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Simplesmente Paul chega ao RJ no Teatro Bradesco Rio

FOTO MARCELO CRELECI 6

Por Fabian Chacur

Paul McCartney voltará ao Brasil em outubro. Quem quiser já ir entrando no clima e mora no Rio de Janeiro tem uma boa pedida neste sábado, às 21h, no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº3.900- loja 160- Shopping Village Mall- Barra da Tijuca- call center 4003-1212). Trata-se do show Simplesmente Paul, dedicado a um repertório de grandes sucessos do inigualável astro do rock. Os ingressos custam de R$ 40,00 a R$ 160,00.

O espetáculo é estrelado por Celso Anieri, que no início da década de 1980 fundou em São Paulo o grupo Beatles 4 Ever, um dos mais criativos e minuciosos na reprodução ao vivo das músicas do seminal grupo de Liverpool. Ele saiu da banda há algum tempo, mas após uma canja com a atual formação, em 2015, ficou com vontade de investir em um projeto semelhante, e aí surgiu a ideia de fazer um show em homenagem ao autor da eterna Yesterday e de tantos outros hits.

Anieri canta e toca baixo, teclados, violão, ukulele e bandolim. Com ele, um grupo formado por Ana Cristina Santos (violão e voz), Bia Honda (vocais), Edson Yokoo (teclados e arranjos), Edu Perez (baixo, violão e vocal), Paula Altran (vocais), Paulo Yuzo (bateria e percussão), Renato Molina (guitarra) e Vitor da Mata (guitarra, teclados e vocais).

O show inclui canções dos Beatles, dos Wings e da carreira solo de McCartney, entre elas Can’t Buy Me Love, Live And Let Die, Here Today, My Love e Silly Love Songs, além de se valer de recursos audiovisuais como telão e coreografias, algo que por sinal fez o diferencial do Beatles 4 Ever. O espetáculo já passou por diversas cidades brasileiras, sempre com boa repercussão por parte do público.

Simplesmente Paul- trechos do show:

Tommy LiPuma, um produtor lendário, morre aos 80 anos

tommy lipuma e paul mccartney-400x

Por Fabian Chacur

A primeira vez que eu li o nome Tommy LiPuma em um disco foi em um trabalho de George Benson, para ser mais preciso o compacto simples de vinil com a música Love Ballad (1978). Mal sabia eu que ainda ouviria muita coisa boa com o toque mágico de seu trabalho. Ele infelizmente nos deixou nesta segunda(13) aos 80 anos, em Nova York. Seu legado, no entanto, permanecerá eterno.

Nascido em 5 de julho de 1936, LiPuma começou o seu envolvimento no cenário musical como instrumentista, mas acabou enveredando para a área de divulgação no fim dos anos 1950. Após algumas experiências na área de produção, incluindo uma com o então ainda emergente trio de r&b The O’Jays, foi contratado pela gravadora A&M, onde ficou de 1965 a 1968 e assinou a produção de ao menos um grande hit, The More I See You, lançada em 1965 por Chris Montez.

Em 1968, resolveu se associar a outro profissional da área musical, Bob Krasnow (que por sinal nos deixou em 11 de dezembro de 2016), para criar o selo Blue Thumb Records. Até 1978, a gravadora lançaria discos de artistas como Sylvester (os dois primeiros, Sylvester & The Hot Band e Bazaar, ambos de 1973), Gerry Rafferty, Phil Upchurch, The Crusaders, Dave Mason e The Pointer Sisters, entre outros.

Sem se dedicar com exclusividade ao próprio selo, ele tirou a sorte grande em 1976, quando produziu Breezin’, álbum que tornou George Benson uma estrela pop, atingiu o primeiro lugar na parada ianque e rendeu a ele, LiPuma, o primeiro dos cinco troféus Grammy que conquistaria no decorrer de sua vida.

A parceria com Benson rendeu os também clássicos álbuns In Flight (1976), Livin’ Inside Your Love (1978) e o ao vivo Weekend In L.A. (1977, com aquela eletrizante releitura de On Broadway, dos Drifters). Eles voltariam a trabalhar juntos posteriormente em algumas ocasiões.

Em vários momentos de sua carreira, Tommy atuou como produtor e também como executivo de gravadoras, e dessa forma trabalhou com vários artistas brasileiros, como Eumir Deodato, Tom Jobim, João Donato e João Gilberto. Também trabalharam com ele Al Jarreau, Barbra Streisand, Michael Bublé, Willie Nelson e muitos outros.

Em 1991, ele assinou a produção de oito músicas de Unforgettable…With Love, tributo de Natalie Cole a seu pai Nat King Cole que se tornou um campeão de vendas e de Grammys.

Quando resolveu gravar um disco com releituras de standards de jazz, Paul McCartney acabou escolhendo Tommy LiPuma para a tarefa. A colaboração gerou o álbum Kisses On The Bottom (2012), que chegou ao top 5 da parada americana e posteriormente geraria também um belíssimo DVD gravado ao vivo com o seu repertório, que também incluiu duas composições inéditas do Macca seguindo o estilão do material compilado aqui por ele.

