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Abaixo a ditadura do show só com sucessos!

Por Fabian Chacur

A reação de algumas pessoas presentes ao show realizado por Milton Nascimento na noite deste sábado (18) na Via Funchal (SP) certamente abre espaço para uma discussão saudável.

Para quem não estava lá, eis um resumo do que rolou.

Algumas pessoas (flagrante minoria, é bom ressaltar) ficou durante todo o show pedindo algumas músicas clássicas do astro carioca/mineiro de forma acintosa, especialmente quando rolou uma longa sequência de canções do novo CD do astro, …E A Gente Sonhando.

Na abertura e no final, ele cantou alguns de seus grandes hits, mas a maior parte do espetáculo foi dedicado às novas canções.

Algo errado? Na minha opinião, não.

O fato de ser dono de um extenso repertório repleto de sucessos não pode ser uma espécie de amarra para um artista consagrado, condenando-o a tocar apenas aquelas canções e dando pouco ou nenhum espaço a sua produção mais recente.

Para mim, só shows em festivais grandes e ao ar livre justificam essa postura, pois ali é coisa de multidão, e multidões são bem menos afeitas a novidades, querem mesmo é ouvir o que já conhecem.

E não dá para negar que é lindo ver um estádio lotado com um público entusiástico cantando e dançando junto com seus ídolos, o que só ocorre quando rolam canções suficientemente conhecidas por outros.

Mas em um show de carreira como o feito pelo Bituca neste sábado (18), não faria sentido ele ficar reprisando seus eternos sucessos tendo músicas novas tão belas a serem apresentadas.

E ninguém pode dizer que a cigana o enganou, pois o show foi divulgado na mídia como de lançamento de …E A Gente Sonhando, ou seja, não era difícil saber que o novo repertório teria presença privilegiada.

O fã de verdade quer é ver seu artista favorito esbanjando energia e felicidade, e quer coisa que agrade mais a um criador de verdade do que apresentar suas novas crias ao público?

Portanto, abaixo a ditadura do show só com sucessos! Parabéns, Milton, pela ousadia de dtocar ao vivo suas novas e belas canções, deixando vários sucessos antigos e eternos descansando um pouquinho.

Milton Nascimento emociona em show perfeito

Por Fabian Chacur

Após ouvir dezenas de vezes …E a Gente Sonhando, mais recente álbum de Milton Nascimento, tive a oportunidade de vê-lo no show de lançamento desse trabalho na Via Funchal, em São Paulo.

Com lotação total, quem foi à casa de espetáculo na noite deste sábado (18) teve a chance de ver um dos grandes nomes da história da MPB em estado de graça, esbanjando energia às vésperas de completar 70 anos.

Milton tomou uma verdadeira injeção de juventude ao se associar a jovens músicos de sua amada Três Pontas no CD, e trouxe vários deles para participarem do show.

A abertura, por volta das 22h40, ocorreu com uma sequência de quatro clássicos de seu repertório, para deixar a plateia sem fôlego logo de cara: Encontros e Despedidas, Caxangá, Caçador de Mim e Nos Bailes da Vida.

A quinta música foi a primeira do repertório do novo álbum a entrar na roda, a belíssima Amor do Céu, Amor do Mar, que homenageia Elis Regina de forma sofisticada, viajante e encantadora.

Daí para frente, a base do espetáculo foi mesmo o trabalho novo, que tem 16 faixas que vão do bom ao arrepiante.

A participação dos jovens talentos ao lado do “velho lobo do mar” (como ele canta na belíssima Me Faz Bem, parceria dele com Fernando Brant) deu ao espetáculo uma energia absurda.

Em determinados momentos, tínhamos no palco mais de vinte pessoas, entre músicos e vocalistas, esbanjando entusiasmo e talento, tendo Milton como o genial regente da história toda.

Generoso, o Bituca de Três Pontas soube mostrar seu talento hipnótico e sua maravilhosa voz (cada vez melhor, por sinal) e também abrir espaços para seus garotos e garotas darem o seu recado.

Seria injusto elogiar alguém em particular, pois todos os participantes mandaram muito, mas muito bem mesmo.

Mas não resisto e citarei dois nomes para representar o todo: o cantor Bruno Cabral, que interpreta com Milton a maravilhosa faixa-título do álbum, e o carismático Pedrinho do Cavaco.

