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Zé Brasil mostra seu primeiro disco solo com show em SP

Ze Brasil (cantor e compositor) - Foto Marcos Trojan 2017 PB (3)-400x

Por Fabian Chacur

Em sua canção Orra Meu, Rita Lee disse que “roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido”. Na verdade, eles tem é cara de heróis. Pelo menos, aqueles pioneiros, oriundos das décadas de 50, 60 e 70. Tipo o cantor, compositor e músico Zé Brasil. Na estrada há mais de 40 anos, o cara continua aí, firme e forte. Ele é a atração em São Paulo neste sábado (12) às 19h na Sala Olido (avenida São João, nº 473- Centro- fone 0xx11-3331-8399), com ingressos a módicos R$ 10,00 (meia) e R$ 20,00 (inteira).

Nesse show, Zé Brasil mostrará o repertório de seu 1º disco solo, autointitulado. O disco traz uma profissão de fé em rock consistente, ora energético, ora viajante, com direito a vocais na melhor linha Bob Dylan e letras que vão direto ao assunto em termos de amor, paz, rebeldia do bem e esperança em um futuro melhor. Ao seu lado, Julio Manaf (guitarra), Mário Baraçal (baixo), Jimmy Pappon (teclados) e Silvia Helena (voz e percussão), esta última esposa e talentosa parceira.

O álbum conta com participações especialíssimas de, entre outros, Edgard Scandurra (Ira!), Rolando Castello Junior (Patrulha do Espaço), Adriano Grineberg, Akira S e Billy Forghieri (Blitz). e traz 11 faixas bem bacanas, entre as quais Segredo da Vida, Borocoxô, Big Brother, Passarinho Rock And Roll, Victor e Louco de Rock, todas inéditas, além da releitura de Novo Eden, dueto do Zé com Silvia que é a faixa mais conhecida do artista em termos discográficos.

Embora só tenha lançado um álbum solo agora, Zé Brasil é figura conhecidíssima no cenário rocker brasileiro desde os anos 1970, tendo integrado bandas como Apokalypsis, Space Patrol (Patrulha do Espaço) e UHF. Ele também capitaneia o belo projeto 70 de Novo, que procura resgatar os elementos que tornaram o rock daquela era tão especial. E, além de tudo isso, é uma figuraça, um daqueles caras com quem você é capaz de conversar durante horas, sem sentir.

Zé Brasil-Zé Brasil (CD na íntegram em streaming):

Primavera nos Dentes lançará seu primeiro álbum em breve

PRIMAVERA NOS DENTES - CREDITO- KAIO CAIAZZO 2-400x

Por Fabian Chacur

Charles Gavin, ex-baterista dos Titãs e apresentador do programa do Canal Brasil O Som do Vinil, voltará em breve ao mundo do disco com um novo projeto. Trata-se do Primavera Nos Dentes, cujo objetivo é a releitura de músicas dos Secos & Molhados. O trabalho sairá via gravadora Deck a partir do fim deste mês, nos formatos vinil e digital.

Além de Gavin, o time conta com o lendário guitarrista Paulo Rafael (Alceu Valença e Ave Sangria), Duda Brack (vocal), Pedro Coelho (baixo, de Cassia Eller- O Musical e Dona Joana) e Felipe Ventura (violino e guitarra, de Xôo e Cícero). Foram aproximadamente um ano e meio de ensaios e gravações de demos. A ideia era começar pelos shows, mas o produtor Rafael Ramos (Pitty, Titãs, Vanguart) ouviu uma das demos, gostou e os convidou para gravar.

“A sonoridade e os arranjos se distanciaram bastante dos originais, diria que cada versão que fizemos tem a assinatura de cada um de nós. Também foi surpreendente constatar o fato de que a poesia das letras permanece extremamente atual e assertiva após décadas, deliciosamente doce e ácida, ingênua e politizada ao mesmo tempo, conectando-se com pessoas de qualquer geração e qualquer lugar”, comenta Charles Gavin. Primavera nos Dentes é uma das faixas do álbum de estreia dos Secos & Molhados, lançado em 1973.

Primavera nos Dentes– Secos e Molhados:

Lindsey Buckingham faz dupla perfeita com Christine McVie

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Por Fabian Chacur

Em 1975, o grupo britânico Fleetwood Mac ganharia um fôlego redobrado com a entrada de dois americanos no time. A partir dali, o quinteto conquistou as paradas de sucesso de todo o mundo, vivenciou histórias incríveis e encarou separações e retornos surpreendentes. Agora, chega a vez de dois de seus integrantes lançarem um álbum em dupla pela primeira vez. Lindsey Buckingham Christine McVie é, desde já, um dos grandes lançamentos de 2017.

A semente deste álbum teve início em 2014, quando a cantora, compositora e tecladista britânica Christine McVie voltou ao Fleetwood Mac após mais de uma década longe do grupo que a consagrou. Naquela época, ela, o cantor, compositor e guitarrista americano Lindsey Buckingham, o baixista britânico John McVie (ex-marido de Christine) e o baterista Mick Fleetwood resolveram fazer gravações de material inédito para um possível álbum de retorno.

O problema foi que a quinta integrante do time, a cantora e compositora americana Stevie Nicks (ex-mulher de Lindsey) resolveu fazer uma turnê solo, o que adiou por meses a continuidade dos trabalhos. Quando ficou claro que Stevie participaria dos shows, mas não de um disco novo (pelo menos, não no prazo que os colegas desejavam), Christine e Buckingham resolveram realizar um sonho antigo e lançar um disco em dupla, algo que ele e Nicks fizeram em 1973, quando ainda eram ilustres desconhecidos, um LP raríssimo e inédito no formato CD.