Não satisfeito, Tommy LiPuma também descobriu em 1995 uma jovem cantora, compositora e pianista canadense chamada Diana Krall. Naquele ano, produziu o segundo álbum da hoje megaestrela do jazz, Only Trust Your Heart, e assinou outros nove até 2009. Ela também participou do CD de McCartney produzido por ele. Aliás, seu último trabalho na produção marcou seu reencontro com a pupila, o álbum Turn Up The Quiet, que sairá nos EUA em 5 de maio deste ano.

Love Ballad– George Benson:

“Black Beatles” vira a trilha de memes e traz Paul McCartney

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Por Fabian Chacur

Em 2006, uma dupla americana de hip hop de nome estranho estourou no mundo todo com o single Crazy. Era a Gnarls Barkley. Exatos dez anos depois, outro duo ianque repete a dose, só que desta vez investindo no insólito tanto no nome do grupo como no de seu hit. Trata-se do Rae Sremmurd, que comemora o estouro inesperado do single Black Beatles, o terceiro a ser extraído de seu 2º álbum, Sremmlife2, lançado em agosto deste ano.

A história é relativamente simples e muito rápida. No fim de outubro, surgiu nas redes sociais um novo meme viral, com a hashtag #mannequinchallenge. Trata-se de um grupo de pessoas posando paralisadas, como se fossem manequins. Por alguma razão, a música Black Beatles tornou-se rapidamente a trilha favorita dos videos daqueles que entraram nessa onda de memes, e isso impulsionou o sucesso do single, que já chegou ao 9º lugar nos EUA e pode ir além.

O mais legal é que várias celebridades entraram na brincadeira, incluindo Jon Bon Jovi e até a candidata derrotada à presidência dos EUA Hillary Clinton. O que pouca gente esperava, no entanto, ocorreu nesta quinta-feira (10): ninguém menos do que Paul McCartney, um dos “White Beatles”, entrou na brincadeira e postou um vídeo paradinho defronte seu piano. Veja aqui.

Black Beatles é uma espécie de reggae/raggamuffin, com clima etéreo, refrão grudento e uma letra bem-humorada. O clipe traz uma ou outra referência aos Fab Four, como o show no teto da Apple em 1969 ou a travessia da Abbey Road no mesmo 1969, ou ainda uma reprodução do Bed Peace, ato pela paz realizado por John Lennon e Yoko Ono em uma cama localizada em um hotel no Canadá, e ocorrida em… Sim, você adivinhou, 1969 também.

Integrado pelos irmãos Khalif “Swae Lee” Brown e Aaquil “Slim Jxmmi” Brown e tendo como base a cidade de Atlanta, a dupla criou o seu nome usando a denominação da gravadora que os contratou, a Ear Drummers, ao contrário. Eles tem no currículo dois álbuns, Sremmlife (2015, chegou ao nº 5 nos EUA) e Sremmlife2 (2016, no nº7 nos EUA esta semana). Eles gravaram em 2015 dois singles em parceria com a badalada Nicki Minaj, Throw Sum Mo e No Flex Zone.

Black Beatles– ft. Gucci Mane- Rae Sremmurd:

Pure McCartney: bela viagem pela obra de um gênio musical

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Por Fabian Chacur

Coletâneas costumam ser encaradas de forma não muito positiva por críticos e fãs mais radicais de música. O argumento é sempre o mesmo: seria uma forma de apresentar uma obra de forma fatiada, com escolhas nem sempre justificáveis e frequentemente mostrando um retrato nada fiel do artista enfocado. Questão de opinião. Para mim, coletâneas são, quando bem feitas e bem planejadas, belas obras de entrada para obras musicais. Eis a função que Pure McCartney, álbum duplo que acaba de sair no Brasil, pode cumprir em relação ao trabalho de Paul McCartney.

Pure McCartney pode ser encontrado no exterior em três formatos: o mesmo CD duplo com 39 faixas, uma caixa com 4 CDs (contendo 67 faixas) e vinil quádruplo com 41 faixas. Todas essas alternativas seguem o mesmo conceito, conforme explica texto escrito pelo próprio Macca no encarte que acompanha os lançamentos: “uma coleção de minhas gravações tendo em mente nada além de ser algo divertido para se ouvir, ou talvez para ser ouvida em uma longa viagem de carro, ou em um evento em casa ou ainda uma festa com amigos”. Simples assim.

Dessa forma, fica fácil entender o porque vários sucessos marcantes ficaram de fora, preteridos em alguns casos por músicas não tão conhecidas. O repertório cobre toda a carreira solo do ex-beatle, indo desde 1970 até 2014. Para aquele fã que tem tudo do artista, só cinco itens mais interessantes: os remixes de Ebony And Ivory, Say Say Say, Here Today e Wanderlust, e a belíssima Hope For The Future, lançada em 2014 para a trilha do vídeo game Destiny e disponível anteriormente apenas no exterior em um single de 12 polegadas de vinil.

