Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: morte (page 1 of 10)

Morre Chester Bennington, o vocalista do grupo Linkin Park

chester-bennington-400x

Por Fabian Chacur

Chester Bennington, o vocalista da banda de nu metal americana Linkin Park, foi encontrado morto nesta quinta-feira (20) em sua casa, nos EUA. As evidências apontam na direção de um suicídio como causa de sua morte prematura, aos 41 anos de idade. A notícia chocou seus colegas de grupo, pois nos próximos dias eles iriam iniciar uma nova turnê.

Outros elementos intrigantes cercam a passagem do astro americano. Ele nos deixou na mesma data em que Chris Cornell, ex-cantor dos grupos Soundgarden e Audioslave e seu grande amigo, iria completar 53 anos. Vale lembrar que Bennington cantou a musica Hallelujah, de Leonard Cohen, no funeral do amigo, e se mostrou extremamente abalado pelo fato. Cornell abriu shows do Linkin Park no final da década passada, e fazia dueto com o amigo em alguns deles.

O Linkin Park vivia um ótimo momento, pois seu mais recente álbum, One More Light, saiu em maio e rapidamente se tornou seu quinto trabalho a atingir o primeiro lugar nos EUA. Eles também lançaram há pouco um novo videoclipe, ou seja, nada parecia indicar um desfecho tão terrível. Só nos resta aguardar para saber mais informações, e também se a banda seguirá adiante ou não, agora sem seu cantor.

Criada em 1996 em Agoura Hill, Califórnia, a Linkin Park ganhou embalo exatamente com a entrada de Chester Bennington, vindo do Arizona, em 1999. O álbum Hybrid Theory (2000) apresentou uma banda promissora no então efervescente cenário do chamado Nu Metal, mistura de heavy metal e hip-hop. Foram mais de 11 milhões de cópias vendidas. O álbum seguinte, Meteora (2003), consolidou o grupo no meio roqueiro mundial, e foi o primeiro a atingir o topo da parada ianque, façanha que repetiriam por mais quatro vezes.

O grande charme do trabalho da banda é a mistura da voz potente e angustiada de Bennington com os raps espertos de Mike Shinoda. Apesar dos problemas com drogas e bebidas assumidos publicamente por seu cantor, o grupo conseguiu se manter na ativa com turnês e álbuns bem-sucedidos comercialmente. Eles também conquistaram fãs ilustres como Jay-Z, com quem lançaram em 2004 o álbum Collision Course (2004), que lhes valeu um Grammy.

Outro elemento meio sinistro na trajetória de Chester Bennington, se analisarmos o seu triste fim, é o fato de ele ter sido o vocalista do Stone Temple Pilots no EP High Rise. Vale lembrar que o cantor original dessa banda, Scott Weiland, também morreu de forma trágica, em 2015. O cantor, nascido em 20 de março de 1976, é mais um roqueiro que se vai de forma precoce, deixando no ar a sensação de o quanto a pressão do megaestrelato deve ser dura de ser suportada.

O Linkin Park se apresentou ao vivo no Brasil em diversas ocasiões, sendo a primeira em 2004 e a última em maio deste ano, como uma das atrações principais do Maximus Festival Brasil, no Autódromo de Interlagos, perante uma plateia composta por mais de 40 mil pessoas e ao lado das banda Slayer e Profets Of Rage.

Numb– Linkin Park:

Barros de Alencar, radialista e cantor, nos deixa aos 84 anos

Barros de Alencar 02-400x

Por Fabian Chacur

“Barros de Alencar, vai apresentar, as sétimas do dia, as sete campeãs!” Após essa vinheta, uma voz grave e cativante anunciava: “sétima”. Eis uma das lembranças mais marcantes da minha infância. A emissora era a rádio Tupi Am, e quem a ouvia era minha querida e saudosa mãe Victoria. O filho pegava carona, e nessas ouvia os hits do momento. O dono daquele vozeirão se foi na manhã desta segunda (5) aos 84, o gente boa Barros de Alencar.

Entre os sucessos tocados lá pelos idos de 1969 por esse paraibano de Uiraúna, tinha de tudo, até os Beatles, geralmente com Ob-ladi Ob-lada, que ele anunciava de forma bem-humorada como “Os Britos”. Barros era um campeão de audiência, e também tocava as músicas que gravava, ora interpretando normalmente, a la Julio Iglesias (que nem estava em cena ainda) ou no melhor estilo recitativo, seara também seguida por Francisco Cuoco e outros, já nos anos 1970.

