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Banda Vodu: hits e novidades em show no Sesc Belenzinho

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Por Fabian Chacur

De volta à ativa após um bom período longe dos holofotes, a banda Vodu fará neste sábado (6) às 21h30 um show no Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nº 1.000- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos custando de R$ 6,00 a R$ 20,00. Tipo do evento imperdível para os fãs do heavy metal brasileiro, e em especial para quem deseja ver em cena uma das bandas mais badaladas da cena metálica paulistana da década de 1980.

Criada em São Paulo nos idos de 1985, o Vodu não só fez shows próprios concorridos como também abriu apresentações no Brasil de bandas importantes como Venon, Exciter, Motorhead e Nasty Savage. Atualmente, a formação do time traz André Gois (vocal), J.Luis Xinho Gemignani (guitarra), Paulo Lanfranchi (guitarra), André “Pomba” Cagni (baixo) e Sérgio Facci (bateria).

O primeiro álbum da banda, The Final Conflict (1986), foi relançado no formato CD em janeiro, e os outros, respectivamente Seeds Of Destruction (1987), No Way (1988) e Endless Trip (1989), terão o mesmo destino, todos pela gravadora Classic Metal Records, sendo que na época, saíram pela Rock Brigade Records.

Embora tenha um passado significativo, o Vodu não trará apenas lembranças desses bons tempos em seu show. Segundo o quinteto, o repertório da apresentação trará seis músicas inéditas, cinco hits oitentistas e também algumas surpresas. Eles prometem para breve um álbum de inéditas, mas não descartam um possível trabalho ao vivo.

“Estamos fazendo Heavy Metal puro, mantendo a tradição do nosso som, mesclando rapidez e quebras, mas com uma pegada atual”, acrescentou o baixista André “Pomba” Cagni, também muito conhecido como DJ e por ser o criador, há mais de 20 anos, da revista, site e fundação Dynamite, forte fomentador do rock brasileiro.

Seeds Of Destruction– Vodu (ouça em streaming):

DVD flagra Kiss durante a sua curta temporada em Vegas

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Por Fabian Chacur

Entre os dias 5 e 23 de novembro de 2014, o Kiss fez nove shows totalmente lotados no Hard Rock Hotel, em Las Vegas. Uma passagem curta para os padrões locais, que costumam ver artistas permanecerem em cartaz por meses e até mesmo anos, mas extensa para uma banda de agenda cheia que roda o mundo constantemente. Um belo registro desses shows acaba de sair no Brasil, o DVD Kiss Rocks Vegas, exemplo de que a veterana banda americana continua com muita fome de rock e de palco.

Como é praxe em uma apresentação da banda capitaneada há mais de 40 anos por Gene Simmons (baixo e vocal) e Paul Stanley (guitarra e vocal), temos belos efeitos especiais, telões gigantes de altíssima definição, palco móvel, chamas, som alto e muito apelo visual. Afinal de contas, o diferencial do quarteto que atualmente também traz Tommy Thayer (guitarra e vocal) e Eric Singer (bateria e vocal) sempre foi essa parafernália toda em cena, digna de um “Psycho Circus”.

O mais legal, no entanto, é o caprichado set list, que traz 16 faixas extraídas de todas as fases da banda, com direito a clássicos dos anos 1970 como Detroit Rock City, Rock And Roll All Nite e Deuce, hits oitentistas como Creatures Of The Night, War Machine (um de seus autores é Bryan Adams, aquele mesmo) e I Love It Loud, dos anos 1990 como Psycho Circus e até mesmo um recente, Hell Or Hallelujah (do álbum Monster, de 2013, seu mais recente de estúdio).

Em entrevista via telefone concedida a este que vos tecla, lá pelos idos de 2013, Gene Simmons me explicou que uma das razões pelas quais a formação clássica da banda (que incluía ele, Stanley, Ace Frehley e Peter Criss) ter se separado era a falta de empenho dos outros dois. Se levarmos em conta o desempenho do quarteto atual, ele prova que realmente esse time é repleto de energia, fazendo um show vigoroso, bem ensaiado e que é puro entretenimento rocker.

