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Livros MPBambas trazem um elenco de ótimas entrevistas

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Por Fabian Chacur

Tempo em TV vale ouro. Por isso, frequentemente entrevistas gravadas para esse veículo de comunicação costumam trazer apenas uma parte do conteúdo obtido nos papos com os alvos de suas matérias. Os dois volumes de MPBambas- Histórias e Memórias da Canção Brasileira, de autoria de Tarik de Souza e editados pela Kuarup, tem como nobre objetivo preencher uma dessas lacunas inevitáveis, e o faz de forma brilhante.

Um profissional como Tarik de Souza deveria dispensar apresentações prévias, mas como estamos no Brasil, vale falar um pouco dele. Trata-se de um jornalista especializado em música brasileira na ativa há quase 50 anos, com currículo recheado de passagens por órgãos de imprensa bacanas e autor de inúmeros livros que fazem parte das bibliotecas de quem se interessa por informações musicais consistentes e oferecidas com texto sempre impecável ao leitor.

De 2009 a 2014, Tarik apresentou no Canal Brasil o programa televisivo MPBambas, no qual trazia um grande nome da música brasileira por edição para entrevistas deliciosas. Como cada episódio comportava apenas 27 minutos de conteúdo, sobrou muita coisa boa, que ficaria apenas na memória de quem teve a honra de participar dos bate-papos. Mas Paulo Mendonça, um dos comandantes do Canal Brasil, sugeriu ao jornalista a edição em livro desse material, e graças à sua batalha, e à parceria com a Kuarup, gravadora que também enveredou pelo lançamento de livros, a ideia se tornou realidade.

Organizadas em dois volumes vendidos separadamente, as entrevistas foram divididas em 14 por exemplar, curiosamente como se fossem um disco de vinil. A abrangência dos entrevistados impressiona, pois focaliza desde monstros sagrados bem conhecidos do grande público, como Milton Nascimento, Gal Costa e Beth Carvalho, até craques musicais menos divulgados do que mereceriam, tipo Getúlio Côrtes, Billy Blanco, Sueli Costa e Doris Monteiro.

Cada entrevista é uma verdadeira viagem dentro do universo musical do personagem escolhido. Como as transcrições são integrais, elas nos possibilitam a oportunidade de conhecer características particulares de cada um deles. Tarik vem sempre com a lição de casa prontinha, e faz perguntas pertinentes e buscando esclarecer dúvidas sobre o trabalho de cada um deles, nada mais adequado para um formato do tipo enciclopédia musical brasileira audiovisual.

Quem não curte detalhes e minúcias deve ficar longe de MPBambas, os livros. Quem, no entanto, deseja descobrir muito sobre cada entrevistado, terá seu desejo saciado de forma generosa, além de deparar com fatos importantes e inusitados de cada um deles. Fofocas, boatos tolos e idiotices do gênero não entraram em cena, felizmente. Ao fim de cada leitura, você percebe que tomou contato com gente profunda, importante e que fez da arte suas vidas.

Os livros ganharam ainda mais importância pelo triste fato de que diversos dos entrevistados infelizmente partiram para o outro lado do mistério, tempos após terem concedido suas entrevistas ao programa de TV. Desta forma, viraram registros ainda mais fundamentais. Duvido que você encontre papos mais densos e registrados em livros com os hoje saudosos Dominguinhos, Paulo Vanzolini, Inezita Barroso, Billy Blanco e Ademilde Fonseca do que estes aqui.

Uma das grandes sacadas de Tarik foi uma entrevista com Chico Anysio sobre a sua rica faceta de compositor musical, que muita gente boa infelizmente desconhece. Ou de mostrar a cara de Getúlio Côrtes, autor de hits eternos como Negro Gato, O Gênio, Uma Palavra Amiga e tantos outros. MPBambas-Histórias e Memórias da Canção Brasileira Volumes 1 e 2 é para ler, reler e consultar, além de obrigatórios para estudantes e profissionais de jornalismo.

