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Bruno Gouveia relata com classe a trajetória do Biquini Cavadão

bruno gouveia capa livro 400x

Por Fabian Chacur

Em 1985, quando tinha apenas 19 anos, Bruno Gouveia se tornou conhecido nacionalmente como vocalista do Biquini Cavadão, graças ao estouro das músicas Tédio e No Mundo da Lua. Desde então, conseguiu consolidar uma carreira com vários altos e baixos em termos profissionais, mas sempre mantida com muita dignidade e qualidade artística. Essa belíssima trajetória profissional e pessoal é o mote de É Impossível Esquecer o Que Vivi (Chiado Publishers), belíssimo autobiografia na qual o artista nascido em Ituiutaba (MG) e radicado há muito no Rio de Janeiro dá uma geral no que realizou nesses anos todos, de forma franca e sem rodeios.

A trajetória de Bruno se mostra das mais interessantes pelo fato de ter se desenvolvido em um período de muitas mudanças na história da indústria fonográfica no Brasil. Seu grande mérito é relatar com riqueza de detalhes e muitas informações preciosas de bastidores como se deram essas alterações todas, desde o auge do rock brasileiro dos anos 1980 e dos discos de vinil até a atual fase do streaming, passando por CD, mp3, redes sociais, plataformas digitais, internet e muito, mas muito mais mesmo.

O artista se mostra um observador astuto de tudo o que vivenciou, e proporciona um grande volume de material que surpreenderá até mesmo seus contemporâneos de geração ou mesmo mais velhos do que ele, além de servir como um testemunho dos mais importantes para o pessoal que tenha de 30 anos para menos. Garanto que alguns ficarão não só estupefatos com algumas passagens como também possivelmente duvidarão de sua realidade. Como vivi esses anos todos, posso lhes afiançar: é tudo verdade…

Nome atrapalhou um pouco a trajetória do grupo

Devido a seu nome desencanado, batismo feito pelo amigo e incentivador Herbert Vianna, o grupo nem sempre mereceu o devido respeito por parte da crítica e de segmentos do público. Mas basta analisar de forma isenta sua obra para se verificar que o Biquini Cavadão faz parte daquele seleto grupo de bandas que se firmaram e permanecem ativas e relevantes graças ao talento e à perseverança de seus quatro integrantes: Bruno e os fiéis parceiros Carlos Coelho, Miguel Flores e Álvaro Birita.

E olha que Bruno e sua turma passaram por muitas e não tão boas nesses quase 35 anos de trajetória discográfica. As idas e vindas com as gravadoras trazem momentos dignos de tortura chinesa, daqueles de desanimar o mais otimista dos seres humanos. No entanto, os rapazes sempre souberam dar a volta por cima, mesmo em momentos absurdamente difíceis como o da demissão do único integrante da formação clássica que não permaneceu, o baixista Sheik.

Pra rir, chorar, se indignar…

Com um texto fluente e muito bom de se ler, Bruno ainda teve uma ideia das melhores: acrescentou em momentos importantes do livro depoimentos entre aspas de alguns dos envolvidos nas questões, proporcionando ao leitor uma visão mais abrangente de cada situação e permitindo-nos tirar conclusões mais precisas de cada situação. Apenas Sheik não aceitou dar depoimentos, mas ainda assim sua importância para a banda não é rejeitada ou posta de lado.

O gostoso de É Impossível Esquecer o Que Vivi é o fato de que lê-lo nos proporciona as mais diversas emoções. Rir das trapalhadas de Carlos Coelho, por exemplo, ou das histórias de estrada da banda. Indignação com algumas rasteiras que as gravadoras (suas diretorias em cada época, para ser mais preciso) deram neles, muitas vezes geradas por jogos de ego absolutamente odiosos. Alegria ao ver a banda superar grandes obstáculos.

E tem também a delicadeza com que Bruno nos revela o momento mais difícil de sua vida até o momento, que foi perder seu primeiro filho, Gabriel, que ainda nem havia completado três anos e se foi em um trágico acidente de helicóptero de repercussão nacional. Difícil não verter lágrimas ao tomar conhecimento dessa situação, e de ver como Coelho se portou para dar o devido apoio ao amigo nessa hora tão inesperada e tão terrível.

Franqueza e capacidade de adaptação

A honestidade com que Bruno analisa cada um dos trabalhos lançados pelo Biquini Cavadão também é de se tirar o chapéu, além da franqueza de admitir que, embora todos os integrantes do grupo assinem todas as suas composições, em alguns momentos ele não participou de praticamente nada. No entanto, o fato de, desde o início, eles terem tomado essa atitude, ajudou a banda a se manter unida e coesa mesmo em seus momentos mais difíceis.

