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Tag: rock anos 1990

Bruno Gouveia relata com classe a trajetória do Biquini Cavadão

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Por Fabian Chacur

Em 1985, quando tinha apenas 19 anos, Bruno Gouveia se tornou conhecido nacionalmente como vocalista do Biquini Cavadão, graças ao estouro das músicas Tédio e No Mundo da Lua. Desde então, conseguiu consolidar uma carreira com vários altos e baixos em termos profissionais, mas sempre mantida com muita dignidade e qualidade artística. Essa belíssima trajetória profissional e pessoal é o mote de É Impossível Esquecer o Que Vivi (Chiado Publishers), belíssimo autobiografia na qual o artista nascido em Ituiutaba (MG) e radicado há muito no Rio de Janeiro dá uma geral no que realizou nesses anos todos, de forma franca e sem rodeios.

A trajetória de Bruno se mostra das mais interessantes pelo fato de ter se desenvolvido em um período de muitas mudanças na história da indústria fonográfica no Brasil. Seu grande mérito é relatar com riqueza de detalhes e muitas informações preciosas de bastidores como se deram essas alterações todas, desde o auge do rock brasileiro dos anos 1980 e dos discos de vinil até a atual fase do streaming, passando por CD, mp3, redes sociais, plataformas digitais, internet e muito, mas muito mais mesmo.

O artista se mostra um observador astuto de tudo o que vivenciou, e proporciona um grande volume de material que surpreenderá até mesmo seus contemporâneos de geração ou mesmo mais velhos do que ele, além de servir como um testemunho dos mais importantes para o pessoal que tenha de 30 anos para menos. Garanto que alguns ficarão não só estupefatos com algumas passagens como também possivelmente duvidarão de sua realidade. Como vivi esses anos todos, posso lhes afiançar: é tudo verdade…

Nome atrapalhou um pouco a trajetória do grupo

Devido a seu nome desencanado, batismo feito pelo amigo e incentivador Herbert Vianna, o grupo nem sempre mereceu o devido respeito por parte da crítica e de segmentos do público. Mas basta analisar de forma isenta sua obra para se verificar que o Biquini Cavadão faz parte daquele seleto grupo de bandas que se firmaram e permanecem ativas e relevantes graças ao talento e à perseverança de seus quatro integrantes: Bruno e os fiéis parceiros Carlos Coelho, Miguel Flores e Álvaro Birita.

E olha que Bruno e sua turma passaram por muitas e não tão boas nesses quase 35 anos de trajetória discográfica. As idas e vindas com as gravadoras trazem momentos dignos de tortura chinesa, daqueles de desanimar o mais otimista dos seres humanos. No entanto, os rapazes sempre souberam dar a volta por cima, mesmo em momentos absurdamente difíceis como o da demissão do único integrante da formação clássica que não permaneceu, o baixista Sheik.

Pra rir, chorar, se indignar…

Com um texto fluente e muito bom de se ler, Bruno ainda teve uma ideia das melhores: acrescentou em momentos importantes do livro depoimentos entre aspas de alguns dos envolvidos nas questões, proporcionando ao leitor uma visão mais abrangente de cada situação e permitindo-nos tirar conclusões mais precisas de cada situação. Apenas Sheik não aceitou dar depoimentos, mas ainda assim sua importância para a banda não é rejeitada ou posta de lado.

O gostoso de É Impossível Esquecer o Que Vivi é o fato de que lê-lo nos proporciona as mais diversas emoções. Rir das trapalhadas de Carlos Coelho, por exemplo, ou das histórias de estrada da banda. Indignação com algumas rasteiras que as gravadoras (suas diretorias em cada época, para ser mais preciso) deram neles, muitas vezes geradas por jogos de ego absolutamente odiosos. Alegria ao ver a banda superar grandes obstáculos.

E tem também a delicadeza com que Bruno nos revela o momento mais difícil de sua vida até o momento, que foi perder seu primeiro filho, Gabriel, que ainda nem havia completado três anos e se foi em um trágico acidente de helicóptero de repercussão nacional. Difícil não verter lágrimas ao tomar conhecimento dessa situação, e de ver como Coelho se portou para dar o devido apoio ao amigo nessa hora tão inesperada e tão terrível.