O repertório não foi ordenado de forma cronológica, o que nos proporciona saborosas idas e vidas por fases bem distintas do trabalho do artista. A curiosidade fica por conta de a primeira e a última faixa em todos os formatos serem as mesmas e oriundas do primeiro álbum solo do astro britânico, McCartney (1970), respectivamente Maybe I’m Amazed e Junk. Isso não deve ser obra do acaso…

As músicas contidas nesta compilação reforçam um sonho que muitos fãs do autor de Yesterday gostariam de realizar: ter a chance de ver um de seus shows só com material da carreira-solo, sem canções dos Beatles. Nada contra o repertório maravilhoso dos Fab Four, mas é que McCartney tem tantas músicas boas de 1970 para cá que seria bem bacana poder ouvir ao vivo uma Heart Of The Country, por exemplo, ao invés da milésima interpretação de Hey Jude.

Ouvir Pure McCartney é uma bela oportunidade de se curtir a incrível versatilidade de um grande talento. Power ballad em Maybe I’m Amazed, disco music em Coming Up, soul-jazz em Arrow Through Me, folk puro em Junk, pop delicioso em Listen To What The Man Said, rock na veia em Jet, rock eletrônico em Save Us, lirismo puro em Here Today

A variedade de estilos é incrível, sempre com grande qualidade técnica e artística. E acredite: com o material que sobrou, mesmo se levarmos em conta a caixa com quatro CDs, ainda restou material bom o suficiente para justificar pelo menos umas quatro compilações do mesmo gênero, sem repetir faixas e com a mesma força.

O único problema para o neófito que se meter a ouvir Pure McCartney é acabar se viciando no som do cara, e por tabela sair atrás de toda a sua obra. É disco pra burro!!! Mas pode ter certeza de que vale a pena colecionar. Tipo do vício sem contraindicações. E reforço o ponto: ótimo para desancar quem acha que o trabalho solo de Paul McCartney não está a altura do que ele fez nos Beatles. Não? Pense outra vez!

Arrow Through Me– Wings:

Dear Boy– Paul McCartney:

Hope For The Future– Paul McCartney:

DVD registra auge dos Wings em turnê histórica de 1976

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Por Fabian Chacur

Em 1976, Paul McCartney viveu uma das fases mais bem-sucedidas de uma carreira repleta de grandes momentos. Naquele ano, seu grupo pós-Beatles, o Wings, tornou-se provavelmente a banda mais popular do mundo, coroando uma era iluminada com turnê pela América do Norte simplesmente arrasadora. O registro histórico dessa tour está em Rock Show, DVD que acaba de ser lançado no Brasil pela Eagle Rock/ Som Livre.

Rock Show foi lançado nos cinemas em 1980, e o fato de ter sido registrado com equipamento cinematográfico facilitou a tarefa de remasterização e restauração da fita original realizada neste DVD. O resultado é simplesmente excepcional, com apenas uma ou outra cena granulada, e qualidade de áudio arrasadora. Qualidade técnica digna do conteúdo artístico.

A turnê dos Wings daquele 1976 divulgavam o então mais recente álbum do quinteto, Wings At The Speed Of Sound, e flagram uma fase bem diferente do Macca, se comparada com os shows que passou a fazer a partir de 1989, quando voltou após hiato de quase dez anos. Um detalhe que chama a atenção é a quantidade de músicas dos Beatles contidas aqui.

Quando começou a fazer shows com os Wings, McCartney inicialmente não tocava rigorosamente nada escrito pelo Beatles. A muito custo, foi encaixando um ou outro clássico da banda em seu set list. Vamos comparar: em Rock Show, temos um total de 30 músicas, sendo apenas 5 dos Beatles. Na turnê Out There (2014), do cantor, baixista e compositor britânico, em um set list com 39 músicas, 25 são dos Fab Four. Quanta diferença!

A formação dos Wings naquela época é certamente a melhor da história da banda. Além do seu líder inconteste nos vocais, baixo, violão, guitarra e teclados, temos Linda McCartney (vocal e teclados), Denny Laine (guitarra, baixo, violão, vocal, teclados), Jimmy McCulloch (vocal, guitarra, violão e baixo) e Joe English (bateria e vocal). Um timaço!

Com o auxílio de um naipe de metais integrado por Tony Dorsey (trombone), Howie Casey (saxofone, amigo de Paul de Liverpool), Steve Howard (trompete e flugelhorn) e Thaddeus Richard (sax, clarinete e flauta), os caras mostram, além das 5 dos Beatles, 4 de Wings At The Speed Of Sound, 9 de Venus And Mars (1975), 5 de Band On The Run (1973), outras 5 do grupo e de McCartney solo e dois covers.

Aos 34 anos de idade, Paul estava no auge como cantor, simplesmente arrasando em músicas como Let Me Roll It, Call Me Back Again, My Love, Soily e Beware My Love, só para citar algumas. O ótimo guitarrista McCulloch se mostra bom cantor em Medicine Jar, enquanto Denny esbanja carisma em Richard Cory, de Simon & Garfunkel.

