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Lulu Santos e o seu divertido CD com músicas de Rita Lee

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Por Fabian Chacur

Baby Baby!, novo álbum de Lulu Santos, está sendo lançado nesta sexta-feira (20) pela Universal Music no formato CD e também nas plataformas digitais. Trata-se do amplamente divulgado trabalho no qual o cantor, compositor e guitarrista carioca relê 12 músicas de Rita Lee. A homenageada já teceu belos elogios ao colega em seu perfil no Facebook: “Minha vontade é pegar esse menino no colo e encher de beijinhos e carinhos sem ter fim. Gracias muchissimas, mi amor”.

Com 64 anos de idade e na estrada musical desde a década de 1970, Luiz Mauricio Pragana dos Santos já passou por todos os estágios possíveis na carreira. Integrou banda de rock progressivo (Vímana, com Lobão e Ritchie), estourou como artista solo na cena pop-rock dos anos 1980, reinventou-se com pegada dance/r&b nos anos 1990 e dessa forma voltou às paradas de sucesso, sumiu dos charts nos anos 2000, virou em 2012 jurado do reality show musical The Voice…

A essa altura dos acontecimentos, esse cara pode se dar ao luxo de fazer o que quiser, ou nem fazer nada, se for o caso. Seus discos de inéditas deste século passaram batidos, alguns injustamente. Ele os mesclou com trabalhos ao vivo, ou mesmo um só de releituras, Lulu Santos Canta & Toca Roberto e Erasmo (2013). Ao ler Rita Lee- Uma Autobiografia, teve a ideia de gravar este Baby Baby!, uma boa ideia, afinal de contas.

O repertório do disco, cujo título saiu do quase refrão de uma das faixas escolhidas, Ovelha Negra, tem como pontos extremos em termos cronológicos Fuga Nº II (de 1969, dos Mutantes) e Paradise Brasil (única mais recente, de 2015, do álbum Reza). As outras dez são dos anos 1970 e 1980, fase áurea da eterna Rainha do Rock Brasileiro. Nada de lados B, é um hit atrás do outro.

Com arranjos simples e que não descaracterizaram as melodias, Lulu nos oferece um recital leve e descontraído, sem aparente pretensão de criar versões definitivas de cada uma dessas canções. A impressão que temos é de ele ter se divertido bastante ao gravar este álbum, no qual se vale de poucos músicos de apoio e uma infraestrutura enxuta e coesa.

Lógico que não é fácil reler composições de Rita Lee, que costuma ser a melhor intérprete daquilo que escreve. Normalmente, com raras exceções, as versões definitivas de suas musicas levam sua voz. Mas vale o comentário feito para mim pelos integrantes do grupo Roupa Nova, em 1999, quando lançaram Agora Sim!, no qual reliam músicas de seu próprio repertório: “Essas novas versões não invalidam as anteriores”.

É bem por aí. Em alguns momentos, Lulu chega perto, como em Baila Comigo, Fuga Nº II, Caso Sério e Mania de Você. Em outros, não deu muito certo, como exemplificam Ovelha Negra, Agora Só Falta Você e Mamãe Natureza. Mas, no geral, Baby Baby! é extremamente bom de se ouvir como um todo. Nada para se levar muito a sério, ou para se endeusar. É só música boa, cantada por um craque do pop-rock brasileiro em um momento no qual ele só quer saber de se divertir. E consegue nos divertir, também. Tá ótimo!

Baila Comigo (lyric video)- Lulu Santos:

Lulu Santos celebrará Rita Lee em álbum via Universal Music

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Por Fabian Chacur

Após ler Rita Lee- Uma Autobiografia, Lulu Santos sentiu-se disposto a gravar um álbum só com releituras de clássicos do repertório da cantora e compositora paulistana. Arregaçou as mangas, começou a preparar o material e, agora, anuncia a parceria com a Universal Music, que lançará ainda este ano esta obra, provavelmente em CD e digital.