Franqueza e capacidade de adaptação

A honestidade com que Bruno analisa cada um dos trabalhos lançados pelo Biquini Cavadão também é de se tirar o chapéu, além da franqueza de admitir que, embora todos os integrantes do grupo assinem todas as suas composições, em alguns momentos ele não participou de praticamente nada. No entanto, o fato de, desde o início, eles terem tomado essa atitude, ajudou a banda a se manter unida e coesa mesmo em seus momentos mais difíceis.

Uma das razões pela qual o Biquini Cavadão se mantém até hoje foi ter tido sensibilidade suficiente para interpretar as mudanças de rumo da indústria fonográfica e se adaptar da melhor forma possível a elas, além de ter mergulhado de cabeça nas opções de divulgação e aproximação com os fãs proporcionadas pela internet, isso mesmo antes do surgimento das redes sociais, além de investirem na qualidade de seus shows, quentes e artisticamente atraentes.

Dicas para iniciantes e novidades tecnológicas

Recomendo com entusiasmo aos músicos iniciantes e que sonham em desenvolver uma carreira no mundo da música lerem atentamente os conselhos que Bruno dá, na parte final de seu livro. Todos pertinentes, ponderados e que equivalem a um bom norte a todos.

Como mostra dessa eterna busca por novidades, Bruno incluiu no livro vários QR Codes que proporcionam a quem tem smartfones a possibilidade de acessar uma infinidade de conteúdos extras, do tipo depoimentos em vídeo, clipes, versões alternativas de músicas etc, que também podem ser acessados aqui.

No geral, o mais legal é chegar à conclusão que, aos 52 anos de idade, Bruno Gouveia está mais ativo do que nunca, em trabalhos paralelos e também com sua banda, vide seus excelentes lançamentos mais recentes, os álbuns As Voltas Que o Mundo Dá (leia a resenha de Mondo Pop aqui) e Ilustre Guerreiro (saiba mais sobre ele aqui), ambos produzidos pelo lendário Liminha.

Ouça As Voltas Que o Mundo Dá, do Biquini Cavadão, em streaming:

New Radicals acabou há 20 anos e deixou um belo CD de herança

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Por Fabian Chacur

Em 12 de julho de 1999, um frio e impessoal comunicado oficial anunciou que o grupo New Radicals estava saindo de cena. Seu líder, o cantor, compositor e músico americano Gregg Alexander, alegou cansaço com os shows e a necessidade de divulgar seu trabalho em rádios, TVs e imprensa, e informou que, a partir dali, iria se dedicar em tempo integral a compor e produzir para outros artistas. Era o ponto final de uma curta, porém produtiva trajetória do grupo, criado em 1997. Como herança, ficou o álbum Maybe You’ve Been Brainwashed Too, lançado em outubro de 1998. Vale relembrar essa história e seus detalhes.

Se a banda era de fato novinha, seu criador já tinha alguma estrada. Gregg Alexander nasceu em 4 de maio de 1970, e se mostrou um talento precoce, pois foi contratado pela gravadora A&M com apenas 16 anos. O produtor Rick Nowels se impressionou com o potencial do garoto, e não teve pressa. A prova é o fato de que o trabalho de estreia de Alexandre, Michigan Rain, saiu apenas em 1989, e passou batido, mesmo tendo recebido alguns elogios.

Nowel não desistiu do amigo, e em 1992 a Sony Music, com seu selo Epic, apostou na indicação do produtor. Naquele mesmo ano, saiu Intoxifornication, com três faixas do trabalho anterior, duas releituras de canções daquele disco e outras inéditas. O resultado em termos comerciais foi o mesmo: fracasso.

Sem baixar a cabeça, Alexander resolveu criar em 1997 um novo projeto, o New Radicals, totalmente liderado por ele e valendo-se de músicos de apoio e de uma amiga que conheceu quando gravou o álbum anterior, a cantora, compositora e ex-atriz mirim Danielle Brisebois.

Em 1998, conseguiu um contrato com a MCA Records, seguido pela gravação e lançamento, naquele mesmo ano, do álbum de estreia, com o curioso título Maybe You’ve Been Brainwashed Too (talvez você tenha sofrido lavagem cerebral também, em tradução livre).