O Gênio/Pega Ladrão/ Negro Gato (ao vivo)- Getulio Côrtes:

Polysom relança em vinil dois LPs incríveis do genial Cartola

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Por Fabian Chacur

Não me condenem por usar dois adjetivos tão escancaradamente positivos no título desse post. Aliás, imagino que vocês não irão mesmo fazer isso. Afinal, estou me referindo a Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), um dos maiores gênios da história da nossa riquíssima música popular brasileira. E a razão é das mais simples. Seus dois primeiros álbuns estão sendo relançados em vinil de 180 gramas pela Polysom, como parte integrante da série Clássicos em Vinil. São trabalhos que ultrapassam o conceito de discoteca básica. São obrigatórios.

Cartola já tinha 66 anos de idade quando finalmente conseguiu lançar o seu primeiro LP. Provavelmente, nem esperava mais ter a possibilidade de gravar um disco como esse. Mas, felizmente, e graças ao apoio da gravadora Marcus Pereira e do produtor J.C. Botezelli, o Pelão, ele conseguiu realizar esse sonho, no ano de 1974, com direito a 12 músicas de sua autoria, sozinho ou com vários parceiros.

Em 1976, veio o segundo, também pela Marcus Pereira, mas desta vez com produção de Juarez Barrozo, incluindo 10 de suas obras e duas de outros autores. Os dois discos são maravilhosos, e neles Cartola mostra que sua voz pequena e bem colocada era perfeita para interpretar tais canções. Vale lembrar que esses dois trabalhos foram incluídos na caixa Todo Tempo Que Eu Viver, lançada em 2016 pela Universal Music no formato CD (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Cartola (1976)- ouça em streaming:

Nana Caymmi: suas deliciosas “canções para novelas de TV”

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Por Fabian Chacur

Nana Caymmi é uma cantora de personalidade forte. Embora não seja uma compositora de ofício (só tem uma composição em seu currículo, Bom Dia, parceria com o ex-namorado Gilberto Gil), é daquelas que não grava nada que não a agrade, e que não tenha sido escolhido com critério e bom gosto. Uma boa prova é Nana Novelas, coletânea que reúne 15 músicas de seu repertório que integraram trilhas de novelas e minisséries globais. Quer algo mais popular do que uma novela global?

No entanto, nenhuma dessas gravações cai no popularesco ou na vulgaridade que algumas canções selecionadas para embalar romances ficcionais possuem. Nada disso. Quando uma gravação da filha de Dorival Caymmi é escolhida, o selecionador sabe que terá em mãos um registro de alta qualidade artística, com belas letras, melodias caprichadas e interpretações daquelas que vem do fundo da alma, sem concessões ao sentimentalismo barato.

O bacana é que Nana tem como tema básico de seu repertório as idas e vindas do amor, um dos setores mais explorados pelos artistas de viés comercial. Em seu caso, ela dá um tratamento classudo ao romance, ao olho no olho, aos suspiros no portão. Difícil ouvir uma interpretação dessa carioca nascida em 29 de abril de 1941 e não ficar com lágrimas nos olhos, pois ela sabe tocar no nervo daqueles corações apaixonados.

O repertório de Nana Novelas traz músicas de trilhas de novelas lançadas pela Globo entre 1977 e 2010. Não coube tudo. Então, maravilhas do porte de Beijo Partido e Doce Presença, por exemplo, ficaram de fora. O consolo é que nenhuma das que entraram pode ser considerada como bicona nesse reino de maravilhas sonoras. Não há um único acorde aqui que não possa proporcionar prazer aos enamorados.

Temos bolero, bossa nova, samba canção e MPB,com arranjos inspirados que vão da utilização de orquestras a momentos intimistas. Duas faixas são duetos, uma com Erasmo Carlos (Não se Esqueça de Mim, de Roberto e Erasmo Carlos), outra com Chico Buarque (Até Pensei, do próprio Chico, cuja presença na faixa não foi creditada no CD).

