Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: os novos baianos

Moraes Moreira, o criador de um inesquecível bloco do prazer

Moraes_Moreira-400x

Por Fabian Chacur

Moraes Moreira é festa. Moraes Moreira é amor. Moraes Moreira é mistura fina. Moraes Moreira é um eterno novo baiano. Moraes Moreira é inesquecível. Esse grande cantor, compositor e músico baiano nos deixou nesta segunda-feira (13) vítima de um enfarto agudo do miocárdio sofrido em seu apartamento no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. Ele tinha 72 anos, e deixa um legado marcante para os fãs de música. Uma verdadeira mancha de dendê que nunca sairá de nossos ouvidos, de nossas mentes, de nossas almas.

Este que é um dos grandes nomes da história da nossa música nasceu em Ituaçu, Bahia, em 8 de julho de 1947, e mostrou amor pela música desde criança. Aos 19 anos de idade, mudou-se para Salvador para estudar e por lá conheceu Tom Zé, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor. Foi com esses dois últimos que ele montou um grupo que começou a ser conhecido na cena local e logo nacionalmente em 1969, Novos Baianos.

Pouco depois acrescidos de Baby Consuelo e Pepeu Gomes, esse time inicialmente se concentrou no velho e bom rock and roll, com um certo sotaque brasileiro. Já morando no Rio de forma comunitária, eles receberam a visita de João Gilberto, e a influência do músico se mostrou evidente no antológico álbum Acabou Chorare (1972). Nele, fortes elementos da música brasileira se uniram com mais força ao rock, gerando dessa forma uma sonoridade ao mesmo tempo moderna e reverente na medida certa ao que já havia sido feito de bom no passado por outros mestres.

No grupo, Moraes sempre foi o mais ligado ao samba, frevo e outros ritmos tipicamente brasileiros, com sua voz swingada e seu violão deliciosamente dedilhado com rara categoria. Suas parcerias com o poeta Luiz Galvão e também com Pepeu Gomes geraram alguns dos maiores clássicos dos Novos Baianos, entre os quais Preta Pretinha, cantada por ele e um sucesso colossal.

Em 1975, Moraes sentiu que era hora de seguir seu próprio caminho, e deixou o grupo para investir em uma carreira-solo. Após o sucesso de uma boa releitura de Se Você Pensa (de Roberto e Erasmo Carlos), que entrou na trilha da novela global Pecado Capital, ele varreu o país todo com o estouro de Pombo Correio. Essa música ajudou a atrair a atenção do público jovem para os maravilhosos trios elétricos, como o dos pioneiros Dodô e Osmar.

Nos anos 1980, Moraes não só se consolidou como um artista de muito sucesso como também teve suas composições gravadas com muito êxito por grandes nomes da MPB, com destaque para Gal Costa, que invadiu as paradas de sucesso com duas dessas composições, as contagiantes Festa do Interior e Bloco do Prazer. Sua romântica Sintonia ganhou as rádios de todo o país lá pelos idos de 1986.

Em 1990, lançou um belo álbum em dupla com o parceiro Pepeu Gomes, Moraes e Pepeu, que emplacou o megahit A Lua e O Mar. A dobradinha renderia mais um álbum, Moraes e Pepeu Ao Vivo no Japão (1994), e seria uma espécie de prévia do sonhado retorno dos Novos Baianos, que ocorreria em 1997 com direito a um álbum duplo gravado ao vivo, Infinito Circular, e uma turnê de sucesso. O grupo voltaria a se reunir em outras ocasiões, sempre com grande repercussão.

Tive a oportunidade de entrevistar Moraes e também os Novos Baianos algumas vezes, e sua lucidez sempre se mostrava presente. Ele soube transmitir essa sabedoria para seu filho Davi Moraes, que iniciou a carreira tocando com o pai e depois soube enveredar por um trabalho próprio e também ao lado de grandes artistas como Maria Rita, Ivete Sangalo, Vanessa da Mata, Caetano Veloso e Marisa Monte, entre outros.

Bastante ativo, Moraes há pouco publicou em suas redes sociais um belo cordel (em sua própria definição) intitulado Quarentena, no qual comentava as incertezas de nossos dias atuais. Uma bela despedida para um artista que nos deixou grandes lições de brasilidade, musicalidade e poesia.

