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Polysom relança em LP/vinil o “disco do tênis” de Lô Borges

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Por Fabian Chacur

A Polysom, em parceria com a Universal Music e como parte integrante da sua série Clássicos em Vinil, está lançando uma edição em vinil de 180 gramas do álbum Lô Borges, de 1972, que marcou a estreia como artista solo do compositor e músico mineiro. O LP é mais conhecido como “disco do tênis”, pelo fato de ter na capa um surrado par de tênis de couro de cano alto. O trabalho celebra 45 anos melhor do que nunca.

Lô Borges teve um belo ano de 1972. Além de lançar o mais do que histórico Clube da Esquina em parceria com Milton Nascimento, ele ainda teve gás suficiente para nos oferecer sua estreia solo, um álbum que traz nove músicas assinadas somente por ele e outras seis escritas com parceiros como Tavinho Moura, Ronaldo Bastos e Márcio Borges. Músicas como Você Fica Bem Melhor Assim, Canção Postal, Calibre e Fio da Navalha são destaques de um belo trabalho de MPB.

Como forma de festejar essa importante efeméride em sua carreira, Lô tem feito desde o início do ano apresentações enfatizando o repertório do “disco do tênis”. Os shows já passaram por São Paulo, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Ouro Preto, e no segundo semestre deverão voltar a algumas dessas cidades e também chegar a outras, graças ao grande sucesso das datas já realizadas até agora.

Lô Borges– Lô Borges (1972)- Ouça em streaming:

João Bosco festeja 45 anos de carreira com um show no Rio

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Por Fabian Chacur

A carreira de João Bosco eu acompanho desde o seu início fonográfico. Isso ocorreu em 1972, quando o jornal O Pasquim lançou o Disco de Bolso, projeto capitaneado pelo músico Sérgio Ricardo e que trazia como brinde um compacto simples. No lado A, nada menos do que a versão original de Águas de Março, com Tom Jobim. No lado B, Agnus Sei, fantástica canção meio flamenca interpretada com maestria no melhor estilo voz e violão por João. Marcou a minha infância, e até hoje é uma das minha favoritas desse artista incrível.

Nos 45 anos que se passaram desde então, este cantor, compositor e violonista mineiro só ampliou seus horizontes. Gravou discos clássicos, compôs algumas das melhores músicas da história da nossa MPB e fez milhares de shows pelo mundo afora. E é para celebrar essa bela estrada percorrida que ele se apresenta no Rio nesta quinta-feira (25) às 21h no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº 3.900- lojas 160- Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 180,00.

No repertório, o fã pode esperar maravilhas do porte de O Mestre Salas dos Mares, De Frente Pro Crime, Eu Não Sei Teu Nome Inteiro, Trem-Bala, Caça à Raposa e Plataforma. Também teremos algumas releituras bacanas que Bosco fez de canções de outros craques da MPB, como Paulinho da Viola, Noel Rosa, Dorival Caymmi, Chico Buarque e Tom Jobim. Tomara que tenha Agnus Sei no meio…

Agnus Sei (versão original)- João Bosco:

Cantora Iá mostra o seu 1º CD em show único em São Paulo

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Por Fabian Chacur

A jovem cantora mineira radicada em São Paulo Iá acaba de lançar o seu primeiro CD. Intitulado Esquerdo Direito, o trabalho traz dez músicas, sendo quatro delas inéditas e as outras quatro de grandes nomes da música brasileira e mundial. Ela mostra esse repertório em show acústico neste sábado (27) em São Paulo na Cia. da Revista (Alameda Nothmann, nº 1.135- fone 0xx11-3791-5200- Santa Cecília), com ingressos a R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira), ambos dando direito ao CD autografado.

Esquerdo Direito equivale a uma bela estreia em disco para esta jovem intérprete. Com uma voz doce e sempre bem colocada, ela sabe como encarar momentos mais swingados e outros mais reflexivos em cada canção. Uma boa ajuda para a bela concretização deste CD ficou a cargo do paulistano Peter Farrell, que se incumbiu dos arranjos, produção, guitarras e violões. Ele tem entre seus fãs ninguém menos do que George Benson, e já tocou e gravou com gente do gabarito de Eumir Deodato, Pery Ribeiro e Jane Monheit, entre outros.

