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Taryn Donath mostra o swing do beatnik blues em Sampa

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Por Fabian Chacur

Em 1998, Taryn Donath lançou o seu álbum de estreia, Have Piano Will Travel, com o qual surpreendeu os fãs de r&b, jazz, soul e swing, mesmo tendo apenas 17 anos de idade. Desde então, essa talentosa cantora e pianista californiana ampliou seus horizontes e se consolidou como uma artista de rara consistência musical. Ela se apresenta em São Paulo pela primeira vez nesta quarta (5) às 21h30 no Bourbon Street (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com couvert artístico a R$ 50,00.

Com 37 anos de idade, Taryn tocou com bandas, mas tornou-se conhecida por se dedicar a um formato não tão comum em seu estilo musical, no qual se acompanha ao piano e tem a seu lado apenas um baterista, um tipo inusitado de duo. Dessa forma, conquistou fãs em seu pais com o que ela apelidou de beatnik blues, mescla de swing, rhythm and blues, soul e jazz no qual se destacam sua voz bem colocada e um balanço contagiante no piano inspirado nos grandes mestres.

No show do Bourbon Street, Taryn terá a seu lado dois músicos brasileiros, o baterista Jaderson Cardoso e o gaitista Marcelo Naves. O repertório deve trazer músicas de CDs como o de estreia e também de Gardenia (2012) e Memories Of Ruth, este último uma homenagem à saudosa e brilhante cantora de rhythm de blues Ruth Brown (1928-2006). Músicas como I’ll Wait For You e The Mess Around, hits respectivamente de Ruth Brown e Ray Charles, são destaques.

I’ll Wait For You– Taryn Donath:

Ithamara Koorax faz show no RJ com suas canções favoritas

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Por Fabian Chacur

Em 1988, Ithamara Koorax fazia backing vocals para os cantores Tim Maia e Bebeto. Desde então, sua carreira tomou rumos extremamente positivos, e hoje ela celebra seus 30 anos de estrada com 21 álbuns lançados e fãs nos quatro cantos do mundo. A cantora dá uma geral no repertório desses trabalhos no show Minhas Canções Favoritas, que será realizado no Rio neste sábado (14) às 20h na Sala Municipal Baden Powell (Avenida Nossa Senhora de Copacabana, nº 360- Copacabana- fone 0xx21-2547-9147), com ingressos custando R$ 25,00 (meia entrada) e R$ 50,00 (inteira).

Acompanhada por Paula Faour (piano), Jorge Pescara (baixo) e Cesar Machado (bateria), a intérprete nascida em Niterói (RJ) investirá em um repertório composto por canções como Iluminada, O Grande Amor, A Rã, Se Queres Saber, Un Homme Et Une Femme e The Shadow Of Your Smile, entre outras escolhidas a dedo pela atista.

Ithamara viu sua carreira solo tomar impulso em 1990, quando a música Iluminada entrou na trilha sonora da minissérie global Riacho Doce. Seria a primeira de um total de dez gravações dela a integrar trilhas de produções daquela emissora de TV. A boa repercussão lhe valeu prêmios. Seu primeiro CD, Ithamara Koorax, saiu em 1994.

Com uma mistura de elementos de jazz, bossa nova, MPB e música erudita, ela desenvolveu um estilo próprio que levou Elizeth Cardoso a se declarar sua madrinha musical. Ela atuou ao lado de nomes do porte de Tom Jobim, Luiz Bonfá, Marcos Valle, Edu Lobo, Ron Carter, Larry Coryell, Dave Brubeck e John Mclaughlin, e fez shows em mais de 20 países, entre os quais EUA, França, Alemanha e Japão. De quebra, foi considerada uma das melhores cantoras de jazz do mundo por publicações como a conceituada Down Beat americana.

Iluminada-Ithamara Koorax:

Vitoria Maldonado lança o CD com o Ron Carter Quartet

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Por Fabian Chacur

A cantora, compositora e pianista paulistana Vitoria Maldonado iniciou a sua carreira musical na segunda metade da década de 1980, após se formar na conceituada Berklee College of Music, nos EUA. Madura artisticamente e esbanjando categoria, ela atinge um ponto incrível nessa trajetória ao lançar pela gravadora americana Summit Records (com distribuição no Brasil a cargo da Tratore) o CD Brasil L.I.K.E. (Love, Inspiration, Knowledge, Energy) ao lado do Ron Quartet Quartet e da Ruriá Duprat’s Brasilian Orchestra.

