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Cantor e compositor Peu vem com clipe e prepara novo CD

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Por Fabian Chacur

A nova era da música popular brasileira se mostra repleta de gente aparecendo com novos lançamentos. A internet e o acesso às novas tecnologias, bem mais baratas do que as disponíveis em décadas passadas, possibilitam gravações rápidas e em quantidades quase industriais. Garimpar o que é bom em meio a toneladas de porcarias não é algo muito fácil. É por isso que vale louvar o lançamento de Alvejante Pra Mágoa, clipe da nova canção de Peu. Muito legal mesmo!

A música Alvejante Pra Alma é bem dançante e envolvente, e equivale a uma mescla de música nordestina, psicodelia e música pop latina moderna, com um temperinho meio Los Hermanos no meio. O clipe mistura animação e imagens em preto e branco e coloridas, com um resultado que simplesmente cativa o espectador. Boa forma de divulgar essa canção, e com quase 20 mil visualizações até o momento, belo número para um artista independente.

Peu é um músico, cantor e compositor que toca em casas noturnas desde os 17 anos. Debaixo do Lençol (também com clipe disponível), Cantar e Amar, Última Dose e Estação Zero são outras de suas canções, que costumam ser entremeadas por releituras de obras alheias como Praieira (Nação Zumbi), Feeling Good (Nina Simone) e ECT (Nando Reis, sucesso na voz de Cassia Eller). Ele em breve irá lançar seu primeiro CD, que gera boas expectativas em função dessas boas amostras.

Alvejante Pra Alma– Peu:

Por Debaixo do Lençol– Peu:

Ivete Sangalo e a fórmula para ser bem popular e sofisticada

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Por Fabian Chacur

Infelizmente, não me lembro quem foi que criou essa definição sobre o trabalho de Roberto Carlos. Mas vamos lá: “Roberto Carlos é o máximo em termos de artista popular que uma pessoa sofisticada se permite ir, e o mais sofisticado que uma pessoa estilo povão se permite ir”. Ou seja, caso raro de agradar segmentos muito distantes com um único tipo de música. E pode se dizer que outra artista agora se encaixa feito luva nesse conceito. É Ivete Sangalo, que acaba de lançar o CD duplo e DVD Acústico em Trancoso.

Desde os tempos de Banda Eva, essa cantora e compositora baiana nos apresentava uma música popular, mas sem cair na vulgaridade. Ao iniciar a carreira solo, em 1999, Sangalo elaborou ainda melhor essa proposta, fugindo do nível rasteiro que os setores mais escancarados da axé music às vezes atingem, propondo música multifacetada, para cima e falando de temas universais, mas sem forçar a barra na simplicidade.

Desde então, ela conseguiu se firmar como a cantora mais popular deste país continente, vendendo milhões de discos e lotando todos os shows de suas turnês. Poderia ter se acomodado, como já aconteceu com vários colegas de profissão, mas isso nunca ocorreu. Sempre se desafia e propõe novos horizontes, como um show no mitológico Madison Square Garden (Nova York, EUA), ou gravar em parceria com Gilberto Gil e Caetano Veloso. E costuma dar certo.

Sempre que falo de Ivete eu me refiro a ela com um apelido, “A Grande Irmã”. Explico: às vezes, dá a impressão que ela está em todas, participando de todos os programas de TV, gravando com todos os artistas possíveis, em todos os comerciais… Onipresente. Isso me incomodava um pouco até ter a chance de conhece-la pessoalmente e entrevista-la. Aí, você percebe que ela faz isso não para massagear o próprio ego, e sim porque não consegue ficar parada.

Acústico Em Trancoso é mais um trabalho que explora novas cores para o trabalho dessa artista inquieta. Sem guitarras nem programação eletrônica, ela no entanto não se propõe ao acústico habitual, ou seja, som intimista e poucos instrumentos. Aqui, temos muita percussão, vibração e o vozeirão de Miss Sangalo acompanhada por ótimos arranjos. Às vezes, nem dá para notar que é “acústico”.

Tendo o alto astral e a beleza da paradisíaca Trancoso como cenário, Ivete nos mostra releituras bem bacanas de sucessos de sua carreira, além de sete músicas que nunca haviam sido incluídas em seus trabalhos anteriores, entre eles a excelente O Farol, funk de verdade incluído na abertura da novela global Haja Coração. Não estranhem se todas essas inéditas acabarem aparecendo nas paradas de sucesso futuramente.