Chutando os fundilhos de Marilyn Manson, Beck, Hanson e Courtney Love

O primeiro single a ser extraído do álbum de estreia do New Radicals foi sua música mais bem-sucedida em termos comerciais. You Get What You Give, um rock energético com tempero pop e bem pra cima, teve uma repercussão respeitável, chegando ao 5º lugar na parada britânica e 36º na americana, além de se dar bem em vários outros países.

Com um clipe divertido ambientado em um shopping, esta canção trazia uma mensagem de autoajuda, com direito a críticas a diversas corporações e uma mais ácida, dirigida a colegas de profissão: “Fashion mag shoots with 8 Dust Brothers, Beck and Hanson, Courtney Love and Marilyn Manson, you’re all fakes, run to your mansions, come around we’ll kick your ass in”.

A reação a terem sido chamado de falsos e de levarem um bico nos fundilhos gerou uma pequena polêmica, com respostas distintas dos “homenageados”. Manson, por exemplo, disse ter se ofendido pelo fato de ser citado em um mesmo parágrafo com Courtney Love. Beck revelou que Alexander o encontrou em público e lhe pediu desculpas, como se tivesse medo (“e o cara é grandão”, brincou o autor do hit Loser). Com os boa-praças do Hanson a coisa foi melhor.

Os três irmãos não só encararam de forma bem-humorada a citação, definindo-a como algo comum na música pop, como em 2004 escreveram uma canção em parceria com o líder do New Radicals, Lost Without Each Other, gravada pelo Hanson em seu CD Underneath.

Someday We’ll Know, o single que nasceu morto

Os sinais de que as coisas não iam bem para os New Radicals estavam à vista, especialmente quando cancelaram uma turnê européia que se iniciaria em maio de 1999. Eles também deveriam gravar um clipe para divulgar o segundo single a ser extraído de seu álbum de estreia, a envolvente balada Someday We’ll Know. No entanto, tal ação promocional foi cancelada.

Resultado: a canção, uma das mais fortes do disco e em cuja letra Alexander relata a espera por, um dia, descobrir a razão pela qual um romance não deu certo, chegou natimorta ao mercado discográfico. Ninguém a tocou em rádio, o single pouco vendeu e, pronto, uma música maravilhosa sumiu de cena rapidinho.

Bem, nem tanto. Em 2003, a dupla Daryl Hall & John Oates regravou-a com muita categoria, com participação mais do que especial de outro mito da música, o cantor, compositor e multi-instrumentista americano Todd Rundgren. A cantora pop Mandy Moore também a registrou, em 2002, em releitura feita para a trilha sonora do filme A Walk To Remember, estrelado por ela própria.

Um álbum repleto de bons momentos

Maybe You’ve Been Brainwashed Too é daqueles álbuns que te envolvem de cabo a rabo. O conteúdo nos oferece uma mistura de rock, pop, soul e dance music muito bem equilibrada. A voz de Gregg Alexander é bem agradável, com direito a falsetes e influências bem digeridas de Mick Jagger, Karl Wallinger (do World Party). Outras influências visíveis são Todd Rundgren, Daryl Hall & John Oates e Elton John. Não era o som da moda, na época. Não mesmo.

Além das duas canções já citadas, várias outras poderiam ter se sobressaído no formato single, se tivessem sido bem divulgadas. Mother We Just Can’t Get Enough, que abre o álbum, traz elementos de Sympathy For The Devil, dos Rolling Stones, e Movin’ On Up, do Primal Scream, com um clima tribal e dançante.

I Don’t Wanna Die Anymore, que chegou a ser cotada como possível single, é uma power ballad arrasadora, daquelas que a gente quase corta os pulsos ao ouvir, mesmo com a temática da letra indo na direção oposta, incentivando a seguir em frente, apesar dos pesares. Linda demais!

Technicolor Lover possui uma levada dançante deliciosa, e é a única na qual Alexander incorpora o espírito da banda do eu sozinho, tocando todos os instrumentos e fazendo todos os vocais também. Uma delícia.

E o rockão Jehovah Made This Whole Joint For You então? O cara nos mostra como fazer uma canção de melodia e harmonia caprichadas sem perder a energia roqueira. Power pop total!

