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Solano Ribeiro relembra MPB e belas histórias dos festivais

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Por Fabian Chacur

Quem começa a pesquisar sobre a era dos festivais chegará infalivelmente no nome de Solano Ribeiro. E não é para menos. Esse produtor de TV, rádio e publicidade teve participação fundamental nos principais eventos ligados ao tema no Brasil, dos anos 1960 aos dias de hoje. Em 2003, lançou Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, livro relançado agora em edição revista e atualizada pela Kuarup. A noite de autógrafos em São Paulo será nesta terça (18) a partir das 19h na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (avenida Paulista, 2.073- fone 3170-4033). No Rio de Janeiro, vai rolar no dia 2 de outubro (terça) na Livraria da Travessa do Leblon (avenida Afrânio de Melo Franco, nº 290- loja 205- fone 0xx21-3138-9600).

Solano Ribeiro nasceu em 1939, e começou sua trajetória no meio artístico na segunda metade da década de 1950, estudando e atuando em teatro e também integrando o grupo The Avalons, um dos pioneiros do rock paulistano. Logo se envolveu na produção de shows musicais e também de programas de TV e festivais televisivos. O seu trabalho nos festivais das TVs Excelsior, Record e Globo foi decisivo, especialmente nos aspectos criativos e organizacionais.

Com um texto na primeira pessoa bastante fluente, franco e direto, ele narra suas experiências nessa era de enorme criatividade na música brasileira. Do namoro com Elis Regina aos bastidores dos eventos, histórias que envolvem nomes que ajudou a impulsionar, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Edu Lobo e tantos outros. Ficamos sabendo também dos arranjos políticos, das lutas de egos, dos altos e baixos, das idas e vindas.

Dono de um temperamento forte que se evidencia em cada página de seu livro de memórias, Solano certamente deve ter desagradado alguns colegas com certas opiniões, mas demonstrou coragem ao colocar no papel as suas ideias e visões sobre cada evento no qual se envolveu. Nem mesmo nomes incensados por alguns, como o radialista e jornalista Zuza Homem de Mello e o empresário Paulinho Machado de Carvalho, da TV Record, escaparam da sua pena afiada.

Lógico que temos também momentos muito bem-humorados, incluindo até mesmo uma longa descrição de um affair amoroso de Solano com direito a detalhes eróticos. Suas lembranças gastronômicas também ocupam diversas páginas, assim como viagens e trabalhos não só em festivais, mas também em especiais feitos para TV no Brasil e na Alemanha, atuação em rádio, publicidade etc. Um profissional sempre inquieto, criativo e combativo em sua longa e produtiva trajetória.

Nas páginas de Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, viajamos por um tempo incrível repleto de realizações, criatividade e também com direito a frustrações e fracassos. O legal é saber que Solano nunca desistiu de lutar pela criação de espaços para a MPB, sigla que, por sinal, ele afirma ter criado. Mais na ativa do que nunca, ele apresenta o programa de rádio Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil, criou o prêmio Cata-Vento, que premia os melhores da produção independente musical, além de criar o portal www.solanoribeiro.com.br . Sua história ainda irá longe, pelo andar da carruagem!

Solano Ribeiro fala sobre Festival de 1968:

O crítico Tarik de Souza lança 3 novos livros em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Tarik de Souza é um daqueles nomes que inevitavelmente são citados quando o assunto é crítica musical de primeiro escalão no Brasil. Ao lado de luminares do porte de Ana Maria Bahiana, Sérgio Cabral, Ezequiel Neves e Roberto Muggiati, proporcionou e proporciona aos apaixonados pelo tema ótimos livros, resenhas e análises no setor. O também jornalista lança três novos livros nesta quarta (14) a partir das 19h em São Paulo na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (avenida Paulista, nº 2.073- Cerqueira Cesar).

Sambalanço, A Bossa Que Dança- Um Mosaico, lançamento da Kuarup Música, dá uma geral em uma das vertentes mais cultuadas do samba e da bossa nova, o sambalanço, que incorporou aos dois estilos levadas dançantes e criativas. Entre seus principais representantes, temos Walter Wanderley, Orlandivo, Ed Lincoln e Milton Banana, só para citar alguns desses nomes, que Tarik disseca de forma fluente e repleta de informações (leia a resenha deste livro em breve no Mondo Pop).

Por sua vez, MPBambas volumes 1 e 2 deriva do excelente programa homônimo exibido pelo Canal Brasil entre 2009 e 2014. Temos aqui transcrições na íntegra de entrevistas feitas com alguns dos artistas mais importantes da história da MPB, com direito a Elza Soares, Milton Nascimento, Gal Costa, Roberto Menescal, Dona Ivone Lara, Dominguinhos, Hermeto Pascoal e Cauby Peixoto, só para citar alguns desses verdadeiros bambas da nossa rica música popular.

