Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: rock and roll (page 1 of 2)

Brian Setzer, dos Stray Cats, um dos grandes estilistas do rock

Brian Setzer-400x

Por Fabian Chacur

No dia 3 de fevereiro de 1959, Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper nos deixaram, vítimas de um acidente de avião que seria definido como “o dia em que a música morreu” em 1971 pelo cantor e compositor Dave McLean (leia mais sobre esse tema aqui). Mas a vida é mesmo feita de Encontros e Despedidas, como diriam Milton Nascimento e Fernando Brant. Pois no dia 10 de abril daquele mesmo 1959, nasceu um cara que, anos depois, ajudou a resgatar com brilho esse rock and roll inicial, o incrível cantor, compositor e musico americano Brian Setzer. Ele completa 60 anos nesta quarta (10).

Setzer vira sessentão a mil por hora. Aliás, é irônico pensar que ele chega a uma idade que seus principais ídolos nem sequer chegaram perto de atingir, vide Elvis Presley (morto aos 42), Eddie Cochran (morto aos 21 anos), Gene Vincent (morto aos 36 anos) e o próprio Buddy Holly (morto aos 22 anos). Para felicidade dos fãs, chegará às lojas físicas e virtuais no dia 24 de maio 40, primeiro álbum inédito de estúdio dos Stray Cats (que celebram 40 anos do início de sua carreira) desde 1992, quando saiu Choo Choo Hot Fish.

Com produção a cargo de Peter Collins (que já trabalhou com Rush, Bon Jovi e a Brian Setzer Orchestra) e gravado no fim de 2018 em Nashville, 40 traz faixas como Cat Fight (Over a Dog Like Me), Rock It Off e Cry Danger. O álbum será divulgado como uma turnê comemorativa das quatro décadas do trio roqueiro cujo início está marcado para o dia 21 de junho na Espanha e previsto para acabar (pelo menos, inicialmente) em 31 de agosto nos EUA, passando por vários países europeus e estados americanos. Tipo do show imperdível.

E qual seria a razão para Mondo Pop dar tanta moral para esse cara, diria você? Pois vamos lá. Logo de cara, vale dizer que no início dos anos 1980, quando predominavam a new wave, o tecnopop, o heavy metal e outros estilos do gênero, Brian Setzer, ao lado dos amigos Lee Rocker (baixo) e Slim Jim Phantom (bateria) ousaram investir no mais puro rockabilly, unindo releituras de clássicos da era inicial do rock a composições próprias, com uma energia absurda.

Não foi fácil, no início, pois o público americano não aceitou logo de cara o estilo retrô do trio. Eles se mudaram para a Inglaterra, e foi por lá que conseguiram dar o pontapé inicial na conquista do planeta rock com os ótimos álbuns Stray Cats e Gonna Ball, ambos lançados em 1981. O sucesso chegaria aos EUA e ao resto do mundo em 1982 com o lançamento de Build For Speed, coletânea com faixas extraídas dos dois discos anteriores e que chegou aos primeiros lugares das paradas, impulsionado pelos petardos Stray Cat Strut, Rock This Town e Runaway Boys, só para citar três delas.

Qual o diferencial dos Stray Cats para outros grupos e artistas que tentaram reler o rock cinquentista sem o mesmo êxito? Simples: o imenso talento de Brian Setzer, que além de ser um cantor excepcional é um guitarrista que soube não só incorporar as convenções do rockabilly como elevou-as a um patamar de arte, colocando ali a sua assinatura própria. Atrevo-me a dizer que suas performances em discos e shows são comparáveis, se não até melhores, do que a dos artistas que o inspiraram, uma façanha absurda.

Além do trabalho com os Stray Cats, que se mantiveram entre separações e retornos nesses anos todos, Setzer lançou discos solo nos quais ampliou seus horizontes estéticos, indo do rock instrumental ao rock a la Bruce Springsteen. De quebra, ainda montou a Brian Setzer Orchestra, mesclando rock and roll e jazz estilo big bands de forma primorosa.

Tive a graça divina de ver um show dos Stray Cats no Brasil, mais precisamente no extinto Projeto SP, que ficava em sua segunda fase no bairro da Barra Funda, em 1990. Foram três shows em São Paulo, nos dias 9,10 e 11 de março, e um no Rio, no dia 13 de março. Quem viu, certamente não se esquecerá jamais!

Classifico a performance do grupo naquele dia 9 de março como selvagem, bárbara, adrenalina pura, proporcionada por apenas três músicos, sendo que Slim Jim Phantom tocou de pé e com um kit básico de bateria. O carisma de Brian Setzer é algo absurdo, e o repertório de quebra ainda trouxe a demencial releitura de Summertime Blues, de Eddie Cochran, que considero melhor do que a já maravilhosa versão original de Eddie Cochran. Sinta o drama ao ver o set list:

Rumble in Brighton

Let’s Go Faster

Too Hip, Gotta Go

(She’s) Sexy + 17

That Someone Just Like You

Something’s Wrong With My Radio

Stray Cat Strut

Foggy Mountain Breakdown (Lester Flatt & Earl Scruggs & The Foggy Mountain Boys cover)

Runaway Boys

Summertime Blues(Eddie Cochran cover)

Rock This Town

Bis 1:

Gina

Bring It Back Again

Fishnet Stockings

I Fought the Law (The Crickets cover)

bis 2:

Oh, Boy!(Sonny West cover)

Be-Bop-A-Lula (Gene Vincent & His Blue Caps cover)

Somethin’ Else (Eddie Cochran cover)

Se em 1959 tivemos as tristes despedidas de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper, o mesmo ano nos ofereceu o nascimento desse magnífico Brian Setzer, que ajudou a manter a tocha olímpica do rock and roll acesa, firme e forte. Tomara que essa turnê dos Stray Cats possa abrir uma brecha para o Brasil. Que tal, heim, Rock in Rio?