A delicadeza pop de Crying Like a Church On Monday e o embalo da ótima faixa título (cuja gravação de bateria foi sampleada da canção All of a Sudden, do grupo britânico XTC) são outros destaques. Mas, repito, o álbum todo é bom.

Colaborações de músicos do primeiro time

Se Gregg Alexander se incumbiu da produção e tocou guitarra, também soube trazer para o seu lado músicos realmente capazes de concretizar a sonoridade que ele imaginou. Em Mother We Just Can’t Get Enough, por exemplo, temos no piano ninguém menos do que Greg Phillinganes,cria de Quincy Jones que tocou e gravou com Michael Jackson, Eric Clapton e toda a sala vip do pop.

O guitarrista em nove das 12 faixas é o brilhante Rusty Anderson, que em 2001 tornou-se integrante fixo da banda de Paul McCartney, tocando com ele desde então em gravações de álbuns e DVDs e nas turnês. Um grande músico, que também tem no currículo gravações e shows com Elton John, Willie Nelson, Michael Bublé, Santana e Ricky Martin. Por sinal, é dele aquele riff de guitarra a la surf music que marca o megahit Livin’ La Vida Loca, do astro de Porto Rico.

Rick Nowels não poderia ficar de fora, e ele marca presença tocando piano em You Get What You Give (da qual ele é o coautor) e I Hope I Didn’t Just Give Away The Ending. Para quem não sabe, Nowels é outro com forte pedigree musical, um produtor, multi-instrumentista e compositor com belíssimos serviços prestados a Marty Balin, Stevie Nicks, Belinda Carlisle., Céline Dion, Madonna, NSync, Rod Stewart, Dua Lipa e Lana Del Rey.

Enquanto isso, Danielle Brisebois marca presença em cinco faixas nos vocais de apoio e em uma ao piano. Com dois discos-solo no currículo, a moça é coautora de Someday We’ll Know ao lado de Alexander e de Debra Holland. Esta última ficou conhecida como cantora do grupo Animal Logic, que quando ainda se chamava Rush Hour tocou no Brasil em 1987 e tinha como integrantes os mestres Stewart Copeland (The Police) e Stanley Clarke. Rusty chegou a tocar com a banda, e pode ser essa a conexão entre Debra e os New Radicals.

Um disco viúva Porcina, a que foi sem nunca ter sido?

A novela global Roque Santeiro tinha como um de seus personagens principais a viúva Porcina, sempre lembrada pela frase “a que foi, sem nunca ter sido”, pelo fato de, depois de muitos anos, ela ter descoberto que o marido não havia de fato morrido. Aproveitando o tema, dá para se dizer que o único álbum dos New Radicals é uma espécie de Porcina do rock, o trabalho que foi um campeão de vendas, sem na verdade ter sido?

Bem, afirmar que Maybe You’ve Been Brainwashed Too foi um completo fracasso é no mínimo um exagero. O álbum atingiu o 10º lugar na parada britânica, e vendeu por lá mais de 100 mil cópias, o que lhe valeu um disco de ouro. Nos EUA, sua posição mais alta foi a de nº 41, atingida em fevereiro de 1999, e ultrapassou a marca de um milhão de cópias comercializadas, proporcionando um disco de platina pelos padrões numéricos então em vigor.

Logo, o resultado não pode ser qualificado como ruim, e o CD também atingiu bons números no resto do mundo. O problema é que este álbum tinha potencial para ter emplacado pelo menos mais uns quatro singles de sucesso, se manter por pelo menos uns dois anos nas paradas e vender ao menos o dobro. Por que isso não ocorreu? São várias as explicações.

A primeira, e mais óbvia, fica por conta do fim da banda antes da gravação do clipe de Someday We’ll Know. O álbum e suas faixas ficaram órfãos, deixados de lado por seu criador, e atropelados pela concorrência voraz.

Mas existe um outro aspecto que ninguém abordou até hoje. A MCA, gravadora que lançou o único álbum da banda de Gregg Alexander, passava por um momento muito confuso, em meio a negociações que exatamente naquela época a tornaram parte do acervo do conglomerado da Universal Music. Ou seja, era uma empresa que vivia momentos de incerteza e de troca de direção.