Esse último foi um espetáculo à parte, pois além de dividir o palco com Milton em Gota de Primavera, ainda solou com desenvoltura Brasileirinho e cantou a fantástica Todo Menino é Um Rei, sucesso nos anos 70 com o saudoso sambista Roberto Ribeiro.

Na hora do bis, Milton abriu a porteira para hits como Canção da América (que ele pôs a plateia para cantar, dando uma de regente) e Maria, Maria. Um bis como se deve, sem a sombra da menor dúvida.

O único ponto negativo veio de alguns seres inconvenientes na plateia, provavelmente com algumas (muitas) a mais na cuca, pedindo Travessia aos gritos o tempo todo e perdendo a chance de degustar um espetáculo tão especial. Tomara que vire DVD (o show, não os gritões, obviamente!)

Márcio Borges emociona com as suas lembranças do Clube da Esquina de Milton Nascimento e cia bela

Por Fabian Chacur

Há livros que contam histórias. Outros relembram experiências. Ainda há aqueles que registram estradas percorridas, erros, acertos, sonhos, fé. Há livro de tudo quanto é tipo. Os ruins, obviamente, nem merecem ser chamados de livros. Prefiro ignorá-los. Não é a eles a que me refiro aqui.

Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, de Márcio Borges, lançado originalmente em 1996 e que agora volta em luxuosa edição com direito a CD bônus (e ao preço de R$ 29,90) é tudo isso e muito mais. Tudo de bom e muito mais!

Márcio Borges, o primeiro parceiro musical de Milton Nascimento, é quem nos oferece essa maravilhosa oportunidade de viajar em suas memórias, que se iniciam lá pelos anos 60, aquela era mítica para a música popular.

Fruto de uma família generosa e grande (mais de 10 irmãos e irmãs de sangue!), Márcio nos descreve como essa família aumentou de tamanho de forma exponencial com o decorrer dos anos.

Milton Nascimento, seu irmão de número 12, como ele o apelidou, é o personagem principal desse livro, mas não de longe o único.

Temos os irmãos Marilton, Telo e Lô Borges (entre outros), os amigos Milton, Tavinho Moura, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Beto Guedes e por aí vai. E vai longe. E vai bem.

A paixão pelo cinema, que deu início a tudo, o envolvimento com a música, a parceria com Milton, que era para ser exclusiva na cabeça daqueles jovens idealistas, mas que se ampliou e incluiu posteriormente Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Lô Borges e tantos outros…

Os papos idealistas nos bares da vida, os romances fugazes, as ideias aparentemente malucas que surgem, os sonhos, o reconhecimento do terreno, os novos personagens surgindo a cada nova incursão pela vida…

Com um texto delicioso e repleto de carga emotiva, Márcio Borges nos conduz por um Brasil que nos anos 60 e 70 era repleto de esperança, mas também de medo, de sumiços, de trajetórias violentamente interrompidas pela força das armas da Ditadura Militar que nos tomou os sonhos por longos 21 anos.

Mas, mesmo assim, os sonhos desses rapazes não envelheceram, não.

Pelo contrário. Vários deles se tornaram realidade, como por exemplo o estupendo álbum Clube da Esquina (1972), gravado por Milton e Lô Borges e com participação de tantos amigos maravilhosos.

Onde fica o Clube da Esquina? Fisicamente, em uma esquina humilde na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Na real, no coração de todos esses personagens maravilhosos, de músicas como Tudo o Que Você Podia Ser, Clube da Esquina, Clube da Esquina 2 (versões instrumental e com letra), Cais, O Trem Azul… E no meu, no seu, no nosso.

Faça esse favor à sua alma: leia Os Sonhos Não Envelhecem. É emoção pura, é uma viagem gostosa por um tempo idealista que pode nos servir de inspiração mesmo hoje, uma era tão cinzenta, tão repleta de portas fechadas, de nãos  grosseiros, de pragmatismo covarde e tacanho. Experimente!

E com um CD grátis contendo 10 maravilhas da era do Clube da Esquina dos anos 70, os R$ 29,90 equivalem a uma ninharia, de custo/benefício incalculável. Vá por mim. E nem precisa agradecer. Agradeça a Márcio Borges!

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