Em CD, lançando em dois volumes, temos uma faixa exclusiva (incluída no CD Parte 01). Trata-se de Segredo, composição de Djavan gravada em estúdio e contando com a participação do próprio, em belo dueto. Embora com clima alto astral, o repertório tem dinâmica que não deixa o show cair na rotina, com direito a momentos mais sacudidos, alguns intermediários e outros dedicados ao mais puro romantismo. E a cantora se sai bem em todos, esbanjando versatilidade.

Além de Djavan, temos outras participações especiais: The Voice Kids (na faixa A Lua Q Eu T Dei), Vitin (da banda Onze 20, em Perto de Mim), Helinho (da banda Ponto de Equilíbrio, em Estar Com Você) e Zero a Dez (com Luan Santana). Todos se encaixam bem com a estrela da festa, que no entanto é quem acaba brilhando mais.

Acústico Em Trancoso mostra que Ivete Sangalo sabe como poucos atrair um público afeito a trabalhos populares sem se rebaixar ao popularesco, e a cativar um público mais sofisticado sem cair em um trabalho hermético e sofisticado demais. Ela achou o “ponto de equilíbrio” (curiosamente o nome da banda do convidado Helinho) perfeito para concretizar tal missão. Fazer o que, então? É bater palmas para essa verdadeira diva brasileira. Acertou de novo!

O Farol (ao vivo)- Ivete Sangalo:

Perto de Mim (ao vivo)- Ivete Sangalo:

A Lua Q Eu T Dei (ao vivo)- Ivete Sangalo:

Baterista Fabinho Reis mostra o seu lado front man em Selfie

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Por Fabian Chacur

Durante anos, Fabinho Reis mostrou ao público seu talento e versatilidade como baterista, tocando com bandas e artistas de vários estilos musicais. Agora, chegou a vez de ele revelar seu lado cantor e compositor. Acaba de ser lançado pela via independente seu primeiro CD solo, Selfie, no qual ele solta a voz e mostra talento como autor de canções.

Divulgado por um belo clipe, Praça Bandeira, que já teve mais de 28 mil acessos no Youtube, Fabinho concilia a carreira solo como baterista free lancer e também integra a banda Aculia e o grupo de apoio do cantor e compositor mineiro Gabriel Guerra. Saiba mais sobre o disco e também sobre a carreira deste artista promissor em entrevista concedida a Mondo Pop via e-mail.

Mondo Pop- Gostaria que você falasse um pouco de sua atuação como baterista antes deste trabalho solo: com quem você tocou, gravou etc. Você estudou bateria, fale sobre a importância disso para a sua trajetória como músico.
Fabinho Reis– Meu interesse pela música foi por volta dos meus doze anos de idade, eu estudava violão, aos quinze comecei a me interessar pelos tambores. De lá pra cá eu tive contato com diversas bandas de garagem, todas com um repertório grande de músicas cover, o que muito me ajudou, pois passei pelo metal, rock, pagode, axé, até conhecer a MPB: foi aí que resolvi encarar o instrumento como minha profissão. Ficava completamente envolvido com a bateria quando ouvia Djavan, Gil, Marisa Monte, Milton Nascimento, queria tocar bateria igual aos bateristas deles, Carlos Bala, Jorginho Gomes, Neném e Lincoln Cheib, referências para nossa música brasileira.

Mondo Pop- E como foram esses anos iniciais?
Fabinho Reis
– Fui fazendo shows em bailes de formatura, casamentos, bares e aniversários de cidades como Poços de Caldas, na qual passei o maior tempo de minha vida, e por toda a região do sul de Minas. Em 2004, mudei-me para São Paulo continuando o mesmo trajeto, shows em pubs, formaturas… Como nos grandes centros as oportunidades são maiores, conheci muitos músicos que sempre me indicavam para outros trabalhos – foi assim que surgiu a oportunidade de trabalhar ao lado de Tico Santa Cruz (Detonautas), Egypcio (Tihuana), Eriberto Leão (ator da rede Globo), Digão (Raimundos), Borguetinho…

Mondo Pop- Com quem você está tocando atualmente?
Fabinho Reis
– Hoje eu sou baterista da Acullía, banda de rock com dois discos lançados e uma agenda de fazer inveja a muita banda de sucesso, com média de 15 a 18 shows mensais, a grande maioria em pubs de São Paulo, e também do Gabriel Guerra, músico também de Minas que vem despontando no cenário pop. Com Gabriel, tive a oportunidade de abrir shows do Capital Inicial, Roupa Nova, Jota Quest, Biquíni Cavadão, Nando Reis, Titãs etc.