Se o espetáculo com aproximadamente 90 minutos já seria um belo conteúdo (se único) neste DVD, a coisa fica ainda melhor com um extra matador. Trata-se de um show acústico e intimista para dezenas de fãs felizardos. Nele, os músicos aparecem de cara lavada, e interpretam sete canções que não fizeram parte do show principal. Essas músicas foram gravadas originalmente entre 1974 e 1977, extraídas da primeira fase do Kiss e com uma configuração mais adequada ao jeitão desplugado.

Com vocalizações perfeitas e performances instrumentais precisas, os caras mostram este set list: Coming Home, Plaster Caster, Hard Luck Woman, Christine Sixteen, Goin’ Blind, Love Her All I Can e Beth, em um total de 25 minutos de puro deleite. O profissionalismo do grupo de Gene Simmons é algo impressionante, o que justifica seu lema arrogante “você quer o melhor, você terá o melhor” usado por eles há décadas. Se não é o melhor comparado a outras bandas clássicas, é certamente sempre o melhor que eles podem oferecer. E isso não é pouco!

Detroit Rock City (live, do DVD Kiss Rocks Vegas)- Kiss:

Ace Frehley fará o show solo em Sampa em março de 2017

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Por Fabian Chacur

Boa notícia para os fãs de classic rock, heavy metal e hard rock. Ace Frehley, guitarrista da formação original do Kiss, fará seu primeiro show solo no Brasil. Será em São Paulo no dia 5 de março de 2017 às 20h no Tom Brasil (rua Bragança Paulista, nº 1.281- Santo Amaro-SP- fone 0xx11- 4003-1212), com ingressos custando de R$ 180,00 a R$ 390,00. Ele terá a seu lado Richie Scarlet (guitarra), Chris Wyse (baixo) e Scoty Coogan (bateria e vocais).

Frehley vive um dos melhores momentos de sua trajetória artística. Há quase dez anos livre de problemas gerados por consumo de drogas, ele voltou à ativa com força total a partir de 2009, com o disco Anomaly, que chegou ao nº 27 na parada americana. Space Invader (2014) foi ainda além, atingindo o posto de nº9, o mais alto já atingido por um integrante ou ex-integrante do Kiss em carreira-solo.

Em abril de 2016, o guitarrista, compositor e cantor voltou com novo CD, Origins Vol.1, no qual relê clássicos do Cream, The Jimi Hendrix Experience, Steppenwolf Free e Rolling Stones, entre outros, além de três músicas do Kiss: Cold Gin, Parasite e Rock And Roll Hell. Participam do CD Slash (Guns N’ Roses), Lita Ford (ex-The Runaways), Mike McCready (Pearl Jam) e Paul Stanley (seu ex-colega de Kiss).

Nascido no bairro do Bronx, em Nova York (EUA) no dia 27 de abril de 1951, Ace decidiu ser músico profissional aos 16 anos, fascinado por grupos como The Who, Cream e The Jimi Hendrix Experience. Aos 22 anos, respondeu a um anúncio do jornal Village Voice e foi selecionado para integrar o Kiss ao lado de Gene Simmons (baixo e vocal), Paul Stanley (guitarra e vocal) e Peter Criss (bateria e vocal).

Entre 1973 e 1981, ele e a formação clássica da banda atingiram o topo das paradas roqueiras, graças a LPs como Alive! (1975), Destroyer (1976), Love Gun (1977) e Dinasty (1979). Em 1978, os integrantes do Kiss surpreenderam a todos ao lançar discos solo de forma simultânea. O de Frehley foi o mais bem-sucedido em termos comerciais, graças ao single New York Groove, que chegou ao nº 13 nos EUA.

Confiante com o êxito solo e também devido a problemas pessoais com os outros integrantes, ele saiu do Kiss em 1981 após o lançamento do disco Music From The Elder. Ele voltaria ao time em 1996, ficando até 2000 e participando dos álbuns Kiss Unplugged (1996) e Psycho Circus (1998), além de participar da turnê mundial que divulgou este último e passou pelo Brasil em abril de 1999 por Porto Alegre e São Paulo.

