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Robert Plant:70 anos de idade com Led Zeppelin e bem mais

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Por Fabian Chacur

Em 1968, o ex-cantor do obscuro grupo Band Of Joy recebeu um convite irrecusável. Jimmy Page, guitarrista que havia se tornado famoso no cenário musical como músico de estúdio e integrante da última formação do celebrado The Yardbirds, ofereceu ao vocalista em questão uma vaga em sua nova banda. A resposta positiva equivale ao pontapé inicial rumo ao estrelato do sujeito em questão, um certo Robert Plant, que celebrou 70 anos de idade nesta segunda (20) ainda ativo e relevante.

Quando a banda de Page e Plant lançou seu álbum de estreia, em janeiro de 1969, rapidamente se transformou em uma das formações mais celebradas e icônicas do rock. Em seus 12 anos de existência, o Led Zeppelin vendeu milhões de discos, lotou estádios, superou a perseguição da crítica especializada de então e provou que o rock pesado podia ter horizontes musicais mais amplos e criativos do que alguns roqueiros mais radicais poderiam imaginar.

Com sua voz potente, capaz de alcançar agudos poderosos e também desempenhar muito bem nas regiões mais graves, Robert Plant ainda trazia como atrativos uma postura de palco extremamente eficiente e muito talento como compositor. Sua versatilidade como cantor ajudou o quarteto, que tinha também os brilhantes John Paul Jones (baixo e teclados) e John Bonham (bateria), a mergulhar em sonoridades distintas, criativas e repletas de prazer auditivo.

Não é qualquer cantor que pode se meter a cantar em uma mesma banda rocks pesados como Communication Breakdown, Celebration Day e Whole Lotta Love, blues ardidos e poderosos como Since I’ve Been Loving You, You Shook Me e I Can’t Quit You Baby, canções folk como Tangerine e híbridos como a folk-rock-soul Over The Hills And Far Away e a balada pesada Stairway To Heaven. E isso só para citar algumas das vertentes desenvolvidas pelo grupo…

Com o fim do Zeppelin em 1980, Robert Plant poderia facilmente ter se tornado um daqueles artistas que passa a viver do seu passado de glória. Mas isso não ocorreu. Em 1982, dava início a uma produtiva carreira solo com o lançamento do álbum Pictures At Eleven. Rapidamente se firmou na nova opção de carreira, e em momento algum caiu na tentação de fazer só um pastiche da antiga banda, mesmo não abandonar o rock.

Hits dos anos 1980, como a fortemente influenciada pelo tecnopop Little By Little, o rockão Tall Cool One, a belíssima balada Ship Of Fools e a vigorosa Hurting Kind (I’ve Got My Eyes On You) ilustram bem essa nova fase de sua carreira, ajudando-o a ser o bem-sucedido Robert Plant, e não “apenas” o ex-cantor do Zeppelin.

Com o tempo, retomou sua paixão pelo folk e pelo country e investiu em consistentes trabalhos nesses segmentos, dos mais o mais bem-sucedido em termos artísticos e de vendagens foi o excelente álbum Raising Sand (2007), gravado em dupla com a cantora, compositora e musicista americana Alison Krauss e que lhe rendeu cinco troféus Grammy (incluindo o de álbum do ano), algo que não havia conseguido em sua época de Led Zeppelin.

Nessa abertura por projetos diferenciados, ele foi em 1984 o vocalista principal do EP The Honeydrippers Volume One, no qual releu ao lado de amigos como Jimmy Page, Jeff Beck e Nile Rodgers cinco clássicos do r&b, entre eles a deliciosa balada Sea Of Love, que acabou se transformando em seu maior hit em termos comerciais fora do Zepp.

O mérito de Robert Plant é ainda maior se levarmos em conta que ele teve problemas com as cordas vocais em alguns momentos dessa trajetória, inclusive nos tempos de Zeppelin. Felizmente, conseguiu se recuperar, embora tenha passado a se concentrar um pouco mais nos registros vocais mais graves, sempre de forma inspirada e deliciosa.

