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CD duplo traz Queen ao vivo nos estúdios BBC de 73 a 77

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Por Fabian Chacur

Os fãs do Queen vem sendo contemplados nos últimos anos com belos lançamentos e relançamentos enfocando raridades da banda britânica. O mais recente item acaba de sair no Brasil, em sua versão standard (a mais simples). Trata-se de Queen On Air, álbum duplo que traz todas as gravações feitas ao vivo pela banda nos estúdios da rádio BBC de Londres, entre os anos de 1973 e 1977. Um material com muita qualidade técnica e artística.

São 24 faixas no total, correspondentes a 20 músicas (quatro delas possuem dois registros diferentes cada). A versão lançada no Brasil pela Universal Music traz todas elas, acomodadas em capa digipack e contendo um belo encarte com dados sobre cada gravação. No exterior, também tivemos uma edição similar, só que com três LPs de vinil ao invés dos CDs, e uma Deluxe que é o bicho para os mais fanáticos pela mitológica banda do genial Freddie Mercury.

Essa versão megaluxuosa do álbum (que você poderá ver em vídeo aqui ) conta com um livreto maior que traz textos comentando cada sessão e quatro CDs adicionais. Três deles compilam entrevistas feitas com integrantes da banda entre 1976 e 1992, e o quarto conta com trechos de três shows da banda que foram transmitidos por rádio ou TV. Um deles foi realizado em São Paulo, no estádio do Morumbi, em março de 1981, com sete músicas incluídas, entre elas Love Of My Life.

Mesmo compacta, a versão nacional de Queen On Air traz o essencial. As faixas foram registradas em seis sessões diferentes: três em 1973 (uma antes mesmo do lançamento do primeiro álbum do quarteto), duas em 1974 e uma em 1977. A explicação para elas é simples: durante um bom tempo, a BBC assinava contrato com os músicos exigindo que eles realizassem gravações exclusivas para veiculação na emissora. Era a forma de ter suas músicas tocadas por lá.

Isso gerou registros exclusivos de alguns dos mais importantes artistas de todos os tempos, como os Beatles, por exemplo, que começaram a ser lançados em disco especialmente a partir da década de 1980. E o Queen não ficou de fora dessa lista. As gravações não iam ao ar ao vivo. Eram gravadas e veiculadas posteriormente em programas como os dos importantes DJs John Peel e Bob Harris.

O material aqui contido flagra Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor em sua fase inicial, com direito a rocks mais pesados e algumas canções melódicas aqui e ali. A performance dos caras é simplesmente impecável, com especial destaque para os solos endiabrados de Brian May, para mim um dos guitarristas mais subestimados da história do rock, pois seu nome frequentemente fica de fora das listas de melhores do gênero, um absurdo.

O repertório traz maravilhas do porte de Keep Yourself Alive (duas versões), Liar (duas versões), Ogre Battle, Now I’m Here e Stone Cold Crazy. See What a Fool I’m Been só foi lançada em versão de estúdio como lado B de single. A maior surpresa fica por conta da versão “fast” de We Will Rock You, que é bem diferente tanto do formato tradicional desta canção como da releitura rápida incluída em Queen Live Killers (1979).

We Will Rock You (fast)-Queen:

Coletânea mergulha na faceta obscura de Freddie Mercury

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Por Fabian Chacur

O título dessa resenha pode parecer meio bizarro para a maior parte dos leitores. E não irei contestar. Afinal de contas, como considerar obscuras músicas lançadas basicamente nos anos 1980 que venderam milhões de cópias mundo afora? Mas de certa forma são, sim. Estamos falando do repertório de Messenger Of The Gods- The Singles, luxuosa coletânea dupla lançada no Brasil pela Universal Music trazendo canções gravadas pelo saudoso e genial Freddie Mercury fora do Queen.

Meu ponto de vista é simples. Após sua prematura morte, aos 45 anos, em 1991, o cantor, compositor e músico passou a ser muito mais lembrado pelo que fez ao lado de Brian May, John Deacon e Roger Taylor. E não é de se estranhar. Afinal de contas, foram 20 anos com o Queen, com direito à gravação de clássicos do rock que invadiram as paradas de sucesso de todo o planeta e se transformaram em trilhas sonoras eternas dos fãs de boa música.