Gravado em grandes ginásios, o show não tem recursos visuais tão sofisticados, mas a performance da banda é tão boa que isso fica em segundo plano. Rock Show é provavelmente o melhor registro de um show de Paul McCartney existente no mercado, e é obrigatório para todos aqueles que cultuam esse verdadeiro mestre do rock and roll. Maravilhoso é pouco!

Rock Show- Paul McCartney & Wings DVD (em streaming):

Multishow só mostra metade do show de Paul McCartney

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Por Fabian Chacur (foto: Marcos Hermes-divulgação)

Paul McCartney fez o primeiro dos dois shows programados para São Paulo na noite desta terça-feira (25). Em torno de 45 mil pessoas estiveram presentes na Allianz Parque, a nova arena da Sociedade Esportiva Palmeiras, em noite chuvosa mas repleta de calor humano. O canal a cabo Multishow transmitiu parte do espetáculo, e não exatamente ao vivo, como se imaginava.

A transmissão teve início por volta das 21h20, portanto 25 minutos antes do início do espetáculo, que teve 45 minutos de atraso por causa das chuvas que tornavam difícil o acesso do público ao local. Durante mais de uma hora, a emissora apresentou clipes e entrevistas antigas do ex-Beatle como forma de preencher o tempo e segurar o expectador.

A razão pela qual a performance do Macca não foi transmitida ao vivo ocorreu devido a uma exigência da sua produção, segundo os apresentadores do Multishow. As músicas eram apresentadas com um “delay” (atraso) de pelo menos meia hora. Além disso, houve uma espécie de “resumo” do espetáculo. Das 39 músicas tocadas, apenas 21 delas, por volta da metade, foram ao ar.

A qualidade técnica da transmissão ao menos foi boa, e permitiu a quem não teve a oportunidade de ver o show in loco ter uma boa ideia do que rolou por lá. Solto e bem-humorado como de praxe, McCartney interagiu com a plateia, lendo textos em português referentes a algumas músicas e saudando “Sampa” o tempo todo.

Ele se divertiu quando o público, em determinados momentos entre uma música e outra, começou a cantar “she loves you, yeah yeah yeah”, e contou com o apoio entusiástico de todos em vários momentos, sendo que um dos mais entusiásticos ocorreu durante Ob-la Di Ob-la Da. O encerramento da transmissão ocorreu durante a música Live And Let Die, de forma abrupta e antes mesmo do fim desse clássico. Uma pena. Mas valeu assim mesmo.

Saiba quais músicas do show de Paul McCartney foram transmitidas pelo Multishow:

Eight Days a Week

Save Us

All My Loving

Let Me Roll It

My Valentine

The Long And Winding Road

Maybe I’m Amazed

And I Love Her

Blackbird

Here Today

New

Lady Madonna

All Together Now

Everybody Out There

Eleanor Ribgy

Something

Ob-la di Ob-la da

Band On The Run

Back In The USSR

Let It Be

Live And Let Die

Saiba o set list completo do show de Paul McCartney no dia 25.11.2014:

– Eight Days a Week

– Save Us

– All My Loving

– Listen To What The Man Said

– Let Me Roll It

– Paperback Writer

– My Valentine

– 1985

– The Long and Winding Road

– Maybe I´m Amazed

– I´ve Just Seen a Face

– We Can Work It Out

– Another Day

– And I Love Her

– Blackbird

– Here Today

– New

– Queenie Eye

– Lady Madonna

– All Together Now

– Lovely Rita

– Everybody Out There

– Eleanor Rigby

– Being For The Benefit Of Mr Kite

– Something

– Ob-la di Ob-la da

– Band on The Run

– Back in The USSR

– Let it Be

– Live and Let Die

– Hey Jude

Primeiro bis

– Day Tripper

– Hi Hi Hi

– I Saw Her Standing There

Segundo bis

– Yesterday

– Helter Skelter

– Golden Slumbers

– Carry That Weight

– The End

Começam preparativos para o show de Paul McCartney-SP

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Por Fabian Chacur

Estamos nos aproximando dos históricos shows que Paul McCartney realizará na Allianz Parque, a nova Arena da Sociedade Esportiva Palmeiras, previstos para os dias 25 e 26 de novembro. E os detalhes referentes aos preparativos para essas performances começam a ser divulgados à imprensa brasileira pela Midiorama Entertainment Media, que está por trás dos espetáculos.

De cara, impressiona e muito o fato de que 42 carretas serão utilizadas para transportar o material necessário para a montagem do show. Se levarmos em conta apenas a estrutura metálica, o peso gira em torno de 150 toneladas. Teremos aproximadamente 280 profissionais brasileiros trabalhando na montagem e na produção, sendo que na semana do show, mais 40 técnicos estrangeiros da equipe do ex-Beatle reforçaram o time para os ajustes finais.

Serão necessários em torno de 10 dias para que a montagem da parafernália referente ao show seja concretizada. O palco tem 70 metros de largura, sendo que seu ponto mais alto chega a 26 metros de altura. Em um momento específico do show, Macca e dois de seus músicos serão elevados a uma altura de 8 metros, podendo ser visualizados de qualquer parte da arena.