Uma das coisas mais habituais em gravadoras consiste em um artista ser contratado por um determinado executivo e, na hora de lançar seu trabalho, passar a ser comandado por outro. E, infelizmente também de forma constante, esses novos dirigentes costumam deixar de lados projetos iniciados por seus antecessores, para não “dar moral” a eles. O New Radicals pode ter sido vítima desse processo. A natureza humana é mesmo um horror.

Seja como for, para os anais da história, a banda de Alexander entrou para o hall das one hit wonders (maravilhas de um sucesso só, em tradução livre), artistas que só tiveram um único sucesso em suas carreiras. No caso deles, You Get What You Give. Correto em termos numéricos, mas não em termos qualitativos.

A vida pós-New Radicals de Gregg Alexander

Após o fim do New Radicals, Gregg Alexander cumpriu o que prometeu, dedicando-se inteiramente a trabalhar como produtor e compositor para outros artistas. Em 2001, por exemplo, teve sua canção I Can’t Deny It gravada por Rod Stewart no álbum Human.

Pouco depois,em 2002, deu-se super bem ao ter sua deliciosa e dançante música The Game Of Love gravada por Carlos Santana em parceria com a cantora Michelle Branch,hit certeiro que atingiu o 5º posto na parada americana. Em 2007, Santana lançou em uma coletânea uma outra gravação desta mesma canção, desta vez em dueto com Tina Turner.

Alexander teve músicas gravadas e trabalhou com outros artistas de peso, entre os quais Boyzone, Ronan Keating, Sophie Ellis-Bextor, Texas e Geri Halliwell (das Spice Girls). No cenário rock, é o coautor da música The Only Ones, lançada este ano pelo grupo britânico Kaiser Chiefs, e teve duas músicas gravadas pelos também britânicos The Struts em 2014, no CD Everybody Wants.

O momento mais nobre ocorreu em 2013, com a trilha sonora do filme Begin Again, estrelado por Keira Knightley e Mark Ruffalo, que traz 14 faixas compostas por ele. Uma delas, Lost Stars, gravada por Adam Levine (vocalista do Maroon 5), concorreu ao Oscar de melhor canção original.

Em novembro de 2014, ele pela primeira vez em 15 anos se apresentou ao vivo, interpretando Lost Stars ao lado da amiga Danielle Brisebois. E fica a torcida para um retorno de Gregg, com o nome New Radicals ou não. Enquanto isso, ouçamos Maybe You’ve Been Brainwashed Too novamente.

Ouça Maybe You’ve Been Brainwashed Too na íntegra:

Sheryl Crow divulga single com Joe Walsh e lança CD em agosto

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Por Fabian Chacur

Acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais um dueto inédito de Sheryl Crow com o cantor, compositor e guitarrista dos Eagles Joe Walsh. A canção é o ótimo rock funkeado Still The Good Old Days. Trata-se da quarta faixa divulgada de Threads, novo álbum da cantora, compositora e musicista americana, cujas versões físicas e digital serão disponibilizadas no exterior no dia 30 de agosto pela Universal Music.

O álbum mostra Sheryl gravando com vários artistas do primeiro escalão da música. Prove You Wrong, outro rockão invocado (ouça aqui), traz as presenças de Stevie Nicks e Maren Morris, enquanto o blues rock Live Wire (ouça aqui) reúne a roqueira americana com as incríveis Bonnie Raitt e Mavis Staples.

A faixa restante, das já divulgadas do álbum até aqui, traz um dueto possibilitado pela tecnologia com o saudoso Johnny Cash na introspectiva balada Redemption Day (ouça a nova versão aqui), canção que ela lançou originalmente em seu álbum autointitulado de 1996. Pela qualidade das amostras, um dos melhores trabalhos de sua carreira está a caminho.

Nascida em 11 de fevereiro de 1962, Sheryl Crow gramou bastante antes de conseguir sucesso individual. Antes, foi vocalista de apoio de artistas como Eric Clapton e Michael Jackson, entre outros. Teve um álbum solo abortado em 1991, e só lançou um primeiro disco em 1993. Mas valeu a espera, pois Tuesday Night Music Club vendeu milhões de cópias e abriu de vez as portas do cenário musical para o seu rock-pop-folk-soul-country de alta qualidade.