Os fãs do Led Zeppelin sempre sonharam com um retorno do grupo, mesmo sem o saudoso baterista John Bonham, cuja morte em setembro de 1980 causou o fim da banda. No entanto, eles só deram algumas poucas oportunidades para saciar as saudades de todos: em 1985, no Live Aid, em 1988, no aniversário de 40 anos da Atlantic Records, e em 2007, com um show completo em Londres registrado e lançado posteriormente em DVD, Blu-ray e CD.

Page e Plant também proporcionaram aos fãs o lançamento de dois álbuns em dupla, No Quarter (1994) e Walking Into Clarksdale (1998). A turnê de divulgação do primeiro os trouxe ao Brasil em janeiro de 1996, em shows no Rio e em São Paulo durante a última edição do festival Hollywood Rock.

Robert Plant cantou no Brasil pela primeira vez em janeiro de 1994, no Rio e em São Paulo, como atração do festival Hollywood Rock. Nessa ocasião, tive a oportunidade de participar da entrevista coletiva concedida por ele em São Paulo no hotel Maksoud Plaza, na qual ele se mostrou simpático e bem-humorado, brincando que ele sempre se mantinha com o visual “carneirinho”, por causa da cabeleira cacheada.

Nessa mesma ocasião, consegui que ele me autografasse a coletânea em vinil Ten For Forty Seven. Lembro que dei a ele a contracapa para o autógrafo, e ele não reconheceu de pronto o álbum, olhando a seguir para a capa e comentando “ah, é Ten For Forty Seven…”.

Seu mais recente trabalho, o CD Carry Fire, saiu em outubro de 2017 e conseguiu ótimo resultado comercial e bons elogios por parte da crítica especializada. Ele foi acompanhado novamente pela banda the Sensational Space Shifters. Em março de 2015, vi o show deles no Lollapalooza Brasil, e fiquei impressionado com a ótima performance de Plant em termos vocais. Feliz 70 anos, mestre!

Tall Cool One (clipe)- Robert Plant:

Yusuf/Cat Stevens cativa com o álbum The Laughing Apple

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Por Fabian Chacur

Cat Stevens iniciou sua carreira discográfica em 1967. Naquele mesmo período, no qual comemorou 19 anos de idade, ele lançou seus primeiros álbuns, Matthew & Son (março) e New Masters (dezembro). Muita coisa mudou desde então, incluindo o seu nome, que passou a ser Yusuf Islam, devido à sua conversão ao islamismo. Mas o talento musical se manteve firme, como prova seu novo CD, The Laughing Apple (Universal Music).

Na verdade, o novo trabalho deste genial cantor, compositor e músico britânico equivale a uma mistura entre o passado e o presente. Quatro faixas- I’m So Sleepy, Northern Wind (Death Of Billy The Kid), The Laughing Apple e Blackness Of The Night foram lançadas no LP New Masters, mas o autor nunca gostou do resultado rebuscado e recheado de sons orquestrais impostos pelo produtor Mike Hurst. Elas reaparecem aqui em novas gravações nas quais os arranjos são mais delicados e minimalistas, com um resultado muito melhor.

Outra faixa reciclada é Grandsons, lançada na coletânea The Very Best Of Cat Stevens (2000) com o título I’ve Got a Thing About Seeing My Grandson Grow Old e letra diferente. O resgate dessas canções explica o porque, pela primeira vez em sua carreira, o artista credita um álbum simultaneamente a Yusuf/Cat Stevens, pois as outras seis canções são da safra atual. Vale lembrar que ele ficou longe da música pop do fim dos anos 1970 até 2006, quando retornou com o excelente An Other Cup.

A sonoridade de The Laughing Apple remete à fase de maior repercussão da obra de Stevens/Yusuf, ocorrida na primeira metade da década de 1970. Não por acaso, o coprodutor do novo CD é o mesmo Paul Samwell-Smith daqueles tempos, assim como o guitarrista Alun Davies marca presença com sua forma marcante de tocar. O entrosamento entre eles continua impecável, assim como o deles com os outros músicos presentes no álbum.

Grave e doce como de praxe, a voz do artista conduz belas canções que misturam folk ocidental e oriental de várias épocas a pop e a um bocadinho de rock. Conciso, o conteúdo do álbum é passível de ser apreciado pelo ouvinte de forma tranquila e estimulante, sem cair em um possível clima modorrento típico de alguns artistas ditos folk atuais.