Após sua saída inicial do Kiss, Frehley montou o grupo Frehley’s Comet, que lançou seu primeiro álbum em 1987 e se manteve na ativa até meados dos anos 1990. Ao deixar novamente a banda que o revelou, ficou durante alguns anos tentando se livrar de vício de drogas e bebidas, lançando apenas o álbum Greatest Hits Live, em 2006. Quando ficou novamente sóbrio, voltou com tudo à carreira solo, lançando em 2011 uma franca e bem-humorada autobiografia, intitulada No Regrets (sem arrependimentos, em tradução livre).

Fire And Water, com Ace Frehley e Paul Stanley:

Dois músicos da banda Epica e as suas camisas do Palmeiras

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Por Fabian Chacur

Uma frase que está se consolidando nos últimos anos é a seguinte: Palmeiras e heavy metal, tudo a ver. Afinal de contas, está virando praxes integrantes de bandas desse popular segmento do rock serem premiados com camisas do consagrado time de futebol brasileiro. Depois de Iron Maiden, Faith No More, Dream Theater, Anthrax e At The Gates, agora é a vez de dois músicos da banda holandesa Epica serem premiados dessa forma.

Em ação promovida pelo departamento de marketing do clube paulistano, o guitarrista Mark Jansen e a vocalista Simone Simons receberam no hotel onde estavam hospedados, em São Paulo, camisas oficiais personalizadas do Verdão. Eles estavam na cidade para participar no último sábado (15), como headliners, do festival Epic Metal Fest, ao lado de bandas como o Paradise Lost, e adoraram o mimo.

“O Palmeiras é um clube de tradição mundial, é sempre lembrado pelas suas conquistas. Lembro que recentemente venceram um amistoso importante contra o Ajax aqui em São Paulo e liderar um campeonato tão difícil como o Brasileiro é um mérito a ser honrado”, declarou Jansen, além de dizer que atualmente mora na Itália, e que ficou sabendo das origens do clube na colônia italiana no Brasil. O Epica desenvolve desde 2002 um som calcado no rock sinfônico.

Veja a dupla recebendo as camisas em vídeo da TV Palmeiras aqui.

Edge Of The Blade (clipe)- Epica:

Evento Quanta Gente no Gibi celebra o Iron Maiden em SP

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Por Fabian Chacur

O Iron Maiden é um dos grupos de rock mais populares no Brasil. A banda inglesa nos visitou inúmeras vezes a partir de 1985, sempre com casa cheia. Nada mais natural do que receber homenagens bacanas por aqui. E uma delas, bastante original, por sinal, ocorre nesta quinta-feira (4) em São Paulo. Trata-se do evento Quanta Gente no Gibi, que ocorre a partir das 19h no Gibi Cultura Geek (Rua Major Maragliano, nº 364- Vila Mariana- saiba mais aqui ). A entrada é grátis, e você só paga o que consumir.

Após uma bem-sucedida primeira edição dedicada ao saudoso Lemmy, chegou a vez da banda do vocalista Bruce Dickinson ser o tema. Com realização da Quanta Academia de Arte em parceria com o bar Gibi Cultura Geek, teremos obras dos artistas Anderson Nascimento, Ronaldo Barata, Bräo, Tainan Rocha, Bruno Del Rey, Thiago Ossostortos, Alexander Santos, Pedro Ghion e Kleverson Mariano, cada uma delas ilustrando suas canções favoritas da Donzela de Ferro.

Como diria aquele infomercial da TV, não é só isso! Também rola um “drink & draw”, com comidas, cervejas e drinques temáticos e a oportunidade de o visitante desenhar ao lado dos professores e alunos da Quanta. Lógico que a trilha sonora só poderia ser dos criadores de clássicos como Run To The Hills, e o playlist ficará por conta de um especialista, Ricardo Batalha, redator-chefe da revista Roadie Crew.

Aliás, quem participar do evento concorrerá a brindes especiais fornecidos pela publicação, que também apoia o evento. De quebra, ainda ocorrerá live painting a cargo de Thiago Ossostortos. Como diz o lema da festa, “venha beber, conversar e desenhar, não necessariamente nesta ordem”. Que tal aprender a desenhar o “número da besta”?

