHO LOPES
– Creio que tenha sido pelo fato de que em 2012 consegui retornar para Juiz de Fora, e com isso pude ter mais condições de investir em meu trabalho musical. Gravar um disco foi se tornando mais fácil, a
tecnologia contribuiu para o barateamento das gravações. Este fato, inclusive, já tinha sido observado por mim quando da gravação de “Noiteceu”, meu terceiro álbum, que foi gravado com recursos próprios além de recursos da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura de Juiz de Fora.

MONDO POP- O Ricardo Itaborahy tem uma participação importante na fase mais recente de sua carreira. Como você o conheceu, e como funciona o entrosamento musical entre vocês?
LUIZINHO LOPES
– A resposta a esta pergunta tem a ver com a questão anterior. Em 2015, quando Ricardo Itaborahy assumiu a direção musical de “Falas Perdidas”, CD produzido com recursos da Lei Murilo Mendes e recursos próprios, percebi que meu trabalho tomaria outro rumo. Ricardo já havia feito a mixagem de meu álbum anterior, “Luizinho Lopes Ao Vivo”, álbum duplo por sinal, e ali já pude observar a maneira dele trabalhar. Quando iniciamos a produção de “Falas Perdidas”, parecia que já havíamos trabalhado juntos nessa atividade anteriormente. Tudo se encaixava, o modo como ele desenvolveu os arranjos, e até hoje ele discorre sobre isso, respeitando as sequências harmônicas que eu criara quando da composição das músicas, para em cima disso poder partir para suas ideias, além de facilitar o seu trabalho, fazia com que a música não perdesse a sua essência de origem. Em minha opinião, um grande erro de um arranjador é praticamente desvestir a música de um compositor para sobrecarregar com suas ilações, o que na quase totalidade dos casos, desfigura a obra original, transportando o que restar para o patamar da mesmice. O entrosamento entre mim e Ricardo é muito grande. O fato de Ricardo morar em outra cidade faz com que eu envie para ele uma nova composição ou uma ideia de arranjo, através dos meios digitais. Muitas vezes, quando nos encontramos para realizar uma apresentação, um show, não dispomos de muito tempo para ensaiar, o que não chega a ser problema para nós, um tanto também pelo entrosamento que há.

MONDO POP- Fale sobre a concepção de Dossiê40 – escolha de repertório, montagem da banda de apoio, local etc. Quantas músicas incluídas neste trabalho nunca haviam entrado antes em um de seus discos?
LUIZINHO LOPES
– Para o repertório, primeiramente, recolhi cinquenta músicas para escolher dezesseis para o show. Com ajuda do Ricardo Itaborahy peneiramos para vinte e cinco, e finalmente para dezenove. Seis músicas não haviam entrado anteriormente em nenhum de meus discos: Charada, A Dança das Palavras, Coração Kamikaze, Que Loucura!, Vice-Versa e Vi a Luz.

MONDO POP- As cantoras Andréa Monfardini e Elisa Bara Zaghetto participam do álbum. Como surgiu a ideia de convidá-las, e como você avalia o resultado da participação delas?
LUIZINHO LOPES
– As duas cantoras tiveram participações marcantes no show. Andréa Monfardini já participa de trabalhos comigo desde a época do Vértice. A Elisa estuda canto desde cedo e atua em teatro também, tem uma voz
diferenciada, muito afinada. Não é para menos, sempre recebeu orientação artística de seu pai, meu grande parceiro Edson Zaghetto.

MONDO POP- Como você define o seu universo musical, enquanto cantor e compositor? Quais são as influências que você sente como mais decisivas para a consolidação de seu estilo musical próprio?
LUIZINHO LOPES
– De uns tempos pra cá, comecei a vasculhar as origens da arte em minha vida. Na infância, em Leopoldina, estudei em colégio de freiras.Lá, havia uma bandinha com instrumentos de percussão e vozes. Eu era
sempre a primeira voz do grupo, por ser afinado, principalmente, lembro-me da professora que coordenava a bandinha comentar isso. Depois na adolescência, quando já morava em Juiz de Fora, andei fugindo do papel de cantor por uma timidez adquirida não sei como. Mesmo depois de ter lançado dois álbuns, ainda não sentia muito prazer em cantar, na verdade tinha medo de soltar a voz. Enfim, em 2002, encontrei um professor de canto que me fez perder o medo. Estudei com ele por dois anos e foi o maior aprendizado que tive em relação à música, mais do que qualquer aprendizado de teoria musical, harmonia ou técnicas de violão, porque ganhei confiança e a certeza de que o que eu precisava era me soltar no palco, interpretar o que cada canção suplica. Como compositor, creio que as minhas maiores referências são musicais, literárias e cinematográficas. Não sei separá-las. O cinema é cheio de música, palavra e silêncio. É o que mais me fascina. E isso interfere diretamente nas minhas composições. No geral, nomes imprescindíveis para mim: Chico Buarque, Gilberto Gil, Egberto Gismonti, Vítor Ramil, Beatles, Keith Jarret, Chico César, Elomar Figueira de Mello, João Cabral de Melo Neto, Octavio Paz, Luiz Ruffato, Gabriel García Márquez, Kafka, Jorge Luiz Borges, Luis Buñuel, Bergman, Scorcese e Stanley Kubrick. A influência mais decisiva para mim talvez venha de uma expressão literária, talvez seja Jorge Luiz Borges; quando o li pela primeira vez engatei uma leitura de umas 6 horas sem parar, sem levantar da cadeira, foi um soco e eu disse para mim mesmo: dessa forma que eu quero trazer as palavras para a minha música…

MONDO POP- Boa parte das suas composições são solo, mas você também tem algumas parcerias. Comente um pouco como é escrever canções sozinho e também com parceiros.
LUIZINHO LOPES
– Adoro escrever e adoro fazer música. Quando estou compondo sozinho, tenho um prazer especial de ao estar tecendo a melodia, ao mesmo tempo estar selecionando palavras. As palavras chegam antes do tema muitas vezes. Compor com parceiros é sensacional, mas tem que haver muita afinidade com a forma que o parceiro escreve, por exemplo. Por isso tenho poucos parceiros, e esses poucos, deixam comigo os textos que vou conformando à métrica e à necessidade da canção. Entre os parceiros que me municiam com palavras, tenho dois ilustres que eu me orgulho muito, que são o Luiz Ruffato e o Iacyr Anderson Freitas. Já em relação aos parceiros que fazem as melodias, são muito poucos. Sinto muita falta de receber melodias para que eu possa criar as letras.

