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Songbook em livro e CD traz a sólida obra de Sá & Guarabyra

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Por Fabian Chacur

Rock rural é como era apelidada a sonoridade criada por Luiz Carlos Sá, Zé Rodrix e Guttemberg Guarabyra naqueles distantes anos 1970. Após dois discos, Rodrix saiu rumo a uma carreira solo, e o trio virou a dupla Sá & Guarabyra, que se consolidou como pioneira do folk-country-rock a brasileira. Essa obra agora ganha celebração em nobre e belo formato songbook.

São dois produtos em cima do conceito songbook. Um é o livro lançado pela editora Irmãos Vitale e com formato idealizado pelo saudoso Almir Chediak e sua Lumiar Editora. Trata-se de uma compilação com 35 canções cifradas e em partituras que abrangem o trabalho da dupla e do trio. Temos também deliciosos textos de Sá e Guarabyra relembrando passagens de sua carreira.

O CD se concentra no trabalho da dupla, e inclui 14 canções, em gravações originais, percorrendo o trabalho dos roqueiros rurais nas décadas de 1970 e 1980. A seleção é a melhor e mais abrangente da obra deles já incluída em uma compilação em CD, pois reúne fonogramas originais de Som Livre, BMG e da Gravadora Eldorado.

A apresentação do CD, lançado pela gravadora Kuarup, é simplesmente impecável, com direito a capa dupla digipack e encarte trazendo letras e fichas técnicas completas de cada música, com as escalações de músicos e produtores presentes em cada fonograma. Coisa de quem respeita esse indivíduo às vezes ignorado que é o músico de estúdio.

Difícil destacar uma única faixa em um repertório tão rico. São melodias inspiradas, arranjos precisos e letras que esbanjam profundidade e poesia. Harmonia, Verdades e Mentiras, Espanhola, Dona, Sobradinho, Quem Saberia Perder (com a participação especial de Ivan Lins), Sete Marias, Caçador de Mim, Ziriguidum Tchan…. Meu Deus, é covardia. Um justo tributo aos criadores do rock rural brasileiro, do folk brasileiro, enfim, de belas e eternas canções.

Quem Saberia Perder– Sá & Guarabyra com Ivan Lins:

Ziriguidum Tcham- Sá & Guarabyra:

Verdades e Mentiras– Sá & Guarabyra:

Dona– Sá & Guarabyra:

Caçador de Mim (ao vivo)- Sá & Guarabyra:

Kuarup relança Chama Acesa e Modo Livre, de Ivan Lins

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Por Fabian Chacur

A gravadora paulistana Kuarup anda prestando um belo serviço aos fãs da melhor música brasileira. Além de lançar novos artistas e reeditar títulos importantes de seu acervo de mais de 30 anos, o selo também está resgatando obras lançadas por outros selos. Agora, é a vez de dois títulos importantes da discografia de Ivan Lins, Modo Livre (1974) e Chama Acesa (1975), da extinta RCA (hoje no acervo da Sony Music).

Esses dois ótimos trabalhos marcam uma fase de transição na carreira do genial cantor, compositor e músico carioca, que recentemente completou 70 anos de idade (ler homenagem de Mondo Pop aqui). Marcam uma espécie de ruptura com seu trabalho anterior.

Embora de ótima qualidade artística, os três primeiros álbuns de Ivan eram olhados com narizes torcidos por parte da crítica especializada. Após lançar o sintomaticamente intitulado Quem Sou Eu? (1972), o artista perdeu o grande destaque que havia obtido na mídia, e deu uma célebre entrevista ao jornal alternativo O Pasquim no qual admitiu sua alienação em termos políticos. Novidades maiores viriam a seguir.

Modo Livre traz um artista centrado no samba moderno. Seis das onze músicas foram escritas com o parceiro dos hits iniciais, Ronaldo Monteiro de Souza, entre elas as ótimas Deixa Eu Dizer (que também fez sucesso com Claudya, cuja versão foi sampleada por Marcelo D2), Tens (Calmaria) e Espero. Mas outras faixas teriam mais destaque.