Run To The Hills– Iron Maiden:

Can I Play With Madness– Iron Maiden:

Cross-Eyed Mary– Iron Maiden:

Herman Rarebell conta suas memórias com os Scorpions

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Por Fabian Chacur

De 1977 a 1995, Herman Rarebell foi o baterista de uma das bandas de maior sucesso da história do hard/heavy metal e que colocou a Alemanha no mapa desse gênero musical em termos mundiais, os Scorpions. Ele conta as histórias sobre esse período de sua carreira e também outras memórias bem bacanas sobre o antes e depois no livro Scorpions-Minha História em uma das Maiores Bandas de Todos os Tempos (Panda Books), que este crítico comprou a módicos R$ 10,00. Bom negócio!

A trajetória do baterista alemão nascido em 18 de novembro de 1949 é repleta de momentos interessantes, e ele nos conta tudo, com o auxílio do jornalista Michael Krikorian, de uma forma repleta de bom humor e sem cair na linearidade. Entre um acontecimento e outro, Rarebell dá suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, incluindo muita coisa sobre relações afetivas e sexuais e a vida de um rocker na estrada.

Quando entrou nos Scorpions, a banda já estava há seis anos na estrada, com sucesso apenas mediano. Não por acaso, a partir de sua integração no time, a partir do álbum Taken By Force (1977), as coisas foram melhorando. Uma curiosidade é saber que o músico foi selecionado pelo grupo alemão em Londres, onde Rarebell morou durante uns bons anos, tocando e participando de gravações em estúdios na cidade britânica.

Graças a seu melhor conhecimento da língua inglesa, Rarebell logo se tornou um dos principais letristas da banda, e colaborou para a composição de hits marcantes como Blackout e Rock You Like a Hurricane, entre outros. Nos anos 1980, os Scorpions entraram no primeiro time do rock internacional, e Herman Ze German (seu apelido) teria participação decisiva para que isso ocorresse, com seu carisma e talento.

A ascensão da banda, o relacionamento entre eles, a importância do produtor Dieter Dierks, as turnês, a passagem pelo Brasil no primeiro Rock in Rio em 1985, sua fase como artista solo pós 1995, está tudo lá, com detalhes bem bacanas. O texto às vezes fica “viajante” demais, mas não a ponto de atrapalhar quem deseja saber mais sobre ele e os Scorpions. Se encontrar a preço bacana, pode pegar sem susto.

Blackout– Scorpions:

Rock You Like a Hurricane– Scorpions:

Take It As It Comes– Herman Rarebell:

Megadeth toca em São Paulo em agosto com Kiko Loureiro

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Por Fabian Chacur

Shows do Megadeth no Brasil não são exatamente novidade, levando-se em conta que a consagrada banda americana se apresenta de forma constante por aqui desde 1991, quando foi uma das atrações do Rock in Rio. Mas a sua 14ª passagem por nossos palcos terá uma novidade muito bacana. Será a estreia do brasileiro Kiko Loureiro no país como guitarrista do time. O show em São Paulo rola no dia 7 de agosto, e os ingressos começam a ser vendidos a partir desta sexta (5) no site da Ticket 360 e nas bilheterias do local do show, o Espaço das Américas.

Loureiro, do Angra, estreou como integrante do Megadeth no recém-lançado álbum Dystopia, que também marca a entrada de Chris Adler (da banda Lamb Of God) na bateria. Prosseguem firmes e forte na escalação o chefão Dave Mustaine (vocal e guitarra) e David Ellefson (baixo), que fundaram o grupo no já distante ano de 1983. Ellefson ficou fora entre 2002 e 2010, mas é o integrante mais constante do quarteto, sem contar obviamente o líder Mustaine.

A estreia da nova line up do Megadeth não poderia ter sido melhor. Dystopia, lançado em janeiro deste ano, obteve o terceiro lugar na parada americana logo em sua semana inicial no mercado musical. Só o clássico Countdown To Extinction (1992) conseguiu posição mais alta nos charts (segundo lugar). A turnê do grupo passará por EUA, Canadá e por vários festivais na Europa durante o ano.