MONDO POP- Você iniciou sua carreira no final dos anos 1970, em um momento no qual a música brasileira vivia uma de suas fases áureas. Que recordações tem daquela época, e como avalia a cena atual?
LUIZINHO LOPES
– Aquela foi uma época em que ficávamos esperando um disco chegar com tremenda ansiedade. Lembro-me muito do LP A Ópera do Malandro, do Chico Buarque. Cheguei na loja de discos, ainda fechada, e aguardei. Na véspera, fiquei sabendo que chegariam poucas unidades do disco, fui o primeiro a comprar. A MPB estava no auge, vários trabalhos magistrais sendo lançados, praticamente um disco por ano dos grandes compositores. Sem entrar no mérito dos diversos benefícios que a era digital trouxe para a arte em geral, pelo menos o glamour do lançamento da bolacha, do LP, foi perdido, e não sinto como substituí-lo. A cena atual ainda é indecifrável. Como não há espaço suficiente na mídia tradicional para a música de qualidade como havia
no final dos anos 1970, a descoberta das pérolas fica restrita e sujeita à qualidade de farejo do pescador digital.

MONDO POP- Como você encara os formatos através dos quais se lançam músicas atualmente? Pretende lançar Dossiê40 também em formato físico (CD,DVD)? O formato digital tem trazido bons frutos para você em termos de
repercussão e ganhos financeiros?
MONDO POP
– Sem dúvida, a partir desses formatos digitais surgiu uma chance de democratização maior da divulgação do artista, de sua obra de arte. Na prática isso não está ocorrendo ainda para determinados setores da
música. Em termos de repercussão aumentou bastante o alcance de minha música, de minha obra. Em termos de ganho financeiro, ainda não. Mas está aumentando, isso varia proporcionalmente com a quantidade de seguidores nas redes sociais. Por ora, não pretendo lançar o DOSSIÊ40 em formato físico.

MONDO POP- Dossiê40 pode ser considerado uma espécie de viagem por esses 40 anos de carreira?
LUIZINHO LOPES
– Com certeza. A forma como escolhemos o repertório levou em consideração as variáveis “idade” da música, aceitação, contemporaneidade, impacto, poesia e outras. Obviamente se adicionadas mais umas quatro músicas, essa viagem seria mais abrangente, ficaria ainda mais representativa.

MONDO POP- Como compositor, quem você gostaria de ouvir interpretando canções de sua autoria? E como intérprete, com quem você gostaria de trabalhar junto, em shows ou em gravações?
LUIZINHO LOPES
– Gostaria muito de ter músicas cantadas pelo Ney Matogrosso e Marisa Monte. Como intérprete, gostaria de estar no mesmo palco do Vítor Ramil e do Chico César, cantando com eles suas canções.

MONDO POP- Você é graduado em cinema documentário. Pretende também fazer trabalhos nessa área? O que te levou a fazer esse curso? Pensa em unir as duas coisas- música e cinema, quem sabe em trilhas ou coisa que o valha?
LUIZINHO LOPES
– Meu desejo maior desde criança era ser cineasta. Fiz esse curso, porque morava no Rio de Janeiro na época, e não tinha tempo de fazer uma faculdade de cinema. Eu fui da primeira turma de Pós-Graduação
em Cinema-Documentário da FGV-Rio. Está em meus planos realizar um longa, tenho um roteiro bem desenvolvido e adoraria fazer trilhas para cinema, a oportunidade que ainda não surgiu.

MONDO POP- Para encerrar: você consegue viver de música, em termos financeiros? Se a resposta for não, qual ocupação te proporciona isso?
LUIZINHO LOPES
– Não consigo viver de música. Em 1996, através de aprovação em concurso público, assumi o cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais, que, dentre outras coisas, possibilitou que eu residisse na capital do Rio de Janeiro de 1999 a 2009, já que Minas Gerais ali possui um escritório avançado da Receita Estadual, e onde entre várias conquistas musicais, pude cursar Cinema Documentário na FGV. A partir de 2012, quando retornei para Juiz de Fora, pude investir mais em minha carreira musical. Foi uma decisão muito difícil o de entrar no serviço público, pelo fato de sobrar menos tempo para me dedicar à música, mas acabou que tive muita disciplina e persistência, e com o tempo fui aprendendo cada vez mais a administrar a situação, hoje digo com tranquilidade, considero-me um músico profissional e posso realizar trabalhos musicais que eu gosto, antes de tudo, sem me curvar a qualquer obrigação de mídia ou coisas do gênero. Isso proporciona uma imensa tranquilidade e grandes realizações, apesar do sacrifício. Se nada de absurdo ocorrer, dentro de dois anos aposento-me no serviço público, para a partir daí poder dedicar-me totalmente às artes.

Ouça e veja Dossiê40, de Luizinho Lopes, em streaming:

Tom Jobim, um maestro soberano e um ser humano como todos nós

tom jobim-400x

Por Fabian Chacur

Imagino o orgulho de quem teve a honra de entrevistar mitos do mundo da música como Elis Regina, Adoniran Barbosa, Ary Barroso, John Lennon e David Bowie, por exemplo. Esses infelizmente não fazem parte do meu currículo. Mas não posso reclamar, pois Paul McCartney, James Taylor, Cazuza, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Luciano Pavarotti e Gonzaguinha estão nele. E um certo Tom Jobim, também.

Tom, que nos deixou há 25 anos, mais precisamente no dia 8 de dezembro de 1994, aos 67 anos, é um dos nomes mais importantes da história da nossa cultura popular. Conhecido e venerado nos quatro cantos do mundo, poderia ter sido um cara arrogante e difícil, pois tinha currículo para justificar isso. No entanto, primava pela simplicidade, bom humor e gentileza, tendo deixado belas recordações para quem teve a oportunidade de conviver com ele.

Descobri por conta própria essas características em um dia lá pelos idos de 1988. O Maestro Soberano iria fazer um show ao ar livre no Parque do Ibirapuera ou outro local do gênero no fim daquela semana, e meu editor na época no hoje extinto Diario Popular, de São Paulo, pediu para que eu tentasse entrevistá-lo. O artista estava hospedado no hotel Maksoud Plaza, e resolvi arriscar.

Ao ligar, pedi à telefonista do hotel que me transferisse para o quarto de Tom Jobim. Normalmente isso não costuma ocorrer de forma imediata quando você procura alguém ilustre, mas me dei bem aqui. E quem me atendeu foi o próprio. “Oi, Tom, aqui é o Fabian, do Diario Popular. Gostaria de fazer uma entrevista com você por telefone sobre o show de domingo, seria possível?”.

“Oi, Fabian, bom dia. Olha, agora (liguei para ele por volta das 11 horas da manhã) eu não tenho como te atender. Será que você poderia me ligar de novo por volta das 14h? Aí eu certamente estarei disponível para conversar com você”. Concordei sem mais rodeios e coloquei o fone no gancho, crente de que, no horário combinado, ele certamente não estaria, ou alguém me daria algum tipo de desculpa e ficaria por isso mesmo.