Serão montadas 150 caixas de som, com uma potência em torno de 200 mil watts, além de dois telões de alta definição em cada um dos lados do palco. O fim do show terá como atração oito canhões que jogarão no palco e na plateia uma infinidade de confetes, dando um clima provavelmente semelhante ao do fim do ano nas empresas paulistanas.

No quesito “exigências pessoais”, o autor de Yesterday solicitou para os camarins 6 vasos de plantas altas e com bastante folhagem, e outras seis mais baixas. Também teremos 80 gérberas de cores sortidas, distribuídas em 8 arranjos com 10 flores cada. De quebra, 240 toalhas precisarão estar por lá. São esperadas aproximadamente 48 mil pessoas em cada um dos shows, sendo que os ingressos para o primeiro deles se esgotaram em questão de horas.

Em termos de repertório, Paul McCartney e sua banda devem apresentar em torno de 39 músicas por noite, com ênfase em clássicos dos Beatles, dos Wings e da carreira solo deste grande gênio da música. Sua turnê americana tem sido aberta invariavelmente com uma de duas músicas: Eight Days a Week ou Magical Mystery Tour.

Como novidades, músicas de seu mais recente (e ótimo) álbum New, entre as quais Queenie Eye, Everybody Out There e Save Us, a também recente Valentine e uma releitura de Being For The Benefit Of Mr. Kite, dos Beatles, que curiosamente foi interpretada por John Lennon no álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967). E no bis, temos o revezamento entre Birthday, dos Beatles, e Hi Hi Hi, dos Wings.

O show tem sido encerrado sempre, após um segundo bis, com o maravilhoso medley do álbum Abbey Road (1969). Além dos shows em São Paulo, Paul McCartney se apresentará no Brasil no dia 10 de novembro no estádio Kleber Andrade, em Vitória (ES), no dia 12 de novembro na HSBC Arena no Rio e no dia 23 de novembro no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Queenie Eye– Paul McCartney:

Duas ou três coisas sobre a música em 2013

Por Fabian Chacur

Muita gente odeia essa história de retrospectivas dos “anos velhos” que acabam de se mandar. Também tem quem goste. Se bem feitas, acho que essa passada de olhos no que ocorreu nos doze meses anteriores ao novo janeiro são até úteis, como um balanço e uma avaliação de fatos. Seja como for, não estou com saco de ser detalhista, mês a mês. Então, vamos com uma viagem aleatória a alguns fatos ocorridos no mundo da música em 2013.

The Voice Brasil, The Choice Brasil, Que Joça, Brasil!

Se há uma verdadeira praga que veio para infernizar a vida de quem realmente gosta de música são os tais reality shows musicais. Há mais de uma década nas programações das mais diversas redes de TV do mundo, e disponíveis em várias versões, esse tipo de programa tenta formatar de jeito rígido o que deveria ocorrer de forma mais espontânea: a revelação de novos talentos.

Se em alguns países essa fórmula até ajudou a destacar alguns nomes bacanas, no Brasil tornou-se mais um tipo de “loteria musical”. No fim das contas, são sempre dois os fatores que levam alguém a vencer uma atração assim por aqui. Basicamente, quem grita mais ou quem é mais pobre e pode sair da zona do rebaixamento da vida se embolsar a grana disputada.

The Voice Brasil é apenas mais um capítulo desse universo dos “not so reality” shows. Exibicionismo de jurados e candidatos, vozeirões ocos, disputa por dinheiro e vencedores que, posteriormente, voltam ao anonimato. Ellen Oléria, a vencedora de 2012, já está caminhando para ficar ao lado das Vanessas Jacksons da vida, sumindo de cena. Uma pena, em um formato no qual o que menos importa é a música. Mas não se iludam. Mais programas assim virão e virão e virão. Procure talentos em outros cantos…

Dominguinhos agora está ao lado de Gonzagão no Céu do Forró

Recentemente, reli uma entrevista de 1999 do músico paulista Miltinho Edilberto no qual ele comentava sobre Dominguinhos, definindo-o como uma espécie de Gonzagão que merecia ser mais cultuado pelas pessoas, e ser homenageado enquanto estava vivo e com saúde.

Pois Dominguinhos infelizmente nos deixou em 2013. Grande músico, cantor, compositor e ser humano, ele nos deixou uma obra impecável dedicada ao melhor da cultura popular. Tive a honra de cobrir seu último grande show em São Paulo na Virada Cultural 2011, e vi esse mestre, mesmo com limitações físicas evidentes, dar um banho de garra e musicalidade.

Se merecia ter sido mais reverenciado, até que Dominguinhos foi bastante “acarinhado” pelo povo em suas mais de quatro décadas de carreira, na qual nos proporcionou tantos sucessos próprios e também colocou suas cerejas em bolos confeccionados por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Elba Ramalho e tantos outros. Simples, simpático, genial. Descanse em paz!