Mondo Pop- No que o aprendizado formal te ajudou na música?
Fabinho Reis
– Bom, com relação ao estudo, desde os meus 18 anos comecei com professores em Poços de Caldas e me aperfeiçoei na faculdade, sou bacharel em música, e com professores de São Paulo. Na minha opinião, todos os músicos deveriam estudar instrumentos rítmicos, porque ajuda muito em um processo de criação, complementa as ideias; aliás, a música é um conjunto cujo estudo precisa caminhar junto: harmonia, melodia e ritmo.

Mondo Pop- Desde o seu início no meio musical a ideia era mesmo investir em uma carreira-solo como cantor, compositor e músico ou isso surgiu posteriormente, quando você já atuava como baterista?
Fabinho Reis
– Decidi que seria músico aos 15 anos quando comecei a tocar bateria, junto com a bateria, sempre toquei violão e escrevi músicas. A ideia sempre foi ter uma banda de músicas próprias, não imaginava que poderia eu mesmo lançar um disco de músicas inéditas e ainda mais como vocalista. O CD Selfie foi uma oportunidade que agarrei, mas que não imaginava.

Mondo Pop- Onde você nasceu e onde você foi criado? Qual a influência de sua cidade natal em sua vocação musical?
Fabinho Reis
– Sou natural de uma pequena cidade de Minas Gerais, Muzambinho, e morei uma boa parte da vida em Poços de Caldas. Minha influência maior vem do meu pai, José Maria Reis. Foi vendo ele tocar nas festinhas familiares que tudo começou, eu cantava com ele, fazíamos uma dupla, eu, muito menino de voz aguda, fazia a primeira voz e ele, a segunda… época muito boa! Não só a minha cidade natal, mas estar no estado de Minas contribuiu muito com a minha musicalidade. Acho que o músico mineiro tem uma sensibilidade diferente, aprendi muito ouvindo Milton Nascimento, Beto Guedes, 14 bis, Toninho Horta, todo o pessoal do movimento clube da esquina. Acho que foram estes os pilares para o que venho desenvolvendo musicalmente…

Mondo Pop- Fale um pouco de como foram as gravações do CD Selfie, e como foram escolhidos os músicos que tocam com você nele. E você, tocou outros instrumentos além da bateria e de cantar?
Fabinho Reis
– Olha, foi a primeira vez que entrei em um estúdio para gravar voz, uma experiência diferente e um pouco complicada, repeti a mesma música algumas vezes. Participei também das gravações de bateria e dos arranjos. O disco Selfie foi produzido pelo Leonardo Ramos (Supercombo), o que facilitou em vários aspectos, os músicos que participaram no disco foram convidados por ele, mas foram poucos, porque o próprio Léo foi o músico que mais gravou no disco! Foi um processo bem tranquilo.

Mondo Pop- Temos alguns exemplos bem bacanas de caras que começaram no meio musical como bateristas e depois se tornaram famosos também como cantores e compositores, tipo Phil Collins, Don Henley e Dave Grohl. Diga um pouco o tamanho da influência desses caras na sua trajetória.
Fabinho Reis
– Não diria influência, me inspirei na coragem e na atitude deles, temos músicos brasileiros que fazem isso muito bem também, Serginho Herval (Roupa Nova), Dom Paulinho… O contato com os músicos paulistanos e principalmente a Banda Acullía me ajudaram muito com isso, foi com o incentivo dos meus colegas de trabalho que resolvi cantar algumas músicas. O baterista é o cara que sempre fica escondido atrás de tambores, pratos e sair deste “escudo” e encarar o público como um front man requer muita coragem e atitude.

Mondo Pop- Como você define o seu estilo musical? Qual o caminho musical que você procurou desenvolver em Selfie?
Fabinho Reis
– Passei por muitas bandas, cada uma com um estilo diferente e, mesmo que elas não tivessem como um primeiro plano a música própria, eu compunha para elas, muitas vezes nem chegava a mostrar a composição para ninguém. Não elaborei e nem arquitetei o CD Selfie, ele emergiu com uma seleção que fiz de minhas músicas, sem rotular estilos, ritmos… Processo livre!

