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John Mellencamp grava CD No Better Than This com um único microfone e esbanja categoria

Por Fabian Chacur

Em plena era da tecnologia a mil por segundo, quando até a respiração de um cantor pode ser omitida de uma gravação e dezenas de canais são utilizados, dá para se acreditar que tenha sido possível registrar músicas com um único microfone lá pelos anos 20, 30, 40 do século passado?

Meu Deus, no tempo em que se gravava dessa forma os dinossauros ainda habitavam a terra, alguns de vocês devem pensar.

Quem bom haver atualmente um leque tão grande de opções para se registrar um trabalho musical!

No entanto, às vezes alguns se esquecem do mais importante e que deveria predominar sempre, que é o conteúdo musical.

Levando esse mote em conta e também com o objetivo de experimentar as técnicas rudimentares de que se valeram vários de seus ídolos, o genial John Mellencamp radicalizou em seu novo CD, No Better Than This.

Sabem quantos microfones o cantor, compositor e guitarrista americano usou nesse álbum? Quem apostou um acertou em cheio.

É isso mesmo que você leu. Um único, para gravar as vozes e os instrumentos dele e de sua banda de apoio, tudo tocado ao vivo em estúdio.

Das 13 faixas do disco, nove foram registradas no Sun Studio em Memphis, lugar onde Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins, só para citar alguns, fizeram gravações históricas.

Três tiveram como local a igreja batista First African, na cidade de Savannah, enquanto Right Behind Me foi registrada no mesmo quarto de hotel em que o lendário bluesman Robert Johnson fez uma de suas poucas e mitológicas sessões de gravação, nos anos 30.

As 13 músicas são inéditas, compostas por Mellencamp com evidente inspiração em country, rock básico, folk e blues, valendo-se das vertentes mais rústicas dos estilos citados.

Com uma voz rouca, forte e de assinatura inconfundível, o roqueiro americano nos oferece maravilhas como o country rock Save Some Time To Dream, a country A Graceful Fall e o espetacular rockabilly que dá nome ao disco, certeiro tributo ao Elvis de Mystery Train.

Thinking About You soa como se fosse uma balada folk estilo voz e violão que Bob Dylan se esqueceu de compor em seus anos de ouro, o que também pode se falar da deliciosa Love At First Sight.

No Better Than This tem arranjos econômicos, que se valem da velha máxima “menos é mais”, mas nunca pobres ou limitados. Pelo contrário.

John Mellencamp, que já teve um indesejado por ele apelido Cougar no meio do nome, fará 60 anos no dia 7 de outubro deste ano esbanjando inquietude e inspiração. Dá para se esperar muita coisa boa ainda desse mestre do rock ianque. Que bom!

Veja o clipe de Rain on the Scarecrow, clássico de 1985:

CD ao vivo mostra lado visceral de John Mellencamp

john-mellencamp-life-death-live-and-freedomPor Fabian Chacur

Em maio, comentei por aqui o excelente e mais recente CD de estúdio de John Mellencamp, Life Death Love And Freedom (http://www.mondopop.net/?p=916 ). Sempre inquieto, o cantor e compositor americano agora nos oferece uma versão ao vivo do mesmo. Trata-se de Life Death Live And Freedom, que saiu nos EUA em dois formatos: o normal e uma versão que engloba os dois álbuns em uma embalagem especial referente à sua turnê de divulgação. Esse live album inclui oito das quatorze canções incluídas no disco de estúdio. Mellencamp tem o costume de testar novas canções em seus shows, e fez isso de forma mais constante com o material de Life Death Love And Freedom. Trata-se de uma boa oportunidade de se conferir gravações mais cruas e mais diretas de músicas excelentes. Pelo menos três delas estão bem mais pesadas e ardidas: If I Die Sudden, Troubled Land e Don’t Need This Body, que aqui tendem mais para o rock do que para o folk. Longest Days e Young Without Lovers soam próximas das versões de estúdio, mas os acompanhamentos de violão estão mais sujos.

A Ride Back Home e My Sweet Love soam legais, mas sentem bastante a falta dos vocais de Karen Fairchild, que harmoniza com Mellencamp nas gravações de estúdio. E Jena, uma das melhores do álbum, tem registro ao vivo no mesmo alto nível. O legal é que as músicas, como um todo, estão diferentes dos registros contidos no disco de estúdio, embora não tenham perdido a personalidade.

Live Death Live And Freedom é a prova concreta de que John Mellencamp nos deve um disco ao vivo abrangendo toda a carreira, algo que até agora ele não fez, pelo menos de força oficial. O sujeito é um monstro em cena, e sempre tem a seu lado bandas de apoio matadoras. Que tal em breve, meu caro?

Confira versão ao vivo de Troubled Land:

http://www.youtube.com/watch?v=7i1BMGtfIJ4&feature=PlayList&p=4969D3956F21854E&playnext=1&playnext_from=PL&index=1

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