Lembro da surpresa de, ao entrevista-lo no finalzinho dos anos 1980, pelo Diário Popular, constatar que aquela voz potente vinha de um baixinho. Era incrível sua simpatia ao relembrar histórias de vida e carreira, e também da forma despretensiosa como encarava a carreira de cantor, sem se levar muito a sério. Mas ele vendeu muitos e muitos discos com canções como Meu Amor é Mais Jovem do Que Eu e Soleado.

Mas ele era quente mesmo como apresentador de rádio e também de TV, com um estilo descontraído. Na televisão, nos anos 1980, ajudou a popularizar diversos cantores populares e até as bandas de rock emergentes, como Magazine e Metrô, só para citar duas delas. Seus concursos de covers de Michael Jackson também marcaram época. Ele sofria com problemas cardíacos, e agora já deve estar ao lado de outros gênios do rádio, como Hélio Ribeiro, lá no céu radiofônico.

Meu Amor é Mais Jovem do Que Eu– Barros de Alencar:

O roqueiro Gregg Allman nos deixa aos 69 anos de idade

gregg allman-400x

Por Fabian Chacur

Nos últimos tempos, o rock sai de um luto para o outro como que por um passe de sombria mágica. Neste sábado (27), quem nos deixou foi o cantor, compositor, tecladista e guitarrista americano Gregg Allman. Ele tinha 69 anos e ficou conhecido como líder da Allman Brother Band, além de ter desenvolvido uma carreira-solo e também outra banda, a Gregg Allman Band. Ele precisou fazer um transplante de fígado em 2010, e foi diagnosticado com Hepatite C em 1999.

Gregory Lenoir Allman nasceu em Nashville em 8 de dezembro de 1947. Ele iniciou a carreira ao lado do irmão, o guitarrista Duane Allman (1946-1971), e juntos montaram duas bandas a Allman Joys e a Hour Glass. Esta última lançou dois álbuns, Hour Glass (1967) e Power Of Love (1968). Em 1969, mudaram-se para Macon, Georgia, e por lá criaram a The Allman Brothers Band, que lançou seu 1º LP em 1970.

A coisa pegou no breu para a banda com seu terceiro álbum, o ao vivo At Fillmore East (1971), considerado um dos melhores trabalhos do gênero, e que atingiu o 13º lugar na parada americana. Paralelamente à banda, Duane se tornou um concorrido músico de estúdio, e também integrou a banda de Eric Clapton (intitulada Derek & The Dominoes) no aclamado Layla & Other Assorted Love Songs (1970).

Aí, a tragédia entrou em cena na vida de Gregg. O irmão morreu em um acidente de moto durante as gravações do álbum Eat a Peach (1972), que levou o grupo ao 3º lugar nos EUA, o último com Duane e que firmou o som mesclando rock, blues, country e folk que recebeu o rótulo de Southern rock. Pouco depois, foi a vez do baixista Berry Oakley (1948-1972), às vésperas do lançamento de um outro novo trabalho.

Este LP, Brothers And Sisters (1973), com duas faixas com Oakley (entre elas Ramblin Man), marcou o auge da banda, atingindo o 1º lugar na parada americana, com destaque para o vocal de Gregg. Win, Lose Or Drawn (1975) equivaleu ao fim desse período áureo, atingindo o 5º lugar nos EUA. Pouco depois, rolou a primeira separação da banda, que voltaria em 1979, sairia de cena entre 1981 e 1990 e depois retornaria, lançando seu último CD de estúdio em 2003, Hittin’ The Note.

Além do trabalho com a Allman Brothers Band, que mesmo sem novos trabalhos de estúdio continuou a fazer shows (o último se realizou em 28 de outubro de 2014), Gregg também criou uma banda própria, a Gregg Allman Band, que gravou alguns álbuns, e lançou diversos trabalhos solo, sendo o mais bem-sucedido e elogiado Laid Back (1973), que teve como pico a 13ª colocação na parada ianque.

Gregg Allman casou diversas vezes, sendo o mais famoso o mantido com a estrela da música e do cinema Cher. Juntos, tiveram um filho, o músico Elijah Blue Allman, e gravaram um disco em dupla, creditado a “Allman And Woman” e intitulado Two The Hard Way (1977).