A carreira-solo de Mercury teve curta duração, na verdade. Foi de 1985 a 1988, período durante o qual o Queen atuou de forma menos intensa (apesar de ter feito uma grande turnê e lançado o álbum A Kind Of Magic). Tinha começado um pouco antes, com a gravação de Love Kills para a trilha do filme Metropolis, mas pegou mesmo no breu com o lançamento do primeiro álbum individual,Mr. Bad Guy (1985).

Embora fortemente alicerçado no rock, Freddie Mercury sempre se mostrou um artista totalmente aberto a experimentar outros estilos musicais. Sua alma era pop por excelência, e sua trajetória fora da banda que o tornou famoso internacionalmente foi basicamente a oportunidade de mergulhar em um pop mais escancarado, beirando o brega operístico e sem medo de ser feliz. Pop, dance music, música eletrônica, ópera pop, romantismo…Tudo cabia!

Messenger Of The Gods traz o material contido em todos os singles que lançou sem o Queen. O álbum duplo inclui em um CD as faixas principais dos compactos, e no outro os lados B desses mesmos singles. Algumas músicas se repetem, como Living On My Own, que surge em três versões distintas. No total, são 25 faixas. O álbum inclui capa digipack com reproduções das embalagens originais dos singles em vinil, além de um encarte repleto de informações sobre cada canção, cada gravação e tudo o mais. Coisa finíssima.

Algumas dessas músicas apareceriam depois no álbum póstumo do Queen Made in Heaven (1985), em gravações da banda que eu particularmente considero superiores às solo, que, no entanto, também são bem legais. Mais “despachadas”, digamos assim. São elas Made In Heaven e I Was Born To Love You. Outras trazem participações especiais discretas dos amigos do Queen, e temos em Love Kills a parceria com o genial produtor Giorgio Moroder (Donna Summer e tantos outros).

Uma grande raridade contida aqui é o single I Can Hear Music/Goin’ Back, lançado originalmente em 1973 mais ou menos na mesma época do primeiro álbum do Queen, e creditado a um certo Larry Lurex, que na verdade era o próprio Mercury. São gravações curiosas e bem distantes do que o artista faria futuramente. Goin’ Back tem versões bem melhores gravadas por Carole King (sua autora), The Byrds e Phil Collins, mas ficou simpática com Mr. Lurex.

E é lógico que a inesperada parceria de Mercury com a cantora lírica Montserrat Caballé não poderia ficar de fora, com seus impressionantes duetos em Barcelona e How Can I Go On, simplesmente arrepiantes. As duas versões de Exercises In Free Love são também marcantes, pois uma é só com Freddie Mercury, e a outra com a voz de Montserrat, que se apaixonou pela versão original e resolveu imprimir sua marca nos vocalizes do cantor do Queen.

Também lançada no exterior em caixa com os singles no formato vinil colorido (13 compactos, para ser mais preciso), esta compilação é uma boa forma de se mergulhar em uma fase não tão badalada da carreira de Freddie Mercury, mas essencial para entendermos melhor a essência musical deste grande artista, que nunca escondeu a importância que ser popular tinha para si, e que conseguiu atingir esse objetivo com um brilhantismo reservado para poucos.

Love Kills– Freddie Mercury:

DVD tenta desvendar o mito Freddie Mercury

Por Fabian Chacur

Em seus 45 anos de vida, Freddie Mercury deixou sua marca como um dos artistas mais talentosos da história da música popular. Como cantor e compositor do Queen, tornou-se um verdadeiro ícone do rock, e ainda teve tempo de investir em uma carreira solo repleta de boas incursões por outros gêneros musicais.

Quem era ele, e o que o levou a tentar uma carreira individual, mesmo tendo tanto sucesso como integrante de uma das bandas mais bem sucedidas da história do rock? São essas perguntas que o ótimo DVD The Great Pretender, lançado no Brasil pela ST2, tenta responder.