Ron Carter é um dos melhores contrabaixistas da história da música, sem nenhum exagero. Um dos recordistas mundiais em sessões de gravação, o músico de 80 anos de idade já tocou com Miles Davis, Roberta Flack, Tom Jobim e inúmeros outros. Detalhe: escolhe a dedo os seus projetos. Fã incondicional da música brasileira, ele convidou Vitoria para gravar com ele e seu quarteto, hoje integrado por ele, a consagrada pianista canadense Renee Rosnes (piano) e os também feras Payton Crossley (bateria) e Rolando Morales-Matos (percussão).

O time é completado por uma orquestra comandada pelo maestro e arranjador brasileiro Ruriá Duprat e composta por mais de 20 músicos de cordas e sopros. De quebra, ainda temos participações especiais de Roberto Menescal (violão), Proveta (sax), Randy Brecker (flugelhorn), Marcos Mincov (english horn), Toninho Ferragutti (acordeon) e Omar Izar (harmônica). Dá pra encarar? Cantar com uma escalação dessas não é para qualquer uma.

Vitoria Maldonado tem bagagem suficiente para encarar tamanho desafio. Além de ter acompanhado Marisa Monte (logo no início de sua carreira) e a dupla Sá & Guarabira, ela desenvolveu uma carreira repleta de shows, mas com poucos álbuns próprios. O primeiro, Vitoria (1994), foi lançado pela gravadora Warner e indicado ao prêmio Sharp.

Em 2011, ela nos ofereceu sua segunda obra, o excelente O Que Está Acontecendo Comigo, álbum disponível em luxuosa edição com direito a CD e a DVD no qual a artista interpreta as onze faixas do álbum (com cenas de estúdio), todas de sua autoria, sendo quatro instrumentais (com adoráveis vocalizes) e sete com letras. Um trabalho calcado na bossa nova, MPB e jazz e com um requinte melódico e harmônico impecáveis, destacando Oração, Desconhecido e My Deepest Love.

A colaboração entre Vitoria e Ron Carter traz um repertório de 13 faixas. Duas delas são da própria artista brasileira, Adoro Seu Sorriso e Saudade (esta uma parceria com Carter). As outras se dividem entre standards do jazz, bossa nova, MPB e doo-wop. O requintado tratamento instrumental não tira o aspecto cativante das melodias, todas muito valorizadas. E a forma suave e doce que Vitoria as interpreta faz toda a diferença. Seu lado pianista ficou reservado para uma única faixa, a já citada (e bela) Saudade.

Os músicos aproveitam os espaços proporcionados a eles para belas intervenções, mas as canções ditam o rumo de cada gravação. Uma delicia o resultado obtido em faixas como Night And Day, I Only Have Eyes For You, Saudade, Lugar Comum e They Can’t Take That Away From Me. Brasil L.I.K.E. equivale a um momento mágico na carreira de Vitoria Maldonado, e tomara que possa impulsioná-la rumo a um público maior no Brasil e, porque não, também no exterior.

Night And Day– Ron Carter Quartet & Vitoria Maldonado:

Sarah McKenzie mergulha no jazz tradicional em novo CD

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Por Fabian Chacur

É muito bom ouvir música transgressiva de qualidade, na qual o artista busca investir em rumos inusitados para gerar a criação de algo novo e expressivo. No entanto, também é excelente poder curtir um tipo de criação que soe extremamente familiar, embora tenha bastante talento e bom gosto envolvido na sua elaboração. A australiana Sarah McKenzie se encaixa feito luva no segundo exemplo, como prova com veemência seu quarto CD, Paris In The Rain, que acaba de sair no Brasil via Universal Music. Um banho de bom gosto e adorável dèja vú.

Com 28 anos de idade, esta bela loirinha tem forte formação acadêmica em artes, com direito a graduação na West Australian Academy Of Performing Arts (onde Hugh Jackman e Lisa McCune, entre outros, se graduaram também) e a célebre Berklee College Of Music americana. De quebra, participou como backing vocalist da turnê Call Me Irresponsible, do astro Michael Bublé, e fez apresentações em grandes festivais, entre os quais o de Montreux, na Suíça.

