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Zuza Homem de Mello mostra a sua visão musical em ótimo filme

zuza homem de jazz 1-400x

Por Fabian Chacur

O radialista, jornalista, produtor musical e músico paulistano Zuza Homem de Mello é há mais de 50 anos uma das grandes referências no Brasil e no mundo quanto o assunto é música. Especialmente se estiver em questão a música brasileira mais sofisticada e o jazz, incluindo nesse pacote a ala mais consistente da chamada MPB, bossa nova e música instrumental. Mais do que um documentário sobre sua vida e obra, Zuza Homem de Jazz, dirigido por Janaina Dalri, é um rico e delicioso mergulho nesse universo cultural.

Esse filme será exibido no Canal Curta! nesta quarta (25) às 9h, sábado (28) às 22h10, domingo (29) às 12h40 e no dia 23 de dezembro (segunda) às 22h25.

O filme foge do formato mais convencional de se apresentar a trajetória de um personagem, não se detendo excessivamente em torno de datas e fatos ou cronologia. Um elemento permeia diversos momentos da atração, que é a ligação entre o jazz americano e música brasileira, especialmente a bossa nova.

Temos entrevistas com músicos como Bob Doroug, Egberto Gismonti, Wynton Marsalis, André Mehmari e Nelson Ayres e também com produtores de eventos como Roberto Muylaert e Monique Gardenberg.

Nessas entrevistas, os pontos de vida que nortearam e ainda norteiam a vida profissional de Zuza ficam claros: a busca pelo prazer naquilo que faz, o detalhismo, os olhos e ouvidos sempre atentos e em busca de novos conhecimentos e a capacidade de fazer boas amizades e partilhar com as pessoas essas descobertas, especialmente com seus leitores e ouvintes.

Além das deliciosas entrevistas feitas especialmente para esta ocasião, temos também importantes cenas de arquivo de shows no Brasil e no exterior, incluindo algumas dos pioneiros festivais de jazz de São Paulo do final dos anos 1970, nos quais Zuza teve participação destacada. A produção também foi a Nova York, onde o radialista teve aulas de música e frequentou importantes casas de shows, nas quais viu nomes do calibre de Miles Davis, John Coltrane e tantos outros.

Aos 86 anos, Zuza continua na ativa, e temos alguns flagras bem bacanas dele apresentando seu atual programa na rádio USP. Logo no início do filme, ele aparece dando uma caminhada em um parque, e aqueles mais atentos perceberão que ele está usando um moleton com o logo do Free Jazz Festival, um dos eventos históricos nos quais esteve envolvido nesses anos todos.

O momento mais emocionante do filme aparece em sua parte final, quando Zuza reencontra um ilustre amigo, o cantor, compositor e pianista de jazz Bob Dorough, com quem compartilha lembranças proporcionadas por fotos trazidas pelo brasileiro. O triste fica por conta de o americano ter falecido antes da finalização do documentário, sendo este, portanto, um de seus últimos registros, com ele interpretando a música Stairway To The Stars.

Zuza Homem de Jazz proporciona ao espectador belas lições de como se apreciar a música e de quebra a vida, além de valorizar bastante a amizade e a cordialidade entre as pessoas. Em tempos tão ácidos como os que vivemos atualmente, trata-se de uma lição de como construir uma trajetória belíssima de vida e trabalho forma classuda e consistente.

Veja o trailer de Zuza Homem de Jazz:

Barros de Alencar, radialista e cantor, nos deixa aos 84 anos

Barros de Alencar 02-400x

Por Fabian Chacur

“Barros de Alencar, vai apresentar, as sétimas do dia, as sete campeãs!” Após essa vinheta, uma voz grave e cativante anunciava: “sétima”. Eis uma das lembranças mais marcantes da minha infância. A emissora era a rádio Tupi Am, e quem a ouvia era minha querida e saudosa mãe Victoria. O filho pegava carona, e nessas ouvia os hits do momento. O dono daquele vozeirão se foi na manhã desta segunda (5) aos 84, o gente boa Barros de Alencar.

Entre os sucessos tocados lá pelos idos de 1969 por esse paraibano de Uiraúna, tinha de tudo, até os Beatles, geralmente com Ob-ladi Ob-lada, que ele anunciava de forma bem-humorada como “Os Britos”. Barros era um campeão de audiência, e também tocava as músicas que gravava, ora interpretando normalmente, a la Julio Iglesias (que nem estava em cena ainda) ou no melhor estilo recitativo, seara também seguida por Francisco Cuoco e outros, já nos anos 1970.

Lembro da surpresa de, ao entrevista-lo no finalzinho dos anos 1980, pelo Diário Popular, constatar que aquela voz potente vinha de um baixinho. Era incrível sua simpatia ao relembrar histórias de vida e carreira, e também da forma despretensiosa como encarava a carreira de cantor, sem se levar muito a sério. Mas ele vendeu muitos e muitos discos com canções como Meu Amor é Mais Jovem do Que Eu e Soleado.

Mas ele era quente mesmo como apresentador de rádio e também de TV, com um estilo descontraído. Na televisão, nos anos 1980, ajudou a popularizar diversos cantores populares e até as bandas de rock emergentes, como Magazine e Metrô, só para citar duas delas. Seus concursos de covers de Michael Jackson também marcaram época. Ele sofria com problemas cardíacos, e agora já deve estar ao lado de outros gênios do rádio, como Hélio Ribeiro, lá no céu radiofônico.

Meu Amor é Mais Jovem do Que Eu– Barros de Alencar:

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