As canções de épocas diferentes se integraram de forma muito boa, sendo que dificilmente o leigo seria capaz de dizer quais são as dos anos 1960 e quais foram criadas neste século. See What Love Did To Me, You Can Do (Whatever), Don’t Blame Them e Blackness Of The Night são pontos altos de um trabalho no qual requinte, doçura e simplicidade convivem de forma harmoniosa e inspirada.

Esse belo conteúdo musical vem em uma embalagem (no formato CD, o analisado para esta resenha) simplesmente maravilhosa, prova de que o formato físico ainda se mostra muito mais completo para o apreciador da arte musical como um todo.

Com preciosos desenhos a cargo do próprio Yusuf, a capa digipack traz embutido encarte com as letras, ilustrações para cada canção e ficha técnica completa de cada faixa. The Laughing Apple equivale a uma viagem sensorial rumo a uma era de paz, sonho e encanto que talvez só exista nos cinzentos dias atuais durante a audição atenta de maravilhas como este CD. Menos mal. Sonhar é preciso.

You Can Do (Whatever)!– Yusuf/Cat Stevens:

Before This World mostra um James Taylor bem inspirado

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Por Fabian Chacur

James Taylor é o que se pode chamar de um estilista da canção. Ótimo violonista e cantor de voz deliciosa, o astro americano prima pelo capricho e pela inspiração em seus trabalhos. Tanto que não é de lançar disco toda hora. Before This World, seu novo CD, é o primeiro de inéditas desde October Road (2002), e sua estreia no número 1 da parada de álbuns nos EUA (leia mais aqui). Discaço!

Nesses 13 anos sem canções novas, Taylor nos proporcionou um disco natalino (A Christmas Album-2004), um ao vivo (One Man Band-2007), um de covers (Covers-2008) e o histórico ao vivo Live At Troubadour (2010-leia crítica aqui ), este último em dupla com a amiga Carole King. Ou seja, continuou fazendo coisas boas e trabalhando bastante.

Esse retorno às inéditas não poderia ter sido mais legal. No encarte que acompanha o CD, lançado no Brasil pela Universal Music, ele afirma que até tirou um tempo especialmente para compor, algo que já não fazia há algum tempo. De quebra, montou uma banda com ótimos músicos, entre os quais o guitarrista Michael Landau, o percussionista Luis Conte e o baterista Steve Gadd, feras do primeiro escalão da música pop.

Não há arestas aqui a serem aparadas. Temos dez músicas, todas muito boas. Sting marca presença na belíssima faixa título, da qual também participa o músico Yo-Yo Ma (que também toca na balada You And I Again). O repertório é um mergulho no universo habitual de Taylor, com direito a folk, country, rock e pitadas de pop e jazz aqui e ali.

Today Today Today tem aquela levada folk pra cima que marca hits como Your Smiling Face, enquanto Stretch Of The Highway equivale a um rock manso. Watchin’ Over Me é um rock de acento country com refrão expressivo, e Angels Of Fenway possui um tempero gospel delicioso. As evocativas Montana e Showtime são cativantes, assim como Far Afghanistan, momento mais politicamente engajado do trabalho.

Before This World é um trabalho de um artista fiel a seus caminhos musicais, que no entanto não cai em repetições. Suas sutilezas vão aparecendo a cada nova audição, e certamente deliciarão seus milhões de fãs mundo afora. Aos 67 anos, James Taylor se mostra inspirado, lúcido e capaz de nos oferece novas e belas canções.

Before This World– James Taylor (ouça em streaming):

Jake Bugg resgata passado sem soar datado

Por Fabian Chacur

Jake Bugg fez 20 anos de idade no último dia 28 de fevereiro. Nasceu, portanto, em 1994, várias décadas após o surgimento do som que o influencia de forma muito forte. Qual o problema? Rigorosamente nenhum, se levarmos em conta o ótimo desempenho deste jovem cantor, compositor e guitarrista britânico em sua performance durante o Lollapalooza Brasil 2014 no último domingo (6). Um show muito interessante e estimulante em termos artísticos.

