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James Ingram, craque do R&B, compositor fera e rei dos duetos

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Por Fabian Chacur

A concorrência para o prêmio de Melhor Artista Novo na 24ª edição do Grammy cujos troféus foram entregues no início de 1982 era grande. A cantora escocesa Sheena Easton acabou levando a melhor, superando na disputa os grupos de pop-rock Adam And The Antes e The Go-Go’s e os cantores de r&b Luther Vandross (1951-2005) e James Ingram. Este último teve como consolo a vitória na categoria Melhor Performance Masculina de R&B com a musica One Hundred Years. E se deu melhor do que ela, em termos profissionais. Ingram nos deixou nesta terça (29) aos 66 anos, vítima de câncer cerebral. Seu legado é dos mais respeitáveis.

James Ingram nasceu em Akron, Ohio (EUA) em 16 de fevereiro de 1952. Seu envolvimento com a música se deu desde a infância. Nos anos 1970, enquanto participava de grupos com pequena repercussão, teve sua primeira prova de fogo ao integrar uma banda de apoio de Ray Charles. As coisas engrenaram para ele ao ser convidado pelo célebre produtor Quincy Jones para participar do álbum The Dude (1981). E ele se mostrou pé-quente, pois as duas músicas nas quais assumiu o vocal principal, Just Once e One Hundred Ways, foram os maiores hits, ambas atingindo o top 20 nos EUA na parada de singles.

Além de músico e cantor, Ingram logo se tornou conhecido como compositor. Uma de suas canções mais famosas é P.Y.T. (Pretty Young Thing), que faz parte do mitológico álbum Thriller, de Michael Jackson. O sucesso foi tão grande que deu a abertura que ele precisava para iniciar sua carreira solo. Isso ocorreu em 1983 com o lançamento de seu excelente primeiro álbum individual, It’s Your Night, com produção do padrinho Quincy Jones e direito a grandes músicos.

A faixa de destaque do CD foi Ya Mo Be There, dueto com Michael McDonald, que atingiu o nª 19 entre os singles e rendeu a Ingram o seu segundo troféu Grammy, na categoria Melhor Performance R&B Com Duo Ou Grupo Com Vocais.

E já que o assunto é duetos, James Ingram atingiu pela primeira vez o primeiro lugar na parada americana de singles com sua parceria com a cantora Patti Austin em 1983 com a música Baby Come To Me, que foi usada na trilha da série televisiva de sucesso General Hospital. O cara estava tão badalado que acabou participando do elenco estelar do single We Are The World, ao lado de astros como Ray Charles, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Ray Charles e tantos outros. Em 1987, outra dobradinha bacana, a balada Somewhere Out There, com a cantora Linda Ronstadt. E seu único nª 1 realmente solo foi conquistado em 1990 com a bela balada romântica I Don’t Have The Heart.

O artista concorreu ao Oscar de melhor canção em duas ocasiões: The Day I Fall In Love, dueto com Dolly Parton incluído na trilha de Beethoven’s 2nd em 1994 e no ano seguinte com Look What Love Was Done, do filme Junior. Mais alguns duetos: What About Me (1984- com Kenny Rogers e Kim Carnes), The Brightest Star (1991- com Melissa Manchester), When You Love Someone (1995- com Anita Baker) e Our Time Has Come (1997- com Carnie Wilson).

Quando Quincy Jones lançou seu álbum mais badalado, Black On The Block (1989), James Ingram estava lá, e justo na canção de maior sucesso, The Secret Garden, ao lado de Barry White, El Debarge e Al B.Sure! De quebra, ele ainda marcou presença em uma faixa dos, pasmem!, Scorpions! Sim, a banda alemã de heavy metal. Mais precisamente na faixa What U Give U Get Back, incluída no álbum Eye II Eye (1999). Dá para encara esse currículo, Sheena Easton?

Ya Mo Be There (remix version)- James Ingram e Michael McDonald:

Morre Rod Temperton, autor de grandes sucessos do pop

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Por Fabian Chacur

Rod Temperton. Esse nome pode não ter registro para você, mas diversas canções assinadas por ele, sozinho e com parceiros, certamente terão. Que tal Thriller, Rock With You, Off The Wall, Give Me The Night e Love x Love, só para começar a conversa? Pois infelizmente ele entrou na lista das grandes perdas no mundo musical em 2016. Sua morte foi anunciada nesta quarta (5) por Jon Platt, CEO da editora Warner Chappel, que editou suas composições. Ele tinha 66 anos.

Este cantor, compositor e tecladista britânico nasceu no mesmo dia e mês de outro gênio da música pop, John Lennon, só que no ano de 1949. Ele começou a se tornar conhecido no meio musical ao integrar a banda Heatwave, com a qual lançou dois ótimos álbuns, Too Hot To Handle (1976) e Central Heating (1978). Ele compôs os principais hits do grupo, as ótimas Boogie Nights, Always & Forever e The Groove Line.

Temperton, no entanto, não curtia ficar à frente dos holofotes, e resolveu sair da banda, passando a se dedicar apenas ao ofício de compor. Na mesma época, o genial produtor Quincy Jones começava a selecionar repertório para o disco que iria produzir para Michael Jackson em 1979, e pirou quando ouviu os discos do Heatwave. Ele pediu para o inglês lhe mandar material, e três músicas acabaram entrando no álbum: Off The Wall (que de quebra virou faixa título), Rock With You e Burn This Disco Out. Pronto. O cara virou o dono da festa.

Em 1980, foi a vez de George Benson investir nele, e gravou duas de suas composições, outras pérolas pop: Give Me The Night (faixa título de novo!) e Love x Love. Essa verdadeira vocação para escrever faixas-título para os outros atingiu o auge em 1982, com nada menos do que Thriller, que além dessa canção trouxe mais duas outras maravilhas de Mister Temperton, Baby Be Mine e The Lady In My Life. Com o rendimento desses três álbuns, sua aposentadoria já estaria garantida.

Só que o cara preferiu continuar trabalhando, além de ser procurado por inúmeros outros artistas em buscas de boas músicas, alguns deles produzidos por Quincy Jones. Dessa forma, vieram Stomp! (com os Brothers Johnson), Ya Mo B There e Sweet Freedom (com Michael McDonald), Love’s In Control (Finger On The Trigger) (com Donna Summer) e Miss Celie’s Blues (Tata Vega), esta última composta em parceria com Quincy e Lionel Richie para a trilha do filme A Cor Púrpura (1985).

As canções do ex-tecladista do Heatwave também foram gravadas por artistas do porte de Karen Carpenter, Aretha Franklin, The Manhattan Transfer e Herbie Hancock, só para citar alguns. Avesso à mídia e à exposição perante o público, Temperton ganhou o apelido de The Invisible Man. A partir dos anos 1990, passou a atuar de forma mais espaçada, mas ainda assim nos ofereceu músicas ótimas como Family Reunion, gravada por George Benson em 2009. Ele também teve várias músicas incluídas no álbum Back On The Block (1989), que rendeu inúmeros prêmios a Quincy Jones. Adivinhe quem assinou a faixa título?

Give Me The Night– George Benson:

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