Clipe de Still The Good Old Days– Sheryl Crow e Joe Walsh:

Titãs fazem show no Rio com músicas do CD Acústico MTV

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Por Fabian Chacur

E então, agora somos três. Parafraseando de certa forma o título do álbum And Them There Were Three (1978), do Genesis, os Titãs, que já tiveram oito integrantes, atualmente são um trio. E é essa trinca remanescente que está celebrando os 22 anos do lançamento de seu álbum comercialmente mais bem-sucedido, Acústico MTV (1997), com uma série de shows que passa pelo Rio de Janeiro nesta sexta (14) no Teatro VillageMall (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100, com ingressos de R$ 50,00 a R$ 200,00.

Sérgio Britto, Toni Bellotto e Branco Mello, a atuação encarnação da banda paulistana que está há quase quatro décadas na estrada, darão uma geral no repertório de seu CD mais famoso, sem o acompanhamento orquestral e sem a montoeira de músicos de apoio daquela época. Desta vez, a coisa será bem mais intimista, em um espaço que comporta no máximo 1.000 pessoas. No repertório, musicas daquele trabalho, como Pra Dizer Adeus, e outras posteriores que se encaixam nesse espírito, como Epitáfio e Isso.

Esse show ocorre enquanto duas outras turnês do trio estão sendo preparadas. Uma comportará a execução, na íntegra, das músicas contidas no mais recente lançamento dos Titãs, o CD-DVD Doze Flores Amarelas, uma ambiciosa ópera-rock, cujo roteiro terá como palco teatros. A outra tour, intitulada Enquanto Houver Sol, mesclará músicas do novo disco com os clássicos desses anos todos. Em ambas, teremos a participação de músicos de apoio.

Pra Dizer Adeus (ao vivo)- Titãs:

Keith Flint, o tempero punk do grupo eletrônico The Prodigy

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Por Fabian Chacur

O punk rock influenciou nos anos 1990 três grupos que atingiram o topo das paradas de sucesso de todo o mundo naquele período: o Nirvana, de Kurt Cobain, o Green Day, de Billie Joe Armstrong, e o The Prodigy, de Liam Howlett e Keith Flint. Neste último, a presença daquela vertente rebelde e niilista do rock se mostrava surpreendente, pois se fundia à música eletrônica. Quem poderia imaginar que essa mistura pudesse dar um bom resultado, e viável comercialmente? Pois foi o que aconteceu. Infelizmente, Keith Flint foi encontrado morto nesta segunda-feira (4), aos 49 anos de idade.

Todos os indícios apontam para um suicídio, possivelmente motivados por sérios problemas particulares que o cantor e dançarino estava tendo de encarar. A tragédia ocorreu semanas após shows que o The Prodigy realizou na Austrália e Nova Zelândia, início de uma turnê para divulgar seu mais recente álbum, No Tourists, que saiu em outubro de 2018. Nesta terça, a banda anunciou o cancelamento dos shows em 2019, e fica no ar a possibilidade do fim.

O The Prodigy iniciou sua carreira em 1990, quando o tecladista e compositor Liam Howlett resolveu criar um projeto musical inspirado na música eletrônica. Seu primeiro álbum, Experience, saiu em 1992, e naqueles anos iniciais, Keith Flint exercia a função de dançarino. A banda conquistou o público britânico a partir do segundo trabalho, Music For The Jilted Generation (1994), que atingiu o topo da parada britânica. Mas coisas maiores estavam por vir, e viriam mesmo.

Em 1996, o grupo resolveu investir em músicas com vocais, e o escolhido para ser o principal cantor do time foi exatamente Mr. Flint. Com um visual punk e fortes influências daquele estilo roqueiro, certamente inspirado em Johnny Rotten e outros expoentes dessa praia, ele mostrou seu poder de fogo com os singles Firestarter e Breathe. Em 1997, as duas canções foram incluídas no terceiro álbum do The Prodigy, The Fat Of The Land, uma das grandes surpresas positivas daquele ano no cenário pop mundial.