Só tem autor craque aqui. Milton Nascimento e Ronaldo Bastos (Cais, de arrepiar até zumbi), Ivan Lins e Vitor Martins (Mudança dos Ventos), Agustin Lara (Solamente Uma Vez), Gonzaguinha (De Volta ao Começo), Tom Jobim (Só Em Teus Braços), Aldir Blanc e Cristóvão Bastos (Suave Veneno e Resposta ao Tempo), João Bosco e Aldir Blanc (Quando o Amor Acontece), papai Dorival Caymmi e Carlos Guinle (Não Tem Solução)…

Só faltou um pequeno, porém importante, detalhe para que Nana Novelas merecesse uma nota dez com louvor. O encarte possui apenas quatro páginas, trazendo só o nome das músicas, os autores e de que trilha sonora de novela ou minissérie cada gravação fez parte. Como forma de valorizar o produto físico, a publicação das letras das canções e um texto contextualizando as gravações seria essencial. Apesar disso, trata-se de um disco para se ouvir suspirando de felicidade.

Cais– Nana Caymmi:

Homenagem às mulheres nas serestas de sexta em Sampa

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Por Fabian Chacur

Dia das Mulheres é todo dia, diriam os mais sensatos. Pois o grupo Trovadores Urbanos concorda com esse pensamento. Ao invés de apenas uma data, o grupo musical que está na ativa há 26 anos promoverá cinco em belas homenagens ao sexo nada frágil. Uma já foi, mas as outras quatro serão realizadas nas próximas sextas-feiras de março, respectivamente dias 10 (próxima 6ª), 17, 24 e 31, sempre a partir das 20h e com entrada gratuita. O local é a Casa dos Trovadores (rua Ainberê, nº 651- Perdizes- fone 0xx11-2595-0100- São Paulo-SP).

Com decoração festiva e que inclui um grande painel contendo imagens de mulheres cantoras e compositoras do maior calibre, o repertório das apresentações privilegiará grandes clássicos da nossa música popular, com direito a canções românticas, sambas e marchinhas de carnaval. Os shows fazem parte da programação Serestas de Sexta, realizada há cinco anos no local sempre com presença calorosa do público.

Em seus 26 anos de atividade, os Trovadores Urbanos se consolidaram como um consistente projeto de divulgação musical, que engloba desde serestas encomendadas pelas pessoas até diversos shows especiais, além do lançamento de oito CDs e dois DVDs. Entre as atividades geradas pelo grupo, destaca-se uma de alcance social, o Instituto Trovadores Urbanos, criado em 2010 e que atende cerca de 150 crianças, ensinando música e teatro em Cajamar e Cidade Ademar.

Vídeo com cenas das Serestas de Sextas:

Hyldon apresenta inspiração e boas canções em novo CD

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Por Fabian Chacur

Hyldon integra a santíssima trindade da soul music brasileira ao lado de Tim Maia e Cassiano, com quem, por sinal, trabalhou antes de assumir sua carreira-solo em tempo integral, lá pelos idos de 1975. Naquele ano, lançou o fantástico Na Rua Na Chuva Na Fazenda, um dos melhores álbuns de qualquer gênero musical já lançados por aqui. Mais de 40 anos depois, ei-lo esbanjando inspiração em seu 12º trabalho, o delicioso As Coisas Simples da Vida (Deck), comparável com aquela estreia incrível.

Nascido em 17 de abril de 1951 na Bahia e radicado no Rio desde os 7 anos de idade, Hyldon sabe como poucos compor aquele tipo de canção ao mesmo tempo swingada, intensa e envolvente, com letras bacanas falando de amor, natureza, família e outros temas com os quais todos podem se identificar. Com uma voz deliciosa e mais do que adequada ao estilo soul-funk-pop, ele sabe como fazer música acessível e com alto grau de sofisticação. Coisa de mestre.

Bastante ativo nos últimos anos e sem se mostrar disposto a descansar em cima dos preciosos louros do passado, Hyldon volta ao universo das canções inéditas após o elogiado Romances Urbanos (2013), no qual trouxe parcerias com Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Jorge Vercillo, Mano Brown e Dexter, entre outros. Neste, ele é o autor de todas as dez canções, sendo cinco sozinho e as outras cinco com parceiros como Alex Malheiros e Luiz Otávio.