O set list do show incluirá músicas do novo álbum como a faixa título e The Threat is Real e também clássicos do repertório do grupo de thrash metal, entre os quais Symphony Of Destruction, Peace Sells, Holly Wars…The Punishment Dues, Tornado Of Souls e Hangar 18. O Megadeth é considerado um dos melhores grupos da história do thrash metal, ao lado de Metallica, Anthrax e Slayer, que por sinal já fizeram concorridos shows juntos intitulados The Big Four.

Dystopia– Megadeth:

The Threat Is Real (clipe)- Megadeth:

Symphony Of Destruction– Megadeth:

Lemmy no Brasil, seus filmes e mais sobre o lendário rocker

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Por Fabian Chacur

10 de março de 1989, uma sexta-feira. Foi nesse dia que ocorreu, em um hotel situado na avenida São João, em São Paulo, a primeira entrevista coletiva concedida à imprensa brasileira pelo grupo inglês Motorhead. Seu líder, o cantor, compositor e baixista Lemmy Kilmister, infelizmente nos deixou nesta segunda-feira (28), apenas quatro dias após completar 70 anos de idade. Mais um gênio da música nascido em 1945 que se foi.

Na entrevista coletiva, estavam presentes os integrantes do grupo naquela época, que eram Lemmy, Philty Animal Taylor (o baterista, que também nos deixou em 2015, aos 61 anos, no dia 11 de novembro), Wurzel (guitarra, outro já falecido, em 2011, aos 61 anos) e Phillip “Wizzo” Campbell (guitarra, agora o único ainda vivo daquela line up da banda). Os músicos foram relativamente monossilábicos, mas simpáticos, e atenderam a todos, incluindo esse crítico, que possui seu exemplar de Rock ‘N Roll autografado pelos quatro.

O primeiro show do Motorhead ocorreu no dia seguinte, 11 de março de 1989, no Ginásio do Ibirapuera. Minha lembrança é de ter saído de lá completamente surdo, de tão alto que foi a performance de Lemmy e sua turma. O repertório (veja abaixo) trazia cinco faixas do então mais recente álbum da banda, Rock ‘N Roll (1987), mais três de Orgasmatron (1986), ambos lançados no Brasil pela gravadora independente Rock Brigade Records, duas de Overkill e o clássico máximo Ace Of Spades, que encerrou o show.

Vale lembrar que várias bandas brasileiras atuaram abrindo o espetáculo (entre elas, o Vodu do amigo e baixista André Pomba Cagni), o que causou em determinado momento um tumulto com direito ao público invadindo o palco e a polícia tendo de intervir. Felizmente, deu tudo certo. No segundo show, no entanto, realizado no dia 12 de março no mesmo local, após duas músicas (Doctor Rock e Stay Clean) o equipamento deu pau. Imaginem a confusão.

No fim das contas, o público que veria o Motorhead nesse segundo show teve a chance de fazê-lo no dia 20 de março, só que desta vez no Projeto SP, que ficava então na rua dr. Sérgio Meira, na Barra Funda. Antes, o então quarteto tocou em Porto Alegre (Gigantinho, dia 15 de março) e no Rio de Janeiro (Maracanãzinho- dia 18 de março). Desde então, o Motorhead veio ao Brasil várias vezes, incluindo o Rock in Rio de 2011.

Essa primeira passagem da banda por aqui foi tão marcante que gerou até mesmo uma música, a ótima Going To Brazil, lançada em 1991 no álbum 1916 e desde então uma das presenças mais constantes em seus shows pelo mundo afora. Segundo o site Setlist, especializado em repertórios de shows, essa música é a quinta mais tocada pela banda em seus shows. Foram 847 execuções, contra 1062 de Ace Of Spades, 990 de Overkill, 945 de Metropolis e 929 de Killed By Death.

Lemmy Kilmister nasceu na Inglaterra em 24 de dezembro de 1945. Ele tocou em bandas pouco conhecidas e foi, durante cerca de três meses, roadie de Jimi Hendrix. No início dos anos 1970, tornou-se baixista e eventual cantor da banda Hawkwind, na qual se destacou. Em 1975, após gravar com eles uma canção chamada Motorhead, foi demitido do time. O limão, no entanto acabou virando…caipirinha!