Com uma sonoridade agressiva, barulhenta e criativa, a banda conseguiu a façanha de atingir o primeiro lugar na parada americana com The Fat Of The Land, que repetiu a façanha nos quatro cantos do mundo e abriu as portas em termos comerciais para a música eletrônica daquela geração, que teria também Fatboy Slim e The Chemical Brothers como nomes de ponta. Eles fizeram shows lotados, inclusive no Brasil, e pareciam caminhar rumo a uma consolidação da carreira, com Flint na ponta de lança.

No entanto, problemas internos do time fizeram que um novo álbum só viesse em 2004, Always Outnumbered, Never Outgunned (2004), que teve boa repercussão no Reino Unido mas fracassou miseravelmente nos EUA.

A partir daí, a banda se manteve com alguns novos lançamentos e turnês, mas longe daquele alvoroço todo que os cercou nos tempos de The Fat Of The Land. Keith Flint também teve projetos paralelos, como as bandas Flint e Clever Brains Fryin’, mas nada que tenha causado qualquer barulho mais significativo em termos comerciais e criativos. Uma pena ele sair de cena assim.

Firestarter– The Prodigy:

Joan Osborne, de “One of Us”, faz show único em São Paulo

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Por Fabian Chacur

One hit wonder (maravilha de um sucesso só, em tradução livre) é a frase com a qual são definidos artistas que possuem um único hit em suas carreiras. A cantora e compositora americana, com a sua maravilhosa One of Us, infelizmente se inclui nessa categoria de estrelas pop. Isso, no entanto, não significa que essa moça de 56 anos não tenha uma carreira das mais respeitáveis.

Ela se apresenta pela primeira vez em São Paulo na próxima terça-feira (21) às 21h no Theatro Net São Paulo (Shopping Vila Olímpia- 5º andar- rua Olimpíadas, nº 360- fone 0xx11-3448-5061), com ingressos de R$ 45,00 a R$ 380,00. O show faz parte da turnê com a qual ela está divulgando o seu mais recente álbum, Songs of Bob Dylan (2017).

A carreira de Joan teve início na década de 1980, com direito a shows e a lançamentos pela via independente. Em 1991, lançou dessa forma o álbum Soul Show: Live At Delta 88. Com esse lançamento, no qual mostrava uma mistura de rock, soul e pop, atraiu as atenções da Mercury Records. Pela gravadora, estreou em 1995 com o CD Relish, no qual contou com o apoio de Eric Bazilian e Rob Hyman, da banda The Hooters, a mesma que acompanhou Cyndi Lauper no álbum que tornou essa cantora uma estrela, She’s So Unusual (1983).

A dupla deu a Osborne o mesmo impulso, pois Relish atingiu a posição de nº 9 na parada americana, emplacando como single a balada rock One of Us, que atingiu o 4º lugar entre os singles mais vendidos nos EUA. O CD também tinha outras faixas bem legais, como Right Hand Man, Dracula Moon, St Teresa e Spider Web, tornando a cantora um sucesso em diversos países, além da sua terra natal.

Infelizmente, Joan nunca mais conseguiu emplacar um novo hit. E não foi por falta de tentativas. O simpático álbum Righteous Love (2000), por exemplo, que tinha a dura missão de suceder Relish, não passou da posição de número 90 na parada ianque, o que levou a Mercury (que faz parte da Universal Music) a não renovar o seu contrato.

O ótimo How Sweet It Is (2000), lançado por um selo independente e com covers de rock e soul, foi pior ainda nas paradas, mesmo com a releitura de I’ll Be Around, hit na década de 1970 com os Spinners, tendo tido alguma repercussão, inclusive no Brasil. Ela lançaria outros álbuns bem legais só com releituras de sucessos alheios: Bring It On Home (2012), Breakfast In Bed (2007) e o recente Songs of Bob Dylan.

Mesmo uma reunião com Eric Bazilian, Rob Hyman e o produtor Rick Chertoff, o elogiado Little Wild One, com repertório de inéditas, não conseguiu espantar a zica. Em 2010, ela passou a conciliar a carreira solo com o posto de cantora da banda de rock Trigger Hippy, com a qual gravou um álbum autointitulado em 2014.

Osborne fez algumas parcerias bem bacanas nesses anos todos. Em 2002, por exemplo, ela foi uma das convidadas no incrível documentário Standing In The Shadows of Motown, que contou a história dos Funk Brothers, grupo de músicos que participou das gravações da lendária gravadora Motown em singles e álbuns antológicos de astros como Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Four Tops, The Supremes etc.