How Long You Wanna Live Anyway?– The Stray Cats:

Elvis Presley tem um inédito CD gospel lançado nos EUA

elvis presley capa cd 2018-400x

Por Fabian Chacur

Como forma de marcar os 41 anos sem Elvis Presley, a gravadora Sony Music, através de seu selo RCA Legacy, lançou nos EUA um álbum inédito do eterno Rei do Rock. Intitulado Where No One Stands Alone, este trabalho foi disponibilizado nos formatos CD, vinil e digital. Existem também duas edições com tiragem limitada, uma em vinil azul e outra em fita cassete. Ainda não temos informações de se esse trabalho sairá no Brasil.

O álbum traz 14 músicas com os vocais gravados originalmente por Elvis com um novo acompanhamento instrumental. Nos vocais de apoio, foram escalados intérpretes que trabalharam com o lendário cantor, entre os quais as incríveis Cissy Houston e Darlene Love, além de integrantes dos ótimos grupos vocais The Stamps (Donnie Sumner, Bill Baize, Ed Hill and Larry Strickland) e Imperials (Terry Blackwood, Armond Morales and Jim Murray).

O momento mais emocionante fica por conta do dueto virtual do lendário e saudoso astro americano com sua filha, Lisa Marie, na canção que dá nome ao álbum. O resultado ficou muito bom, com a agora cinquentona intérprete encarando de forma competente o desafio de realizar essa gravação. Ela produziu o álbum em parceria com Joel Weinshanker e Andy Childs. O clipe mescla cenas de Lisa ainda criança com o pai e ela em estúdio gravando seus vocais.

O repertório se divide entre baladas e canções mais próximas do ritmo roqueiro. Entre elas, temos clássicos do porte de Crying In The Chapel, Amazing Grace, How Great Thou Art, Saved e You’ll Never Walk Alone. Elvis sempre confessou ser um grande fã de música gospel, e gravou vários discos nessa área, além de habitualmente fazer aquecimentos vocais antes de seus shows interpretando canções do gênero.

Elvis Presley – Where No One Stands Alone Track List

1.I’ve Got Confidence
2.Where No One Stands Alone (with Lisa Marie Presley)
3.Saved
4.Crying In The Chapel
5.So High
6.Stand By Me
7.Bosom Of Abraham
8.How Great Thou Art
9.I, John
10.You’ll Never Walk Alone
11.He Touched Me
12.In The Garden
13.He Is My Everything
14.Amazing Grace

Where No One Stands Alone– Elvis e Lisa Marie Presley:

Chuck Berry, ou um sinônimo para a expressão rock and roll

Chuck-Berry-400x

Por Fabian Chacur

Para John Lennon, as palavras ideais para se definir o rock and roll seriam Chuck Berry. Vindo de quem veio, um elogio daqueles. E mais do que justo. Depois de uma longa trajetória de vida, na qual construiu uma obra influente e inesquecível, este genial cantor, cantor e guitarrista americano parte rumo à eternidade. Ele foi encontrado morto neste sábado (18) no condado de St. Charles, Missouri (EUA), aos 90 anos de idade. Saudoso é pouco!

Charles Edward Anderson Berry nasceu em 18 de outubro de 1926. De temperamento difícil e com várias idas e vindas em sua trajetória, incluindo internação em um reformatório e posteriores prisões, ele chegou a atuar em várias ocupações, mas se achou mesmo na música. Em 1955, lançou Maybelenne, single que seria o primeiro dos inúmeros clássicos que lançaria até a metade dos anos 1960. Embora quase trintão, ele se mostrou mestre em colocar no papel os temas preferidos pelos adolescentes.

Aliás, curiosamente, não só dos adolescentes daqueles já longínquos anos 1950, mas os de todos os que viriam posteriormente. Berry descrevia em suas letras romances sensuais, a busca pelas garotas, os carros, a dança e a libido sempre a mil. Temas que nunca saíram e que nunca sairão de moda, e que ele abordou com simplicidade, poesia e muita categoria. De quebra, nos trouxe alguns dos mais incríveis riffs de guitarra de todos os tempos.

Rock and Roll Music, Johnny B Goode, Around And Around, Carol, Memphis Tennessee, Havana Moon, No Particular Place to Go, Nadine, School Days… O songbook assinado por Chuck Berry é a base em cima da qual artistas como os Rolling Stones, Bruce Springsteen, Beatles e centenas (milhares?) de outros foram buscar informações para criar suas próprias canções. Para ajuda-lo, sua ótima dicção permitia que todas as letras fossem facilmente compreendidas pelos ouvintes.