Mondo Pop- Em termos de letras, quais são os temas que mais te interessam, e que você desenvolveu neste disco?
Fabinho Reis
– Tenho uma queda por relações e por falar sobre o cotidiano.

Mondo Pop- Uma curiosidade: vários artistas, como você no caso do CD Selfie, costumam gravar os discos em estúdios brasileiros e fazer a masterização no exterior, especialmente nos EUA. Por quê? Ainda não seria possível fazer masterização no Brasil com grande qualidade, ou seria outra questão que envolve essa opção?
Fabinho Reis
– Acho que temos tecnologia e bons profissionais no ramo, não foi por falta de profissionais brasileiros ou de qualidade. Quando terminamos as gravações, um amigo me falou sobre o trabalho do Chris Hanzsek, que é americano. Pesquisei um pouco sobre ele e achei que seria muito válido deixar a master por conta de Chris. Trocamos alguns e-mails e ele foi muito atencioso e extremamente rápido, não tinha por que procurar outro.

Mondo Pop-O clipe de Praça Bandeira ficou muito legal. Como surgiu a ideia de gravar na região da Avenida Paulista com a cara pintada e distribuindo as rosas, e como foi essa experiência para você? A reação das pessoas te surpreendeu?
Fabinho Reis
– Eu queria um clipe sem atores ou algo programado, queria trabalhar com a reação das pessoas, sem ter nada combinado – foi aí que veio a ideia das rosas. A pintura no rosto foi uma intenção de existir um personagem, mas também uma forma de me esconder, de me sentir um pouco mais à vontade para sair pela paulista distribuindo rosas. Escolhi o coração de São Paulo para tocar o coração das pessoas. A região do Masp na Paulista é um local muito conhecido, por onde trafega todo tipo de pessoa.

Mondo Pop-Ainda sobre Praça Bandeira: temos nela a participação do rapper Mb2 Uclanos. Conte como surgiu a ideia de convidá-lo, de onde você o conhece, de onde ele é e como você avalia que ficou essa mistura entre o seu som e o dele.
Fabinho Reis
– Conheço o Mb2 Uclanos (Bebeto) de quando morava em Poços de Caldas. Quando fechamos o arranjo da música Praça Bandeira eu comentei com o Léo que ficaria muito bom se colocássemos um rap, mas eu não queria algo que falasse sobre política ou qualquer outro problema de que já estamos cansados de saber e de ver. Queria uma mensagem positiva, e foi assim que surgiu o Bebeto, ele entendeu direitinho, deu o recado muito bem dado. Comento com o Bebeto, “cara você salvou a minha música!” *risos*

Mondo Pop-Como serão os shows de divulgação do CD Selfie? Você irá tocar bateria neles, ou irá se dedicar mais aos vocais?
Fabinho Reis
– Nos shows eu tocarei violão, a bateria ficará a cargo de outro músico. Ainda não formatei tudo, não sei quem fará parte desta “festa”, talvez monte uma banda só de garotas. Estou trabalhando na divulgação do CD físico e mídias digitais e, para minha surpresa, está sendo bem aceito. Os shows que tenho feito atualmente são todos como baterista.

Veja o clipe de Praça Bandeira, de Fabinho Reis:

Sandy estreia turnê do DVD Meu Canto com ótimo show

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Por Fabian Chacur

Na noite desta quinta-feira (5), Sandy estreou a turnê que irá divulgar Meu Canto- Ao Vivo, seu novo DVD, que será lançado pela Universal Music entre o fim de maio e o começo de junho. O show, que teve segunda data no dia seguinte, foi realizado no Tom Brasil, em São Paulo, e foi recebido com muito entusiasmo pelo público presente, que lotou a casa de shows. Uma recepção mais do que merecida, se levarmos em conta a qualidade do espetáculo oferecido pela cantora e sua banda.

Com 26 anos de estrada, essa cantora e compositora dá provas de que sabe como desenvolver uma carreira artística. Seu trabalho evoluiu a olhos vistos, a cada ano que se passou. Quando encerrou a trajetória da dupla que fez com o irmão Júnior, preparou-se com calma para dar o próximo passo, sem cair em truques ou opções apressadas. Tanto que Manuscrito, a esperada estreia solo, só saiu em 2010. Valeu a espera.