Uma das razões pela qual o Biquini Cavadão se mantém até hoje foi ter tido sensibilidade suficiente para interpretar as mudanças de rumo da indústria fonográfica e se adaptar da melhor forma possível a elas, além de ter mergulhado de cabeça nas opções de divulgação e aproximação com os fãs proporcionadas pela internet, isso mesmo antes do surgimento das redes sociais, além de investirem na qualidade de seus shows, quentes e artisticamente atraentes.

Dicas para iniciantes e novidades tecnológicas

Recomendo com entusiasmo aos músicos iniciantes e que sonham em desenvolver uma carreira no mundo da música lerem atentamente os conselhos que Bruno dá, na parte final de seu livro. Todos pertinentes, ponderados e que equivalem a um bom norte a todos.

Como mostra dessa eterna busca por novidades, Bruno incluiu no livro vários QR Codes que proporcionam a quem tem smartfones a possibilidade de acessar uma infinidade de conteúdos extras, do tipo depoimentos em vídeo, clipes, versões alternativas de músicas etc, que também podem ser acessados aqui.

No geral, o mais legal é chegar à conclusão que, aos 52 anos de idade, Bruno Gouveia está mais ativo do que nunca, em trabalhos paralelos e também com sua banda, vide seus excelentes lançamentos mais recentes, os álbuns As Voltas Que o Mundo Dá (leia a resenha de Mondo Pop aqui) e Ilustre Guerreiro (saiba mais sobre ele aqui), ambos produzidos pelo lendário Liminha.

Ouça As Voltas Que o Mundo Dá, do Biquini Cavadão, em streaming:

Chrissie Hynde mostra seu lado jazz no álbum Valve Bone Woe

Chrissie Hynde 2-2-19 by Jill Furmanovsky

Chrissie Hynde 2-2-19 by Jill Furmanovsky

Por Fabian Chacur

Embora se assuma como uma roqueira de corpo e alma, Chrissie Hynde sempre teve um apreço pelo jazz, algo alimentado pela convivência com o irmão, o saxofonista Terry Hynde. Ao saber da morte do trombonista Bob Brookmeyer, a líder dos Pretenders mandou um e-mail ao mano, e recebeu como resposta “Valve Bone Woe”, espécie de poema hai kai beatnik feito por ele em homenagem ao músico. “Bom título para um álbum”, pensou a moçoila. E eis que surge, assim, Valve Bone Woe, seu segundo álbum solo, que a BMG (distribuída pela Warner Music) lança nesta sexta (6) no exterior nos formatos CD simples, álbum duplo de vinil e caixa com tiragem limitada incluindo as 14 faixas no formato compactos simples de vinil. No Brasil, por enquanto, só teremos a versão digital.

Acompanhada por um combo orquestral criado especialmente para essa gravação e com produção a cargo de Marius De Vries e Eldad Guetta, Chrissie esbanja suavidade e categoria em um repertório que traz canções extraídas dos universos do jazz, standards, pop e rock. A abordagem orquestral conta também com alguns elementos eletrônicos digitais no meio, bem sutis, mas passíveis de serem observados e curtidos pelo ouvinte mais atento.

Entre outros autores, estão presentes John Coltrane, Charles Trennet, Brian Wilson, Ray Davies, Charles Mingus, Hoagy Carmichael, Nick Drake e a dupla brasileira Tom Jobim e Vinícius de Moraes (Once I Loved, versão em inglês de Norman Gimbel para Amor em Paz).

Em entrevista incluída no press-release que divulga o trabalho, a cantora britânica explica a motivação do trabalho, inspirado em sua gravação ao lado de Frank Sinatra na faixa Luck Be a Lady, incluída no álbum do Ol’ Blue Eyes Duets II, de 1994: “Gosto de reler canções alheias, é a surpresa de gravar algo que eu nunca pensei em escrever que me impulsiona”.

Valve Bone Woe flui deliciosamente, e certamente surpreenderá muita gente com o arranjo eletro-orquestral de Caroline No (ouça aqui) e no clássico do jazz Meditation On a Pair Of Wire Cutter (ouça aqui), na qual a cantora se vale de vocalizes com muita categoria.

Chrissie Hynde completará 68 anos neste sábado (7), e na véspera dessa data nos oferece um presente deste porte. Tipo do trabalho que já nasce clássico, para ser ouvido por vezes e mais vezes nos anos que virão.