Acompanhado apenas por um baixista e um baterista, no melhor estilo power trio, Bugg não tem medo de se expor, pois os holofotes de sua quase uma hora de apresentação ficaram nele o tempo todo. Cantando e tocando guitarra e também violão, ele só tem um ponto teoricamente negativo, que é o de não se comunicar com a plateia. Raros momentos de interação com a plateia presente, sempre tímidos e contidos.

Com o instrumento na mão e o microfone na frente, no entanto, a postura do cara é outra. Canta bem, com sua voz sendo uma mistura de elementos das de Liam Gallagher, Johnny Cash, Lonnie Donegan (bem observado, Raul Bianchi!), Bob Dylan, Mick Jagger dos anos 60 e Carl Perkins, só para citar algumas influências mais nítidas. Mas com personalidade suficiente e bastante adrenalina incorporados na mistura.

O lado guitarrista de Jake Bugg surpreende. O garoto sabe tocar, e sola com desenvoltura surpreendente para um garoto de 20 anos com apenas dois discos no currículo. Seu violão é bastante consistente, também, e a soma de seus talentos dá mostras de um artista que, se tiver a cabeça no lugar e não se deixar levar pelo lado negro do estrelato, tem tudo para se firmar no panteão do rock and roll.

Sobre o primeiro álbum do artista, intitulado Jake Bugg, você já leu resenha em Mondo Pop (se não leu, leia aqui). O segundo, Shangri La, acaba de sair por aqui via Universal Music, e tira uma dúvida: como ficaria ele produzido pelo consagrado Rick Rubin, que já trabalhou com Red Hot Chili Peppers, Tom Petty e tantas outras estrelas?

A resposta é positiva. Rubin foi inteligente e não inventou. Mesmo com novos músicos a seu lado, Bugg continua firme e forte no seu mergulho no universo do folk, rock anos 50, rhythm and blues, blues e rockabilly. O repertório do álbum é excelente, com destaque para as ótimas Slumville Sunrise, Messed Up Kids, A Song About Love, Kingpin e Storm Passes Away. 12 canções básicas, bem construídas e bem arranjadas, com interpretações precisas.

O show teve como base as músicas desses dois ótimos álbuns, mais um cover de My My Hey Hey, de Neil Young, que inúmeros artistas já releram anteriormente, mas que ele encarou com a devida vibração, sem cair no lugar comum ou na mera repetição. O show se encerrou com a endiabrada Lightning Bolt, que abre o álbum de estreia. No geral, Jake Bugg provou no Lollapalooza Brasil 2014 ser uma jovem realidade, com um futuro brilhante pela frente.

Seen It All, Jake Bugg, no Lollapalooza Brasil 2014:

Paula Fernandes retorna com superprodução

Por Fabian Chacur

Com mais de três milhões de álbuns vendidos e o posto de uma das artistas de ponta no atual cenário musical brasileiro, Paula Fernandes não nivela por baixo em seu novo lançamento. O CD duplo e DVD intitulado Multishow Ao Vivo Paula Fernandes Um Ser Amor chegou às lojas nesta terça-feira (22) com tiragem inicial de 300 mil exemplares e uma produção em nível internacional.

Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (22) em um luxuoso hotel na zona sul de São Paulo, a cantora, compositora e musicista nascida em Sete Lagoas (MG) afirmou viver o melhor momento de sua vida, com direito a maturidade, mais equilíbrio e cada vez mais controle sobre seu trabalho. Ela agora tem um escritório próprio para cuidar de sua carreira, o Jeito de Mato, e não abre mão dessa atenção toda ao que faz em termos profissionais.

Veja Um Ser Amor, com Paula Fernandes, do novo DVD:

“Participei de absolutamente tudo na produção desse DVD, desde cenário, edição de áudio, vídeo, seleção de músicas. Cheguei a ficar 24 horas seguidas em uma ilha de edição. Foi muito emocionante. Quis mostrar nesse trabalho minhas várias facetas, meu lado atriz, romântico. A gente pode muita coisa. Tento ser eu mesma, doar o que eu tenho de bom”.