Abre Alas, por exemplo, equivale ao início da parceria com o paulista de Ituverava Vitor Martins, dobradinha que se tornaria nos anos seguintes uma das melhores e mais importantes da história da MPB. Foi o grande hit do álbum. Por sua vez, Chega, assinada só por Ivan, é um desabafo em relação às pressões que sofria: “as pessoas tem que gostar de mim como eu sou, e não como você quer que eu seja”.

Tocam em Modo Livre músicos como o guitarrista e maestro Artur Verocai, que já havia atuado antes com ele e que há pouco foi resgatado pelas novas gerações, o consagrado tecladista Wagner Tiso e o baterista Robertinho Silva, entre outros do mesmo alto nível. Avarandado (Caetano Veloso) e o pot-pourry de sambas clássicos General da Banda – A Fonte Secou- Recordar é Viver são releituras bacanas do álbum.

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Chama Acesa mostra a rápida evolução da dupla Ivan Lins/Vitor Martins, que assina cinco das onze músicas do álbum, com apenas duas de Ivan com Ronaldo Monteiro de Souza. Paulo Cesar Pinheiro, que escreveu com Ivan Rei do Carnaval, no CD anterior, volta a ser parceiro na faixa que deu título ao álbum e de Poeira Cinza e Fumaça. Duas são só do autor de Madalena, as ótimas Sorriso da Mágoa e Nesse Botequim.

Embora ainda tendo o samba como base, este álbum de 1975 ganhou fortes elementos jazzísticos, além de marcar o início da colaboração de Ivan Lins com o excelente pianista e tecladista Gilson Peranzzetta, parceria que se estenderia por muitos anos. Os sopros (flauta e sax) de Ricardo Ribeiro ajudam a ressaltar esse clima jazzy que pontua o álbum.

Os dois álbuns já haviam sido lançados em CD pela antiga BMG em 2001, mas as novas edições da Kuarup são mais caprichadas, incluindo encartes rediagramados com fotos mais nítidas e ótima remasterização. Bela homenagem a um artista que mereceria ser mais venerado em sua terra natal, já que no exterior é cultuado como o mestre que de fato é.

Deixa eu Dizer– Ivan Lins:

Abre Alas– Ivan Lins:

Chega– Ivan Lins:

Sorriso da Mágoa– Ivan Lins:

Lenda do Carmo– Ivan Lins:

Joana dos Barcos– Ivan Lins:

Tiro de Misericórdia, de João Bosco, sai em CD via Kuarup

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Por Fabian Chacur

A discografia de João Bosco é uma das mais consistentes e ricas da história da MPB. Por alguma razão, seu quarto trabalho, Tiro de Misericórdia (1977), lançado na época pela RCA, não estava disponível em CD. Graças à gravadora Kuarup, esse título enfim chega à era digital, e em grande estilo, com direito a encarte luxuoso com letras e ficha técnica. Um grande álbum.

Chega a ser inacreditável pensar que, de 1975 a 1977, o cantor, compositor e violonista mineiro teve fôlego para lançar três trabalhos tão bons e repletos de clássicos como Caça à Raposa (1975), Galos de Briga (1976) e o em questão Tiro de Misericórdia (1977). Era muita inspiração, pois não é qualquer um que consegue lançar tantas coisas boas em tão pouco tempo.

Tiro de Misericórdia é essencialmente um disco de samba, mas sem amarras e aberto a outras sonoridades, como música latina, chorinho, bossa nova e até um tempero pop aqui e ali. A conduzir tudo, um violão endiabrado, uma voz deliciosa e composições de João Bosco nas melodias e Aldyr Blanc nas letras. Uma dupla dinâmica!