Ela lançou dois álbuns na Austrália, Don’t Tempt Me (2011) e Close Your Eyes (2012), até que foi contratada pelo célebre selo jazzístico Impulse! (hoje pertencente ao conglomerado Universal Music), no qual estreou com o CD We Could Be Lovers (2015). A produção do novo trabalho ficou a cargo e Jay Newland e Brian Bacchus, este último conhecido por atuar com Norah Jones e Gregory Porter, entre outros.

Ao contrário de outras estrelas recentes ligadas ao jazz, como Norah Jones, Sarah McKenzie não flerta com sonoridades distantes do gênero musical que decidiu abraçar. Paris In The Rain não traz elementos de rock, música eletrônica, soul ou rap, concentrando-se em uma musicalidade ligada à tradição dos standards americanos, repleta de elegância, melodias apuradas e arranjos sempre repletos de sutilezas extremamente agradáveis de serem apreciadas.

O repertório de 13 canções se divide entre clássicos do porte de Tea For Two (Vincente Youmans/Irving Caesar), Day In Day Out (Rube Bloom/Johnny Mercer), Triste (do nosso Tom Jobim) e I’m Old Fashioned (Jerome Kern/Johnny Mercer) e cinco ótimas composições da própria McKenzie, entre as quais a faixa-título do CD, One Jealous Moon e a instrumental Road Chops.

Com uma voz suave e melodiosa e uma execução segura e fluente no piano, ela é acompanhada por músicos talentosos e virtuosos, entre os quais o violonista brasileiro Romero Lubambo, que marca presença com estilo em Triste e In The Name Of Love (Kenny Rankin/Levitt Estelle). Vale lembrar que todos os belíssimos arranjos das músicas foram assinadas pela própria Sarah, o que dá uma ideia do porte de seu talento.

Paris In The Rain não equivale a uma revolução no cenário jazzístico e tem aquele tempero de “já ouvi isso e sei onde”, mas é delicioso de se ouvir, ainda mais em um tempo no qual o marketing parece dar as cartas em detrimento da consistência musical. Aqui, quem manda são as melodias, as harmonias, a emoção. Vale lembrar que a artista esteve em agosto no Brasil, participando da inauguração do Blue Note Rio.

Paris In The Rain– Sarah McKenzie:

Antonio Adolfo relê o Wayne Shorter no ótimo CD Hybrido

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Por Fabian Chacur

Uma das vantagens de você ser o seu próprio patrão é criar pautas próprias sem depender de aprovação dos outros. Por isso, nesses 11 anos de Mondo Pop, pude me divertir escrevendo sobre artistas de que gosto muito. Mais: dando espaço a alguns deles, que nem sempre tem a atenção que merecem. Antônio Adolfo é um dos campeões de posts aqui. Se tiver alguma dúvida, confira neste link aqui e leia algumas das matérias publicadas no blog sobre ele.

Além de sua importância e currículo invejável no cenário da nossa música, Antonio Adolfo possui outra grande virtude: a vitalidade. Ele, que completou 70 anos no último dia 10 de fevereiro, continua mais ativo do que nunca, com constantes shows e lançamentos de novos álbuns. E cada novo disco vem com aquele rigor estilístico e com temáticas diferentes entre si e ao mesmo tempo pertinentes, tendo como regra o prazer e a paixão pela boa música popular.

Nem é preciso dizer que Hybrido- From Rio To Wayne Shorter, seu novo CD, não foge a esse alto parâmetro artístico. O músico carioca, desta vez, mergulhou na obra do genial saxofonista e compositor americano Wayne Shorter e trouxe de seu rico repertório oito composições, que receberam novos arranjos e foram tocados com swing, categoria e sentimento pelo músico e uma banda afiadíssima.

Além do próprio Antonio no piano e arranjos, temos em cena Lula Galvão (guitarra), Jorge Helder (contrabaixo), Rafael Barata (bateria e percussão), André Siqueira (percussão), Jessé Sadoc (trompete), Marcelo Martins (sax tenor e soprano e flauta) e Serginho Trombone (trombone). Zé Renato (vocais) e Claudio Spiewak (violão) fazem participação especial. Um timaço, conduzido com a competência habitual pelo dono da festa, que dá espaço para que todos brilhem.

Além das oito composições, escolhidas principalmente da produção de Shorter da década de 1960, temos também uma obra própria, Afosamba. A ideia foi mesclar as belas melodias e o teor jazzístico de maravilhas como Deluge, Footprints, Speak No Evil, Beauty And The Beast e E.S.P. com elementos da nossa música, e o resultado não poderia ser melhor, renovando clássicos sem os violentar.

