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Tag: música instrumental brasil

Léa Freire e Amilton Godoy em show com a Orquestra Jovem TJ

Amilton Godoy e Léa Freire AMT 362 foto de Paulo Rapoport-400x

Por Fabian Chacur

A parceria entre os consagrados e talentosos músicos Amilton Godoy e Léa Freire é das mais prolíficas, sempre rendendo novos e suculentos frutos. Os mais recentes serão oferecidos ao público paulistano nesta sexta (22) às 20h e domingo (24) às 11h no Theatro São Pedro (rua Barra Funda, nª 171- Barra Funda- fone 0xx11-3661-6600), com ingressos a R$ 20,00. Eles farão os shows com a Orquestra Jovem Tom Jobim, criada em 2001 e especializada em releituras instrumentais de clássicos da nossa música. Além de acompanhar a dupla, a orquestra também interpretará composições de Milton Nascimento, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. A regência ficará a cargo do maestro Tiago Costa.

Léa e Amilton já lançaram dois elogiados CDs, Amilton Godoy e a música de Léa Freire (2013) e A Mil Tons (2017). Leia mais sobre a parceria dos dois aqui.

O nome do pianista, compositor e produtor Amilton Godoy entrou com força no cenário musical durante a primeira metada da década de 1960, como integrante do Zimbo Trio. Este combo foi certamente um dos mais importantes, influentes e bem-sucedidos da história da música instrumental brasileira, além de também ter acompanhado diversos artistas, entre os quais Elis Regina. Além disso, ele também criou em São Paulo a importante escola de música CLAM, e atualmente investe no trabalho com o seu Amilton Godoy Trio.

Por sua vez, a flautista, compositora e produtora Léa Freire possui um currículo recheado, com direito a uma discografia solo que teve início em 1997 com o CD Ninhal e também inclui trabalhos com o grupo Vento em Madeira. Ela compôs com a consagrada cantora, compositora e violonista Joyce Moreno músicas como Casa da Sogra, Cruzes e Frevo, e de quebra ainda criou o selo Maritaca, que nos últimos 22 anos lançou mais de 25 títulos (leia mais sobre a Maritaca aqui).

Choro (ao vivo)- Léa Freire e Amilton Godoy:

Sallaberry lança novo álbum com som instrumental e amigos feras

roberto sallaberry capa cd 400x

Por Fabian Chacur

Roberto Sallaberry é um baterista, produtor e compositor brasileiro com mais de 30 anos de carreira. Sua trajetória é repleta de trabalhos bacanas envolvendo a música, incluindo uma carreira solo que proporcionou a ele parcerias com gente do mais alto calibre, entre os quais Billy Cobham, Dennis Chambers, Airto Moreira e Robertinho Silva. E essas parcerias se ampliam a cada novo ano, como comprova seu oitavo CD, o excelente e recém-lançado Rhythm Of The Spirits, creditado (não por acaso) a Sallaberry And Friends. Um elenco de amigos da maior qualidade artística.

A música instrumental é a especialidade deste músico brasileiro radicado nos EUA desde 2014. Sua sonoridade tem como base o jazz rock à brasileira, com direito a muita diversidade e mergulho em diversas vertentes da nossa música, do jazz, do rock, latinidades e o que mais pintar. Seu arsenal percussivo dá o tom, mas a essência deste trabalho surge essencialmente do diálogo entre ele e seus convidados, em um bate-bola sonoro que nos leva a viagens sensoriais daquelas sem contraindicações ou possíveis restrições. Consuma sem limites.

Temos 15 faixas, com coprodução musical e mixagem a cargo do consagrado Guilherme Canaes, conhecido por ter trabalhado com Ivan Lins e George Benson, entre muitos outros. Marcam presença no álbum feras como Derico Sciotti (flauta), Fernando Moura (piano acústico), Marcos Romera (teclados), Chico Wilcox (baixo), Sandro Haick (guitarra, teclados e percussão), Ed Côrtes (saxofone), Michel Freidenson (teclados), Fúlvio Oliveira (guitarra), Mauríico Marques (teclados), Marco Bosco (percussão, samples e beatbox) e outros.

