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Vinyl será lembrada como um clássico das séries musicais

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Por Fabian Chacur

Nada mais irônico para uma série televisiva enfocando um importante momento da história da indústria fonográfica do que ser cancelada após apenas 10 episódios devido a baixa audiência. Esse acabou sendo o triste destino de Vinyl, atração criada por Mick Jagger, Martin Scorsese, Rick Coen e Terence Winter que estreou em 14 de fevereiro de 2016 nos EUA cercada de grande expectativa, e encerrada em 17 de abril do mesmo ano. Um final justo? Creio que não.

O mote básico de Vinyl é mostrar o momento vivido em 1973 pelo executivo fonográfico Richie Finestra, experiente profissional que se via praticamente obrigado a vender a sua gravadora American Century Records a uma empresa estrangeira. O desempenho do ator Bobby Cannavale como Finnestra já tornaria a série imperdível. Ele incorpora com rara felicidade os tiques, excentricidades e momentos visionários de vários dos grandes profissionais dessa área.

A era escolhida não poderia ser mais emblemática. Em 1973, vivíamos ao mesmo tempo a consolidação da indústria musical endereçada ao público jovem, a total perda da ingenuidade de seus, digamos assim, tempos heroicos dos anos 1950 e 1960 (se é que eles de fato existiram) e um momento de transição em termos de preferências musicais.

Ao desistir da venda de sua gravadora, Finestra se arrisca a ir à falência, e ao mesmo tempo pressiona ele próprio e sua equipe a buscarem artistas que pudessem tirá-los do buraco. A iniciante, jovem e ambiciosa Jamie Vine (Juno Temple) oferece uma opção com o grupo Nasty Bits, do seu amante Kip Stevens (James Jagger, filho do vocalista dos Rolling Stones), uma banda indecisa que se endereça rumo ao que viria ser o punk/new wave poucos anos depois.

Nessa busca desesperada por soluções, o executivo acaba se envolvendo em encrencas, e também quebra a cara ao buscar novos contratados para o seu selo. De quebra, ainda perde Hannibal, uma espécie de clone de Sly Stone e um dos astros do seu cast. Bebendo e usando drogas como se não houvesse amanhã, o cara alterna genialidade e faro para o sucesso com momentos de pura insensatez, cercado por uma equipe composta por figuraças do seu mesmo naipe.

Zak Yankovich (Ray Romano, de Everybody Loves Raymond), por exemplo, um cara eficiente no setor promocional que, no entanto, quer mostrar que também manja de a&r (artistas e repertório). No fim das contas, quem acaba sendo mais útil é outro jovem, o assistente Clark Morelle (Jack Quaid, filho de James Quaid e Meg Ryan), que junto com outro colega começa a divulgar nas então emergentes discotecas o disco do grupo Indigo, que a gravadora pretendia demitir em breve.

Com essa trama se desenvolvendo, temos momentos simplesmente antológicos, como o de Morelle tentando atrair Alice Cooper para a gravadora, o que acaba lhe trazendo belas dores de cabeça. Ou então a viagem de Yankovich e Finestra a Las Vegas para conversar com Elvis Presley e o Coronel Tom Parker, viagem que rende não só um passa-moleque clássico como também a perda do dinheiro que haviam obtido com a venda do avião da companhia.

Os romances e relacionamentos afetivos também tem seu destaque, como o de Finestra com sua mulher, Devon (Olivia Wilde, de House), ex-protegida de Andy Warhol. Em um momento difícil de seu relacionamento, eles brigam, e Devon acaba se envolvendo com um fotógrafo, com o qual acaba fazendo fotos de ninguém menos do que John Lennon, então separado de Yoko Ono. E tem também Devon se envolvendo com Hannibal no intuito de ajudar a manutenção do cara na gravadora, o que na hora decisiva acaba irritando Finestra.

A trilha sonora de Vinyl é simplesmente ótima, misturando clássicos dos anos 50, 60 e 70 a canções originais feitas no mesmo clima especialmente para a série. Rock, soul, funk, pop, pré-punk, pré-disco, é uma pérola atrás da outra. E os diálogos envolvendo comentários sobre artistas são deliciosos, como alguns falando sobre os então ainda desconhecidos Abba e Queen, por exemplo.

Um dos personagens mais instigantes é Lester Grimes (Ato Essandoh), cantor, compositor e músico produzido em outra era por Finestra que por várias circunstâncias acaba se dando mal e abandona a carreira. As idas e vindas do relacionamento dos dois acaba colocando Grimes como o manager dos Nasty Bit, e é uma música de sua autoria que acaba se tornando o grande hit da banda.

Se tiver que escolher um momento favorito da série, selecionaria a hora em que Kip, o líder dos Nasty Bits, confessa não conseguir compor músicas de forma rápida. Aí, Grimes pega a guitarra e dá uma aula incrível de estrutura harmônica de blues-rock, valendo-se de uma única sequência com a qual ele toca vários clássicos, iniciando com Maybellene, de Chuck Berry, e passando pela sua composição própria. De arrepiar!

