Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Jerry Adriani: um ser humano adorável e um grande artista

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Por Fabian Chacur

Conheci Jerry Adriani pessoalmente lá pelos idos de 1986, quando iniciava a minha carreira como jornalista e crítico especializado em música. Foi em uma entrevista coletiva na antiga gravadora Polygram (hoje, parte do conglomerado Universal Music), em entrevista coletiva na qual ele divulgava seu então recém-lançado LP Outra Vez Coração. Tenho até foto desse encontro. Nascia ali uma grande admiração pelo ser humano por trás do artista já tão famoso naquela época.

Jerry infelizmente nos deixou neste domingo (23) às 15h30, conforme divulgação feita por seus familiares. Ele combatia um câncer e também esteve internado devido a uma trombose sofrida em uma de suas pernas. Os últimos registros fotográficos divulgados o mostravam muito abaixo do seu peso habitual, e com uma aparência abatida. Uma pena.

Após aquele primeiro contato com Jerry, tive a oportunidade de entrevista-lo em diversas outras ocasiões. Suas marcas registradas: simpático, bonachão, bem-humorado e sempre com boas histórias para contar. Nunca vou me esquecer de uma dessas ocasiões, ocorrida em um barzinho, em São Paulo, na região dos Jardins.

Já no fim do bate-papo, surgiu do nada um gato por ali. Jerry não disfarçou o seu incômodo pelo bichano estar nas cercanias de onde estávamos sentados, e deu a genial e divertida justificativa: “sabe como é, meu nome artístico é Jerry, que é um rato…”. A capacidade de soltar essas pérolas era infindável. Tive a oportunidade de entrevista-lo até no apartamento que mantinha em São Paulo, e assinei o press-release que acompanhou o álbum Rádio Rock Romance, que ele lançou em 1996.

Jair Alves de Souza, seu nome de batismo, nasceu em São Paulo, no bairro do Brás, em 29 de janeiro de 1947. Seu primeiro álbum, Italianíssimo (1964), só com músicas em italiano, marcou o início de sua carreira discográfica, que renderia inúmeros fruto. Seu estouro coincidiu com o da era da Jovem Guarda, e mesclou rocks românticos, baladas e canções pop, sempre tendo sua belíssima e bem colocada voz como ponto de destaque.

No fim dos anos 1960, ele foi o responsável pela mudança de um então ainda desconhecido Raul Seixas para o Rio de Janeiro. Jerry o havia conhecido em Salvador, pois havia sido acompanhado em shows por lá pelo grupo que o roqueiro mantinha na época, Raulzito e os Panteras. Raul não só produziria alguns de seus discos na gravadora CBS (hoje, Sony Music) como também comporia alguns sucessos para o cara, como Doce Doce Amor, Tudo o Que é Bom Dura Pouco e Tarde Demais.

Ao contrário de outros artistas da era da Jovem Guarda, Jerry conseguiu se manter sempre em evidência, graças ao profissionalismo, à capacidade de renovar o repertório e também ao espírito positivo. Em 1985, por exemplo, a banda Legião Urbana estourou com a música Será, e muitos comparavam a voz de seu cantor, Renato Russo, com a de Jerry. Ele curtiu a comparação, elogiou o colega e, em 1999, gravaria o álbum Forza Sempre, com releituras de músicas da Legião com a participação de músicos que haviam tocado com Renato.

Versátil, Jerry apresentou programas e trabalhou como ator em filmes, novelas e séries de TV, sempre com um desempenho elogiado. Em 1990, ele gravou um álbum incrível, Elvis Vive, interpretando versões em português para alguns dos grandes hits de Elvis Presley. Seu mais recente trabalho, Outro (2016), gravado ao vivo e feito em parceria com o Canal Brasil, mostrava o cantor investindo em um repertório mais sofisticado. Aguardem em breve resenha deste trabalho por aqui.

Georgia On My Mind (ao vivo)- Jerry Adriani:

Chuck Berry, ou um sinônimo para a expressão rock and roll

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Por Fabian Chacur

Para John Lennon, as palavras ideais para se definir o rock and roll seriam Chuck Berry. Vindo de quem veio, um elogio daqueles. E mais do que justo. Depois de uma longa trajetória de vida, na qual construiu uma obra influente e inesquecível, este genial cantor, cantor e guitarrista americano parte rumo à eternidade. Ele foi encontrado morto neste sábado (18) no condado de St. Charles, Missouri (EUA), aos 90 anos de idade. Saudoso é pouco!

Charles Edward Anderson Berry nasceu em 18 de outubro de 1926. De temperamento difícil e com várias idas e vindas em sua trajetória, incluindo internação em um reformatório e posteriores prisões, ele chegou a atuar em várias ocupações, mas se achou mesmo na música. Em 1955, lançou Maybelenne, single que seria o primeiro dos inúmeros clássicos que lançaria até a metade dos anos 1960. Embora quase trintão, ele se mostrou mestre em colocar no papel os temas preferidos pelos adolescentes.

