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Freedom (1989), o álbum que trouxe Neil Young de volta ao lar

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Por Fabian Chacur

Neil Young sempre teve como marca registrada a imprevisibilidade. Em seus mais de 50 anos de trajetória artística, este cantor, compositor e músico canadense nunca teve medo de arriscar mudanças repentinas nos rumos de sua música. Muito produtivo e com uma quantidade enorme de itens em sua discografia, ele tem alguns trabalhos que se sobressaem por sua importância artística e estilística, e um deles, Freedom, está celebrando 30 anos de seu lançamento.

A década de 1980 foi certamente o período mais conturbado e menos popular da carreira do astro canadense. Ele iniciou essa era com um álbum bastante irregular, Re-Ac-Tor (1981). Logo após, saiu da gravadora Reprise para entrar na Geffen Records, onde ficou até 1987. Logo na estreia, assustou a todos ao apresentar Trans (1982), um mergulho inusitado na música eletrônica que não atraiu a atenção do público e não entusiasmou a crítica.

A partir daí, Young atirou para diferentes direções musicais. Rockabilly em Everybody’s Rockin’ (1983), country tradicional em Old Ways (1985) e rock básico com sonoridade modernosa em Landing On Water (1986) e Life (1987). O resultado comercial piorou de disco pra disco, o que gerou uma reação absolutamente absurda por parte da gravadora criada e dirigida pelo polêmico e bem-sucedido empresário David Geffen.

Ele simplesmente resolveu processar Neil Young, alegando que o artista estaria lançando discos totalmente fora de sua sonoridade habitual simplesmente para prejudicar a Geffen Records. O executivo perdeu a disputa, mas ficou nítido que não havia mais clima para que o criador de Harvest (1972) ficasse por lá.

Em 1987, de volta à Reprise (parte do conglomerado Warner), Neil reestreia na gravadora com outro disco improvável, This Note’s For You, no qual é acompanhado por uma banda de sonoridade blues/rhythm and blues com direito a sessão de metais e tudo. A faixa-título, ironizando o mundo da música e da relação com seus patrocinadores, consegue alguma repercussão, mas mantém o artista na parte mais baixa das paradas de sucesso.

Volta às raízes e bom resultado comercial

É neste cenário que Neil Young começa a trabalhar em um novo álbum. Em entrevistas dadas na época de lançamento, ele explicou suas intenções com esse lançamento: “Eu quis fazer um álbum Neil Young per se, sem assumir nenhum outro personagem que não eu mesmo; o produto final é quase como ouvir o rádio, que se mantém mudando e indo de uma coisa para outra”.

E foi exatamente isso o que ele fez. Trata-se do primeiro álbum de Neil Young evidentemente concebido especialmente para o formato CD, pois ultrapassa os 60 minutos de duração em suas 12 faixas. Nele, nada de incursões em sonoridades nunca antes experimentadas pelo artista.

No entanto, a diversidade de sons e de climas prevalece, assim como a inspiração das composições, prova de que valeu a pena ficar um tempão longe de sua “casa musical”, pois quando enfim voltou, o cara sentia saudades…

Fórmulas são reutilizadas em todo o álbum, sendo a mais evidente usar a mesma música na abertura e no encerramento, em versões acústica e elétrica, tal qual havia feito em Rust Never Sleeps (1979). Só que, desta vez, Rockin’ In The Free World se mostra mais maleável para a tarefa do que Hey Hey My My/My My Hey Hey, ficando ótima tanto na leitura voz e violão (gravada ao vivo em show em Long Island, EUA) quanto na elétrica e visceral que fecha o disco.

Rockin’ in The Free World tem uma letra que flagra o horror do mundo moderno em cenas como a de uma jovem mãe, que odeia o que fez com sua própria vida, abandonando o filho recém-nascido em uma lata de lixo, “mais uma criança que nunca irá à escola, nunca se apaixonará, nunca será cool”.

Rapidamente, tornou-se um verdadeiro hino do rock, e provavelmente a canção mais popular da carreira de Neil Young, sendo tocada ao vivo por artistas tão distintos como Pearl Jam, Bon Jovi, Suzy Quatro e G3.