Gregg+Allman+Two+The+Hard+Way-400x

Este LP vendeu pouco e nunca foi relançado, sendo hoje uma raridade cuja capa escandalosa é mais lembrada do que seu conteúdo musical. Curiosidade: Ramblin Man, dos Allman Brothers, atingiu o segundo lugar na parada americana em 1973, atrás de Half Breed, de…Cher!!!

Um CD inédito do roqueiro americano, intitulado Souther Blood, está previsto para chegar ao mercado ainda este ano. Será seu 7º trabalho solo. O anterior, Low Country Blues (2011), rendeu a ele sua melhor performance sem a banda que o tornou famoso, atingindo o posto de nº 5 e vendendo muito bem. Em 2016, o ao vivo dos Allman Brothers Live From The A&R Studios, com gravações feitas pela banda em 1971, chegou ao número 34 nos EUA.

obs.: no dia 24 de janeiro de 2017, também se foi outro integrante da formação clássica da The Allman Brothers Band, o baterista Butch Trucks, que teria feito 70 anos de idade no último dia 11 de maio.

Ramblin Man– Allman Brothers Band:

O Kid Vinil, gentleman que se tornou um herói real do Brasil

kid vinil-400x

Por Fabian Chacur

O roqueiro pode ser um bom rapaz? Se a figura em questão for um certo Antônio Carlos Senefonte, a resposta é um retumbante sim. Mesmo abraçando o nosso velho e bom rock and roll de corpo, alma, voz e ouvidos, ele sempre teve como marca o fato de ser um gentleman. Kid Vinil, esse cara que infelizmente nos deixou nesta sexta-feira (19) em São Paulo, aos 62 anos, após lutar com bravura para vencer as sequelas de uma parada cardíaca sofrida em 18 de abril em Conselheiro Lafaiete (MG).

Em um país que atualmente se choca diariamente com a desfaçatez com que políticos, empresários e outros seres humanos chafurdam na lama de forma asquerosa para manterem suas negociatas escusas, Kid sempre foi um verdadeiro herói do Brasil, como dizia a letra da música gravada por ele no primeiro álbum do Magazine, autointitulado e lançado em 1983 e um clássico do rock brasileiro.

Oriundo do interior de São Paulo em 10 de março de 1955, Kid não nasceu em berço de ouro, e batalhou muito para chegar onde chegou. Ele trabalhou na gravadora Continental com o brilhante Vitor Martins, aquele mesmo, eterno parceiro de Ivan Lins em grandes clássicos da MPB, e no fim dos anos 1970 já estava trabalhando em rádio e dando seus primeiros passos como cantor de rock.

Kid ajudou como poucos na divulgação, em nosso país, do que de mais relevante ocorria no rock internacional a partir do punk rock. Como radialista, DJ, crítico musical e atuando em gravadoras, educou incontáveis fãs com seu vasto conhecimento musical, sempre aberto e disposto a desencavar tanto raridades como novidades. Com um leve ar professoral, mas descontraído e desinibido.

Na seara musical, começou a ficar conhecido com a banda punk Verminose, que se transformaria em new wave ao mudar o nome para Magazine. Sou Boy foi um dos primeiros grandes sucessos do rock brasileiro geração anos 80, seguido por outros hits como Tique-Tique Nervoso, Comeu, Adivinhão, Glub Glub No Clube e Kid Vinil (aquela que gerou a alcunha “O Herói do Brasil” que tanto o marcou).

A partir daí, a vida musical de Mr.Senefonte geraria a banda Kid Vinil e os Heróis do Brasil, na qual se destacava o guitarrista André Christovan e que lançou um único (e ótimo) autointitulado álbum em 1986, um álbum-solo (Kid Vinil) em 1989, um CD do Verminose em 1995 (Xu-Pa-Ki), o álbum com uma nova encarnação do Magazine em 2002 (Na Honestidade) e um DVD retrospectivo em 2013 (Vinil ao Vivo, leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Kid ainda gravou um DVD de releituras de clássicos conhecidos e/ou obscuros de rock em 2010 com o Kid Vinil Xperience (Time Was, em 2010), e um single em vinil em 2014 (leia a resenha aqui). Ele também lançou o Almanaque do Rock em 2009, e a biografia, Um Herói do Brasil, escrita por Ricardo Gozzi e Duca Belintani.