Com os músicos Larry Wallace (guitarra) e Lucas Fox (bateria), Lemmy montou o grupo batizado com o título de sua música gravada pelo Hawkwind. Gravou um disco com eles, que no entanto foi recusado pela gravadora United Artists e só lançado em 1979. O baixista e cantor não desanimou, e com Fast Eddie Clark (guitarra) e Philty Animal Taylor (bateria), montou uma nova versão de sua banda, que estreou em disco em 1977 com um disco homônimo.

Com sua mistura de rock básico a la anos 1950, heavy metal e até punk, o Motorhead foi crescendo em popularidade no Reino Unido a cada novo lançamento, e virou mania com Ace Of Spades (1980), que bateu no quarto lugar da parada de lá, e o impactante ao vivo No Sleep Til Hammersmith (1981), que chegou ao topo dos charts britânicos.

Após o lançamento de Iron Fist (1982), Fast Eddie Clarke saiu da banda, e o grupo teria algumas alterações de formação nos anos seguintes. Phillip Wizzo Campbell entrou em 1984 para não sair mais. Animal saiu entre 1984 e 1987, voltando para gravar Rock ‘N Roll (1987) e ficando até 1992, substituído por Mikkey Dee. O guitarrista Wurzel entrou no time em 1984 e ficou nele até 1995, sendo que com sua saída o Motorhead voltou a ser um power trio, como no começo.

Embora fizesse um som bem pesado e agressivo, Lemmy era um cara incrivelmente sociável, e não demonstrava preconceitos musicais. Ele gravou com artistas de outros grupos e estilos, como o grupo feminino Girlschool, o rapper Ice T, o amigão Ozzy Osbourne, o cantor Whitfield Crane (da banda Ugly Kid Joe), o baterista Slim Jim Phantom (dos Stray Cats) e Brian May, do Queen. Este último participou do mais recente álbum do Motorhead, Bad Magic.

Lemmy teve também seus momentos cinematográficos. Em 1986, fez o papel de Spider na hilária comédia de humor negro britânica Eat The Rich (no Brasil, Comendo os Ricos). O filme, que conta com participações relâmpago e especiais de famosos como Paul McCartney e Bill Wyman, traz seis músicas do Motorhead em sua trilha: Eat The Rich, Build For Speed, Nothing Up My Sleeve, Doctor Rock, Orgasmatron e On The Road (live), quatro delas do então recém-lançado álbum Orgasmastron.

Outra passagem pelo cinema ocorreu no filme Airheads, comédia meio sem graça na qual faz uma participação especial e cuja melhor coisa é mesmo a música Born To Raise Hell, uma inusitada parceria que reuniu o Motorhead, o rapper Ice T (cujo lado roqueiro aflorou na banda Body Count) e o cantor Whitfield Crane (da banda de hard rock Ugly Kid Joe).

Em 2010, foi lançado o documentário Lemmy: 49% Motherfucker, 51% Son of a Bitch, no qual os fãs tiveram a oportunidade de conhecer mais de perto esse grande rocker. Mesmo doente, Lemmy levou adiante a turnê comemorativa dos 40 anos de carreira da banda, e se não conseguiu se apresentar aqui em São Paulo em abril, foi até o fim no resto dos shows. O último ocorreu no dia 11 de dezembro em Berlim.

Set list do show do Motorhead no Brasil em 11 de março de 1989:

1.Doctor Rock

2. Stay Clean

3. Traitor

4. Metropolis

5. Dogs

6. I’m So Bad (Baby I Don’t Care)

7. Stone Deaf in the U.S.A.

8. Built for Speed

9. Just ‘Cos You Got the Power

10. Eat the Rich

11. Orgasmatron

12. Killed by Death

Encore:

13. Ace of Spades

Eat The Rich– Motorhead:

Orgasmatron– Motorhead:

Going To Brazil– Motorhead:

Ace Of Spades– Motorhead:

Please Don’t Touch– Motorhead & Girlschool:

Motorhead– Hawkwind (1975):

Motorhead (live)- Motorhead:

Banda Maestrick mostra suas influências em disco de covers

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Por Fabian Chacur

A banda paulista Maestrick está atualmente em meio às gravações de seu segundo álbum, previsto para ser lançado no segundo semestre de 2016. Enquanto isso não se concretiza, o quarteto oferecerá aos fãs um aperitivo dos mais bacanas. Trata-se do EP The Trick Side Of Some Songs, trazendo covers de músicas de artistas que influenciaram o grupo. O trabalho estará disponível a partir de janeiro em CD em edição limitada e também em versão digital gratuita.

