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Antônio Carlos & Jocafi fazem show com Ithamara Koorax

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Por Fabian Chacur

O público carioca terá o privilégio de conferir nesta sexta-feira (17) às 20h um encontro muito bacana entre integrantes de duas gerações da música brasileira. A dupla Antônio Carlos & Jocafi irá fazer um show no qual terão a seu lado a cantora Ithamara Koorax. O show vai ocorrer no Blue Note Rio (avenida Borges de Medeiros, nº 1.424- Lagoa- Rio- fone 0xx21- 3799-2500), com ingressos custando de R$ 40,00 a R$ 250,00.

Chega a ser ridículo pensar, hoje em dia, que os baianos Antônio Carlos & Jocafi eram encarados de forma bastante negativa pela crítica especializada em música durante a fase áurea de sucesso desses caras, durante os anos 1970. Afinal de contas, o trabalho deles conseguiu aliar de forma extremamente competente apelo popular com grande qualidade artística e musical, um samba-pop de primeira linha.

Eles estouraram com músicas como Você Abusou, interpretada ao vivo até por Stevie Wonder, Desacato (destaque no Festival Internacional da Canção de 1971), Mudei de Ideia, Toró de Lágrimas, Opus 2, Minhas Razões e Jesuíno Galo Doido, além das incríveis trilhas sonoras para as novelas O Primeiro Amor (1972) e Supermanoela (1974).

Além de dar uma geral em seus grandes sucessos, a dupla também promete mostrar uma música inédita, Lívia, baseada em personagem do livro Mar Morto, de Jorge Amado. Eles já haviam escrito anteriormente uma canção homenageando uma obra do autor baiano, o hit Dona Flor e Seus Dois Maridos, lá pelos idos de 1974-75. A parceria com Ithamara Koorax, consagrada cantora de MPB, jazz e bossa com fama internacional, promete ser bem bacana.

Dona Flor e Seus Dois Maridos– Antônio Carlos & Jocafi:

Tribalistas se divertem muito e os fãs observam pela fresta

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Por Fabian Chacur

A parceria entre Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown vem dos anos 1990. Em 2002, eles surpreenderam a todos ao lançar um álbum como se fossem um grupo, adotando o nome Tribalistas. Grande sucesso. Embora continuassem a fazer trabalhos juntos aqui e ali, deixaram o grupo hibernando durante 15 anos. Agora, quando ninguém mais esperava um retorno, eis que surge o segundo trabalho da trinca, em DVD, CD e nas plataformas digitais.

Em uma época na qual até um espirro na rua é capaz de criar polêmicas agressivas, este lançamento obviamente acirrou opiniões, algumas dadas até mesmo antes de conferir o conteúdo de Tribalistas (título igual ao do trabalho de estreia, no melhor estilo Roberto Carlos). Por isso, nada melhor do que esperar a poeira baixar para publicar uma análise deste pacote, que envolve 10 canções, oferecidas ao público em vídeo e também só em áudio.

Tribalistas é um grupo que traz acoplado a si vários elementos que se repetem nas obras que lançou. A sonoridade tem um forte elemento folk pop que influenciou decisivamente artistas do pop nacional surgidos neste século. Adicionados, entram doses de world music, bossa, MPB dos anos 1970 (especialmente Novos Baianos), rock e uma atmosfera hippie impregnada em cada nota tocada e cantada por Marisa, Arnaldo, Carlinhos e seus parceiros habituais (Dadi e Cézar Mendes).

A apresentação em vídeo das músicas é perfeita para o entendimento do projeto como um todo. Temos aqui cenas registradas durante as gravações do álbum, com direito a alguns momentos mais íntimos entre os três integrantes. A aparente curtição entre eles exala um clima de “como são lindos os nossos umbigos”, num êxtase que aparentemente ignora o mundo exterior.

O espectador atento perceberá que em momento algum o grupo tenta algum tipo de interação mais intensa com o público, que se sente como se estivesse presenciando uma festa estranha com gente esquisita através de uma fresta, sem ser convidado para o regabofe. Somos lindos, geniais e se por ventura você não estiver gostando, azar o seu. Sacou?