Além de atuar como DJ e de eventuais shows com o Magazine, Kid também participava de shows celebrando os anos 80 ao lado de amigos e contemporâneos daqueles tempos, como Kiko Zambianchi e Ritchie. E infelizmente foi após sua participação em um desses shows que ele sofreu o ataque cardíaco responsável por seu fim prematuro.

Kid Vinil vai fazer muita falta para seus incontáveis fãs, amigos e admiradores, que frequentemente eram as três coisas juntas, pois poucos nomes importantes se faziam tão acessíveis e gentis como ele. O lindo dogão Kosmo ficou sem seu pai, que tristeza!

Magazine- Magazine (1983- em streaming):

Chris Cornell, ou mais um dos grandes que nos deixa cedo

chris cornell-400x

Por Fabian Chacur

Em pleno caos político que vive o Brasil nesse exato momento, os fãs de rock estão vivenciando mais um duro luto. Chris Cornell, 52 anos, foi encontrado morte nesta quarta (17) no banheiro de um hotel em Detroit, EUA, horas após ter feito um show com o Soundgarden, banda que o tornou famoso mundialmente. Há indícios de que possa ter sido suicídio. Uma perda irrecuperável, de um artista que estava na ativa e ainda poderia nos proporcionar muita coisa.

Nascido em Seattle no dia 20 de julho de 1964, Cornell foi um dos nomes mais importantes da cena musical que ajudaria a resgatar o rock dos porões rumo ao topo das paradas de sucesso novamente. Criada em 1984, sua banda principal, a Soundgarden, foi a primeira da cena do que se convencionou chamar de grunge a assinar com uma grande gravadora, em 1988. O grupo começou a firmar seu nome no mainstream rock com Badmotorfinger (1991), um álbum furioso e com músicas do porte de Outshined e Rusty Cage.

Mais ou menos na mesma época de Badmotorfinger, também saiu Temple Of The Dog, álbum no qual ele homenageou o amigo Andrew Wood (1966-1990), morto por uma overdose de heroína, e teve a seu lado músicos que a seguir formariam o Pearl Jam e também um colega do Soundgarden. Um trabalho que ficou marcado na história do rock não só pelo tributo em si, mas também graças à qualidade de suas músicas.

Dos grupos do núcleo do grunge, o Soundgarden era o com mais influência do heavy metal, especialmente do Black Sabbath, e o vozeirão de Cornell se encaixava feito luva nesse panorama. Com Superunknown (1994), o grupo atingiu o topo da parada americana, e se mostrava um pouco mais melódico, com canções como Black Old Sun e Spoonman. Após lançar Down On The Upside (1996), no entanto, o grupo entraria em crise e a separação se tornaria o passo a seguir, tomado em 1997.

No período em que o Soundgarden ficou fora de cena, Chris Cornell apostou na versatilidade como proposta. Lançou três álbuns-solo bem diferentes entre si, Euphoria Morning (1999), Carry On (2007) e Scream (2009), sendo que no último ousou ao investir em r&b pop e com produção a cargo do badalado Timbaland. Outro trabalho individual sairia em 2015, Higher Truth, além do ao vivo Songbook (2011).

De 2001 a 2007, ele também integrou o Audioslave, grupo que era uma espécie de Rage Against The Machine com Cornell na vaga do cantor Zack de La Rocha. O quarteto lançou três álbuns, sendo o melhor o autointitulado trabalho de estreia, lançado em 2002 e trazendo canções intensas como Cochise, Like a Stone e Show Me How To Live. O supergrupo acabou quando o Rage original resolveu seguir adiante, e seu cantor voltou à carreira-solo.

O Soundgarden fez a alegria dos fãs em 2010 ao anunciar o seu retorno, coroado com um álbum de inéditas, King Animal, lançado em 2012. Atualmente, a banda estava em turnê, e é uma pena ver Cornell sair de cena de forma tão prematura e trágica. Seu vozeirão, carisma e talento, que o público brasileiro teve a chance de conferir em shows solo e com o Soundgarden, ficarão marcados na memória de todos.

Like a Stone– Audioslave:

Almir Guineto, belo craque do samba, nos deixa aos 70 anos

almir guineto-400x

Por Fabian Chacur

Lá pelos idos de 1998, eu era colaborador da extinta revista Cavaco, especializada em samba, e tive a oportunidade de entrevista Almir Guineto no apartamento onde ele morava na época, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. De forma hospitaleira, o cara me ofereceu um suco. Como estava um calor daqueles, tomei rapidinho, e ele me ofereceu outra dose logo a seguir, com a frase clássica: “toma mais, porque por esse preço…”. Essa figuraça infelizmente nos deixou nesta sexta-feira (5), aos 70 anos.