Vale lembrar que Wayne Shorter, conhecido por seu trabalho com Miles Davis e por ter criado o influente e bem-sucedido grupo Weather Report, sempre foi um fã confesso da música popular brasileira, vide o álbum que gravou em 1974 em parceria com Milton Nascimento, Native Dancer, só para citar uma dessas colaborações. Aos 83 anos, ele dificilmente não se encantará ao ouvir novas versões tão quentes de suas composições. Mais um golaço de Antonio Adolfo, e mais um post sobre ele em Mondo Pop. Que venham muitos outros!

Viralata- Antonio Adolfo (álbum em streaming):

Nico Rezende viaja com classe pelo repertório de Chet Baker

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Por Fabian Chacur

Nico Rezende tem várias afinidades com o saudoso cantor e trompetista americano Chet Baker (1929-1988). Ambos começaram como músicos, inserindo o canto em suas trajetórias logo a seguir, com sucesso. Outra característica: a pinta de galã. Sorte que Nico não seguiu outra marca do jazzista, o forte envolvimento com as drogas e bebidas e uma vida desregrada que o destruiu durante as duas últimas décadas de sua breve vida. Firme, forte e em plena forma, o músico brasileiro lança Nico Rezende Canta Chet Baker, belíssimo DVD com repertório de Baker.

Chet Baker viveu o auge de sua trajetória musical durante a década de 1950 e parte da de 1960. Seu trabalho seguia a linha do cool jazz, também chamado de West Coast pelo fato de ter sido predominante no oeste americano nos anos 1950. Músico refinado, elogiado até por feras como Charlie Parker, que o ajudou no início de sua carreira, ele começou a brilhar como cantor com o álbum Chet Baker Sings (1954).

Compositor não muito frequente, ele se valia bastante do repertório de standards da música americana, aquela coleção maravilhosa de composições assinadas por nomes como Cole Porter, George & Ira Gershwin, Sammy Cahn, Richard Rodgers & Lorenz Hart, Johnny Mercer e outros do mesmo altíssimo gabarito. A seleção de repertório feita por Nico enveredou por esse caminho, sendo que 8 das 17 faixas marcam presença no clássico Chet Baker Sings.

Para acompanha-lo nesta bela viagem musical, Nico, que se incumbiu dos vocais e do piano, convidou os excelentes Guilherme Dias Gomes (trompete), Fernando Clark (guitarra), Alex Rocha (contrabaixo acústico) e André Tandeta. A gravação foi feita durante o show que o quinteto realizou em Niterói (RJ), como parte do Tudo Blues Festival, no dia 5 de junho de 2016, no Teatro do Centro Artes UFF.

O timbre e o estilo de cantar de Nico se encaixaram feito luva neste repertório, e o entrosamento entre ele e os músicos de sua banda rendeu performances impecáveis, sempre abrindo espaços na hora certa para os improvisos e tratando com todo o carinho cada canção.

O registro visual, em tons mais escuros, cria um clima de casa noturna americana, como se estivéssemos nos EUA durante a década de 1950, ouvindo os reis do cool jazz. E o comandante da festa se mostra um ótimo mestre de cerimônias, com direito a uma bela interação com a plateia na parte inicial da música You’d Be So Nice To Come Home To.

Quando às 17 músicas incluídas no DVD, louvemos maravilhas como But Not For Me, Time After Time, Let’s Get Lost, You Don’t Know What Love is, There Will Never Be Another You, My Funny Valentine, As Time Goes By e That Old Feeling, canções que provam com veemência que o que é bom, é para sempre, não tem data nem época. Atemporais até a medula!

Nico Rezende Canta Chet Baker é uma bela forma que o cantor, compositor e músico nascido em São Paulo em 13 de outubro de 1961 e radicado há anos no Rio escolheu para comemorar os 30 anos do lançamento de seu primeiro álbum solo, autointitulado, do qual o hit Esquece e Vem saiu rumo às paradas de sucesso de todo o mundo. Ele também atuou como músico e arranjador para artistas do porte de Ritchie, Lulu Santos, Marina Lima, Roberto Carlos e Gal Costa.

