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Tag: junho 2020

David Bowie ao vivo em 1995 nos EUA em um novo álbum digital

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Por Fabian Chacur

No próximo dia 3 de julho (que será uma sexta-feira), chegará às plataformas digitais através da Warner Music um novo álbum de David Bowie. Trata-se de Ouvrez Le Chien (Live Dallas ’95), gravado ao vivo no dia 13 de outubro de 1995 em show realizado no Starplex Amphitheatre em Dallas, Texas (EUA), durante a turnê que divulgou o seu álbum Outside (1995). Uma amostra já está disponível, a faixa Teenage Wildlife.

O repertório do show mescla canções de Outside com alguns clássicos de seu repertório. Como bônus, foram incluídas Moonage Daydream e Under Pressure, gravadas ao vivo em 13 de dezembro de 1995 no National Exhibition Centre em Birmingham e lançadas anteriormente no CD single Hallo Spaceboy.

A frase ouvrez le chien (abra o cão, em francês) foi utilizada por Bowie em sua música All The Madmen, do álbum The Man Who Sold The World (1970), e depois em uma das faixas do álbum Buddha Of Suburbia (1993). A foto da capa foi feita pela esposa do saudoso roqueiro, Iman.

Nos shows, Bowie teve a seu lado uma banda afiadíssima integrada por ele próprio (vocais e saxofone), Carlos Alomar (guitarra base), Reeves Gabrels (guitarra-solo e vocais), Gail Ann Dorsey (baixo e vocais), Zachary Alford (bateria), Peter Schwartz (teclados e sintetizadores), George Simms (vocais) e Mike Garson (piano e teclados).

Eis as faixas de Ouvrez Le Chien:

– Look Back In Anger (David Bowie/Brian Eno)
– The Hearts Filthy Lesson (David Bowie/Brian Eno/Michael Garson/Sterling Campbell/Erdal Kizilcay/Reeves Gabrels)
– The Voyeur Of Utter Destruction (As Beauty) (David Bowie/Brian Eno/Reeves Gabrels)
– I Have Not Been To Oxford Town (David Bowie/Brian Eno)
– Outside (David Bowie/Kevin Armstrong)
– Andy Warhol (David Bowie)
– Breaking Glass (David Bowie/George Murray/Dennis Davis)
– The Man Who Sold The World (David Bowie)
– We Prick You (David Bowie/Brian Eno)
– I’m Deranged (David Bowie/Brian Eno)
– Joe The Lion (David Bowie)
– Nite Flights (Scott Engel)
– Under Pressure (David Bowie/Freddie Mercury/Roger Taylor/John Deacon/Brian May)
– Teenage Wildlife (David Bowie)
– Moonage Daydream* (David Bowie)
– Under Pressure (David Bowie/Freddie Mercury/Roger Taylor/John Deacon/Brian May)

Teenage Wildlife (Life Dallas ’95)– David Bowie:

Ivan Lins será homenageado com live por seus 75 anos de idade

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Por Fabian Chacur

Nesta terça-feira (16) o grande Ivan Lins completará 75 anos de idade. Como forma de celebrar essa importante efeméride, seu filho, Cláudio Lins, organizou uma live que será realizada nesse mesmo dia, a partir das 16h, e que poderá ser conferida aqui. O elenco escalado para participar da festança virtual é significativo, e inclui nomes de várias gerações da nossa música, como Roberto Menescal, Gilson Peranzzetta, Leila Pinheiro, Délia Fischer, Jorge Vercillo, Nelson Faria, Luciana Mello, Pedro Mariano, Sérgio Santos, Lenine, Jair Oliveira e Jane Duboc, entre outros.

A ideia do organizador é que cada participante escolha uma das canções do incrível repertório construído por Ivan nesses seus 50 anos de trajetória musical e a interprete em dueto com Claudio, que não divulgou as músicas que entrarão no set list dessa live, e explica o porque desse mistério:

“Como precisamos divulgar a live e os convidados, já não será uma live surpresa pro pai… mas pelo menos essa surpresa, do que cada um escolheu, eu vou guardar. Pro pai e pra todos que quiserem celebrar a obra desse verdadeiro gênio da música brasileira e mundial.”

A live faz parte do festival online #ziriguidumEmCasa, organizado pelo filho de Ivan Lins com o jornalista Beto Feitosa e com a participação na organização de Maria Braga e Ana Paula Romeiro, evento virtual que desde o início da pandemia do novo coronavírus já teve 10 edições e trouxe apresentações de inúmeros artistas bacanas da nossa música, incluindo o próprio Ivan Lins.

