Mondo Pop

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Gerson Conrad canta músicas do novo álbum em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Foram precisos apenas dois álbuns, lançados em 1973 e 1974, para que os Secos & Molhados se tornassem um dos grupos de maior impacto da história da música brasileira. Gerson Conrad, um de seus integrantes ao lado de Ney Matogrosso e João Ricardo, seguiu em frente após a separação da formação clássica da banda com uma carreira solo discreta e bacana. Ele lança o CD Lago Azul com show em São Paulo nesta sexta (5) às 21h, no Teatro UMC (Avenida Imperatriz Leopoldina, nº 550- Vila Leopoldina- fone 0xx11-3476-6403), com ingressos a R$ 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira).

Nos Secos & Molhados, Gerson cantava e tocava violão. Compôs apenas duas músicas nos dois discos de estúdio que consagram a banda, Delírio (parceria com Paulinho Mendonça) e antológica Rosa de Hiroshima (poema de Vinícius de Moraes musicado por ele). Em 1975, logo após o fim do trio original, lançou o LP Gerson Conrad e Zezé Motta, em parceria com a cantora e atriz e com letras de Paulinho Mendonça.

O primeiro disco totalmente solo, Rosto Marcado, viria em 1981. Desde então, ficou longe dos estúdios, embora sempre fazendo shows, até chegar a Lago Azul, lançado em CD e em formato digital pela gravadora Deck. O álbum traz 12 composições autorais, escritas por ele em parceria com o fiel parceiro Paulinho Mendonça e também com Alessandro Uccello, Pedro Levitch e Aru Jr.

Além das músicas do novo trabalho, entre as quais Teias, que está sendo divulgada com um clipe muito bacana com cenas registradas durante as gravações do CD e também no centro de São Paulo, Gerson também trará músicas dos S&M. Sua banda, a Trupi, é integrada por Aru Jr. (guitarra e vocal), Chico Weiss (teclados), Fernando Faustino (bateria), Gustavo Aldab (baixo e cello), Kyra Cherry (voz e percussão) e Walter Mourão (guitarra e voz), além dele no vocal principal e violão.

Teias (clipe)- Gerson Conrad:

Chico Buarque tem o primeiro compacto de vinil relançado

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Por Fabian Chacur

Há relançamentos musicais em formato físico que tem como grande atrativo o seu conteúdo artístico. Outros, porém, tornam-se um fetiche para colecionadores, pois não trazem nada além de suas embalagens como atrativos. E esse último é o caso do novo produto colocado no mercado pela Polysom na série Clássicos em Vinil. Em parceria com a Som Livre, eles nos proporcionam uma reedição do 1º disco de Chico Buarque.

Lançado originalmente no formato compacto simples de vinil em 1965 pela hoje extinta gravadora RGE, o single traz as músicas Pedro Pedreiro no lado A e Sonho de Um Carnaval no lado B. Ambas seriam incluídas no LP de estreia do artista, autointitulado e disponibilizado para o público em geral naquele mesmo ano com grande repercussão.

Pedro Pedreiro tem forte conteúdo político, e infelizmente se mostra mais atual do que nunca, com seus versos incisivos “esperando, esperando, esperando o trem, esperando o aumento para o mês que vem, esperando um filho pra esperar também”.

Por sua vez, Sonho de Um Carnaval participou do festival de música da extinta TV Excelsior também em 1965, interpretada por Geraldo Vandré. Não ganhou, mas ao menos conquistou o coração do artista nordestino, que a gravaria posteriormente.

O bacana do compacto simples é a sua capa vintage, indicando a rotação (33 RPM), com tipologia estilosíssima e uma foto do artista novinho, ainda na altura de seus 20 anos de idade. Garanto que os fanáticos pelo grande astro da MPB adorariam ter esse item em sua coleção, nem que seja apenas para decorar sua parede ou estante.

Pedro Pedreiro– Chico Buarque:

Lô Borges resgata um de seus álbuns clássicos em belo DVD

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Por Fabian Chacur

Em 1972, com apenas 20 anos de idade, Lô Borges surpreendeu aos fãs de música brasileira ao lançar dois trabalhos que com o tempo seriam consagrados como antológicos. Um é Clube da Esquina, álbum duplo que gravou em parceria com o amigo e mentor Milton Nascimento. Outro, um álbum solo autointitulado hoje mais conhecido como “Disco do Tênis”. Hoje curtindo a maturidade de seus 66 anos, ele resgata o repertório desses dois trabalhos seminais no DVD Tênis+Clube- Ao Vivo No Circo Voador, lançado pela gravadora Deck. Desde já, um dos grandes lançamentos deste 2018. Sublime é pouco!