Esse primeiro trabalho em CD e também o seguinte, Sim (2013), proporcionaram uma obra sem receios de ser pop e acessível ao ouvido médio, mas sem cair no lugar comum. Aqui, cada faixa é trabalhada com esmero, com carinho, com assinatura própria. Lógico que ninguém está redescobrindo a roda na música atual, mas Sandy mostra muito respeito por seus fãs e por ela própria, e isso transparece nas canções que grava e em tudo que cerca sua trajetória artística.

Meu Canto- Ao Vivo, seu segundo DVD (o primeiro, Manuscrito ao Vivo, saiu em 2011), traz músicas dos CDs anteriores, releituras de canções alheias, um ou outro sucessos dos tempos de Sandy & Junior e ainda quatro inéditas, em gravações realizadas ao vivo no final de 2015 em Niterói, Rio de Janeiro. Participam do trabalho o jovem talento Tiago Iorc e o mestre Gilberto Gil.

No show, cujo cenário procura representar de forma elegante e simples em termos físicos o conceito duplo do título do DVD (o lado da cantora e o lugar em que ela se sente à vontade), Sandy se mostra solta e bastante tranquila, mesmo com um pequeno pigarro que a levou a tomar bastante água durante os aproximadamente 90 minutos do show. Mas nada que conseguisse prejudicar uma única nota emitida por ela durante esse período. Coisa de profissional.

A sequência musical foi muito bem encadeada, sem deixar a peteca ir ao chão e alternando momentos agitados com aquelas pausas estratégicas para canções mais introspectivas. Os hits foram muito bem recepcionados, entre eles Pés Cansados, Aquela dos 30, Desperdiçou e a belíssima Morada, esta última com letra que é poesia em estado puro. As inéditas, bem divulgadas, também arrancaram reações bacanas, entre elas as consistentes Respirar e Me Espera.

A banda da filha de Xororó é um caso a parte. Integrada por Alex Heinrich (baixo), Delino Costa (bateria), Eloá Gonçalves (teclados), Edu Tedeschi (guitarra e violão), Maurício Caruso (guitarra e violão) e Patrícia Ribeiro (cello), se mostrou muito bem entrosado, e dando a cada canção uma moldura sonora adequada e inspirada, especialmente Patrícia, com um instrumento não tão comum em bandas pop.

O público se mostrou receptivo em todos os momentos, especialmente na parte final, quando largou as convenções e invadiu os lugares mais privilegiados, além de subir nas mesas e cadeiras para extravasar sua felicidade. Vale também ressaltar as releituras bacanas de Cantiga Para Luciana, sucesso há mais de 45 anos com Evinha, e All Star, de Nando Reis e hit na voz da saudosa Cassia Eller. E que vestido lindo, moça!

Pelo andar da carruagem, Meu Canto- Ao Vivo tem tudo para ser mais um sucesso no currículo desta cantora ainda jovem, mas cuja trajetória já é bem longa e tende a se ampliar ainda mais. Tudo feito com muita tranquilidade, sem apostar em fórmulas surradas ou caindo nos modismos. Sandy está de parabéns, pois não é fácil se manter relevante e com sucesso em um meio no qual as carreira sobem e descem em questão de semanas, em verdadeiros impeachments populares.

Me Espera– Sandy e Tiago Iorc:

Escolho Você– Sandy:

Morada– Sandy:

Duo NU mostra seu primeiro CD em dois shows em Sampa

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Por Fabian Chacur

Um som ora etéreo, ora dançante, com elementos distintos como rap, música eletrônica e música erudita, passando por pop, rock etc. Eis uma possível definição para a música do NU (Naked Universe), duo que está lançando seu primeiro álbum, NU. Eles mostram as músicas desse trabalho em dois shows em São Paulo, um na noite deste sábado (27) no Jai Club (www.jaiclub.com.br) e outro gratuito no dia 5/3 às 19h no Sesc Santana (rua Luis Dumont Villares, 579- Santana).

Criado em 2014, o NU é um duo integrado pela cantora e compositora Ligiana Costa e pelo compositor e produtor musical Edson Secco. Seu trabalho de estreia traz dez músicas, sendo oito delas assinadas por Ligiana em parcerias com Edson e outros parceiros. Toxic é uma releitura inusitada daquele hit de Britney Spears, enquanto Bergére é um “air de couer” francesa do século XVII adaptado por eles.