Aliás, curiosamente, não só dos adolescentes daqueles já longínquos anos 1950, mas os de todos os que viriam posteriormente. Berry descrevia em suas letras romances sensuais, a busca pelas garotas, os carros, a dança e a libido sempre a mil. Temas que nunca saíram e que nunca sairão de moda, e que ele abordou com simplicidade, poesia e muita categoria. De quebra, nos trouxe alguns dos mais incríveis riffs de guitarra de todos os tempos.

Rock and Roll Music, Johnny B Goode, Around And Around, Carol, Memphis Tennessee, Havana Moon, No Particular Place to Go, Nadine, School Days… O songbook assinado por Chuck Berry é a base em cima da qual artistas como os Rolling Stones, Bruce Springsteen, Beatles e centenas (milhares?) de outros foram buscar informações para criar suas próprias canções. Para ajuda-lo, sua ótima dicção permitia que todas as letras fossem facilmente compreendidas pelos ouvintes.

Graças a seus diversos problemas legais, à redução de novas canções realmente relevantes e também ao surgimento de novos artistas, Chuck Berry viu seu poder de criação cair nos anos subsequentes a 1965. Ainda mostrou força em 1972 quando sua versão ao vivo de My Ding-a-Ling atingiu o primeiro lugar na parada americana, a única vez em que conseguiu tal façanha. Ironicamente, com uma música rasteira, muito abaixo de seus clássicos.

Após lançar o disco de inéditas Rock It (1979), que teve pequena repercussão, o astro do rock passou a viver exclusivamente do passado, o que já estava fazendo há algum tempo. O procedimento era bem curioso: ele ia sozinho, às vezes até sem a própria guitarra, e tocava com os músicos que seu contratante arrumasse. Em certa ocasião, em um show nos anos 1970, sua banda de apoio teve em sua formação o então desconhecido Bruce Springsteen.

Em 1986, Keith Richard, uma espécie de filho bastardo de Berry em termos musicais, resolveu reverenciar seu herói e montou uma banda para acompanha-lo em dois shows comemorativos dos seus 60 anos de idade que iriam gerar o excelente documentário Hail! Hail! Rock ‘N’ Roll, lançado em outubro de 1987, que trazia cenas dos shows, entrevistas com o homenageado e também depoimentos de músicos importantes. De arrepiar.

Berry esteve no Brasil pela primeira vez em 1992, participando do Free Jazz Festival. Um dos shows foi realizado no estádio do Pacaembu, em São Paulo, reunindo ele e Little Richard. Ele quase não entra em cena, pois passou na bilheteria e queria ser pago antes de tocar. Pelo menos, é o que reza a lenda. Mas o show rolou, com ele esbanjando carisma e sendo acompanhado pelo motorista no baixo e músicos brasileiros como o baterista Carlinhos Bala. Eu estava lá!

No último dia 18 de outubro, quando comemorou 90 anos de idade, Mr. Berry anunciou que lançaria em 2017 um novo álbum, intitulado Chuck e seu primeiro trabalho de inéditas desde 1979. Nele, gravações novas e a participação dos filhos Charles Berry Jr. e Ingrid, além de uma dedicatória à esposa Themetta Berry, casada com ele há longos 68 anos. Com o selo Dualtone, o álbum agora será um trabalho póstumo que tentará saciar a saudade de seus inúmeros fãs.

Com Chuck Berry, sai de cena uma era incrível do rock and roll, da qual restam ainda vivos (toc, toc, toc!) Little Richard, Jerry Lee Lewis e Fats Domino. Com certeza, um ser humano polêmico e dos mais complicados, mas um artista cujo talento, capacidade criativa (mesmo que por um período curto de tempo, de 1955 a 1964) e carisma ajudaram a lançar esse tal de rock and roll rumo ao topo do mundo musical.

Havana Moon– Chuck Berry:

Tommy LiPuma, um produtor lendário, morre aos 80 anos

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Por Fabian Chacur

A primeira vez que eu li o nome Tommy LiPuma em um disco foi em um trabalho de George Benson, para ser mais preciso o compacto simples de vinil com a música Love Ballad (1978). Mal sabia eu que ainda ouviria muita coisa boa com o toque mágico de seu trabalho. Ele infelizmente nos deixou nesta segunda(13) aos 80 anos, em Nova York. Seu legado, no entanto, permanecerá eterno.

Nascido em 5 de julho de 1936, LiPuma começou o seu envolvimento no cenário musical como instrumentista, mas acabou enveredando para a área de divulgação no fim dos anos 1950. Após algumas experiências na área de produção, incluindo uma com o então ainda emergente trio de r&b The O’Jays, foi contratado pela gravadora A&M, onde ficou de 1965 a 1968 e assinou a produção de ao menos um grande hit, The More I See You, lançada em 1965 por Chris Montez.