Lô Borges marcou sua trajetória musical como autor de algumas das mais belas e enigmáticas canções do repertório pop brasileiro. Misturando com maestria folk, rock, country, MPB e experimentalismo, ele rapidamente se firmou como um dos grandes nomes a despontar do time de craques capitaneados por Milton Nascimento que recebeu o nome geral de Clube da Esquina. Se não fez tanto sucesso como o Bituca ou mesmo Beto Guedes, ele possui porte artístico compatível.

Em sua belíssima discografia, repleta de grandes momentos, o “Disco do Tênis” (ouça aqui) é certamente um dos mais badalados. O repertório do novo DVD do cantor, compositor e músico mineiro traz as 15 faixas daquele álbum (tocadas em ordem diferente da do LP original), as oito assinadas por Borges em Clube da Esquina e Para Lennon e McCartney, uma das primeiras composições dele a serem gravadas, mais precisamente por seu mestre e amigo, no LP Milton (1970).

Gravado ao vivo no Circo Voador (RJ) no dia 23 de março, o DVD nos traz um show sóbrio e elegante em termos visuais, sem grandes efeitos ou elementos cenográficos. O foco é todo na parte musical do espetáculo, e aí estamos diante da total e completa excelência, a começar pelos seis músicos selecionados por Lô, que toca guitarra, violão e caxixi, além de cantar com uma voz deliciosamente madura.

O capitão do time é Pablo Castro (vocal, piano, violão, guitarra), que além de ser o diretor musical da coisa toda ainda dá um banho de sensibilidade e talento ao reproduzir com rara competência os vocalizes feitos por Milton Nascimento na gravação original de Clube da Esquina Nº 2. Aliás, o projeto foi levar ao palco os arranjos originais gravados nos álbuns de 1972, e a missão não poderia ter sido melhor cumprida.

Além de Pablo, integram a banda os excelentes Gui de Marco (guitarra, violão, percussão e vocais), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocais), D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais), Dan Oliveira (guitarra, violão, percussão e vocais) e Alê Fonseca (teclados e programações), um elenco que não se preocupou apenas em “tocar igualzinho”, mas sim de trazer para o palco a emoção contida em cada uma dessas canções admiráveis.

Tocando perante um Circo Voador lotado e com plateia gritando “Lô, eu te amo” desde o início, o mestre mineiro da canção esbanja simpatia, evidente timidez e emoção em músicas divinas como Você Fica Melhor Assim, Pensa Você, Aos Barões, Canção Postal, Tudo Que Você Podia Ser, Nuvem Cigana, Paisagem da Janela… São 78 minutos de puro prazer, um belo culto a canções que equivalem a um verdadeiro bálsamo sonoro em tempos tão difíceis como os atuais.

Clube da Esquina Nº2 (ao vivo)- Lô Borges:

Solano Ribeiro relembra MPB e belas histórias dos festivais

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Por Fabian Chacur

Quem começa a pesquisar sobre a era dos festivais chegará infalivelmente no nome de Solano Ribeiro. E não é para menos. Esse produtor de TV, rádio e publicidade teve participação fundamental nos principais eventos ligados ao tema no Brasil, dos anos 1960 aos dias de hoje. Em 2003, lançou Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, livro relançado agora em edição revista e atualizada pela Kuarup. A noite de autógrafos em São Paulo será nesta terça (18) a partir das 19h na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (avenida Paulista, 2.073- fone 3170-4033). No Rio de Janeiro, vai rolar no dia 2 de outubro (terça) na Livraria da Travessa do Leblon (avenida Afrânio de Melo Franco, nº 290- loja 205- fone 0xx21-3138-9600).

