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MarceloMarcelino demonstra fôlego em sua carreira solo

marcelo marcelino 400x

Por Fabian Chacur

Em 1997, Marcelo Marcelino iniciava a sua trajetória no cenário do rock nacional. Após integrar as bandas Sem Destino (de 1997 a 2004) e Madrenegra (de 2011 a 2016), com as quais lançou bons álbuns e participou de festivais importantes, ele agora inicia uma carreira solo que parece das mais promissoras, se levarmos em conta o conteúdo do trabalho de estreia dessa nova fase de sua trajetória, o álbum Marcelo Marcelino, disponível em CD e no formato digital.

Oriundo do Jardim Ingá, distrito da cidade goiana de Luziânia, situada no entorno do Distrito Federal, este cantor, compositor e músico destoa de boa parte da produção atual da música brasileira. Em primeiro lugar pelo texto de suas canções, repleto de consistência, inspiração literária e uma preocupação nítida em abordar temas relevantes, como amizade, amor, esperança, paz, combate ao preconceito e aos “poderosos trajando terno e gravata” que afligem as nossas vidas.

O que faz a força de Marcelino enquanto trovador rocker é que ele canta, com vozeirão potente e se valendo de ótima dicção, com a determinação de quem acredita em cada palavra presente em suas letras. Não, aqui não temos um desses oportunistas da canção que “cantam o que o povo quer ouvir”; nosso amigo goiano “canta o que o povo precisa ouvir”. Suas inspirações nesse setor são claras: Raul Seixas, Zé Ramalho, Bob Dylan, Bob Marley, John Lennon, gente desse gabarito.

Valendo-se de uma sonoridade próxima do folk rock, Marcelino se alterna entre violão, baixo, bandolim, ukulele e kazoo. Neste álbum, gravado no Electro Sound Studio, em Santos (SP), ele conta com o apoio de André Pinguim (bateria, ex-Charlie Brown Jr.), André Freitas (guitarra, produção, masterização e mixagem) e Maru Monhawk (teclados). Outro ex-Charlie Brown Jr, Marcão Britto, faz um endiabrado solo de guitarra em Jeito Estranho.

Nas 14 faixas do álbum (sendo uma delas, Alguma Poesia, composta por versos declamados a capella), Marcelino nos apresenta urgência, energia, sensibilidade e ótimas ideias. Os arranjos são simples e diretos, além de muito bem feitos e executados, sem tentar inventar a roda ou coisa do gênero. São rocks e baladas diretos, sem rodeios, interpretados com categoria e personalidade dignas deste artista de 43 anos de idade cronológica e energia de uns 20, se tanto.

As composições vão desde algumas dos tempos do Sem Destino até outras bem recentes, reunidas com forte unidade temática e sonora. Profecia de Mendigo, A Balada de Rosa e Montanha, Anjo Doido, Jeito Estranho, Puta Que Pariu Acontece Outra Vez (que inclui citação de Partido Alto, de Chico Buarque) e Meu Amigo Olha Só a Ironia são destaques, mas o álbum é bem coeso, sem pontos baixos.

O trabalho de Marcelo Marcelino é um tapa na cara com luva de pelica naqueles que desdenham da força do atual rock brasileiro. Pode não estar na grande mídia, mas está aí, à disposição de quem tiver paciência para procurar. Tomara que muitos descubram a voz, o carisma e a poesia deste ótimo artista, e que este seja o início de uma trajetória solo repleta de reconhecimento, sucesso e crescimento pessoal.

Ouça o álbum Marcelo Marcelino em streaming:

Madrenegra esbanja energia e boas letras em ótimo álbum

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Por Fabian Chacur

Ainda há quem insista em dizer que o rock morreu, acabou ou se tornou irrelevante. Prefiro me aliar àqueles que pensam o seguinte: enquanto tivermos jovens (de idade ou de alma) idealistas com instrumentos musicais nas mãos e uma garagem disponível, isso não ocorrerá. Nunca! É o que me vem à mente ao ouvir o álbum Todo Sonhador é Viciado Em Esperança, da banda Madrenegra. Um trabalho que transpira energia, boas letras e a profissão de fé no velho e bom rock and roll.

Criado no dia 12 de outubro de 2011 no Jardim Ingá, situado na periferia de Brasília, o Madrenegra impressiona pela coesão de seu trabalho. Seu rock soma punk, hard rock, heavy metal, funk de verdade, folk, soul e hip hop de forma inteligente, enxuta e sem frescuras. O que não significa falta de qualidade ou sujeira excessiva. Tudo está na medida certa nas 14 faixas incluídas neste disco. E tem cada refrão…

O vocalista Marcelino prova ser muito, mas muito do ramo mesmo, com ótima dicção e uma voz potente, influenciada por rap, punk e rock pesado. O guitarrista Allan Carvalho é cirúrgico, com solos concisos e riffs vibrantes. A cozinha rítmica formada por João Fernando (baixo) e Marllon A. (bateria) encara todas, com muita garra e energia. O resultado é nitroglicerina pura, sem contraindicações.

O bacana fica por conta das letras, sempre positivas e propositivas mesmo quando caem na ironia ou na sátira. Nada de niilismo aqui. Quem prestar atenção vai curtir mensagens fortes e incentivando cada um a ir atrás de seus sonhos com muita determinação. É o que eles próprios fizeram, ao tocar em festivais como Porão do Rock (Brasília) e Palco do Rock de Salvador (Bahia) e dividir palco com Nação Zumbi, Pitty, Raimundos, Matanza, CPM 22, Dead Fish e muitos outros.

Algumas faixas se destacam, como o punk rock endiabrado Nada Demais Que Eu Não Possa Resolver, divulgado com um clipe excelente, a balada folk rock Hey John Lennon, o rock básico temperado com ska Pode Acreditar, a sarcástica Sorria Para Entender a Ironia, a potente Malandro Voador Não Identificado e a intensa faixa título.

Madrenegra merece ser ouvida e curtida por todos aqueles que acreditam no rock brasileiro. Se o seu presente já se mostra admirável, imagino o que ainda está por vir. Se continuarem com essa pegada e essa determinação, esses garotos de Brasília certamente ampliarão e muito o seu campo de ação e o seu fã-clube. Como diria aquele roqueiro canadense que tanto amamos, “Hey Hey My My Rock And Roll Will Never Die”. Este quarteto de Brasília é mais uma prova disso.

Nada Demais Que Eu Não Possa Resolver– Madrenegra:

Ouça em streaming Todo Sonhador é Viciado em Esperança:

Malandro Voador Não Identificado– Madrenegra:

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