Almir Guineto nasceu no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1946, e é cria do Salgueiro. Nos anos 1970, no entanto, também passou a frequentar a sede do Bloco Cacique de Ramos, onde se enturmou e fez amizade com figuras emergentes do porte de Zeca Pagodinho, Ubirany, Bira Presidente e outros do mesmo porte. No fim daquela década, ele integrou por um curto período de tempo dois grupos. O primeiro foi os Originais do Samba, de Mussum e Cia, fundado pelo seu irmão Chiquinho e que gravou algumas de suas composições.

O Grupo Fundo de Quintal completa a dobradinha. Guineto marcou presença no primeiro álbum desse verdadeiro Butantã do samba (só tinha e só tem cobras), Samba é No Fundo de Quintal (1980). Vale lembrar que ele foi a rigor o músico que introduziu o banjo no samba, uma das várias inovações geradas pelo Fundo de Quintal. Ou seja, fica difícil qualificar o trabalho dele como “samba de raiz”, pois, embora tivesse forte ligação com as tradições deste gênero musical, ele no entanto apostou nas inovações e ajudou-o a progredir ainda mais.

Em 1981, fez muito sucesso com a música Mordomia, que defendeu no Festival MPB-Shel de 1981, da Globo, faixa de destaque de seu primeiro álbum solo, O Suburbano, lançado naquele mesmo ano pela efêmera divisão brasileira da gravadora K-Tel. Em 1985, estourou com Jiboia, e depois com Caxambu e diversas outras, em seus trabalhos individuais, sempre com sua voz grave e repleta de swing e personalidade, ora apostando no bom humor, ora no romantismo.

Grande amigo de Zeca Pagodinho, ele inclusive gravou em 1999 um autointitulado álbum pela Universal Music graças à indicação do parceiro. Ótimo interprete, ele no entanto teve mais sucesso como compositor, tendo sido parceiro na autoria de maravilhas do porte de Coisinha do Pai, Corda no Pescoço, Pediu ao Céu e inúmeras outras, gravadas por Beth Carvalho, Alcione, Zeca e outras feras do samba. Almir foi vítima de problemas renais crônicos, agravados por diabetes. Uma dessas perdas mais do que lamentáveis. Que descanse em paz!

Mordomia– Almir Guineto:

Belchior nos deixa fina poesia, brilho e belíssimas canções

belchior-400x

Por Fabian Chacur

Há mais de dez anos, Belchior estranhamente sumiu do cenário artístico, deixando seus fãs órfãos e só aparecendo nas manchetes devido a notícias sensacionalistas e bizarras. Pois ele infelizmente ocupa de novo os holofotes por uma razão triste. Aliás, a mais triste de todas. Ele foi encontrado morto na noite deste sábado (29) na casa onde morava há um ano, na cidade de Santa Cruz do Sul (RS). Ele tinha 70 anos, e seu corpo deve encontrar sua moradia final em Sobral (CE), onde nasceu em 26 de outubro de 1946.

Muito triste essa saída de cena. Cenas de um próximo capítulo nada desejado por seus inúmeros fãs. Minha ligação com Belchior é muito forte desde sempre. Vi dois shows dele ao vivo, um em 1980, em um colégio na região da Avenida Paulista, e outro em 1984, no Tuca, ambos muito legais. Fui conhece-lo pessoalmente lá pelos idos de 1985, por uma razão corriqueira: trabalhava na agência da Receita Federal da Vila Mariana, em São Paulo, e entreguei a ele uma restituição de imposto de renda que ele não havia recebido na sua devida época.

Não muito tempo depois, iria reencontrá-lo, só que desta vez como jornalista e crítico musical, por volta de 1987. Entre esse ano e o final dos anos 1990, foram vários papos, sempre deliciosos, nos quais criei um vínculo de amizade não só com ele, mas também com um de seus produtores, o Paulo Roberto Magrão, uma das figuras mais atenciosas e gente fina que já tive a chance de conhecer em minha trajetória como jornalista especializado em música.