There Will Never Be Another You– Nico Rezende:

Tommy LiPuma, um produtor lendário, morre aos 80 anos

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Por Fabian Chacur

A primeira vez que eu li o nome Tommy LiPuma em um disco foi em um trabalho de George Benson, para ser mais preciso o compacto simples de vinil com a música Love Ballad (1978). Mal sabia eu que ainda ouviria muita coisa boa com o toque mágico de seu trabalho. Ele infelizmente nos deixou nesta segunda(13) aos 80 anos, em Nova York. Seu legado, no entanto, permanecerá eterno.

Nascido em 5 de julho de 1936, LiPuma começou o seu envolvimento no cenário musical como instrumentista, mas acabou enveredando para a área de divulgação no fim dos anos 1950. Após algumas experiências na área de produção, incluindo uma com o então ainda emergente trio de r&b The O’Jays, foi contratado pela gravadora A&M, onde ficou de 1965 a 1968 e assinou a produção de ao menos um grande hit, The More I See You, lançada em 1965 por Chris Montez.

Em 1968, resolveu se associar a outro profissional da área musical, Bob Krasnow (que por sinal nos deixou em 11 de dezembro de 2016), para criar o selo Blue Thumb Records. Até 1978, a gravadora lançaria discos de artistas como Sylvester (os dois primeiros, Sylvester & The Hot Band e Bazaar, ambos de 1973), Gerry Rafferty, Phil Upchurch, The Crusaders, Dave Mason e The Pointer Sisters, entre outros.

Sem se dedicar com exclusividade ao próprio selo, ele tirou a sorte grande em 1976, quando produziu Breezin’, álbum que tornou George Benson uma estrela pop, atingiu o primeiro lugar na parada ianque e rendeu a ele, LiPuma, o primeiro dos cinco troféus Grammy que conquistaria no decorrer de sua vida.

A parceria com Benson rendeu os também clássicos álbuns In Flight (1976), Livin’ Inside Your Love (1978) e o ao vivo Weekend In L.A. (1977, com aquela eletrizante releitura de On Broadway, dos Drifters). Eles voltariam a trabalhar juntos posteriormente em algumas ocasiões.

Em vários momentos de sua carreira, Tommy atuou como produtor e também como executivo de gravadoras, e dessa forma trabalhou com vários artistas brasileiros, como Eumir Deodato, Tom Jobim, João Donato e João Gilberto. Também trabalharam com ele Al Jarreau, Barbra Streisand, Michael Bublé, Willie Nelson e muitos outros.

Em 1991, ele assinou a produção de oito músicas de Unforgettable…With Love, tributo de Natalie Cole a seu pai Nat King Cole que se tornou um campeão de vendas e de Grammys.

Quando resolveu gravar um disco com releituras de standards de jazz, Paul McCartney acabou escolhendo Tommy LiPuma para a tarefa. A colaboração gerou o álbum Kisses On The Bottom (2012), que chegou ao top 5 da parada americana e posteriormente geraria também um belíssimo DVD gravado ao vivo com o seu repertório, que também incluiu duas composições inéditas do Macca seguindo o estilão do material compilado aqui por ele.

Não satisfeito, Tommy LiPuma também descobriu em 1995 uma jovem cantora, compositora e pianista canadense chamada Diana Krall. Naquele ano, produziu o segundo álbum da hoje megaestrela do jazz, Only Trust Your Heart, e assinou outros nove até 2009. Ela também participou do CD de McCartney produzido por ele. Aliás, seu último trabalho na produção marcou seu reencontro com a pupila, o álbum Turn Up The Quiet, que sairá nos EUA em 5 de maio deste ano.

Love Ballad– George Benson:

Al Jarreau, aos 76 anos, leva a sua belíssima voz para o céu

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Por Fabian Chacur

Do The Right Thing (Faça a Coisa Certa-1989), de Spike Lee, é um dos meus filmes favoritos. A sua parte final é bastante violenta. Após uma verdadeira carnificina capaz de abalar qualquer pessoa mais sensível, uma incrível surpresa. Enquanto passam os créditos, uma música doce, suave e envolvente intitulada Never Explain Love nos ajuda a recuperar o fôlego, a esperança e a paz. Seu intérprete, o talentosíssimo Al Jarreau, nos deixou neste domingo (12) aos 76 anos.

