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Tag: folk rock

Jake Bugg resgata rock dos anos 50/60

Por Fabian Chacur

Faça um teste. Ouça as músicas de Jake Bugg sem ler nada sobre ele. Tente chutar quando saiu seu disco de estreia. Garanto que muita gente irá apostar em 1965, 1966 ou algo assim. No entanto, o álbum de estreia desse cantor, compositor e músico britânico, intitulado Jake Bugg, saiu no exterior em outubro de 2012 e acaba de chegar às nossas lojas agora, via Universal Music.

Quem ouviu sabe o porquê dessa dúvida. A sonoridade da obra desse adorável moleque de 19 anos e rosto que lembra um jovem Keith Richards é quase toda calcada no rock dos anos 50 e 60. Nomes como Bob Dylan, Johnny Cash, The Everly Brothers, Carl Perkins, Buddy Holly, Roy Orbison, The Rolling Stones e The Beatles surgem imediatamente na mente do ouvinte mais bem-informado.

Este músico oriundo de Nottingham também demonstra ter ouvido com atenção alguns artistas mais recentes, entre os quais o grupo Oasis e o cantor e compositor Brendan Benson. O melhor de tudo é que, graças a sua inteligência, talento e garra, ele não soa como um mero diluidor desses nomes grandões citados acima.

Mal comparando e com as devidas proporções, Bugg equivale a uma verdadeira anomalia no atual cenário pop, tal qual os adoráveis Stray Cats nos anos 80, que tocavam rockabilly cinquentista de forma magistral em plena era do tecnopop, rock gótico e heavy metal. E, exatamente como o trio americano, Jake já conseguiu vender muitos discos. Esse álbum de estreia atingiu o primeiro lugar na Inglaterra.

Merecidamente, diga-se de passagem. Afinal, é de se tirar o chapéu a façanha de superar tantos concorrentes atuais valendo-se apenas de canções melódicas, gravadas com acompanhamento básico no melhor estilo violão, baixo e bateria, ou guitarra, violão, baixo e bateria, ou só violão e voz, sem teclados e com técnicas de gravação estilo analógico.

As 14 faixas do álbum são muito legais. Lightning Bolt, por exemplo, soa como Johnny Cash puro. Two Fingers tem um tempero meio Brendan Benson, enquanto a bela balada em tom menor Ballad Of Mr.Jones traz pitadas do lado mais melódico do finado Oasis. O rockabilly Trouble Town é uma delícia. E por aí vai. E vai bem, muito bem.

Jake Bugg, o disco, mostra que é possível mergulhar em um universo repleto de clássicos como o folk-rock, country, rock básico e rockabilly, e tirar dali um trabalho consistente, bom de se ouvir e que não cai na pura caricatura. Basta ter talento e bom gosto. Uma façanha, sem sombra de dúvidas, ainda mais para um garoto de apenas 19 anos.

No momento, Jake Bugg está trabalhando em Malibu, Califórnia, com o premiado produtor Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Johnny Cash, Tom Petty e tantos outros) em faixas previstas para entrar em seu segundo álbum, entre elas Slum Dog Sunrise. Vamos ver o que sai dessa parceria, pois a expectativa criada por essa bela estreia é grande.

Ballad Of Mr. Jones – Jake Bugg:

Trouble Town _ Jake Bugg:

Two Fingers – Jake Bugg:

Of Monsters And Men surpreende no Brasil

Por Fabian Chacur

Surgida na distante Islândia há apenas três anos, a banda Of Monsters And Men já é um nome familiar para os apreciadores de folk rock nos quatro cantos do mundo. E isso com apenas um álbum, o delicioso e delicado My Head Is An Animal, que saiu por aqui pela Universal Music e inclui os hits fofinhos Dirty Paws, Little Talks e Mountain Sound.

Na última sexta-feira (29/3), o quinteto se apresentou no palco Butantã do Lollapalooza Brasil 2013 e se firmou como uma das mais agradáveis surpresas do evento. Suas armas: um show simples, bom de se ver e ouvir, boas canções e a ótima atuação de seus dois cantores, a simpática Nana Brindis e o gordinho gente boa Ragnar Raggi Porhallsson (que também toca violão acústico).