A principal virtude de As Coisas Simples da Vida é a sua fluência e concisão. Não há aqui um único acorde, um único verso, uma única canção sobrando. Dá para se ouvir de ponta a ponta com o mesmo prazer. Além disso, não se mantém em um único andamento, indo do soul swingado ao mais romântico, com direito a bossa, funk de verdade e até rock. Os arranjos de metais são simplesmente impecáveis, e os vocais andam pela mesma estrada.

A faixa que dá nome ao álbum é tão boa como seus hits clássicos, aquelas maravilhosas As Dores do Mundo, Na Rua Na Chuva Na Fazenda (Casinha de Sapê) e Na Sombra de Uma Árvore. Tem uma levada soul swingada com cara de anos 70 e meio jazzística. Depois do Inverno traz a veia soul mais tradicional, enquanto Música Bonita, com direito a quatro vocalistas solo (Hyldon, Guinho Tavares, Arthur de Palla e Márcio Pombo), envolve com sua melodia, seu violão no centro e um refrão daqueles que nascem clássicos.

A ala mais agitada do repertório traz o funkão Um Trem Pra Bangu, a bossa-soul Sábado Passado, o funk a la Tim Maia Papai e Mamãe e o rock no melhor estilo Erasmo Carlos Todo Mundo é Dono da Rua. As baladas O Raio do Amor, Nosso Lar é Onde o Amor Morar e Não Molhe os Olhos completam o repertório de forma consistente e inspirada.

Em outros tempos, As Coisas Simples da Vida teria pelo menos umas três músicas estourando nas programações das rádios e venderia muito. Como isso não parece ser muito fácil de se concretizar atualmente, ao menos este álbum serve como prova de que Hyldon continua em plena forma aos 65 anos de idade, com a voz intacta e inspirado para nos oferecer novidades quentes. Ignore a indiferença da mídia e mergulhe neste trabalho de cabeça!

Obs.: o único ponto a ser lamentado neste CD é o fato de o encarte não trazer as ótimas letras das canções, o que ajudaria a tornar perfeita a ótima embalagem digipack e as fotos bacanas das gravações. O formato físico não pode prescindir desse tipo de informação, ainda mais se levarmos em conta a poesia e as belas mensagens das letras de Hyldon.

As Coisas Mais Simples da Vida– Hyldon:

Danilo Caymmi relê com pura classe a obra de Tom Jobim

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Por Fabian Chacur

A carreira discográfica de Danilo Caymmi começou em um disco do seu pai, Dorival Caymmi, o antológico Caymmi Visita Tom (1964). Nele, teve a primeira oportunidade de trabalhar com Tom Jobim. Era o início de uma parceria que se estreitaria a partir de 1983, quando o flautista e cantor passou a integrar a Banda Nova, que acompanhou o Maestro Soberano em discos e em inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo.

Tom foi decisivo na carreira de Danilo, ao incentivá-lo não só a cantar, mas como a assumir a tonalidade natural de sua voz. O artista carioca que completará 69 anos no próximo dia 7 de março faz uma bela viagem no universo de seu mentor no CD Danilo Caymmi Canta Tom Jobim, que acaba de ser lançado pela Universal Music.

A capa do CD possui uma diagramação que lembra a dos álbuns Tide e Wave, do homenageado. A faixa Estrada do Sol traz uma belíssima participação especial da cantora americana Stacey Kent. Em deliciosa entrevista exclusiva concedida por telefone a Mondo Pop, ele fala do disco, do seu relacionamento com Tom e muito mais.