Eis as faixas de Valve Bone Woe:

1. How Glad I Am [Jimmy Williams, Larry Harrison]
2. Caroline, No [Tony Asher, Brian Wilson]
3. I’m a Fool to Want You [Frank Sinatra, Joel Herron, Jack Wolf]
4. I Get Along Without You Very Well (Except Sometimes) [Hoagy Carmichael]
5. Meditation on a Pair of Wire Cutters [Charles Mingus]
6. Once I Loved [Norman Gimbel, Vinicius De Moraes, Antonio Jobim]
7. Wild Is the Wind [Ned Washington, Dimitri Tiomkin]
8. You Don’t Know What Love Is [Don Raye, Gene De Paul]
9. River Man [Nick Drake]
10. Absent Minded Me [Jule Styne, Bob Merrill]
11. Naima [John Coltrane]
12. Hello, Young Lovers [Richard Rogers, Oscar Hammerstein II]
13. No Return [Ray Davies]
14. Que Reste-T-il De Nos Amours [Charles Trenet]

I’m a Fool To Want You– Chrissie Hynde:

Barão Vermelho faz show em SP para apresentar seu álbum Viva

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Por Fabian Chacur

Desde que o Barão Vermelho lançou seu mais recente CD de inéditas, em 2004, muita coisa mudou. Roberto Frejat e Rodrigo Santos saíram do time, que recebeu como reforço o cantor, compositor e guitarrista Rodrigo Suricato. Além disso, o tecladista e compositor Maurício Barros, membro fundador do grupo que saiu em 1988 mas que na prática sempre se manteve por perto, em shows e assinando músicas, voltou de vez. A seu lado, outro criador do grupo, o baterista Guto Goffi, e o guitarrista Fernando Magalhães, há mais de 30 anos no time.

É com essa nova escalação e repleta de energia que a seminal banda carioca lança Viva, trabalho composto apenas por composições dos atuais integrantes do time. A primeira amostra, o visceral single A Solidão Te Engole Vivo, saiu no final de 2018. Agora, é a vez do o produto completo, já disponível nas plataformas digitais e em breve também em CD e possivelmente vinil.

E é para mostrar faixas desse trabalho e também dar uma geral em seus principais hits que o Barão Vermelho versão 2019 volta a São Paulo para show neste sábado (24) às 22h na Casa Natura (rua Artur de Azevedo, nº 2.134- Pinheiros- fone 0xx11-3031-4143), com ingressos custando de R$ 40,00 a R$ 200,00. Entre as novas, destaque para Eu Nunca Estou Só, que no álbum conta com a participação do rapper BK, e a já citada A Solidão Te Engole Vivo.

Leia entrevista com Fernando Magalhães aqui.

Leia entrevista com Rodrigo Suricato aqui.

Eu Nunca Estou Só (clipe)- Barão Vermelho e BK:

Ira! chega ao Rio para show único em sua bela versão folk e acústica

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Por Fabian Chacur

No finalzinho de 2013, Edgard Scandurra e Nasi encerraram um longo período de inimizade e distância com o retorno da parceria que iniciaram nos tempos de escola e que gerou o Ira!, um dos grupos mais bem-sucedidos da história do rock brasileiro. Como se essa boa notícia não bastasse, eles ainda criaram, no início de 2016, um projeto paralelo, o Ira! Folk, investindo em versões acústicas de seus grandes hits.

É com essa formação que esses bons e velhos amigos se apresentam no Rio de Janeiro neste sábado (27) às 22h no Teatro VillageMall (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos custando de R$ 40,00 a R$ 150,00.

A encarnação folk do Ira! traz apenas a essência da banda, com Nasi nos vocais e Edgard Scandurra nos vocais e violão. Os shows da dupla nesse formato se mostraram tão bacanas que geraram em 2017 o DVD e CD Ira! Folk Ao Vivo Em Sâo Paulo, lançado em parceria com o Canal Brasil. Esse registro conta com as participações especiais de Yamandu Costa e Fernanda Takai.

Neste show único no Rio de Janeiro, Scandurra e seu fiel parceiro de Vila Mariana (SP) mergulham em uma deliciosa geral em momentos muito significativos de sua trajetória, com direito a maravilhas perenes do cancioneiro rocker brasileiro do porte de Flores em Você, Dias de Luta, Envelheço na Cidade, Eu Quero Sempre Mais, Tolices, Tarde Vazia e Núcleo Base.

Ouça o álbum Ira! Folk ao vivo em streaming:

Foreigner lança álbum ao vivo gravado em Londres em 1978

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Por Fabian Chacur

Em 27 de abril de 1978, o grupo Foreigner subiu ao palco do lendário Rainbow Theatre em Londres para encarar uma casa cheia. E não era para menos. Seu autointitulado álbum de estreia, lançado em março de 1977, atingiu o 3º lugar na parada americana e rapidamente os impulsionou na cena do hard rock melódico mundial. Naquele dia, os caras fizeram um show repleto de energia e competência, que só agora pode ser conferido em registro oficial. Trata-se de Live At The Rainbow ’78, que a Warner Music está lançando no Brasil em CD e também disponibilizando nas plataformas digitais.