Multishow Ao Vivo Paula Fernandes Um Ser Amor foi gravado ao vivo na HSBC Arena no Rio no dia 8 de junho de 2013 perante aproximadamente oito mil pessoas, belo contraste em relação às 400 pessoas que presenciaram o registro do DVD anterior, Paula Fernandes Ao Vivo, que a tornou conhecida nacionalmente e a catapultou rumo ao estrelato. Ela compara os dois momentos.

“Tive a oportunidade de realizar sonhos nesse novo trabalho, como entrar montada em um cavalo em uma das músicas, contar com as participações de Zezé di Camargo & Luciano e Roberta Miranda e investir em um palco tão sofisticado como esse. Hoje estou mais solta, mais segura. Escolhemos o Rio por ser a cara do Brasil, e o cenário trouxe o campo para o show”.

Um dos momentos que Paula classifica como mais emocionante no show fica por conta da hora em que, no telão, é exibido um vídeo dela ainda criança interpretando Coração na Contramão, de Zezé di Camargo & Luciano, mesma canção escolhida para ela dividir com a dupla. A estrela mineira se diz fã incondicional da dupla, e já compôs algumas canções com Zezé.

Veja Nunca Mais Eu e Você, do novo DVD de Paula Fernandes:

O repertório do CD/DVD mistura oito canções inéditas, clássicos de seu repertório e releituras de repertório alheio, incluindo um medley de hits da estrela country canadense Shania Twain. Aliás, ela surpreendeu alguns jornalistas presentes ao afirmar que possui um gosto bastante eclético em termos musicais, embora admita que não esteja ouvindo muita coisa atualmente em função do trabalho duro.

“Gosto de Metallica, Iron Maiden, U2, Coldplay, não tenho preconceitos musicais. Das garotas, gosto muito da Roberta Sá e da Sandy. A mulher está conseguindo espaços na música sertaneja. Existem muitas cantoras querendo ser a nova Paula Fernandes, e o conselho que dou a elas é que tentem ser elas mesmas, pois foi o que fiz e deu certo”.

Paula Fernandes, que tem um disco em inglês em seu currículo, afirma que uma carreira internacional está surgindo de forma natural para ela, mas que não pretende pular etapas ou deixar os fãs brasileiros em segundo plano para eventualmente se dedicar a esse novo filão profissional. Ela fará alguns shows no exterior em novembro, e deve tirar férias em janeiro e fevereiro de 2014, voltando a seguir para a turnê do novo DVD/CD.

“Acho importante a carreira internacional, mas tenho muita coisa para fazer no Brasil. Meu país é lindo e quero cantar muito nele. Quero falar bem inglês para poder encarar o desafio de enfrentar esse desafio lá fora, e estou me dedicando muito a aprender bem esse idioma”.

Paula Fernandes canta medley de hits de Shania Twain em seu novo DVD:

Entre as canções novas do repertório, Paula destaca Uma Canção Para Mim, que ela encara como uma das mais importantes que já fez. Antes de explica-la melhor, a intérprete afirmou que teve poucos relacionamentos afetivos em sua vida, mas que todos foram muito intensos, e que alguns deles inspiraram canções que gravou em seus discos.

Uma Canção Para Mim fala sobre os meus medos e sobre o amor por mim mesma, o amor próprio. É importante amar a si mesma primeiro para poder amar as outras pessoas. Meu processo de criação de canções é totalmente intuitivo. A musica Um Ser Amor, por exemplo, é sobre desilusões amorosas”.

O novo trabalho de Paula Fernandes foi feito em parceria com o canal a cabo Multishow, que exibiu um resumo do DVD no dia 18 de outubro. A cantora comenta a importância dessa parceria, e também dá uma resposta direta e simples a quem critica o seu visual, que alguns classificam como exagerado ou até mesmo brega.

“Essa parceria com o Multishow é ótima, pois eles exibiram uma parte do DVD, deixando os fãs com vontade de ver o produto completo, é uma ótima divulgação. Quando ao visual, que em alguns momentos me mostra com um jeitão de menina sapeca, sei que não vou agradar a todos, mas o mais importante é me agradar, é me fazer bem, não abro mão disso”.