Bel (como o chamávamos) vai fazer muita falta, independente de estar há muito tempo sem lançar novos trabalhos. Com uma obra consistente, ele nos deixa como legado canções maravilhosas, repletas de idealismo, poesia, inteligência e ironia, com aquela inspiração contida apenas em gênios. E ele era um deles. Não consigo escrever mais nada, perdoem-me. Leiam a homenagem que fiz quando ele completou 70 anos em outubro de 2016 aqui , e a resenha da caixa Três Tons de Belchior, seu mais recente lançamento, aqui . Descanse em paz, amigo. Apenas um rapaz latino americano? O cacete!

Alucinação– Belchior (ouça o álbum em streaming):

Jerry Adriani: um ser humano adorável e um grande artista

jerry adriani-400x

Por Fabian Chacur

Conheci Jerry Adriani pessoalmente lá pelos idos de 1986, quando iniciava a minha carreira como jornalista e crítico especializado em música. Foi em uma entrevista coletiva na antiga gravadora Polygram (hoje, parte do conglomerado Universal Music), em entrevista coletiva na qual ele divulgava seu então recém-lançado LP Outra Vez Coração. Tenho até foto desse encontro. Nascia ali uma grande admiração pelo ser humano por trás do artista já tão famoso naquela época.

Jerry infelizmente nos deixou neste domingo (23) às 15h30, conforme divulgação feita por seus familiares. Ele combatia um câncer e também esteve internado devido a uma trombose sofrida em uma de suas pernas. Os últimos registros fotográficos divulgados o mostravam muito abaixo do seu peso habitual, e com uma aparência abatida. Uma pena.

Após aquele primeiro contato com Jerry, tive a oportunidade de entrevista-lo em diversas outras ocasiões. Suas marcas registradas: simpático, bonachão, bem-humorado e sempre com boas histórias para contar. Nunca vou me esquecer de uma dessas ocasiões, ocorrida em um barzinho, em São Paulo, na região dos Jardins.

Já no fim do bate-papo, surgiu do nada um gato por ali. Jerry não disfarçou o seu incômodo pelo bichano estar nas cercanias de onde estávamos sentados, e deu a genial e divertida justificativa: “sabe como é, meu nome artístico é Jerry, que é um rato…”. A capacidade de soltar essas pérolas era infindável. Tive a oportunidade de entrevista-lo até no apartamento que mantinha em São Paulo, e assinei o press-release que acompanhou o álbum Rádio Rock Romance, que ele lançou em 1996.

Jair Alves de Souza, seu nome de batismo, nasceu em São Paulo, no bairro do Brás, em 29 de janeiro de 1947. Seu primeiro álbum, Italianíssimo (1964), só com músicas em italiano, marcou o início de sua carreira discográfica, que renderia inúmeros fruto. Seu estouro coincidiu com o da era da Jovem Guarda, e mesclou rocks românticos, baladas e canções pop, sempre tendo sua belíssima e bem colocada voz como ponto de destaque.

No fim dos anos 1960, ele foi o responsável pela mudança de um então ainda desconhecido Raul Seixas para o Rio de Janeiro. Jerry o havia conhecido em Salvador, pois havia sido acompanhado em shows por lá pelo grupo que o roqueiro mantinha na época, Raulzito e os Panteras. Raul não só produziria alguns de seus discos na gravadora CBS (hoje, Sony Music) como também comporia alguns sucessos para o cara, como Doce Doce Amor, Tudo o Que é Bom Dura Pouco e Tarde Demais.

Ao contrário de outros artistas da era da Jovem Guarda, Jerry conseguiu se manter sempre em evidência, graças ao profissionalismo, à capacidade de renovar o repertório e também ao espírito positivo. Em 1985, por exemplo, a banda Legião Urbana estourou com a música Será, e muitos comparavam a voz de seu cantor, Renato Russo, com a de Jerry. Ele curtiu a comparação, elogiou o colega e, em 1999, gravaria o álbum Forza Sempre, com releituras de músicas da Legião com a participação de músicos que haviam tocado com Renato.

Versátil, Jerry apresentou programas e trabalhou como ator em filmes, novelas e séries de TV, sempre com um desempenho elogiado. Em 1990, ele gravou um álbum incrível, Elvis Vive, interpretando versões em português para alguns dos grandes hits de Elvis Presley. Seu mais recente trabalho, Outro (2016), gravado ao vivo e feito em parceria com o Canal Brasil, mostrava o cantor investindo em um repertório mais sofisticado. Aguardem em breve resenha deste trabalho por aqui.