O repertório do EP inclui While My Guitar Gently Weeps (Beatles), Aqualung (Jethro Tull), Rainbow Eyes (Rainbow) e dois pot-pourrys, um com músicas do Yes intitulado Yes! It’s a Medley e outro do Queen com o nome The Ogre Fellers Master March. Rainbow Eyes já é conhecida do público, pois o Maestrick a gravou recentemente para homenagear o lendário cantor Ronnie James Dio, que nos deixou há cinco anos.

Ainda sem título definido, o novo álbum do grupo formado por Fabio Caldeira (vocal e piano), Paulo Pacheco (guitarra), Renato Montanha Somera (baixo e vocal) e Heitor Matos (bateria e percussão) será um álbum duplo conceitual, com 24 músicas no total, sendo 12 músicas por CD divididas em três movimentos com 4 cada. Será o sucessor de Unpuzzle (2011), a estreia do time de São José do Rio Preto (SP).

Rainbow Eyes– Maestrick:

Noturnall lança novo CD e se prepara para o Rock in Rio

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Por Fabian Chacur

Com menos de dois anos na ativa, a banda brasileira Noturnall já possui em seu currículo três turnês internacionais, dois discos de estúdio, um DVD e diversos clipes. Isso, graças ao talento e à experiência de seus integrantes, todos veteranos do cenário do rock brasileiro e com muita história a contar.
Thiago Bianchi (vocal), Fernando Quesada (baixo, violão e guitarra de sete cordas), Junior Carelli (teclados), Leo Mancini (guitarra) e Aquiles Priester (bateria e percussão) irão participar da edição 2015 do Rock in Rio no dia 19 de setembro. Eles prometem surpresas para os fãs.
Em entrevista exclusiva via e-mail para Mondo Pop, o vocalista Thiago Bianchi fala sobre o novo álbum, o ótimo Back To F*** You All, e tudo sobre essa belo quinteto de heavy metal.

Mondo Pop- Qual a expectativa de vocês para a participação no Rock in Rio, um dos festivais de música mais importantes do mundo? Revelem o que puder ser revelado sobre o que irá rolar no show.
Thiago Bianchi
– Cara, o senso de “responsabilidade” de um show dessa magnitude, principalmente para uma banda de menos de dois anos de debut na praça, é descomunal. Uma vez identificado esse sentimento, a Noturnall preparou um show totalmente inédito, acima de qualquer outra apresentação da história de todos os nossos integrantes. Não posso revelar muito, apenas que a Noturnall vai honrar mais uma vez os “camisas pretas” com toda sua força. Será um dia inesquecível, podem ter certeza.

Mondo Pop- Quais as diferenças básicas entre o novo CD e o álbum de estreia da banda, na visão de vocês?
Thiago Bianchi
– Hum… A palavra “evolução” aparece em minha mente toda vez que ouço essa pergunta. Com certeza hoje somos uma banda em outro “patamar” sob todos os pontos de vista. Claro que não digo isso de forma arrogante, comparando a outras bandas ou algo do tipo, mas sim comparando a nós mesmos meses atrás. Se antes não tínhamos medo de errar na “dose” em nosso debut, aparentemente essa máxima se transformou em nosso “guia espiritual”, por assim dizer. Quanto mais estranho, pesado, alienígena, melhor.