Em 1968, resolveu se associar a outro profissional da área musical, Bob Krasnow (que por sinal nos deixou em 11 de dezembro de 2016), para criar o selo Blue Thumb Records. Até 1978, a gravadora lançaria discos de artistas como Sylvester (os dois primeiros, Sylvester & The Hot Band e Bazaar, ambos de 1973), Gerry Rafferty, Phil Upchurch, The Crusaders, Dave Mason e The Pointer Sisters, entre outros.

Sem se dedicar com exclusividade ao próprio selo, ele tirou a sorte grande em 1976, quando produziu Breezin’, álbum que tornou George Benson uma estrela pop, atingiu o primeiro lugar na parada ianque e rendeu a ele, LiPuma, o primeiro dos cinco troféus Grammy que conquistaria no decorrer de sua vida.

A parceria com Benson rendeu os também clássicos álbuns In Flight (1976), Livin’ Inside Your Love (1978) e o ao vivo Weekend In L.A. (1977, com aquela eletrizante releitura de On Broadway, dos Drifters). Eles voltariam a trabalhar juntos posteriormente em algumas ocasiões.

Em vários momentos de sua carreira, Tommy atuou como produtor e também como executivo de gravadoras, e dessa forma trabalhou com vários artistas brasileiros, como Eumir Deodato, Tom Jobim, João Donato e João Gilberto. Também trabalharam com ele Al Jarreau, Barbra Streisand, Michael Bublé, Willie Nelson e muitos outros.

Em 1991, ele assinou a produção de oito músicas de Unforgettable…With Love, tributo de Natalie Cole a seu pai Nat King Cole que se tornou um campeão de vendas e de Grammys.

Quando resolveu gravar um disco com releituras de standards de jazz, Paul McCartney acabou escolhendo Tommy LiPuma para a tarefa. A colaboração gerou o álbum Kisses On The Bottom (2012), que chegou ao top 5 da parada americana e posteriormente geraria também um belíssimo DVD gravado ao vivo com o seu repertório, que também incluiu duas composições inéditas do Macca seguindo o estilão do material compilado aqui por ele.

Não satisfeito, Tommy LiPuma também descobriu em 1995 uma jovem cantora, compositora e pianista canadense chamada Diana Krall. Naquele ano, produziu o segundo álbum da hoje megaestrela do jazz, Only Trust Your Heart, e assinou outros nove até 2009. Ela também participou do CD de McCartney produzido por ele. Aliás, seu último trabalho na produção marcou seu reencontro com a pupila, o álbum Turn Up The Quiet, que sairá nos EUA em 5 de maio deste ano.

Love Ballad– George Benson:

Morre Joni Sledge, integrante do grupo vocal Sister Sledge

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Por Fabian Chacur

O quarteto vocal americano Sister Sledge fez furor na era da disco music, especialmente com o álbum We Are Family (1979), que estourou no mundo todo. Uma de suas integrantes, a cantora e compositora Joni (última à direita na foto ao lado), nos deixou na última sexta-feira (10). Ela foi encontrada morta em sua casa por um amigo, em Phoenix, Arizona (EUA), e tinha 60 anos de idade.

Nascida em 13 de setembro de 1956 na cidade de Filadélfia, Joni montou ainda menina o grupo com suas irmãs Debbie (9/7/1954), Kim (21/8/1957) e Kathy (6/1/1959). A primeira gravação do quarteto, o single Time Will Tell, saiu em 1971, sem grande repercussão. As meninas não desanimaram e continuaram fazendo shows, até serem contratadas em 1974 pela Atlantic Records. Os primeiros anos foram bem difíceis, até que dois “anjos” entraram em suas vidas.

Foram eles Nile Rodgers e Bernard Edwards, da banda Chic, então estourada com o hit Le Freak. Eles receberam a missão de produzir um novo álbum para as meninas, com direito a compor todo o material e escalar os mesmos músicos de seu time. Bingo! O primeiro trabalho deles nessa parceria não poderia ter dado mais certo, e deu às irmãs o sucesso que tanto procuravam e pelo qual tanto batalharam.

O álbum We Are Family saiu no início de 1979 e acabou atingindo o terceiro posto na parada americana, além de vender muito bem no resto do mundo. Joni foi a vocalista principal em duas faixas, Easier To Love e Lost In Music, sendo que Kathy se mostrou a mais sortuda, pois fez a voz principal nos dois maiores hits do LP, We Are Family e He’s The Greatest Dancer, além das faixas Somebody Loves Me e Thinking Of You.

Seria difícil suceder um trabalho tão bom como esse e também repetir seu sucesso comercial. Love Somebody Today (1980) até chegou perto em termos de qualidade musical, mas atingiu apenas a posição de nº 31 nos charts ianques. O maior hit foi Got To Love Somebody, na voz de Kathy, mas Joni mandou bem em Reach Your Peak e I’m a Good Girl. Infelizmente, este foi o último LP da parceria delas com Nile e Bernard.