Solano Ribeiro nasceu em 1939, e começou sua trajetória no meio artístico na segunda metade da década de 1950, estudando e atuando em teatro e também integrando o grupo The Avalons, um dos pioneiros do rock paulistano. Logo se envolveu na produção de shows musicais e também de programas de TV e festivais televisivos. O seu trabalho nos festivais das TVs Excelsior, Record e Globo foi decisivo, especialmente nos aspectos criativos e organizacionais.

Com um texto na primeira pessoa bastante fluente, franco e direto, ele narra suas experiências nessa era de enorme criatividade na música brasileira. Do namoro com Elis Regina aos bastidores dos eventos, histórias que envolvem nomes que ajudou a impulsionar, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Edu Lobo e tantos outros. Ficamos sabendo também dos arranjos políticos, das lutas de egos, dos altos e baixos, das idas e vindas.

Dono de um temperamento forte que se evidencia em cada página de seu livro de memórias, Solano certamente deve ter desagradado alguns colegas com certas opiniões, mas demonstrou coragem ao colocar no papel as suas ideias e visões sobre cada evento no qual se envolveu. Nem mesmo nomes incensados por alguns, como o radialista e jornalista Zuza Homem de Mello e o empresário Paulinho Machado de Carvalho, da TV Record, escaparam da sua pena afiada.

Lógico que temos também momentos muito bem-humorados, incluindo até mesmo uma longa descrição de um affair amoroso de Solano com direito a detalhes eróticos. Suas lembranças gastronômicas também ocupam diversas páginas, assim como viagens e trabalhos não só em festivais, mas também em especiais feitos para TV no Brasil e na Alemanha, atuação em rádio, publicidade etc. Um profissional sempre inquieto, criativo e combativo em sua longa e produtiva trajetória.

Nas páginas de Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, viajamos por um tempo incrível repleto de realizações, criatividade e também com direito a frustrações e fracassos. O legal é saber que Solano nunca desistiu de lutar pela criação de espaços para a MPB, sigla que, por sinal, ele afirma ter criado. Mais na ativa do que nunca, ele apresenta o programa de rádio Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil, criou o prêmio Cata-Vento, que premia os melhores da produção independente musical, além de criar o portal www.solanoribeiro.com.br . Sua história ainda irá longe, pelo andar da carruagem!

Solano Ribeiro fala sobre Festival de 1968:

Ricardo Bacelar lança o single com a parceria com Belchior

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Por Fabian Chacur

Em 1996, Ricardo Bacelar se incumbiu dos arranjos e direção musical do álbum Vício Elegante, de Belchior, do qual já era amigo e com o qual já havia dividido o palco em algumas ocasiões. No CD, dedicado a releitura de composições alheias, só tínhamos uma composição inédita, a faixa-título, parceria do autor de Paralelas com Bacelar, belo pop-rock com letra refinada e melodia precisa (ouça aqui).

Como forma de ao mesmo tempo homenagear o grande mestre cearense, que nos deixou em 2017 aos 70 anos, e também resgatar uma bela canção, Bacelar acaba de lançar um single com a sua releitura de Vício Elegante. Além de sua voz e piano, temos um envolvente arranjo de cordas assinado pela produtora da gravação, a consagrada Delia Fischer. Desta vez, a canção surge com um arranjo mais introspectivo e denso, com bela interpretação de Bacelar.

Vale lembrar que Belchior participou da faixa Tempos de Liberdade, incluída no primeiro disco solo de Ricardo Bacelar, In Natura (2001), após seus cerca de dez anos como integrante do grupo Hanói Hanói ao lado de Arnaldo Brandão. Ele lançou recentemente o excelente CD Sebastiana (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Vicio Elegante– Ricardo Bacelar:

Fred Falcão mostra o seu lado regional no CD Ser Tão Brasil

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Por Fabian Chacur

Após lançar o antológico álbum Leny Andrade Canta Fred Falcão-Bossa Nossa (leia a resenha aqui), o cantor, compositor e músico Fred Falcão volta com outro trabalho digno de ser devidamente apreciado. Trata-se de Ser Tão Brasil- Canções de Fred Falcão (Fina Flor), no qual traz como mote o lado mais regional de sua inspiração, ele que é pernambucano de Recife e radicado há décadas no Rio de Janeiro. Mais brasileiro, impossível.