Isso obviamente não significa que o trabalho seja totalmente autoindulgente, ou que não tenha criatividade e qualidade. Afinal de contas, são três artistas bastante talentosos e com uma trajetória repleta de momentos interessantes, incluindo o primeiro álbum no formato trinca, com os deliciosos hits Já Sei Namorar e Velha Infância.

Em uma era em que certos produtores são capazes de vender a alma por mais um hit nas paradas de sucesso, é bom ver artistas que não abrem mão de seus conceitos. Agora, isso tem um preço, que neste caso específico é cativar apenas aqueles que se propuserem a mergulhar nessa atmosfera extremamente peculiar sem dar umas bocejadas ou sentir um certo ar de déjá vu aqui e ali.

Elementos individuais de cada artista transparecem, como as viagens poéticas de Arnaldo, o lirismo romântico de Marisa e o experimentalismo percussivo de Brown. Surpreende o panfletarismo ingênuo de Trabalivre e Lutar e Vencer, ou o momento quase world music de Diáspora. Surpreendem, mas não entusiasmam.

Um Só vai pelo lado do dub e uma letra que tenta por todos os seres humanos em uma mesma cesta. Fora da Memória vai em uma levada meio bossa, enquanto Aliança parece um momento menos inspirado da faceta romântica-valsa extraída de um disco solo de Miss Monte. Baião do Mundo conta com uma levada meio tribal e é o que mais parece ter cara de um hit potencial por aqui, com temática aquática que a aproxima de Segue o Seco, de certa forma.

Um jeitão de cantiga de ninar meio psicodélica impregna Ânima. Feliz e Saudável exala a influência dos Novos Baianos, e Os Peixinhos conta com a participação da cantora e compositora portuguesa Carminho, com um clima delicado e elementos inusitados na percussão.

No fim das contas, o novo capítulo deste projeto musical mantém a essência do anterior sem acrescentar nada muito significativo ao pacote, o que não é algo ruim em sua essência. O problema básico é essa dificuldade em cativar o ouvinte/espectador e envolve-lo na brincadeira. Ao contrário de Tribalistas 1, este volume 2 não leva jeito de que será tão lembrado por público e crítica nos próximos anos. Com a palavra, o tal do senhor da razão, o tempo.

Baião do Mundo (clipe)- Tribalistas:

Thiago Ramil lança videoclipe de Amora, do seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Amora, faixa do álbum Leve Embora, mais recente trabalho do cantor, compositor e músico gaúcho Thiago Ramil, já está disponível no Youtube. Trata-se de uma canção leve e quase hipnótica, levada pelo violão tocado pelo artista, e na qual é relatada de forma singela uma improvável e imaginária paixão de um pé de amora por uma bailarina.

Para quem achou o sobrenome familiar, vale lembrar que Thiago é sobrinho de Kleiton, Kledir e Vitor Ramil, artistas com belíssima reputação artística conquistada em décadas de trabalho sério e consistente. Pelo andar da carruagem, esse novo representante do clã musical gaúcho deve nos próximos anos pedir passagem para consolidar seu trabalho e também entrar nesse universo restrito de popularidade.

O videoclipe foi registrado na Praça Jornal do Comércio, situada no bairro Santo Antônio, em Porto Alegre. A presença de um grupo de crianças equivale a um desdobramento do projeto Acalanto, que une psicologia e música, as duas área em que Thiago (psicólogo formado) desenvolve trabalhos. A música fala sobre o amor partindo de outras perspectivas que vão muito além do mero amor romântico e envolvem a bela ingenuidade da infância.

“Dialogar musicalmente com as crianças abriu muitas perspectivas. Por isso, pensamos na montagem do clipe ampliando sentidos através do olhar de criança, que representa mais que uma fase do nosso desenvolvimento, mas uma forma de ver o mundo”, explica o artista.

Amora(clipe)- Thiago Ramil:

Maria Rita faz dois shows voz e piano no Theatro Net em SP

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Por Fabian Chacur

Maria Rita lançou o seu primeiro álbum em 2003, quando já tinha 26 anos de idade. Desde então, mergulhou de cabeça na carreira musical e conseguiu se consolidar como uma das cantoras de maior sucesso no Brasil neste século, no segmento MPB. Ela volta a São Paulo para dois shows que serão realizados nos dias 17 e 18 de novembro (sexta e sábado), às 21h, no Theatro Net São Paulo (Shopping Vila Olímpia- 5º andar- rua Olimpíadas, nº 360- Vila Olímpia- fone 4003-1212), com ingressos que custam de R$ 120,00 a R$ 240,00.