Dueto de Paula Fernandes e Taylor Swift em Long Live, do novo DVD:

Yusuf Islam (ex-Cat Stevens) cantará no Brasil

Por Fabian Chacur

Nos anos 70, ele chegou a morar por aqui, mas nunca fez shows oficiais, apenas canjas informais. Desta vez, no entanto, o cara não só voltará a nos visitar como irá nos proporcionar três apresentações no Brasil. Estou falando de Yusuf Islam, que se tornou mundialmente conhecido com o nome artístico Cat Stevens.

O cantor, compositor e músico britânico cantará em São Paulo nos dias 16 (ás 22h) e 17 (às 20h) de novembro no Credicard Hall, enquanto no Rio, onde morou, no dia 20 de novembro, no Citibank Hall. Os ingressos começam a ser vendidos entre 24 e 30 de julho em pré-venda, e a partir do dia 31 de julho para o público em geral.

O preço dos ingressos vai de R$ 90 a R$ 950 em São Paulo, enquanto no Rio ficarão entre R$ 240 e R$ 920. Mais informações poderão ser obtidas através do fone 4003-5588 (de alcance nacional) ou então pelo site www.ticketsforfun.com.br .

Cat Stevens nasceu na Inglaterra no dia 21 de julho de 1948, ou seja, vai completar 65 anos de idade na próxima segunda-feira (21). Ele se tornou conhecido inicialmente em 1967 com as músicas I Love My Dog e Matthew And Son, com uma sonoridade folk levemente psicodélica e com arranjos de cordas.

Em 1968, a tuberculose o tirou de cena durante bons meses, durante os quais ele aprofundou sua espiritualidade e compôs mais de 40 músicas. Quando voltou, em 1970, seu trabalho se aproximou do então ascendente bittersweet rock, com ênfase em violões, letras confessionais e no tom grave e inconfundível de sua bela voz.

Durante os anos 70, emplacou hits como Father & Son, Wild World, Moonshadow, Oh Very Young, Peace Train e Morning Has Broken, assim como álbuns do naipe de Tea For The Tillerman (1970), Teaser And The Firecat (1971) e Catch Bull At Four (1972) que o tornaram um dos mais populares cantores/compositores daquele período.

Ao converter-se ao islamismo em 1977, ele gradualmente foi se afastando da música, até lançar em 1978 o álbum Back To Earth, saindo de cena musical em 1979 para se dedicar integralmente à nova fé. Esse estado de coisas iria perdurar até os anos 2000, quando, incentivado pelo filho, retomou aos poucos o gosto pela arte.

Em 1996, 28 longos anos após Back To Earth, ele lançou An Other Cup, agora se valendo do nome Yusuf, que adotou após a conversão. A sonoridade se mantinha fiel ao folk-pop-rock dos anos 70, assim como sua voz permanecia inconfundível, em hits como a bela Heaven/Where True Love Goes, comparável a seus antigos clássicos.

Após inúmeros shows e turnês, Yusuf mostrou que o retorno era mesmo para valer com um novo e também ótimo álbum, Roadsinger (2009), novamente bem recebido por público e críticos. Ótimos DVDs gravados ao vivo nos anos 70 e na nova fase ressaltaram a consistência artística desse retorno, misturando bem hits novos e antigos.

Ouça Where Do The Children Play, com Cat Stevens:

Ouça Heaven/Where True Love Goes, com Yusuf:

Morre Richie Havens, destaque de Woodstock

Por Fabian Chacur

Morreu nesta segunda-feira (22) em sua casa em Jersey City (New Jersey, EUA) o cantor, compositor e músico Richie Havens, um mestre da música folk. Destaque no festival de Woodstock em agosto de 1969, no qual fez o show de abertura, o artista americano foi vítima de um ataque cardíaco, e tinha 72 anos de idade.

Richie nasceu em 21 de janeiro de 1941, e começou sua trajetória artística atuando em dois segmentos seminais da música negra norte-americana, o doo-wop e o gospel. Posteriormente, mergulharia de cabeça na música folk, mas nunca deixando de lado o delicioso tempero fornecido por suas opções iniciais na música.

Sua atuação no festival de Woodstock, em 1969, ajudou a lhe abrir as portas em termos de popularidade, especialmente após o lançamento do documentário sobre o evento, no qual aparece em apaixonada e vibrante atuação interpretando a canção Freedom, que virou sua marca registrada. Ele a regravaria (muito bem, por sinal) em 2009 para a trilha do delicioso filme Aconteceu Em Woodstock (Taking Woodstock, 1969), de Ang Lee.