Tudo começou em 1976, quando o experiente músico inglês Mick Jones (guitarra, teclados, backing vocals), ex-integrante do Spooky Tooth e da banda de apoio de Leslie West (ex-Mountain) se viu desempregado. Incentivado por um empresário, resolveu montar um novo time, com os conterrâneos Ian McDonald (guitarras, teclados, sax, flauta, backing vocals, ex-integrante do King Crimson) e Dennis Elliott (bateria, backing vocals).

Logo a seguir, entraram no time os americanos Al Greenwood (teclados, sintetizador) e Ed Gagliardi (baixo, backing vocals). Só faltava o vocalista, que quase foi o ótimo Ian Lloyd, ex-Stories (do hit Brother Louie). Depois de dezenas de testes, Mick Jones se lembrou do LP da banda ianque Black Sheep que ganhou de seu cantor, um certo Lou Gramm anos antes. Finalmente ele o pôs na vitrola, e gostou do que ouviu. Resultado: outro americano na banda.

A química deu tão certo que o Foreigner (forasteiro em inglês, nome bem adequado para os britânicos do time) arrebentou em termos comerciais logo com seu primeiro álbum. E foi para divulgar este trabalho que o então sexteto foi a Londres. Tanto que o repertório do show e incluído em Live At The Rainbow ’78 traz as dez faixas desse LP, além de duas do álbum que eles lançariam em junho de 1978, Hot Blooded e Double Vision (esta, a faixa-título).

O repertório é uma verdadeira aula de hard rock melódico, com direito a teclados com pitadas progressivas, backing vocals impecáveis e alguma coisinha de Free, Bad Company e Beatles. A partir dali, o Foreigner teve algumas mudanças em sua escalação e atingiu seu auge em termos de popularidade na metade dos anos 1980, com hits românticos como Waiting For a Girl Like You e I Want To Know What Love Is, vendendo em torno de 80 milhões de discos.

Eis as faixas de Live At The Rainbow ‘78:

Long, Long Way From Home
I Need You
Woman Oh Woman
Hot Blooded
The Damage Is Done
Cold As Ice
Starrider
Double Vision
Feels Like The First Time
Fool For You Anyway
At War With The World
Headknocker

Cold As Ice (live)- Foreigner:

Sonic Temple, do The Cult, será relançado em formato luxuoso

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Por Fabian Chacur

Em 1989, o The Cult lançou Sonic Temple, seu quarto álbum, que os impulsionou rumo ao primeiro escalão do rock internacional. O trabalho atingiu o 10º posto na parada americana, o 4º no Reino Unido, vendeu milhões de cópias e ganhou os corações dos roqueiros nos quatro cantos do mundo, sendo até hoje o mais bem-sucedido em termos comerciais da banda britânica. Para celebrar as três décadas de seu lançamento, o selo Beggars Arkive, da gravadora britânica Beggars Banquet, lançará no dia 13 de setembro a box set Sonic Temple 30, que pode ser encomendada aqui.

Sonic Temple 30 terá várias versões distintas. A em vinil reúne 3 LPs, uma fita-cassete e itens de memorabilia como a reprodução da credencial da turnê que divulgou este álbum e o press-release oficial. Traz um total de 40 faixas. Teremos também um LP duplo com 16 faixas, sendo seis delas lados-B de singles. Essa versão já havia sido lançada anteriormente, mas está fora de catálogo há mais de 20 anos, sendo um item cobiçado por colecionadores.

A versão em CD é a mais completa, pois contém cinco discos. O conteúdo reúne o álbum original, lados B, versões demo e o CD Live At Wembley, gravado na época pela rádio BBC. São 53 faixas, sendo seis delas nunca antes lançadas. A versão digital a ser disponibilizada nas plataformas deste formato trará apenas as faixas adicionais, pois o álbum original já pode ser ouvido nelas.

Lançado originalmente em abril de 1989, Sonic Temple emplacou quatro hits que até hoje frequentam os set lists dos shows do The Cult. São eles Fire Woman, Edie (Ciao Baby), Sun King e Sweet Soul Sister.

Este CD foi o último da banda a contar com o baixista Jamie Stewart, e traz na bateria o consagrado Mickey Curry, conhecido por shows e gravações ao lado de Bryan Adams e Daryl Hall & John Oates, entre outros. Vale lembrar que outros dois bateristas chegaram a gravar demos do álbum antes da entrada de Curry: Chris Taylor e Eric Singer, este último integrante do Kiss.

