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Paul Kantner: como eu virei fã do incrível Jefferson Airplane

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Por Fabian Chacur

Mais uma vez faço um post doloroso aqui em Mondo Pop. Meus ídolos andam dando adeus ao mundo em doses muito grandes, nos últimos tempos. Desta vez, foi Paul Kantner, cantor, guitarrista e compositor americano, criador de uma de minhas bandas favoritas, a Jefferson Airplane. Ele nos deixou nesta quinta-feira (28), vitima de falência múltipla de órgãos, após ter tido um ataque cardíaco no início desta semana. Perda mais do que lamentável.

Em 1978, como parte integrante da trilha sonora da novela global O Pulo do Gato, a música Count On Me fez sucesso no Brasil. Ao comprar esse LP, tive contato pela primeira vez com uma música do que chamaria de “Família Airplane”. Com a nave mãe, ou seja, o Jefferson Airplane, só fui ter contato lá pelos idos de 1982-1983. E foi graças ao amigo jornalista Ayrton Mugnaini Jr., em duas ações decisivas por parte dele.

A primeira foi me vendendo, a preço módico, raras edições da seminal revista brasileira Rock, dos anos 70, com biografias bacanas de várias bandas, entre elas a Jefferson Airplane. Ao ler sobre eles, fiquei curioso para saber como era o som dos caras, e o Mug, de forma generosa, emprestou-me os dois Lps que tinha do grupo americano, After Bathing At Baxter’s e Volunteers. Aí, como diria o poeta, danou-se. Vício!.

O próximo passo foi ir nos sebos da vida atrás desses dois discos e também dos outros do JA. Foi duro, visto que apenas o primeiro saiu por aqui, e era até mais raro do que os importados. Aos poucos, completei a coleção, lá pelos idos de 1985. Nem é preciso dizer que, na onda, acabei também indo atrás de vários trabalhos do Jefferson Starship e de outras configurações musicais envolvendo integrantes do JA.

Paul Kantner era uma espécie de mestre zen da banda, que criou em 1965 em San Francisco com o também genial cantor e compositor Marty Balin. Desde o início, a sonoridade dos caras apontava para novos rumos em termos sonoros, embora tenha começado mais próximo do folk rock com boas harmonias vocais a la Byrds e The Mamas And The Papas. O 1º disco, Jefferson Airplane Takes Off (1966), apontava nessa direção.

Naquele mesmo ano, duas trocas na formação se mostraram decisivas na orientação musical do grupo. A boa cantora Signe Anderson deixou a carreira musical, e foi substituída por Grace Slick, até então vocalista do grupo Great Society e que trouxe com elas as músicas White Rabbit e Somebody To Love. A outra alteração veio com a saída do adaptado baterista Skip Spence (que depois montaria a ótima banda Moby Grape, tocando guitarra e cantando).

Se Kantner era o compositor intelectualizado e ligado a ficção científica e temas do gênero, Marty Balin era paixão pura, especialmente na hora de cantar. Grace tornou-se a parceira ideal para harmonizar com os outros dois, em combinações vocais ácidas, ardidas e repletas de beleza. Mas que atingiam o auge graças ao acompanhamento instrumental de seus colegas de time: Jack Casady (baixo) e Jorma Kaukonen (guitarra).

Unidos ao novo baterista, Spencer Dryden, com suas influências jazzísticas, Casady e Kaukonen acresceram ao som do Airplane uma imprevisibilidade matadora. Isso, sem cair em uma maluquice completa. Som psicodélico de primeira, provavelmente o melhor feito no cenário musical americano. E Surrealist Pillow (1967), seu segundo álbum, os levou aos primeiros lugares da parada ianque.

After Bathing At Baxter’s veio ainda em 1967, e é provavelmente o meu álbum favorito de rock psicodélico, levando ainda mais longe as ousadias do álbum anterior e entrando em uma fusão sonora que inclui até elementos de bossa nova, dá pra encarar? Nunca vou me esquecer da primeira vez que ouvi esse álbum. E que fique registrado: nunca me vali de drogas para ouvir esse e outros discos do grupo. Desnecessários esses aditivos para apreciar música tão ousada e boa.

Em 1968, veio Crown Of Creation, espécie de síntese da concisão de Pillow com a piração de Baxters, gerando outro trabalho clássico. E em 1969, era a vez do engajado Volunteers, com sua enfurecida faixa título e maravilhas como Wooden Ships (parceria de Paul Kantner com os amigos David Crosby e Stephen Stills), mantendo a aeronave nas alturas da qualidade musical. De quebra, suas participações nos festivais de Monterey (1967) e Woodstock (1969) os projetaram ainda mais perante os roqueiros mais antenados.