O documentário se concentra na trajetória individual de Mercury, e traz entrevistas com o cantor, incluindo uma, longa e reveladora, feita em 1985, e também depoimentos de seus colegas de Queen, produtores, colaboradores, parceiros e jornalistas que acompanharam de perto esse gênio da música, um dos artistas mais versáteis e criativos de todos os tempos.

Em suas entrevistas, Freddie era irônico, debochado e às vezes agressivo, mas ficava claro que no fundo ele era na verdade um ser humano tímido e reservado, bem diferente do gigante carismático que se transformava ao entrar nos palcos e estúdios.

The Great Pretender procura mostrar os bastidores da criação de seus trabalhos solo. Mr. Bad Guy (1985), seu primeiro álbum sem o Queen, por exemplo, era para ter tido participações especiais de Rod Stewart e Michael Jackson, e trechos dessas históricas gravações feitas com eles (inéditas até hoje) são apresentadas.

Pouco depois de iniciar o trabalho para gravar esse disco, Mercury resolveu fazê-lo praticamente sozinho, sem convidados, de certa forma tentando evitar o que ocorreu no álbum Hot Space (1982), do Queen, que ganhou um contorno dance-rhythm and blues por imposição dele, e contra a vontade dos colegas, que o culparam por seu fracasso comercial.

O fraco desempenho em termos de vendagens de Hot Space e de Mr.Bad Guy levou Freddie Mercury a voltar a trabalhar com o Queen. A impressão que se tem é de que se Mr. Bad Guy tivesse estourado, o cantor teria optado pela carreira solo de forma definitiva.

Mesmo tendo voltado ao Queen, Mercury continuou investindo paralelamente em trabalhos individuais, e o filme enfoca as experiências na bela releitura de The Great Pretender, sucesso do grupo vocal americano The Platters, e no ousado álbum pop Barcelona, gravado ao lado da cantora lírica espanhola Montserrat Caballé.

Fluente e bom de se assistir, The Great Pretender também enfoca a vida pessoal do cantor, e de como ele teve de lidar com a Aids, doença responsável por sua morte prematura, em 1991. Mas esse tema é abordado de forma classuda e longe do sensacionalismo, com a música sendo mesmo o tema principal do filme.

Nos extras, temos entrevistas adicionais com Freddie e Montserrat Caballet. Um belo encarte repleto de informações também acompanha o DVD, que é certamente essencial para aqueles que desejam ter uma ideia mais abrangente de como era Freddie Mercury.

Veja o trailer do DVD The Great Pretender:

Documentário mergulha na trajetória do Queen

Por Fabian Chacur

Agora detentora dos direitos de lançamento dos títulos relativos ao Queen, a Universal Music está fazendo um ótimo trabalho com esse precioso acervo, relançando CDs e DVDs do grupo com direito a extras generosos.

Agora, chega a vez de um documentário inédito no formato DVD e feito em parceria com a BBC de Londres, TV na qual foi exibido pela primeira vez.

Trata-se de Days Of Our Lives, que tem o subtítulo The Definitive Documentary Of The World’s Greatest Rock Band.

O filme, que tem duas partes de aproximadamente 60 minutos cada, apresenta entrevistas de arquivo com Freddie Mercury e John Deacon e mistura depoimentos antigos e outros feitos especialmente para a atração com Brian May e Roger Taylor.

O enfoque principal fica nos álbuns lançados pelo grupo, cada qual devidamente analisado pelos músicos e todos contextualizados na época em que foram lançados.

Vários detalhes importantes da história do quarteto são apresentados. O fato de a banda estar praticamente falida em 1975 e dependendo do estouro do seu então novo álbum, A Night At The Opera, para conseguir sair dessa fase ruim em termos financeiros, o que felizmente ocorreu.

O sucesso por curto período nos Estados Unidos também é tema de análise, e fica curioso imaginar que uma banda que vendeu milhões de discos e lotou estádios em todo o planeta tenha sido deixada em segundo plano no maior mercado para a música no mundo, especialmente de 1984 a 1991.

A fase final do grupo, quando Mercury teve de lutar contra o vírus HIV é outro momento bastante explorado, mas de forma delicada e enfatizando as músicas que o cantor compôs e gravou, mesmo em vias de morrer.