Graças a seus diversos problemas legais, à redução de novas canções realmente relevantes e também ao surgimento de novos artistas, Chuck Berry viu seu poder de criação cair nos anos subsequentes a 1965. Ainda mostrou força em 1972 quando sua versão ao vivo de My Ding-a-Ling atingiu o primeiro lugar na parada americana, a única vez em que conseguiu tal façanha. Ironicamente, com uma música rasteira, muito abaixo de seus clássicos.

Após lançar o disco de inéditas Rock It (1979), que teve pequena repercussão, o astro do rock passou a viver exclusivamente do passado, o que já estava fazendo há algum tempo. O procedimento era bem curioso: ele ia sozinho, às vezes até sem a própria guitarra, e tocava com os músicos que seu contratante arrumasse. Em certa ocasião, em um show nos anos 1970, sua banda de apoio teve em sua formação o então desconhecido Bruce Springsteen.

Em 1986, Keith Richard, uma espécie de filho bastardo de Berry em termos musicais, resolveu reverenciar seu herói e montou uma banda para acompanha-lo em dois shows comemorativos dos seus 60 anos de idade que iriam gerar o excelente documentário Hail! Hail! Rock ‘N’ Roll, lançado em outubro de 1987, que trazia cenas dos shows, entrevistas com o homenageado e também depoimentos de músicos importantes. De arrepiar.

Berry esteve no Brasil pela primeira vez em 1992, participando do Free Jazz Festival. Um dos shows foi realizado no estádio do Pacaembu, em São Paulo, reunindo ele e Little Richard. Ele quase não entra em cena, pois passou na bilheteria e queria ser pago antes de tocar. Pelo menos, é o que reza a lenda. Mas o show rolou, com ele esbanjando carisma e sendo acompanhado pelo motorista no baixo e músicos brasileiros como o baterista Carlinhos Bala. Eu estava lá!

No último dia 18 de outubro, quando comemorou 90 anos de idade, Mr. Berry anunciou que lançaria em 2017 um novo álbum, intitulado Chuck e seu primeiro trabalho de inéditas desde 1979. Nele, gravações novas e a participação dos filhos Charles Berry Jr. e Ingrid, além de uma dedicatória à esposa Themetta Berry, casada com ele há longos 68 anos. Com o selo Dualtone, o álbum agora será um trabalho póstumo que tentará saciar a saudade de seus inúmeros fãs.

Com Chuck Berry, sai de cena uma era incrível do rock and roll, da qual restam ainda vivos (toc, toc, toc!) Little Richard, Jerry Lee Lewis e Fats Domino. Com certeza, um ser humano polêmico e dos mais complicados, mas um artista cujo talento, capacidade criativa (mesmo que por um período curto de tempo, de 1955 a 1964) e carisma ajudaram a lançar esse tal de rock and roll rumo ao topo do mundo musical.

Havana Moon– Chuck Berry:

Ruy Castro, esqueça do rock, para o bem de todo o mundo!

2015 Coachella Valley Music And Arts Festival - Weekend 2 - Day 1

Por Fabian Chacur

Sou leitor assíduo do jornalista e escritor Ruy Castro. Adoro seu texto classudo e fluente e suas informações sempre bacanas sobre bossa nova, música brasileira em geral e jazz. Então, é com muita tristeza que serei obrigado a lhe dedicar umas linhas não muito alegres, tendo como motivação a crônica Música e Tiroteio, publicada na edição desta quarta-feira (27) da Folha de S.Paulo. Na verdade, foi uma espécie de gota d’água.

Quem acompanha a coluna do autor de tantos livros essenciais sabe que, quando ele se mete a opinar sobre rock, a coisa fica feia. Sai de lado o profissional criterioso, pesquisador, bom de texto, e entra em cena o fanfarrão, que obviamente odeia esse gênero musical e faz o possível para deprecia-lo, mesmo que tenha de se valer de argumentos inconsistentes e rasos e de gracinhas bobocas que não cabem em alguém de seu porte profissional. Um horror.

Na verdade, ele já publicou asneiras sobre Beatles, Bob Dylan e muitos outros, e sempre me irrito muito pela falta de argumentos consistentes. Mas agora, o cara se excedeu. Então, vamos lá, começando por dois erros factuais crassos: a banda AC/DC é obviamente australiana, e não canadense, como está na edição impressa. Já corrigiram na online. Outro erro permanece na online: o grupo americano de rock chama-se Eagles Of Death Metal, não Eagles Of The Death Metal. Começou mal a coisa, e só vai piorar daqui pra frente, acreditem.

Em seu texto, Castro comenta sobre a aposentadoria de Brian Johnson, vocalista do AC/DC. E vem com aquele conceito arcaico de que rock não passa de barulho. Meu Deus do céu, em pleno século XXI, ainda existe quem defenda essa bandeira furada? Socorro! Em seguida, ele cita a idade do cantor, 68 anos, que ele acha alta demais para roqueiros. E diz que ele deveria se dedicar a “matar palavras cruzadas ou colecionar selos”. De quebra, ainda manda isso: “O rock é- ou era- uma música jovem e rebelde, e não fica bem ter como um de seus expoentes um hippie velho e de boina”.