Do folk romântico ao rock ardido

Duas das faixas incluídas em Freedom haviam sido gravadas para This Note’s For You, mas ficaram de fora. A hipnótica e longa Crime In The City (Sixty To Zero Part I) equivale a outra polaroide urbana, com direito a uma visão irônica de um produtor de discos que pede a seu assistente que lhe arrume um compositor “que tenha fome e seja solitário, e também me traga um cheeseburger e a nova edição da revista Rolling Stone”.

A outra dessa origem é a maravilhosa Someday, uma balada com tempero r&b cuja letra explora as várias possibilidades de finalizar uma situação que seu título (algum dia, em tradução livre) sugere, sendo o mais belo o da estrofe final: “abrace-me, querida, ponha seus braços em volta de mim, dê-me todo o amor que você tiver para me dar, amanhã poderá ser tarde, nós não temos de esperar por algum dia, não temos que esperar por algum dia”.

Vale registrar que mesmo em uma faixa tão bela e lírica, Young guarda lugar para pequenas passagens irônicas, como em uma estrofe sobre pregadores religiosos de TV e outra refente a trabalhadores em gasodutos, ambas com direito a corais, um reproduzindo a alucinada pregação dos pastores e outro o canto dos trabalhadores. O efeito é delicioso. A rádio Eldorado FM, em São Paulo, tocava Someday em sua programação, naquela época.

Ecos de Harvest e Comes a Time

Freedom oferece aos fãs de Neil Young algumas canções com ecos do trabalho mais melódico do artista em álbuns clássicos como Harvest (1972) e Comes a Time (1978). A estrela Linda Ronstadt, que participou dos megahits Heart Of Gold e Old Man, marca presença em duas maravilhas deste álbum.

No melhor esquema vozes e violão, Young e Ronstadt nos oferecem harmonizações vocais deliciosas e muita delicadeza na puramente folk Hangin’ on a Limb. Com outros músicos no acompanhamento, The Ways Of Love tem uma pegada mais country e traz como marca genial o arranjo baseado no Bolero de Ravel para o refrão, além da pedal steel guitar do iluminado Ben Keith.

Músicos que fizeram toda a diferença

Para acompanhá-lo neste álbum seminal, Neil Young convocou gente do mais alto gabarito. A cozinha rítmica é integrada por Chad Cronwell (bateria) e o saudoso Rick The Bass Player Rosas (baixo-1949-2014), que se mostram uma parceria sólida, consistente e versátil, encarando com categoria as diferenças rítmicas existentes durante todo o álbum.

Quando precisou de um segundo guitarrista, Young se valeu do talentoso Frank Poncho Sampedro, do grupo Crazy Horse, que também se incumbiu dos teclados. E temos também outro cara saudoso, Ben Keith (1937-2010), que além de sua marca registrada, a pedal steel guitar, também se incumbe do sax alto.

Completa o time o produtor e técnico de som Niko Bolas, que ao lado de Neil Young forma uma dobradinha batizada por eles como The Volume Dealers, com direito a logotipo próprio e tudo, parceria que rendeu muita coisa boa.

Faixas longas, homenagem a Jimi Hendrix…

Uma das grandes virtudes de Freedom é não entediar o ouvinte em momento algum. Na pesadíssima Don’t Cry, por exemplo, temos uma intencional ou não homenagem a Jimi Hendrix, pelo fato de o andamento e o arranjo lembrarem o de Voodoo Chile (Slight Return), do genial guitarrista. Uma porrada!

Longa e elaborada, Eldorado demonstra influência flamenca e traz ecos de faixas do artista dos anos 1970 como Cortez The Killer. Aliás, Eldorado saiu inicialmente em um EP que leva seu nome lançado apenas no Japão e na Austrália em abril de 1989, que trazia as faixas Don’t Cry, On Broadway e Eldorado e duas que não entraram em Freedom, Heavy Love e Cocaine Eyes.

No More também possui longa duração, por volta de seis minutos, e uma sonoridade intrigante, algo como um rock levemente ardido com um delicioso e cristalino riff de guitarra. A letra envolve a questão das drogas e da dificuldade não só de abandoná-las como também de substituir o lado bom de seu efeito por algo mais saudável e melhor.