Completam o time os também competentes Brynjar Leifsson (guitarra), Arnar Hilmarson (bateria), Arni Gudjohnsson (teclados) e Kirstjan Pall (baixo). Após mais dois shows na cidade, um deles no formato pocket marcando a estreia no Brasil dos Go Shows do Vevo Brasil, plataforma de vídeos que pode ser acessada via Youtube, eles se foram do país nesta terça (2).

Em entrevista coletiva concedida na tarde desta segunda-feira (1º) no hotel Renaissance, em São Paulo, o grupo mostrou muita simpatia e também timidez nas respostas dadas às questões dos jornalistas presentes. Provavelmente ainda estão se acostumando com o assédio dos jornalistas. Nós, os eternos malas…

“Ficamos muito surpresos e impressionados com a reação do público brasileiro. É o melhor público que já tivemos até hoje em nossa carreira”, afirmou Ragnar. Nos shows, ele tocam músicas do primeiro álbum e também alguns covers, entre eles uma canção do grupo Yeah Yeah Yeahs e Close To Me, do The Cure.

Eles se dizem felizes com a repercussão que o seu estilo musical, uma versão pop do folk rock, está obtendo no mundo atualmente, com direito a estouro de bandas como o Mumford & Sons. “Há um maior interesse pelo tipo de som que fazemos, assim como uma nova concepção musical em torno dele”, dizem.

A banda se assume como integrada por fãs de estilos bem distintos, que incluem o próprio folk, rock e até música erudita (“menos heavy metal”, garantem, rindo). Em São Paulo, foram a uma churrascaria e se perderam na Vila Madalena. “A mulher do nosso agente é brasileira, e fomos recepcionados com uma festa”, disse Ragnar.

Para Ragnar, o som que eles fazem é universal, com um pequeno tempero islandês na mistura. “Queremos ser universais em teros musicais, mas nossa origem se reflete no que fazemos. A atmosfera de nossa musica tem um tempero islandês, não é uma batida ou um tipo de melodia, pois não existe um ritmo musical próprio na Islândia. Acho que nossa música reflete um pouco da melancolia existente nas paisagens e montanhas de nosso país”.

Eles curtiram bastante tocar no Lollapalooza Brasil, e afirmam que foram convidados para se apresentar por aqui após terem tocado na versão do evento realizada na cidade americana de Chicago em 2012. “Antes, tocávamos mais em lugares fechados, mas achamos mais cômodo e agradável para nós tocarmos em festivais em locais abertos, tem mais a ver conosco”.

O nome da banda, segundo Rágnar, deveria ter denominado uma revista em quadrinhos planejada por eles. “O enredo iria enfocar o contraste entre os homens e os monstros, e as suas semelhanças, mas a revista não saiu e achamos que seria legal dar esse título à banda.

Além do Brasil, Nana e seus colegas afirmam que seus maiores públicos se encontram nos EUA, Canadá e Austrália. Para quem aguarda um DVD com performances ao vivo deles, Rágnar não deu uma resposta muito animadora, embora bastante consciente.

“Achamos que ainda é cedo para gravarmos um DVD ao vivo. Vamos esperar ter um pouco mais de estrada para depois fazer isso, quando tivermos mais experiência”.

Veja o clipe de Mountain Sound, do Of Monsters And Men:

CD dos Lumineers sairá no Brasil dia 26

Por Fabian Chacur

O folk rock, um dos estilos mais bacanas do universo da música pop, parece viver uma nova fase positiva em termos de sucesso comercial. Após o estouro do excelente grupo britânico Mumford & Sons, com direito a CD no primeiro posto da parada americana e Grammy de álbum do ano (o ótimo Babel), agora parece ser a vez de uma banda americana se destacar nessa cena rocker.

Trata-se do trio The Lumineers, que surgiu em Ramsey, Nova Jersey, e agora está sediado em Denver, Colorado, na região em que está localizado o mítico anfiteatro de Red Rocks, no qual já tocaram e gravaram trabalhos ao vivo nomes de alto gabarito como U2, Stevie Nicks, Dave Matthews Band e, não por coincidência, Mumford & Sons.