A faixa Musicabomba, que consegue ótima repercussão em apresentações ao vivo por sua temática libertária, conta com a participação do MC Tef Poe (ativista da juventude negra de Fergunson, EUA), da voz de uma ativista palestina e do coro da Via Campesina.

Quem, Lanikea, Praia Hotel e Governador Valadares são outras faixas bacanas desta obra. A dupla já participou de eventos bacanas, como o festival Cena Contemporânea de Brasília, o festival Contato, de São Carlos (SP) e a Temporada de Verão de Lala, em Salvador (BA).

A apresentação no Jai Club será dentro da festa Donas da Noite, que também contará com shows de Lara e Os Ultraleves (leia mais sobre esse ótimo grupo aqui) e Betina e a discotecagem de Deixa a Lela. O show no Sesc Santana integra o projeto Música no Deck do local.

Toxic– NU:

MusicaBomba (ao vivo)- NU:

Quem (ao vivo)- NU:

Lara e os Ultraleves lançam o primeiro álbum em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Lara e os Ultraleves, grupo capitaneado pela cantora e compositora paulistana Lara Aufranc, lança o seu primeiro CD, Em Boa Hora (distribuído pela Tratore), com apresentação gratuita neste sábado (24) às 17h30 na Livraria da Vila- Pinheiros (rua Fradique Coutinho, 915- Pinheiros- fone 0xx11-3814-5811). A apresentação teve ter em torno de 40 minutos.

Na estrada desde 2013, o grupo traz Lara Aufranc (voz e vocais), Kim Jinkings (piano/ teclados/ órgão/ synth), Daniel Doctors (baixo elétrico/ baixo acústico/ ukelele), Cristiano Santiago (bateria/ vocais),Pedro Vithor Almeida (sax barítono, sax alto, clarinete e flauta) e
Duncan Taylor (trombone). Entre suas influências, figuram soul, jazz, rock e tropicalismo, de nomes como Edith Piaf, Nina Simoe, Fiona Apple, Tom Waits, Mutantes, Tom Zé e Lanny Gordin.

O CD Em Boa Hora equivale a um trabalho extremamente bom de se ouvir, com bastante fluência musical e sem se deter em apenas um ou dois rumos, além de trazer canções em português, inglês e uma em francês (Mon Mec et Moi). A voz de Lara se encaixa feito luva na sonoridade, com faixas como Hora de Ir Embora, Anybody But You, Over The Ocean, Move On e Volta Logo My Dear sendo os destaques.

Anybody But You– Lara e os Ultraleves:

Volta Logo, My Dear– Lara e os Ultraleves:

Coletânea equivale a amostra do brilhante Wilson Simonal

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Por Fabian Chacur

Luiz Carlos Miele, um dos grandes produtores e apresentadores do show business brasileiro, afirma que Wilson Simonal foi o maior cantor brasileiro de todos os tempos. Um belíssimo aval para esse intérprete carioca que viveu de 1938 a 2000 e nos deixou um belo legado musical. A coletânea S’Imbora- A História de Wilson Simonal, que a Universal Music acaba de lançar, é bela amostra de uma obra brilhante.

A compilação tem como mote o espetáculo teatral S’Imbora- O Musical- A História de Wilson Simonal, escrito por Nelson Motta e Patrícia Andrade, dirigido por Pedro Bricio e estrelado por Ícaro Silva, que estreou no começo deste ano e vem fazendo bastante sucesso. Embora use a identidade visual do musical na embalagem, a compilação traz as gravações originais do saudoso Simona, e não do elenco da peça.

São 20 faixas, sendo 17 da época áurea do astro carioca, vividos na gravadora EMI-Odeon entre 1961 e 1971, uma de 1975 e duas gravações de seus talentosos filhos, Wilson Simoninha (Nanã, que também está no CD na leitura do pai) e Max de Castro (Afrosamba). O belo encarte traz as letras das faixas e texto do consagrado produtor Jorge Davidson, que trabalhou em diversas gravadoras.

Simonal era o que poderíamos chamar de um artista praticamente completo. Compositor eventual, ele compensava tal “deficiência” com uma voz maravilhosa, um swing irresistível e um carisma no palco capaz de domar as multidões mais exigentes. Um “entertainer” na acepção da palavra, que se tivesse nascido nos EUA teria sido astro internacional.

Do início como seguidor da bossa nova, Simona enveredou por uma brasilidade mestiça, da qual faziam parte a soul music, o jazz, a música latina e o que mais pintasse, até rock. O seu balanço próprio gerou um estilo apelidado de “pilantragem” cuja marca era o ritmo contagiante e irresistível, do tipo de fazer dançar até defunto.