A sonoridade do álbum pode ser classificada como uma mistura de diversos ritmos, como jazz, MPB, música latina, rock e pop, sempre com um resultado sofisticado e bem trabalhado. Os novos arranjos para clássicos como Geraldinos e Arquibaldos (Gonzaguinha), Como Dois e Dois (Caetano Veloso) e Otherside (Red Hot Chili Peppers), assim como as deliciosas inéditas Bailarina (Marília Duarte) e Fim de Tarde (Italo Lencker e Camila de Oliveira) foram ótimas escolhas.

Iá é formada em música pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, e deu aulas de piano e canto, além de ter feito shows em bares. A ideia do primeiro CD surgiu em 2015, e o repertório foi sendo montado aos poucos. O resultado final mostra alguém com muito potencial surgindo no cenário da música brasileira, e que merece a sua atenção.

Geraldinos e Arquibaldos– Iá:

Bailarina– Iá:

Claudette Soares relembra a década de 50 em show em SP

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Por Fabian Chacur

Bem-humorada e extremamente simpática, Claudette Soares brincou com a sua pequena estatura em termos físicos ao lançar em 1969 o LP Quem Não é a Maior Tem de Ser a Melhor. Em termos profissionais, no entanto, sempre primou pela seriedade, bom gosto e talento lapidado, o que explica o fato de ela estar na ativa há mais de 60 anos. Neste sábado (13) às 21h30, ela canta em São Paulo na comedoria do Sesc Pompeia (rua Clélia, nº 93- Pompeia-fone 0xx11-3871-7700), com ingressos a R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

O show tem tudo para ser marcante, pois o seu roteiro é baseado no livro A Noite do Meu Bem- A História e as Histórias do Samba-Canção. Aliás, o autor do livro e do roteiro do espetáculo são o mesmo, o jornalista e escritor Ruy Castro, com direção geral do badalado Thiago Marques Luiz e direção musical e arranjos de Alexandre Vianna, líder do quarteto que acompanhará a intérprete carioca durante a apresentação.

No repertório, teremos canções célebres ligadas a nomes que dominaram o cenário musical brasileiro na década de 1950, período apelidado de Anos Dourados. Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Lupicínio Rodrigues, Dolores Duran, Maysa, Tito Madi, Johnny Alf, Elizeth Cardoso, Nora Ney, Isaurinha Garcia, Doris Monteiro e Carmem Costa são algumas dessas celebridades marcantes em uma era pontuada por canções densas, belas e ligadas aos temas do romance. A cantora Alaíde Costa fará uma participação especial no show.

Claudette nasceu no Rio de Janeiro e iniciou sua carreira ainda criança, na década de 1950, e logo se envolveu com os ritmos em voga na época, o baião, o samba-canção e a então iniciante bossa nova. Mostrou talento para encarar todos, e consolidou sua carreira nos anos 1960 e 1970, tendo como marcas a versatilidade, uma voz encantadora e a opção por canções românticas. Lançou em 1968 o ousado Gil, Chico e Veloso Por Claudette Soares, com músicas dos então ainda iniciantes Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Após emplacar aquela que foi provavelmente a canção de maior sucesso de seu repertório, De Tanto Amor (de Roberto e Erasmo Carlos) e lançar dois discos em parceria com Dick Farney, Claudette saiu de cena por uns anos, mas voltou nos anos 1990. Em 2000, lançou Claudette Soares ao Vivo, do qual participaram Roberto Menescal, Paulinho da Viola, Claudinha Telles, Jorge Benjor e Garganta Profunda, entre outros. Em 2015, saiu Claudette Soares e a Bossa de Caymmi, lançamento do selo Nova Estação, de Thiago Marques Luiz.

