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Mark Farner dá aula de hard rock em SP

Por Fabian Chacur

O horário e o local eram apavorantes: uma da madrugada do último domingo (18) no Palco São João, da Virada Cultural 2014. Mas a atração era tentadora. Nada mais, nada menos do que Mark Farner, cantor compositor e guitarrista do lendário Grand Funk Railroad, uma das melhores bandas da história do rock and roll como um todo e do hard rock melódico em particular. Valeu (e como!) o risco corrido!

Desde o início da apresentação, que na verdade teve início apenas às 01h40 do domingão, ficou claro que o astro americano, aos 65 anos de idade, continua em plena forma, com aquele vozeirão dos anos 70 e uma performance na guitarra das mais vigorosas. A seu lado, Richard Baker (teclados), Hubert (The H-Bomb) Crawford (bateria e vocais) e Lawrence Buckner (baixo e vocais).

Um timaço dos mais entrosados que soube honrar o ótimo repertório do Grand Funk. Os hits foram sendo enfileirados um a um: Rock & Roll Soul, Footstompin’ Music, Creepin’, Bad Time, The Loco-Motion, Some Kind Of Wonderful…Uma delícia ouvir essas maravilhas sendo bem tocadas e com a voz e guitarra que as lançaram originalmente em desempenho impecável.

No fim, às 02h46, com um bis que incluiu um solo de bateria e a mitológica I’m Your Captain (Closer To Home), o show se encerrou com aquele forte gostinho de quero mais. O público presente curtiu bastante, mesmo tendo de enfrentar o frio e os “amigos do alheio” que estavam por perto para tentar estragar a festa roqueira. Sorte que, ao menos neste show, tudo deu certo.

Chega a ser engraçado pensar atualmente que, durante boa parte dos anos 70, o trabalho do Grand Funk Railroad era simplesmente detonado pela crítica americana. Qual seria a razão? A simplicidade direta de suas letras? A energia básica e o teor melódico de suas músicas? A aura de “povão” de seus integrantes? Seja como for, os hits de Mark Farner e sua banda continuam deliciosos em pleno século 21, e bem defendidos por seu lider.

Footstompin’ Music, com Mark Farner (ao vivo) :

Bad Time, com Mark Farner (ao vivo):

The Loco-Motion, com Mark Farner (ao vivo):

Et Pluribus Funk – Grand Funk Railroad (1971-EMI)

Por Fabian Chacur

Esse é mais um daqueles discos que conheci graças ao meu irmão, o saudoso Victor Riskallah Chacur (1954-1999).

Por sinal, a versão em vinil que ele comprou no longínquo 1972 (o álbum saiu no exterior no final de 1971) está agora comigo, além de outra cópia em vinil que comprei nos anos 80 e duas versões em CD que consegui décadas depois.

O Grand Funk Railroad se manteve como um trio em seus anos inicial, integrado por Mark Farner (vocal, guitarra, teclados e gaita), Mel Schacher (baixo) e Don Brewer (bateria e vocal).

A banda lançou seu álbum de estreia, On Time, em 1969. Et Pluribus Funk é o sexto, e chegou às lojas em 1971. Ou seja, os caras estavam trabalhando bastante naqueles anos iniciais.

Mesmo sendo rejeitado pela crítica internacional, que os via como uma banda medíocre, o GFR foi rapidamente conquistando um fã-clube enorme.

Et Pluribus Funk explica muito do porquê essa banda conseguia essa reação ambígua por parte de fãs e crítica.

O seu som nesses anos iniciais se caracteriza por uma simplicidade e um peso viscerais, primando pela aposta de alma e fé no hard rock sem firulas, embora com ótimos vocais e três músicos muito competentes.

O lendário “álbum da moeda”, apelidado assim pelo fato de sua capa original em vinil ter o formato de uma moeda e usar papel prateado (mesmo em sua versão nacional, acredite!) é o primeiro só com músicas inéditas, todas assinadas por Farner.

É um discaço de hard rock básico, direto, sem frescuras e com uma energia que cativa o roqueiro de alma logo aos primeiros acordes da sacudida faixa de abertura Footstompin’ Music, com belos trechos de órgão a cargo de Mr. Farner, que também solta faíscas de sua guitarra e gogó.

Com direito ao uso certeiro do pedal wah-wah, popularizado na década anterior por Jimi Hendrix, o rockão People Let’s Stop The War é um sincero libelo pela paz.

Hard e poderosa, Upsetter traz como marcas um refrão poderoso e riffs de guitarra irresistíveis.

I Come Tumblin’ tem levada quebrada a la Led Zeppelin, sem soar como mera cópia, no entanto, e encerra bacana o lado A do bolachão.

O rockão marcado Save The Land tem como marcas o peso e a letra de teor ecológico, algo que ainda não era moda no mundo do rock.

Aliás, as letras do Grand Funk Railroad tinham como marca mensagens positivas, ditas de maneira simples e vestidas com ótimas melodias.

Também pacifista, o rockão No Lies vem a seguir, abrindo legal o caminho para a magistral faixa de encerramento do álbum.

Com um esplêndido arranjo de cordas, letra falando sobre a tentativa de fugir da solidão e interpretação intensa por parte do trio, Loneliness equivale a 8m38 de puro prazer, dando cores finais a um álbum maravilhoso.

Chega a ser cômico pensar que a crítica baixou o cacete nessa banda naqueles anos. Como um disco tão sublime como este Et Pluribus Funk pode ter sido considerado ruim? Será que os críticos realmente o ouviram?

40 anos após seu lançamento, o sexto álbum do GFR foi o último produzido por seu mentor, o ex-cantor e produtor Terry Knight.

Eles lançariam coisas bem legais até 1976, quando dariam fim a sua primeira fase, mas comentários sobre esses anos  ficarão para uma outra hora.

O que importa dizer neste momento é que esse Et Pluribus Funk é simplesmente uma obra-prima do rock and roll.E que de picareta o Grand Funk Railroad não tinha era nada!

Veja Footstompin’ Music ao vivo com o GFR:

Ouça People Let’s Stop The War com o GFR:

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