Mondo Pop- Em pouco tempo de carreira como Noturnall, vocês já possuem um belo currículo, com três turnês internacionais, dois discos de estúdio e um DVD. A experiência em projetos anteriores ajudou nessa grande produtividade do grupo?
Thiago Bianchi
– Com certeza! Claro que não podemos nunca deixar o fator “experiência” de fora ao falar da Noturnall. Não seria nem justo. Todos aqui têm uma história tão bonita… tão relevante… Na verdade, me sinto tão sortudo por ter amigos tão profundamente marcados pelo “metal” que de fato fica até difícil às vezes dizer que essa é uma banda nova, já que a sensação é de ter Noturnall em minha vida há séculos… (risos)

Mondo Pop- O Aquiles Priester também participa de outros projetos importantes no meio do rock. Como vocês fazem para conciliar essa agenda agitada dele com a do Noturnall? Ocorre de precisarem ter um eventual substituto em algumas ocasiões ou não?
Thiago Bianchi
– Essa é uma dúvida frequente também de nossos fãs, então já adianto o seguinte: a Noturnall é movida, antes de mais nada, por respeito a todos seus integrantes. Todos aqui vivem da música e em nenhum momento nos sentimos no direito de dizer o que “fulano” ou “beltrano” pode ou não fazer. Não só Aquiles, mas Quesada é coordenador de áudio na maior escola de música da America Latina, o EMT. Mancini tem uma sólida carreira Acústica. Carelli é dono de uma prolífera produtora e eu sou produtor, dono de estúdio, com mais de 170 álbuns lançados…Ou seja, o importante, a base de tudo na vida, principalmente num “casamento” de 5 pessoas, fora a equipe, é respeito.Se essa palavra for o carro chefe, tudo estará sempre em ordem.

Mondo Pop- A capa e o encarte do CD Back to F*** You Up! mostra literalmente os principais símbolos de Brasília pegando fogo. Como surgiu a ideia de criar essa forte imagem e como está sendo a repercussão perante o público e a mídia?
Thiago Bianchi
– Acreditamos fortemente que esse é um sentimento recorrente no brasileiro, o de “renovação”. E o que é mais purificador que o fogo? Claro que não no sentido literário, afinal nossa intenção em momento algum é fazer apologia ao crime… deixe isso com os “black blocks”. (risos). A nossa função enquanto artistas é “conectar” as pessoas que se sentem sozinhas com seus pensamentos e intenções. Queremos semear o que já existe dentro dos corações dos brasileiros, o sentimento de mudança. O Brasil precisa “zerar” sua política, começando por Brasília. Aquilo se transformou num antro de corruptos e vagabundos que não merecem ver a luz do dia nunca mais. Quanto à resposta sobre a capa… Claro que fomos censurados em muitos lugares, e até países.. mas isso é matéria pra outra entrevista. (risos)

Mondo Pop- Como vocês encaram o atual cenário brasileiro para o heavy metal e o rock pesado em geral? A melhor saída para as bandas daqui sobreviverem continua sendo mesmo uma dedicação maior ao mercado internacional? E como está o cenário internacional para esse estilo musical?
Thiago Bianchi
– Não, muito pelo contrario. Claro que não está fácil pra ninguém e em se tratando de Brasil, nunca estará…Mas uma coisa é fato, se você colocar no papel a história do Metal em nosso pais, na ponta do lápis, vai perceber, que ok, não vivemos naquele ápice dos anos 90, mas com certeza a cena é muito maior do que foi nos anos 80 e até em alguns momentos dos anos 2000. Quanto mais tocamos aqui e recebemos o carinho dos brasileiros, mais fica claro que nosso lugar de fato, é no Brasil.

Mondo Pop- A presença de um palavrão em inglês no título do álbum está eventualmente prejudicando a divulgação dele? Vocês temem algum tipo de represália por causa disso em termos de mídia ou de alas mais conservadoras da sociedade brasileira e do exterior?
Thiago Bianchi
– Não. Até agora está tudo bem… Infelizmente.. (risos)

Mondo Pop- Onde vocês possuem melhor público no Brasil, e em que países o Noturnall possui uma base mais fiel de fãs?
Thiago Bianchi
– Brasil, sem sombra de dúvidas.

Mondo Pop- Quais os próximos passos da banda, especialmente após a participação no Rock in Rio?
Thiago Bianchi
– Temos duas “bombas” incríveis, mas realmente não posso contar nada agora… fiquem ligados!

Fight The System- Lyric Video- Noturnall:

Back to F*** You Up- Lyric Video- Noturnall:

Zombies (The Holy Trinity)- Noturnall:

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