De Tanto Amor– Claudette Soares:

Almir Guineto, belo craque do samba, nos deixa aos 70 anos

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Por Fabian Chacur

Lá pelos idos de 1998, eu era colaborador da extinta revista Cavaco, especializada em samba, e tive a oportunidade de entrevista Almir Guineto no apartamento onde ele morava na época, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. De forma hospitaleira, o cara me ofereceu um suco. Como estava um calor daqueles, tomei rapidinho, e ele me ofereceu outra dose logo a seguir, com a frase clássica: “toma mais, porque por esse preço…”. Essa figuraça infelizmente nos deixou nesta sexta-feira (5), aos 70 anos.

Almir Guineto nasceu no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1946, e é cria do Salgueiro. Nos anos 1970, no entanto, também passou a frequentar a sede do Bloco Cacique de Ramos, onde se enturmou e fez amizade com figuras emergentes do porte de Zeca Pagodinho, Ubirany, Bira Presidente e outros do mesmo porte. No fim daquela década, ele integrou por um curto período de tempo dois grupos. O primeiro foi os Originais do Samba, de Mussum e Cia, fundado pelo seu irmão Chiquinho e que gravou algumas de suas composições.

O Grupo Fundo de Quintal completa a dobradinha. Guineto marcou presença no primeiro álbum desse verdadeiro Butantã do samba (só tinha e só tem cobras), Samba é No Fundo de Quintal (1980). Vale lembrar que ele foi a rigor o músico que introduziu o banjo no samba, uma das várias inovações geradas pelo Fundo de Quintal. Ou seja, fica difícil qualificar o trabalho dele como “samba de raiz”, pois, embora tivesse forte ligação com as tradições deste gênero musical, ele no entanto apostou nas inovações e ajudou-o a progredir ainda mais.

Em 1981, fez muito sucesso com a música Mordomia, que defendeu no Festival MPB-Shel de 1981, da Globo, faixa de destaque de seu primeiro álbum solo, O Suburbano, lançado naquele mesmo ano pela efêmera divisão brasileira da gravadora K-Tel. Em 1985, estourou com Jiboia, e depois com Caxambu e diversas outras, em seus trabalhos individuais, sempre com sua voz grave e repleta de swing e personalidade, ora apostando no bom humor, ora no romantismo.

Grande amigo de Zeca Pagodinho, ele inclusive gravou em 1999 um autointitulado álbum pela Universal Music graças à indicação do parceiro. Ótimo interprete, ele no entanto teve mais sucesso como compositor, tendo sido parceiro na autoria de maravilhas do porte de Coisinha do Pai, Corda no Pescoço, Pediu ao Céu e inúmeras outras, gravadas por Beth Carvalho, Alcione, Zeca e outras feras do samba. Almir foi vítima de problemas renais crônicos, agravados por diabetes. Uma dessas perdas mais do que lamentáveis. Que descanse em paz!

Mordomia– Almir Guineto:

Belchior nos deixa fina poesia, brilho e belíssimas canções

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Por Fabian Chacur

Há mais de dez anos, Belchior estranhamente sumiu do cenário artístico, deixando seus fãs órfãos e só aparecendo nas manchetes devido a notícias sensacionalistas e bizarras. Pois ele infelizmente ocupa de novo os holofotes por uma razão triste. Aliás, a mais triste de todas. Ele foi encontrado morto na noite deste sábado (29) na casa onde morava há um ano, na cidade de Santa Cruz do Sul (RS). Ele tinha 70 anos, e seu corpo deve encontrar sua moradia final em Sobral (CE), onde nasceu em 26 de outubro de 1946.

Muito triste essa saída de cena. Cenas de um próximo capítulo nada desejado por seus inúmeros fãs. Minha ligação com Belchior é muito forte desde sempre. Vi dois shows dele ao vivo, um em 1980, em um colégio na região da Avenida Paulista, e outro em 1984, no Tuca, ambos muito legais. Fui conhece-lo pessoalmente lá pelos idos de 1985, por uma razão corriqueira: trabalhava na agência da Receita Federal da Vila Mariana, em São Paulo, e entreguei a ele uma restituição de imposto de renda que ele não havia recebido na sua devida época.