Um belo cover e o momento mais rural

A única faixa que não leva a assinatura de Neil Young é a clássica On Broadway, obra dos lendários compositores Jerry Leiber, Mike Stoller, Barry Man e Cynthia Weil, lançada com sucesso pelo grupo vocal The Drifters em 1963 e cuja melhor gravação foi feita por George Benson no ao vivo Weekend In L.A. (1978).

A versão de Young é pesadíssima, com o apoio preciso de Rosas e Sampedro na cozinha e ele soltando o verbo na guitarra, em uma das melhores performances dele nesse instrumento durante todo o álbum.

A delicada Wrecking Ball, em tom menor, equivale a um momento no qual o astro canadense de certa forma investe em uma levada próxima da bossa nova, com um resultado incrível. E o lado mais caipira do álbum fica por conta de Too Far Gone, com todo aquele jeitão de country de Nashville dos tempos mais antigos.

Um disco de ouro após dez longos anos

Em termos de posição na parada de sucessos Freedom não voou tão alto, atingindo apenas o 35º lugar na lista apurada pela revista Billboard. Mas sua vendagem foi sólida, proporcionando ao roqueiro o seu primeiro disco de ouro em dez anos. O último havia sido em 1979, com o álbum ao vivo Live Rust.

Um grande e influente retorno à forma

Se as experiências que fez com outros ritmos e sons no período entre 1981 e 1988 foram extremamente válidas e com alguns momentos interessantes, elas também lhe renderam um certo descaso por parte de crítica e público. Com Freedom, ele ganhou novamente o coração desses dois setores, e iniciou uma nova fase dourada em sua carreira.

Não é de se estranhar que ele logo a seguir tenha sido considerado uma espécie de precursor do grunge, e novamente reverenciado em shows e na compra de discos por uma nova geração. Um reconhecimento merecido.

Nada melhor do que quando o artista consegue ser fiel a seus princípios artísticos e ao mesmo tempo obter um bom resultado comercial, e este é o grande mérito de Freedom, um dos melhores trabalhos da carreira desse nome indiscutível da história do rock and roll.

Faixas de Freedom:

Rockin’ In The Free World
Crime In The City (Sixty To Zero Part 1)
Don’t Cry
Hangin’ On a Limb
Eldorado
The Ways Of Love
Someday
On Broadway
Wrecking Ball
No More
Too Far Gone
Rockin’ In The Free World

Ouça Freedom na íntegra em streaming:

Elliot Roberts, o célebre manager de Neil Young, morre aos 76 anos

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Por Fabian Chacur

Na metade dos anos 1960, Elliot Roberts tinha vinte e poucos anos e resolveu sair da Willian Morris, a mais famosa empresa de empresariamento de artistas americana, rumo a um desafio. Ele ouviu a fita demo de uma jovem cantora e compositora canadense então radicada em Nova York e decidiu encarar o desafio de ajudá-la a se tornar uma estrela. A aposta deu certo para os dois lados. Enquanto a garota virou Joni Mitchell, uma das maiores e mais influentes estrelas do rock, ele se tornou um dos grandes managers do ramo. Ele infelizmente nos deixou nessa sexta (21) aos 76 anos, de causa não revelada.

Com o nome de batismo Elliot Rabinowitz, ele nasceu no Bronx, Nova York (EUA) em 22 de fevereiro de 1943, e pensava inicialmente em ser ator, até que arrumou um emprego na já citada William Morris. Lá, conheceu outro aspirante à fama empresarial, David Geffen, e tornou-se seu sócio na tarefa de empresariar artistas. Para isso, ele se mudou para Los Angeles junto com sua aposta, Joni, e o namorado famoso dela na época, um certo David Crosby.

Com o fim do grupo Buffalo Springfield, a cantora o aconselhou a ser o manager de um dos integrantes daquele time, ninguém menos do que Neil Young, em 1968. Nascia ali uma parceria que só se encerraria com a morte de Roberts. Em seu livro de memórias Waging Heavy Peace (2012), o roqueiro canadense definiu o amigo como o melhor manager de todos os tempos, capaz de ajudá-lo a viabilizar todos os seus projetos, até aqueles mais complicados.