Até o fim dos anos 1980, as Sisters Sledge viram sua popularidade cair, embora ainda tenham emplacado alguns hits menores, entre os quais All American Girls (produzido por Narada Michael Walden, de elogiável carreira-solo e que que depois trabalharia com Whitney Houston), My Guy (releitura do sucesso de Mary Wells, dos anos 1960) e Frankie. Em 1989, Kathy sai do grupo rumo a uma carreira-solo, só se reunindo eventualmente com as irmãs.

A partir daí, o trio remanescente se manteve na ativa em shows nostálgicos, lançando alguns discos eventuais. Entre eles, o mais badalado foi African Eyes (1997), que contou com a produção e algumas composições de Joni e recebeu elogios por parte da crítica especializada, embora vendesse pouco. Em 2015, Kathy Sledge fez um show em São Paulo em show que também incluiu o grupo Shalamar, em uma festa disco (leia sobre esse show aqui).

Vale uma última e muito importante informação: em diversas entrevistas, Nile Rodgers, cuja versão atual do Chic está escalada para tocar no Rock in Rio 2017, nomeou We Are Family como o seu álbum favorito, dentre todos os que gravou e produziu durante seus mais de 40 anos de carreira artística. Uma bela escolha, por sinal.

Lost In Music– Sister Sledge:

Al Jarreau, aos 76 anos, leva a sua belíssima voz para o céu

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Por Fabian Chacur

Do The Right Thing (Faça a Coisa Certa-1989), de Spike Lee, é um dos meus filmes favoritos. A sua parte final é bastante violenta. Após uma verdadeira carnificina capaz de abalar qualquer pessoa mais sensível, uma incrível surpresa. Enquanto passam os créditos, uma música doce, suave e envolvente intitulada Never Explain Love nos ajuda a recuperar o fôlego, a esperança e a paz. Seu intérprete, o talentosíssimo Al Jarreau, nos deixou neste domingo (12) aos 76 anos.

Este cantor americano nascido em 12 de março de 1940 em Milwaukee, Wisconsin (EUA) tem inúmeros pontos importantes em seu extenso currículo. Em 1985, por exemplo, ele não só se apresentou com destaque da primeira edição do Rock in Rio como também foi um dos cantores a participar de uma das gravações mais conhecidas de todos os tempos, a beneficente We Are The World, ao lado de Michael Jackson, Bruce Springsteen e dezenas de outras estrelas do seu mesmo calibre.

Filho de um pastor evangélico e de uma pianista de igreja, Alwin Lopez Jarreau (seu nome de batismo) se envolveu com a música desde o berço, portanto. Curiosamente, demorou um pouco a mergulhar de cabeça nessa carreira. Ele se formou em psicologia e trabalhou na área de reabilitação vocacional. Nas horas vagas, cantava com um trio de jazz liderado por um certo George Duke, que viraria um parceiro musical, também estrela do jazz e amigo para o resto da vida.

Em 1968, incentivado pela boa repercussão que vinha obtendo em pequenos shows, resolveu virar cantor em tempo integral. Fez inúmeras apresentações ao vivo e participou de programas de TV importantes, e em 1976, após marcar presença no hoje mitológico Saturday Night Live, recebeu o convite para gravar seu primeiro álbum solo, We Got By, lançado naquele mesmo ano. Ele já tinha 36 anos, mas soube aproveitar essa oportunidade rapidinho.

Em 1978, com o álbum Look To The Rainbow, ganhou o primeiro dos sete Grammy Awards que faturaria em sua carreira. Embora investindo basicamente em jazz, com destaque para scat singing, ele também não se furtava a gravar rhythm and blues, soul e canções românticas, mas sempre com muito bom gosto e sem concessões exageradas.

Em 1981, seu elogiado álbum Breakin’ Away o colocou na 9ª posição da parada pop americana, graças a belas canções pop. Ele sempre liderou os charts de jazz e também de r&b, graças a canções como a maravilhosa Mornin’, que também fez sucesso no Brasil.

Ele também marcou presença em várias trilhas sonoras. Além da do filme de Spike Lee citado logo na abertura deste texto, outro destaque fica por conta de Moonlighting, tema da série de TV A Gata e o Rato, que foi ao ar de 1985 a 1989 e era estrelada por Sybil Sheperd e Bruce Willis. Ele chegou a participar de um álbum da adorável Vila Sésamo, In Harmony: A Sesame Street Record.

Sua paixão pela música brasileira o levou a gravar as músicas Waters Of March e Girl From Ipanema, de Tom Jobim, no álbum A Twist Of Jobim (1997), do célebre guitarrista americano Lee Ritenour, e também da faixa Double Face, em 2010, em um álbum de Eumir Deodato. Ele homenageou o amigo Duke recentemente com o álbum My Old Friend: Celebrating George Duke (2014). Um de seus melhores trabalhos foi Givin’ It Up (2006), gravado em parceria com George Benson, outro grande amigo e que tocou naquele mesmo Rock in Rio de 1985.