Se ainda poderia ser sido desenvolvida sem grandes apelações em futuras temporadas, a trama de Vinyl nessa sua única encarnação ficou bem amarrada, com um final delicioso. A série pode ser vista no formato streaming na HBO ou mesmo em uma caixa com quatro DVDs infelizmente lançada só no exterior. Um incrível mergulho nos meandros da indústria fonográfica que é obrigatória para quem curte esse tema fascinante. Desde já, um clássico das séries sobre música.

Trailer de Vinyl:

Scorsese mergulha na alma de George Harrison

Por Fabian Chacur

A 16ª edição do Cultura Inglesa Festival pode ser considerada histórica por pelo menos três razões: trouxe novamente o excelente grupo Franz Ferdinand ao Brasil, resgatou o filme Rutles: All You Need Is Cash (1978), de Eric Idle e Gary Weis, a melhor paródia aos Beatles, e apresentou aos brasileiros George Harrison: Living In The Material World, documentário de Martin Scorsese sobre o “beatle quieto”.

Além de grande cineasta, Scorsese se mostrou em sua carreira um excelente documentarista de rock, vide os ótimos trabalhos que fez com The Band, Bob Dylan e Rolling Stones. Sua nova incursão na área é um mergulho em busca da essência de George Harrison, não só o músico, mas também o ser humano.

Durante suas 3 horas e 28 minutos de duração, George Harrison: Living In The Material World nos apresenta material de altíssima qualidade oriundo dos arquivos da viúva do roqueiro (Olivia Trinidad Harrison) e também entrevistas feitas especialmente para a ocasião, além de muita informação de primeira.

Boa parte desse tempo é dedicado à carreira de Harrison nos Beatles, com várias relevações muito interessantes, como Paul McCartney admitindo que o marcante riff de And I Love Her é na verdade de autoria do guitarrista e também de como o Macca recusou riffs que George criou para Hey Jude, algo que ajudou a distanciar os dois.

Aliás, um dos méritos de Scorsese é não tentar pintar o beatle místico como um santo. Suas falhas aparecem várias vezes, como nos registros de sua catastrófica turnê solo de 1974 (ele tocando What Is Life em ritmo de reggae cantando de forma horrível, ao vivo, é um dos momentos mais constrangedores da história do rock!) ou da viúva Olívia admitindo, cheia de dedos, que o maridão deu várias puladas de cerca em seus 25 anos juntos.

Os depoimentos são suculentos, especialmente os de Eric Clapton, que fala bastante sobre a célebre disputa dele com o amigo por Patty Harrison, que inspirou o clássico do rock Layla e depois se tornaria mulher de Clapton, sem que a amizade entre os dois grandes músicos se encerrasse. Aliás, a própria Patty conta o seu lado nessa história mitológica.

Um dos grandes momentos fica por conta de um encontro entre McCartney e Harrison nos anos 90, quando o segundo solta uma frase que sintetiza seu sarcástico senso de humor: “nossa, que belo casaco de couro vegetariano!”. Provavelmente, nem Paul tinha notado o quanto era absurdo ele, um vegetariano militante, vestir um casaco feito de couro animal…

A emoção de Ringo Starr ao se lembrar da última vez em que viu o amigo, Tom Petty (colega de George no supergrupo Travelling Wylburys) recordando do dia em que ganhou quatro ukeleles do autor de Something, ou mesmo do diretor do filme A Vida de Brian, ao recordar como Harrison investiu quatro milhões de dólares naquele filme apenas porque “queria vê-lo; foi o ingresso mais caro já pago por alguém para ver um filme!”.

Lógico que dá para fazer algumas restrições ao documentário, se você por acaso é detalhista demais. Ele praticamente ignora dois momentos importantes da carreira solo de George, os álbuns Living In The Material World (1973- caramba, é o disco que deu o título ao documentário!) e Cloud Nine (1988, que marcou o retorno do músico ao topo das paradas após uns bons anos), assim como a música All Those Years Ago, feita em homenagem à John Lennon, mas fazer o quê? Não caberia tudo em um só documentário, mesmo um tão longo como esse.

Um fato emerge nas entrelinhas do filme: que o fim dos Beatles na verdade teve um forte incentivador nas brigas entre George e Paul, que provavelmente foram muito mais sérias do que se pensou durante décadas. E também que o beatle que meditava também sabia ser agressivo e briguento, além de em alguns momentos da vida ter mergulhado fundo nas drogas.

George Harrison: Living In The Material World equivale a um excelente e profundo registro referente à vida de um dos mais importantes nomes da história do rock e da música como um todo. Como dificilmente será exibido por aqui em circuito comercial, vale ficar atento ao lançamento em DVD/Blu-ray no Brasil (já saiu lá fora), pois se trata de um ítem indispensável para quem gosta de rock.

Veja o trailer de George Harrison: Living In The Material World:

Sai trailer de documentário sobre ex-beatle

Por Fabian Chacur

Living In The Material World: George Harrison, documentário de Martin Scorsese sobre a vida e obra do saudoso ex-beatle, estreará nos dias 5 e 6 de outubro (dividido em duas partes) na emissora a cabo americana HBO.

