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Morre Ivone Kassu, assessora de imprensa nº1

Por Fabian Chacur

Ivone Kassu, assessora de imprensa de Roberto Carlos por quase 40 anos, nos deixou nesta terça-feira (3), e foi enterrada nesta quarta-feira (4). Trata-se de uma daquelas perdas irreparáveis para o meio musical/artístico.

Nascido em Itu (SP), Ivone se formou em secretariado e começou sua carreira no meio musical durante os anos 60, na gravadora CBS, numa época em que a rigor nenhum artista tinha assessor de imprensa. Ela teve como primeiro cliente Chico Anysio em 1965, e ajudou a criar jurisprudência na área em nosso país. Jurisprudêcia positiva e do bem.

Além de seu cliente mais famoso, Roberto Carlos, com quem começou a trabalhar na metade dos anos 70, Kassu também assessorou artistas como Jorge Ben Jor e inúmeros outros, além de inúmeros eventos importantes, com a sua Kassu Produções.

Conheci Ivone quando ela comandava a assessoria do festival Hollywood Rock, em 1988. Ao contrário do que virou padrão nos últimos 20 anos, Kassu atendia todos os profissionais da mesma forma, sem discriminar quem trabalhava em órgãos de imprensa menores que as Folhas e Globos da vida.

Nunca deixei de ser credenciado para os eventos em que Ivone trabalhava, e não por causa de vínculos de amizade ou coisa que o valha. Bastva ela ver que você era profissional e que estava a fim de cobrir o evento, não entrar em uma boca livre. As três vezes em que tive a honra de entrevistar o Rei foi através de Ivone.

Gentil e enérgica ao mesmo tempo, Kassu sabia como tratar com as pessoas, e nunca deixava de atender quem a procurava, obviamente dentro do possível. Mas até seus “nãos” eram dados com classe e transparência.

Que o legado de Ivone Kassu possa ser divulgado e seguido por mais gente, especialmente essa gente despreparada e metida a besta que adora ser grosseira e humilhar as pessoas, assessorando às vezes artistas que não chegam sequer ao dedinho dos nomes com quem essa saudosa profissional trabalhou. Descanse em paz, amiga de fé!

Ouça Amigo, com Roberto Carlos:

Minhas lembranças do Pacaembu na música

Por Fabian Chacur

Nesta terça-feira (27), o estádio Paulo Machado de Carvalho, o querido Pacaembu, completa 70 anos de vida. Embora seja um palco mais frequente para os craques de futebol, ele também abrigou grandes shows.

Aliás, o melhor espetáculo que vi nos meus 48 anos de vida foi realizado lá em 1993. Paul McCartney! Um show maravilhoso, o melhor dos três que tive a honra de conferir ao vivo e a cores (os outros foram no Maracanã, no Rio, em 1990). Confesso que só de me lembrar dele cantando Let Me Roll It e My Love nessa performance me deixa emocionado.

E a emoção foi além. Na época, eu trabalhava no jornal Diário Popular, e tive a honra não só de participar da entrevista coletiva do ex-beatle, realizada no Ginásio do Pacaembu, como de fazer a última pergunta da mesma.

Educado, ele respondia as questões olhando diretamente para quem as fazia. Tentem imaginar como me senti com o cara que eu idolatro desde criança ali, falando comigo. Nem anotei nada: sabia que não me esqueceria de suas palavras.

Perguntei a ele quem seria o seu melhor parceiro musical, além de John Lennon. Ele citou nomes de gente com quem trabalhou, como Elvis Costello, Eric Stewart e Denny Layne, mas disse que o melhor de todos foi John Lennon.

Aí, eu contra-argumentei: tirando John, quem teria sido o seu favorito? E a resposta de gênio: “para mim, basta um favorito, e foi John”.

Vi muito mais gente boa lá no estádio onde meu time de coração é o que mais comemorou taças e ganhou partidas (Sociedade Esportiva Palmeiras, caso você por acaso não saiba).

Na primeira edição do finado festival Hollywood Rock realizada lá, em janeiro de 1992, tivemos o primeiro dos diversos shows que o grupo americano Living Colour fez por aqui, e de longe o melhor, sendo considerado o grande destaque do evento.

Seal, que havia lançado apenas o primeiro CD e ainda usava aquelas tranças malucas, também deu um belo show.

Três edições do Monsters Of Rock também tiveram o Paulo Machado de Carvalho como palco, e cobri dois deles, com direito a ver mestres como Alice Cooper, Ozzy Osbourne sem Black Sabbath, Black Sabbath sem Ozzy e o sumido Therapy?, entre outros.

E tivemos também os três shows debaixo de chuva do Hollywood Rock 1995, no qual tocaram Rita Lee, Spin Doctors (banda da qual parece que só eu gosto) e os Rolling Stones, com Mick Jagger dando uma aula de carisma e vitalidade. Três shows espetaculares.

E só para finalizar falando de futebol: o melhor jogo que vi por lá foi Palmeiras 4×0 Portuguesa, pelo Paulistão de 1993, com dois gols de Evair e dois de Edmundo. Mas isso é outra história. Aqui é música! Parabéns, Pacaembu setentão, a casa da música, também!

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