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DVD flagra Kiss durante a sua curta temporada em Vegas

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Por Fabian Chacur

Entre os dias 5 e 23 de novembro de 2014, o Kiss fez nove shows totalmente lotados no Hard Rock Hotel, em Las Vegas. Uma passagem curta para os padrões locais, que costumam ver artistas permanecerem em cartaz por meses e até mesmo anos, mas extensa para uma banda de agenda cheia que roda o mundo constantemente. Um belo registro desses shows acaba de sair no Brasil, o DVD Kiss Rocks Vegas, exemplo de que a veterana banda americana continua com muita fome de rock e de palco.

Como é praxe em uma apresentação da banda capitaneada há mais de 40 anos por Gene Simmons (baixo e vocal) e Paul Stanley (guitarra e vocal), temos belos efeitos especiais, telões gigantes de altíssima definição, palco móvel, chamas, som alto e muito apelo visual. Afinal de contas, o diferencial do quarteto que atualmente também traz Tommy Thayer (guitarra e vocal) e Eric Singer (bateria e vocal) sempre foi essa parafernália toda em cena, digna de um “Psycho Circus”.

O mais legal, no entanto, é o caprichado set list, que traz 16 faixas extraídas de todas as fases da banda, com direito a clássicos dos anos 1970 como Detroit Rock City, Rock And Roll All Nite e Deuce, hits oitentistas como Creatures Of The Night, War Machine (um de seus autores é Bryan Adams, aquele mesmo) e I Love It Loud, dos anos 1990 como Psycho Circus e até mesmo um recente, Hell Or Hallelujah (do álbum Monster, de 2013, seu mais recente de estúdio).

Em entrevista via telefone concedida a este que vos tecla, lá pelos idos de 2013, Gene Simmons me explicou que uma das razões pelas quais a formação clássica da banda (que incluía ele, Stanley, Ace Frehley e Peter Criss) ter se separado era a falta de empenho dos outros dois. Se levarmos em conta o desempenho do quarteto atual, ele prova que realmente esse time é repleto de energia, fazendo um show vigoroso, bem ensaiado e que é puro entretenimento rocker.

Se o espetáculo com aproximadamente 90 minutos já seria um belo conteúdo (se único) neste DVD, a coisa fica ainda melhor com um extra matador. Trata-se de um show acústico e intimista para dezenas de fãs felizardos. Nele, os músicos aparecem de cara lavada, e interpretam sete canções que não fizeram parte do show principal. Essas músicas foram gravadas originalmente entre 1974 e 1977, extraídas da primeira fase do Kiss e com uma configuração mais adequada ao jeitão desplugado.

Com vocalizações perfeitas e performances instrumentais precisas, os caras mostram este set list: Coming Home, Plaster Caster, Hard Luck Woman, Christine Sixteen, Goin’ Blind, Love Her All I Can e Beth, em um total de 25 minutos de puro deleite. O profissionalismo do grupo de Gene Simmons é algo impressionante, o que justifica seu lema arrogante “você quer o melhor, você terá o melhor” usado por eles há décadas. Se não é o melhor comparado a outras bandas clássicas, é certamente sempre o melhor que eles podem oferecer. E isso não é pouco!

Detroit Rock City (live, do DVD Kiss Rocks Vegas)- Kiss:

Kiss oferece rock básico e vibrante em Monster

Por Fabian Chacur

O rock tomou tantos caminhos nesses seus quase 60 anos de existência que às vezes a gente se esquece de que, em sua origem, esse gênero musical tinha como alicerces a energia, a descontração e o compromisso total com a irreverência e o efeito contagiante capaz de lavar a alma de seus ouvintes para todo o sempre.

Felizmente, grupos como o Kiss não se esquecem disso. Em seu novo álbum, o excelente Monster, lançado no Brasil pela Universal Music, é exatamente isso que o quarteto americano nos oferece. Sem frescuras, sem complicações e com uma eficiência simplesmente impressionante. Rock na veia, como diziam os roqueiros setentistas.

Gene Simmons (vocal e baixo) e Paul Stanley (guitarra e vocal), os líderes do time, estão extremamente bem acompanhados de Tommy Thayer (guitarra e vocal, na banda há 10 anos) e Eric Singer (bateria e vocal, na banda, entre idas e vindas, há 20 anos). São esses dois caras que injetaram toda essa energia nos veteranos fundadores do Kiss.

Monster é hard/heavy rock básico do começo, com a alucinante Hell Or Hallelujah, ao fim, com a vibrante Last Chance, sem espaço para uma única balada. Riffs contagiantes de guitarra, refrãos matadores no estilo do hard rock oitentista e letras simples falando de temas simples. Solos econômicos, arranjos concisos e vocais repletos de personalidade são outras marcas.

As 12 músicas são bacanas, mas as minhas favoritas são, além das duas que já citei, a sensacional Wall Of Sound, a contundente Shout Mercy e a detonante Eat Your Heart Out. O melhor cantor do time é Paul Stanley, mas os outros três não ficam atrás quando assumem o vocal principal. Um time entrosado e que joga para ganhar na base da união.