Georgia On My Mind (ao vivo)- Jerry Adriani:

Chuck Berry, ou um sinônimo para a expressão rock and roll

Chuck-Berry-400x

Por Fabian Chacur

Para John Lennon, as palavras ideais para se definir o rock and roll seriam Chuck Berry. Vindo de quem veio, um elogio daqueles. E mais do que justo. Depois de uma longa trajetória de vida, na qual construiu uma obra influente e inesquecível, este genial cantor, cantor e guitarrista americano parte rumo à eternidade. Ele foi encontrado morto neste sábado (18) no condado de St. Charles, Missouri (EUA), aos 90 anos de idade. Saudoso é pouco!

Charles Edward Anderson Berry nasceu em 18 de outubro de 1926. De temperamento difícil e com várias idas e vindas em sua trajetória, incluindo internação em um reformatório e posteriores prisões, ele chegou a atuar em várias ocupações, mas se achou mesmo na música. Em 1955, lançou Maybelenne, single que seria o primeiro dos inúmeros clássicos que lançaria até a metade dos anos 1960. Embora quase trintão, ele se mostrou mestre em colocar no papel os temas preferidos pelos adolescentes.

Aliás, curiosamente, não só dos adolescentes daqueles já longínquos anos 1950, mas os de todos os que viriam posteriormente. Berry descrevia em suas letras romances sensuais, a busca pelas garotas, os carros, a dança e a libido sempre a mil. Temas que nunca saíram e que nunca sairão de moda, e que ele abordou com simplicidade, poesia e muita categoria. De quebra, nos trouxe alguns dos mais incríveis riffs de guitarra de todos os tempos.

Rock and Roll Music, Johnny B Goode, Around And Around, Carol, Memphis Tennessee, Havana Moon, No Particular Place to Go, Nadine, School Days… O songbook assinado por Chuck Berry é a base em cima da qual artistas como os Rolling Stones, Bruce Springsteen, Beatles e centenas (milhares?) de outros foram buscar informações para criar suas próprias canções. Para ajuda-lo, sua ótima dicção permitia que todas as letras fossem facilmente compreendidas pelos ouvintes.

Graças a seus diversos problemas legais, à redução de novas canções realmente relevantes e também ao surgimento de novos artistas, Chuck Berry viu seu poder de criação cair nos anos subsequentes a 1965. Ainda mostrou força em 1972 quando sua versão ao vivo de My Ding-a-Ling atingiu o primeiro lugar na parada americana, a única vez em que conseguiu tal façanha. Ironicamente, com uma música rasteira, muito abaixo de seus clássicos.

Após lançar o disco de inéditas Rock It (1979), que teve pequena repercussão, o astro do rock passou a viver exclusivamente do passado, o que já estava fazendo há algum tempo. O procedimento era bem curioso: ele ia sozinho, às vezes até sem a própria guitarra, e tocava com os músicos que seu contratante arrumasse. Em certa ocasião, em um show nos anos 1970, sua banda de apoio teve em sua formação o então desconhecido Bruce Springsteen.

Em 1986, Keith Richard, uma espécie de filho bastardo de Berry em termos musicais, resolveu reverenciar seu herói e montou uma banda para acompanha-lo em dois shows comemorativos dos seus 60 anos de idade que iriam gerar o excelente documentário Hail! Hail! Rock ‘N’ Roll, lançado em outubro de 1987, que trazia cenas dos shows, entrevistas com o homenageado e também depoimentos de músicos importantes. De arrepiar.

Berry esteve no Brasil pela primeira vez em 1992, participando do Free Jazz Festival. Um dos shows foi realizado no estádio do Pacaembu, em São Paulo, reunindo ele e Little Richard. Ele quase não entra em cena, pois passou na bilheteria e queria ser pago antes de tocar. Pelo menos, é o que reza a lenda. Mas o show rolou, com ele esbanjando carisma e sendo acompanhado pelo motorista no baixo e músicos brasileiros como o baterista Carlinhos Bala. Eu estava lá!

No último dia 18 de outubro, quando comemorou 90 anos de idade, Mr. Berry anunciou que lançaria em 2017 um novo álbum, intitulado Chuck e seu primeiro trabalho de inéditas desde 1979. Nele, gravações novas e a participação dos filhos Charles Berry Jr. e Ingrid, além de uma dedicatória à esposa Themetta Berry, casada com ele há longos 68 anos. Com o selo Dualtone, o álbum agora será um trabalho póstumo que tentará saciar a saudade de seus inúmeros fãs.

