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Bacamarte encerra festival em Niterói ao lado de Jane Duboc

Bacamarte 03 [crédito Liza Bueno]-400x

Por Fabian Chacur

Iniciada em agosto, a 3ª edição do CaRIOca Prog Festival (leia mais sobre o evento aqui) terá seu encerramento em Niterói nesta sexta (25) às 20h no Teatro Municipal de Niterói (avenida XV de Novembro, nº 35- Centro- fone 0xx21-2620-1624), com ingressos a R$ 80,00 (meia) e R$ 160,00 (inteira). E que bela escolha para essa tarefa: a banda Bacamarte, que contará com a participação especial de Jane Duboc.

Criado em 1974, o grupo carioca que mantém de sua formação original Mario Neto (composições, guitarra e violão) e Marcus Moura (flauta e acordeon) tornou-se um ícone do rock progressivo brasileiro ao lançar o álbum Depois do Fim, gravado em 1979 mas lançado apenas em 1983, pela via independente.

Com marcante participação de Jane nos vocais de quatro faixas, o álbum logo ultrapassou fronteiras, tornando-se popular entre os fãs de prog rock na Alemanha, Itália, Rússia e principalmente Japão.

Este álbum voltou ao mercado nacional apenas em 2009, no formato CD e em luxuosa edição digipack pela gravadora Som Livre, depois de ter sido uma raridade disputada a tapa nos sebos da vida. O grupo lançou mais um álbum, Sete Cidades (1999), e a partir de 2012 voltou a fazer concorridos shows com mais regularidade, sempre com casa cheia.

A apresentação no encerramento do CaRIOca Prog Festival terá a participação especial de Jane Duboc, além da formação atual do grupo, que traz ao lado de Mario Neto e Marcus Moura os músicos Willian Murray (baixo), Robério Molinari (piano e teclados) e Alex Curi (bateria). No repertório, músicas dos dois álbuns da banda e também algumas inéditas.

Depois do Fim- Bacamarte (ouça em streaming):

Nico Rezende viaja com classe pelo repertório de Chet Baker

nico rezende canta chet baker-400x

Por Fabian Chacur

Nico Rezende tem várias afinidades com o saudoso cantor e trompetista americano Chet Baker (1929-1988). Ambos começaram como músicos, inserindo o canto em suas trajetórias logo a seguir, com sucesso. Outra característica: a pinta de galã. Sorte que Nico não seguiu outra marca do jazzista, o forte envolvimento com as drogas e bebidas e uma vida desregrada que o destruiu durante as duas últimas décadas de sua breve vida. Firme, forte e em plena forma, o músico brasileiro lança Nico Rezende Canta Chet Baker, belíssimo DVD com repertório de Baker.

Chet Baker viveu o auge de sua trajetória musical durante a década de 1950 e parte da de 1960. Seu trabalho seguia a linha do cool jazz, também chamado de West Coast pelo fato de ter sido predominante no oeste americano nos anos 1950. Músico refinado, elogiado até por feras como Charlie Parker, que o ajudou no início de sua carreira, ele começou a brilhar como cantor com o álbum Chet Baker Sings (1954).

Compositor não muito frequente, ele se valia bastante do repertório de standards da música americana, aquela coleção maravilhosa de composições assinadas por nomes como Cole Porter, George & Ira Gershwin, Sammy Cahn, Richard Rodgers & Lorenz Hart, Johnny Mercer e outros do mesmo altíssimo gabarito. A seleção de repertório feita por Nico enveredou por esse caminho, sendo que 8 das 17 faixas marcam presença no clássico Chet Baker Sings.

Para acompanha-lo nesta bela viagem musical, Nico, que se incumbiu dos vocais e do piano, convidou os excelentes Guilherme Dias Gomes (trompete), Fernando Clark (guitarra), Alex Rocha (contrabaixo acústico) e André Tandeta. A gravação foi feita durante o show que o quinteto realizou em Niterói (RJ), como parte do Tudo Blues Festival, no dia 5 de junho de 2016, no Teatro do Centro Artes UFF.

O timbre e o estilo de cantar de Nico se encaixaram feito luva neste repertório, e o entrosamento entre ele e os músicos de sua banda rendeu performances impecáveis, sempre abrindo espaços na hora certa para os improvisos e tratando com todo o carinho cada canção.

O registro visual, em tons mais escuros, cria um clima de casa noturna americana, como se estivéssemos nos EUA durante a década de 1950, ouvindo os reis do cool jazz. E o comandante da festa se mostra um ótimo mestre de cerimônias, com direito a uma bela interação com a plateia na parte inicial da música You’d Be So Nice To Come Home To.