As gravações foram feitas valendo-se do recurso E-Rec, que permitiu aos “parças” de Sallaberry enviarem suas participações e arranjos via internet, para que fossem agregadas às gravações do capitão dessa verdadeira celebração sonora. O resultado é incrível, dando a impressão de que tudo foi gravado com os músicos no mesmo ambiente, sem a eventual frieza que gravações desse tipo vez por outra proporcionam. A performance dos músicos agrada em cheio.

Difícil citar só algumas faixas, mas para não ficar em cima do muro, vale destacar a faixa-título, Winds From The East, Dennis, Baião de Dois, Voices, Friends, Missing Brazil e Senzala como pontos altos. A última faixa, Rhythm Of The Spiritis II (immersive audio), tem o recurso de 3D audio, e proporciona ao ouvinte que a conferir em fones de ouvido uma verdadeira imersão em seu ritmo tribal e hipnótico. Um CD que celebra a música como um todo.

Veja entrevista de Sallaberry:

Bixiga 70 destila grooves com categoria em Quebra-Cabeça

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Por Fabian Chacur

Durante algum tempo no Brasil, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, música instrumental era quase que sinônimo de sonoridades intrincadas e melhor entendidas por estudiosos do que pelo público em geral. Nada contra, mas fazia falta quem se dedicasse a investir em um som sofisticado, mas sem perder o groove jamais. E é exatamente esta a marca registrada do excepcional grupo paulistano Bixiga 70, que nos oferece outro petardo, o CD Quebra-Cabeça, lançado pela gravadora Deck em parceria com o selo Traquitana.

O Bixiga 70 surgiu lá pelos idos de 2010, quando o tecladista Maurício Fleury reuniu uma turma de músicos que frequentavam e atuavam no estúdio Traquitana, situado na rua 13 de Maio, nº 70, no tradicional bairro paulistano do Bixiga, para gravar a música Grito de Paz. Como ele me disse em entrevista, “íamos gravar apenas uma música, e acabamos criando uma banda”. Melhor para eles e melhor para nós.

O time é integrado por Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Cris Scabello (guitarra), Mauricio Fleury (teclado e guitarra), Rômulo Nardes e Gustávo Cék (percussão), Cuca Ferreira (sax barítono), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete). Embora todos sejam craques em seus respectivos instrumentos, eles jogam sempre em função do grupo, sem exibicionismos tolos. O resultado final sempre fala mais alto.

Quebra-Cabeça é o quarto álbum dessa intrépida trupe, e mostra que o entrosamento e a criatividade deles continua com forte viés de alta em termos qualitativos. Aqui, o que manda é o groove, o balanço, o diálogo democrático entre os instrumentos, resultando em uma massa sonora deliciosa de se ouvir e deliciosa de se ter como trilha sonora para dançar até a sola do sapato, sapatilha, tênis etc se desgastar por completo.

Os elementos utilizados na mistura são diversos, especialmente afrobeat, rock, soul, funk de verdade, latinidade a la Carlos Santana, jazz, música brasileira em geral e temperos que a gente nem consegue definir, de tão refinados. Não é de se estranhar que eles tenham no currículo shows pelos quatro cantos do mundo, incluindo participações marcantes em festivais de música como Glastonbury (Inglaterra) Roskilde (Dinamarca) e Womad Austrália/Nova Zelândia.

O álbum traz 11 faixas, todas muito boas, a começar da hipnótica faixa título, divulgada com um clipe que se vale como cenário do estúdio Traquitana e de pontos bacanas do Bixiga. Psicodelia, latinidade, afro-jazz, chame como quiser. Ilha Vizinha, Primeiramente, Camelo, Areia, Pedra de Raio, é uma faixa melhor do que a outra. Do Brasil para o mundo, um som capaz de energizar até zumbis. Ouça sem moderação.

Quebra-Cabeça (clipe)- Bixiga 70:

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