Os problemas mais sérios com a saúde de Al Jarreau tiveram início em 2010, quando o astro chegou a ficar internado por bastante tempo na França, entre a vida e a morte. Mesmo assim, conseguiu se recuperar e continuou fazendo shows e gravando até quando isso foi possível. Ele inclusive tinha shows marcados para o Brasil em março deste ano, mas as apresentações foram canceladas por causa de seu estado de saúde, há alguns dias. Uma pena! Que descanse em paz!

Never Explain Love– Al Jarreau:

Morre John Wetton, o incrível cantor e baixista de prog rock

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Por Fabian Chacur

John Wetton era aquele tipo de músico que fazia os concorrentes passarem vergonha na hora de comparar os currículos. Afinal de contas, esse cantor, compositor e baixista inglês tocou com alguns dos mais importantes grupos de rock de todos os tempos, especialmente em termos de rock progressivo. Ele nos deixou nesta terça-feira (31), aos 67 anos, após uma longa batalha contra o câncer.

Mesmo com problemas de saúde, ele não deixou de trabalhar nos últimos tempos. Inclusive, ele deveria começar em breve uma turnê com uma das bandas que o tornou famoso, a Asia, que faria shows em dobradinha com o Journey. Ele anunciou no dia 11 de janeiro que não poderia participar dos primeiros shows por determinação médica, sendo substituído pelo amigo Billy Sherwood (do grupo Yes). O músico também estava se dedicando a relançamentos de trabalhos-solo.

Além disso, está previsto para sair no dia 24 de fevereiro o lançamento de um novo trabalho do Asia, Symfonia- Live In Bulgaria 2013, que sairá em CD duplo e DVD. Os relançamentos de seus trabalhos-solo, assim como a disponibilização de gravações raras e/ou inéditas dele, estavam sendo realizadas por um selo próprio, o Primary Purpose.

Nascido na Inglaterra em 12 de junho de 1949, John Wetton começou no cenário do rock tocando em grupos como o Mogul Trash. Em 1971, entrou na banda Family, a qual acabou deixando em 1972 para aceitar um convite imperdível: ser o novo baixista e vocalista do King Crimson, seminal time de rock progressivo que naquele momento partia para uma nova formação. Ao lado de Robert Fripp (guitarra) e Bill Brufford (bateria), lançou três discos seminais do prog rock: Larks Tongue In Aspic (1973), Starless And Bible Black (1974) e Red (1974).

Com a separação do Crimson em 1974, Wetton ficou até 1977 participando de vários trabalhos alheios, tocando baixo com o Roxy Music em uma turnê da banda (ele aparece no incrível álbum Viva!, lançado por esta banda em 1976) e também participando (entre 1974 e 1978) de discos solo de Bryan Ferry e Phil Manzanera. Em 1975 e 1976, fez parte do Uriah Heep, com o qual gravou dois álbuns, entre eles o elogiado Return To Fantasy (1975).

Em 1977, Wetton cria a banda U.K. ao lado de outros músicos badalados, como Bill Brufford (Asia, King Crimson), Eddie Jobson (Roxy Music) e Alan Holdsworth. Com o fim da banda, em 1980, ele lança o seu primeiro disco solo, Caught In The Crossfire, que é elogiado mas não consegue boas vendagens. Aí, surgiria um projeto campeão de vendas para compensá-lo de forma massiva.

Era o Asia, que trazia ele como cantor e baixista ao lado de Geoff Downess (ex-Buggles e Yes, teclados), Steve Howe (guitarra, ex-Yes) e Carl Palmer (bateria, ex-Emerson, Lake & Palmer). O grupo tornou-se um verdadeiro fenômeno de vendas do pop-rock, vendendo milhões de discos, atingindo o primeiro lugar da parada nos EUA e ficando por lá durante nove semanas e se tornando o álbum mais vendido de 1982 pela Billboard, com hits como Heat Of The Moment e Only Time Will Tell.

A partir daí, já mais do que consagrado, John Wetton se dividiu entre o lançamento de trabalhos-solo, de um álbum em dupla com Phil Manzanera e inúmeros outros projetos bacanas. Em 1997, saiu My Own Time: The Authorized Biography Of John Wetton, de autoria de Kim Dancha. Wetton esteve no Brasil em 1991 com o Asia, onde fez alguns shows. Ele conseguiu superar o vício de bebidas alcoólicas, e ajudava outras pessoas com esse problema sério.

Do It Again (ao vivo)- John Wetton e Phil Manzanera:

O último natal de um saudoso e brilhante George Michael

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Por Fabian Chacur

Uma das presenças constantes nos set lists natalinos desde 1984 sempre foi a canção Last Chrismas, do duo pop Wham!, um dos nomes mais populares do pop mundial na década de 1980. Certamente essa canção repetiu novamente a sua função. Infelizmente, desta vez ganhou um novo sentido, pois este dia 25 de dezembro de 2016 infelizmente se tornou o último natal de um de seus intérpretes, o cantor, compositor e músico britânico George Michael.