Inquieta e batalhadora, a filha de Elis Regina procurou evoluir a cada novo trabalho. De um início no qual mesclava MPB com jazz e música pop, aos poucos ela foi abraçando de forma mais intensa o samba, opção que provou ser bastante acertada. Em 2012, lançou Redescobrir, CD/DVD gravado ao vivo no qual releu de forma competente e emocionada alguns dos grandes sucessos da saudosa Pimentinha.

Após o sucesso do DVD/CD O Samba Em Mim- Ao Vivo Na Lapa (2016) e da sua apresentação em setembro no Rock in Rio, Maria Rita mostra novamente ao público paulistano Voz e Piano, espetáculo no qual, como o título entrega logo de cara, ela investe no intimismo, tendo a seu lado, no palco, apenas o pianista Rannieri Oliveira. No repertório, canções como Pagu, Cara Valente, Vida de Bailarina e Over The Rainbow, entre outras, com figurino assinado pelo badalado Fause Haten.

Grito de Alerta (ao vivo)- Maria Rita:

Aiace lança um clipe do dueto com o grande Luiz Melodia

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Por Fabian Chacur

A cantora baiana Aiace acaba de lançar um videoclipe no qual interpreta a música Samba é Sacerdócio, parceria do seu pai, Gileno Felix, com o produtor e músico Paulo Mutti. O registro foi feito em estúdio e é histórico, pois mostra a participação especial do grande Luiz Melodia, provavelmente uma de suas últimas gravações. O samba com elementos afro ficou delicioso, e mostra uma bela química entre os dois cantores.

Aiace conheceu Melodia em um sarau, e logo surgiu uma sintonia musical entre os dois que desembocou na gravação desse swingado dueto. A faixa integra o repertório do seu primeiro trabalho solo, Dentro Ali, que traz faixas como De Qualquer Maneira e Nega Margarida e deverá estar disponível nas principais plataformas digitais em novembro.

Além da recém-iniciada trajetória individual, a jovem artista baiana faz parte da elogiada banda Sertanília, na ativa desde 2010 e com um ótimo currículo de apresentações e participações em premiações e eventos bacanas, além de contar com dois álbuns em sua discografia, Ancestral (2012) e o recente Gratia (2017).

Samba é Sacerdócio (clipe)- Aiace e Luiz Melodia:

Primavera nos Dentes mostra o seu primeiro álbum no Rio

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Por Fabian Chacur

Dois músicos veteranos e consagrado no cenário musical brasileiro, Charles Gavin (bateria, ex-Titãs) e Paulo Rafael (guitarra, eterno braço direito de Alceu Valença), uniram-se a Duda Brack (vocal), Pedro Coelho (baixo) e Felipe Ventura (violino e guitarra) para criar o grupo Primavera nos Dentes, especializado em reler o repertório dos Secos & Molhados. Eles fazem um show nesta terça (31) às 20h30 no Rio no Sesc Copacabana (rua Domingos Ferreira, nº 160- Copacabana- fone 0xx21-2547-0156), com ingressos de R$ 7,50 a R$ 30,00.

Que fique claro: a proposta desse quinteto é realmente reler, não reproduzir igualzinho o que Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad gravaram em seus dois álbuns de estúdio, lançados em 1973 e 1974. Isso pode ser observado com clareza no primeiro álbum do Primavera nos Dentes, autointitulado, já disponível nas plataformas digitais e com previsão de lançamento em vinil pela Deckdisc. Há o respeito aos registros originais, mas também ousadia e criatividade.

No show, o quinteto tocará músicas do disco (que conta com 11 faixas), como Sangue Latino, O Vira, Primavera nos Dentes, O Patrão Nosso de Cada Dia, e Rosa de Hiroshima, e também algumas que ficaram fora desse trabalho, entre as quais Assim Assado, Mulher Barriguda e Prece Cósmica. Como os dois discos de estúdio dos Secos & Molhados traziam um total de 26 faixas, existe material para um próximo álbum do Primavera nos Dentes com essa proposta. Ou, quem sabe, um DVD ao vivo.