Reginaldo Rossi e a fórmula para agradar gregos e troianos musicais

Não é para qualquer um se manter durante quase cinquenta anos no cenário musical, ainda mais se o artista em questão nunca se dobrou aos modismos da vida para fazer sucesso. Outra grande perda brasileira em 2013, Reginaldo Rossi começou na onda da Jovem Guarda, mas logo entortou suas influências musicais e criou um estilo próprio, bem-humorado, romântico e pé na porta, sem preocupações com sutileza ou politicamente correto.

Se só virou uma espécie de unanimidade em 1998, quando seu CD Ao Vivo turbinou o antigo sucesso Garçom e o fez ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas, “The King” sempre teve público fiel no Norte e Nordeste. Felizmente, Rossi teve as flores em vida, e nos deixou sabendo ser amado por milhões de fãs. Um estilista da canção popular. Uma figuraça!!!

Paul McCartney, David Bowie e Elton John mais gênios do que nunca

Três nomes que há décadas fazem parte da história do rock and roll provaram em 2013 que continuam com fome de bola, dispostos a nos oferecer novos trabalhos repletos de boas canções. David Bowie nos ofereceu The Next Day, uma espécie de álbum síntese com ecos de várias fases de sua carreira e uma surpresa para quem não lançava um trabalhos só de inéditas há dez anos. Aposentado uma ova!

Macca e Elton, por sua vez, continuam na estrada e ativos nos últimos anos, mas lançaram em 2013 CDs comparáveis a seus grandes momentos. Se o único ponto negativo de Elton John em The Diving Board é a voz já não tão impactante, no caso de McCartney não dá para reclamar de nada em seu New, repleto de boas canções, vocais excelentes e a fome de bola do eterno beatle.

Ringo Starr, Matchbox Twenty, Black Sabbath, Joyce Moreno, Springsteen…

Em um ano repleto de shows nacionais e internacionais em nossos palcos, alguns merecem destaques especiais. Bruce Springsteen, que não tocava por aqui há 25 longos anos, conquistou os fãs no Rio e em São Paulo com um show vigoroso, repleto de hits e com Sociedade Alternativa, de Raul Seixas, como surpreendente e detonante música de abertura. Quem nasceu para The Boss sempre será The Boss, pelo visto.

Ringo Starr voltou a São Paulo e conquistou os beatlemaníacos e afins com uma performance impecável, cantando, tocando e cativando a plateia com muita energia para um setentão. A seu lado, mestres como Todd Rundgren, Steve Lukhater, Richard Paige e Gregg Rollie, que tornaram o que já seria bom um momento absolutamente inesquecível.

Embora ignorada pelos críticos brasileiros, o grupo americano Matchbox Twenty deu aos brasileiros a prova de que não estão nas paradas de sucesso há quase 20 anos por acaso. Seu rock and roll com tempero pop e influências de Bruce Springsteen, John Mellencamp, Beatles e outros é apresentado ao vivo com muita vibração, refinamento e carisma. Belos shows, que os fãs adoraram e que me tornou ainda mais fã deles.

Fecho com um destaque especial para o maravilhoso show que a genial Joyce Moreno fez no Sesc Bom Retiro mostrando o repertório de seu excelente novo álbum, Tudo. A se lamentar, o fato de menos de cem pessoas terem comparecido para ver essa verdadeira aula de música brasileira melódica, poética e rítmica. Uma performance de lavar a alma de quem teve a honra de presenciá-la. Dica: não perca o próximo, role onde rolar.

A emoção de ver o Black Sabbath com sua quase formação clássica

Eu não estive lá, mas quem esteve classifica o show feito pelo Black Sabbath em São Paulo, no Campo de Marte, em outubro de 2013, como um dos mais emocionantes de todos os tempos. E não é para menos. Ver no mesmo palco três dos quatro integrantes originais de uma das mais influentes e poderosas bandas de rock de todos os tempos não é coisa banal.

Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler arrancaram lágrimas e alegria de um verdadeiro mar de gente que nem se importou tanto ao não ver desta vez o baterista original da banda, Bill Ward, que tocou com o Black Sabbath no Brasil nos anos 90, em show que não teve o vocalista comedor de morcegos. Se o show foi como o do ótimo DVD lançado há pouco por aqui, invejo quem esteve lá. Histórico, simples assim.

Daft Punk, ou como tornar fazer 2013 soar como 1978 sem cair em caricatura

Ver Nile Rodgers, o genial capitão da Chic Organization, de volta às paradas de sucesso após muitos e muitos anos já tornaria Random Access Memories um álbum histórico. Mas o trabalho do duo Daft Punk (o primeiro de inéditas em 8 anos) vai muito além de incluir dois dos melhores e maiores hits de 2013, Get Lucky e Move Yourself To Dance.

Gastando uma grana lascada, a dupla radicada na França investiu em músicos de verdade para tocar uma mistura de disco music com música eletrônica, pop e rock, gerando um álbum que consegue a façanha de soar como se tivesse sido lançado em 1978 e ainda assim parecer totalmente sintonizado com o espírito musical de 2013. Discoteca básica total e eterna!

