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Before This World mostra um James Taylor bem inspirado

james taylor before this world-400x

Por Fabian Chacur

James Taylor é o que se pode chamar de um estilista da canção. Ótimo violonista e cantor de voz deliciosa, o astro americano prima pelo capricho e pela inspiração em seus trabalhos. Tanto que não é de lançar disco toda hora. Before This World, seu novo CD, é o primeiro de inéditas desde October Road (2002), e sua estreia no número 1 da parada de álbuns nos EUA (leia mais aqui). Discaço!

Nesses 13 anos sem canções novas, Taylor nos proporcionou um disco natalino (A Christmas Album-2004), um ao vivo (One Man Band-2007), um de covers (Covers-2008) e o histórico ao vivo Live At Troubadour (2010-leia crítica aqui ), este último em dupla com a amiga Carole King. Ou seja, continuou fazendo coisas boas e trabalhando bastante.

Esse retorno às inéditas não poderia ter sido mais legal. No encarte que acompanha o CD, lançado no Brasil pela Universal Music, ele afirma que até tirou um tempo especialmente para compor, algo que já não fazia há algum tempo. De quebra, montou uma banda com ótimos músicos, entre os quais o guitarrista Michael Landau, o percussionista Luis Conte e o baterista Steve Gadd, feras do primeiro escalão da música pop.

Não há arestas aqui a serem aparadas. Temos dez músicas, todas muito boas. Sting marca presença na belíssima faixa título, da qual também participa o músico Yo-Yo Ma (que também toca na balada You And I Again). O repertório é um mergulho no universo habitual de Taylor, com direito a folk, country, rock e pitadas de pop e jazz aqui e ali.

Today Today Today tem aquela levada folk pra cima que marca hits como Your Smiling Face, enquanto Stretch Of The Highway equivale a um rock manso. Watchin’ Over Me é um rock de acento country com refrão expressivo, e Angels Of Fenway possui um tempero gospel delicioso. As evocativas Montana e Showtime são cativantes, assim como Far Afghanistan, momento mais politicamente engajado do trabalho.

Before This World é um trabalho de um artista fiel a seus caminhos musicais, que no entanto não cai em repetições. Suas sutilezas vão aparecendo a cada nova audição, e certamente deliciarão seus milhões de fãs mundo afora. Aos 67 anos, James Taylor se mostra inspirado, lúcido e capaz de nos oferece novas e belas canções.

Before This World– James Taylor (ouça em streaming):

James Taylor tem o álbum nº1 pela primeira vez nos EUA

BeforeThisWorld 400x

Por Fabian Chacur

Diz aquele velhíssimo ditado que “quem espera sempre alcança”. Nem sempre, como todos sabemos. Mas no caso de James Taylor, a frase se concretizou. Pela primeira vez em seus quase 50 anos de carreira, o brilhante cantor, compositor e músico norte-americano emplaca um álbum no primeiro lugar da parada americana, com Before This World (Concord Records).

Segundo informações do site americano da revista Billboard, a bíblia da indústria fonográfica mundial, o novo álbum de Taylor vendeu em sua semana de lançamento em torno de 97 mil cópias, o que lhe proporcionou a façanha. Até então, o mais próximo que ele havia se aproximado do topo da parada de álbuns nos EUA foi em 1971, quando Mud Slide Slim And The Blue Horizon chegou ao número 2.

Segundo a mesma matéria, foram 45 anos de espera desde que o astro do bittersweet rock entrou pela primeira vez nos charts ianques. Maior espera só ocorreu no caso de Tony Bennett. O jazzista esperou de 1957 até 2011 para pontear a parada americana pela primeira vez, o que ocorreu graças ao álbum Duets II (2011). 54 longos anos!

Vale a lembrança de que James Taylor já havia conseguido emplacar onze de seus álbuns entre os 10 mais nos EUA, além de um single nº1, You’ve Got a Friend (de autoria de Carole King), em 1971. Outro dado interessante: faz 30 anos que o autor de Fire And Rain se apresentou pela primeira vez no Brasil, na primeira edição do Rock in Rio.