Mondo Pop- A primeira gravação da sua vida foi no álbum Caymmi Visita Tom, gravado por seu pai com a participação de Tom Jobim. Quais as recordações que você tem dessa experiência?
Danilo Caymmi– Meu pai era muito amigo do Tom. A ideia desse disco surgiu do produtor Aloysio de Oliveira. Lembro que eu estava mais preocupado com a prova de Química que faria (risos). Tocava flauta há poucos meses, era muita responsabilidade, o Dori e a Nana (seus irmãos, que também participaram do álbum) também eram muito novos. A gravação de Saudade da Bahia tem um contracanto do Tom incrível. Ele respeitava muito o meu pai. Esse disco contou com grandes músicos, é um trabalho maravilhoso.

Mondo Pop- Como surgiu a oportunidade de você entrar na Banda Nova, que se tornou o grupo de apoio do Tom a partir de 1983?
Danilo Caymmi
– O Tom estava meio parado no Rio, e foi chamado para fazer um show na Áustria, na cidade de Viena. O Paulo Jobim, seu filho e meu amigo, me chamou para participar da banda que iria acompanha-lo nessa apresentação. Durante os ensaios, o Tom me convidou para cantar A Felicidade e Samba do Avião, como solista. Fui até estudar canto.Já havia lançado um LP solo (Cheiro Verde, em 1977), mas usava falsete. Foi com a Banda Nova que assumi o meu verdadeiro tom de voz.

Mondo Pop- Qual o critério que você seguiu na seleção das 11 músicas que estão em Danilo Caymmi Canta Tom Jobim?
Danilo Caymmi
– Acho que esse é provavelmente o melhor disco que gravei em minha carreira, é o mais trabalhado, um mergulho profundo na obra do Tom. O critério de escolha das canções foi puramente afetivo. Ele gostava muito de vocais. Fiz de uma forma que ele gostasse. Por Causa de Você eu ouço desde garoto. Eu participei da gravação original de Chora Coração. Querida eu vi ele fazer, ele não terminava nunca. Quando a finalizou, eu mostrei para o produtor Mariozinho Rocha no viva voz, e acabou entrando na abertura da novela O Dono do Mundo (1991). E Tema Para Gabriela tem a citação da música do Papai, Modinha Para Gabriela.

Mondo Pop-Fale um pouco sobre a concepção sonora do seu CD.
Danilo Caymmi
– O Flávio Mendes se incumbiu dos arranjos. Não é um repertório fácil, são canções minimalistas e complexas. E não tem nem bateria e nem piano, o disco traz eu na voz e flautas, o Flávio no violão e o Hugo Pilger no violoncelo. Inclusive, penso em fazer o show de divulgação com esse mesmo formato, espero concretizar ainda esse ano.

Mondo Pop- Era impressionante a simplicidade do Tom Jobim. Quem teve a chance de conhece-lo não imaginaria o tamanho de sua importância, se levarmos em conta esse desapego à frescura. Como você avalia isso?
Danilo Caymmi
– Essas pessoas mais geniais, como o meu pai, o Tom, o Vinícius de Moraes, eram muito simples. Eles sabiam que não precisavam provar nada a ninguém. A arrogância não passava por esse povo. Aprendi isso com eles. A gente sabe que tem de ser acessível, de respeitar o caminho, é importante saber que são as pessoas que nos possibilitam uma carreira.

Mondo Pop- Os formatos musicais mudaram muito desde o começo de sua carreira. Vinil, fita cassete, CD, agora streaming. Como você lida com isso?
Danilo Caymmi
– Eu vejo que os formatos musicais vão e voltam. No fim das contas, tudo se ajeita. Sempre foi muito ligado à tecnologia. Hoje é o streaming, não é nada linear. Estamos em meio a uma revolução, e é importante saber se adaptar aos novos formatos.

Mondo Pop- Você usa as redes sociais para divulgar seu trabalho e dialogar com os fãs?
Danilo Caymmi
– Uso muito o Facebook. Até criei por lá umas aparições eventuais ao vivo que apelidei de TV Dendê que sempre dão um ótimo retorno. Isso me aproximou mais do público. Gosto muito do bom humor, de uma relação mais próxima com os fãs.