Dá para encarar o preconceito contido nessa frase de Castro? Acho que ele certamente não viu ao menos alguns segundos dos shows atuais dos setentões Paul McCartney, Mick Jagger e Keith Richards, entre outros “velhinhos” que continuam mandando ver. E vale lembrar que, há muito, mas há muito tempo mesmo, o rock é considerado música para jovens, sim, mas para jovens de alma, não necessariamente de idade cronológica, que, convenhamos, nesses casos não vale muita coisa.

Para o colunista da Folha, “hoje, o rock é a música mais velha do mundo”. Ah, é? E como o senhor explica a incrível afluência de uma garotada composta por adolescentes e jovens adultos nos shows de artistas veteranos de rock, misturando-se com pais e até avôs para curtir esse estilo musical? Seria anomalia isso? Ou apenas a constatação de que música boa não tem idade, seja ela rock and roll, bossa nova ou seja lá o que for? Acorde, Castro!

E a coisa vai piorando. A seguir, ele diz que Brian Johnson não é o único a ficar surdo, e cita como afetados pela enfermidade Neil Young, Ozzy Osbourne, Eric Clapton, Brian Wilson (dos Beach Boys, pelo menos o nome desse grupo ele acertou…), Pete Townshend (do The Who) e George Martin. E aí, manda a asneira mor, digo, essa frase: “Exceto por Martin, morto há pouco, você não ouviu falar muito deles ultimamente. Devem estar em casa, afinando os aparelhos de ouvido”.

Como? Seu Castro (seria parente de Fidel e Raul Castro?), só se o senhor estiver, também, ficando surdo, pois todos os nomes citados por Vossa Excelência estão ativos, lançando discos, fazendo shows e plenamente relevantes, mesmo com décadas e décadas de carreira. Ou seja, só não ouviu falar muito deles ultimamente quem não se informou nos grandes meios de comunicação impressa, televisiva, radiofônica e virtual.

Aí, ele finaliza citando o triste incidente do atentado na casa de shows Bataclan, em Paris, durante um show do grupo Eagles Of Death Metal. Aí, novamente vem o preconceito (esse, sim, vetusto e empoeirado) de que rock não passaria de barulho, na frase lamentável: “pelo áudio, não é possível distinguir entre a música e o tiroteio. Parece uma coisa só”.

Sr. Castro, nada contra sua aversão ao rock. É um direito, em um mundo democrático em termos de gostos. Mas justificar sua opinião de forma tão tosca não cabe em um profissional tão gabaritado. Especialmente pelo fato de que nem mesmo a maior parte dos artistas que você tanto admira, da bossa nova, bolero, jazz etc, concorda contigo, todos respeitando e admirando Beatles, Rolling Stones, AC/DC etc. Cada um na sua praia musical. Até Sinatra gravou Beatles!

Então, fica a dica: por favor, Señor Castro, continue se dedicando com o talento habitual aos seus estilos preferidos, e nos poupe de suas tolices anti-rock, que soam como a daqueles que, lá pelos idos de 1963-1964, consideravam o rock um modismo passageiro, que não deixaria traços. No entanto….E já dizia Neil Young, citado de passagem pelo senhor: hey, hey, my, my, rock and roll will never die. Não adianta torcer contra. Música boa é para sempre. Grande abraço, sou seu fã!

For Those About To Rock We Salute You– AC/DC:

Hells Bells– AC/DC:

You Shook Me All Night Long– AC/DC:

Autobiografia mostra agitada vida do astro Jerry Lee Lewis

jerry lee lewis capa livro-400x

Por Fabian Chacur

Dos integrantes da primeiríssima geração do rock and roll, nos anos 1950, Jerry Lee Lewis pode ser considerado um dos mais alucinados, no melhor sentido da palavra. Ele, que completou 80 anos de idade em 29 de setembro de 2015, lançou em parceria com o jornalista americano Rick Bragg a autobiografia Jerry Lee Lewis- Sua Própria História (Edições Ideal), um livro simplesmente delicioso, repleto de histórias incríveis.

O livro, extremamente bem escrito por Rick Bragg, com texto fluente e muito bom de se ler, traz como base longas entrevistas concedidas pelo roqueiro americano ao autor. O rico material é complementado por elementos extraídos de outras fontes, e não cai no clima “chapa branca”, pois não se furta de tocar em temas complicados da conturbada vida de Lewis, como os inúmeros casamentos e a morte precoce de filhos.

A trajetória de Jerry Lee Lewis é simplesmente incrível, e é contada em ricos detalhes no livro. Da infância atribulada ao encontro com a música gospel, seguido pela paixão pelo blues e outras vertentes da música negra, o cara aos poucos se tornou um cantor e pianista de estilo inconfundível. Compunha pouco ou quase nada, mas como poucos soube reler canções alheias com originalidade e energia, tornando-as suas.

Boa parte do conteúdo se concentra nos anos formativos e na fase áurea do sucesso inicial do roqueiro, entre 1957 e 1958, quando hits como Whole Lotta Shakin’ Going On, Great Balls Of Fire e Breathless invadiram as paradas de sucesso de todo o mundo. A fase áurea na mitológica Sun Records, o relacionamento com seu dono, o visionário Sam Phillips, e a amizade com Elvis Presley são detalhadas com esmero.

O casamento com a prima Myra, de apenas 13 anos, algo comum na família de Jerry Lee Lewis, bagunçou sua carreira quando de sua primeira turnê pela Inglaterra, em 1958. Viriam anos difíceis, que só seriam superados a partir de 1968, quando o cantor enveredou com sucesso pela música country, tornando-se um campeão de vendagens no estilo, que ajudou a inovar com sua criatividade.