A parceria com David Geffen também resultou na criação da Asylum Records, selo com o qual lançou artistas como Linda Ronstadt, Jackson Browne e os Eagles. Em 1973, vendeu sua parte na gravadora e montou a Lookout Management, com a qual permaneceu empresariando artistas, entre os quais Joni Mitchell (com quem trabalhou até 1985), Crosby Stills Nash & Young, Tom Petty & The Heartbreakers, Talking Heads e Devo. A parceria com Neil Young era tão intensa que ele opinava nos projetos do roqueiro canadense e dava sugestões de que rumos ele deveria tomar.

Cinnamon Girl– Neil Young:

Neil Young chega aos 70 anos muito relevante e necessário

Neil Young performing on stage at the Rainbow Theatre in London in 1973

Por Fabian Chacur

Neil Young comemora 70 anos de idade nesta quinta-feira (12). O roqueiro canadense não poderia chegar melhor em termos artísticos à sua sétima década de vida. Atuante, na ativa, produtivo, esse astro que frequenta o cenário rock and roller desde os anos 1960 merece ser reverenciado como um daqueles caras que realmente fizeram a diferença nesse seminal gênero musical.

O autor de clássicos como Heart Of Gold, Rockin’ In The Free World e Harvest Moon integrou duas bandas clássicas, a Buffalo Springfield e a Crosby, Stills, Nash & Young, com as quais fez trabalhos bem bacanas. Mas o lance dele sempre foi mesmo a carreira solo, mesmo que acompanhado em várias ocasiões pela banda Crazy Horse. Um errante. Ou, como ele mesmo se autodenominou, The Loner (o solitário).

O espectro musical desse cantor, compositor e músico é dos mais amplos, abrangendo hard rock, heavy metal, country rock, folk rock, country, folk, soul music e até jazz, sem deixarmos de lado seus momentos mais experimentalistas, nos quais concebe coquetéis sonoros digeridos por poucos. Mas não é um “maldito”.

Muito pelo contrário. Em quase 50 anos de carreira, Mr. Young várias vezes encarou os primeiros lugares das paradas de sucesso. Principalmente quando seu lado mais suave aflorou, em maravilhas como Harvest (1972), Comes a Time (1978) e Harvest Moon (1992).

As guitarras ardidas, com direito em alguns momentos a solos tortuosos e imprevisíveis, deram a carta em discos como Everybody Knows This Is Nowhere (1970), Tonight’s The Night (1975) e Ragged Glory (1990), por exemplo. E tem também alguns discos-síntese, nos quais vários de seus lados surgem em um único trabalho, cujo principal exemplo é o incrível Freedom (1989).

Young nunca teve medo de se arriscar, largando fases de muito sucesso comercial por trabalhos totalmente fora dos padrões com os quais perdeu popularidade. Mas sua busca pela satisfação artística sempre prevaleceu. Isso gerou vários discos bons, outros nem tanto e alguns ruins. E ele nunca pecou pela omissão, pois sua discografia é enorme.

Nunca teve medo de lutar a favor das causas em que acredita, gravando trabalhos polêmicos como Living With War (2006), no qual teve o peito de encarar o reacionário e intimidador governo de George W. Bush, ou o atual The Monsanto Years (2015), denunciando uma grande corporação. Esteja errado ou certo, sempre mete as caras.

Mergulhar na extensa obra de Neil Young é ter a chance de se deliciar com música de alta qualidade. Com sua voz ora ardida, ora mais suave, mas sempre fora dos parâmetros habituais da chamada “música comercial”, esse cara conquistou fãs nos quatro cantos do mundo. Só tocou no Brasil uma vez, em 2001 no Rock in Rio, e deixou saudade. Parabéns, fera! Ouçam agora alguns de seus hits encantadores/energizantes.

Cinnamon Girl – Neil Young (1969-CD Everybody Knows This Is Nowhere):

Old Man– Neil Young (1972- CD Harvest):

Walk On– Neil Young (1974- CD On The Beach):

Welfare Mothers – Neil Young (1979- CD Rust Never Sleeps):

Lotta Love– Neil Young (1978- CD Comes a Time):

Rockin’ In The Free World (acoustic)- Neil Young (1989- CD Freedom):

Someday– Neil Young (1989- CD Freedom):

Como turnê do Buffalo Springfield virou CSN

Por Fabian Chacur

Em entrevista concedida ao site americano da Rolling Stone, Stephen Stills revelou que o Buffalo Springfield deveria ter feito uma turnê com ao menos 30 shows durante 2012. No entanto, o reencontro de um dos grupos mais bacanas dos anos 60 acabou durando um total de apenas sete apresentações, realizadas entre 2010 e 2011,incluindo uma elogiada no badalado festival de Bonnarooo, nos EUA.