Não muito tempo depois, iria reencontrá-lo, só que desta vez como jornalista e crítico musical, por volta de 1987. Entre esse ano e o final dos anos 1990, foram vários papos, sempre deliciosos, nos quais criei um vínculo de amizade não só com ele, mas também com um de seus produtores, o Paulo Roberto Magrão, uma das figuras mais atenciosas e gente fina que já tive a chance de conhecer em minha trajetória como jornalista especializado em música.

Bel (como o chamávamos) vai fazer muita falta, independente de estar há muito tempo sem lançar novos trabalhos. Com uma obra consistente, ele nos deixa como legado canções maravilhosas, repletas de idealismo, poesia, inteligência e ironia, com aquela inspiração contida apenas em gênios. E ele era um deles. Não consigo escrever mais nada, perdoem-me. Leiam a homenagem que fiz quando ele completou 70 anos em outubro de 2016 aqui , e a resenha da caixa Três Tons de Belchior, seu mais recente lançamento, aqui . Descanse em paz, amigo. Apenas um rapaz latino americano? O cacete!

Alucinação– Belchior (ouça o álbum em streaming):

Livros MPBambas trazem um elenco de ótimas entrevistas

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Por Fabian Chacur

Tempo em TV vale ouro. Por isso, frequentemente entrevistas gravadas para esse veículo de comunicação costumam trazer apenas uma parte do conteúdo obtido nos papos com os alvos de suas matérias. Os dois volumes de MPBambas- Histórias e Memórias da Canção Brasileira, de autoria de Tarik de Souza e editados pela Kuarup, tem como nobre objetivo preencher uma dessas lacunas inevitáveis, e o faz de forma brilhante.

Um profissional como Tarik de Souza deveria dispensar apresentações prévias, mas como estamos no Brasil, vale falar um pouco dele. Trata-se de um jornalista especializado em música brasileira na ativa há quase 50 anos, com currículo recheado de passagens por órgãos de imprensa bacanas e autor de inúmeros livros que fazem parte das bibliotecas de quem se interessa por informações musicais consistentes e oferecidas com texto sempre impecável ao leitor.

De 2009 a 2014, Tarik apresentou no Canal Brasil o programa televisivo MPBambas, no qual trazia um grande nome da música brasileira por edição para entrevistas deliciosas. Como cada episódio comportava apenas 27 minutos de conteúdo, sobrou muita coisa boa, que ficaria apenas na memória de quem teve a honra de participar dos bate-papos. Mas Paulo Mendonça, um dos comandantes do Canal Brasil, sugeriu ao jornalista a edição em livro desse material, e graças à sua batalha, e à parceria com a Kuarup, gravadora que também enveredou pelo lançamento de livros, a ideia se tornou realidade.

Organizadas em dois volumes vendidos separadamente, as entrevistas foram divididas em 14 por exemplar, curiosamente como se fossem um disco de vinil. A abrangência dos entrevistados impressiona, pois focaliza desde monstros sagrados bem conhecidos do grande público, como Milton Nascimento, Gal Costa e Beth Carvalho, até craques musicais menos divulgados do que mereceriam, tipo Getúlio Côrtes, Billy Blanco, Sueli Costa e Doris Monteiro.

Cada entrevista é uma verdadeira viagem dentro do universo musical do personagem escolhido. Como as transcrições são integrais, elas nos possibilitam a oportunidade de conhecer características particulares de cada um deles. Tarik vem sempre com a lição de casa prontinha, e faz perguntas pertinentes e buscando esclarecer dúvidas sobre o trabalho de cada um deles, nada mais adequado para um formato do tipo enciclopédia musical brasileira audiovisual.