O álbum abre com Gênesis (Parto) e fecha com Tiro de Misericórdia, duas músicas irmãs. A primeira conta o nascimento de uma criança na marginalidade, sofrendo todas as dificuldades dessa condição, e com toda a pinta de que, “oxum falou, esse promete”. A faixa título mostra o trágico fim dessa história, com o moleque virando marginal e morrendo de forma violenta. Tudo pontuado por muita percussão e ritmos de umbanda. De arrepiar, de tão atual.

Duas músicas integraram com destaque a trilha sonora do magistral Se Segura Malandro, um clássico de Hugo Carvana e na minha modesta opinião um dos melhores filmes da história do cinema nacional. A panfletária (no melhor sentido da palavra) Plataforma contagia logo nos primeiros acordes, enquanto a envolvente Vaso Ruim Não Quebra une Bosco e Cristina Buarque contando o inusitado romance entre Laurinha e Romão. Dois sambas matadores.

Ainda no quesito sambão, Jogador não fez feio nas paradas de sucesso, enquanto o lirismo fatalista marca a belíssima Falso Brilhante. E tem também o irresistível bolero sacudido Bijuterias, grande sucesso usado como abertura da novela global O Astro. E as outras faixas do álbum não deixam a peteca ir ao chão, de tão consistentes e inspiradas que são.

Além de João Bosco na voz e violão, o álbum conta com direção criativa a cargo de Durval Ferreira, coordenação artística e direção de estúdio pilotadas pelo brilhante Rildo Hora e a participação de músicos do alto gabarito de Horondino Dino Silva (violão de 7 cordas), Toninho Horta (guitarra), Pascoal Meireles (bateria), Abel Ferreira (clarinete), Raul de Barros (trombone) e Altamarinho Carrilho (flauta). Um clássico perene da MPB. Compre já!

Plataforma– João Bosco:

Vaso Ruim Não Quebra– João Bosco e Cristina Buarque:

Tiro de Misericórdia– João Bosco:

Bruna Moraes lança primeiro CD com show no Tom Jazz

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Por Fabian Chacur

A MPB continua se mostrando inesgotável no quesito talentos promissores que surgem. Um novo nome que se mostra especialmente interessante é o de Bruna Moraes. A cantora, compositora e violonista de apenas 19 anos mostra nesta quarta-feira (23) o repertório de seu primeiro e excelente CD, Olho de Dentro, em show que terá como palco o badalado Tom Jazz (avenida Angélica, 2.331- Higienópolis- fone 0xx11-3255-0084), com ingressos a R$ 50,00.

Quem ouve o canto denso, maduro e envolvente de Bruna Moraes dificilmente acredita que a moçoila tem apenas a idade que declarou. Com timbre de voz encantador e muito bem empregado, ela de quebra ainda se mostra compositora de assinatura própria, mesclando suas canções com algumas obras de outros autores sem perder o pique em momento algum. Belo coquetel melódico e rítmico.

Lançado pela gravadora Kuarup, verdadeira grife da música brasileira independente e atualmente com direção artística a cargo do experiente e competente Rodolfo Zanke, Olho de Dentro teve produção assinada pelo célebre contrabaixista Pedro Baldanza, cujo currículo inclui colaborações com astros do naipe de Elis Regina, Zizi Possi, Sá & Guarabira e Ney Matogrosso.

O repertório desse altamente recomendável álbum de estreia será a base do show de Bruna, incluindo músicas envolventes como Iansã, Muito Mais e Na Vazante, a bela releitura de Sem Fantasia (de Chico Buarque e com participação no CD de Lenine Guarani) e uma inédita de Taiguara, Levante de Borel. Algumas inéditas que não entraram no disco também devem estar presentes na programação do show.

Além de Bruna no vocal e violão, o show contará com Peter Mesquita (contrabaixo), Kabé Pinheiro (percussão), Tiago Gomes (teclados), Gabriel Guilherme (bateria) e Ítalo Lencker (violão), sendo este último também parceiro da cantora em canções de rara beleza como Na Vazante e Chorei Num Samba. Recomendo com muito entusiasmo!

Iansã, com Bruna Moraes:

Muito Mais, com Bruna Moraes:

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