Após o show realizado em outubro de 2010 no evento beneficente Bridge School (promovido por Young) que deu início ao reencontro de Neil Young, Stephen Stills e Richie Furay, os remanescentes da banda que existiu originalmente entre 1966 e 1968 e lançou três álbuns deveriam ter dado continuidade a um projeto mais longo, segundo Stills.

“Não criaria uma infraestrutura tão grande para apenas sete shows, nossa equipe incluía mais de 100 pessoas, e quando Neil resolveu desistir do projeto, no meio de 2011, fiquei completamente na mão”, disse Stills, falando pela primeira vez à imprensa sobre o tema, que seu ex-colega já havia abordado em entrevistas em 2011.

Conhecido por sua capacidade de largar um trabalho e iniciar outro praticamente do nada, Neil Young se mandou do projeto de retorno do Buffalo Springfield e se uniu novamente aos velhos companheiros do Crazy Horse, após nove anos distantes, lançando dois álbuns durante este ano- Americana e Psychedelic Pill.

A sorte de Stills é a de ter dois amigos mais do que fiéis, David Crosby e Graham Nash. Eles iriam iniciar uma turnê como Crosby & Nash e já estavam até agendando datas quando souberam do rolo entre os dois amigos.

Nash disse que, em pouco tempo, o que seria um duo virou de novo trio. Surgia do nada uma nova turnê de Crosby, Stills & Nash, que para alegria dos brasileiros passou por aqui em maio.

Apesar dos pesares, Stephen Stills não demonstrou mágoa em relação ao imprevisível Young. Na entrevista, ele demonstrou serenidade e calma. “Ele falou bem de mim no livro que lançou recentemente. Foi muito gentil. Trabalhar com ele é um privilégio, não um direito”.

No entanto, o autor de For What It’s Worth e tantos outros clássicos do rock deu uma resposta bem diferente da de Young sobre um possível retorno do Springfield. Enquanto o roqueiro canadense disse que os shows feitos em 2010/2011 foram a semente para algo que poderá frutificar de novo no futuro, o astro americano não teve dúvidas.

“Para o propósito dessa entrevista, só posso dar uma resposta referente à possibilidade de um retorno do Buffalo Springield: não!”

Rock And Roll Woman/Child Claim To Fame, com o Buffalo Springield em 2010:

Harvest – Neil Young (1972, Reprise)

Por Fabian Chacur

Em 1972, Neil Young era um jovem veterano. Aos 27 anos, não só tinha lançado vários álbuns como integrante dos grupos Buffalo Springfield e Crosby,Stills, Nash & Young como também já possuia três ótimos trabalhos solo no currículo. A expectativa em torno do que viria a ser seu quarto álbum individual era das maiores, e não por acaso, afinal de contas.

Além do sucesso de púbico e crítica que estava obtendo como integrante do supergrupo montado ao lado de David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash, Young havia se dado muito bem com o álbum solo After The Goldrush (1970), que ocupou o oitavo lugar na parada americana e rendeu clássicos como Tell Me Why, Only Love Can Break Your Heart, Don’t Let It Bring You Down e a faixa título.

Um sério problema com a coluna o impediu de tocar guitarra elétrica nas doses habituais e ajudou a direcionar o álbum rumo a uma sonoridade mais introspectiva e calcada em folk, country e rock, bem na linha do bittersweet rock que havia elevado James Taylor e Carole King ao estrelato no ano anterior. O violão tomava o centro do seu som.

Com o apoio de uma banda concisa e competente batizada Stray Gators, da qual faziam parte o experiente e talentoso produtor e arranjador Jack Nitzche (teclados e slide guitar), Ben Keith (steel guitar), Tim Drummond (baixo) e Kenny Buttrey (bateria), além da participação de alguns amigos famosos nos vocais de apoio, nascia Harvest, seu álbum mais bem-sucedido em termos comerciais e considerado uma de suas obras-primas.