A franqueza de Lewis ao comentar cada episódio de sua conturbada vida é impressionante. Ele, inclusive, afirma que o fato de nunca ter escondido nada das pessoas em termos de vida pessoal certamente lhe trouxe muitas dores de cabeça, ao contrário de amigos como Elvis, que se cercavam de pessoas especializadas em ocultar e não divulgar fatos mais obscuros de suas vidas, só conhecidos posteriormente.

Detalhes sobre shows e gravações também estão incluídos na autobiografia, que serve como uma bom relato de como o nosso amado rock and roll surgiu, e também das dificuldades vividas por seus pioneiros, que pagaram caro por ajudar a inventar esse incrível estilo musical. Tipo do livro indispensável para roqueiros de todos os quilates, e também para quem curte boas histórias. E pensar que o cara está ainda aí, firme, na ativa…. Um milagre!

Great Balls Of Fire– Jerry Lee Lewis:

Breathless– Jerry Lee Lewis:

Whole Lotta Shakin’ Going On– Jerry Lee Lewis:

Ian McLagan e Bobby Keys, as novas perdas do rock ‘n’ roll

ian mclagan-400x

Por Fabian Chacur

O mundo do rock and roll tomou duas pauladas daquelas nos últimos dias, com a perda de grandes músicos relacionados aos Rolling Stones. Nesta terça (2), deixou-nos o saxofonista americano Bobby Keys. Quando ainda não havíamos nos recuperado do baque, eis que surge a notícia nesta quarta (3) da morte do tecladista britânico Ian McLagan. Um luto daquele tamanho.

Bobby Keys tinha 70 anos de idade, e nasceu na cidade americana de Lubbock, Texas, no dia 18 de dezembro de 1943, mesmo dia, mês e ano do britânico Keith Richards. Ainda adolescente, tocou em shows com o mais famoso músico surgido em sua cidade natal, o genial Buddy Holly e sua banda The Crickets. E foi uma canção dessa banda que o fez conhecer os Rolling Stones.

Lá pelos idos de 1965, ele ouviu o emergente grupo de Mick Jagger tocando Not Fade Away, clássico de Buddy Holly. Em um primeiro momento, achou que os caras estavam querendo faturar em cima da obra do seu saudoso amigo. Ao prestar mais atenção, sacou que a banda era boa, e que realmente curtia de coração o rock americano.

No fim dos anos 60, ele já havia ficado amigo de Jagger e especialmente de Richards, que logo percebeu que Key não era apenas um colega de data de nascimento, e sim uma espécie de irmão espiritual. O saxofonista participou de inúmeras turnês dos Stones, com quem tocou até o início de 2014, quando teve de parar por problemas de saúde.

O músico participou de álbuns seminais da discografia das Pedras Rolantes, entre os quais Let It Bleed (1969), Sticky Fingers (1971) e Exile On Main Street (1972). É dele um dos solos mais marcantes de sax de todos os tempos, o de Brown Sugar, que segundo Keith Richards foi gravado em apenas um take. Ele também gravou o solo de Whatever Gets You Through The Night, sucesso de John Lennon e Elton John lançado em 1974 no álbum Walls And Bridges, do ex-beatle.

bobby-keys-400x

Também é bastante elogiado, embora não tenha feito sucesso comercial, o álbum solo que Bobby Keys lançou em 1972 que contou com as participações especiais de George Harrison, Jack Bruce, Leslie West, Dave Mason e Ringo Starr, entre outros. Curiosidade: a faixa Bootleg pode ter inspirado Tim Maia a compor Sossego, anos depois, pois a melodia é praticamente a mesma (valeu pelo toque, Zeca Azevedo!).

Por sua vez, o britânico Ian McLagan nasceu em 12 de maio de 1945, e ficou conhecido por integrar os Small Faces, de hits como Itchycoo Park. Quando o cantor e líder do grupo, Steve Marriott, saiu fora para montar o Humble Pie com o cantor e guitarrista Peter Frampton, McLagan e seus colegas Kenney Jones e Ronny Lane se uniram a Rod Stewart e Ron Wood para fundar os Faces.

A nova banda ajudou Rod Stewart a se tornar um dos grandes astros do rock, e nos proporcionou grandes momentos de um rock energético, básico e repleto de grandes momentos. No entanto, Rod The Mod ficou maior do que a banda, saiu fora para se dedicar em tempo integral a uma carreira solo, e os Faces acabaram ficando pelo caminho em 1975.

É aí que Ian McLagan entra no caminho dos Rolling Stones, participando de alguns shows e também de discos do grupo. O meu favorito com ele nos teclados é provavelmente o genial Some Girls, no qual tem participação de destaque tocando piano elétrico no grande hit Miss You. Ele também tocou com Chuck Berry, Bruce Springsteen e Bob Dylan, entre inúmeros outros de mesma envergadura. O cara trabalhava muito.

Ian lançou em 2000 uma autobiografia contando suas histórias roqueiras, intitulada All The Rage: A Riotous Romp Through Rock & Roll History, enquanto Bobby nos apresentou seu livro de memórias mais recentemente, em 2012, o elogiado Every Night’s a Saturday Night, cujo prefácio foi assinado por Keith Richards, que por sinal o cita com destaque em sua própria autobiografia, Life.