Ouça Before This World- James Taylor- em streaming:

Damon Albarn produz CD de Bobby Womack

Por Fabian Chacur

Damon Albarn, vocalista, guitarrista, compositor e líder dos grupos Blur e Gorillaz, acrescentou outro belo ítem a seu currículo. Ele é o produtor do álbum que Bobby Womack, um dos grandes mestres da soul music, lançará no dia 11 de junho pelo selo XL Recordings, o mesmo de Adele.

The Bravest Man In The Universe será o primeiro álbum de inéditas de Womack desde Ressurrection (1994), e foi gravado em 2011 no Studio 13, de Albarn, em Londres, e também em estúdios em Nova York. A coprodução ficou a cargo de Richard Russell, dono da XL Recordings.

Bobby participou de dois álbuns dos Gorillaz, Plastic Beach (2010, na faixa Stylo) e The Fall (2011, em Bobby In Phoenix), o que estreitou a amizade entre ele e Albarn.

O primeiro single de The Bravest Man In The Universe, a ótima Please Forgive My Heart, já está disponível para download gratuito no site do músico americano, o bobbywomack.com .

Nascido em Cleveland, Ohio, no dia 4 de março de 1944, Bobby Womack começou a se tornar conhecido no meio musical na primeira metade dos anos 60, trabalhando com um dos pioneiros da soul music, Sam Cooke.

Um dos primeiros hits dele, It’s All Over Now, fez ainda mais sucesso em releitura dos Rolling Stones. Womack, por sinal, participou como músicos de alguns álbuns da banda, geralmente tocando guitarra. Os roqueiros da J. Geils Band também fizeram sucesso relendo Looking For a Love, de sua autoria.

Bobby Womack se firmou como um dos grandes nomes da black music americana durante as décadas de 60 e 70, graças a uma voz ora melódica, ora agressiva, e especialmente devido às suas canções, repletas de letras poéticas e melodias envolventes. Ele é considerado um dos grandes letristas da soul music, por sinal.

Entre suas músicas mais legais, destaco a deliciosa e inspiradíssima Woman’s Gotta Have It, bela e swingada declaração de amor às mulheres que também mereceu uma regravação perfeita de James Taylor em 1976, no álbum In The Pocket.

Problemas com drogas atrapalharam a carreira de Bobby Womack em alguns momentos, mas felizmente estou aqui escrevendo sobre ele com o cara vivo, com saúde e em vias de lançar um novo álbum.

The Bravest Man In The Universe inclui dez canções, entre as quais a faixa título, o single Please Forgive My Heart, Stupid, Jubilee, Sweet Baby Mine e Deep River.

Ouça Woman’s Gotta Have It (live), com Bobby Womack:

Ouça Please Forgive My Heart, a nova de Bobby Womack:

Estreia de James Taylor volta com faixas bônus

Por Fabian Chacur

Lançado originalmente em novembro de 1968 pela Apple (a gravadora dos Beatles), o álbum James Taylor marcou a estreia de um dos grandes nomes da história da música pop.

Com produção a cargo de Peter Asher, que ficou famoso como integrante da dupla Peter & Gordon, o disco não fez grande sucesso comercial na época, mas foi o prenúncio de que um artista de muito talento estava entrando em cena.

Durante longos 24 anos, esse disco ficou longe das lojas, sendo uma raridade disputada a tapa por fãs como eu, que vibrei em 1984 ao finalmente ter uma cópia importada do mesmo. Em 1994, tive a honra de tê-lo autografado pelo próprio. U-hu!

Em CD, o disco foi editado pela primeira vez no início dos anos 90. Agora, chega a vez de uma caprichada reedição no formato digipack, com direito a quatro faixas bônus e encarte luxuoso. É a edição definitiva, sem a menor dúvida.

A sonoridade do disco peca um pouco por exageros na produção, com instrumentos demais em algumas faixas. No entanto, isso é nada, comparado à qualidade das canções e das interpretações do cantor, compositor e violonista americano, então com 20 anos.