Lançado em fevereiro de 1972, Harvest traz como faixas mais conhecidas dois singles matadores. Heart Of Gold e Old Man, dois country rocks melódicos, bem tocados, com letras evocativas e vocais de apoio iluminados feitos por James Taylor e Linda Ronstadt. Não tinha como dar errado. Eram as canções certas na hora certa. E deu super-certo!

Crosby & Nash marcam presença na ardida (e deliciosas) Are You Ready For The Country?; Crosby e Stills vocalizam na vigorosa e agressiva Alabama (que seria contestada pelo grupo Lynyrd Skynyrd na clássica Sweet Home Alabama), enquanto Nash e Stills estão na forte Words (Between The Lines Of Age), a mais longa canção do álbum, com seus quase sete minutos de duração.

As delicadas e melódicas A Man Needs A Maid e There’s a World destoam das outras canções pelo fato de mostrarem Young acompanhado pela London Symphony Orchestra, e se constituem em uma experiência das mais interessantes para um artista normalmente associado a um contexto mais agressivo e elétrico em termos musicais.

Out On The Weekend abre o álbum de forma simples e não rebuscada, enquanto Harvest, a faixa título, prima pela discrição. The Needle And The Damage Done, no melhor estilo voz e violão, foi gravada ao vivo, e cativa pela bela melodia e pela polêmica letra enfocando o uso de drogas e as suas consequências nefastas.

Harvest atingiu o primeiro lugar na parada americana, enquanto Heart Of Gold também liderou a parada dos singles por lá. A ironia fica por conta de quem destronou esses dois discos do topo dos charts ianques logo em seguida, naquele mesmo 1972.

Sabem quem? Isso mesmo, o grupo America, respectivamente com seu álbum homônimo de estreia e o single matador A Horse With No Name. Uma versão diluída, embora competente e muito inspirada, do som que Neil Young ajudou a tornar popular com o Crosby, Stills, Nash & Young. Os alunos superando os mestres? Por pouco tempo, como saberíamos depois…

Ouça o álbum Harvest, de Neil Young, na íntegra:

Adele volta ao nº1 nos EUA após três meses

Por Fabian Chacur

A disputa foi boa, mas no fim das contas, ganhou quem já estava em cena. Após três meses, o álbum 21, de Adele, retorna ao topo da parada americana, completando 24 semanas não consecutivas na posição. Com isso, o álbum se iguala a duas trilhas clássicas, as dos filmes Purple Rain (1984), de Prince, e Saturday Night Fever (1977), com músicas dos Bee Gees e de outros astros pops.

O álbum da inglesinha mais popular no cenário pop atual vendeu mais de 9 milhões de cópias nos EUA até o momento. O disco se mantém desde o seu lançamento, ocorrido a 68 semanas, sempre no top 10. Sua pior posição até hoje foi em dezembro de 2011, quando esteve no sétimo posto. 21 é, até agora, também o álbum mais vendido na terra de Barack Obama em 2012.

Se acabou tendo de se contentar com o segundo posto em sua semana de lançamento, Thirty Miles West, de Alan Jackson, perdeu por pouco, pois conseguiu vender em torno de 73 mil cópias nesse período, segundo dados compilados para a Billboard pela empresa de pesquisar Soundscan. Uma ótima performance do astro country.

Os Beach Boys também podem comemorar bastante a marca obtida pelo CD que marca o seu retorno, That’s Why God Made The Radio, que com 61 mil cópias comercializadas atingiu o terceiro posto nos EUA esta semana. Trata-se do melhor resultado obtido pelo grupo desde 1974, quando a coletânea Endless Summer atingiu o primeiro lugar.

Se o critério for álbuns de estúdio de inéditas, a coisa vai mais longe, remetendo a 1965, quando Summer Days (And Summer Nights!) ocupou o segundo posto. E também é o primeiro top 10 álbum de Brian Wilson e sua turma desde Big Ones. Ufa!

E outro veterano se deu bem nos charts ianques. Trata-se de Neil Young, que largou na quarta posição com seu Americana, álbum de covers do folk americano, que vendeu 44 mil cópias nesta semana e marca o primeiro trabalho do cantor, compositor e músico canadense com o Crazy Horse desde 2003, quando chegou às lojas Greendale.