Vale ainda citar o álbum ao vivo Bless Its Pointed Little Head, lançado em 1969 e um belo registro dessa fase áurea do Airplane, com direito a versões turbinadas e aceleradas de seus hits e também algumas faixas inéditas na interpretação do grupo, como a deliciosa Fat Angel, de Donovan Leich, e The Other Side Of This Life, do grande compositor Fred Neil, o autor da célebre Everybody’s Talking, trilha do filme Midnight Cowboy e gravada por Harry Nilson.

Aí, veio a tempestade. Inicialmente com a participação da banda no desastrado festival de Altamont, promovido em 1969 pelos Rolling Stones nos EUA, no qual Marty Balin foi atacado em pleno palco. Parecia o prenúncio de tempos não muito bons. E para a banda não foram mesmo. Balin saiu fora, Spencer Dryden também, e quando voltou, em 1971, o Airplane não era mais o mesmo. Lançou dois discos de estúdio irregulares (Bark, de 1971 e Long John Silver, de 1972) e o ao vivo Thirty Seconds Over Winterland (1973) e saíram de cena.

Em 1970, no entanto, surgia a semente do que viria a ser o futuro de Paul Kantner. Ele resolveu aproveitar um período de parada do Airplane e gravou e lançou naquele mesmo ano o primeiro disco solo, Blows Against The Empire, com temática de ficção científica, ótimas músicas como Mau Mau (Amerikon), Have You Seen The Stars Tonite? e A Child Is Coming e participações especiais de gente como Grace Slick, Jack Casady, Jerry Garcia, Mickey Hart e David Freiberg.

O álbum veio creditado a Paul Kantner e Jefferson Starship, nome de certa forma brincando com a temática futurista das canções incluídas nele. Mas esse nome acabou sendo escolhido por Kantner para a banda que sucederia o Airplane. Antes, Kantner lançaria álbuns em dupla com a então esposa Grace Slick e também um com o casal e o músico David Freiberg. Seria o embrião para o que viria a seguir.

Com uma proposta um pouco mais pop, mas não menos roqueira, o Jefferson Starship lançou seu primeiro álbum em 1974, Dragonfly, com boa repercussão e músicas bacanas como Ride The Tiger, uma das grandes composições de Paul Kantner. Dos tempos do Airplane, sobraram Kantner, Slick e, na última hora, Balin. O álbum seguinte, Red Octopus, chegou ao primeiro lugar na parada americana, façanha que a nave original só conseguiu nas paradas de singles.

Até o início dos anos 80, o Jefferson Starship continuou frequentando as paradas de sucesso, com hits como Count On Me e Jane. Até que Paul Kantner resolveu sair fora do time, que a partir dali virou Starship, mantendo apenas Grace Slick dos bons tempos e emplacando hits mais pop como We Built This City e Sarah.

Enquanto isso, Paul Kantner montou uma nova banda com dois ex-colegas de Airplane, a KBC Band, ao lado de Marty Balin e Jack Casady. Rendeu um único (e bacana) disco em 1986. Aí, em 1988, a surpresa: a volta do Airplane com sua formação clássica (sem Spencer Dryden), para o lançamento de um único disco (autointitulado) e nada muito além disso. Paul Kantner voltou a ficar mais visível a partir de 1992.

Foi naquele ano que ele reviveu a marca Jefferson Starship, inicialmente com o nome adicional The Next Generation. Shows vieram, com participações de antigos colegas da família Airplane, como Grace Slick, Jack Casady e Marty Balin. Em 1999, lançaram o ótimo CD Windows Of Heaven, incluindo faixas como a empolgante I’m On Fire, de Paul Kantner e participação destacada de Grace Slick nos vocais. O último CD de inéditas, Jefferson’s Tree Of Liberty, saiu em 2008.