O repertório ainda não foi divulgado, mas uma música certamente estará no trabalho. Trata-se de Desculpe o Auê, pois segundo o informativo da gravadora foi exatamente a releitura desta música apresentado por Lulu que entusiasmou a Universal a querer participar do projeto. Como a influência de Rita aparece desde sempre no trabalho do cantor, compositor e guitarrista carioca, a expectativa é de que esse seja um álbum bem interessante e popular.

Vale lembrar que Lulu teve uma passagem anterior pela Universal, nos tempos em que esse selo ainda atendia pelo nome Polygram. Nesse curto período (entre 1992 e 1993), ele lançou o ótimo álbum Mondo Cane (1992), que trazia a belíssima Apenas Mais Uma de Amor, e o single Autoestima (1993), com a faixa-título então inédita e três faixas do álbum anterior. Os discos passaram batidos, e Lulu em 1994 iria para a BMG, na qual veria o ressurgimento de sua carreira em formato dance.

Curiosamente, Apenas Mais Uma de Amor e Autoestima se tornariam grandes sucessos ao serem regravadas em versões acústicas em 2000 no álbum Acústico MTV, que vendeu mais de 600 mil cópias na época. Em 2013, Lulu lançou outro trabalho de releituras de obras alheias, Lulu Canta & Toca Roberto e Erasmo, dedicado ao repertório de Roberto e Erasmo Carlos e um grande êxito de vendas.

Autoestima– Lulu Santos (clipe 1993):

Lulu Santos relê clássicos de Roberto e Erasmo

Por Fabian Chacur

Um dos melhores shows de rock brasileiro dos últimos tempos iniciou sua trajetória em 2011 e mostra Lulu Santos relendo com sua assinatura inconfundível alguns dos grandes sucessos roqueiros de Roberto e Erasmo Carlos. Para quem não viu, o espetáculo volta a São Paulo no dia 29 de setembro no Credicard Hall (fone 4003-5588, site: www.t4f.com.br), com ingressos de R$ 40 a R$ 220.

Há mais de 30 anos na estrada, o cantor, compositor e guitarrista carioca nunca negou o fato de ser a Jovem Guarda uma de suas grandes influências como criador. Ele, por sinal, gravou em seus discos dois clássicos desse período da música brasileiras, O Calhambeque e Se Você Pensa, ambas com ótimo resultado perante público e crítica.

No show, que passou inicialmente por São Paulo em 2011 na Via Funchal, Lulu incluiu no repertório petardos como Eu Sou Terrível, Não Vou Ficar, Quando, Sentado à Beira do Caminho, Você Não Serve Pra Mim e Festa de Arromba, entre diversas outras. Ele e sua banda incorporaram com rara felicidade esse repertório contagiante e de alta qualidade.

Lulu Santos relê ao vivo Quando:

Lulu Santos relê ao vivo Eu Sou Terrível:

Para Marina de la Riva, o tempo da arte é outro

Por Fabian Chacur

Em quase 10 anos de carreira, Marina de la Riva chega, agora, a seu terceiro lançamento, o CD Idílio. Antes, tivemos o CD Marina de la Riva (2007) e o DVD Ao Vivo Em São Paulo (2010).

A cantora carioca explicou o porquê dessa aparentemente pequena quantidade de produtos lançados e também diversas outras questões em entrevista coletiva realizada na tarde desta segunda-feira (5) em São Paulo. Simpática e muito articulada, ela falou de seu novo trabalho, a ligação com Cuba e diversos outros temas.

Curiosidade: Marina atualmente estuda Direito, e pretende se especializar nas áreas de direitos humanos e direitos autorais.

MONDO POP – Você lançou, nesses quase dez anos de carreira, apenas três produtos, dois CDs e um DVD. O que a levou a demorar cinco anos para lançar um segundo álbum de inéditas?

MARINA DE LA RIVA – Acredito que o tempo da arte é outro, não é o tempo do relógio, tem o seu tempo próprio. Gosto de dormir em paz com o meu trabalho. Tento criar e me afastar do produto que crio para ter uma autocrítica. Isso não significa que o meu próximo trabalho vá demorar cinco anos para ser lançado.

MONDO POP – Como foi a gestação de Idílio, e como surgiu a ideia desse título para o CD?