Bolinha de Sabão– Orlandivo:

Taiguara terá um livro e um CD lançados em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Taiguara (1945-1996), saudoso cantor, compositor e músico nascido no Uruguai mas criado desde moleque no Brasil, deixou como legado uma obra de grande valor artístico. Como forma de resgatar a sua memória, a gravadora Kuarup está lançando simultaneamente um livro e um CD ligados ao artista. A noite de autógrafos em São Paulo será realizada nesta quinta-feira (23) a partir das 18h30 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (piso do Teatro Eva Herz- avenida Paulista, 2.073).

Estarão presentes no evento a jornalista e escritora Janes Rocha, autora da biografia Os Outubros de Taiguara- Um Artista Contra a Ditadura: Música, Censura e Exílio, e também Pedro Baldanza e Ricardo Carvalheira, que trabalharam na produção do CD Ele Vive, que traz 11 canções inéditas de Taiguara resgatadas a partir de fitas cassete, e também quatro gravações ao vivo de canções marcantes como Helena Helena Helena e Hoje.

Conhecido do grande público entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970 graças a sucessos românticos como Hoje e O Universo no Teu Corpo, Taiguara logo teve sérios problemas com a censura da Ditadura Militar devido ao conteúdo libertário de algumas de suas canções, o que atrapalhou e muito a sua carreira nos anos que viriam. Sua obra, no entanto, resistiu e se mantém essencial até hoje.

Ouça o álbum Viagem (1970), de Taiguara, em streaming:

Tenor brasileiro Jean William em noite de autógrafos de CD

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Por Fabian Chacur

Com apenas 28 anos de idade e uma carreira extremamente bem-sucedida na música erudita, o tenor brasileiro Jean William lançará com uma noite de autógrafos no dia 2/9 (terça-feira) em São Paulo a partir das 18h no térreo da Livraria Cultura (avenida Paulista 2.073- Conjunto Nacional- fone 0xx11-3170-4033) o álbum Dois Atos, contendo dois CDs com a participação de grandes nomes da música.

Dois Atos é dividido em duas partes, uma dedicada à música popular do Brasil, EUA e França, e outra centrada na música lírica europeia. O repertório traz faixas como Suíte dos Pescadores (Dorival Caymmi), Hymne a L’Amour (sucesso de Edith Piaf) e Estrelinha (Nelson Ayres/Edgard Poças), entre outras, com direção artística de Edgard Poças, direção musical de Ney Marques, direção de produção de Fred Rossi e lançamento a cargo da Dabliú Discos.

O trabalho conta com participações especiais de nomes importantes da música popular e lírica como Fafá de Belém, Mônica Salmaso, Jacques Morelenbaum, Nelson Ayres, Rodolfo Stroeter e a cantora americana Alyssa Sanders. A ideia de Jean era mostrar como é possível a convivência entre esses dois segmentos musicais, o popular e o erudito.

Nascido em Sertãozinho e criado em Barrinha (SP), Jean William é formado em música pela ECA-USP e teve aulas em Milão, na Itália. Ele fala fluentemente português, inglês, espanhol, italiano e francês, teve o apoio do consagrado maestro João Carlos Martins e já se apresentou pelo Brasil e também EUA, Itália, Suíça, Argentina e Emirados Árabes.

Ouça Estrelinha (ao vivo), com Jean William:

Enfim sai em CD no Brasil Arthur Verocai

Por Fabian Chacur

Nunca havia ouvido falar em Arthur Verocai até ver o seu álbum de estreia enfocado em uma edição do excelente programa O Som do Vinil, de Charles Gavin, em 2010. Confesso que fiquei fascinado pela história daquele disco.

Em 1972, o cantor, compositor e músico Arthur Verocai já era um jovem veterano. Aos 27 anos na época, tinha feito arranjos e tocado com artistas do naipe de Ivan Lins, Elis Regina, Jorge Ben, Gal Costa e muito mais gente.

Naquele ano, ele recebeu o convite para gravar seu primeiro trabalho como solista pela gravadora Continental, e recebeu toda a liberdade para fazer o que quisesse. Resultado: um álbum elaborado, criativo, muito bem gravado, que acabou fracassando miseravelmente em termos comerciais.

Arthur Verocai, o álbum, saiu no mesmo ano de outro disco que inicialmente também se deu mal nas paradas de sucesso, o sublime Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges. O fato é que Verocai tem em Milton uma de suas principais influências, além de Frank Zappa, bossa nova, música erudita, soul music, jazz e muito mais.

Se fracassou no Brasil, o trabalho de estreia do compositor acabou sendo alvo de um culto no exterior a partir do fim dos anos 80/início dos 90 em países como Japão e Estados Unidos. Algumas de suas músicas foram sampleadas por rappers como Ludacris, entre (muitos) outros.

Tanto que o álbum acabou sendo relançado muito antes nesses países. Só agora volta às lojas brasileiras, pela primeira vez no formato CD, graças ao Selo Cultura, da Livraria Cultura, e do mesmo Charles Gavin.