Quem não curte detalhes e minúcias deve ficar longe de MPBambas, os livros. Quem, no entanto, deseja descobrir muito sobre cada entrevistado, terá seu desejo saciado de forma generosa, além de deparar com fatos importantes e inusitados de cada um deles. Fofocas, boatos tolos e idiotices do gênero não entraram em cena, felizmente. Ao fim de cada leitura, você percebe que tomou contato com gente profunda, importante e que fez da arte suas vidas.

Os livros ganharam ainda mais importância pelo triste fato de que diversos dos entrevistados infelizmente partiram para o outro lado do mistério, tempos após terem concedido suas entrevistas ao programa de TV. Desta forma, viraram registros ainda mais fundamentais. Duvido que você encontre papos mais densos e registrados em livros com os hoje saudosos Dominguinhos, Paulo Vanzolini, Inezita Barroso, Billy Blanco e Ademilde Fonseca do que estes aqui.

Uma das grandes sacadas de Tarik foi uma entrevista com Chico Anysio sobre a sua rica faceta de compositor musical, que muita gente boa infelizmente desconhece. Ou de mostrar a cara de Getúlio Côrtes, autor de hits eternos como Negro Gato, O Gênio, Uma Palavra Amiga e tantos outros. MPBambas-Histórias e Memórias da Canção Brasileira Volumes 1 e 2 é para ler, reler e consultar, além de obrigatórios para estudantes e profissionais de jornalismo.

O Gênio/Pega Ladrão/ Negro Gato (ao vivo)- Getulio Côrtes:

Polysom relança em vinil dois LPs incríveis do genial Cartola

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Por Fabian Chacur

Não me condenem por usar dois adjetivos tão escancaradamente positivos no título desse post. Aliás, imagino que vocês não irão mesmo fazer isso. Afinal, estou me referindo a Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), um dos maiores gênios da história da nossa riquíssima música popular brasileira. E a razão é das mais simples. Seus dois primeiros álbuns estão sendo relançados em vinil de 180 gramas pela Polysom, como parte integrante da série Clássicos em Vinil. São trabalhos que ultrapassam o conceito de discoteca básica. São obrigatórios.

Cartola já tinha 66 anos de idade quando finalmente conseguiu lançar o seu primeiro LP. Provavelmente, nem esperava mais ter a possibilidade de gravar um disco como esse. Mas, felizmente, e graças ao apoio da gravadora Marcus Pereira e do produtor J.C. Botezelli, o Pelão, ele conseguiu realizar esse sonho, no ano de 1974, com direito a 12 músicas de sua autoria, sozinho ou com vários parceiros.

Em 1976, veio o segundo, também pela Marcus Pereira, mas desta vez com produção de Juarez Barrozo, incluindo 10 de suas obras e duas de outros autores. Os dois discos são maravilhosos, e neles Cartola mostra que sua voz pequena e bem colocada era perfeita para interpretar tais canções. Vale lembrar que esses dois trabalhos foram incluídos na caixa Todo Tempo Que Eu Viver, lançada em 2016 pela Universal Music no formato CD (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Cartola (1976)- ouça em streaming:

Nana Caymmi: suas deliciosas “canções para novelas de TV”

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Por Fabian Chacur

Nana Caymmi é uma cantora de personalidade forte. Embora não seja uma compositora de ofício (só tem uma composição em seu currículo, Bom Dia, parceria com o ex-namorado Gilberto Gil), é daquelas que não grava nada que não a agrade, e que não tenha sido escolhido com critério e bom gosto. Uma boa prova é Nana Novelas, coletânea que reúne 15 músicas de seu repertório que integraram trilhas de novelas e minisséries globais. Quer algo mais popular do que uma novela global?

No entanto, nenhuma dessas gravações cai no popularesco ou na vulgaridade que algumas canções selecionadas para embalar romances ficcionais possuem. Nada disso. Quando uma gravação da filha de Dorival Caymmi é escolhida, o selecionador sabe que terá em mãos um registro de alta qualidade artística, com belas letras, melodias caprichadas e interpretações daquelas que vem do fundo da alma, sem concessões ao sentimentalismo barato.