O repertório era tão bom que várias das canções seriam regravadas posteriormente e com sucesso pelo autor, como Carolina in My Mind, Something in the Way She Moves, Night Owl e Rainy Day Man.

Uma das marcas do disco são pequenas vinhetas instrumentais entre uma canção e outra, todas delicadas e muito agradáveis de serem ouvidas.

Além das faixas citadas, temos aqui outros momentos bem interessantes, como Don’t Talk Now, Something’s Wrong, Sunshine Sunshine (a minha favorita) e Brighten Your Night With My Day.

Paul McCartney e George Harrison marcam presença em Carolina in My Mind. Harrison, por sinal, usou o título de uma das músicas deste disco como os versos de abertura de sua composição mais famosa, Something.

As quatro faixas bônus são sensacionais. Temos aqui duas belas demos do tipo voz e violão de Carolina in My Mind e Sunshine Sunshine gravadas na Inglaterra em 1968.

As outras duas são Sunny Skies e Let Me Ride, gravadas em 1969 nos Estados Unidos e bem mais próximas da sonoridade que Taylor mostraria no ano seguinte, no seminal Sweet Baby James.

Vale destacar o hilariante visual usado por James Taylor na capa do álbum, digno de ser copiado pelo cantor cearense Falcão…

O encarte traz ótimos textos de Peter Asher e Andy Davis, além de ficha técnica completa, sendo que as letras aparecem na capa interna.

Ouça Carolina in my Mind ao vivo em 1970:

Filme mostra o berço dos singer-songwriters

Por Fabian Chacur

Há casas de shows que entram para a história pelos espaços importantes que abriram para artistas que posteriormente se tornaram ídolos e ícones da música.

Criada em 1957 em Hollywood, California, na lendária Santa Monica Boulevard (eternizada na letra da música All I Wanna Do, de Sheryl Crow), a Troubadour é uma das mais exemplares e icônicas.

Embora tenha proporcionado espaço para diversos estilos musicais e bandas e artistas iniciantes como Guns N’ Roses, Motley Crue, Radiohead, Franz Ferdinand e inúmeros outros, esse espaço é um dos principais marcos de uma praia específica, a dos singer/songwriters.

Inspirados na folk music, country e rock e tendo em Bob Dylan uma espécie de padrinho improvável, essa geração do rock apareceu no finalzinho dos anos 60, e teve em James Taylor e Carole King suas figuras de ponta.

Afinal, foi graças aos discos Sweet Baby James (1970) e Mud Slide Slim And The Blue Horizon (1971), de Taylor, e Tapestry, de Carole, que o também chamado bittersweet rock alçou voo rumo à estratosfera em termos artísticos e comerciais.

E o Troubaudor, clube criado pelo empresário e músico Doug Weston, serviu como base de lançamento de muitos astros associados a esse estilo, como Taylor, Carole, Linda Ronstadt, The Eagles e Elton John, que no início da carreira era bittersweet total e que fez lá, no dia 25 de agosto de 1970, seu primeiro show em território americano.

Pois acaba de ser lançado lá fora em DVD (em parceria dos selos Concord Music Group, Hear Music, Rhino Music e Warner) o documentário Troubadours – The Rise of The Singer-Songwriter,  que conta a história do movimento tendo o clube como gancho e mote.

Trazendo cenas da época misturadas a entrevistas feitas para o projeto com Taylor, Carole, Jackson Browne, David Crosby, Bonnie Raitt, Elton John e outros, trata-se de uma deliciosa viagem pelo surgimento e desenvolvimento de uma das mais interessantes vertentes da música pop.

Outro mote para o vídeo foi o show realizado em 2007 e registrado em DVD/CD reunindo James Taylor e Carole King para comemorar os 50 anos do clube, o fantástico Live At The Troubadour, que obteve a façanha de atingir o segundo lugar na parada americana, algo raro nos dias de hoje para astros de sua geração.