Além do documentário, a sessão de extras do DVD inclui sete clipes inéditos de alguns dos grandes sucessos da banda, incluindo We Are The Champions e Under Pressure, além de entrevistas adicionais.

Para os fãs, Days Of Our Lives é um tributo fantástico, enquanto para quem não conhece ou conhece o quarteto britânico apenas superficialmente, equivale a uma belíssima iniciação.

Veja o clipe de Somebody To Love, com o Queen:

Enorme saudade do eterno Freddie Mercury

Por Fabian Chacur

Vacilei ao não escrever nada aqui em Mondo Pop sobre os 20 anos da morte de Freddie Mercury, ocorrida em um triste 24 de novembro de 1991. Mas antes tarde do que nunca, não é mesmo? Então, lá vamos nós.

Digamos que o início da minha “convivência” com o Queen não foi das melhores. Corria o ano de 1977, e eu estava no primeiro ano do glorioso Liceu de Artes e Ofícios, vivendo o papel do patinho feio no curso de Desenho de Construção Civil. Que roubada! Mas foram anos interessantes os que passei lá.

Em um dia qualquer, um colega, o Henrique, mostrou-me duas músicas de uma banda que eu ainda não conhecia. Bohemian Rhapsody e Somebody To Love, de um tal de Queen.

Confesso que o vozeirão operístico de Freddie Mercury me soou brega e exagerado nessa primeira audição. “Brega? Você está louco!”, foi a resposta que tive de ouvir do colega de Liceu.

Ele estava certo. Pouco tempo depois, ouvi nas rádios o novo single daquela mesma banda britânica, e a música me enfeitiçou de tal forma que comprei o compacto simples com a mesma. Era We Are The Champions.

A partir daí, passei a acompanhar atentamente a carreira da banda, uma daquelas formações perfeitas, pois incluía quatro músicos e compositores de altíssimo gabarito.

Na guitarra, o virtuose Brian May. No baixo, o seguro e constante John Deacon. Na bateria, o vigoroso, sutil e brilhante Roger Taylor.

E nos vocais, teclados, violão, guitarra e composições, um dos maiores gênios da história da música como um todo. Pois não dá para restringir a amplitude que esse cara atingiu em sua curta trajetória profissional.

Se tiver de definir Freddie em uma única palavra, usaria paixão. O cara mergulhava de cabeça nas coisas que fazia. Versátil, gravou de rock pesado a canções operísticas, passando por cabaré, jazz, folk, rockabilly, baladas, funk de verdade, soul e muito mais. Sempre de forma convincente.

Com uma das vozes mais poderosas de todos os tempos, aquele cara magrelo e pequeno era um verdadeiro gigante nos palcos e estúdios, e hipnotizava fãs nos palcos da vida pelo mundo afora.

Não tive a felicidade de vê-lo com o Queen em suas duas visitas ao Brasil, nos anos 80. Uma pena. Mas hoje não só tenho quase todos os discos da banda como a coloco entre as melhores de todos os tempos.

É o tipo do grupo cuja obra não consegue ser resumida em uma coletânea, mesmo que a mesma seja dupla. Exemplo: a balada Jealousy, do álbum Jazz (1978) e sucesso aqui no Brasil, nunca entrou em compilações, mesmo sendo belíssima. Diversas outras músicas do quarteto se encaixam nessa descrição.

Mesmo na curta carreira solo, que desenvolveu paralelamente ao Queen e na qual investia em repertório mais pop e descompromissado, Mercury fez coisas bem bacanas. Entre as quais, uma fantástica releitura do clássico dos anos 50 The Great Pretender, do grupo vocal americano The Platters

Morto aos 45 anos, ele nos deixou como legado  uma obra fantástica, que felizmente está sendo muito bem administrada atualmente pela Universal Music, vide a sensacional série de relançamento dos álbuns originais da banda, com direito a faixas bônus e bela apresentação visual.

Devo ser eternamente grato a esse Henrique por ter me apresentado um grupo tão bom!

We Are The Champions (ao vivo), com o Queen:

Another One Bites The Dust (clipe), com o Queen:

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