MARINA DE LA RIVA – Gravei uma parte de Idílio e fui ouvir o resultado em diversos lugares, para avaliá-lo. Aí, resolvir mudar algumas coisas e acrescentei outras cores. Sou uma faminta musical, estou sempre procurando repertório, novas músicas. O início do repertório foi em 2009, e a continuação ocorreu em 2011. O título inicial era Ausência, mas acredito que Idílio é mais abrangente.

MONDO POP – Quais os critérios que a levam a escolher as músicas que grava, e como você classifica o seu estilo musical?

MARINA DE LA RIVA – Sou uma cantora que tem uma estrada pequena ainda, e não sou explícita como as coisas costumam ser atualmente. Minha peneira e meu termômetro são o coração do que faço. Vou descobrindo as coisas e as guardo para o momento certo. Não consigo muito classificar o meu trabalho, acho que seria restringi-lo. A gente está em todas as nossas escolhas, de forma consciente ou inconsciente, falam muito de quem eu sou. Acho que todos somos inclassificáveis.

MONDO POP – Você gravou uma música de Lulu Santos neste disco, sendo que você já participou de um trabalho dele e já havia incluído uma canção dele em seu DVD Ao Vivo Em São Paulo. Fale um pouco sobre essa parceria.

MARINA DE LA RIVA – É uma amizade muito legal. Em 2009, fui convidada para participar do programa Som Brasil (da Globo) dedicado ao Lulu. Cantei três músicas, e ele adorou. Comecei a cantar Adivinha o Quê nos meus shows, que entrou no meu DVD. Aí, ele me convidou para participar do Acústico MTV II dele. Aceitei, e foi uma experiência muito legal, aprendi muito com ele, que é um artista pop que trabalha de forma bem diferente da minha. O Lulu é muito generoso, o endosso de um artista como ele é muito importante para mim.

MONDO POP – Seu pai é cubano, e seu primeiro CD foi gravado lá, durante sua primeira visita àquele país. Como foi essa experiência?

MARINA DE LA RIVA – Para mim, minha primeira ida a Cuba foi uma volta, na verdade, por estranho que isso possa parecer. Fiquei muito emocionada ao pisar lá, sentir o cheiro dos charutos, ver os flamboyants. Vi que aquele mundo de que eu ouvia falar em minha casa era real. Eu cresci, e vi que fazer meu primeiro disco lá soaria mais verdadeiro. Foi um laboratório.

MONDO POP – Seus trabalhos até agora incluem basicamente releituras de composições de outros autores. Você também compõe?

MARINA DE LA RIVA– Eu componho sim, mas não mostro. Estou no meu processo de aprendizado, e quando for o momento certo, irei gravá-las.

Veja Adivinha o Quê?, com Marina de la Riva e Lulu Santos:

Coisas boas e ruins de 2009 em análise rápida

por Fabian Chacur

Não vou perder meu tempo com a culionésima retrospectiva 2009 no mundo da música. Entre em algum portal e mergulhe nas já existentes.

Minha despretensão aqui é total. Vou apenas relembrar algumas coisas deste ano que se vai para não mais voltar, como todos os anteriores.

A morte de Michael Jackson fica como grande momento negativo. Um artista genial, que nos deixou como herança um legado musical de grande qualidade e influência.

Na verdade, não morrerá nunca em nossos corações. E o documentário This Is It serve como bela despedida de cena do primeiro e único Rei do Pop.

Les Paul também se foi. Só o fato de ter criado a guitarra que leva o seu nome, e que protagonizou grandes momentos da história do rock e da música em geral já vale o registro dele por aqui.

O melhor álbum do ano na opinião deste que vos tecla é Let’s Change The World With Music, do sublime Prefab Sprout, hoje banda de um homem só, o genial Paddy McAloon. Melhor música do ano: Ride, do mesmo álbum.

A nova geração se firmou com Tonight Franz Ferdinand, excepcional terceiro álbum do grupo escocês que vai tocar novamente por aqui em 2010. Espero, desta vez, poder conferi-los ao vivo. Grande banda. Rock básico, dançante, vibrante, como deve ser.