Compositor inspirado e versátil, Fred foi gravado por artistas de áreas bem distintas, como Clara Nunes, Boca Livre, Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga e Os Cariocas, entre outros. É exatamente essa capacidade de enveredar por vários estilos musicais com jogo de cintura que ele nos apresenta neste novo CD, no qual também dá vasão ao seu lado cantor e se mostra muito competente nessa área, dando conta do recado.

Inteligente, deu um espaço significativo no álbum para um bom valor da nova geração, a cantora Mariana Brant, sobrinha do grande e saudoso poeta mineiro Fernando Brant, um dos melhores parceiros de Milton Nascimento. Ela marca presença em cinco das doze faixas do álbum, emprestando a elas seu tom doce e bem utilizado, com destaque para as envolventes Valsa Sertaneja, Ser Tão Brasil e Faca de Ponta. A moça prova ter um ótimo potencial que tem tudo para gerar belos frutos.

Além de Mariana, o álbum traz outras presenças importantes. Entre outros, temos aqui Rildo Hora (harmônica), Elias Muniz (vocal), Manno Góes (vocal), Dirceu Leite (flauta e clarinete), Jaime Alem (viola caipira e viola 12 cordas), Lula Galvão (violão e guitarra), Jorge Helder (baixo), Jurim Moreira (bateria) e Marcelo Costa (percussão). Os arranjos e regências foram divididos por João Carlos Coutinho e Geraldo Vianna, com resultado expressivo e classudo.

O repertório passa por bolero, baião, xote, toada, canções e bossa nova, esta última a especialidade de Fred, que assina todas as músicas. Entre seus parceiros, temos aqui Antônio Cícero, Manno Góes, Elias Muiz, Aluizio Reis, Carlos Henrique Costa e Ronaldo Monteiro de Souza.

As envolventes melodias foram aliadas a letras impecáveis, versando sobre as várias vertentes do amor, memórias bacanas e impressões sobre o Brasil, com direito à citação de ícones da nossa música como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Altamiro Carrilho e Ademilde Fonseca.

Ser Tão Brasil equivale a uma deliciosa viagem por um universo musical oriundo da abençoada mestiçagem brasileira, fundindo ritmos e estilos e dando origem a uma sonoridade própria, típica da nossa terra e rica por natureza. E fica o registro: intérpretes talentosos/talentosas e de bom gosto em busca de músicas de qualidade deveriam procurar Fred Falcão urgente, pois o seu songbook não só é repleto de coisas boas, como também se renova e se amplia a olhos vistos.

Ser Tão Brasil– Fred Falcão e Mariana Brant:

Alaíde Costa e Toninho Horta fazem 4 shows em São Paulo

Toninho Horta e Alaíde Costa -foto Geraldo Rocha-400x

Por Fabian Chacur

A amizade entre Alaíde Costa e Toninho Horta teve início entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970, nos bons tempos do Clube da Esquina. Em 2011, o produtor Geraldo Rocha teve a ideia de reuni-los, projeto que se concretizou em 2015 com o lançamento do elogiado álbum Alegria é Guardada em Cofres Catedrais. A dupla estará em São Paulo para shows de quinta a domingo (9 a 12), sempre às 19h15, na Caixa Cultural São Paulo (Praça da Sé, nº111- Centro- fone 0xx11-3321-4400), com entrada gratuita.

Alaíde Costa tornou-se conhecida do grande público na fase inicial da bossa nova, e se firmou como uma das elogiadas intérpretes da nossa música. Por sua vez, Toninho Horta apresentou seu talento como cantor, guitarrista, violonista e compositor ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges e companhia bela. Em 1972, Alaíde participou do seminal álbum Clube da Esquina, em estupenda regravação de Me Deixa Em Paz (Monsueto) ao lado do Bituca. Horta também marcou presença nesse álbum clássico da música brasileira e mundial.

Alegria é Guardada em Cofres Catedrais, o CD, traz basicamente um resgate de clássicos dos anos 1960 e 1970 dos geniais compositores mineiros, entre os quais Travessia, Outubro, Beijo Partido, Nascente, Sol de Primavera e Tudo o Que Você Podia Ser. Também entrou no repertório Sem Você (Tom e Vinícius), que Horta afirma ter sido a primeira música que ouviu na voz de Alaíde, faixa de seu álbum Alaíde Joia Moderna, lançado em 1961 e com o genial Baden Powell no violão.

