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Tag: heavy metal brasil

Maestrick mostra como fazer prog metal bom de se ouvir

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Por Fabian Chacur

Das várias ramificações do heavy metal, o prog metal é certamente uma das mais fadadas aos excessos. Bandas desse gênero às vezes se entusiasmam com suas qualidades técnicas e extrapolam, deixando a música de lado em prol do ego e do tecnicismo exagerado. E é exatamente o fato de não cair nessa armadilha que torna a banda Maestrick uma das melhores do gênero. A prova é seu novo CD, o impecável Espresso Della Vita-Solare.

Criada em São José do Rio Preto (SP) em 2006, esta banda tem como núcleo Fabio Caldeira (vocal e piano), Renato “Montanha” Somera (baixo e vocal) e Heitor Matos (bateria e percussão). No currículo, o elogiado CD de estreia Unpuzzle! (2011) e o ótimo EP de releituras de clássicos alheios The Trick Side Of Some Songs (2016). Suas principais influências são o Queen dos anos 1970, Iron Maiden, Rush e Yes.

Misturando essas e outras influências, a banda também se mostra muito atenta no quesito canções, respeitando esse importante formato e acrescentando a ele espaços para solos instrumentais sempre muito bem concatenados. Não por acaso, as bandas citadas e outras bacanas da área progressiva também tem em comum esse culto às canções, mesmo expandido seus horizontes instrumentais e vocais sem amarras nem restrições prévias limitadoras.

O conceito em torno do projeto é o de comparar a vida humana a uma viagem de trem, com suas idas e vindas, seus momentos inesperados, alegrias e tristezas e, inevitavelmente, o fim do trajeto. O álbum Espresso Della Vita- Solare é a primeira parte, com 12 faixas dedicadas a cada hora do dia, sendo que em um futuro não muito distante teremos sua conclusão, um novo CD com o título de Expresso Della Vita-Lunare, trazendo 12 faixas “noturnas”, digamos assim.

A qualidade artística deste álbum é impecável em todos os aspectos-artísticos, concepção, técnicos, de execução etc. A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo do experiente produtor catarinense Adair Daufembach, que já trabalhou com Tony MacAlpine, Hangar, Project46 e outros e, de quebra, ainda se incumbiu de gravar todas as passagens e solos de guitarra do álbum, de forma brilhante, por sinal.

Espresso Della Vita-Solare é uma profissão de fé no formato álbum, pois você começa a ouvir a primeira faixa e só consegue parar após o último acorde da faixa 12, tal a capacidade de envolvimento que esse material possui. As variações musicais são constantes, mas sempre realizadas de forma organizada e coerente, surpreendendo pelo bom gosto.

O clima quase messiânico de Across The River, a levada repleta de brasilidade de Penitência (única faixa em português), as canções melódicas Daily View e Water Birds, a intrincada e deliciosa The Seed e a impregnada de sonoridades latinas Hijos de La Tierra trazem vocais impecáveis, instrumental vibrante e sonoridades que nos permitem imaginar a viagem proposta pelo conceito, com letras profundas.

Além dos músicos da banda e de seu produtor, o álbum também traz diversos vocalistas e músicos convidados, num total de 23 deles, dando ao trabalho um clima beirando o sinfônico no qual os teclados são a base de tudo. Banjo, dobro e ukulelê, instrumentos nem sempre utilizados no rock, aparecem em algumas das canções, caprichando no tempero sonoro. E, como a cereja do bolo, temos a belíssima capa e encarte do CD físico, em embalagem digipack e qualidade compatível com a do conteúdo artístico que ela contém.

Para aqueles que insistem em ignorar a qualidade do heavy metal brasileiro, vale uma audição urgente deste Espresso Della Vita-Solare, um trabalho que esbanja ambição, criatividade e um resultado final digno de ser chamado de arte. A banda, cujos CDs saem no exterior e mereceram muitos elogios por parte da crítica especializada de lá, inicia nos próximos dias uma turnê europeia que tem tudo para ser impecável.

Espresso Della Vita- Solare- ouça em streaming:

Uganga lança videoclipe com sua releitura de Motorhead

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Por Fabian Chacur

Às vésperas do início das gravações de seu novo álbum, a banda Uganga lança um videoclipe para ilustrar sua ótima releitura de Damage Case, clássico lançado pelo Motorhead em 1979 em seu segundo álbum, Overkill. A gravação faz parte do tributo Going To Brazil- The Brazilian Tribute To Motorhead, álbum duplo lançado pela gravadora britânica Secret Service Records que também traz bandas como Ratos de Porão, Distraught, Claustrofobia e Torture Squade, entre outras.

Gravado em Goiânia (GO) no estúdio Rocklab, a gravação mostra a banda integrada por Manu Joker (vocal), Rafael “Ras” Franco (baixo), Christian Franco (guitarra), Maurício “Murcego” Pergentino (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra) e Marco Henrique (bateria) mais entrosada do que nunca. A edição do clipe ficou a cargo de Ras, que fez a montagem com cenas registradas durante as sessões.