Primavera nos Dentes (ouça o álbum em streaming):

Encontros e despedidas com o genial Milton Nascimento

Por Fabian Chacur

A primeira entrevista coletiva a gente nunca esquece. A número um deste jornalista especializado em música que vos tecla ocorreu precisamente em um 15 de agosto de 1985. O artista em questão era Milton Nascimento, e o local, uma das salas do então badalado hotel Maksoud Plaza, localizado na Alameda Campinas, 150, perto da Paulista.

Fui convidado pelo Valdimir D’Angelo, figura fantástica a quem fui apresentado pelo músico, jornalista e amigo Ayrton Mugnaini Jr. em uma feira de compra, venda e troca de discos realizada naquela época em uma loja, a Golden Hits, situada em uma travessa da Rua Augusta (rua Mathias Aires, para ser mais preciso), próxima à Pàulista e na qual fiz belos negócios com discos de vinil.

D’Angelo, que depois seria até meu padrinho de casamento, era o editor de uma publicação que em breve chegaria à bancas, a Revista de Som & Imagem, e em cujo número 1 seriam publicadas minhas primeiras matérias como jornalista profissional. Ele me levou na coletiva para eu conhecer o ambiente do jornalismo especializado em música.

E posso dizer que comecei bem e mal, ao mesmo tempo. Bem, pois tive a cara de pau de fazer logo a primeira pergunta da coletiva. Mal porque eu perguntei ao Bituca se Milton Nascimento Ao Vivo (1984), seu então mais recente LP, havia sido o primeiro disco de ouro da carreira dele, e ouvi um não como resposta. E bem de novo, pois não perdi o fio da meada e consegui fazer uma nova e boa pergunta, de bate-pronto, sem perder o pique. Virei o jogo!

Ao fim da concorrida coletiva, da qual participaram jornalistas de todos os órgãos bacanas de imprensa da época, não só peguei um autógrafo dele, como também tirei uma foto simplesmente hilária, na qual apareço atrás do Milton (que autografava alguns discos), enquanto eu fazia sinal de positivo, sorria e posava na maior cara de pau. Um ingênuo idealista no fosso dos crocodilos…

Nessa coletiva, encontrei com a Silvana Silva, colega de Cásper Líbero que já estava há algum tempo trabalhando como reporter de TV. Aquela seria apenas a primeira de incontáveis entrevistas coletivas de que participei com Deus e o mundo, em termos de música.

A segunda entrevista com o autor de Travessia da qual participei ocorreu em 1986, na primeira versão do extinto Projeto SP, situado em um circo montado na rua Caio Prado, pertinho da avenida Consolação. Ele estava lá junto com o músico americano Wayne Shorter, com o qual iria gravar lá, ao vivo, o sublime álbum A Barca dos Amantes (1986).

Ironia: no dia seguinte, o Estado de S.Paulo publicou matéria sobre a coletiva, e na foto publicada, lá estou eu, da cintura para baixo. Teria sido eu, naquela ocasião, o primeiro caso de um “barriga de pirata”, ao invés de papagaio de pirata?

Reencontraria o mesmo Milton em 1987, desta vez no escritório da então CBS (hoje Sony Music), que na época ficava no início da avenida Pedroso de Moraes, em Pinheiros. Também tenho fotos dessa ocasião.

Teria depois outras boas oportunidades de entrevistar o Bituca de Três Pontas, uma figura sempre tímida, mas simpática e adorável. E vamos ser sinceros: sou muito fã dele, embora saiba reconhecer que sua discografia comporta tanto títulos sublimes como alguns bem irregulares, do tipo Yauaretê (o álbum que ele lançou em 1987).

Ah, e tive a honra de estar na plateia, no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, quando Milton gravou outro álbum ao vivo, O Planeta Blue Na Estrada do Sol, lançado em 1992.

Como os raros leitores de Mondo Pop sabem, fui em 2011 no belíssimo show de lançamento do álbum …E A Gente Sonhando, na Via Funchal. Publiquei resenha aqui. E que venha a próxima entrevista com o Milton! E o próximo show, também!