Bootleg – Bobby Keys:

Miss You- The Rolling Stones:

Brown Sugar – The Rolling Stones:

Morre Phil, dos Everly Brothers, aos 74 anos

Por Fabian Chacur

O rock and roll sofre sua primeira grande perda em 2014. Morreu na última sexta-feira (3), aos 74 anos, Phil Everly, que ao lado do irmão mais velho Don (de 76 anos) integrou os Everly Brothers, um dos duos mais importantes da história da música pop. O músico foi vítima de uma doença pulmonar, que sua esposa Patti atribui ao tabagismo. Ele vivia em Burbank, Califórnia.

Nascido em Chicago em 19 de janeiro de 1939, Phillip Everly era filho de dois cantores de rádio, e estreou na música aos 7 anos de idade ao lado do irmão Don em um programa radiofônico. Após anos batalhando por uma oportunidade, tiveram a ajuda do célebre músico Chet Atkins, que tocou com Elvis Presley e inúmeros outros durante sua brilhante carreira.

Com um background de música country, os Everly logo adicionaram a essa sonoridade o rhythm and blues e o emergente rock and roll, ajudando a criar uma mistura que marcou a história do rock and roll e intitulada rockabilly. Com suas vocalizações, logo invadiram as paradas de sucesso, e seu primeiro sucesso, Bye Bye Love, tem uma origem bastante curiosa.

Obra do casal Felice e Boudleaux Bryant, Bye Bye Love já havia sido rejeitada por ao menos 30 intérpretes antes de ser finalmente registrada pelos irmãos Don e Phil. Valeu a espera. A canção logo se tornou um dos grandes sucessos de 1957, atingindo o segundo posto na parada americana pop e o primeiro na de rhythm and blues. Wake Up Little Susie (1957), também dos Bryant, foi ainda além, dando à dupla de cantores o primeiro lugar na parada pop ianque, mesma posição atingida por All I Have To Do Is Dream (1958) poucos meses depois.

Até 1960, eles emplacaram vários sucessos no selo Cadence, do qual saíram naquele ano ao aceitar uma oferta milionária da Warner por um contrato de dez anos de duração e um milhão de dólares de ganho. O primeiro fruto do novo contrato foi Cathy’s Clown (1960), maior sucesso dos irmãos em sua terra natal, que ficou cinco semanas no topo da parada pop.

As coisas permaneceram bem para os Everly Brothers em termos de sucesso até 1964, com novos hits do naipe de Crying In The Rain, Gone Gone Gone e Ebony Eyes, entre outros. No entanto, o estouro dos Beatles e o surgimento da chamada British Invasion, ironicamente muito influenciada pelo som dos irmãos, acabou tirando as canções deles dos primeiros postos das paradas de sucesso. Eles continuaram seguindo em frente mesmo assim.

Em 1973, no entanto, as desavenças entre os irmãos chegaram ao ápice, e após um show em junho daquele ano, Phil jogou seu violão no chão e saiu do palco, encerrando ali o trabalho com Don. Parecia o fim definitivo da dupla, que a partir daí partiu para carreiras solo. Phil gravou algumas canções bacanas no período, incluindo a primeira e ótima versão de The Air That I Breathe, que depois estouraria em releitura do grupo britânico Hollies, não por acaso bastante influenciado pelo som dos brothers americanos.

Em setembro de 1983, no entanto, o retorno dos Everly Brothers acabou se materializando, em dois shows no Royal Albert Hall londrino que geraram um álbum duplo ao vivo. Em 1984, os irmãos foram além, gravando um novo álbum de estúdio com a produção de Dave Edmunds. EB 84 equivaleu a um retorno certeiro, com ótimas vendas e pelo menos três faixas excelentes.

On The Wings Of a Nightigale leva a assinatura de ninguém menos do que Paul McCartney, que ainda toca violão na gravação. Jeff Lynne, da Electric Light Orchestra, compôs The Story Of Me para a dupla, e participou da gravação (tocando baixo) ao lado de outro colega da ELO, o tecladista Richard Tandy. E temos um cover arrepiante de Lay Lady Lay, de Bob Dylan.

Até o fim dos anos 80, os Everly Brothers ainda nos proporcionariam outras gravações ótimas, como Born Yesterday (faixa título do LP lançado em 1986), uma inspiradíssima releitura de Why Worry (do Dire Straits) e uma parceria histórica com os Beach Boys em uma regravação de Don’t Worry Baby, um dos momentos máximos de Brian Wilson como compositor.

Se não gravaram mais discos de inéditas a partir de Some Hearts (1989), os irmãos continuaram fazendo shows. Em 2003/2004, participaram da turnê Old Friends com Simon & Garfunkel, um de seus discípulos mais famosos, com direito a registro em CD e DVD. Vale lembrar que S&G ajudaram a criar o clima para o retorno dos EB quando gravaram Wake Up Little Susie em seu mitológico álbum ao vivo gravado no Central Park de Nova York em 1981.