Nascido em 25 de junho de 1963, Michael se tornou conhecido mundialmente ao montar com o amigo Andrew Ridgeley o Wham!, em 1981. Entre 1982 e 1986, eles se mostraram rivais à altura de Duran Duran, Spandau Ballet, Human League e outras bandas pop daquela era, emplacando um hit atrás do outro e esbanjando bem assimiladas influências do som da Motown Records. Wake Me Up Before You Go-Go, Freedom, Everything She Wants, The Edge Of Heaven, a lista é grande.

O sucesso da balada com sonoridade mais adult contemporary, Careless Whispers, creditada apenas a George Michael no formato single, embora incluída no álbum Make It Big, do Wham!, apontava uma possível carreira-solo, que se concretizou com o fim do duo em 1986 e, no ano seguinte, com o lançamento do álbum Faith, um estouro de proporções mundiais. Uma influência chave nessa sua nova fase foi Prince, que ironicamente também nos deixou neste doloroso 2016.

Rebelde e inquieto, George Michael lançou em 1990 um álbum simplesmente marcante, Listen Without Prejudice Vol.1, no qual ampliava seus horizontes musicais ainda mais. Nele, a música Freedom 90, que em janeiro de 1991 foi apontada por muitos como um verdadeiro hino do Rock in Rio II, que levou o público que lotou o estádio do Maracanã nos dias em que ele se apresentou a dançar e pular como se não houvesse amanhã. Quem viu, não esquece.

Este que vos tecla, especialmente, pois até então, eu considerava George Michael apenas um artista pop de mediano para bom. Após ver aqueles dois shows incríveis, nos quais ele não só interpretou com categoria seus próprios hits como também releu de forma primorosa maravilhas como Ain’t No Stoppin’ Us Now (McFadden & Whitehead), Calling You (da trilha do filme Bagdad Café) e um pot-pourry matador mesclando Papa Was a Rolling Stone (hit dos Temptations) com Killer (de Adamsky com Seal nos vocais). Simplesmente espetacular.

A partir dali, mergulhei nos discos do Wham! e finalmente percebi o valor daquelas despretensiosas canções dançantes e românticas, e também passei a ouvir cada novo lançamento desse sujeito com um respeito que todo grande artista merece. E percebi porque ele tinha como fãs e parceiros astros do porte de Elton John, Aretha Franklin e os integrantes do Queen, só para citar alguns nomes acima de quaisquer suspeitas. Sua mescla de soul, pop, disco music, rock, jazz e muito mais se tornou personalizada e invejável.

Em 1998, ele lançou uma coletânea matadora e exemplar, Ladies & Gentlemen: The Best Of George Michael, com direito a muitos hits e algumas inéditas que consegue a façanha de, mesmo sendo dupla, não incluir uma única faixa abaixo de excelente. Se você por ventura não conhece a obra solo dele, ou pretende ter um único disco do cara, é esse aqui, sem discussão. Mas quer saber? Todo disco solo lançado por ele tem dignidade e busca pela excelência, e vale ser ouvido.

Se como artista George Michael figura entre os grandes, como ser humano também merece ser louvado. Seu comportamento pessoal sempre foi controverso, com direito a alguns escândalos públicos daqueles, mas nada que se compare a seu elogiável comprometimento com causas nobres, emprestando seu talento e carisma para arrecadar fundos em shows, gravações etc.

Segundo seu empresário, ele foi vítima de insuficiência cardíaca, em sua casa na Inglaterra, neste triste dia de Natal de 2016. O artista já sofria com problemas de saúde desde 2011, pelo que consta. Mas pouco importa. Tomara que tenha sido sem dor, em paz. E com muita liberdade! Vai o ser humano, ficam suas canções. E que canções!

Last Christmas– Wham!:

Freedom 90- George Michael:

Morre aos 69 anos Greg Lake, um dos grandes do prog rock

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Por Fabian Chacur

O ano de 2016 não está sendo exatamente gentil com os fãs de boa música. Os de rock progressivo, então, devem estar muito, mas muito tristes mesmo. Em março, perderam o tecladista e compositor Keith Emerson. Nesta quarta-feira (7), foi a vez do cantor, compositor e músico Greg Lake, aos 69 anos, vítima de um câncer contra o qual lutou durante alguns anos. Do lendário Emerson, Lake & Palmer, só nos restou (toc, toc, toc!) o baterista Carl Palmer.

Nascido em Bournemouth, Inglaterra, no dia 10 de novembro de 1947, Greg Lake tornou-se inicialmente conhecido no mundo do rock como cantor e baixista da banda King Crimson, liderada pelo guitarrista Robert Fripp. Durante a turnê de lançamento do álbum de estreia do time, In The Court Of The Crimson King (1969), do qual fazem parte clássicos como 21st Century Schizoid Man e I Talk To The Wind, teve shows de abertura feitos pelo The Nice, do tecladista Keith Emerson.