O Kiss se vale de tanta parafernália visual em seus shows que muitos se esquecem de analisar o seu conteúdo musical. E não dá para negar que, em seus melhores momentos (e eles são muitos), o grupo do Linguarudo nos oferece um rock and roll simples, poderoso e que os aproxima do que o gênero tem de melhor, que é a irreverência e a energia.

Monster é um álbum que não irá revolucionar o mundo do rock, nem será badalado pela crítica especializada, nem mesmo será cultuado pelos fãs mais elitistas desse estilo musical. Mas que delícia ouvi-lo no talo e botar os ya-yas para fora!.

Isso é o verdadeiro rock and roll, e não é fácil de se fazer, embora aparentemente simples. O Kiss prova mais uma vez que sabe o caminho das pedras. E olha que eu não sou fanático por essa consagrada banda ianque. Mas não dá para negar que os caras são from hell mesmo!

Veja o Kiss ao vivo em Nova York em 2012:

Hell Or Hallellujah ao vivo com o Kiss no David Letterman:

Alive! Kiss (1975/Casablanca-Universal Music)

Por Fabian Chacur

O Kiss é uma das bandas mais peculiares da história do rock and roll.

Atualmente, tem boa aceitação perante a crítica especializada, embora fosse totalmente execrado pela imprensa roqueira nas décadas de 70 e 80.

Como explicar o sucesso permanente e totalmente consolidado desse grupo, quase 40 anos após o seu surgimento?

Fazendo uma analogia futebolística, é o fato de a soma de individualidades comuns resultar em algo muito maior do que se poderia esperar.

Explico melhor. Nenhum dos músicos da formação original do Kiss é um virtuose. O melhor é o guitarrista Ace Frehley, que, mesmo assim, não chega aos pés dos grandes mestres do rock and roll.

As músicas da banda também ficam muito aquém de clássicos dos Beatles, Rolling Stones, Deep Purple e tantos outras por aí. Mas são bem bacanas, mesmo assim.

No entanto, o senso de profissionalismo e de profundo respeito aos fãs possibilitou ao grupo americano conquistar um lugar entre as grandes bandas da história do rock.

O carisma, a ambição e a cara de pau do cantor, compositor e baixista Gene Simmons é a pedra de toque do projeto Kiss, ladeado pelo cantor, compositor e guitarrista Paul Stanley.

O já elogiado guitarrista Ace Frehley e o competente baterista e cantor Peter Criss completavam o time.

Com as caras pintadas e shows repletos de efeitos especiais dignos do melhor espetáculo de entretenimento possível em qualquer área, o quarteto lançou seu autointitulado primeiro álbum em 1974.

Hotter Than Hell (1974) e Dressed To Kill (1975) viriam a seguir. Se os shows do quarteto tornavam-se cada vez mais lotados, isso não refletia em grandes vendagens de seus álbuns.

Como superar tal impasse? Afinal de contas, a gravadora Casablanca não iria aguentar muito tempo uma banda com fracos resultados comerciais em seu elenco.

Aí, algum “gênio” teve a seguinte ideia: lançar um álbum duplo gravado ao vivo.

Como? Um disco duplo composto exclusivamente por canções lançadas nos trabalhos de estúdio anteriores que pouco venderam?

Parecia coisa de doido reciclar as mesmas músicas em um pacote mais caro composto por dois discos.

No entanto, se analisado hoje de forma fria e calculista, o projeto tinha tudo a ver, pois traria para o vinil o clima quente e alucinado das apresentações ao vivo que o público prestigiava com tanta fidelidade.

Para a produção, foi convocado Eddie Kramer, que trabalhou com Jimi Hendrix e Led Zeppelin, além de ter produzido uma demo do quarteto em sua fase inicial.

Um cara que sabe como poucos extrair a essência de uma apresentação ao vivo e registrá-la em disco de forma consistente.

O resultado não poderia ter sido melhor. Como bela amostra dos shows do quarteto, Alive! deu uma boa revigorada em músicas legais como Deuce, Strutter, Got To Choose, Nothin’ To Lose e Cold Gin.

Melhor: turbinou a já muito interessante Rock And Roll All Nite, que em sua versão “live” tornou-se o primeiro grande hit do Kiss nas paradas pop.

Melhor: Alive! marcou a primeira vez em que os caras pintadas do rock and roll atingiram o top 10 da parada americana, com um ótimo número 9.

Pronto. O encanto havia sido quebrado, e o Kiss também se tornava um campeão de venda de discos.

Isso, mesmo sem apresentar nada musicalmente original.

Alive! flagra uma banda cuja sonoridade é nitidamente baseada em Free, Jimi Hendrix, The Sweet, Slade e outras bandas de hard e glam rock.

Nada contra, pois a eficiência dos caras é realmente elogiável.

Posteriormente, o Kiss lançou várias coisas interessantes e músicas ainda melhores, como I Was Made For Lovin’ You e I Love It Loud, entre outras.

Mas Alive! é considerado até hoje como um dos momentos máximos de Gene Linguarudo e sua patota.

Tanto que, em sua mais recente passagem pelo Brasil, eles tocaram o repertório do álbum na íntegra.

Se você não pode ser o melhor, seja o maior. Eis o lema do Kiss, cumprido à risca.

Ouça Rock And Roll All Nite, um dos maiores clássicos do Kiss:

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