O The Lumineers é integrado por Wesley Schultz (vocal e violão), Jeremiah Fraites (violão e vocais) e Neyla Pekarek (cello, a única nativa de Denver, Colorado). Eles começaram a se tornar conhecidos graças à música Ho Hey!, que foi visualizada no Youtube mais de 50 milhões de vezes e atingiu o 5º posto nos EUA entre as mais vendidas pela via digital.

Ho Hey! e Stubborn Love (que também já tem vídeo em alta nos Youtubes da vida) são os destaques de The Lumineers, o álbum de estreia do grupo americano, que já tem data acertada para chegar às lojas brasileiras, via Universal Music: 26 de março. Pela amostra, aguardem coisa muito boa a caminho. Estou com os ouvidos coçando…

Ho Hey!, com The Lumineers (clipe):

Stubborn Love (clipe), com The Lumineers:

Doutor Jupter faz show energético em SP

Por Fabian Chacur

Quem ficou em Sampa City neste feriado de 15 de novembro e deu as caras no Sesc Consolação teve a oportunidade de ver ao vivo e de forma gratuita o show de uma das mais promissoras bandas do rock brasileiro atual, a Doutor Jupter.

Com seis anos de estrada com esse nome, o quarteto criado em Ribeirão Preto (SP) e radicado em São Paulo investe em uma bem dosada mistura de rock, folk, country e psicodelismo. Seu álbum autointitulado, lançado em 2011 e disponível para download gratuito no site da banda ( www.doutorjupter.com.br ) é dos mais recomendáveis.

Ao vivo, o time esbanja garra, talento e competência. O vocalista Ricardo Massonetto canta bem, tem carisma e se desdobra tocando guitarra, violão, banjo e gaita. Seu irmão Dudu ajuda nos vocais de apoio e se mostra um baixista sólido. A vibração do baterista Mateus Briccio e a performance ora sutil, ora encapetada do guitarrista Márcio Gonzales completam a festa.

Além de tocarem músicas do mais recente álbum, entre elas Liquidificador, o Doutor Jupter apresentou duas releituras impecáveis e criativas de sucessos alheios. Wonderwall, do Oasis, e especialmente Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), clássico da MPB, ganharam a assinatura da banda e ficaram deliciosas. Deveriam gravá-las!

Durante cerca de uma hora, o público que lotou a sala de convivência do Sesc Consolação se esbaldou com um som ao mesmo tempo melódico e dançante que tomou conta de todos. Tipo de grupo que merece ser convidado para participar de um desses festivais grandões que, com fequência, acabam levando bandas bem inferiores do que essa por razões inconfessáveis…

Ouça Liquidificador, com o Doutor Jupter:

Doutor Jupter fará show gratuito em SP

Por Fabian Chacur

O Doutor Jupter, uma das melhores banda da atual cena folk-country rock brasileira, irá fazer um show gratuito em São Paulo. A apresentação será realizada no dia 15 de novembro(feriado) às 17h no Sesc Consolação (rua Dr. Vila Nova, 245- Vila Buarque-fone 0xx11-3234-3000 e www.sescsp.com.br). Bela chance de conferir um som bem bacana sem precisar pôr a mão no bolso.

Oriundo de Ribeirão Preto e sediado em Mairiporã (SP) desde 2006, o quarteto hoje integrado por Ricardo Massonetto (vocal, violão, banjo e gaita), seu irmão Dudu Massonetto (baixo e vocal), Mateus Briccio (bateria) e Márcio Gonzales (guitarra, banjo e violão) iniciou sua carreira em 1998, ainda com o nome Sociedade Urbana.

Com a mudança para a Grande São Paulo e ganhando a adição de Márcio Gonzales, o Doutor Jupter aos poucos consolidou uma sonoridade calcada em country rock, folk e o chamado rock rural brasileiro, com influências bem digeridas de grupos como Sá, Rodrix & Guarabira, Legião Urbana, Capital Inicial, The Band, Creedence Clearwater Revival, The Band e Beatles.