A minha expectativa negativa não era em razão de pessimismo. É que, normalmente, esse tipo de entrevista só costuma ocorrer quando um assessor de imprensa entra em cena, e é esse profissional quem oferece ao jornalista uma oportunidade como essa. Difícil você conseguir direto com o artista, no caso de alguém com o porte de um Tom Jobim. Ainda mais para um jornal como o Diario, que não tinha (injustamente, por sinal) o respeito dado a concorrentes na época como a Folha, o Estadão, o Globo, Jornal da Tarde e Jornal do Brasil.

Preparado para a missão, mas cético sobre se a mesma seria concretizada, liguei na hora combinada. E não é que Tom me atendeu? Mais: ainda me pediu desculpas por não ter me atendido na tentativa anterior! Aí, iniciei o papo, delicioso por sinal, que durou uma meia hora, mais ou menos.

De tudo o que perguntei, lembro basicamente da resposta que ele me deu ao questioná-lo sobre os direitos autorais que tinha ganho no exterior com Garota de Ipanema e tantos outros sucessos marcantes. Ele me explicou que os valores eram muito menores do que as pessoas imaginavam, e justificou: “Fabian, na época eu era jovem, a gente não lia aquelas letrinhas miúdas dos contratos…”

Reencontrei esse gênio da música no finalzinho de 1989 ou no começo de 1990, não sei precisar exatamente a data, quando Tom foi nomeado o primeiro reitor e presidente de conselho da então Universidade Livre de Música, criada pelo na ocasião governador do estado de São Paulo Orestes Quercia.

Era uma entrevista coletiva, realizada no mesmo Maksoud Plaza, hotel situado próximo à avenida Paulista e um dos mais badalados naquele período. Aí, foi pessoalmente, e aquela simpatia do primeiro encontro se mostrou ainda mais forte, além do carisma e inteligência desse ilustre entrevistado.

A principal marca daquele segundo (e, infelizmente, último) encontro com o autor de Wave ficou em sua parte final. Estava fazendo aquela matéria junto com a fotógrafa Patricia Gatto (o site dela está aqui), uma fã assumida do nosso entrevistado. No final, ela me pediu para que eu tirasse uma foto dela com Tom.

Fotógrafo amador, no máximo, resolvi encarar o desafio pela amizade com ela, uma excelente profissional e muito simpática. Para ser sincero, não me lembro se o resultado prestou, mas fiz o possível. E vacilei feio, também, por não ter pedido um autógrafo ao Tom. Marquei uma bobeira clássica!

Vale lembrar que meu primeiro contato com a música de Tom Jobim ocorreu de forma curiosa, quando tinha 10 anos de idade e meu irmão comprou um exemplar do Disco de Bolso, projeto pioneiro do Pasquim que trazia, como brinde, um compacto simples de vinil com duas músicas.

No lado A, a primeira versão de Águas de Março, em andamento bem mais rápido do que o de gravações posteriores. Do lado B, a intensa Agnus Sei, de um cantor, compositor e violonista mineiro ainda desconhecido, de nome João Bosco.

Gostava tanto daquele compacto que, alguns meses depois, quando nossa professora de português do ginásio pediu a cada aluno escolher uma música para tocar na classe durante uma aula, não vacilei em escolher Águas de Março.

Os coleguinhas não curtiram tanto quanto eu ouvir esse hoje clássico da música brasileira, mas eu amei, e nunca poderia imaginar que, quase 20 anos depois, teria esses contatos bacanas com seu autor.

Águas de Março– Tom Jobim e Agnus Sei– João Bosco:

Luiza Casé investe na diversidade sonora em seu álbum Mergulho

LUIZA CASÉ Mergulho 1 crédito Peter Wrede-400x

Por Fabian Chacur

A carreira artística de Luiza Casé teve seu primeiro momento de destaque em 2010, quando ela venceu o reality show musical
Geleia do Rock, promovido pelo canal a cabo Multishow. No ano seguinte, estrelou a novela global adolescente Malhação, vivendo o papel de Lorelai. Desde então, essa atriz, cantora e compositora carioca trabalhou bastante em várias frentes, e agora apresenta o seu primeiro álbum, Mergulho, que a Universal Music disponibilizou nas principais plataformas digitais.

O álbum traz como produtores os experientes Arto Lindsay e Thiago Nassif, que deram à artista um apoio que ela avalia como decisivo. “No começo, fiquei ansiosa por trabalhar com eles, principalmente por meu lado compositora, mas eles foram muito generosos comigo, me deram o apoio de que eu precisava”.

Luiza encara o álbum como um trabalho com dois aspectos bem distintos. “Tem a ver com o meu momento atual, pois a sonoridade é bem múltipla, vai do orgânico ao eletrônico, e ao mesmo tempo reflete a minha personalidade musical como um todo”. Essa observação faz sentido pelo fato de ela ser frequentemente associada com o blues, ritmo que ela abraçou durante alguns anos. “O blues se encaixou em mim quando saí do Geleia do Rock; chorei bastante cantando blues nos primeiros shows, pois sentia muito aquelas canções”, relembra.

Atualmente, ela procura ser mais abrangente. “Com o tempo, ampliei os meus horizontes, pois uma só sonoridade não daria conta, o pop tem a flexibilidade de me abrir vários caminhos, como, por exemplo, eu fazer algo hip-hop no futuro, por exemplo; o título do álbum exemplifica bem essa minha intenção, é um mergulho em diversas possibilidades musicais”.

Canções autorais e letras elaboradas

Mergulho traz 10 faixas, sendo 8 escritas só por ela, uma em parceria com Lindsay e outra com Nassif. Além da sonoridade diversificada e pop, o repertório tem como característica o apuro das letras, bem acima da produção média atual no setor. “Sempre gostei de ler, de ver filmes, sempre me envolvi com a literatura e várias expressões de arte, tenho uma intimidade com essas linguagens, e procuro buscar um caminho próprio e original”.

Um bom exemplo dessa sensibilidade criativa é a faixa Jornais, que traz versos como “Não vou ter medo, Eu quero ver mudar, Não vou ter medo, Vou ter que enfrentar os jornais”. Ela explica o que a inspirou:

“Escrevi com a perspectiva de quem lê um jornal; as notícias atuais me chocam muito, eu tinha a tendência de fugir do noticiário, e a letra mostra como tenho me relacionado com isso, como lidar com um projeto de fuga; hoje me sinto apta para olhar para essa realidade e descobrir o que há de importante”.

A faixa título está sendo divulgada com um clipe gravado no parque aquático paulista Thermas Water Park. “Foi um dia bem intenso de gravações, umas cinco horas de trabalho; desci umas 50 vezes aquela toboágua”, relembra.

Minimalismo sustentável

Mergulho sai apenas no formato digital, e Luiza tem uma posição curiosa sobre esse tema. “Sou minimalista sustentável. Por mim, só lançaria digital, mesmo, embora ache legal se houvesse uma tiragem mais reduzida em vinil, acho legal ouvir vinil; Tenho problema com lixo, não coleciono mais nada”.