A pedido do homenageado, serão aceitas doações para a ONG Ação Social Pela Música (saiba mais sobre o seu trabalho aqui) neste link aqui.

Leia mais sobre Ivan Lins aqui.

Somos Todos Iguais Nesta Noite– Ivan Lins:

Gabi Doti esbanja sutilezas e talento no álbum Outra Razão

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Por Fabian Chacur

Gabi Doti é uma cantora e compositora uruguaia que está radicada há muito tempo em Brasília (DF). Há aproximadamente dez anos, esta graduada em administração começou a se dedicar à música de forma mais intensa. Em 2014, lançou dois álbuns simultaneamente, Aguas del Tiempo e La Niña en La Pantalla. Em 2018, foi a vez de Mundo Nada Particular, gravado ao vivo. Agora, temos Outra Razão, disponível nas plataformas digitais e também em caprichada versão em CD. E daí, diria o outro?

Basta uma primeira audição deste álbum para se chegar à conclusão de que não se trata de pouca coisa. Não mesmo. Em seus trabalhos iniciais, Gabriela (seu nome de batismo) já dava mostras de que não tinha entrado na cena musical para perder tempo. Com canções de sua autoria consistentes e performances convincentes em shows, a moça conquistou aos poucos o respeito do público de sua cidade. Mas ela percebia que podia ir ainda além.

A sementinha que gerou Outra Razão foi o encontro de Gabi com o consagrado produtor brasileiro radicado há quatro décadas nos EUA Moogie Canazio, que trabalhou com artistas do porte de Caetano Veloso, Rita Lee, Sergio Mendes, Ivan Lins, Simone, Nathan East e Luis Miguel, entre muitos outros. Ao lado de seu verdadeiro braço direito, o tecladista Daniel Baker, ela deu início a um produtivo processo criativo que gerou este novo trabalho.

Gravado no estúdio EastWest Recording, em Los Angeles (EUA), o álbum contou com um time afiadíssimo de músicos, tendo Baker como tecladista. Na guitarra, Tim Pierce, que marcou presença em mais de mil discos de astros do porte de Michael Jackson, Elton John, Bruce Springsteen, Celine Dion e Christina Aguilera. O baixista Sean Hurley, por sua vez, atuou com Annie Lennox, Ringo Starr, Alanis Morissette, John Mayer e Colbie Caillat, só para citar alguns dos craques com quem já trabalhou.

O baterista Jamie Wollam toca há dez anos com o Tears For Fears e completa o time básico que atua no disco, sendo que outro destaque fica por conta do percussionista Rafael Padilla, cujos serviços já foram utilizados por Diana Ross, Shakira, Gloria Estefan e Thomas Dolby, entre outros.

E daí, diria algum cético? Vários discos contaram com Moogie e com esses craques citados e não conseguiram grandes resultados em termos artísticos e comerciais, da mesma forma que muitos times de futebol já reuniram elencos invejáveis que, na prática, deram poucas alegrias a seus torcedores, sendo a fase dos “galácticos” do Real Madrid da década passada um bom exemplo.

Pois aqui reside o grande mérito de Gabi Doti. Sabendo que iria ter a seu serviço gente desse altíssimo gabarito, ela fez a sua lição de casa. Partiu de um universo inicial de 31 composições, reduziu-o com o tempo para 15 (que foram devidamente arranjadas) e, dessas, foram selecionadas as 10 incluídas no álbum.

Dessa forma, a moça soube extrair de seus colaboradores aquilo que sua voz e suas composições necessitava. O resultado certamente agradará quem busca música pop sofisticada e boa de se ouvir, uma mistura de rock melódico, funk de verdade, folk, r&b e um elenco de sutilezas capazes de agradar a ouvidos exigentes, sem cair naquele perigoso território do “ah, como meu umbigo é lindo”.

O trabalho de Gabi nos exibe elementos do pop oitentista, e demonstra influências de gente como Marina Lima, Tanita Tikaram, Joni Mitchell, Carole King, Soraya e Zélia Duncan, só para citar algumas possíveis referências. Mas tudo do seu jeito, com sua própria delicadeza, e com letras falando sobre as idas e vindas do amor e da vida.

O álbum tem início com Verdade Ou Mentira, com sua levada meio hipnótica a la Fullgás, de Marina Lima. Silêncio Capital propõe um clima funk-samba-jazz, como ela própria autodenomina na letra. Eco é um rockão swingado com direito a refrão irresistível e belos vocais, enquanto Nonsense envolve com seu jeitão de pop-rock melódico brasileiro oitentista.