Mondo Pop- Você deve ter centenas de histórias legais para contar das suas viagens com o Tom. Conte uma delas.
Danilo Caymmi
– Uma coisa muito engraçada ocorria nas entrevistas no exterior. Sempre perguntavam a ele o que era a bossa nova, e toda vez ele vinha com uma resposta diferente. Duas delas são bem divertidas: bossa nova é “euforia controlada” e “Guerra de guerrilhas”. (risos)

Ouça a gravação de Querida, com Danilo Caymmi:

Lyra ao Vivo reúne no Rio tio e sobrinho em show inédito

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Por Fabian Chacur

De 25 a 28 de janeiro, Carlos Lyra e seu sobrinho Claudio se apresentaram juntos pela primeira vez, em São Paulo, no palco da Caixa Cultural. O sucesso do encontro foi tanto que eles resolveram leva-lo pela primeira vez ao Rio de Janeiro. Lyra ao Vivo, o show, será apresentado nesta quarta-feira (15) às 21h no Teatro Solar do Botafogo (rua General Polidoro, nº 180- Botafogo- fone 0xx21-2543-5411), com ingressos de R$ 20,00 a R$ 40,00.

O encontro entre um dos grandes nomes da bossa nova, Carlinhos Lyra (vocal), e seu talentoso sobrinho, Cláudio (vocal, violão e guitarra), terá a temperá-lo uma banda integrada por Maico Viegas (trompete), Daniel Garcia (sax e flauta), Pedro Milman (teclados), Rômulo Gomes (baixo) e Daniel Conceição (bateria). No repertório, clássicos do porte de Influência do Jazz e Minha Namorada e também composições de autoria do mais novo talento da família Lyra.

Na estrada desde 1999, Claudio Lyra já fez música para cinema, televisão, teatro, poesia falada, dança e mímica. O tio Carlos gravou uma de suas composições, O Barco e a Vela, no CD Sambalanço (2003) e no DVD Carlos Lyra 50 Anos de Bossa (2005). Juntos, eles compuseram Passageiros, gravada em dueto e um dos destaque do mais recente CD de Carlos, Autobiografia Não Autorizada.

Autobiografia Não Autorizada conta com a afiada coprodução de Vittor Santos, e traz 12 faixas que investem em diversas vertentes da nossa MPB, entre elas a bossa, o samba-rock e o romantismo, com direito a um tempero com elementos de jazz, rock e até rap. A faixa Procurando a Direção, por exemplo, traz a participação do rapper MC Mãe.

Razão Pra Tudo é um belo dueto de Claudio com a excelente cantora Alma Thomas. Além dos ótimos arranjos instrumentais, com direito a metais afiadíssimos, vale destacar os impressionantes vocais de apoio (backing vocals) feitos por Luiza Sales, Cacala Carvalho, Alexandre Caldi e Symô (entre outros), esbanjando técnica, bom gosto e sensibilidade.

A voz bem colocada e as letras de Claudio também impressionam, em músicas como a sarcástica Esparrela do Brasil, que tem um clipe espetacular para divulga-la. E o inspirado dueto dos Lyra ilumina a bela Passageiros. Um disco para ser apreciado faixa a faixa.

Esparrela do Brasil (clipe)- Cláudio Lyra:

Cantora Fátima Fonseca lança O Espelho com show em SP

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Por Fabian Chacur

O Espelho é o primeiro CD da cantora e compositora paulistana Fátima Fonseca. Lançado pela via independente, o trabalho traz oito faixas interpretadas em português, castelhano e inglês. Ela mostra esse repertório e mais outras canções em show neste domingo (12) às 20h30 no Café Piu Piu (rua Treze de Maio, nº 134-Bela Vista- fone 0xx11-3258-8066), com ingressos a R$ 25,00.

O álbum coroa a parceria artística entre Fátima e o pianista, compositor e arranjador David Pasqua, que é autor ou coautor de cinco das oito canções do CD, sendo duas delas assinadas pelos dois. Ele também se incumbirá, no show deste domingo, de piano e arranjos da banda de apoio da cantora, que também traz como integrantes Diego Trindade (guitarra), Marcelo Rocha (baixo) e Edson Ghilardi (bateria), com participação especial de Marcelo Mejia (autor da faixa Desde Que Tú No Estás, um dos destaques do disco).