Além de compor músicas, Havens também se mostrou em sua carreira um brilhante releitor de composições alheias, especialmente de Bob Dylan e dos Beatles. Um de seus maiores sucessos foi Here Comes The Sun, de George Harrison, assim como Eleanor Ribgy (Lennon-McCartney) e Just Like a Woman (Dylan), entre outros covers inspirados.

Dessas releituras, uma de minhas favoritas é Arrow Through Me, que Paul McCartney escreveu e lançou no último álbum dos Wings, Back To The Egg (1979). A versão de Richie Havens está no álbum Simple Things (1987), que se não me falha a memória me foi apresentada pelo amigo Giovanni Dell’Isola Neto.

O astro americano lançou uma autobiografia, They Can’t Hide Us Anymore, em 2000. O último álbum de inéditas de Havens, Nobody Left To Crown, saiu em 2008. Ele também participou do filme Não Estou Lá (I’m Not There, 2007) interpretando a canção Tombstone Blues, de Bob Dylan, em cuja vida o filme foi inspirado.

Em março deste ano, Richie Havens anunciou o fim de sua carreira em termos de turnês e shows, alegando problemas de saúde. Infelizmente, o temor em torno de sua morte acabou se concretizando de forma mais rápida do que o esperado. Fica a saudade de mais um grande nome revelado no mais icônico festival de rock de todos os tempos que nos deixa.

Ouça Arrow Through Me, com Richie Havens:

Freedom, com Richie Havens, do filme Woodstock:

Suzanne Vega relê composições com classe

Por Fabian Chacur

Em 2010, Suzanne Vega iniciou o projeto Close-Up, no qual pretendia reler, em quatro volumes temáticos, canções gravadas originalmente por ela em seus álbuns lançados entre 1985 e 2007, com direito a algumas inéditas. Leia sobre os volumes anteriores da série aqui e aqui.

A série chega ao final com Vol.4-Songs Of Family, que inclui o maior número de faixas inéditas do pacote, quatro, além de dez de álbuns lançados pela cantora, compositora e violonista americana entre 1990 e 2007. O álbum é provavelmente o mais folk do quarteto, ao menos na opinião da própria artista.

Na minha, trata-se de mais um álbum delicioso de se ouvir, com direito à voz suave e sempre bem colocada de Suzanne, seu violão fluente em primeiro plano e um acompanhamento instrumental conciso e esparso, com direito a momentos do tipo “voice and guitar only” simplesmente certeiros por parte da autora de Luka.

As inéditas são Ludlow Street, Brother Mine, The Silver Lady e Daddy Is White, boa parte delas integrante da primeira fornada de composições de Miss Vega, e tão boas como as que a consagrariam. A moça começou no ofício de compor já com munição de alto calibre.

Quer saber? Ouvir um álbum de Suzanne Vega é bom antídoto contra a mesmice e a agressividade do mundo atual, que às vezes coloca a gente no paredão da irritação, prestes a estourar e a xingar meu lôro de urubu. Um som delicado, agradável e extremamente bem construído. Genial! O que muitas seguidoras atuais do folk seriam, se tivessem talento…

Em tempo: sai na Europa no dia 18 deste mês mais um álbum de Suzanne Vega. Novamente é composto por releituras de suas principais canções, desta vez em gravações ao vivo. O álbum duplo é intitulado Solitude Standing: Live On Barbican, e foi registrado em Londres no mesmo teatro que viu a volta dos Mutantes em 2006. Espero que saia por aqui.

Waters Of March (Águas de Março), com Suzanne Vega e Stacey Kent, ao vivo:

– Tired Of Sleeping (ao vivo) – Suzanne Vega:

Suzanne Vega relê canções em States Of Being

Por Fabian Chacur

Em 2010, Suzanne Vega resolveu reler canções extraídas dos sete álbuns de estúdio lançados por ela entre 1985 e 2007, incluindo no meio uma ou outra canção inédita. O projeto intitula-se Close-Up, e prevê quatro CDs.