O show será em um formato bem intimista, com Alaíde cantando e Toninho se alternando entre violão e guitarra. Ambos também tem projetos individuais sendo concretizados. No caso do músico mineiro, um songbook com o melhor de sua bela produção musical. Já Alaíde lançará em breve o seu primeiro DVD, em parceria com o Canal Brasil. Também teremos no futuro um documentário registrando a parceria histórica entre esses dois grandes artistas.

Tudo Que Você Podia Ser– Alaíde Costa e Toninho Horta:

Vânia Bastos volta a SP com a homenagem a Pixinguinha

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Por Fabian Chacur

Desde sua estreia, em abril de 2013, o show Concerto Para Pixinguinha, de Vânia Bastos e Marcos Paiva, não só passou por palcos nobres e plateias idem como também gerou o elogiadíssimo CD homônimo (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Com novo cenário e figurinos, o espetáculo volta a São Paulo nesta terça(7) às 21h no Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, nº 740- Campos Elísios- fone 0xx11-3226-7300), com ingressos custando de R$ 30,00 a R$ 80,00.

O show, assim como o CD, oferecem ao público uma caprichada seleção de clássicos do repertório de Pixinguinha (1897-1973), um dos nomes mais importantes da história da nossa música popular, dono de uma obra densa e deliciosa. Aquela incrível combinação de letras poéticas e melodias que, embora sofisticadas, tem o eterno dom de cativar os ouvintes de todas as faixas etárias e classes sociais. Vânia e Paiva souberam reler essas canções com reverência e ousadia.

Vânia terá a seu lado no show o Marcos Paiva Quarteto, integrado por seu experiente líder no contrabaixo, arranjos e direção musical, Cesar Roversi (sax tenor e soprano, clarinete e flauta), Jônatas Sansão (bateria) e Nelton Essi (vibrafone). Canções como Rosa, Carinhoso, Isso É Que É Viver e Urubu Malandro são alguns dos destaques. O CD foi lançado pelo selo Conexão Musical, de Fran Carlo e Petterson Melo, em parceria com a gravadora Atração Fonográfica.

Após ter se destacado na primeira metade dos anos 1980 como integrante da célebre banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, Vânia Bastos lançou seu primeiro álbum solo em 1986. Desde então, firmou-se como intérprete talentosa e de muito bom gosto na seleção de repertório, dedicando projetos a Edu Lobo, Tom Jobim, Caetano Veloso, Clube da Esquina e Pixinguinha, firmando-se como dona de uma das mais consistentes carreiras entre as melhores cantoras brasileiras.

Concerto Para Pixinguinha- Vânia Bastos e Marcos Paiva:

Joyce Moreno relê seu álbum de estreia de forma sublime

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Por Fabian Chacur

Como forma de comemorar seus 50 anos de carreira e 70 de vida, ambas muito bem vividas, Joyce Moreno teve uma ideia bem interessante. A cantora, compositora e violonista carioca resolveu regravar na íntegra o seu álbum de estreia, lançado em 1968 e autointitulado. Uma forma de concretizar aquele pensamento que às vezes temos, do tipo “como eu teria feito o que fiz aos 20 anos com a maturidade de hoje?” O resultado é o CD 50, lançado pela Biscoito Fino.

Joyce, o álbum, equivale a uma estreia promissora, mas com algumas arestas, especialmente se levarmos em conta o que essa incrível artista faria nos anos posteriores ao seu lançamento. Os arranjos orquestrais são classudos, mas nem sempre adequados, e sua voz soava afinada, mas sem a personalidade e a forte assinatura própria que os anos de estrada bem aproveitados lhe proporcionariam. De quebra, com seu violão sem destaque, só como pano de fundo.

Em 50, o excelente repertório do disco de 1968 recebe um tratamento mais minimalista, embora sofisticado e criativo, tendo como estrutura básica a incrível banda que a acompanha há muitos anos, formada por ela na voz e violão, o marido Tutty Moreno na bateria, Rodolfo Stroeter no contrabaixo e Hélio Alves no piano. Um time entrosadíssimo que se entende perfeitamente, com muito swing e sem nunca pecar pelo excesso. As canções mandam, sempre.