O lançamento da box set pega a banda criada e liderada por Ian Astbury (vocal) e Billy Duffy (guitarra) em meio a uma turnê que já teve várias datas nos EUA e passará novamente pelo Reino Unido em outubro, com dez shows já programados. O grupo britânico já esteve algumas vezes no Brasil, sendo a mais recente em 2017, abrindo para o The Who.

Conheça as faixas da versão da caixa em CD:

1-1 Sun King
1-2 Fire Woman
1-3 American Horse
1-4 Edie (Ciao Baby)
1-5 Sweet Soul Sister
1-6 Soul Asylum
1-7 New York City
1-8 Automatic Blues
1-9 Soldier Blue
1-10 Wake Up Time For Freedom

2-1 Sonic Temple Radio Promo
2-2 Fire Woman (Edit)
2-3 Messin’ Up The Blues (from the Fire Woman single)
2-4 Medicine Train (From the Edie (Ciao Baby) single)
2-5 Fire Woman (NYC Rock Mix) (from the Fire Woman CD EP)
2-6 Edie (Ciao Baby) (Edit)
2-7 Bleeding Heart Graffiti (from the Edie (Ciao Baby) CD EP)
2-8 Sun King (Edit)
2-9 Sweet Soul Sister (Edit)
2-10 The River (From the Sweet Soul Sister single)
2-11 Soldier Blue (Werman Extended Version)
2-12 Fire Woman (LA Rock Mix)
2-13 Sweet Soul Sister (Rock’s Mix)
2-14 Edie (Ciao Baby) (Acoustic) (From The Heart Of Soul CD single)

3-1 Medicine Train (demo)
3-2 New York City (demo)
3-3 American Horse (demo)
3-4 Sun King (demo)
3-5 Automatic Blues (demo)
3-6 Yes Man (demo)
3-7 Fire (demo)
3-8 Wake Up Time For Freedom (demo)
3-9 Citadel (demo)
3-10 The River (demo)

4-1 The Crystal Ocean (demo)
4-2 Cashmere (demo)
4-3 Edie (Ciao Baby) (demo)
4-4 Bleeding Hearts Revival
4-5 My Love (demo)
4-6 Star Child (demo)
4-7 Medicine Train (Rock Demo)
4-8 New York City (Rock Demo)
4-9 Fire (rock Demo)
4-10 Spanish Gold (jam Demo)

5-1 New York City (live) *previously unreleased
5-2 Automatic Blues (live) *previously unreleased
5-3 American Horse (live) (from the Sweet Soul Sister single)
5-4 Sun King (live) *previously unreleased
5-5 Soul Asylum (live) (from the Sweet Soul Sister single)
5-6 Rain (live) *previously unreleased
5-7 Sweet Soul Sister (live) (from the Sweet Soul Sister single)
5-8 She Sells Sanctuary (live) *previously unreleased
5-9 Fire Woman (live) *previously unreleased

Ouça Sonic Temple na íntegra (álbum original):

Meu Tio e o Joelho de Porco na programação do Canal Brasil

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Por Fabian Chacur

Em 1988, um certo Rafael perdeu precocemente seu pai, o empresário Sérgio Terpins, vítima de um infarto. A presença de seu tio Tico o ajudou bastante a lidar com uma perda tão terrível e repentina. Dez anos depois, é Tico que se vai, também antes do que se imaginaria. Em 2018, agora cineasta, Rafa nos oferece um delicado relato sobre esse parente tão peculiar, que para o público em geral tem relevância como o criador da incrível banda Joelho de Porco. Trata-se de Meu Tio e o Joelho de Porco, delicioso documentário que o Canal Brasil exibe nesta quinta (30) às 18h45, sexta (31) às 15h45 e domingo (2-6) às 10h55.

É importante ter em mente essa dualidade de intenções do documentário para apreciá-lo melhor. Não se trata de um filme exclusivamente sobre o grupo paulistano surgido em 1972 e criado pelo cantor, compositor e baixista Tico Terpins em parceria com o vocalista Próspero Albanese, que ele conheceu nos tempos de colégio. Ou seja, análises um pouco mais detalhadas dos álbuns lançados pela banda, suas influências musicais, algumas contradições em sua trajetória e mesmo opiniões de críticos ficaram de fora, mostrando que um segundo filme só sobre o grupo em si seria mais do que bem-vindo.

Mas a relação entre Rafael e seu tio famoso, explicitada na tela, nos ajuda muito a conhecer melhor esse personagem peculiar. Um cara genial em termos artísticos, que soube encaminhar o bom humor existente no trabalho dos Mutantes rumo a estâncias ainda mais extremas, em uma união rock-sátira que iria inspirar Língua de Trapo, Premeditando o Breque e diversos outros artistas dessa praia, até mesmo os Mamonas Assassinas, como ilustra depoimento de Zé Rodrix, integrante do grupo nos anos 1980.