Além de faixas autorais, como Como Um Ímã e Rio de Moinhos, o trabalho de estreia de Fátima Fonseca também conta com composições alheias, entre elas We’ve Only Just Begin (Paul H. Williams-Roger S.Nichols), grande hit com os Carpenters. Descendente de portugueses, a artista recentemente fez um show de lançamento do CD na cidade de Viseu, em Portugal, no qual também cantou alguns fados.

O Espelho (clipe)- Fátima Fonseca:

Rapha Oliveira inicia série de shows no Beco das Garrafas

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Por Fabian Chacur

Rapha Oliveira inicia nesta sexta (3) às 21h uma série de shows no histórico Beco das Garrafas (rua Duvivier, nº 37- Copacabana- fone 0xx21- 2543-2962). O cantor e compositor se apresentará no Little Club daquele espaço para shows, e voltará nos dias 10, 17 e 24 de fevereiro, sempre no mesmo horário e local. Os ingressos custam R$ 40,00.

A carreira de Rapha teve início como vocalista de apoio de artistas como Anitta, Sorriso Maroto e Kleber Lucas. Ele também teve composições de sua autoria gravadas por artistas do porte da própria Anitta, Ferrugem, Péricles (ex-Exaltasamba) e Raquel Mello. Ele está iniciando a sua carreira-solo com o lançamento de seu primeiro CD, O Mundo Lá Fora.

O álbum de estreia traz nove composições do próprio artista, nas quais ele se divide entre samba, MPB e pop nacional. Marcam presença no disco Milton Guedes, Thais Macedo e Jessé Sadoc. Músicas deste trabalho, como Ilusão, Fardo, Seu Par e O Mundo Lá Fora, estarão no set list de seus shows no Beco das Garrafas, além de canções dos repertórios de Luciana Melo (Simples Desejo), Djavan (Meu Bem Querer), Lulu Santos (Tudo Bem) e Sandra de Sá (Olhos Coloridos), entre outras.

Seu Par– Rapha Oliveira e Thais Macedo:

Emanuelle Araújo celebra em novo clipe Iemanjá e a Bahia

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Por Fabian Chacur

Dia 2 de fevereiro é a data reservada para celebrar Iemanjá, um dos orixás mais cultuados por candomblé e umbanda e considerada por seus seguidores como a rainha do mar. Como forma de homenageá-la, a cantora Emanuelle Araújo lançou nesta quinta-feira (2) o seu novo clipe, que ilustra a canção Céu Azul, de autoria de Marcio Mello e parte integrante de seu primeiro álbum solo, O Problema é a Velocidade (2016), lançado pela gravadora Deck.

O clipe foi gravado na praia de Moreré (BA), com direção a cargo de Felipe Flores, e ilustra de forma muito intensa a hipnótica canção, que encerra o elogiado álbum da cantora soteropolitana nascida em 21 de julho de 1976. Ela explica o porque fez o lançamento nesta data:

“Filmei esse clipe no ano passado e estava esperando o momento certo para lançá-lo. Tenho uma relação forte com Iemanjá, como boa baiana, e achei que realmente o 2 de fevereiro era um bom momento. Eu estava esperando uma hora que fosse oportuna, que tivesse uma energia que eu acho que a música tem e que o clipe tem também”.

Emanuelle começou a ficar conhecida do grande público em 1999, quando substituiu Ivete Sangalo na Banda Eva, na qual ficou até 2002. Depois, integrou o trio Moinho ao lado do guitarrista Toni Costa e da percussionista Lan Lan, com quem lançou três CDs. Ela também atua com destaque como atriz, e trabalhou em filmes como Ó Paí Ó e novelas como Pé Na Jaca, A Favorita, Três Irmãs e Malhação.

Céu Azul– Emanuelle Araújo:

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