Em 2013, o Jefferson Starship esteve no Brasil e tocou no Manifesto Bar, em São Paulo, no dia 8 de agosto. Na formação, além de Paul Kantner, outro conhecido: David Freiberg, que integrou o Airplane em sua fase final e o Starship nos anos 1970. Infelizmente, o ingresso caro me impediu de ver o show. Ah, se arrependimento matasse…

Ouça Blows Against The Empire- Paul Kantner e Jefferson Starship:

Wooden Ships– Jefferson Airplane:

Ride The Tiger– Jefferson Starship:

Mark Knopfler aposta em seu toque sutil no álbum Tracker

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Por Fabian Chacur

Se há uma marca registrada no trabalho do cantor, compositor e guitarrista britânico Mark Knopfler é a sutileza. Nada de exageros, de exacerbação de efeitos ou notas ou aquele tipo de performance ególatra que às vezes estraga obras de artistas talentosos. Tracker, seu novo álbum de inéditas, lançado no Brasil pela Universal Music, é outro estudo em cima desse seu toque pessoal inconfundível e classudo.

De certa forma, Tracker é uma continuação do álbum anterior do astro do rock, o ótimo Privateering (2012). O inseparável parceiro de Dire Straits, o tecladista Guy Fletcher, marca presença, assim como a cantora australiana Ruth Moody, também conhecida por sua atuação no trio folk Wailin’ Jennys. Ela foi destaque no álbum anterior, e volta a ser agora.

Ruth participa de quatro faixas, e sua performance na canção Wherever I Go, que encerra o álbum, é simplesmente adorável, dando a entender que não estranharemos se, no futuro, Knopfler resolver gravar um álbum inteiro com ela, como já fez com Emmylou Harrys há alguns anos, no ótimo álbum All The Roadrunning (2006).

Os tempos de Money For Nothing, Sultans Of Swing e Walk Of Life ficaram para trás. A ótima vertente de rock arena que fazia parte do cenário musical da banda deu lugar ao investimento puro e direito em folk com tempero de country, rock mais suave e até um pouco de jazz, como na bela faixa que abre o CD, Laughs And Jokes And Drinks And Smokes.

A voz de Mark está cada vez mais suave e melódica, como uma espécie de Bob Dylan mais afinado. Sua guitarra esbanja classe, com acordes precisos e solos econômicos que não jogam notas fora e funcionam sempre a favor de cada canção. Basil, Mighty Man, Long Cool Girl, é uma faixa melhor do que a outra, e que crescem a cada nova audição.

Para felicidade daqueles que acreditam no poder comercial de boas canções gravadas com alma e classe, Tracker atingiu o 14º lugar na parada americana, melhor resultado da sua carreira solo. Vale lembrar que foi lançada no exterior uma versão especial deste CD com sete faixas bônus. Mas essa simples já vale o investimento.

Wherever I Go (Talenthouse Video)- Mark Knopfler- ft. Ruth Moody:

Making of do CD Tracker, de Mark Knopfler:

Mark Knopfler comenta faixa a faixa de Tracker:

Felipe Machado, do Viper, nos apresenta sua boa faceta solo

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Por Fabian Chacur

Durante 30 anos (entre idas e vindas), Felipe Machado foi no mundo musical o guitarrista da Viper, uma das bandas mais bem-sucedidas do heavy metal brasileiro, com fãs mundo afora. Agora, chegou a vez de o também jornalista e escritor mostrar como se vira sozinho. FM Solo (FM Labs-Wikimetal Music), seu primeiro trabalho como artista solo, esbanja elementos positivos e surpreendentes em suas 10 faixas.

A primeira observação a se fazer após audições atentas de FM Solo é de que se trata de um álbum no qual as composições estão no centro das atenções. Tudo gira em torno delas. Felipe não perde tempo em demonstrações inúteis de virtuosismo como guitarrista, usando seu talento em prol das músicas. Seguiu, guardadas as devidas proporções, a “escola Eric Clapton” de disco solo de guitarrista de banda famosa.

Outro ponto interessante é o fato de ele investir em sonoridades que não caberiam, ou ficariam estranhas, em um disco do Viper. Embora tenha elementos de heavy rock aqui e ali, este é um trabalho de, digamos assim, “rock de combate”, com canções vibrantes e ora agressivas, ora mais reflexivas. Influências de pós punk, britpop, punk anos 1990 e glitter rock também surgem em cena, bem misturadas e bem dosadas.

O vocal de Felipe, uma boa surpresa, é influenciado por vocalistas como Liam e Noel Gallagher (do Oasis), aproveitando bem as melodias bacanas do álbum sem exageros. Além dele nos vocais, guitarras e violões, temos apenas o versátil Val Santos (Toyshop e ex-colega de Viper), que investe em programação de bateria, teclados, guitarra, baixo e vocais, além de assinar a coprodução do álbum.