Fugindo de uma abordagem mais convencional, Rafael é uma espécie de mestre de cerimônias do filme, amarrando as cenas com suas participações guiando o LTD do tio e conversando com um boneco que representa o músico, em diálogos deliciosos. O material de arquivo teve excelente utilização, permitindo conferir a trajetória da banda e suas performances em apresentações na TV e em shows, além de algumas entrevistas resgatadas. Depoimentos atuais de ex-integrantes como Próspero e de parentes de Tico nos permitem descobrir peculiaridades desse personagem incomum.

Se era um músico de primeira, Tico tinha um bom-humor do tipo “perco o amigo, mas não perco a piada”. Vários desses momentos absurdos gerados por seu temperamento irrequieto são relatados no filme, incluindo “causos” bizarros ocorridos durante shows e programas de TV. O legal é que Rafael não tenta esconder esse lado inconsequente do tio, uma das possíveis razões pelas quais o Joelho de Porco não conseguiu o sucesso que merecia ter atingido.

Outro problema que Rafael conseguiu superar do jeito que deu foi o fato de Billy Bond, vocalista da banda durante a sua “fase punk”, que gerou o álbum Joelho de Porco (1978), lançado pela gravadora global Som Livre, ter saído do time de forma nada amigável. No filme, o bonequinho Tico afirma que aquele álbum, o com mais visibilidade dentre os quatro que gravaram, com direito a comerciais na Globo e tudo, não passava de “um disco sem alma”.

E Rafa lê o SMS enviado por Billy justificando o porque não aceitou o convite para dar a sua versão para o fim de sua participação no Joelho de Porco. O curioso fica por conta da apresentação dos registros de TV e shows dessa fase, nas quais as imagens de Bond são distorcidas. Ficou estranho, mas acabou sendo melhor do que excluí-las, pois são em quantidade bastante expressiva.

A parceria com Arnaldo Baptista em seu primeiro compacto simples, de 1973, o incrível álbum de estreia São Paulo 1554-Hoje (1975), um dos melhores da história do rock brasileiro, o polêmico “disco punk” de 1978 e os dois dos anos 1980, já na fase com Zé Rodrix, Saqueando a Cidade (1983) e 18 Anos Sem Sucesso (1988) são abordados, assim como a atuação de Tico Terpins no mercado publicitário e como dono de estúdio de gravação.

Meu Tio e o Joelho de Porco equivale a uma deliciosa viagem pela vida de um cara do tipo malucão que nos deixou um legado musical que merece ser mais reverenciado, e sua principal virtude é exatamente essa: incentivar quem o vê a ir atrás dos quatro álbuns do grupo, todos repletos de maravilhas do porte de Boing 723897, México Lindo, Mardito Fiapo de Manga, São Paulo By Day, O Rapé, Vai Fundo, A Última Voz do Brasil e tantas outras.

Ouça São Paulo 1554-Hoje, do Joelho de Porco:

Morrissey relê clássico de Laura Nyro com Billie Joe Armstrong

Por Fabian Chacur

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Em seus mais de 35 anos de carreira, Morrissey já releu algumas canções alheias. Desta vez, no entanto, ele resolveu dedicar um álbum inteiro a esse tipo de repertório. Trata-se de California Son, lançamento de seu selo próprio, o Etienne, que no Brasil é distribuído pela Warner Music nas plataformas digitais, sem lançamento físico ainda previsto por aqui. A grande surpresa fica por conta de um dueto improvável dele com Billie Joe Armstrong.

Sim. O ex-cantor dos Smiths e há 31 anos como artista solo gravou ao lado do cantor, compositor e guitarrista do Green Day, banda que nos anos 1990 ajudou a revitalizar o punk rock. O mais legal é a música que eles escolheram para interpretar juntos. Trata-se de Wedding Bell Blues, composição da genial Laura Nyro que fez sucesso nos anos 1960 com a autora e também com o grupo The Fifth Dimension, uma deliciosa balada soul pop que já teve diversas regravações. A dessa dupla ficou muito simpática e é o ponto alto deste trabalho.

Com produção de Joe Chiccarelli, conhecido por seus trabalhos com U2, Elton John, Aerosmith e Jason Mraz, o trabalho também conta com as participações especiais nos vocais de Petra Haden, Ed Droste, Ariel Engle, Lydia Night e Sameer Gadhia. It’s Over, clássico de Roy Orbison, contou com o aval do filho do autor de Oh Pretty Woman, Roy Junior, que declarou:

“Nós amamos Morrissey! O cabelo de Morrissey e suas letras melancólicas e poéticas sempre me lembravam do meu pai. Sua versão de It’s Over é ótima”.