A ideia da artista carioca é manter a sua versatilidade, ela que é formada em Direito e já atuou como atriz em filmes, teatro e TV e gravou músicas para trilhas de filmes e minisséries televisivas. ” Pretendo continuar fazendo TV. Minha época adolescente não foi muito boa, eu ainda estudava quando fiz Malhação, hoje desfrutaria muito mais”, reflete. “Quando você entende a sua identidade e não foge, vê que um tipo de trabalho se encaixa com outro. É preciso foco em cada trabalho, mas não há limites”.

Luiza Casé já está com dois shows agendados para divulgar o seu álbum de estreia, nos quais será acompanhada por Mikhaila Copello (baixo), Pedro Garcia (bateria) e Felipe Fernandes (guitarra): dia 30 deste mês no Clube Manouche, no Rio, e dia 24 de agosto no Beco 203, em São Paulo, sendo que um terceiro em Belo Horizonte será divulgado em breve. Além das canções de Mergulho, ela também promete uma faixa autoral inédita, Coração na Mão. Ela tem perfis no Instagram, Twitter e Facebook.

Mergulho (clipe)- Luiza Casé:

Barão Vermelho mostra um novo single com show no Circo Voador

Foto: Leo Aversa

Foto: Leo Aversa

Por Fabian Chacur

O Barão Vermelho sofreu dois fortes abalos nos últimos meses, com as saídas de Roberto Frejat (vocal e guitarra) e Rodrigo Santos (baixo e vocais). No entanto, a histórica banda carioca sacudiu a poeira, deu a volta por cima e se mantém mais na ativa do que nunca. Após a entrada de Rodrigo Suricato na vaga de Frejat, com Márcio Alencar assumindo a função de baixista, eles lançam um primeiro single inédito, o contagiante A Solidão Te Engole Vivo, que será mostrado em show para o público pela primeira vez nesta sexta (28) às 23h no Rio, no Circo Voador (avenida dos Arcos, s-nº- Lapa- fone 0xx21-2533-0354), com ingressos a R$ 60,00 (meia) e R$ 120,00 (inteira).

Em entrevista via fone a Mondo Pop, o guitarrista Fernando Magalhães, há mais de trinta anos no grupo ao lado dos fundadores Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclados) nos conta tudo sobre a fase atual da banda que ajudou a consolidar o rock no Brasil, e também sobre seus planos para o futuro.

MONDO POP- O que gerou as saídas de Roberto Frejat e Rodrigo Santos, e como o grupo as encarou?
FERNANDO MAGALHÃES
– O Frejat e o Rodrigo tem carreiras muito solidificadas. Ficou difícil se dedicar ao Barão e aos outros projetos que possuem, ao mesmo tempo. Para eles, no fim das contas, foi melhor sair. A saída do Frejat não foi nenhuma surpresa, víamos a carreira-solo dele consolidada, abriu para o Eric Clapton, tocou no Rock in Rio.

MONDO POP- E como está sendo seguir em frente, com esses dois belos desfalques?
FERNANDO MAGALHÃES
– Fico muito feliz de tocar no grupo. A entrada do Rodrigo Suricato nos deu uma nova energia, um gás muito grande, pois ele é muito fã do Barão, além de ser uma pessoa muito boa, maravilhosa. Logo no primeiro ensaio, tocamos 19 músicas de cara, sem ensaios anteriores, e ele sabia todas essas músicas, voz e guitarra! O cara tem muita intimidade com esse repertório, que todos na banda gostam muito de tocar. Isso nos ajudou bastante.

MONDO POP- Fale um pouco sobre A Solidão Te Engole Vivo, que é uma parceria sua com o Guto e o Maurício, como surgiu e como foi escolhida como o cartão de apresentações dessa nova fase do grupo.
FERNANDO MAGALHÃES
– Escolhemos essa música porque ela tem bem a cara do Barão, mas com elementos novos. Fala de amor, sem apontar na cara de ninguém, é de âmbito geral. O tema básico é o fato de que as pessoas fazem melhor as coisas juntos do que sozinhas, não tem uma conotação política. A letra foi escrita pelo Guto.

MONDO POP- E como sendo está esse processo de compor canções novas, nessa nova fase da banda?
FERNANDO MAGALHÃES
– A gente já vem compondo há algum tempo. Antes, gravamos algumas músicas antigas com o Suricato nos vocais, colocamos nas plataformas digitais e depois saímos para a estrada. O projeto de composições novas veio logo a seguir. O Barão sempre fez trabalhos diferentes em cada novo disco, e procuramos ver como seria esse novo momento do grupo. Estamos compondo os quatro, em várias formações.

MONDO POP- Vocês pretendem lançar em breve um novo álbum? Será em formato físico também?
FERNANDO MAGALHÃES
– Vamos lançar o disco em formato físico, é um produto maneiro de se ter na mão. Ainda iremos lançar mais um single antes do álbum completo, que deve sair no primeiro semestre de 2019.

MONDO POP- Como tem sido esse contato inicial com os fãs após a entrada do Suricato?
FERNANDO MAGALHÃES
– Para nós, é um grande desafio, um novo recomeço, mas que você recomeça não como se fosse um bebê. A reação do público ao Suricato está sendo muito boa, estamos nos divertindo muito. Tem gente conhecendo a banda agora. O documentário Por que a Gente é Assim? nos ajudou a ficar mais conhecidos pelas novas gerações, que estão demonstrando uma curiosidade muito grande pelo Barão. E o show sempre foi o nosso forte.

MONDO POP- Em 2017, você lançou um belo álbum em dupla com o Rodrigo Santos, o Efeito Borboleta (leia a resenha aqui). Como avalia a repercussão dele?
FERNANDO MAGALHÃES
– Tenho muito orgulho desse trabalho, mas acho que lançamos em uma época imprópria, quando as atenções estavam mais voltadas para a reformulação do Barão Vermelho.

A Solidão Te Engole Vivo (video)- Barão Vermelho:

Patricia Marx procura fugir do tédio em seu novo álbum, Nova

Patricia Marx-400x

Por Fabian Chacur

Patricia Marx está de volta ao universo das canções inéditas, após o sucesso de seu álbum Trinta (2013), no qual releu sucessos de seus trabalhos anteriores. Apropriadamente intitulado Nova e lançado pela gravadora LAB 344, o novo CD da cantora e compositora paulistana nos oferece 14 faixas, com direito a letras em português e inglês, participações especiais bacanas e uma consistência artística compatível com sua extensa experiência artística.

Em entrevista a Mondo Pop, ela dá detalhes sobre o seu 13º álbum de carreira, além de falar sobre sua trajetória e novos projetos, um deles sendo uma parceria com Luciano Nassyn intitulada Trem da Alegria Celebration, na qual os dois integrantes do célebre grupo infantil de muito sucesso nos anos 1980 irão reler os hits daqueles tempos em shows ao vivo.