Quando às 17 músicas incluídas no DVD, louvemos maravilhas como But Not For Me, Time After Time, Let’s Get Lost, You Don’t Know What Love is, There Will Never Be Another You, My Funny Valentine, As Time Goes By e That Old Feeling, canções que provam com veemência que o que é bom, é para sempre, não tem data nem época. Atemporais até a medula!

Nico Rezende Canta Chet Baker é uma bela forma que o cantor, compositor e músico nascido em São Paulo em 13 de outubro de 1961 e radicado há anos no Rio escolheu para comemorar os 30 anos do lançamento de seu primeiro álbum solo, autointitulado, do qual o hit Esquece e Vem saiu rumo às paradas de sucesso de todo o mundo. Ele também atuou como músico e arranjador para artistas do porte de Ritchie, Lulu Santos, Marina Lima, Roberto Carlos e Gal Costa.

There Will Never Be Another You– Nico Rezende:

Cauby Peixoto, o professor, o irmão gêmeo do meu irmão

cauby peixoto-400x

Por Fabian Chacur

Cauby Peixoto nos deixou às 23h50 da noite deste domingo (15) aos 85 anos. Ele estava internado desde o dia 9 de maio, e foi vítima de pneumonia. Na verdade, tinha problemas sérios de saúde há alguns anos, mas com sua incrível garra e vontade de viver, continuou ativo, fazendo shows e gravando discos. Mais um verdadeiro mito que nos deixa, felizmente reconhecido e saudado enquanto ainda estava entre nós. Vai fazer muita, mas muita falta mesmo. Um estilista da canção.

Difícil fugir do que todo mundo já escreveu sobre esse artista nascido em Niterói (RJ) no dia 10 de fevereiro de 1931. Lançou seu primeiro disco em 1951, e foi um dos últimos grandes ídolos surgidos na chamada Era do Rádio. Com o estouro de Conceição, tornou-se mania nacional, com direito a roupas rasgadas pelas fãs e uma idolatria digna de Frank Sinatra, Roberto Carlos, Beatles e outros artistas desse mesmo porte.

Ainda nos anos 1950, lançou trabalho em inglês com o pseudônimo Ron Coby, e uma carreira internacional se mostrou viável. Mas ele acabou sendo o nosso Cauby, mesmo, para felicidade geral da nação. Versátil, enveredou por diversos estilos, até pelo rock and roll, sempre com uma categoria e um vozeirão que nunca o deixou na mão, nesses mais de 60 anos de trajetória repleta de realizações e glória.

Em 1980, voltou com força aos holofotes ao lançar o excelente álbum Cauby! Cauby!, lançado pela gravadora global Som Livre, com direito a canções feitas especialmente para ele por autores como Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim e Roberto & Erasmo Carlos, entre elas a célebre Bastidores, que o recolocou com todo o merecimento nas paradas de sucesso. De onde nunca deveria ter saído.

Em sua extensa discografia, trabalhos com a amiga e contemporânea Angela Maria, com quem por sinal estava realizando a turnê 120 Anos de Música e faria neste sábado (21) no Sesc Santo Amaro uma apresentação em São Paulo durante a Virada Cultural. Poucos poderiam se atrever a gravar um disco com músicas do repertório de Sinatra sem correr o risco de cair no ridículo, e ele superou bem tal desafio.

Mas existem outras lembranças em relação a Cauby Peixoto, essas bem particulares. Quando moleque, sempre via algumas amigas da minha mãe dizendo que meu irmão Victor era a cara do Cauby. Olhando foto dos dois nos anos 1960, dava para confundir um com o outro, mesmo. Ironicamente, essa comparação sobrou para mim nos anos 1990, quando usei um estilo de cabelo cacheado e longo muito semelhante ao dele naquele período e até o fim da vida.

Quando tive a honra de entrevista-lo para o extinto Diário Popular, lá pelos idos de 1993 ou coisa que o valha, o fotógrafo Paulo Pinto tirou uma foto na qual aparecíamos eu e o Professor, durante a entrevista. Pena que eu não tenha scanner para dividir essa bela recordação com vocês. O cara era um gentleman e muito acessível, oriundo de uma época em que os artistas se preocupavam em tratar bem a todos.

Cauby! Cauby!- Cauby Peixoto (1980-CD em streaming):

Conceição– Cauby Peixoto (1956- versão original):

I Go (Maracangalha)– Ron Coby (Cauby Peixoto):

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