O trailer dessa ambiciosa e aguardada atração já está disponível na net, e mostra trechos de entrevistas com o autor de Something e também de amigos como Paul McCartney, Eric Clapton e Tom Petty.

O documentário deverá ser exibido posteriormente nos cinemas e também ser lançado em DVD e Blu-ray.

Para quem não se lembra, Martin Scorsese já fez documentários sobre o The Band e os Rolling Stones, e era amigo de George.

Bem, chega de papo: veja o trailer e se emocione:

Documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison estreia em outubro

Por Fabian Chacur

Segundo informações do site da revista Billboard, Living In The Material World, documentário sobre George Harrison feito por Martin Scorsese, irá ser exibido nos EUA pelo canal a cabo HBO.

O filme estreará na TV americana e será exibido em duas partes, nos dias 5 e 6 de outubro. A exibição irá coincidir com o lançamento do livro George Harrison: Living In The Material World, de sua viúva Olivia Trinidad Harrison.

Scorsese fez o documentário em cooperação com Olivia, e mistura fotos e cenas inéditas de filmes caseiras com entrevistas feitas para o projeto com Eric Clapton, Terry Gillian, Eric Idle, George Martin, Paul McCartney, Yoko Ono, Tom Petty e Ringo Starr, entre outros.

Living In The Material World (título de um dos melhores álbuns do ex-beatle, lançado em 1973) tem o objetivo de dar uma geral na trajetória de Harrison, abordando infância, Beatles, sua carreira solo e também sua atuação como filantropista e produtor de cinema.

O livro de Olivia, por sua vez, traz fotos, cartas, diários e memorabilia de Harrison, com muito material inédito. Ela é mãe de Dhani, único filho do ex-beatle e também músico.

Vale lembrar que duas efemérides importantes ligadas ao autor de Something completam datas redondas este ano: 40 anos do histórico Concert For The People Of Bangladesh, que reuniu Bob Dylan, Eric Clapton e outros grandes nomes da música em 1971, e 10 anos de sua morte, ocorrida em 29 de novembro de 2001.

Ainda não se sabe quando o documentário Living In The Material World estreará nos cinemas e TVs de outros países, Brasil incluso.

Blow Away, sucesso de George Harrison em 1979:

Cineasta Martin Scorsese fará documentário sobre ex-beatle George Harrison

Por Fabian Chacur

Martin Scorsese, um dos mais brilhantes cineastas de todos os tempos, revelou esta semana em Cannes, durante o festival de cinema realizado na cidade, que está preparando um documentário sobre George Harrison.

Isso mesmo. O cidadão que dirigiu e produziu um dos cinco melhores documentários de rock de todos os tempos, The Last Waltz (1978), que retrata o último show da carreira do The Band.

Ou o que fez o recente Shine a Light, que registra com qualidade técnica absurda e muita fidelidade a bagunça organizada que atente pelo nome de Rolling Stones, em sua fase atual estilo Las Vegas nos shows ao vivo. Boa, sem dúvidas, mas Las Vegas. O registro é maravilhoso.

Ou ainda o cineasta que fez um dos filmes de que mais gosto, o verdadeiro ode ao humor negro After Hours (exibido no Brasil como Depois de Horas-1985), em que um cara passa pelas mais absurdas 24 horas que alguém poderia encarar em uma única vida, estrelado pelo brilhante ator (e hoje também diretor) Griffin Dunne.

Ou ainda (mais um ainda!) a maravilha que atende por No Direction Home (2005), no qual Bob Dylan fala sobre a fase inicial de sua carreira, na década de 60, revelando coisas que ninguém sequer imaginava, em produção entremeada de cenas da época e depoimentos imperdíveis.

Ou seja (chega de ou, caceta!), difícil vir coisa ruim daí. O documentário já tem nome pronto. É Living In The Material World: George Harrison, que pega emprestado o título de um dos melhores álbuns do ex-beatle, de 1973, o que inclui Give Me Love, Sue Me Sue You Blues e Don’t Let Me Wait Too Long.

Scorsese chegou na França levando a tiracolo Olivia Trinidad Harrison, viúva do iluminado guitarrista e pai do único filho dele, o também músico Dhani. Ela contou que vem recebendo propostas para fazer um documentário sobre a vida do músico, mas que relutava em aceitar.

A razão: George pensava em ele próprio se incumbir da tarefa, e vinha compilando material em vídeos há muitos anos. Mas Olivia percebeu que esse trabalho precisaria ser feito por alguém.

E Martin Scorsese, além de ótimo, teve a chance de conhecer e conversar com o autor de Something algumas vezes. E não se esqueçam: George Harrison era fã incondicional do The Band e certamente viu The Last Waltz. Onde estiver, certamente aprovou a escolha feita por Olivia.

Quando Living In The Material World: George Harrison será lançado, ainda não se sabe. Mas a expectativa é grande, pois Scorsese também promete viajar por toda a carreira do astro, antes, durante e depois dos Beatles.

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