Mondo Pop- Como você define o álbum Nova, comparado com seus trabalhos anteriores?
Patricia Marx
– Consegui experimentar mais nesse álbum do que nos anteriores. Teve um ganho gigantesco, eram ideias que eu já tinha, e que agora consegui concretizar. É um disco no qual você vai descobrindo novas coisas a cada audição, tem sutilezas, como a faixa a capella Cathedral, por exemplo. A gravadora LAB 344 me deu liberdade para fazer isso, me deixou muito livre.

Mondo Pop- Em termos de estilo, musicalmente falando, que caminhos o Nova tomou?
Patricia Marx
– É um trabalho de pop, soul,com umas coisas estranhas no meio. Se eu me sinto me repetindo, fico entediada, sempre busco coisas novas. Não é uma mudança radical em relação ao que já fiz, mas a mudança está lá.

Mondo Pop- Como começou a sua parceria musical com o Herbert Medeiros, e qual a importância dele neste CD?
Patricia Marx
– O Herbert é um coautor desse álbum, meu braço direito, o parceiro musical perfeito, além de arranjador, músico, parceiro de composições. Começamos a trabalhar juntos quando ele era músico da banda do Trinta, inicialmente só como músico e depois como arranjador e tudo o mais.

Mondo Pop- O álbum tem algumas parcerias bem legais. Com o Paul Pesco, por exemplo.
Patricia Marx
– O Paul Pesco, produtor americano que trabalhou com Daryl Hall & John Oates, Madonna, Steve Winwood, Mary J. Blige e Miguel, entre outros, eu conheci através do Sérgio Martins (diretor e criador da LAB 344). Começamos a nos comunicar via whatsapp, ele de Nova York e eu e o Herbert daqui. Gostei demais de trabalhar com ele, que é muito rápido.

Mondo Pop- Tem outros parceiros bacanas, também, fale sobre eles.
Patricia Marx
– O Jorge Ailton, que toca na banda do Lulu Santos e lançou um disco solo há pouco (Arrembi, pela mesma LAB 344), é meu parceiro na música Lá No Espaço. O Marc Mac, da banda londrina 4Hero, fez letras em inglês. O Jair Oliveira é parceiro na música Luz Numa Lágrima, enquanto o rapper francês radicado no Canadá Lou Piensa participou da música Don’t Break My Heart.

Mondo Pop- Aliás, o disco mescla letras em inglês com outras em português. Isso tem um pouco a ver com a repercussão que seu trabalho tem no exterior, e do fato de você ter morado em Londres?
Patricia Marx
– Eu, por mim, teria feito um álbum inteiro em inglês, mas é muito bom cantar na minha língua, também. Desde 2001, quando morei em Londres, tive abertura para me divulgar no exterior, estou no mundo há algum tempo.

Mondo Pop- Para encerrar, diga algo sobre seus projetos para 2019.
Patricia Marx
– Farei um show para divulgar o Nova, vou bolar uma forma nova de fazer isso. Pretendo lançar uma biografia, e farei junto com o Luciano Nassyn o Trem da Alegria Celebration, uma série de shows com músicas do Trem de Alegria, cujos discos foram disponibilizados nas plataformas digitais.

You Showed Me How (clipe)- Patricia Marx:

O premiado produtor musical que resgatou astros da MPB

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Por Fabian Chacur

Thiago Marques Luiz contribui para manter viva a memória musical brasileira produzindo discos e shows de artistas veteranos da MPB

Há 15 anos, o jornalista Thiago Marques Luiz teve a oportunidade de se envolver pela primeira vez na produção de um CD. Seria o início de uma trajetória intensa e repleta de momentos importantes. Trabalhos nos quais a frase “disco é cultura”, imprimida nos discos brasileiros nos anos 1970, seria mais do que justa e merecida para adjetiva-los.

Com um currículo incluindo perto de 100 CDs, sem contar inúmeros shows, o produtor se notabilizou por trabalhar com artistas veteranos, aos quais deu o tratamento nobre e atencioso que os mesmos mereciam. Ele ajuda a dar a esses mestres as flores em vida!

Em entrevista por e-mail a Mondo Pop, Thiago dá detalhes sobre seus trabalhos com feras do porte de Angela Maria, Cauby Peixoto, Wanderléa, Claudette Soares e outros deste mesmo gabarito. Um jovem para o qual a infeliz frase “esse artista não é do meu tempo” nunca sequer esteve em seu vocabulário.

Mondo Pop- Para começar, fale um pouco sobre a sua formação, onde estudou, onde trabalhou etc. Você toca algum instrumento, compõe, escreve letras?
Thiago Marques Luiz-
Eu sou jornalista de formação profissional, mas logo que me formei fui trabalhar com produção. Isso faz 15 anos. Não sou músico e não componho; meu trabalho como produtor musical está mais ligado a direção artística.

Mondo Pop- Quais são as suas primeiras recordações musicais, e como se desenvolveu o processo de a música se tornar uma prioridade em sua vida profissional e pessoal?
Thiago Marques Luiz
– Nasci numa casa musical, com muitos discos e muita referência dos cantores populares brasileiros. Logo me tornei um apaixonado colecionador e curioso da nossa música.

Mondo Pop- O que você ouvia quando era criança/adolescente?
Thiago Marques Luiz
– Meus ídolos de criança eram Roberto Carlos e Clara Nunes.

Mondo Pop- Quando e por que você decidiu se tornar produtor musical?
Thiago Marques Luiz
– Em 2002, formei-me jornalista e logo tive a oportunidade de trabalhar como auxiliar de produção do disco que comemorou os 50 anos de carreira da diva Angela Maria. Essa ponte foi feita por uma amiga que sabia da minha paixão por música e, principalmente, cantores veteranos.

Mondo Pop- Como surgiu a ideia de concentrar o seu trabalho em artistas veteranos? E como foi sua aproximação com eles? Houve algum tipo de problema nessa aproximação, do tipo “você não se acha muito novo para nos produzir?”, coisas desse tipo?
Thiago Marques Luiz
– Na realidade, a vida foi me encaminhando pra isso a partir do trabalho com Angela Maria. A partir dela, comecei a fazer um resgate de grandes ídolos que nunca deixaram de atuar, mas que ficaram muitos anos sem gravar disco. Isso ocorreu com Wanderléa, Cauby Peixoto, Maria Alcina, Amelinha, Claudette Soares e outros.

Mondo Pop- Fale sobre como foi o primeiro trabalho, show ou disco, que você produziu, que tipo de recordações você tem desse momento inicial de sua trajetória como produtor.
Thiago Marques Luiz
– O “Disco de Ouro”, que Angela Maria gravou pela Lua Discos em 2003. Aos 24 anos eu me vi dentro de um estúdio sugerindo músicas e compositores pra maior cantora do Brasil. Foi um presente que a vida tão cedo me deu.