A amizade entre Lake e Emerson se consolidou rapidamente, e após gravar os vocais para o segundo LP do Crimson, In The Wake Of Poseidon, resolveu sair fora para montar sua própria banda, a Emerson, Lake & Palmer, que trazia os dois amigos e também o baterista Carl Palmer, conhecido por seus trabalhos com The Crazy World Of Arthur Brown e Atomic Rooster. O primeiro álbum do trio, autointitulado, saiu naquele mesmo ano. Surgia um grupo lendário.

Até 1979, o ELP ajudou a colocar o rock progressivo no topo das paradas de sucesso, com sua sonoridade fortemente influenciada pela música erudita, jazz e eletrônica. Álbuns como Pictures At An Exhibition (1971), Trilogy (1972) e Works Vols. 1 e 2 (1977) estouraram e tiveram como marca a bela voz e a delicadeza de guitarra, violão e baixo de Lake, aliados aos teclados endiabrados de Emerson e a bateria intensa e técnica de Palmer. From The Beginning e C’Est La Vie foram hits massivos.

O grupo saiu de cena após lançar Love Beach (1978). Lake lançou dois discos solo, Greg Lake(1981), com direito a uma parceria com Bob Dylan (Love You Too Much) e Manoeuvres (1983). Ambos tiveram Gary Moore na guitarra. Em 1985/85, integrou ao lado de Keith Emerson e Cozy Powell o Emerson, Lake & Powell, que lançou um álbum autointitulado e teve o hit Touch And Go nas paradas de sucesso roqueiras. Ele também passou rapidinho pelo supergrupo Asia em 1983.

De 1991 a 1998, com algumas idas e vindas, voltou a integrar o ELP, que lançou dois álbuns de estúdio e um ao vivo nesse período, durante o qual fizeram duas visitas ao Brasil, em 1993 e 1997. Estive em um dos três shows que fizeram em São Paulo no extinto Palace, e adorei o que vi. Pena que só tenham tocado a minha favorita deles, From The Beginning, na última apresentação, o que não me deixou exatamente feliz…

Em 2010, como forma de comemorar 40 anos de banda, o ELP voltou para um show em Londres, que rendeu um CD duplo gravado ao vivo e lançado naquele mesmo ano com o título High Voltage. Seria o último registro desse trio histórico. Lake lançou em 2015 o CD Ride The Tiger em parceria com o tecladista Geoff Downes, conhecido por ter integrado bandas como Yes, Asia e Buggles.

Emerson Lake & Palmer no Brasil-1993- SP:

Leonard Cohen e Leon Russell gravaram com Sir Elton John

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Por Fabian Chacur

2016 tem sido um ano absurdamente triste para os fãs de boa música. As perdas são absurdas, e mais duas se somam a tantas outras ocorridas até o momento. São as do cantor, compositor e poeta canadense Leonard Cohen e do cantor, compositor e músico americano Leon Russell, dois artistas que nos deixaram legados de valor incalculável. Ambos tem algo em comum: são ídolos e trabalharam com ninguém menos do que Sir Elton John.

A parceria do autor de Goodbye Yellow Brick Road com Leon Russell ocorreu em 2010, com o lançamento do álbum The Union. Um trabalho histórico por várias razões, entre outras o fato de ter sido o primeiro CD que Elton dividiu inteiro com outro artista, e por ter resgatado de um recente anonimato um grande artista. The Union (leia a crítica de Mondo Pop aqui) equivale a uma verdadeira aula de música, e concretizou o sonho de Elton, que sempre citou Russell como um de seus ídolos e grande influência musical. Chegou ao nº 3 nos EUA. Uau!

O álbum com o fã ilustre ajudou a resgatar Leon Russell. Nascido nos EUA em 2 de abril de 1942, ele se tornou conhecido inicialmente como um excepcional músico de estúdio, tocando piano e teclados em trabalhos de artistas diversos, entre os quais The Beach Boys, Jan & Dean, Bob Dylan e inúmeros outros. O estouro de sua composição Delta Lady, gravada por Joe Cocker, ajudou a abrir caminhos para uma atuação mais destacada como artista solo e sideman.

Como diretor musical e pianista, ele esteve ao lado de Joe Cocker no álbum duplo Mad Dogs And Englishmen (1970), registro de uma turnê que é considerada por gente do alto gabarito de Kid Vinil como uma das mais marcantes da história, e na qual Russell aparece com grande destaque. Ele gravou vários discos solo de sucesso nos anos 1970, e viu canções de sua autoria como Superstar, Delta Lady e a Song For You serem regravadas por inúmeros outros artistas.

Leonard Cohen também entrou na discografia de Elton John na base do dueto. Neste caso específico, em uma única faixa, Turn To Lose, incluída no álbum Duets, no qual o astro britânico gravou canções alheias de sua preferência ao lado de diversos amigos famosos do porte de Little Richard, Don Henley, Gladys Knight e George Michael. Vale lembrar que o astro britânico dos mil óculos participou do álbum tributo Tower Of Song- The Songs Of Leonard Cohen, interpretando I’m Your Man.