Inúmeros artistas releram sucessos dos Everly Brothers nesses anos todos. Em seu álbum Dark Horse (1974), por exemplo, George Harrison fez uma releitura lenta, sofrida e também possivelmente irônica de Bye Bye Love dedicada a Pattie Boyd, sua esposa que o estava largando para ficar com o amigo Eric Clapton, em um dos mais famosos e escandalosos triângulos amorosos da história do rock.

O grupo norueguês A-ha fez muito sucesso relendo Crying In The Rain. E Robert Plant ganhou um Grammy ao regravar de forma inspiradíssima Gone Gone Gone no álbum que gravou em dupla com a cantora e musicista country americana Alison Krauss, o ótimo Raising Sand (2007), grande sucesso de vendas e de crítica. Por sinal, essa regravação foi massacrada na MTV por João Gordo, que a achou ridícula. Que vergonha alheia!!!

Phil Everly nos deixa como herança algumas das melhores e mais influentes vocalizações da história do rock and roll, além de ajudar a firmar um dos estilos musicais mais mestiços de todos os tempos, injetando nele um tempero caipira delicioso que gerou frutos até na nossa música sertaneja, jovem guarda, pop rock etc.

Para quem deseja mergulhar no universo dos Everly Brothers, recomendo a excepcional coletânea tripla Perfect Harmony (Sequel Records/Castle Records), lançada em 1990 e que dá uma geral completa na trajetória da dupla, incluindo 60 faixas de todas as fases do duo (incluindo algumas gravações solo de Don e Phil) e um encarte com dados técnicos e texto impecável. Pode ser difícil de ser encontrada, mas vale cada centavo que você pagar nela.

Wake Up Little Susie, com The Everly Brothers:

Gone Gone Gone, com The Everly Brothers:

On The Wings Of a Nightingale, com The Everly Brothers:

Esse Keith Richards que me faz tão “Happy”

Por Fabian Chacur

Em 1972, pedi de presente de aniversário ao meu padrinho um compacto simples dos Rolling Stones que trazia como destaque uma faixa que estava na época tocando nas rádios brasileiras abertas ao rock and roll, tipo Excelsior e Difusora. E ganhei. A tal música era Happy, um dos destaques do seminal álbum Exile On Main St. (saiba mais sobre esse álbum maravilhoso aqui), e pode-se dizer que teve início ali minha relação com os Rolling Stones.

Demorou um pouco para eu saber que o cantor naquela faixa não era Mick Jagger, e sim o guitarrista da banda, Keith Richards. Esse mesmo, que nesta ensolarada quarta-feira (18) completa 70 anos de idade. Uma efeméride no mínimo curiosa, pois durante muito tempo, o músico e coautor dos grandes clássicos dos Stones com Mick Jagger liderou as listas sobre quem seria o novo astro do rock a morrer ainda jovem, seguindo Janis Joplin, Jim Morrison e o ex-colega de banda Brian Jones.

Aliás, chega a ser curioso pensar que, se fosse perguntado a alguém naquele mesmo 1972 sobre quem morreria primeiro, Keith ou outro guitarrista lendário também nascido em 1943, George Harrison, todos apostariam no primeiro. Pois o saudável ex-beatle nos deixou há 12 anos, enquanto “Keef” completa sete décadas sem dar mostras de que sairá de cena tão cedo. Um típico sobrevivente do rock.

Keith Richards é um dos maiores ícones do rock and roll em todos os aspectos, desde o visual de pirata, os instrumentos sempre marcantes, a atitude cool (contraponto irreverente ao mais midiático Jagger) e um estilo musical que conseguiu extrair elementos do blues e do rhythm and blues original para criar alguns dos mais fantásticos riffs de guitarra de todos os tempos.

Tive a honra de ver os Rolling Stones ao vivo no Brasil em sua primeira passagem por aqui, como atração máxima do Hollywood Rock em janeiro de 1995. Três dias de chuva, mas compensados por performances simplesmente endiabradas das Pedras Rolantes, com direito a ouvir Keith interpretando ali na minha frente com muita garra a minha amada Happy.

Sem se caracterizar como um solista dos mais refinados, Richards sempre nos proporcionou riffs poderosos como os de Jumpin’ Jack Flash, (I Can’t Get No) Satisfaction, Start Me Up e tantos outros copiados e reciclados por legiões de guitar players nos quatro cantos do Planeta. E sua voz rouca sempre foi benvinda entre uma penca e outra de interpretações certeiras de Mick Jagger, um dos cantores mais carismáticos da história da música.

Fora da banda, lançou ao menos um disco solo antológico, Talk Is Cheap, que completou 25 anos de seu lançamento em 2013 e inclui maravilhas como Take It So Hard. Outro marco foi ter produzido e sido o band leader no show que homenageou seu grande ídolo, Chuck Berry, nos anos 80, espetáculo que gerou um dos filmes mais legais de rock and roll, o documentário Hail! Hail! Rock N’Roll (1987).

Ainda bastante ativo, Keith Richards viveu um pirata na franquia Piratas do Caribe ao lado de Johnny Depp, e atualmente sua a camisa nos shows comemorativos dos 50 anos de carreira dos Rolling Stones. Só nos resta desejar ao Homem Caveira muita saúde, muitos anos de vida e ainda muitos riffs certeiros para que nós, fãs, possamos nos deleitar com eles. Valeu, fera, por make me happy all these years!!!