Ouça Chasing Pavements, com Adele:

Patti Smith relê Neil Young e homenageia Amy

Por Fabian Chacur

Patti Smith traz pelo menos duas boas surpresas para seus fãs em seu novo disco. Previsto para sair no dia 5 de junho, Banga, seu 11º álbum de estúdio, inclui uma releitura de clássico de Neil Young e uma homenagem a Amy Winehouse.

A cantora e compositora americana, uma das mais talentosas a surgir no cenário roqueiro dos anos 70, regravou no melhor esquema voz e piano a fantástica After The Goldrush, faixa que dá nome a um dos melhores e mais cultuados álbuns de Neil Young. Na parte final da sua gravação, ela se vale de um coral de crianças para enfatizar a mensagem do refrão.

Por sua vez, a faixa This Is The Girl tem fortes influências da sonoridade pop dos anos 1960, e equivale a um tributo à saudosa Amy Winehouse, de quem Patti Smith se confessou fã incondicional em entrevista ao site americano da revista Billboard.

Banga foi gravado nos estúdios Electric Lady, em Nova York, e conta com as participações especiais de Tom Verlaine, do grupo Television e seu amigo de longa data, e dos filhos da coautora de Because The Night (parceria com Bruce Springsteen, para quem não se lembra), o guitarrista Jackson e o tecladista Jesse.

Para divulgar o novo trabalho, Patti iniciará shows pela Europa a partir do dia 23 de junho, na Noruega. O disco tem algumas letras abordando temas ecológicos, e inclui faixas como as citadas e também April Fool (o primeiro single) e Constantine’s Dream, entre outras.

Ouça April Fool, do novo álbum de Patti Smith, Banga:

Leitores da RS votam nas melhores de Neil Young

Por Fabian Chacur

O mundo do rock, pop e quetais é movido pelas listas de melhores alguma coisa. Sempre é divertido, e sempre gera polêmicas ou concordâncias.

A versão eletrônica da revista americana Rolling Stone perguntou a seus leitores/internautas quais suas músicas favoritas do lendário Neil Young.

O resultado acaba de ser divulgado, e é bem focado na produção do astro durante a década de 70.

Só uma das canções,  a doce Harvest Moon (a quinta colocada) foge desse período, tendo sido lançada no álbum homônimo, em 1992.

Duas não vieram de sua carreira solo. São elas a contundente Ohio, lançada em 1970 em single pelo Crosby, Stills, Nash & Young, e a cativante Helpless, do álbum Dèja Vu, do quarteto CSN&Y.

Três são faixas de Harvest (1972) considerado por muitos seu melhor álbum, ou ao menos o mais vendido de sua prolífica trajetória musical.

São elas Heart of Gold, seu maior sucesso comercial e único single a bater no número 1 da parada americana, a tocante The Needle and The Damage Done e a nostálgica e arrepiante Old Man.

After the Goldrush (1970), Powderfinger (1979), Cortez The Killer (1975) e Like a Hurricane (1977) completam a lista.

Todas as músicas votadas são boas, mas não dá para deixar de sentir falta de algumas, como Rocking in the Free World (as duas versões), Cowgirl in The Sand, Lotta Love, My My Hey Hey (as duas versões), Someday, Walk On e por aí vai, e vai longe.

Enfim, listas são sempre bacanas.

As 10 melhores músicas de Neil Young, segundo os leitores da RS:

1- Old Man (do álbum Harvest, de 1972)

2 The Needle and The Damage Done (do álbum Harvest, de 1972)

3Heart Of Gold (do álbum Harvest, de 1972)

4Like a Hurricane (do álbum American Stars ‘N’ Bars, de 1977)

5Harvest Moon (do álbum Harvest Moon, de 1992)

6 Ohio (single, de 1970, gravada por Crosby, Stills, Nash & Young)

7After the Goldrush (do álbum After the Goldrush, de 1970)

8Cortez The Killer (do álbum Zuma, de 1975)

9 Powderfinger (do álbum Rust Never Sleeps, de 1979)

10Helpless (do álbum Dèja Vu, de 1970, do Crosby, Stills, Nash & Young)

Comer Rezar Amar recicla outras trilhas

Por Fabian Chacur

As trilhas dos filmes de Quentin Tarantino criaram uma espécie de moda: a reciclagem de músicas já utilizadas em outras atrações cinematográficas.

