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Músico Lincoln Olivetti morre aos 60 anos e deixa saudade

robson jorge e lincoln olivetti 400x

Por Fabian Chacur

Considerado um dos mais influentes, bem-sucedidos e polêmicos maestros e arranjadores da história da MPB, morreu nesta quarta-feira (13) Lincoln Olivetti. Ele tinha 60 anos de idade, e foi vítima de um infarto, segundo informações divulgadas por sua assessoria de imprensa. Deixa como legado um trabalho que ajudou a mudar a sonoridade da MPB.

Natural de Nilópolis (RJ), Lincoln Olivetti começou sua trajetória no meio musical nos anos 1970. Talentoso como tecladista e arranjador (especialmente de metais), rapidamente incorporou o estilo adult contemporary, que surgiu nos EUA na segunda metade daquela década e que equivalia a uma mistura de soul, jazz e pop ao mesmo tempo sofisticada e com apelo radiofônico.

Olivetti aprendeu bastante com o que ouviu de artistas como George Benson, Earth Wind & Fire e Brothers Johnson (entre outros), e trouxe essas sonoridades recheadas de teclados eletrônicos, metais agitados e guitarras funk/jazzísticas para o universo da música brasileira. Teve grande e luxuosa ajuda do guitarrista Robson Jorge (1954-1993).

A partir do sucesso de seu trabalho com Rita Lee e Tim Maia, o som de Lincoln Olivetti tornou-se padrão na sonoridade da MPB e do pop brasileiro da primeira metade dos anos 1980. Embora tivesse seus (muitos) méritos, ele acabou caindo na repetição em diversos casos, devido ao excesso de artistas que requisitavam seus serviços, e virou grife, para o bem e para o mal.

Entre outros inúmeros artistas, valeram-se de seus serviços Rita Lee, Tim Maia, Roberto Carlos, Sandra de Sá, Jorge Ben Jor e Gal Costa. As músicas da dupla de compositores Michael Sullivan e Paulo Massadas frequentemente ganhavam seus arranjos, criando assim o que pode se chamar de “som adulto contemporâneo brasileiro”.

Como seria de se esperar, essa sonoridade acabou se desgastando, e com isso Mr. Olivetti viu seu prestígio cair a partir dos anos 1990. No entanto, continuou trabalhando com artistas como Lulu Santos e Marina Elali. Com esta última, por sinal, não só atuou em discos como também em shows ao vivo, como o realizado no extinto Palace em 2006.

Em 1982, Robson Jorge e Lincoln Olivetti lançaram um álbum autointitulado, repleto de composições próprias e releituras de material alheio com aquela levada característica que fazia com que alguns confundissem esse material com o de George Benson. Mas o álbum é bem legal, e inclui sua releitura instrumental de Baila Comigo que serviu como abertura para a novela global de 1981, além do ótimo hit Eva.

Eva– Robson Jorge & Lincoln Olivetti:

Robson Jorge e Lincoln Olivetti – Robson Jorge e Lincoln Olivetti (1982- Som Livre)

Por Fabian Chacur

Uma das mais ricas e swingadas vertentes da nossa música é a soul/funk music com tempero brazuca.

Tendo como criador e principal nome o saudoso Tim Maia, o estilo possui seguidores da mais pura estirpe, entre os quais Cassiano, Hyldon, Tony Tornado, Cláudio Zoli e a banda Black Rio, só para citar alguns.

Nesse universo rico onde samba, soul, funk, bossa nova, jazz, rock e o que mais pintar geraram uma mistura das mais consistentes, não podemos esquecer a dupla Robson Jorge & Lincoln Olivetti.

Ambos nasceram em 1954 e aprenderam o beabá da profissão durante os anos 70.

Na década seguinte, participaram de gravações de muito sucesso de Tim Maia, Gal Costa, Sandra de Sá e inúmeros outros, dando um tom mais black e pop à música comercial da época.

Robson tocava guitarra com swing e jogo de cintura, enquanto Lincoln se incumbia dos teclados, abusando dos timbres diversificados e de muito bom gosto e balanço.

Os dois souberam como poucos trazer para a nossa praia musical lições de artistas e grupos como George Benson, Earth Wind & Fire, Brothers Johnson e Kool & The Gang.

Sua maior contribuição ao Soul Brasil foi o álbum Robson Jorge e Lincoln Olivetti, lançado em 1982 pela Som Livre e relançado em CD pelo mesmo selo e, mais recentemente, pela Trama (2006).

O disco é totalmente instrumental, com a utilização dos vocais apenas em vocalizações e um ou outro refrão.

O repertório investe essencialmente em composições dos dois músicos.

No entanto, a faixa mais conhecida é de Rita Lee.

Trata-se de Baila Comigo, gravada em pot-pourri com uma faixa deles, Festa Braba, e utilizada na abertura da novela global Baila Comigo.

Eva também entrou na trilha de um filme na época, enquanto Squash chegou a tocar em algumas rádios mais abertas a trabalhos de qualidade.

O álbum é swing de ponta a ponta, com direito a timbres deliciosos de guitarra, teclados, baixos e metais, vocais aliciantes e percussão comendo solta.

Curioso pensar que, na época, muitos críticos considevaram a dupla os reis da pasteurização com seus arranjos modernos e inovadores.

Lógico que eles repetiram por diversas vezes a fórmula, especialmente quando contratados por gravadoras inescrupulosas que só queriam saber de ganhar dinheiro.

Mas quando eles davam as cartas, a coisa era fina. Finíssima.

Robson Jorge e Lincoln Olivetti tem outros destaques, como a certeira Aleluia, a latina Raton, a deliciosa (a la George Benson) Pret-a Porter e a deliciosa Ginga.

Um clássico marcante do Soul Brasil e indispensável na discoteca de quem admira o gênero.

Aliás, o relançamento da Trama pode ainda ser encontrado em São Paulo a preço de banana, tipo R$ 12. Uma pechincha!

Infelizmente, Robson Jorge nos deixou em 1993, mas Lincoln Olivetti continua por aí, firme e forte.

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