Otra Razón, escrita em castelhano, possui uma levada de balada folk que tem grandes afinidades com uma parte da produção pop dos países portenhos, e cativa com sua sentida melancolia (o clipe que a divulga é belíssimo). Nosso Jeito tem um formato delicioso de rock balada, e arranca arrepios graças a um refrão preciso e um arranjo de cordas simplesmente maravilhoso, do tipo obra prima, bem desempenhado pela Orquestra St. Petesburg.

Spotlight segue com categoria a linha de rock swingado, enquanto Sublimação vai na mesma veia de Verdade Ou Mentira, só que ainda melhor e mais bem resolvida. Iguais é uma balada sweet soul com arranjos de cordas nitidamente lembrando os do genial Barry White, com direito até a aqueles sutis diálogos entre cordas e vocais, outra participação classuda da Orquestra St. Petesburg.

O álbum se encerra com o que é definido pela artista como uma faixa-bônus, que é Good Times, com letra em inglês e uma levada r&b que remete a Lisa Stansfield, Swing Out Sister e um pouco o já citado Barry White.

Outra Razão é um disco para ser ouvido muitas vezes, pois foi concebido com tamanha delicadeza e inspiração que não merece passar batido. Não se encaixa na média do que se faz atualmente no mainstream pop, e isso pode ser um empecilho para que faça muito sucesso, mas possui qualidade suficiente para cativar quem busca aquela consistência e categoria que o pop oitentista, em seus melhores momentos, nos oferecia. E é radiofônico no melhor sentido do termo, ou seja, aquele tipo de som acessível que não brinca com a nossa inteligência.

Ouça o álbum Outra Razão em streaming aqui

Otra Razón (clipe)- Gabi Doti:

The Waterboys lançam single e prometem álbum para agosto

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Por Fabian Chacur

Após a boa repercussão de Where The Action Is (2019), álbum que chegou ao posto de nº 21 na parada britânica, o grupo The Waterboys não deixa a poeira baixar e nos oferece um novo single. Trata-se do rockão épico com mais de sete minutos de duração intitulado My Wanderings In The Weary Land. Coisa finíssima, bela prévia de um novo álbum, Good Luck, Seeker, que o selo britânico Cooking Vinyl lançará no dia 21 de agosto nos formatos digital e também físicos (veja detalhes aqui).

Criado em 1981 pelo cantor, compositor e músico escocês Mike Scott, único integrante a se manter no time desde o seu início, os Waterboys fizeram o seu nome com uma mistura de rock vigoroso, música folk e ecos de Bob Dylan, Patty Smith e John Lennon, só para citar algumas de suas ótimas e bem digeridas influências. Álbuns como This Is The Sea (1985) e Fisherman’s Blues (1988) são sublimes, e canções como The Whole Of The Moon, Medicine Ball e Fisherman’s Blues tornaram-se clássicos perenes dos anos 1980.

Hoje um septeto, o grupo traz como músico mais antigo além de Scott, o ótimo Steve Wickham (violino elétrico e mandolin), que esteve nos Waterboys entre 1985 e 1990 e depois voltou em 2001 para não mais sair fora. Ex-integrantes famosos são Anthony Thistlethwaite (sax, baixo, mandolin e harmônica), que depois fez parte do grupo The Saw Doctors, e Karl Walinger (teclados), posteriormente líder do ótimo grupo World Party.

Good Luck, Seeker será o 14º álbum de estúdio da banda britânica, sendo que Mike Scott também lançou dois discos solo nos anos 1990 (Bring ‘Em All In-1985 e Still Burning-1987). Seu álbum de maior sucesso comercial foi a ótima coletânea The Best Of The Waterboys 81-90 (1991), que atingiu o 2ª posto na parada britânica na época de seu lançamento.

Eis as faixas de Good Luck, Seeker:

1. The Soul Singer
2. (You’ve Got To) Kiss A Frog Or Two
3. Low Down In The Broom
4. Dennis Hopper
5. Freak Street
6. Sticky Fingers
7. Why Should I Love You?
8. The Golden Work
9. My Wanderings In The Weary Land
10. Postcard From The Celtic Dreamtime
11. Good Luck, Seeker
12. Beauty In Repetition
13. Everchanging
14. The Land Of Sunset

Ouça My Wanderings In The Weary Land, dos Waterboys:

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