Este cantor americano nascido em 12 de março de 1940 em Milwaukee, Wisconsin (EUA) tem inúmeros pontos importantes em seu extenso currículo. Em 1985, por exemplo, ele não só se apresentou com destaque da primeira edição do Rock in Rio como também foi um dos cantores a participar de uma das gravações mais conhecidas de todos os tempos, a beneficente We Are The World, ao lado de Michael Jackson, Bruce Springsteen e dezenas de outras estrelas do seu mesmo calibre.

Filho de um pastor evangélico e de uma pianista de igreja, Alwin Lopez Jarreau (seu nome de batismo) se envolveu com a música desde o berço, portanto. Curiosamente, demorou um pouco a mergulhar de cabeça nessa carreira. Ele se formou em psicologia e trabalhou na área de reabilitação vocacional. Nas horas vagas, cantava com um trio de jazz liderado por um certo George Duke, que viraria um parceiro musical, também estrela do jazz e amigo para o resto da vida.

Em 1968, incentivado pela boa repercussão que vinha obtendo em pequenos shows, resolveu virar cantor em tempo integral. Fez inúmeras apresentações ao vivo e participou de programas de TV importantes, e em 1976, após marcar presença no hoje mitológico Saturday Night Live, recebeu o convite para gravar seu primeiro álbum solo, We Got By, lançado naquele mesmo ano. Ele já tinha 36 anos, mas soube aproveitar essa oportunidade rapidinho.

Em 1978, com o álbum Look To The Rainbow, ganhou o primeiro dos sete Grammy Awards que faturaria em sua carreira. Embora investindo basicamente em jazz, com destaque para scat singing, ele também não se furtava a gravar rhythm and blues, soul e canções românticas, mas sempre com muito bom gosto e sem concessões exageradas.

Em 1981, seu elogiado álbum Breakin’ Away o colocou na 9ª posição da parada pop americana, graças a belas canções pop. Ele sempre liderou os charts de jazz e também de r&b, graças a canções como a maravilhosa Mornin’, que também fez sucesso no Brasil.

Ele também marcou presença em várias trilhas sonoras. Além da do filme de Spike Lee citado logo na abertura deste texto, outro destaque fica por conta de Moonlighting, tema da série de TV A Gata e o Rato, que foi ao ar de 1985 a 1989 e era estrelada por Sybil Sheperd e Bruce Willis. Ele chegou a participar de um álbum da adorável Vila Sésamo, In Harmony: A Sesame Street Record.

Sua paixão pela música brasileira o levou a gravar as músicas Waters Of March e Girl From Ipanema, de Tom Jobim, no álbum A Twist Of Jobim (1997), do célebre guitarrista americano Lee Ritenour, e também da faixa Double Face, em 2010, em um álbum de Eumir Deodato. Ele homenageou o amigo Duke recentemente com o álbum My Old Friend: Celebrating George Duke (2014). Um de seus melhores trabalhos foi Givin’ It Up (2006), gravado em parceria com George Benson, outro grande amigo e que tocou naquele mesmo Rock in Rio de 1985.

Os problemas mais sérios com a saúde de Al Jarreau tiveram início em 2010, quando o astro chegou a ficar internado por bastante tempo na França, entre a vida e a morte. Mesmo assim, conseguiu se recuperar e continuou fazendo shows e gravando até quando isso foi possível. Ele inclusive tinha shows marcados para o Brasil em março deste ano, mas as apresentações foram canceladas por causa de seu estado de saúde, há alguns dias. Uma pena! Que descanse em paz!

Never Explain Love– Al Jarreau:

Diana Krall anuncia sua turnê e o álbum Turn Up The Quiet

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Por Fabian Chacur

Boas novidades para os fãs de Diana Krall. Deve sair no dia 5 de maio pelo selo Verve Records, hoje vinculado à Universal Music, o novo trabalho da cantora, compositora e pianista canadense, Turn Up The Quiet. O álbum será divulgado por extensa turnê mundial, prevista para durar de 2017 a 2018 e com o primeiro show marcado para 2 de junho, em Minneapolis, nos EUA. Ainda não foram divulgadas apresentações no Brasil.

A agenda da esposa de Elvis Costello vai ficar lotada em breve. Na América do Norte, já estão programados 32 datas, de junho a agosto. No dia 10 de setembro, terá início o braço europeu da turnê, com um show na Dinamarca e 25 outras apresentações em diversos países europeus. Como a tour está sendo divulgada como 2017/2018, os fãs brasileiros provavelmente terão uma boa surpresa nos próximos meses. Vale ficar com os dedos cruzados e na expectativa.