O impecável documentário Ninguém Sabe O Duro Que Dei (2009) ajudou a tirar esse artista brilhante do nimbo a que foi relegado por causa de acusações feitas em 1971 que acabaram se mostrando infundadas. Ele tinha temperamento difícil e criou muitas encrencas em sua vida, mas dedo duro da Ditadura Militar ele nunca foi. Não merecia ter caído na “Sibéria do mundo musical”, pois seu trabalho era de enorme qualidade. Grande injustiça.

Esta compilação da Universal Music serve como uma boa introdução a quem por ventura não conheça essa obra incrível, ou para quem quiser um resumo conciso. Sá Marina, Tributo a Martin Luther King, Zazueira, Carango, Vesti Azul, Aqui é o País do Futebol, Nem Vem Que Não Tem, é uma bala atrás da outra. Um verdadeiro soul man à brasileira e à sua moda.

Nem Vem Que Não Tem– Wilson Simonal:

País Tropical/Sou Flamengo– Wilson Simonal:

Aqui é o País do Futebol– Wilson Simonal:

Paula Toller volta a São Paulo com show de seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Após bem-sucedida apresentação no Citibank Hall em abril, Paula Toller volta a São Paulo para mostrar o repertório de seu quarto CD solo, o excelente Transbordada (leia mais sobre esse trabalho aqui). Desta vez, o palco será o do Teatro Bradesco (rua Turiassu, 2.100-3º andar-piso Perdizes do Bourbon Shopping SP), com ingressos de R$ 40,00 a R$ 150,00 (saiba mais: www.teatrobradesco.com.br).

Paula Toller tornou-se conhecida nacionalmente como vocalista e compositora do Kid Abelha, há mais de 30 anos na estrada e um dos mais bem-sucedidos grupos do pop rock brasileiro dos anos 1980, um dos poucos que conseguiu se manter no topo das paradas nas décadas seguintes. Seus discos repletos de hits e também os ótimos shows ajudaram essa consolidação de fama.

Paralelamente ao grupo, Paula também investe em uma carreira solo que toma proporções cada vez maiores a cada novo lançamento. No show desta terça-feira (30) às 21h30, a cantora terá a seu lado uma afiada banda composta por Caio Fonseca (violão, teclados, guitarra e vocais), Adal Fonseca (bateria), Maurício Coringa (violão, guitarra e vocais) e Márcio Alencar (baixo e vocais). No repertório, músicas de Transbordada e dos outros discos solos da cantora, além de alguns clássicos do Kid Abelha.

Calmaí– Paula Toller:

Rod Hanna/A Taste Of Honey fazem show impecável em SP

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Por Fabian Chacur
fotos: Tania Voss- Universo da Fama

O grupo paulista Rod Hanna completa 20 anos de carreira consolidado como um dos grandes nomes no cenário musical brasileiro. Seus espetáculos resgatando grandes hits e eventualmente investindo em material próprio cativaram um público que cresce a cada dia. O mais recente show, Rod Hanna On Broadway, é simplesmente irresistível, e se tornou ainda melhor com a participação do grupo americano A Taste Of Honey, como vimos no Teatro Bradesco (SP) neste sábado (25).

Liderado por Rod (vocal, teclados e violão) e Nora Hanna (vocais), o Rod Hanna traz em suas fileiras uma equipe digna de musicais, com direito a músicos, vocalistas e dançarinos que transformam a performance de cada música em um espetáculo particular. Sempre com uma batida disco que ninguém no Brasil faz com tanta convicção e categoria.

O repertório de Rod Hanna On Broadway reúne clássicos dos melhores e mais bem-sucedidos musicais das últimas décadas, com direito I Will Survive, I Say a Little Prayer, Mamma Mia, Fame, Summer Nights, Night Fever e You Should Be Dancing. O desempenho do time é impressionante, e cativa de forma incondicional.

A parceria com o A Taste Of Honey deu super certo. O grupo, que estourou em 1978 com o megahit Boogie Oogie Oogie e depois emplacou outras músicas matadoras do tipo Rescue Me, Do It Good e Sukiaki, conta hoje com uma integrante de sua formação original, a vocalista e baixista Janice-Marie Johnson. Carismática e simpática, ganhou o público.