Encontros e Despedidas, com Milton Nascimento, versão de estúdio:

Com Vida traz a versatilidade do talentoso Keco Brandão

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Por Fabian Chacur

Se eu me metesse a colocar o currículo completo de Keco Brandão neste post, certamente preencheria dezenas de linhas muito antes de conseguir falar algo sobre ele. Com 30 anos de estrada, este gaúcho que morou no Rio e está radicado há muito em São Paulo esbanja versatilidade em seu novo trabalho, o DVD/CD (vendidos juntos em luxuosa embalagem digipack) Com Vida, no qual este tecladista, arranjador, compositor e cantor conta com participações especiais de alguns desses parceiros ilustres de tantos anos.

Nessas três décadas de atividade, Keco gravou mais de dez CDs solo instrumentais investindo em diversos estilos musicais. Ele participou de gravações e shows de artistas do porte de Gal Costa, Jane Duboc, Zizi Possi, Pedro Mariano, Leila Pinheiro, Toquinho, Célia, Roberta Miranda e Ângela Maria, só para citar alguns, além de ter atuado na área de jingles e trilhas publicitárias e também em programas de TV.

Incentivado inicialmente por Jane Duboc e depois por Gal Costa, ele acrescentou o canto a suas atividades. Seguindo a sugestão do amigo Flávio Venturini, decidiu iniciar um projeto composto só por canções. Na Contramão, composição feita por ele com a cantora Denise Mello, tornou-se o primeiro fruto do que viria a ser Com Vida. As gravações em áudio e vídeo foram de outubro de 2015 a janeiro de 2017.

O álbum traz 15 músicas: sete de autoria de Keco com vários parceiros/parceiras (uma solo) e oito de autores que admira, como Ivan Lins, Lyle Mays, Pedro Aznar, Johnny Alf e Joaquin Rodrigo. Marcam presença no CD Simone Guimarães (três faixas), Tatiana Parra (duas faixas), Sachal Vasandani (duas faixas), Ivan Lins, Zizi Possi, Fabiana Cozza, Felipe Cato, Denise Mello, Sueli Vargas e Heitor Branquinho.

Pela primeira vez em sua carreira, o artista gravou vocais, sendo uma dobradinha com Simone Guimarães (Aranjuez Con Tu Amor), vocalizes com Ivan Lins (Encontro dos Rios) e uma performance vocal solo e em castelhano (Emília). Nelas, Keco prova que, se por ventura quiser gravar um álbum como vocalista principal, tem tudo para passar com nota alta por essa experiência, tal a desenvoltura que mostra.

Os arranjos das faixas de Com Vida dão roupagens belas e sofisticadas a cada canção, em um repertório que prima pela qualidade de suas melodias e por um clima romântico, lírico e próximo de baladas, embora tenhamos momentos de funk-jazz, latinidade, samba e bossa. Os convidados mostram nítida admiração pelo trabalho de Keco, e se submetem a seu comando de corpo e alma. O resultado é um disco delicioso de se ouvir, do começo ao fim.

Difícil citar melhores faixas em um repertório tão bem escolhido e trabalhado, mas, só para não ficar demais em cima do muro, vale citar Timidez (com Tatiana Parra nos vocais), Cura (um banho de swing de Fabiana Cozza) e Sweet Bird Of Youth (versão em inglês para Eu e a Brisa, de Johnny Alf, que o americano Sachal Vasandani interpreta com rara finesse). Mas recomendo a você ouvir e fazer suas próprias escolhas.

Incrível a versatilidade de Keco Brandão, que se mostra craque como arranjador, vocalista, compositor e pianista. Um exímio acompanhante de cantores, por sinal. Ele admite a possibilidade de novos trabalhos nessa linha, pois muitos amigos acabaram ficando de fora. Se for feito com a qualidade deste aqui, que venham muitos outros mesmo.

Timidez– Tatiana Parra e Keco Brandão:

Marcos Lessa apresenta o seu novo single, O Amor é Capaz

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Por Fabian Chacur

A voz de veludo de Marcos Lessa está de volta com um novo e excelente single. Trata-se de O Amor é Capaz, já disponível para audição nas principais plataformas digitais de streaming e downloads pago. A faixa já está obtendo bons resultados nas rádios do estado natal do cantor, o Ceará, e merece estender essa repercussão positiva pelo resto do país.

O Amor é Capaz tem como autores Thiago Silva e Sergio Jr., este último integrante do grupo carioca Sorriso Maroto. Ficou por conta do próprio Sérgio a produção da faixa, que conta com arranjos do consagrado tecladista Jota Moraes (que trabalhou com os grandes nomes da MPB e do pagode) e a participação dos músicos Camilo Mariano (bateria), Michel Fujiwara (violão e guitarra) e Wilson Prateado (baixo).