A cantora, compositora e musicista americana dividiu o repertório dos álbuns de forma temática. Vol.1, Love Songs e Vol.2, Peoples & Places já foram resenhados aqui.

Agora, é a vez de Close-Up Vol.3, States Of Being, sendo que o último da série, Songs Of Family, deverá chegar às lojas em 2012.

Em formato predominantemente acústico, com espaços para instrumentos elétricos e cordas em alguns momentos, Suzanne realça o violão acústico e sua belíssima voz, que continua com a doçura e introspecção dos anos 80, além de enfatizar as sempre profundas letras.

Ela define o repertório de States Of Being como músicas com uma abordagem mais introspectiva, ou “the freakier side of my songwriting” (o lado mais pirado da minha obra como compositora”).

As músicas, só para variar, são maravilhosas, com destaque para as sensacionais Solitude Standing, Blood Makes Noise (a mais elétrica do CD, embora mais intimista em relação à gravação original de 1992), Last Years Troubles e Cracking.

Bem longe de um projeto preguiçoso de revisitação de obras passadas, a série Close-Up serve como bom exemplo de como um artista pode mergulhar no seu passado sem soar saudosista ou desprovido de novas ideias.

Veja o clipe da versão original de Blood Makes Noise:

Year Of The Cat – Al Stewart (1976-RCA/EMI)

Por Fabian Chacur

Em 1976, Al Stewart já era um jovem veterano no mundo musical. Aos 31 anos de idade, este cantor, compositor e músico escocês já havia lançado vários discos, sendo o primeiro em 1976.

Nesse período, progrediu de um promissor seguidor dos astros do folk rock como Bob Dylan e Donovan Leich rumo a um estilo próprio, no qual brilhavam uma voz doce e afinada, letras inteligentes e de forte teor intelectual e uma forte capacidade para agregar elementos de outros estilos musicais à sua sonoridade, sempre com classe e bom gosto.

No entanto, a primeira década de sua trajetória não inclui hits, embora seus álbuns sempre incluíssem músicas que poderiam perfeitamente ter atingido esse status. Mas isso teimava em não ocorrer.

Em 1976, Stewart resolveu tentar novamente. Para auxiliá-lo, o então iniciante produtor Alan Parsons, com quem havia trabalhado em seu disco anterior, o ótimo Modern Times (1975).

As bases instrumentais foram gravadas nos lendários estúdios Abbey Road, que dispensam apresentações, enquanto os vocais tiveram como local os Davien Sound Studios, em Los Angeles, California.

Acompanhado por músicos de grande talento, entre os quais Peter White (teclados e violões), Peter Wood (teclados), George Ford (baixo) e Tim Renwick (guitarra), Al Stewart conseguiu dar a seu folk rock um tom mais contemporâneo e acessível, com elementos de pop, rock progressivo e até música flamenca. Isso, sem cair em concessões gratuitas.

Year Of The Cat, o álbum que saiu dessas sessões de gravação, acabou tornando o músico britânico um astro em proporções mundiais graças à força de sua faixa-título, com um riff de piano irresistível, melodia maravilhosa, letra estilosa e uma levada rítmica de rock-balada que continua frequentando as programações de rádio até hoje. Um clássico, com direito a belíssimos solos de violão, guitarra e sax.

Mas Year Of The Cat, o disco, é bom como um todo, repleto de momentos marcantes. On The Border, por exemplo, com direito a acompanhamento de violão no melhor estilo flamenco.

Flying Sorcery, folk rock balançado com maravilhosas intervenções de gaita, a reflexiva e levemente melancólica Broadway Hotel, a delicada Midas Shadows, a balada folk dylaniana Sand In Your Shoes… Não tem uma única música que possa ser considerada fraca ou mediana.

Este álbum seria seguido por outro trabalho clássico e de grande sucesso, Time Passages (1978), sendo que a partir daí, Stewart sumiria das paradas de sucesso, embora se mantenha na ativa, fazendo ótimos shows e lançando discos bem bacanas. Mas este Year Of The Cat é discoteca básica, essencial em qualquer discografia roqueira que se preze.

Ouça Year Of The Cat, com Al Stewart e sua banda:

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