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Janice trouxe consigo dos EUA dois músicos também repletos de realizações. Nos teclados e metais, Felton Pilate II, integrante da banda funk Con Funk Shun (dos hits nos anos 1970 e 1980 Got To Be Enough, Too Tight, Ffun e Chase Me) e David Cochrane na guitarra e metais, ele que entre 1976 e 1982 foi músico de apoio da banda The Commodores e compôs músicas com Lionel Richie na carreira solo do astro.

Com os dois novos parceiros e o apoio do Rod Hanna, Janice ganhou a plateia interpretando Boogie Oogie Oogie (duas vezes, a segunda no bis que encerrou o show), Rescue Me e Sukiyaki (essa com direito a visual japonês), Ladies Night (hit do Kool & The Gang em 1979) e I Love The Nightlife (hit com Alicia Bridges em 1979). O entrosamento entre os Rod Hannas e o trio americano impressionou, eles que já haviam se apresentado juntos no Brasil em 2014.

Vale também destacar a fantástica Disco Evolution, um pot-pourry que conta a história da disco music desde seus anos iniciais, na década de 1970, até seus desdobramentos que ocorreram nas décadas seguintes, indo de Boogie Wonderland até Get Lucky. O espetáculo acabou com Dancin’ Days e Boogie Oogie Oogie num clima de quero mais. A gravação de um DVD seria sensacional!

Boogie Oogie Oogie (ao vivo em 2011)- A Taste Of Honey:

Hod Hanna On Broadway– trechos do show:

Odair José dá aula de talento e energia no novo CD Dia 16

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Por Fabian Chacur

Nada como o tempo para curar as feridas e colocar as pessoas nos lugares em que mereceriam estar. Isso aconteceu com o cantor, compositor e músico goiano Odair José. Depois de décadas deixado de lado pela crítica, hoje ele recebe a reverência que sempre mereceu. Reenergizado, o cara agora nos proporciona Dia 16, novo CD lançado pelo selo Saravá Discos que é desde já um dos melhores álbuns do ano. Discaço de cabo a rabo.

O novo trabalho sai meses após a gravadora Universal Music ter colocado no mercado discográfico uma excelente caixa contendo os quatro álbuns que Odair lançou pela extinta Polydor nos anos 1970 (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Neles, música popular de ótima qualidade e executada por músicos como os do seminal grupo Azymuth.

Desta vez, a voz por trás de hits como Cadê Você e A Noite Mais Linda do Mundo (Felicidade) se cercou de um timaço de músicos capitaneados pelo experiente produtor, guitarrista e multi-instrumentista Alexandre Fontanetti (conhecido por seu trabalho ao lado de Rita Lee no álbum Bossa N’ Roll, nos anos 1990). Com inspiração roqueira vinda de fontes como Beatles, AC/DC, Neil Diamond, Roy Orbison e até Jovem Guarda, o astro goiano soltou o verbo em 11 composições recentes e uma inédita dos anos 1970 (Fera).

A festa começa com a demencial Dia 16, rockão de tirar o fôlego interpretado por um cara com 66 anos bem vividos que soa como se tivesse uns 30, se tanto. Esse pique se mostra em outros momentos mais rockers do CD, como Sem Compromisso, Começar do Zero e Deixa Rolar, para agitar quem gosta de som direto e na veia.

A levada folk e mais romântica, outra das marcas de Odair, aparece bacana em Cores (que mistura um toque de George Harrison na carreira solo com ecos do standard pop Blue Moon), no rock balada Morro do Vidigal e em Lembro, esta última com um tempero que lembra um pouco a fase Strawberry Fields Forever dos Beatles.

Um dos trunfos de Odair José é sempre se valer de letras (escrita por eles ou outros parceiros) nas quais a simplicidade que não ofende a inteligência de seus ouvintes prevalece, tocando em temas polêmicos com categoria. Essa é a marca da ótima A Moça e o Velho, que fala dos romances entre homens mais velhos com garotas bem mais novas.

Dia 16 é essencialmente um disco de pop-rock bem concatenado, composto por repertório bacana e produção na medida, sem exageros nem falhas que mostram que a categoria desse velho mestre da canção popular brasileira continua intacta e capaz de oferecer boas surpresas a seus inúmeros fãs. Ou, como diria o poeta em latim, brega é a mãe…

Ouça o CD Dia 16 de Odair José na íntegra em streaming:

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