Na estrada desde 1993 e oriunda de Uberlândia (MG), a Uganga se consolidou no Brasil e no cenário mundial do heavy metal. Boa prova disso é o fato de que seu próximo álbum terá como patrocinadora a Wacken Foundation, organização alemã sem fins lucrativos criada em 2008 pelos organizadores do Waken Open Air, um dos maiores e mais tradicionais festivais de heavy e hard rock do mundo, cujo objetivo é incentivar bandas de rock pesado do mundo todo.

Com um trabalho consistente e vigoroso, o grupo traz como destaque o vocalista Manu Joker, que foi baterista da histórica banda Sarcófago, pioneira do heavy rock mineiro ao lado do Sepultura. Sua discografia traz itens bacanas como Eurocaos Ao Vivo (2013), gravado ao vivo na Europa, e Opressor (2015, leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Damage Case (clipe)- Uganga:

Banda Vodu: hits e novidades em show no Sesc Belenzinho

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Por Fabian Chacur

De volta à ativa após um bom período longe dos holofotes, a banda Vodu fará neste sábado (6) às 21h30 um show no Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nº 1.000- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos custando de R$ 6,00 a R$ 20,00. Tipo do evento imperdível para os fãs do heavy metal brasileiro, e em especial para quem deseja ver em cena uma das bandas mais badaladas da cena metálica paulistana da década de 1980.

Criada em São Paulo nos idos de 1985, o Vodu não só fez shows próprios concorridos como também abriu apresentações no Brasil de bandas importantes como Venon, Exciter, Motorhead e Nasty Savage. Atualmente, a formação do time traz André Gois (vocal), J.Luis Xinho Gemignani (guitarra), Paulo Lanfranchi (guitarra), André “Pomba” Cagni (baixo) e Sérgio Facci (bateria).

O primeiro álbum da banda, The Final Conflict (1986), foi relançado no formato CD em janeiro, e os outros, respectivamente Seeds Of Destruction (1987), No Way (1988) e Endless Trip (1989), terão o mesmo destino, todos pela gravadora Classic Metal Records, sendo que na época, saíram pela Rock Brigade Records.

Embora tenha um passado significativo, o Vodu não trará apenas lembranças desses bons tempos em seu show. Segundo o quinteto, o repertório da apresentação trará seis músicas inéditas, cinco hits oitentistas e também algumas surpresas. Eles prometem para breve um álbum de inéditas, mas não descartam um possível trabalho ao vivo.

“Estamos fazendo Heavy Metal puro, mantendo a tradição do nosso som, mesclando rapidez e quebras, mas com uma pegada atual”, acrescentou o baixista André “Pomba” Cagni, também muito conhecido como DJ e por ser o criador, há mais de 20 anos, da revista, site e fundação Dynamite, forte fomentador do rock brasileiro.

Seeds Of Destruction– Vodu (ouça em streaming):

Pop Javali esbanja fúria e som em CD gravado na Holanda

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Por Fabian Chacur

Na estrada desde 1992, a banda Pop Javali ganhou muita força nos últimos anos, especialmente a partir de seu segundo álbum de estúdio, o ótimo The Game Of Fate (leia a resenha de Mondo Pop aqui ). Para promover esse CD, eles fizeram shows na Europa. Um deles foi registrado, e rendeu Live In Amsterdam, gravado ao vivo na cidade de Amsterdam, Holanda.

Oriundos de Americana (SP), Marcelo Frizzo (vocal e baixo), Jaéder Menossi (guitarra) e Loks Rasmunssen (bateria) investem no formato power trio com muita convicção, trabalhando em torno de um som que é basicamente hard rock, mas que incorpora fortes elementos de heavy metal, power metal e até mesmo algumas pitadas de rock progressivo. As melodias são legais e as passagens instrumentais dão provas de muita estrada e estudo, sendo que Frizzo tem um vozeirão bem bacana.

A turnê europeia do Pop Javali foi realizada entre 8 e 19 de outubro de 2015, com shows na Itália, Suíça, Inglaterra, Alemanha e Holanda. O de 19 de outubro, o último da tour, teve como palco o The Waterhole, em Amsterdam (Holanda), e acabou sendo aquele registrado para este álbum ao vivo. No repertório, temos uma pequena intro e depois sete faixas de The Game Of Fate, só que agora em releituras vigorosas de quem sabe unir garra e perícia musical.

A desenvoltura com que o grupo encara a plateia estrangeira é digna de nota, assim como sua capacidade de cativá-la. Live In Amsterdam vai muito além de um mero souvenir de um momento importante na carreira dos rapazes, e traz bela capa e um encarte com fotos dos shows. Inquietos, os caras já anunciaram o lançamento de seu novo álbum de estúdio, Resilient, cuja capa já foi divulgada e que deve sair em breve.