Com Chuck Berry, sai de cena uma era incrível do rock and roll, da qual restam ainda vivos (toc, toc, toc!) Little Richard, Jerry Lee Lewis e Fats Domino. Com certeza, um ser humano polêmico e dos mais complicados, mas um artista cujo talento, capacidade criativa (mesmo que por um período curto de tempo, de 1955 a 1964) e carisma ajudaram a lançar esse tal de rock and roll rumo ao topo do mundo musical.

Havana Moon– Chuck Berry:

Tommy LiPuma, um produtor lendário, morre aos 80 anos

tommy lipuma e paul mccartney-400x

Por Fabian Chacur

A primeira vez que eu li o nome Tommy LiPuma em um disco foi em um trabalho de George Benson, para ser mais preciso o compacto simples de vinil com a música Love Ballad (1978). Mal sabia eu que ainda ouviria muita coisa boa com o toque mágico de seu trabalho. Ele infelizmente nos deixou nesta segunda(13) aos 80 anos, em Nova York. Seu legado, no entanto, permanecerá eterno.

Nascido em 5 de julho de 1936, LiPuma começou o seu envolvimento no cenário musical como instrumentista, mas acabou enveredando para a área de divulgação no fim dos anos 1950. Após algumas experiências na área de produção, incluindo uma com o então ainda emergente trio de r&b The O’Jays, foi contratado pela gravadora A&M, onde ficou de 1965 a 1968 e assinou a produção de ao menos um grande hit, The More I See You, lançada em 1965 por Chris Montez.

Em 1968, resolveu se associar a outro profissional da área musical, Bob Krasnow (que por sinal nos deixou em 11 de dezembro de 2016), para criar o selo Blue Thumb Records. Até 1978, a gravadora lançaria discos de artistas como Sylvester (os dois primeiros, Sylvester & The Hot Band e Bazaar, ambos de 1973), Gerry Rafferty, Phil Upchurch, The Crusaders, Dave Mason e The Pointer Sisters, entre outros.

Sem se dedicar com exclusividade ao próprio selo, ele tirou a sorte grande em 1976, quando produziu Breezin’, álbum que tornou George Benson uma estrela pop, atingiu o primeiro lugar na parada ianque e rendeu a ele, LiPuma, o primeiro dos cinco troféus Grammy que conquistaria no decorrer de sua vida.

A parceria com Benson rendeu os também clássicos álbuns In Flight (1976), Livin’ Inside Your Love (1978) e o ao vivo Weekend In L.A. (1977, com aquela eletrizante releitura de On Broadway, dos Drifters). Eles voltariam a trabalhar juntos posteriormente em algumas ocasiões.

Em vários momentos de sua carreira, Tommy atuou como produtor e também como executivo de gravadoras, e dessa forma trabalhou com vários artistas brasileiros, como Eumir Deodato, Tom Jobim, João Donato e João Gilberto. Também trabalharam com ele Al Jarreau, Barbra Streisand, Michael Bublé, Willie Nelson e muitos outros.

Em 1991, ele assinou a produção de oito músicas de Unforgettable…With Love, tributo de Natalie Cole a seu pai Nat King Cole que se tornou um campeão de vendas e de Grammys.

Quando resolveu gravar um disco com releituras de standards de jazz, Paul McCartney acabou escolhendo Tommy LiPuma para a tarefa. A colaboração gerou o álbum Kisses On The Bottom (2012), que chegou ao top 5 da parada americana e posteriormente geraria também um belíssimo DVD gravado ao vivo com o seu repertório, que também incluiu duas composições inéditas do Macca seguindo o estilão do material compilado aqui por ele.

Não satisfeito, Tommy LiPuma também descobriu em 1995 uma jovem cantora, compositora e pianista canadense chamada Diana Krall. Naquele ano, produziu o segundo álbum da hoje megaestrela do jazz, Only Trust Your Heart, e assinou outros nove até 2009. Ela também participou do CD de McCartney produzido por ele. Aliás, seu último trabalho na produção marcou seu reencontro com a pupila, o álbum Turn Up The Quiet, que sairá nos EUA em 5 de maio deste ano.

Love Ballad– George Benson:

Older posts

© 2017 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