Arthur Verocai, o CD, é daquele tipo de disco que vai te hipnotizando aos poucos.Tanto que só agora, aproximadamente dois meses após comprar o meu exemplar, é que me atrevo a escrever sobre ele. É muita beleza, emoção e criatividade em uma única obra. Obra-prima!

Trata-se de um trabalho com 10 músicas não menos do que brilhantes, que reúnem um time excepcional de músicos comandados por Verocai, numa espécie de “disco de produtor” no espírito daqueles feitos por Quincy Jones.

Folk na linha Clube da Esquina em Caboclo e Dedicada a Ela, samba funk em Pelas Sombras e Presente Grego, balada soul em Na Boca do Sol, free jazz rock em Karina (Domingo no Grajaú), bossa nova renovada em O Mapa e Seriado (esta com vocal principal de Célia) cada faixa equivale a uma viagem musical completa e repleta de nuances instrumentais e vocais. Os arranjos de metais e cordas são simplesmente sublimes, de arrepiar mesmo.

Cada nova audição deste álbum corresponde à descoberta de novos detalhes sonoros, de novas emoções, de novos versos. Embora com forte ênfase instrumental, os vocais do disco são muito bacanas, sendo que oito das dez letras levam a assinatura de um de meus ídolos máximos, o genial Vitor Martins, dois anos antes de ele iniciar sua parceria com Ivan Lins.

O CD de estreia de Arthur Verocai equivale a um desses mergulhos de cabeça nas inúmeras possibilidades oferecidas pela música. Consegue a rara façanha de ser extremamente sofisticado e ao mesmo tempo acessível para aqueles dotados de sensibilidade e bom gosto. Um disco que não merecia ter sido esquecido, e que, felizmente, graças a essas voltas malucas que a vida dá, está aqui de novo para ser descoberto por felizardos como eu….e você!

Programa O Som do Vinil sobre o álbum Arthur Verocai:

Caboclo, com Arthur Verocai:

Presente Grego, com Arthur Verocai:

London Calling: nova edição por uma pechincha

Por Fabian Chacur

Em meio a trilhões de promoções natalinas que nem sempre valem a pena, ando fazendo a festa ao escolher as realmente bacanas.

Um bom exemplo está nas ofertas da maravilhosa Livraria Cultura do Conjunto Nacional, um dos paraísos paulistanos para os fãs de livros, CDs, DVDs e demais ítens culturais, como este que vos tecla.

Vou me deter em uma dessas molezas que caíram no meu colo.

Em 2009, saiu uma edição comemorativa dos 30 anos de um dos melhores álbuns da história do rock, o emblemático, sensacional, genial etc (e tome etc!) London Calling, do The Clash.

O pacote traz o álbum original remasterizado, um DVD, livreto com 20 páginas repletas de informações e embalagem digipack que reproduz a do vinil duplo original.

Dá para acreditar que eu comprei essa maravilha na Cultura por ridículos R$ 13,90? É isso mesmo que você leu, R$ 13,90!

Dá menos de R$ 7 reais por cada disco.

A embalagem é sensacional. O encarte está repleto de fotos raras e informações bacanas sobre as gravações do álbum que tornou o The Clash uma das bandas mais importantes de todos os tempos.

Do início no punk rock de combate, o quarteto britânico evoluiu para um som multifacetado e sem fronteiras, incluindo em sua química rockabilly, jazz, reggae, soul, funk e o que mais pintasse.

Isso, sem nunca perder a energia punk de seus primórdios.

O DVD é maravilhoso, e tem três conteúdos diferentes.

Um, com 32 minutos de duração aproximada, é um ótimo documentário sobre o making of de London Calling, incluindo entrevistas com os integrantes da banda e da equipe que trabalhava com eles na época, entre os quais seu assessor de imprensa, o impagável Kosmo Vinyl.

Só as cenas com o produtor do álbum, Guy Stevens (1943-1981) já valem o filme.

Conhecido como DJ e grande conhecedor de rock nos anos 60 (foi consultor dos Rolling Stones, por exemplo), ele posteriormente produziu trabalhos importantes de bandas como Procol Harum e Mott The Hoople (batizada por ele, por sinal).

A segunda parte apresenta cenas das gravações do álbum feitas de forma tosca e nas quais você entra na intimidade de Joe Strummer (vocal e guitarra), Mick Jones (vocal e guitarra), Paul Simonon (baixo e vocal) e Topper Headon (bateria).

A terceira parte traz três vídeos promocionais, feitos para divulgar as músicas London Calling, Train In Vain e Working For The Clampdown.

Essa edição de London Calling valeria até cinco vezes mais o que paguei por ela. É a embalagem definitiva para um álbum definitivo.

Que fique aqui a lembrança do saudoso Joe Strummer, que em um triste 22 de dezembro de 2002 nos deixou, com apenas 50 anos de idade.

Que perda prematura! Sorte que a música gravada por ele com ou sem o The Clash esteja aí, registrada e viva para sempre. Especialmente o icônico London Calling!

Ouça Train In Vain, um dos momentos máximos de London Calling:

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