Turn Up The Quiet marca a volta de Diana ao universo do jazz e dos standards (o venerado Great American Songbook) após um período dedicada ao pop autoral. A produção do álbum ficou a cargo de um antigo parceiro, o premiado produtor Tommy LiPuma, com quem ela trabalhou pela primeira vez em 1995, no álbum Only Trust Your Heart. Ele atuou com astros do porte de George Benson, Paul McCartney, Barbra Streisand, Miles Davis e Natalie Cole, entre muitos outros.

The Look Of Love (live)- Diana Krall:

Livro serve como uma ótima e segura viagem pelo jazz world

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Por Fabian Chacur

Jazz. Como todo grande patrimônio cultural da humanidade, é difícil de ser definido ou delimitado. O que é e o que não é jazz? Quem começou esse ritmo musical? Quem são seus nomes essenciais? O que deve ou não deve ser cultuado por quem deseja conhecer essa importante vertente da música? São muitas questões. Se você se interessa por essas e outras tantas, uma ótima dica é ler Jazz Ao Seu Alcance, de Emerson Lopes (editora Multifoco).

O livro surgiu do trabalho de pesquisa do jornalista Emerson Lopes para um site da internet. Sem ser inicialmente fã de jazz, ele como tempo foi se apaixonando pelo tema, e virou um especialista, mesmo que possa não se encarar dessa forma. Seu trabalho virou referência para muita gente, e a concepção de Jazz Ao Seu Alcance é bastante generosa, pois se propõe a dividir com o seu leitor esse conhecimento todo de forma metódica e bem organizada, no melhor estilo guia.

Vale, logo de cara, apontar a principal virtude do trabalho de Emerson. Ele não se deixa levar pela tentação de encaminhar o leitor rumo a uma visão definida e/ou definitiva do jazz. Pelo contrário. O escritor apresenta as mais importantes tendências, estilos e derivações do jazz, citando nomes essenciais e dando à oportunidade ao leitor da busca pelo aprofundamento nos campos que forem se tornando os seus favoritos.

Isso se mostra fundamental nas áreas do fusion e do smooth jazz, que sofrem muito preconceito por parte dos jazzistas mais radicais, que não só os abominam como preferem nem classifica-los como vertentes do jazz. Emerson não cai nessa armadilha, embora também não deixe de apresentar ao leitor a existência dessas correntes mais radicais e suas posições. Isso é democracia no melhor sentido da palavra, e serve como embasamento para o guia como um todo.

O conteúdo é dividido em vários capítulos, que podem ser apreciados separadamente ou na ordem. Temos aqui preciosas dicas de sites em português e outros idiomas sobre esse estilo musical, sites sobre a obra dos artistas mais importantes, rádios online e podcasts, os principais festivais, lojas de discos e DVDs, revistas, música instrumental brasileira, CDs fundamentais e músicos decisivos em cada instrumento.

Se os itens citados são úteis e importantes como um todo, vale como destaque o capítulo dedicado a entrevistas feitas especialmente para o livro, nas quais uma série de perguntas mais ou menos padronizadas é feita para vários especialistas, entre músicos, críticos musicais e radialistas, nas quais você poderá ter contato com pontos de vistas bem distintos entre si, e que certamente o ajudarão a criar a sua própria forma de encarar o jazz. Um banho de informação.

Com bela capa e apresentação visual, Jazz Ao Seu Alcance só peca pela revisão um pouco descuidada para um trabalho desse alto gabarito, assim como uma padronização também deficiente. Mas são pequenos pecados diante da consistência do guia como um todo, que tem como tempero o texto claro, simples e sem muitos rodeios de Emerson, que facilita a vida especialmente do neófito que tenta se iniciar no mundo do jazz. Livro essencial para novatos, mas que também pode acrescentar muito para quem conhece esse seminal gênero musical.

Vale a dica: Emerson também possui um ótimo blog com resenhas, informações sobre shows e outras informações bacanas, além de apresentar um podcast bem bacana, no qual apresenta maravilhas do mundo do jazz de forma abrangente e descolada. Confira os links abaixo:

https://www.mixcloud.com/podcastjazzy/novo-jazzy-89/

http://jazzaoseualcance.blogspot.com.br/2009/10/jazz-ao-seu-alcance.html

Take Five (live)- Dave Brubeck:

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