Lou Reed sai da Wild Side e vai para a Eternal Side…

Um dos artistas mais influentes e talentosos da história do rock nos deixou em 2013. Lou Reed morreu setentão, faixa etária que muitos não acreditavam que ele atingiria, levando-se em conta o tipo de vida que teve durante as décadas de 60 e 70. Belo exemplo de que o destino a Deus pertence, e que a gente morre quando chega a hora, nem antes, nem depois.

Lou Reed conseguiu fundir rock básico a elementos eruditos, especialmente de ordem poética, com suas letras evocando a barra pesada, os personagens sombrios dos grandes centros urbanos e os poderosos riffs de guitarra. O brasileiro teve a chance de vê-lo nos anos 90 em show de rock and roll básico e em 2010 no formato experimental Metal Machine Music. Que bela obra ele nos deixou!

E que venha muita coisa boa em 2014. Feliz ano novo, queridos leitores!!!

Perfect Day, com Lou Reed:

I Can’t Stand It – Lou Reed:

New é Paul McCartney em plena forma

Por Fabian Chacur

Em 1986, o excelente Roberto Muggiati escreveu uma bela resenha na saudosa e extinta revista Somtrês do então recém-lançado álbum Press To Play, de Paul McCartney. No texto, o jornalista e escritor tocou em um ponto nevrálgico na hora de se analisar um trabalho de alguém que, na época, já era uma lenda viva: como fugir da comparação de suas obras passadas e avaliar as novas com justiça?

Ele concluía a análise daquele ótimo e injustiçado álbum do Macca dizendo, de forma bem inteligente, que aquele era um excelente álbum daquele novo artista de new wave, um tal de Paul McCartney. Pois 27 anos se passaram, o ex-Beatle viu seu peso artístico aumentar ainda mais e continua sendo obrigado a competir com o seu passado. Só que ele faz isso da forma certa, e New, o novo álbum de inéditas que acaba de lançar, é a prova cabal disso.

Aos 71 anos de idade, McCartney não perdeu a jovialidade, e sempre está disposto a experimentar novos rumos em sua carreira, seja ao trabalhar com novos profissionais, tentar novas sonoridades ou mergulhar em rumos incomuns. Sem, no entanto, se descaracterizar ou tentar ser outro cara que não aquele alegre, talentoso e criativo sujeito que integrou os Fab Four “all those years ago”.

Se muita gente não dá a devida atenção aos trabalhos que o Macca lançou desde que os Beatles saíram de cena, em 1970, azar deles. Aliás, eu adoraria um dia ver um show no qual ele deixasse de lado os clássicos da melhor banda pop de todos os tempos e nos oferecesse apenas obras dos Wings e de sua prolífica trajetória individual. Seria lindo! Sei que não vai acontecer, mas sonhar é preciso.

O legal é que, aparentemente, Paul não liga para esse desinteresse que parte do seu fã-clube tem em relação ao seu trabalho pós-beatle. Continua trabalhando duro, com prazer e sempre nos oferecendo o que ele pode de melhor. Acerta muito, e quando erra, é sempre por razões nobres, e nunca devido a tentativas de ser comercial demais, ou de fazer concessões demais, ou de dar uma de “moderninho demais”. Ele se diverte, sempre, e nos diverte por tabela.

New é um disco simplesmente delicioso, no qual ele troca figurinhas com gente importante da música pop atual, como Paul Epworth, produtor, compositor e músico que tem no currículo parcerias com Adele nos megahits Rolling In The Deep e Skyfall. A dobradinha assina dois petardos do novo álbum, a vigorosa faixa de abertura Save Us e o single matador Queenie Eye, aquele em cujo clipe temos uma festa de celebridades.

Também estão em cena na produção gente como Giles Martin (filho de George Martin, o produtor dos Beatles), Mark Ronson (produtor de Amy Winehouse e filho de Mick Ronson, o guitarrista dos Spiders From Mars de David Bowie) e Ethan Johns (filho de Glynn Johns, produtor de The Who, Rolling Stones, The Eagles e tantos outros, e ele próprio produtor de Kings Of Leon, Crosby Stills & Nash, Kaiser Chiefs etc). Entre os músicos, temos os integrantes de sua atual e ótima banda de apoio.

O repertório da edição de New lançada no Brasil, a Deluxe, traz 15 faixas, sendo três delas incluídas como bônus (Scared, a última, entrou de forma “secreta”, pois não é listada no encarte ou na contracapa do álbum). Os climas variam, indo de rock eletrônico energético a baladas folk ou até um envolvente blues mais rústico (Get Me Out Of Here).

Os fãs dos Beatles certamente vão tirar o lenço e deixar cair boas lágrimas ao ouvir a balada folk Early Days, na qual Paul relembra seus primeiros tempos no universo musical de uma forma lírica como só ele sabe fazer. New, a faixa título, é pura energia, Hosanna é som pop com tempero caprichado, e por aí vai. E vai bem. Cada audição nos dá mais prazer.

O segredo é esse. Quando você for ouvir o novo álbum de Paul McCartney, esqueça de tudo o que ele já fez e tente se ater apenas ao presente, como nos ensinou em 1986 o grande Roberto Muggiatti. Dessa forma, fica fácil entender o porque esse cara é quem ele é: um gênio que não se cansa de nos proporcionar novas pérolas pop de altíssimo quilate, mesmo sem precisar, tendo em vista tudo o que já fez de bom. Tem artistas por aí que dariam um braço para ter em suas discografias um álbum como esse New. E nunca terão. Nunca terão!