Temos também diversos convidados especiais que se encaixam feito luva nas faixas das quais participam. Gente do porte de Francis Hime, André Mehmari, Marcos Valle, Danilo Caymmi, Roberto Menescal, Zélia Duncan, Fabio Peron e Pedro Miranda. Em quatro faixas, Joyce deixa seu icônico violão de lado e se concentra nos vocais, dando aos convidados a tarefa de assinar esses arranjos musicais.

O resultado mescla bossa nova, samba, chorinho e canções com sutileza, categoria, swing e aquele jeito solto que marca o melhor da obra da autora de Feminina, Mistérios e tantos outros clássicos da MPB. Composições próprias como Não Muda Não e Me Disseram convivem bem com canções de então jovens amigos como Paulinho da Viola, Toninho Horta, Francis Hime, Marcos Valle e Ruy Guerra.

Há momentos particularmente arrepiantes, como Anoiteceu, parceria de Francis Hime e Vinícius de Moraes lançada naquele álbum de estreia e que faria sucesso em 1978, quando Hime a regravou em seu álbum Passaredo e a mesma entrou na trilha de novela global Sinal de Alerta, e Bloco do Eu Sozinho, de Marcos Valle e na qual o autor faz uma participação simplesmente perfeita nos teclados e arranjo.

No papel de faixas-bônus, temos duas composições inéditas que trazem em suas letras uma espécie de diálogo com a Joyce de 1968 e uma declaração de intenções da atual Joyce Moreno. A primeira é Com o Tempo, parceria dela com Zélia Duncan e belo dueto dessas talentosas artistas. A segunda, que fecha o álbum, é a irresistível A Velha Maluca, na qual a artista esbanja bom humor e deixa claro que ainda vem muita coisa pela frente. Como duvidar disso?

No fim das contas, 50 serve como bela recriação para aquele primeiro LP, mostrando ao mesmo tempo um presente incrível apontado para um futuro que promete muita coisa boa. Sem nunca ter se traído em termos artísticos, Joyce Moreno construiu uma carreira respeitada no Brasil e no exterior. Quem apostou naquela talentosa menina de 1968, como o saudoso Vinícius de Moraes, deve se orgulhar dessa trajetória repleta de luz e som do bom. Que bela “Velha Maluca” de responsa aquela jovem morena promissora se tornou!

Bloco do Eu Sozinho– Joyce Moreno:

Izzy Gordon mostra seu novo álbum com show em Sampa

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Por Fabian Chacur

A garota tem sangue nobre na área musical. Filha do excelente cantor Dave Gordon, sobrinha da inesquecível Dolores Duran… No entanto, a moça em questão, a cantora Izzy Gordon, há muito dispensa esses atributos como forma de ser reconhecida, pois seu talento gerou belos frutos nessas mais de três décadas de carreira. Ela mostra em São Paulo o seu novo trabalho, o álbum Pra Vida Inteira, com show nesta quinta (2) às 21h no Sesc 24 de Maio (rua 24 de Maio, nº 109- Centro- fone 0xx11-3350-6300), com ingressos de R$9,00 a R$ 30,00.

Pra Vida Inteira, já disponível nas principais plataformas digitais, é o quarto álbum solo de Izzy, cuja carreira começou a deslanchar após sua participação com destaque no premiado musical Emoções Baratas, dirigido no fim dos anos 1980 pelo diretor José Possi Neto. O trabalho traz oito faixas, sendo cinco inéditas e três releituras.

As recriações são Lata D’Água, hit de Elza Soares, Boa Noite, de Djavan, e Ideias Erradas, parceria de Dolores Duran com J. Ribamar. Entre as inéditas, temos Together, parceria dela com seu diretor musical neste trabalho, o excelente tecladista e arranjador Rogerio Rochlitz. A mixagem e gravação do álbum ficaram a cargo de outro cara talentoso e experiente, Alexandre Fontanetti.

No show desta quinta, Izzy terá a seu lado os músicos que gravaram com ela: Rogerio Rochlitz (teclados), Gilberto de Syllos (baixo) e Thiago Silva (bateria). Farão participações especiais o cantor Tony Gordon, irmão da intérprete, e o lendário trombonista Bocato. Bom elenco para acompanhar uma cantora que já recebeu elogios de Bono (com o qual até deu uma canja) e Quincy Jones.

Lata D’Agua/Pra Vida Inteira– Izzy Gordon:

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