Nascido no Canadá em 21 de setembro de 1942, Leonard Cohen iniciou sua carreira no mundo das artes como poeta, tendo lançando seu primeiro livro em 1956 (Let Us Compare Mythologies). Ele entrou no cenário musical em 1967 como álbum Songs Of Leonard Cohen, no qual se sobressaíam suas canções introspectivas, com letras profundas conduzidas por uma voz grave e fora dos padrões do pop-rock da época.

Com o tempo, não se tornou um vendedor de milhões de discos ou teve suas músicas tocando o dia todo nas rádios, mas ganhou um fã-clube fiel, composto por inúmeros nomes famosos. A diversidade desses artistas influenciados por ele pode ser bem exemplificada por dois álbuns celebrando sua obra. Um é I’m Your Fan- The Songs Of Leonard Cohen (1991), que traz astros do rock alternativo como R.E.M., Lloyd Cole, Pixies, John Cale e Ian McCulloch.

Por sua vez, Tower Of Song- The Songs Of Leonard Cohen (1995) inclui um elenco de nomes mais afeitos ao mainstream, do porte de Elton John, Sting, Willie Nelson, Peter Gabriel e Suzanne Vega. Canções como Suzanne, So Long Marianne, Tower Of Song, Bird On The Wire, I’m Your Man e Sister Of Mercy são campeãs de regravações. Hallelujah entrou até em trilha de novela e em reality show musical! Universalidade perde. Seu mais recente álbum, You Want It Darker, saiu há poucos dias, e tem a morte como tema principal.

Born To Lose– Elton John & Leonard Cohen:

Morre Rod Temperton, autor de grandes sucessos do pop

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Por Fabian Chacur

Rod Temperton. Esse nome pode não ter registro para você, mas diversas canções assinadas por ele, sozinho e com parceiros, certamente terão. Que tal Thriller, Rock With You, Off The Wall, Give Me The Night e Love x Love, só para começar a conversa? Pois infelizmente ele entrou na lista das grandes perdas no mundo musical em 2016. Sua morte foi anunciada nesta quarta (5) por Jon Platt, CEO da editora Warner Chappel, que editou suas composições. Ele tinha 66 anos.

Este cantor, compositor e tecladista britânico nasceu no mesmo dia e mês de outro gênio da música pop, John Lennon, só que no ano de 1949. Ele começou a se tornar conhecido no meio musical ao integrar a banda Heatwave, com a qual lançou dois ótimos álbuns, Too Hot To Handle (1976) e Central Heating (1978). Ele compôs os principais hits do grupo, as ótimas Boogie Nights, Always & Forever e The Groove Line.

Temperton, no entanto, não curtia ficar à frente dos holofotes, e resolveu sair da banda, passando a se dedicar apenas ao ofício de compor. Na mesma época, o genial produtor Quincy Jones começava a selecionar repertório para o disco que iria produzir para Michael Jackson em 1979, e pirou quando ouviu os discos do Heatwave. Ele pediu para o inglês lhe mandar material, e três músicas acabaram entrando no álbum: Off The Wall (que de quebra virou faixa título), Rock With You e Burn This Disco Out. Pronto. O cara virou o dono da festa.

Em 1980, foi a vez de George Benson investir nele, e gravou duas de suas composições, outras pérolas pop: Give Me The Night (faixa título de novo!) e Love x Love. Essa verdadeira vocação para escrever faixas-título para os outros atingiu o auge em 1982, com nada menos do que Thriller, que além dessa canção trouxe mais duas outras maravilhas de Mister Temperton, Baby Be Mine e The Lady In My Life. Com o rendimento desses três álbuns, sua aposentadoria já estaria garantida.

Só que o cara preferiu continuar trabalhando, além de ser procurado por inúmeros outros artistas em buscas de boas músicas, alguns deles produzidos por Quincy Jones. Dessa forma, vieram Stomp! (com os Brothers Johnson), Ya Mo B There e Sweet Freedom (com Michael McDonald), Love’s In Control (Finger On The Trigger) (com Donna Summer) e Miss Celie’s Blues (Tata Vega), esta última composta em parceria com Quincy e Lionel Richie para a trilha do filme A Cor Púrpura (1985).

As canções do ex-tecladista do Heatwave também foram gravadas por artistas do porte de Karen Carpenter, Aretha Franklin, The Manhattan Transfer e Herbie Hancock, só para citar alguns. Avesso à mídia e à exposição perante o público, Temperton ganhou o apelido de The Invisible Man. A partir dos anos 1990, passou a atuar de forma mais espaçada, mas ainda assim nos ofereceu músicas ótimas como Family Reunion, gravada por George Benson em 2009. Ele também teve várias músicas incluídas no álbum Back On The Block (1989), que rendeu inúmeros prêmios a Quincy Jones. Adivinhe quem assinou a faixa título?

Give Me The Night– George Benson:

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