Trata-se de um samba romântico com forte tempero da MPB dos anos 1970/1980 e de letra inspirada, que fala sobre a incrível capacidade que o amor tem de superar todas as dificuldades enfrentadas pelos seres humanos. Otimismo, mesmo em tempos difíceis como os atuais.

Com 26 anos de idade, Marcos Lessa ficou conhecido nacionalmente ao participar do reality show musical The Voice em 2013. Não ganhou, mas demonstrou um potencial incrível, concretizado no ótimo CD Entre o Mar e o Sertão e também em shows badalados, como o que fez acompanhado pela banda do saudoso Emilio Santiago. Leia mais sobre este talentosíssimo artista aqui.

O Amor é Capaz– Marcos Lessa:

No Voo do Urubu é o Verocai mais inspirado do que nunca

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Por Fabian Chacur

Foram necessárias quase quatro décadas para que Arthur Verocai tivesse o devido reconhecimento no cenário musical brasileiro, após inúmeros serviços de alta qualidade prestados aos amantes da boa música. Mas, pelo visto, valeu esperar. Aos 72 anos, o genial cantor, compositor, músico e maestro carioca se mostra mais inspirado do que nunca, vide seu mais recente lançamento, o não menos do que espetacular CD No Voo do Urubu (Selo Sesc).

Sem medo de cair em exageros, defino a atuação de Arthur Verocai como uma mistura personalizada do trabalho de maestros e compositores do porte de Burt Bacharach e Tom Jobim. Ele tem o dom de transformar a canção popular em arte requintada, com direito a arranjos delicados e precisos, nos quais os instrumentos convivem de forma harmoniosa e dialogam entre si com fluência, sem cair naquele universo intrincado demais que só os músicos conseguem entender.

A música deste genial artista carioca consegue a façanha de ser incrivelmente elaborada e ao mesmo tempo deliciosa de se ouvir. Coloquem as faixas dele para o público médio conferir, e duvido que alguém se meta a dizer que é “música para músicos”. Arthur Verocai direciona todo o seu imenso talento em prol das canções, e isso se reflete no resultado final. E isso se mostra desde seu primeiro e cultuado disco solo, de 1972 (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

No Voo do Urubu equivale a uma espécie de concisa sinfonia pop. Abre com a espetacular faixa-título, que traz Seu Jorge nos vocais e forte influência de Tom Jobim. Outro momento bem jobiniano do álbum é Minha Terra Tem Palmeiras, interpretada por Lu Oliveira. Oh! Juliana é bossa pura, com uma interpretação deliciosa de Danilo Caymmi.

A faceta soul-jazz da obra de Mestre Verocai surge no álbum com generosidade. A Outra, cantada por Vinícius Cantuária, Cigana, comandada por Mano Brown, e O Tambor, com Criolo no microfone, mostram como o cara sabe lidar com o mundo do groove.

E vale um elogio extra: é impressionante o quanto Arthur Verocai evoluiu como cantor. Na faixa O Tempo e o Vento, na qual ele se incumbe da tarefa, o cara esbanja maturidade, afinação e ginga. Era o que faltava para considera-lo completo. Não falta mais.

Se as sete faixas com vocais já valeriam uma nota máxima ao álbum, as instrumentais Snake Eyes, Na Malandragem e Desabrochando, que encerram o CD, tornam essa avaliação inevitável. Diferentes entre si, ressaltam o DNA do trabalho de seu autor, que é quase cinematográfico, conduzindo o ouvinte rumo a caminhos envolventes e cativantes.

No Voo do Urubu equivale a um verdadeiro disco de produtor, no qual o chefe da história toda comanda um elenco escolhido a dedo e brilhante e o encaminha rumo ao nirvana sonoro. Demoramos a descobrir e a reverenciar a música de Arthur Verocai, mas isso felizmente ocorreu com ele ainda vivo e repleto de energia. Que muitos mais descubram a sua música envolvente, intensa, criativa e repleta de boas energias. Leia entrevista de Mondo Pop com ele aqui.

No Voo do Urubu (completo, em streaming)- Arthur Verocai:

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