Mondo Pop- Quantos trabalhos você produziu até hoje, e de quais artistas?
Thiago Marques Luiz
– Quase 100 discos, inclusive de shows que foram concebidos e dirigidos por mim e transformados em álbum, assim como também grandes homenagens a ídolos expressivos do nosso cancioneiro popular, principalmente na ocasião da celebração de seus centenários (Gonzagão, Adoniran Barbosa, Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Herivelto Martins e, mais recentemente, Dalva de Oliveira. )

Mondo Pop- Faça um top 5 dos trabalhos produzidos por você que considere os mais importantes, e dê uma pequena justificativa de cada escolha.
Thiago Marques Luiz
– Vamos lá:
100 anos de Adoniran Barbosa (2010)– Mais de 30 grandes artistas de varias gerações, de Arnaldo Antunes a Jair Rodrigues, em gravações inéditas. Com esse disco ganhei o meu primeiro Prêmio da Música Brasileira.
Angela e Cauby – Reencontro (2013)– Foi um grande desafio produzir um álbum dos dois maiores ícones da era de ouro do Rádio.
Maria Alcina – De Normal Bastam os Outros (2013)– Disco que comemorou os 40 anos de carreira dessa grande artista com músicas inéditas de Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Karina Buhr e participação especial de Ney Matogrosso.
Maysa – Esta Chama Que Não Vai Passar (2007)– Meu primeiro trabalho de grande repercussão na mídia. Gravações inéditas de 20 super intérpretes, incluindo Bibi Ferreira e Maria Bethânia.
Alaíde Costa e Claudette Soares – 60 anos de Bossa Nova (2018)– O primeiro disco em duo de dois ícones da Bossa Nova, que foram as responsáveis por trazer o movimento musical para São Paulo.

Mondo Pop- Com quem você ainda não trabalhou que gostaria de poder trabalhar?
Thiago Marques Luiz
– Tantos artistas… Lamento por não ter produzido o Emilio Santiago. Tínhamos uma ideia de fazer um tributo a Agostinho dos Santos.

Mondo Pop- Desde sempre, dizem que o Brasil é um país sem memória. Você acha que, com o seu trabalho, contribuiu para reduzir um pouco isso, ajudando a atrair a atenção para artistas do primeiro time que estavam um pouco esquecidos?
Thiago Marques Luiz
– O público tem memória! É a grande mídia que esquece e substitui os artistas.

Mondo Pop- Se tiver mais alguma coisa que gostaria de ressaltar quanto à sua trajetória, Thiago, fique à vontade, e obrigado desde já por topar fazer essa entrevista!
Thiago Marques Luiz
– Quero informar aos seus leitores que os meus dois próximos projetos a serem lançados no final do ano serão tributos a Luiz Vieira e Inezita Barroso.

Ouça 60 Anos de Bossa Nova, com Claudette Soares e Alaíde Costa:

Pedro Mariano lança um novo projeto com orquestra: DNA

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Por Fabian Chacur

Após a bem-sucedida turnê com a qual divulgou seu DVD/CD Pedro Mariano e Orquestra (2014), Pedro Mariano estava preparando um novo álbum gravado em estúdio, quando surgiu a proposta para outro trabalho com acompanhamento orquestral. Foi dessa forma que surgiu DNA, DVD/CD gravado ao vivo no Teatro Alfa, em São Paulo, mais um envolvimento do cantor com esse formato musical tão sofisticado.

Em entrevista exclusiva feita via telefone a Mondo Pop, o intérprete com 43 anos de idade, sendo 23 deles dedicados à música, explica como houve a mudança de foco que gerou seu novo trabalho, detalhes sobre ele e também sua visão da atual cena musical brasileira, e como se manter ativo em um momento tão complicado para todos.

MONDO POP- Sua ideia inicial, após ter lançado Pedro Mariano e Orquestra, era dar continuidade a essa experiência logo a seguir?
PEDRO MARIANO– Na verdade, não. Eu planejava gravar um álbum de estúdio, e já havia começado a planejá-lo. Só que eu havia concebido um novo projeto com orquestra para realizar daqui a algum tempo, e como essas leis de incentivo fiscal te obrigam a solicitar tudo com muita antecedência, foi o que fiz. E a autorização saiu muito antes do que eu esperava, e um patrocinador me perguntou se eu não poderia fazer esse projeto agora.

MONDO POP- Aí, o que era para ser uma coisa virou outra?
PEDRO MARIANO
– Isso. A ideia foi levar o que estávamos fazendo em estúdio para esse formato de orquestra, só que de uma forma diferente. No primeiro projeto, levei tudo para o ambiente orquestral. Neste, fiz o contrário, a orquestra veio até mim. O outro era mais classudão, mais tradicional. Este novo tem mais a ver com o meu som. E trabalhar com orquestra pode ter diversos formatos. Eu me inspirei muito nos feitos pelo Sting, pelo Metallica e pelo Peter Gabriel. As possibilidades são quase infinitas. Acho que isso não termina aqui.

MONDO POP- Como você compara um projeto com o outro, em termos de realização?
PEDRO MARIANO
– O primeiro DVD/CD orquestral foi marcante por diversos aspectos. Senti-me muito confortável para fazer este segundo, sendo que tudo foi muito complexo da primeira vez.

MONDO POP- O espírito geral do trabalho se manteve? Qual era a essência de tudo?
PEDRO MARIANO
– Pensava em reunir canções que tivessem como tema de onde você veio e para onde você quer ir, que tocassem no tema de uma forma introspectiva, analítica, emocional e psicológica. Tinha a música DNA (Edu Tedeschi) há uns cinco anos. Aí, o Jair Oliveira me mandou seis novas composições, e vi que uma delas, Labirinto, tinha a ver com algo que uma pessoa próxima a mim estava vivendo.

MONDO POP- Além dessas duas, temos mais duas inéditas. Como você faz normalmente a seleção de músicas para seus trabalhos?
PEDRO MARIANO
Alguém Dirá (Pedro Altério e Pedro Viáfora) e Enfim (Daniel Carlomagno) são as outras inéditas, e normalmente parto das composições inéditas para iniciar um trabalho. Também busco canções conhecidas inéditas na minha voz, pois ter músicas que as pessoas já conhecem no repertório sempre ajuda a esquentar as plateias, só canções inéditas deixa tudo meio monótono. E neste trabalho também incluí algumas do anterior, que mudaram muito durante a turnê de lançamento, e eu queria registrar essas novas roupagens.

MONDO POP- Como foi para você gravar o dueto virtual com sua mãe, Elis Regina, em Casa No Campo, contracenando com o vídeo?
PEDRO MARIANO
– Eu tinha lançado essa música como single no ano passado. Quando gravo shows ao vivo, gosto de fazer o show de forma contínua, não curto ficar regravando, só mesmo quando ocorre algum problema técnico. Mas Casa No Campo eu tive de fazer umas duas ou três vezes, por causa da sincronia com o vídeo. Foi emocionante.