Os depoimentos são ótimos. Elton John, por exemplo, responde, ao ser questionado sobre uma possível mágoa de Doug Weston (morto em 1999) pelo fato de ele não ter mais tocado lá, após estourar mundialmente.

“Foi ótimo tocar no Troubadour, mas o que ele queria, que eu ficasse tocando lá para sempre?”.

Como brinde, temos um CD com dez músicas representativas da fase áurea do bittersweet rock dos anos 70.

Eis a seleção:

Sweet Baby James – James Taylor

Desperado – Linda Ronstadt

Dixie Chicken – Little Feat

Take Me To The Pilot– Elton John

Ol’ 55 – Tom Waits

Love Has No Pride – Bonnie Raitt

Sail Away – Randy Newman

Why Me – Kirs Kristofferson

It’s Too Late – Carole King

Obs.: o único problema do DVD é não ter legendas em inglês. Até que me dei bem ao ouvir as entrevistas, mas entender o que David Crosby fala, por exemplo, não é exatamente uma tarefa das mais simples…

Carole King e James Taylor brilham em reencontro emocionante no Troubadour

Por Fabian Chacur

O Troubadour é um pequeno clube situado na célebre Santa Monica Boulevard, em Los Angeles. Fundado em 1967, deu espaço para que vários nomes hoje mitológicos da música pop se apresentassem pela primeira vez com visibilidade de público e imprensa. Carole King e James Taylor estão entre eles.

Eles tocaram juntos lá em novembro de 1970. Na época, Carole já era conhecida como compositora, mas ainda dava seus primeiros passos para se tornar uma cantora de sucesso, enquanto Taylor acabava de lançar seu segundo álbum, Sweet Baby James.

No ano seguinte, a cantora, compositora e tecladista alcançaria o estrelato com Tapestry, uma das grandes obras-primas do rock da década de 70, com a dupla tocando por lá novamente.

Para celebrar aqueles anos importantes e intensos, os dois astros tocaram no Troubadour novamente em 2007, durante a celebração dos 40 anos do local, no qual também brilharam The Eagles, Linda Ronstadt, Daryl Hall & John Oates e Elton John.

Para alegria de quem não esteve por lá, a Universal Music acaba de lançar por aqui Live At The Troubadour, dobradinha DVD/CD que traz as 15 músicas tocadas por Carole King e James Taylor, todas extraídas de seus seminais Sweet Baby James e Tapestry.

Além da dupla, o show também conta com a participação dos músicos que os acompanhavam naquela época, os ótimos Danny Kortchmar (guitarra), Leland Sklar (baixo) e Russel Kunkel (bateria).

O show é emocionante em todos os sentidos. A execução das músicas respeita quase sempre os arranjos originais, com as vozes dos dois intérpretes ainda afiadas e afinadas, além de extremamente entrosadas. Os músicos dão um banho de swing e refinamento.

O repertório inclui alguns dos momentos mais brilhantes do chamado bittersweet rock (ou rock agridoce), entre os quais So Far Away, Carolina In My Mind, It’s Too Late, Something In The Way She Moves, Fire And Rain, Country Road, I Feel The Earth Move e Will You Love Me Tomorrow.

São canções de beleza perene, que continuam e continuarão a embalar corações e a tocar as emoções de seres humanos nos quatro cantos do mundo. Para quem curte ouvir músicos brilhantes no auge da forma, aprecie com atenção o sublime solo de Danny Kortchmar em It’s Too Late, só para citar um dos momentos marcantes do DVD/CD nesse setor.

O DVD é particularmente lindo, especialmente nos momentos em que Carole e Taylor trocam olhares de cumplicidade. Vale a lembrança de que eles nunca namoraram ou foram um casal romântico, mas sua afinidade musical sempre foi impecável.

Live At The Troubadour entrou na parada americana direto no segundo lugar, prova de que, sim, há lugar para música de qualidade no cenário atual do pop, independente de ser feita em 1970, hoje ou em qualquer outro momento. Música boa é para sempre.

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