Eis as faixas de California Son e quem as popularizou (entre parênteses):

1. Morning Starship (Jobriath)
2. Don’t Interrupt The Sorrow (Joni Mitchell)
3. Only a Pawn In Their Game (Bob Dylan)
4. Suffer the Little Children (Buffy St Marie)
5. Days of Decision (Phil Ochs)
6. It’s Over (Roy Orbison)
7. Wedding Bell Blues (The Fifth Dimension)
8. Loneliness Remembers What Happiness Forgets (Dionne Warwick)
9. Lady Willpower (Gary Puckett)
10. When You Close Your Eyes (Carly Simon)
11. Lenny’s Tune (Tim Hardin)
12. Some Say I Got Devil (Melanie)

Wedding Bell Blues– Morrissey e Billie Joe Armstrong:

ZZ Top celebra 50 anos de estrada com uma coletânea

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Por Fabian Chacur

Há 50 anos, caía na estrada uma banda oriunda da cidade de Houston, Texas (EUA), com o intuito de investir no blues e nas variações mais básicas e viscerais do rock. Surgia o ZZ Top, grupo que permanece na ativa e celebra este cinquentenário com Goin’ 50, coletânea que a Warner Music lançará em junho em duas configurações, no Brasil. Uma, física, trará 18 faixas, enquanto a outra, para as plataformas digitais, inclui um total de 50 faixas. Trata-se de uma celebração mais do que merecida.

No início, o cantor, compositor e guitarrista Billy Gibbons tinha a seu lado Lanier Greig (baixo e teclados) e Dan Mitchell (bateria). Após o lançamento do single com as músicas Salt Lick e Miller Farm, no entanto, esse dois músicos sairiam fora, substituídos ainda naquele 1969 por Dusty Hill (baixo) e Frank Beard (bateria). Felizmente, os novos parceiros permaneceriam firmes e fortes ao lado de Gibbons durante as décadas que se seguiriam.

O primeiro álbum do trio saiu em 1971, intitulado ZZ Top’s First Album. O sucesso em termos comerciais veio a partir do terceiro trabalho, Tres Hombres (1973), que atingiu o 8º posto na parada americana. Graças a shows sempre energéticos e ao carisma de seus músicos, especialmente do guitarrista Billy Gibbons, logo frequentador assíduo das listas de melhores no instrumento, a banda aos poucos foi ganhando fãs entusiásticos.

Nos anos 1980, passaram a lotar estádios, graças ao estouro de álbuns como Eliminator (1983), que vendeu mais de 10 milhões de cópias nos EUA. Eles acrescentaram teclados eletrônicos, mas sem descaracterizar sua sonoridade clássica, uma mistura de blues, rock, hard rock e boogie. A entrada da música Doubleback, faixa do álbum Recycler (1990), na trilha do filme De Volta Para o Futuro 3 também ajudou bastante em sua popularidade.

O bacana do ZZ Top é a sua postura desencanada, com dois de seus integrantes (Gibbons e Hill) usando longas barbas e todos eles vestindo roupas esporte bem avacalhadas. O que conquistou o grande público foi mesmo a música, pois os shows também não ficam se valendo de recursos cênicos exagerados.

A seleção de músicas de Goin’ 50 dá uma geral em toda a carreira, sendo que a digital inclui ao menos uma faixa de cada um de seus álbuns de estúdio, do primeiro até o mais recente, La Futura (2012), com direito ao raro primeiro single. A versão física faz um apanhado mais resumido, porém muito bacana da carreira toda, e serve como uma boa amostra da bela trajetória do trio texano, que já se apresentou no Brasil lá pelos idos de 2010 e está iniciando uma turnê americana para festejar essas bodas de ouro roqueiras.

Confira o repertório do álbum físico:

La Grange
Sharp Dressed Man
Gimmie All Your Lovin’
Tush
Cheap Sunglasses
I’m Bad, I’m Nationwide
Legs
Got Me Under Pressure
Rough Boy
Sleeping Bag
Velcro Fly
Doubleback
Viva Las Vegas
Pincushion
What’s Up With That
Fearless Boogie
Piece
I Gotsta Get Paid

Confira o repertório do álbum digital:

La Grange
Sharp Dressed Man
Gimmie All Your Lovin’
Tush
Legs
Rough Boy
I’m Bad, I’m Nationwide
Cheap Sunglasses
Got Me Under Pressure
Sleeping Bag
Velcro Fly
Doubleback
Viva Las Vegas
Salt Lick
Miller’s Farm
(Somebody Else Been) Shaking Your Tree
Francine
Beer Drinkers & Hell Raisers
Waitin’ For The Bus
Jesus Just Left Chicago
Heard It On The X
Back Door Medley (Live)
It’s Only Love
Arrested Whilst Driving Blind
Enjoy and Get It On
I Thank You
Leila
Tube Snake Boogie
Pearl Necklace
TV Dinners
Can’t Stop Rockin’
Stages
Delirious
Woke Up With Wood
Concrete And Steel
My Head’s In Mississippi
Give It Up
Decision Or Collision
Gun Love
Pincushion
Breakaway
Girl In A T-Shirt
Fuzzbox Voodoo
She’s Just Killing Me
What’s Up With That
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36-22-36
Piece

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The Waterboys de Mike Scott lançam single; álbum a caminho

mike scott the waterboys-400x

Por Fabian Chacur

Além de bandas que lotaram estádios pelo mundo afora, como U2, R.E.M. e Bon Jovi, a década de 1980 também foi pródiga em revelar grupos que, se não tiveram tanto êxito comercial, cativaram corações suficientes para mantê-los relevantes. Este é o caso do The Waterboys, um time rocker escocês daquela safra que anuncia para o dia 24 de maio o lançamento de seu 12º álbum de estúdio. Trata-se de Where The Action is, estréia deles no badalado selo indie britânico Cooking Vinyl. Para ir saciando a sede de seus fãs, programaram o lançamento de dois singles, ambos ótimos.

O primeiro, Right Side Of Heartbreak (Wrong Side Of Love) (ouça aqui), possui uma levada dançante com ecos de Sympathy For The Devil, dos Rolling Stones. O outro, recém-lançado, é Where The Action Is, a faixa-título do novo trabalho e um rock bem bacana com tempero soul (especialmente nos vocais de apoio de Jess e Zeenie) e solos rapidinhos de guitarra a la hard-heavy metal.

Criado em Edimburgo, Escócia, em 1983, The Waterboys é na verdade uma banda com dono. No caso, o cantor, compositor e músico Mike Scott. Não por acaso, o grupo já teve, em seus 36 anos de existência, a participação de mais de setenta músicos, entre colaborações em shows e gravações de seus discos.

Alguns deles marcaram época, como o cantor, compositor e tecladista Karl Walinger, que ficou de 1983 a 1986, saindo depois para montar outra banda alternativa bacana (World Party), Anthony Thistlethwaite (sax e mandolim) e Steve Wickham (mandolim e violino elétrico).

Com um som que mistura de forma impactante rock, folk britânico, soul e pop, o grupo ficou marcado por singles poderosos como The Whole Of The Moon, Don’t Bang The Drum, Medicine Ball e Fisherman’s Blues, e álbuns ótimos do calibre de This Is The Sea (1985), Fisherman’s Blues (1988) e Room To Roam (1990). O grupo saiu de cena em 1993, após o lançamento de Dream Harder.

Após um período durante o qual lançou dois discos solo, Mike Scott resolveu reativar a marca The Waterboys, e o marco desse retorno é o álbum A Rock In The Weary Land (2000). Desde então, o time se mantém ativo, lançando novos trabalhos com certa regularidade e fazendo shows.

O fiel escudeiro de Scott e segundo mais antigo integrante do grupo é Steve Wickham, que saiu em 1990, voltou em 2001 e permanece firme e forte desde então. Where The Action Is será disponibilizado no exterior nos formatos CD simples, CD duplo, LP de vinil, download digital e nas plataformas digitais.

Eis as faixas de Where The Action Is:

CD 1- normal(standard)

1. Where The Action Is
2. London Mick
3. Out Of All This Blue
4. Right Side Of Heartbreak (Wrong Side Of Love)
5. In My Time On Earth
6. Ladbroke Grove Symphony
7. Take Me There I Will Follow You
8. And There’s Love
9. Then She Made The Lasses-O
10. Piper At The Gates Of Dawn

CD 2 – Where The Action Is… Mashed

1. Where The Action Is (Mash)
2. London Mick (Jess’n’Zeenie Mix)
3. Out Of All This Blue (Soul Choir)
4. Right Side Of Heartbreak (Box & Vox)
5. In My Time On Earth (Scott & Wickham Mix)
6. Ladbroke Grove Coda
7. I Will Follow You Take Me There
8. And There’s Love (Mashtrumental)
9. Then She Made The Lasses (Mash)
10. Where The Action Is (Reprise)
11. Piper At The Gates of Dawn (Instrumental)

Where The Action Is (clipe)- The Waterboys:

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