Veja o clipe de Queenie Eye, de Paul McCartney:

Filme mostra a história do Sound City

Por Fabian Chacur

O que nomes tão diferentes entre si como Fleetwood Mac, Dio, Nirvana, Barry Manilow e Rage Against The Machine tem em comum? Todos gravaram discos no Sound City, um dos estúdios mais badalados da história da música popular. Sua fascinante história é o mote do documentário Sound City, já disponível no Brasil em DVD e Blu-ray.

A ideia do filme surgiu da mente de Dave Grohl, que viu sua carreira ganhar projeção mundial após gravar o álbum Nevermind com o Nirvana por lá em 1991. Mal sabia ele que aquele estouro também significaria muito para o Sound City, naquele momento em vias de fechar.

A história desse mitológico estúdio teve início em 1969, quando Joe Gottfried se associou a Tom Skeeter e ambos iniciaram o estúdio no espaço antes usado pela empresa britânica Vox em Van Nuys, Los Angeles, Califórnia. Os anos iniciais não foram muito animadores, embora Neil Young e até o abominável Charles Manson tenham gravado por lá.

A coisa embalou quando os proprietários resolveram investir em uma mesa de gravações de primeira e encomendaram um modelo exclusivo da inglesa Neve. As primeiras gravações feitas nela tiveram como protagonistas dois então ilustres desconhecidos: o cantor e guitarrista Lindsey Buckingham e a cantora Stevie Nicks.

O então casal gravou por lá o álbum Buckingham Nicks (1973), que mais de um ano depois serviu como apresentação da qualidade técnica do local para o baterista Mick Fleetwood, do Fleetwood Mac, que procurava um lugar para gravar o novo álbum da banda. Ele também procurava um guitarrista, e se apaixonou pelo som de Buckingham.

O músico impôs a entrada no grupo da namorada para aceitar o convite. Isso se concretizou, e o novo Fleetwood Mac gravou seu primeiro disco com a nova escalação por lá. O estouro daquele álbum autointitulado, lançado em 1975, não só impulsionou a banda rumo ao estrelato, como tornou o Sound City um dos mais badalados estúdios dos EUA.

O documentário de Dave Grohl mostra essa história com detalhes e depoimentos dos músicos que por lá gravaram clássicos do rock, gente do naipe de Tom Petty, os integrantes do Fleetwood Mac, Ronnie James Dio, Rick Springfield e até mesmo Barry Manilow, que gravou um disco de sucesso mediano por lá (Here Comes The Night, de 1982, com o hit Memory) e aparece como verdadeiro ET no filme.

O contraste entre a qualidade da mesa de som e da ambiência para a gravação de bateria do local e o aspecto de boteco de beira de estrada das suas instalações (sujo, poeirento, com móveis velhos) é bem apresentado, com direito a belos depoimentos de antigos funcionários, entre eles o consagrado produtor Keith Olsen.

Símbolo das gravações feitas com o sistema analógico, o Sound City viveu uma fase de vacas magras no fim dos anos 80, quando a tecnologia digital começou a tomar conta, mas o estouro de Nevermind deu a ele uma sobrevida, e a gravação por lá de clássicos como o disco de estreia do Rage Against The Machine e álbuns de Johnny Cash, Carl Perkins e Queens Of The Stone Age, entre outros.

A origem do documentário surgiu no momento em que Dave Grohl soube que o Sound City enfim iria fechar, e resolveu tentar comprar a célebre mesa Neve 8028. Quando a comprou e a levou para seu novo estúdio, o 606, ele decidiu fazer um filme registrando a história de lá e também uma outra, tão fascinante quanto.

Como forma de inaugurar o 606, Grohl teve a ideia de gravar um álbum com alguns amigos famosos, entre os quais Stevie Nicks, Paul McCartney, Butch Vig (produtor de Nevermind e líder da banda Garbage), o também ex-Nirvana Krist Novoselic, todo focado em músicas inéditas. O CD, intitulado Real To Reel e também já lançado por aqui, é ótimo, e os bastidores de suas gravações são a outra metade de Sound City.

Além de boa músicas e a revelação de incríveis bastidores da história do rock, o filme traz depoimentos do próprio Tom Skeeter, e de Rick Springfield admitindo de forma emocionante o jeito não muito correto com que se desligou de Joe Gottfried como empresário. Segundo ele, houve tempo para se desculpar com Gottfried antes de sua morte, ocorrida em 1992.

Sound City agrada como documentário histórico, documentário musical e puro entretenimento, e serve como uma bela homenagem ao estúdio que enfim encerrou suas atividades em 2011, não sem deixar saudades nos fãs do rock and roll. E a mesa Neve continua na ativa, graças a Dave Grohl. Esse cara é realmente incrível, e seu filme, idem.

Veja o trailer do documentário Sound City:

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