Pombo Correio– Moraes Moreira:

Polysom relança em vinil raro compacto dos Novos Baianos

Novos Baianos capa-400x

Por Fabian Chacur

A Polysom lança mais um item bacana em vinil para os colecionadores de trabalhos raros e importantes da MPB, parte integrante de sua ótima série Clássicos Em Vinil. Desta vez, trata-se de um compacto duplo dos Novos Baianos, raridade lançada nos anos 1970 e cobiçado pelos colecionadores do trabalho do grupo, um dos campeões da mistura de rock e MPB.

O compacto duplo traz as faixas Psiu, 29 Beijos, Globo da Morte e Mini Planeta Íris, e foi lançado entre os álbuns É Ferro Na Boneca (1970) e Acabou Chorare (1972). Na época, era comum esse tipo de lançamento, trazendo músicas que não seriam posteriormente incluídas nos LPs, tornando-se, assim, exclusivas desse formato.

O som dos Novos Baianos, na época, era bem mais roqueiro do que o desenvolvido a partir do álbum Acabou Chorare, no qual a influência de João Gilberto, fã confesso da banda, se mostrou de forma mais clara.

Globo da Morte– Os Novos Baianos:

29 Beijos– Os Novos Baianos:

Psiu– Os Novos Baianos:

Mini Planeta Iris– Os Novos Baianos:

Ouça o compacto duplo dos Novos Baianos, na íntegra:

É Ferro Na Boneca, álbum dos Novos Bahianos, volta em LP

CAPA_novos.indd

Por Fabian Chacur

Não, meu caro e estimado leitor. Mondo Pop não marcou bobeira. A grafia do célebre grupo de rock à brasileira era escrito dessa forma, Os Novos Bahianos, quando eles lançaram seu primeiro álbum, É Ferro Na Boneca!. Só depois passariam a ser “Os Novos Baianos”. Pois bem. Esse trabalho acaba de ser relançado em vinil de 180 gramas pela Polysom.

Novo item da coleção Clássicos em Vinil, do selo, É Ferro Na Boneca! foi lançado originalmente pela extinta gravadora RGE em 1970, e mostra o grupo na capa com a seguinte formação: Moraes Moreira, Galvão, Baby Consuelo e Paulinho Boca de Cantor. Pepeu Gomes toca no disco inteiro, mas ainda no papel de músico de apoio, integrante do The Leifs com o irmão Jorginho Gomes. Logo após ele entraria de vez no time.

O álbum traz 13 músicas, parcerias de Moraes com Galvão, e traz como marca o rock psicodélico misturado a ritmos regionais. Entre outras, a faixa título, Baby Consuelo, Curto de Véu e Grinalda, O Samba Me Traiu, Juventude Sexta e Sábado e De Vera, esta última apresentada no V Festival de Música Popular Brasileira da Record de 1969.

É Ferro na Boneca- Os Novos Baianos (ouça o CD em streaming):

Acabou Chorare é relançado em vinil de luxo

Por Fabian Chacur

Está chegando às lojas mais um item da imperdível série Clássicos em Vinil, que está relançando no formato LP de 180 gramas com conteúdo remasterizado e embalagem luxuosa seminais álbuns da história da MPB. Desta vez, a pérola escolhida pela Polysom é Acabou Chorare, lançado originalmente em 1972 e trabalho mais badalado da riquíssima discografia dos inesquecíveis Novos Baianos.

O grupo na época vivia o auge de sua trajetória, com sua escalação mais famosa: Baby Consuelo (vocal e percussão), Paulinho Boca de Cantor (vocal e percussão), Moraes Moreira (vocal, violão e arranjos), Pepeu Gomes (guitarra, violão, craviola e arranjos), Dadi Carvalho (baixo) e Jorginho Gomes (bateria), além das letras do poeta Galvão. Um time criativo e instigante, que revolucionou com sua mistura de rock, MPB, latinidade e muito mais.

Acabou Chorare, cuja faixa-título surgiu a partir de uma frase da então criança Bebel Gilberto, inclui grandes momentos do songbook da nossa música popular como essa canção belíssima e também Preta Pretinha, A Menina Dança, Mistério do Planeta, Tinindo Trincando, a instrumental Um Bilhete Para Didi e a fantástica releitura de Brasil Pandeiro, de Assis Valente. Um álbum que parece coletânea por incluir tantos hits.

Ouça A Menina Dança, com Os Novos Baianos:

© 2020 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