Ela gravou acompanhada por eles no documentário e em sua trilha sonora boas releituras de (Love is Like a) Heatwave (hit com Martha Reeves & The Vandellas) e What Becomes of The Brokenhearted (sucesso com o cantor Jimmy Ruffin) e participou de uma turnê ao lado de alguns daqueles músicos incríveis.

A cantora participou com destaque de alguns álbuns-tributo e também integrou uma turnê com o grupo country feminino The Dixie Chicks. No repertório de seu show em São Paulo, teremos, entre outras, One of Us, I’ll Be Around, Crazy Baby, Hallelujah In The City, What You Gonna Do, To The One I Love, além de canções de Songs Of Bob Dylan.

One of Us– Joan Osborne:

Chris Cornell, ou mais um dos grandes que nos deixa cedo

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Por Fabian Chacur

Em pleno caos político que vive o Brasil nesse exato momento, os fãs de rock estão vivenciando mais um duro luto. Chris Cornell, 52 anos, foi encontrado morte nesta quarta (17) no banheiro de um hotel em Detroit, EUA, horas após ter feito um show com o Soundgarden, banda que o tornou famoso mundialmente. Há indícios de que possa ter sido suicídio. Uma perda irrecuperável, de um artista que estava na ativa e ainda poderia nos proporcionar muita coisa.

Nascido em Seattle no dia 20 de julho de 1964, Cornell foi um dos nomes mais importantes da cena musical que ajudaria a resgatar o rock dos porões rumo ao topo das paradas de sucesso novamente. Criada em 1984, sua banda principal, a Soundgarden, foi a primeira da cena do que se convencionou chamar de grunge a assinar com uma grande gravadora, em 1988. O grupo começou a firmar seu nome no mainstream rock com Badmotorfinger (1991), um álbum furioso e com músicas do porte de Outshined e Rusty Cage.

Mais ou menos na mesma época de Badmotorfinger, também saiu Temple Of The Dog, álbum no qual ele homenageou o amigo Andrew Wood (1966-1990), morto por uma overdose de heroína, e teve a seu lado músicos que a seguir formariam o Pearl Jam e também um colega do Soundgarden. Um trabalho que ficou marcado na história do rock não só pelo tributo em si, mas também graças à qualidade de suas músicas.

Dos grupos do núcleo do grunge, o Soundgarden era o com mais influência do heavy metal, especialmente do Black Sabbath, e o vozeirão de Cornell se encaixava feito luva nesse panorama. Com Superunknown (1994), o grupo atingiu o topo da parada americana, e se mostrava um pouco mais melódico, com canções como Black Old Sun e Spoonman. Após lançar Down On The Upside (1996), no entanto, o grupo entraria em crise e a separação se tornaria o passo a seguir, tomado em 1997.

No período em que o Soundgarden ficou fora de cena, Chris Cornell apostou na versatilidade como proposta. Lançou três álbuns-solo bem diferentes entre si, Euphoria Morning (1999), Carry On (2007) e Scream (2009), sendo que no último ousou ao investir em r&b pop e com produção a cargo do badalado Timbaland. Outro trabalho individual sairia em 2015, Higher Truth, além do ao vivo Songbook (2011).

De 2001 a 2007, ele também integrou o Audioslave, grupo que era uma espécie de Rage Against The Machine com Cornell na vaga do cantor Zack de La Rocha. O quarteto lançou três álbuns, sendo o melhor o autointitulado trabalho de estreia, lançado em 2002 e trazendo canções intensas como Cochise, Like a Stone e Show Me How To Live. O supergrupo acabou quando o Rage original resolveu seguir adiante, e seu cantor voltou à carreira-solo.

O Soundgarden fez a alegria dos fãs em 2010 ao anunciar o seu retorno, coroado com um álbum de inéditas, King Animal, lançado em 2012. Atualmente, a banda estava em turnê, e é uma pena ver Cornell sair de cena de forma tão prematura e trágica. Seu vozeirão, carisma e talento, que o público brasileiro teve a chance de conferir em shows solo e com o Soundgarden, ficarão marcados na memória de todos.

Like a Stone– Audioslave:

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