MONDO POP- Você iniciou a sua carreira no auge de vendas dos CDs, vendendo mais de cem mil cópias de um deles (Voz no Ouvido-2000), que te rendeu um disco de ouro. Muita coisa mudou desde então. Como você encara o cenário atual?
PEDRO MARIANO
– Não se consome música como antigamente. Em termos de receita, isso te limita, e tem outros problemas que não falam a língua da música que te atrapalham bastante. A internet te abre caminhos, não sei se isso é para o bem ou para o mal, pois muitas dessas perguntas que surgiram nesses últimos anos não tem uma resposta clara. Tem artistas se posicionando bem com as plataformas digitais, que, como sabemos, não pagam nada.

MONDO POP- Qual é a vantagem de estar inseridos nelas, então?
PEDRO MARIANO
– Elas te dão notoriedade, mas você na verdade não sabe se dá certo. Minhas músicas mais bem-sucedidas no Spotify, por exemplo, são as que lancei de dez anos para cá. As pessoas procuram as coisas mais contemporâneas, e é o que as plataformas oferecem a elas. O que me preocupa é a forma como as pessoas tem consumido música, não acompanham mais os artistas, suas ramificações. Ninguém procura a informação, tem muito “mais do mesmo”.

MONDO POP- Como será a divulgação de DNA, em termos de shows? Todos os shows da turnê serão acompanhados por orquestra?
PEDRO MARIANO
– Faço shows com vários formatos (voz e piano, banda, orquestra etc) porque o barco tem de seguir. Na turnê anterior, fiz shows acompanhado por orquestras locais, mas o custo não caiu tanto como seria de se imaginar.

MONDO POP- Você lançou DNA pelo seu selo, o Nau, em parceria com a gravador LAB 344. Como avalia essa experiência de ter o próprio selo nos últimos anos, depois de ter sido contratado de gravadoras grandes?
PEDRO MARIANO
– O meu selo está sendo muito produtivo. Tenho bons parceiros. Quero sempre continuar fazendo meus trabalhos no meu tempo, do jeito que quero. Era difícil, continua difícil, mas esse nunca foi o foco. Vou sentindo o clima, não planejo nada nem para daqui a seis meses. Continuo lançando CDs e DVDs, mas o formato físico virou mais um portfólio do que um produto de consumo, tem mais um efeito emotivo, é um presente que você pode autografar.

De Peito Aberto (do DVD DNA)- Pedro Mariano:

Jorge Ailton lança o seu 3º CD solo com “arembi” elegante

Jorge Ailton 4-400x

Por Fabian Chacur

O cantor, compositor e músico carioca Jorge Ailton iniciou a sua trajetória profissional há 19 anos, tocando na banda de Sandra de Sá. Desde então, além de acompanhar artistas do calibre de Mart’nália, Toni Garrido, Paula Toller e Lulu Santos (com quem toca há oito anos), ele também investe em uma carreira solo que acaba de gerar seu terceiro fruto, o álbum Arembi, lançado pela gravadora Lab 344.

O título do CD (também disponível nas plataformas digitais), uma transcrição fonética adaptada do original r&b (rhythm and blues) é uma forma criativa de explicitar o desejo de Ailton em termos musicais.

“O título do álbum parece um nome suburbano, aquela coisa colaborativa. O r&b, o soul, são na verdade sotaques, como o samba; ouvi isso a vida inteira, frequentei os bailes, os ambientes, curti as variações desse estilo musical, via o pessoal dançar, aí surgiu naturalmente a minha forma de mostrar essa sonoridade”, explica.

Arembi traz 11 músicas, sendo cinco só dele e outras seis escritas com parceiros como Lulu Santos, Ronaldo Bastos, Fernanda Abreu e Hyldon. “Esse disco é como se eu tivesse chegado em casa, enquanto nos discos anteriores (O Ano 1, de 2010, e Canções em Ritmo Jovem, de 2013) eu ainda estava no caminho. Agora eu me sinto mais à vontade”.

O baixista considera muito importante as experiências que teve integrando bandas de apoio de outros artistas. “Acho que o mais bacana do artista é manter a antena sempre ligada. Procuro pegar o que cada artista que acompanhei tem de bom, como a explosão da Sandra e da Mart’nália, a organização do Lulu… Peguei um pouquinho de como cada um deles lida com as suas carreiras e procurei aprender, além de trazer coisas para a minha própria”.

A ideia de Jorge Ailton é conciliar a carreira solo com o trabalho com outros artistas enquanto for possível. “Acho uma tendência normal no futuro ser só artista solo, mas continuo fazendo as duas coisas. O escritório do Lulu é muito bem organizado, e ele sempre dá muito espaço para quem toca com ele, sabe reconhecer talentos. O Davi Moraes, por exemplo, também concilia o trabalho solo com atuação em bandas de outros cantores”.

As onze faixas de Arembi investem em várias tendências da black music de forma envolvente. “Acho que o meu som tem uma sensualidade elegante que mistura sons eletrônicos e orgânicos; esse é um disco feito com amigos, todos os envolvidos tem uma vida pregressa comigo, como o Mondego (produtor do CD), que conheço há mais de 20 anos”.

Isso Que Não Tem Nome (clipe)- Jorge Ailton:

Max Viana lança novo álbum no Brasil e também no Japão

Max Viana 2018 @MarcosHermes-16 2-400x

Por Fabian Chacur

Em 1998, com 25 anos de idade, o guitarrista Max Viana começou sua carreira de músico profissional integrando a banda de seu pai, ninguém menos do que Djavan. Era o princípio de uma trajetória repleta de conquistas. A mais recente é seu quarto álbum solo, Outro Sol, que está sendo lançado simultaneamente no formato digital no Brasil e Japão. Ele fala sobre este trabalho e sobre a carreira em entrevista concedida a Mondo Pop.

Mondo Pop- A sua carreira como músico profissional começou há 20 anos, como guitarrista da banda do seu pai. Quando sua trajetória como artista solo se iniciou? Como foi esse processo?
Max Viana
– Na verdade, o início foi também em 1998, na mesma época em que entrei na banda do meu pai. Eu comecei a gravar as minhas composições para ver como elas ficariam na minha voz, visava mais a validação das minhas músicas. Aí, eu gostei do que ouvi e iniciei um longo processo que retomei em 2001 e que teve como consequência o meu primeiro disco solo, lançado em 2003.

Mondo Pop- Como você compara esse seu primeiro disco solo, No Calçadão, com Outro Sol?
Max Viana
– Vejo coisas no meu novo álbum que tem a ver com as músicas de No Calçadão. A junção entre a black music e a MPB, por exemplo. Tem Linha de Frente, que é mais samba rock, tem O Amor Não Acabou, que é um samba. Sempre investi na diversidade, de não seguir um único caminho. Para mim, a MPB ganhou todo esse espaço no mundo graças a essa versatilidade, essas várias tendências e estilos diferentes.