Um bom exemplo recente é o de Bastardos Inglórios, que usa a música Cat People, de David Bowie, tema do filme de mesmo título, de 1981.

Quem se vale novamente desse artifício é o blockbuster hollyoodiano Comer Rezar Amar.

A atração estrelada por Julia Roberts tem trilha com 14 faixas (lançada no Brasil pela Universal Music) que inclui apenas dois temas feitos sob encomenda. O resto do repertório foi montado com pura reciclagem.

As inéditas são bacanas. Uma é a instrumental Attraversiamo, de Dario Marianelli, único exemplar da trilha incidental a entrar no álbum.

A outra é Better Days, composta e gravada por Eddie Vedder, do Pearl Jam, que se incumbiu de todos os instrumentos, também.

De resto, temos desde Last Tango In Paris (Suite Pt.2), de Gato Barbieri, feita para o filme O Último Tango Em Paris, clássico dos anos 70, até várias músicas que entraram em mais de uma trilha, tipo Thank You (Fallettin Me Be Mice Elf Agin), de Sly & The Family Stone e Got To Give It Up, de Marvin Gaye.

O álbum inclui mais duas vertentes interessantes.

Neil Young comparece com dois clássicos de seu lado mais acústico e bittersweet, as belíssimas Heart Of Gold (de 1972, foi número um nos EUA naquele ano) e Harvest Moon (do álbum homônimo de 1992).

A velha e boa bossa nova marca presença com a família Gilberto.

Papai João entrou no álbum com duas de suas melhores interpretações, Wave e ‘S Wonderful (curiosamente usadas em trilhas de telenovelas brasileiras), e a filhota Bebel com Samba da Bênção.

O álbum também traz outra de trilha anterior, The Long Road, gravada pelo mesmo Eddie Vedder e por Nusrat Fateh Ali Khan em 1996 para a trilha de Dead Man Walking.

Apesar desse aspecto “colcha de retalhos”, o CD Comer Rezar Amar – Trilha Sonora Original do Filme é muito bom de se ouvir, e pode ser ótimo para quem não tem essas músicas em outros discos.

Uma última curiosidade: Der Holle Rache Kocht In Meinem Herzen, na verdade trecho da ópera A Flauta Mágica, que já foi utilizada em um comercial aqui no Brasil e que entrou em pot pourry com (I Can’t Get No) Satisfaction, dos Rolling Stones, em célebre dueto de Cássia Eller e Edson Cordeiro.

Buffalo Springfield fará show após 42 anos

Por Fabian Chacur

Uma boa notícia para quem curte reencontros históricos no rock. Os integrantes ainda vivos da formação original do Buffalo Springfield tocarão juntos novamente nos dias 23 e 24 de outubro.

Os shows farão parte de evento beneficente em prol da Bridge School, que ocorrerá em Mountain View, na California, no Shoreline Amphitheatre. A entidade atende crianças com problemas sérios de fala e locomoção.

Estarão no palco, atuando em formato acústico, três grandes músicos, daqueles com pedigree refinadíssimo. Neil Young, Stephen Stills e Richie Furay.

Os dois primeiros se reencontrariam posteriormente no Crosby Stills Nash & Young e desenvolveriam também ótimas carreiras solo, enquanto Furay foi um dos fundadores do consagrado grupo de country rock Poco.

Para quem não sabe, o baixista original do Springfield, Bruce Palmer, morreu vítima de um ataque cardíaco em 2004, enquanto o baterista Dewey Martin faleceu de não divulgadas causas naturais em 2009.

O Buffalo Springfield durou menos de quatro anos, mas gravou três ótimos álbuns: Buffalo Springfield (1966), Buffalo Sprinfield Again (1967) e Last Time Around (1967). A banda, que participou do festival de Monterey em 1967, separando-se no ano seguinte.

O maior hit do quinteto foi For What Is Worth, top 10 na parada americana e canção frequentemente incluída em trilhas de filmes ambientados nos anos 60. Outras grandes músicas de seu repertório: Broken Arrow, Mr. Soul, Bluebird e Rock And Roll Woman.

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