Ouça Happy, com os Rolling Stones:

Ouça Take It So Hard, com Keith Richards:

Documentário mostra o genial Levon Helm

Por Fabian Chacur

A distribuidora Kino Lorber lançará nos EUA no dia 8 de outubro de 2013 nos formatos DVD e Blu-ray o documentário Ain’t it For My Health: A Film About Levon Helm. Dirigido por Jacob Hatley, trata-se de um filme sobre o saudoso e genial baterista, cantor e compositor americano Levon Helm (1940-2012), um dos integrantes da seminal banda americana The Band.

O documentário traz cenas registradas por seus produtores durante quase três anos, entre 2007 e 2010, quando Helm, mesmo lutando contra um câncer na garganta que quase levou de vez a sua voz, conseguiu se recuperar o suficiente para lançar os álbuns solo Dirt Farmer (2007) e Electric Dirt (2009), que lhe renderam boas vendagens, troféus Grammy e grande reconhecimento por parte de crítica e público.

O músico americano é flagrado em sua casa, tocando e se relacionando com amigos como o ator e cantor Billy Bob Thornton e com a filha Amy, com quem começou a recuperação de voz fazendo backing vocals, inicialmente, para depois retomar os microfones. Também foram utilizadas cenas de arquivo registrando o artista em seus tempos de The Band, no mítico Festival de Woodstock em 1969 e em participação no Ed Sullivan Show.

Único americano na formação original do The Band, que foi criado no Canadá, Levon Helm se destacou como grande vocalista e um baterista excepcional. Além de atuar no The Band, que viveu o seu auge nas décadas de 60 e 70, ele também teve uma elogiada carreira solo e trabalhou como ator em diversos filmes, entre os quais Coal Miner’s Daughter (1980), cinebiografia da cantora country Loretta Lynn.

Diagnosticado com câncer na garganta em 1998, Levon teve de passar por inúmeras sessões de radiação e sofreu absurdamente, ficando um bom tempo sem poder cantar ou até mesmo falar. Sua luta contra a doença foi valorosa, e mesmo tendo sido finalmente vitimado por ela em 19 de abril de 2012, ele ao menos conseguiu gravar novos discos e ter um fim mais do que digno.

Veja os trailers de Ain’t In It For My Health: A Film About Levon Helm:

Janis Joplin, a voz eterna que faria 70 anos

Por Fabian Chacur

Neste sábado, 19 de janeiro de 2013, Janis Joplin completaria 70 anos. A Pérola do Texas, no entanto, nem aos 30 chegou, pois nos deixou em um triste 4 de outubro de 1970, aos 27 anos. O ser humano se foi, mas a voz lendária, preservada nos discos, permanece nos arrepiando até hoje. E que voz maravilhosa!

Janis viveu pouco, mas com muita intensidade. Dentro dela, um eterno impasse certamente ajudou a levá-la mais cedo. De um lado, a cantora visceral, a mulher livre, que desejava apenas ser “mais uma da turma” e beber até cair. Do outro, a garota que sonhava em ser esposa, ter filhos e uma vida convencional, “careta”. Muita contradição.

Em termos musicais, a cantora texana misturou com originalidade o blues, o rhythm and blues, o country, o soul, o folk, o jazz e o rock and roll como ninguém antes, nem depois, com uma das vozes mais poderosas jamais apresentadas ao grande público. Dinamite pura, sentimento puro, explosão pura, em uma intérprete carismática.

Em sua concisa discografia, que inclui títulos lançados por ela ainda em vida e outros póstumos bem bacanas, destaco particularmente três. Cheap Thrills (1968), gravado ao lado do grupo Big Brother & The Holding Company, a tornou conhecida mundialmente, graças a petardos como Summertime, Piece Of My Heart e Ball And Chain.

Pearl, lançado de forma póstuma em 1971, é para mim seu momento máximo, quando a emoção e a técnica se equilibraram, gerando um álbum ao mesmo tempo emocionante e tecnicamente impecável, gerando gravações excepcionais como Move Over, Cry Baby, Me And Bobby McGee, My Baby e A Woman Left Lonely. Um dos melhores álbuns lançados em qualquer época e em qualquer estilo musical. Clássico até a medula.

Lançado em 1982, Farewell Song traz nove faixas registradas entre 1968 e 1970, e mostram Janis esbanjando talento, em canções como Tell Mama, One Night Stand e Catch Me Daddy. Nem parece uma coletânea de material deixado de lado dos discos da cantora.

Na verdade, essas são escolhas pessoais minhas, mas recomendo praticamente qualquer um de seus álbuns. Mesmo I Got Dem Ol’ Kosmic Blues Again Mama! (1969), que peca pela produção excessiva e por um pouco de frieza, traz momentos bacanas como To Love Somebody e One Good Man e merece ser explorado pelos ouvintes atuais.

Toda cantora que se preze tem a obrigação de mergulhar na obra de Janis Joplin como forma de aprender a arte de transpor para os estúdios e palcos os sentimentos sem cair na gritaria sem sentido, no tecnicismo barato ou no lugar comum. Janis era original como poucas, e continua nos emocionando em seus discos e DVDs.

Agora, ouça cinco das minhas gravações favoritas de Janis Joplin:

Move Over:

Me And Bobby McGee:

One Night Stand:

Cry Baby:

Summertime:

Older posts

© 2019 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