Três das músicas são releituras. The Shelter, momento mais heavy do álbum, já havia sido gravada pelo Viper no álbum Evolution (1992). O rock melódico Speedway é a faixa que encerra o álbum Vauxhall And I (1994), de Morrissey, enquanto a balada com ênfase no violão Tourist (2005) é da não muito conhecida banda britânica Athlete. Três escolhas incomuns e muito bem realizadas.

FM Solo tem uma dinâmica muito boa, dividindo-se entre rocks energéticos como Perfect One, So Much In Love e Dark Angel (esta última parceria e bom dueto com Giovanna Cerveira), funk rocks com guitarras rítmicas irresistíveis como Take a Chance e Unnatural Feelings, a quase balada Someday e a introspectiva e instrumental Iceland, que fecha o CD.

Conciso, repleto de alternativas e boas surpresas em todo o seu decorrer, além das boas letras em inglês de quem domina bem a língua, FM Solo mostra que Felipe Machado não poderia ter iniciado melhor a carreira solo. No dia 10 de setembro, ele inicia a turnê de lançamento no Na Mata Café, em São Paulo, e a expectativa é das melhores.

Living For The Night– Viper:

Documentário Viper 20 Years Living For The Night:

Morre Lizoel Costa, ex-Língua de Trapo

Por Fabian Chacur

A família Língua de Trapo perdeu um de seus integrantes nesta quarta-feira (7). Trata-se do guitarrista Lizoel Costa, que integrou o grupo paulistano nos anos 80, sua fase áurea em termos de sucesso de público e crítica. Ele, que também era jornalista e radialista e vivia em Campo Grande (MS), onde faleceu, foi vítima de um aneurisma cerebral, e tinha 58 anos de idade.

Lizoel entrou no Língua ainda em sua fase inicial, e também era aluno da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, onde a banda surgiu, em 1979/1980. Desta forma, vivenciou toda a ascensão da banda, dos shows no minúsculo Lira Paulistana ao lançamento do primeiro e autointitulado álbum de estreia, em 1982, trabalho que conseguiu ótima repercussão perante o público universitário e crítica especializada.

Em 1985, sua música Country os Brancos, composta em parceria com Carlos Melo, integrou o segundo álbum do grupo, Como É Bom Ser Punk, lançado pela hoje extinta gravadora RGE. O mesmo selo foi o responsável pela comercialização de Dezessete Big Golden Hits Superquentes Mais Vendidos do Momento (1986), álbum divulgado com shows memoráveis no Projeto SP e outros espaços. O disco inclui outra parceria de Costa/Melo, Das Profundezas (Samba do Inferno).

O momento de maior destaque do Língua em termos de mídia foi a participação no Festival dos Festivais da Rede Globo, na qual o grupo concorreu e chegou à fase final com Os Metaleiros Também Amam (Ayrton Mugnaini Jr./Carlos Melo), no qual Lizoel tinha bastante destaque, ao lado do outro guitarrista da banda na época, Sérgio Gama.

Sem conseguir superar dificuldades até mesmo financeiras, o grupo saiu de cena em 1987. Quando voltou, em 1991, Lizoel já havia deixado sua formação, voltando a se dedicar em tempo integral ao jornalismo e ao rádio. Ele desde então morava em Campo Grande (MS), e certamente deixa muita saudade em quem o conheceu, pois era gente finíssima.

Os Metaleiros Também Amam– Língua de Trapo:

Morre Peter Banks, da fase inicial do Yes

Por Fabian Chacur

Morreu no último dia 7 de março, em Londres, vítima de parada cardíaca, o músico britânico Peter Banks. Ele tinha 65 anos e ficou conhecido no universo do rock progressivo como o primeiro guitarrista do Yes, com o qual gravou os bons álbuns Yes (1969) e Time And a Word (1970).

Embora tenha saído do Yes ainda em sua fase inicial, quando o sucesso comercial da célebre banda inglesa ainda não era tão grande, Banks deixou sua marca na obra do grupo, e é considerado por especialistas como um dos músicos mais talentosos da história do rock progressivo. Seu desempenho no brilhante cover de Every Little Thing, dos Beatles, serve como boa prova dessa afirmação.

Depois de deixar Jon Anderson e sua turma, Peter Banks integrou bandas como a Flash e a Empire, além de investir em carreira solo razoavelmente produtiva, embora sem tanta repercussão. Ele nasceu em 15 de julho de 1947, e reza a lenda que foi dele a sugestão de que o grupo britânico até hoje na ativa fosse batizada como Yes, nomenclatura assumida de forma provisória pelo grupo em princípio, mas que logo se solidificou.

Every Little Thing, com o Yes:

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