O bacana é que Nana tem como tema básico de seu repertório as idas e vindas do amor, um dos setores mais explorados pelos artistas de viés comercial. Em seu caso, ela dá um tratamento classudo ao romance, ao olho no olho, aos suspiros no portão. Difícil ouvir uma interpretação dessa carioca nascida em 29 de abril de 1941 e não ficar com lágrimas nos olhos, pois ela sabe tocar no nervo daqueles corações apaixonados.

O repertório de Nana Novelas traz músicas de trilhas de novelas lançadas pela Globo entre 1977 e 2010. Não coube tudo. Então, maravilhas do porte de Beijo Partido e Doce Presença, por exemplo, ficaram de fora. O consolo é que nenhuma das que entraram pode ser considerada como bicona nesse reino de maravilhas sonoras. Não há um único acorde aqui que não possa proporcionar prazer aos enamorados.

Temos bolero, bossa nova, samba canção e MPB,com arranjos inspirados que vão da utilização de orquestras a momentos intimistas. Duas faixas são duetos, uma com Erasmo Carlos (Não se Esqueça de Mim, de Roberto e Erasmo Carlos), outra com Chico Buarque (Até Pensei, do próprio Chico, cuja presença na faixa não foi creditada no CD).

Só tem autor craque aqui. Milton Nascimento e Ronaldo Bastos (Cais, de arrepiar até zumbi), Ivan Lins e Vitor Martins (Mudança dos Ventos), Agustin Lara (Solamente Uma Vez), Gonzaguinha (De Volta ao Começo), Tom Jobim (Só Em Teus Braços), Aldir Blanc e Cristóvão Bastos (Suave Veneno e Resposta ao Tempo), João Bosco e Aldir Blanc (Quando o Amor Acontece), papai Dorival Caymmi e Carlos Guinle (Não Tem Solução)…

Só faltou um pequeno, porém importante, detalhe para que Nana Novelas merecesse uma nota dez com louvor. O encarte possui apenas quatro páginas, trazendo só o nome das músicas, os autores e de que trilha sonora de novela ou minissérie cada gravação fez parte. Como forma de valorizar o produto físico, a publicação das letras das canções e um texto contextualizando as gravações seria essencial. Apesar disso, trata-se de um disco para se ouvir suspirando de felicidade.

Cais– Nana Caymmi:

Homenagem às mulheres nas serestas de sexta em Sampa

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Por Fabian Chacur

Dia das Mulheres é todo dia, diriam os mais sensatos. Pois o grupo Trovadores Urbanos concorda com esse pensamento. Ao invés de apenas uma data, o grupo musical que está na ativa há 26 anos promoverá cinco em belas homenagens ao sexo nada frágil. Uma já foi, mas as outras quatro serão realizadas nas próximas sextas-feiras de março, respectivamente dias 10 (próxima 6ª), 17, 24 e 31, sempre a partir das 20h e com entrada gratuita. O local é a Casa dos Trovadores (rua Ainberê, nº 651- Perdizes- fone 0xx11-2595-0100- São Paulo-SP).

Com decoração festiva e que inclui um grande painel contendo imagens de mulheres cantoras e compositoras do maior calibre, o repertório das apresentações privilegiará grandes clássicos da nossa música popular, com direito a canções românticas, sambas e marchinhas de carnaval. Os shows fazem parte da programação Serestas de Sexta, realizada há cinco anos no local sempre com presença calorosa do público.

Em seus 26 anos de atividade, os Trovadores Urbanos se consolidaram como um consistente projeto de divulgação musical, que engloba desde serestas encomendadas pelas pessoas até diversos shows especiais, além do lançamento de oito CDs e dois DVDs. Entre as atividades geradas pelo grupo, destaca-se uma de alcance social, o Instituto Trovadores Urbanos, criado em 2010 e que atende cerca de 150 crianças, ensinando música e teatro em Cajamar e Cidade Ademar.

Vídeo com cenas das Serestas de Sextas:

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