O DVD/CD gravado em dupla Steve Winwood e Eric Clapton não só nos relembrou dos velhos e bons anos 60 e 70 como mostrou como esses dois gênios da música, hoje sessentões, continuam em ótima forma.

Se Michael Jackson nos deixou, George Benson provou que continua inspiradíssimo no cenário da black music com tempero jazzístico.

Songs And Stories é seu melhor CD em anos, uma pintura. Ouça as faixas Nuthin’ But a Party, Exotica e Living In High Definition e diga se não estou certo. Ou a releitura certeira de Rainy Night In Georgia. Coisa fina!

Enfim os maravilhosos CDs dos Beatles receberam versões a altura de sua qualidade e influência. Em termos sonoros e, principalmente, de embalagem, com os discos agora contando com capas triplas, encartes coloridos repletos de informações, fotos lindas… É assim que se tratam obras primas!

AC/DC lotando o Morumbi é a prova de que o velho, básico e vibrante rock and roll nunca morrerá. É por isso que considero “pós-rock” o rótulo mais imbecil de todos os tempos. Criado por “pós-idiotas”, por certo!

No Brasil, tivemos discos bacanas, como o novo de Lulu Santos, os relançamentos de trabalhos do genial Wilson Simonal (1938-2000), as estreias de Veronica Ferriani e Aline Calixto, o trio de rock instrumental Macaco Bong fazendo shows sensacionais…

Enfim, a música continua viva, graças a Deus. E certamente continuará em 2010. Obrigado a todos os meus leitores, a quem desejo um ano novo repleto de saúde, paz, felicidade, realizações e, é lógico, música de qualidade!

Singular mostra um Lulu Santos inspiradíssimo

lulu-santos1por Fabian Chacur

Lulu Santos é um verdadeiro gênio do pop rock brasileiro. Há pelo menos trinta anos na estrada, ele sabe como poucos compor e gravar canções que conseguem com rara maestria misturar ousadia, vocação pop e uma brasilidade que em seus melhores momentos nunca soa forçada.

Sua ousadia o leva a não ter limites, o que, obviamente, também gera pontos baixos aqui e ali. Mas quando o cara acerta a mão, sai de baixo. Sempre produtivo e gravando novos CDs, ele acaba de lançar Singular. Um discaço!

Singular abre e fecha com temas instrumentais, respectivamente Spydermonkey e Restinga. Ambas equivalem àqueles instrumentais brasileiros dos anos 70, com um tom mais moderno e alto pique dançante em sua fusão rock/samba.

As outras faixas são felizes petardos pop rock ora dançantes, ora levemente psicodélicos, ora românticos, mas sem cair na redundância ou rotina. Fortes elementos de funk de verdade, dance music e eletrônica dão o tempero.

Na Boa é daqueles pop rocks dançantes e funkeados que te ganham logo na primeira audição. Duplo Mortal larga seu apelo pop de forma tão desencanada que também ganha o jogo rapidinho.

A faixa título, com seu clima jazzy, usa brincadeirinhas de mixagem que a fazem soar como se tivesse sido gravada nos anos 30/40 e estivesse tocando no seu radinho de pilha. Uma delícia!

Quem curte a guitarra de Lulu em tom mais ardido vai curtir Atropelada (de Jorge Ailton e Apoena), que demonstra urgência e riffs certeiros do instrumento que Jimi Hendrix tornou célebre.

Até mesmo na praia do samba, na qual ele sempre investe e onde frequentemente se dá mal, ele sai com nota máxima por aqui, especialmente na releitura de Black And Gold (de Jesse Rogg e Samel Falson).

E tem Perguntas (II), na qual ele se vale de um sutil elemento do refrão de Bad Girls, de Donna Summer. O balanço é irresistível, e a letra questionando o nosso glorioso Brasil é ácida e de rara inspiração. Um clássico instantâneo!

Baby de Babylon já entrou em trilha de novela global, e serve como boa apresentação deste ótimo Singular, um dos melhores CDs desse verdadeiro mestre do pop rock a brasileira.

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