A Friend That I´ve Lost– Pop Javali:

CD Involution equivale a boa estreia da banda Primator

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Por Fabian Chacur

O início ocorreu em 2009. A partir daquele ano, a banda paulistana Primator entrou naquele circuito básico de shows na cidade, locais abertos ao rock pesado como Manifesto, Blackmore e Gillan’s Inn, entre outros. Em 2012, lançaram uma demo-EP. Desta vez, chega a hora de estrear com um álbum completo, no caso este Involution. E o conteúdo desse trabalho nos leva a prever uma carreira muito bacana para o quinteto.

As inspirações mais evidentes e assumidas em termos musicais do Primator remetem ao heavy metal dos anos 80 e 90.O vocalista Rodrigo Sinopoli, por exemplo, solta a voz no melhor estilo Bruce Dickinson, indo dos tons mais graves aos mais agudos com muita garra. Os guitarristas Marcio Dassié e Diego Lima alternam riffs poderosos e solos sem muitos preciosismos, enquanto a cozinha rítmica formada por André dos Anjos (baixo) e Alexandre Birão (bateria) segura todas as ondas.

As dez faixas de Involution se desenvolvem de forma vigorosa e competente, alternando andamentos lentos e mais acelerados, abrindo espaços para os instrumentos e também para a voz de Sinopoli, sempre de forma concatenada e bem ensaiada, sem “trombadas”. Esse tempo todo de estrada antes de gravar o álbum de estreia certamente contou a favor dos caras, algo a ser bastante elogiado.

A potente Playing For Nothing, com direito a bela linha de baixo na abertura e o uso do clássico pedal wah wah, a envolvente Involution, o rockão Black Tormentor e a quase épica Flames Of Hades são momentos do CD que merecem destaque. Se continuar nessa linha e com essa elogiável disposição para acertar, o Primator certamente nos oferecerá novos trabalhos ainda melhores em sua trajetória.

Involution– Primator (ouça em streaming):

Higher mostra o heavy metal diferenciado em seu 1º CD

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Por Fabian Chacur

Cezar Giraldi (vocal) e Gustavo Scaranelo (guitarra) tiveram sua primeira experiência com o heavy metal em 1995, com a efêmera banda Second Heaven, que durou apenas dois anos e nem chegou a gravar. Ali, no entanto, estava a semente do que viria a ser o seu projeto atual, o grupo Higher, cujo primeiro CD, autointitulado, acaba de sair pela via independente. Valeu a espera.

Entre os dois projetos, os músicos se dedicaram com sucesso a outros estilos musicais, com ênfase no jazz e na música instrumental, além de também estudarem música de forma acadêmica. Com grande embasamento técnico, os amigos resolveram reativar sua veia heavy, aproveitando o ganho de conhecimento, mas sem perder o entusiasmo e a energia daqueles anos iniciais.

Como forma de conseguirem concretizar a nova encarnação de seu sonho metálico, convidaram dois outros músicos experientes e talentosos, o baixista chileno Andrés Zuniga e o baterista Pedro Rezende, também com background musical abrangente e consistente. O time acabou dando forte liga, como podemos conferir nesse mais do que promissor álbum de estreia.

O quarteto soube utilizar de forma inteligente seus pontos fortes, sem no entanto exagerar na dose. Scaranelo se vale de riffs e solos de forma cerebral, esbanjando variações de andamento, escalas e intensidade, com muita técnica e boas doses de energia embutidas, gerando uma performance própria e sem cair no tecnicismo puro.

Giraldi canta bem e com a potência necessária para uma banda típica de heavy rock, e também foge dos clichês, dando a cada música a dose de força necessária. Como cada música da banda costuma apresentar diversas variações de andamento, o entrosamento da cozinha rítmica Zuniga/Rezende se mostra perfeito para não permitir falhas.

O resultado dessa somatória de talentos é um álbum conciso, diversificado e no qual realmente não dá para se cravar um único estilo de heavy metal como o seguido por eles, pois temos aqui elementos de muitas vertentes do gênero, além de sutis pitadas de jazz, experimentalismo e o que mais pintar. Épico, intenso, elaborado, é um heavy próprio e com personalidade.

Outro diferencial fica por conta das excelentes letras, sempre enfatizando elementos positivos e de incentivo aos fãs no intuito de desenvolverem suas potencialidades, sem medo dos desafios que a vida nos impõe diariamente. Prova de que o estilo não precisa de temas “satânicos” para ter letras que rendam a mil por cento.

Higher, o álbum, conta com nove ótimas faixas, das quais se destacam Keep Me High, Climb The Hill, Time To Change, The Sign e Lie. Tipo do trabalho que você ouve várias vezes e vai descobrindo mais sutilezas aqui e ali, tal o capricho dos músicos e da produção do experiente Thiago Bianchi (Shaman, Noturnall). Eis uma banda que oferece muito para quem curte heavy rock sólido, criativo e livre de amarras.

Keep Me High (lyric video)- Higher:

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