Mondo Pop- Você lançou quatro álbuns solo nesses 20 anos de carreira, um número relativamente pequeno. Qual é a explicação para isso? Perfeccionismo, os problemas do mercado musical?
Max Viana
– É uma soma de várias coisas, incluindo esses problemas do mercado discográfico. Meu pai é bem mais perfeccionista do que eu, o disco para mim é legal no sentido de ser a fotografia de um momento. Fiquei dez anos trabalhando com o meu pai, produzi discos do Dudu Falcão, da Luiza Possi, de artistas de Angola, fiz a trilha para uma peça teatral da Heloísa Périssé, gravei com a Claudia Leitte, compus com o Guilherme Arantes, trabalhei em vários projetos diferentes.

Mondo Pop- Caramba, você fez muitas coisas nesse tempo todo de carreira…
Max Viana
– Ter uma aptidão para a música e não explorá-la ao máximo não é legal. Por isso, procuro sempre estar aberto aos mais diversos tipos de trabalho, sem me dedicar apenas a uma dessas vertentes.

Mondo Pop- Como foi que surgiu a oportunidade de lançar Outro Sol no Japão?
Max Viana
– O Renato é um brasileiro que atua no Japão, ele fez o contato, e foi a Universal Music Japan quem na verdade me convidou para gravar por lá. Mas ficou claro que seria um desperdício não lançar no Brasil, também, e é por isso que o álbum está saindo aqui e lá. No Japão, também sairá no formato físico no segundo semestre. Não mudei a minha concepção musical em função do disco sair no Japão, pois o público japonês gosta dessa diversidade da música brasileira, a música dita “de exportação” dá ao músico uma liberdade maior.

Mondo Pop- Você regravou nesse álbum Samurai, um dos maiores sucessos do Djavan. Como surgiu a ideia dessa releitura?
Max Viana
– Eu gravei parcerias minhas com o meu pai nos meus dois primeiros discos solo, mas nunca havia relido um sucesso dele. Quem teve a ideia foram os japoneses, pois Samurai fez muito sucesso lá nos anos 1980, regravá-la seria uma espécie de fecho de um ciclo. Ficou uma versão renovada, turbinada, bem 2018.

Mondo Pop- A música que você faz é bastante sofisticada, mas possui melodias e letras que fogem do hermético, tanto que Canções de Rei e Prazer e Luz (ambas de No Calçadão, de 2003) integraram trilhas de novela. Como você se autoavalia, musicalmente, e porque seu estilo musical aparece pouco atualmente na grande mídia?
Max Viana
– Acho o meu trabalho muito acessível em termos de melodias e letras. Tenho uma veia popular, mas um pouco mais sofisticada do que o que toca hoje em rádios e na TV. Nada contra, cada um vai buscar o que gosta, o que é preciso acontecer é mais democratização nos veículos de massa, abrindo espaços para estilos musicais além dos que estão na moda.

Mondo Pop- Como foi para você ter decidido trabalhar com música sendo filho de um dos nomes mais importantes da história da MPB?
Max Viana
– Para mim, sempre foi tranquilo a coisa de ser filho do Djavan. Uns são mais rigorosos comigo, outros, mais acessíveis, você se acostuma com a vida que você tem. Em outras profissões, isso é encarado com mais naturalidade, tipo medicina, direito, um filho seguir os passos do pai nessas áreas, enquanto na música encaram de forma um pouco pejorativa. Tem o lado bom e o lado ruim. A vida é sábia, não tem de ter só o lado bom, é preciso do equilíbrio.

Mondo Pop- Você compôs várias músicas com o Dudu Falcão, que também é parceiro de Lenine e Danilo Caymmi e foi gravado por muita gente. Como é seu trabalho com ele?
Max Viana
– Já fizemos parcerias de todas as formas, com ele fazendo letra e eu música, os dois fazendo as duas coisas etc. Ele é muito rápido, intenso, natural, aprendo muito com ele, A gente compõe sempre, independente de trabalho, de ter um disco para lançar ou coisa assim. Eu produzi o disco dele, não se trata “apenas” de um letrista.

Canções de Rei (clipe)- Max Viana:

Maneva lança single e gravará um DVD/CD acústico ao vivo

maneva banda-400x

Por Fabian Chacur

Há mais de dez anos na estrada, o grupo Maneva iniciou sua parceria com a Universal Music há quase dois anos. Desde então, conseguiu ampliar ainda mais os seus horizontes. Sua mais recente turnê passou por 19 estados e 130 cidade, atingindo mais de 600 mil expectadores. Agora, chegou a hora de preparar um novo trabalho. Eles acabam de lançar um novo single, e gravam neste fim de semana um DVD/CD acústico. Os ingressos para o show de sábado (2/6) já estão esgotados, mas ainda existem ingressos para o de domingo (3/6). Saiba mais aqui.

Integrado por Tales de Poli (vocal), Felipe Sousa (guitarra), Fernando Gato (baixo), Diego Andrade (percussão) e Fabinho Araújo (bateria), o Maneva é um dos nomes mais bem-sucedidos do reggae brasileiro nos últimos anos. Para Diego, esse sucesso tem a ver com as vibrações positivas do som da banda. “Cantamos o que a gente sente, com vibrações positivas, pra cima, trazendo as pessoas para o bem”, avalia.

Tô de Pé, o novo single, está sendo divulgado com um videoclipe gravado na avenida Paulista, e fala sobre a batalha para ser feliz mesmo seguindo um estilo de vida diferente do padrão tradicional da sociedade em geral. Caio, um músico de rua descoberto quando a equipe que registrou o vídeo pesquisava as locações, é o personagem principal.

“Acho que a gente pode ser feliz buscando novas soluções para encontrar a felicidade, para termos uma vida que apreciamos. E esse novo single representa isso, a busca da vida que será perfeita para você sem se importar com os outros”, explica Tales.

O trabalho, que mostrará a banda em meio a violões, percussão, metais e teclados eletroacústicos, trará uma mescla de nove faixas inéditas com outras tantas canções não tão conhecidas do repertório do grupo oriundo da zona norte da cidade de São Paulo.

“Deixamos de fora os nossos maiores hits para não ficar mais do mesmo, pois eles já fazem parte dos DVDs anteriores; temos os lados B do nosso acervo antigo que o grande público ainda não conhece, como Teu Chão, Ruínas e Vá Vivendo, por exemplo”, explica Diego.

Duas surpresas só serão descobertas na hora dos shows. Uma será a primeira vez em que o grupo gravará uma música de outro artista. Diego só dá uma pista: é um grande sucesso do pagode dos anos 1990. A outra fica por conta da provável participação de convidados especiais.

Este será o terceiro DVD e oitavo CD da bem sucedida carreira do Maneva. “Levantamos essa bandeira das bandas orgânicas, que são poucas atualmente no Brasil comparando com as eletrônicas, mas esse é o som no qual acreditamos”, finaliza Diego.

Tô De Pé (clipe)- Maneva:

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