O quarteto lançou um EP em 2009 com a produção a cargo de Edgard Scandurra, e seu primeiro CD em 2011. O álbum de estreia traz faixas extremamente interessantes, entre as quais Me Cuida, Dois Mundos, O Otimista e Bang Bang, com um repertório que consegue conciliar com categoria sofisticação e simplicidade.

Leia entrevista de Mondo Pop com a banda aqui

Ouça Me Cuida, com o Doutor Jupter:

Ouça O Otimista, com o Doutor Jupter:

Agridoce fará quatro shows em São Paulo

Por Fabian Chacur

Como forma de mostrar uma outra faceta de sua musicalidade, Pitty montou, com Martin (guitarrista de sua banda de apoio), o projeto Agridoce, que investe em uma sonoridade mais acústica, folk e levemente instrumental.

Bastante elogiado por público e crítica, o álbum de estreia do duo será o mote dos quatro shows que o Agridoce fará de 3 a 6 de maio no Tom Jazz (avenida Angélica, 2331 – Higienópolis – fone 0xx11-3255-0084- www.tomjazz.com.br), com ingresso a R$ 70.

O repertório do show incluirá Dançando, primeira música de Agridoce (o CD) a se destacar nas programações de rádios e emissoras de TV com viés musical, e também Upside Down, Embrace The Devil e 20 Passos, além do cover de Please Please Please Let Me Get What I Want, dos Smiths,única canção não inédita presente no álbum.

Pitty (voz e piano) e Martin (violão) terão no show o apoio de Luciano Malásia (percussão) e Loco Sosa (programaçoes e efeitos). As apresentações começam às 222h (domingo às 21h). Uma boa oportunidade para se ouvir a voz de Pitty longe do contexto hard/heavy rocker que a caracteriza em seus 10 anos de bem-sucedida carreira.

Veja o clipe de Dançando, do Agridoce:

Uma fantástica hora com Roger McGuinn em DVD

Por Fabian Chacur

O meu coração bate mais forte quando ouço o nome The Byrds. É sem sombra de dúvidas uma das minhas bandas de rock favoritas, além de ser uma das mais importantes da história desse gênero musical.

Sempre que se fala nesse saudoso grupo americano, o primeiro de seus integrantes que me vem à cabeça é o do cantor, compositor e guitarrista Roger McGuinn.

Lógico que também adoro David Crosby (um de meus herois no rock), Chris Hillman, Gene Clark e Mike Clarke, ou mesmo Gram Parsons (que só gravou um disco com a banda, mas o influente Sweetheart Of The Rodeo)

No entanto, McGuinn foi o único que esteve no time durante toda a sua existência, dos idos.de 1965 até 1973.

Além disso, trata-se do cara que mergulhou de cabeça nas possibilidades sonoras da guitarra Rickenbacker de 12 cordas.

Dessa forma, ajudou a criar o que posteriormente se convencionou chamar de folk rock, injetando fortes doses roqueiras no som que Bob Dylan vinha fazendo, e impulsionando o autor de Blowin’ In The Wind a também seguir essa direção.

O DVD Live At The Basement (2008-ABC Entertainment) nos oferece uma rara oportunidade de conferir McGuinn ao vivo, acompanhado apenas de sua guitarra ou de um violão.

Além de mostrar alguns dos maiores clássicos dos Byrds, entre os quais Mr. Tambourine Man, Feel a Whole Lot Better, Mr. Spaceman e Eight Miles High, ele também fala sobre a carreira, como arranjou ou compôs algumas de suas músicas e coisas assim.

O papo é informal e gostoso, no qual o músico nos proporciona momentos realmente marcantes.

Além de ser maravilhoso poder ouvir o seu estilo próprio de tocar guitarra sem o acompanhamento de outros instrumentos, até como forma de apreciá-la melhor, e também sua bela voz.

Esse DVD não foi lançado no Brasil, mas chegou até aqui em versão importada da Inglaterra na Fnac, e eu dei a sorte de conseguir adquirir uma cópia por menos de R$ 20, dá para acreditar. Vai ser sortudo na Lua! Procure por aí, ou baixe, se for o caso. Vale a pena.

Veja Roger McGuinn cantando Turn! Turn! Turn!, voz e guitarra:

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