Vale lembrar que, no FM, eles já haviam feito quatro músicas em parceria, além de dividido os vocais na célebre Don’t Stop, de autoria de McVie. Para seu primeiro trabalho em dupla, selecionaram três composições em parceria, duas só de Christine e cinco só de Lindsey. Também participam do CD como músicos John McVie (baixo), Mick Fleetwood (bateria) e Mitchell Froom (teclados, ex-marido de Suzanne Vega, aquela do hit Luka).

São dez faixas muito boas. O início é com o rockão Sleeping Around The Corner, com refrão matador e tempero percussivo. Feel About You é um pop rock típico de Christine, embora assinado pelos dois, e possui um refrão envolvente, o que explica ter sido escolhida como o primeiro single a ser divulgado pela gravadora.

In My World é um daqueles ótimos rocks em tom menor de Lindsey, e agrada. Red Sun tem uma levada pop-rock bem balançada, e é assinada pela dupla. Os fãs do lado violonista de Lindsey irão vibrar com Love Is Here To Stay, que tem andamento de valsa e na qual ele faz um acompanhamento envolvente com o instrumento, com direito a belo refrão no qual as vozes dos dois se encaixam feito luva.

Too Far Gone, outra parceria, é um rockão potente com tempero percussivo típico de Mick Fleetwood. Lay Down For Free é um pop rock bem bacana do guitarrista, enquanto Game Of Pretend traz o DNA das baladas da cantora, com piano proeminente. On With The Show é outro momento rocker do músico, enquanto Carnival Begin é uma inspirada balada rock de Christine com um solo arrasador de Buckingham.

Como Lindsey Buckingham é creditado como tocando guitarra, teclados, baixo, bateria, percussão e vocal, dá para deduzir que algumas das faixas tenham ele como um quase “one man band”, com os acréscimos fornecidos por Christine e Mitchell Froom.

Não há créditos individualizados para quem toca o quê em cada faixa, mas parece evidente que John McVie e Mick Fleetwood não participaram de todas as sessões, sendo que algumas delas foram feitas no estúdio caseiro de Buckingham, o que reforça essa suspeita.

Uma das coisas mais difíceis no rock é fazer canções que ao mesmo tempo sejam peças artísticas e tenham forte apelo comercial, e essa sempre foi uma marca do Fleetwood Mac em sua formação clássica pós-1975. Lindsey Buckingham-Christine McVie mantém esse alto padrão de qualidade, e equivale a outro grande momento da carreira deles.

Os dois, por sinal, farão shows como dupla paralelos aos do FM, com músicos de apoio. O álbum atingiu o 17º posto na parada ianque. Eles bem que poderiam tocar por aqui, heim? Fica o sonho no ar…

Too Far Gone– Lindsey Buckingham- Christine McVie:

Yusuf/Cat Stevens lança o seu novo single e anuncia álbum

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Por Fabian Chacur

Yusuf, que fez sua fama nos anos 1960 e 1970 como Cat Stevens, acaba de colocar na rede um novo single. Trata-se da delicada e belíssima See What Love Did To Me, primeira faixa lançada por ele desde o álbum Tell Me I’m Gone (2014). A canção integra o álbum The Laughing Apple, que está previsto para chegar às lojas físicas e virtuais no dia 15 de setembro, fruto de uma parceria do selo Cat-O-log, do artista, com a Decca/Universal Music.

The Laughing Apple será o quatro álbum lançado pelo cantor, compositor e músico britânico desde que voltou ao mundo da música pop, abandonado por ele em 1979 devido a sua conversão ao islamismo. O retorno se deu com An Other Cup (2006), e depois vieram Roadsinger (2009) e Tell Me I’m Gone (2014), que mostraram um artista inspirado e em plena forma, como se nunca tivesse nos abandonado.

Com 11 faixas, o álbum mescla canções compostas há pouco tempo, como a já divulgada, Don’t Blame Me e Olive Hill, com quatro composições antigas que ele nunca havia gravado e quatro releituras de faixas de seu primeiro álbum, Matthew And Son (1967), que está completando 50 anos. A produção ficou a cargo de Paul Samwell-Smith, ex-baixista dos Yardbirds que produziu discos célebres do astro nos tempos de Cat Stevens, entre eles Tea For The Tillerman e Teaser And The Firecat.

See What Love Did To Me-Yusuf:

Carlos Santana faz 70 anos às vésperas de lançar novo CD

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Por Fabian Chacur

Nesta quinta-feira (20), um dos grandes magos da guitarra elétrica completa 70 anos de idade. É o mestre mexicano Carlos Santana. O roqueiro latino celebra a data às vésperas de lançar um novo e histórico trabalho. No próximo dia 28, chegará às lojas físicas e virtuais do mundo todo Power Of Peace, álbum gravado por ele em parceria com sua mulher, a baterista Cindy Blackman Santana, e o seminal grupo (hoje um duo) The Isley Brothers.

Gravado em 2016 durante aproximadamente quatro dias, Power Of Peace traz como protagonistas Santana e sua guitarra mágica, sua talentosa esposa na bateria, percussão e vocais, o sublime Ronald Isley nos vocais e o incrível Ernie Isley na guitarra, além de outros músicos de apoio. Também fazem participações especiais nos vocais as esposas dos irmãos, Kandy Johnson (de Ronald) e Tracy (de Ernie). O clima foi de muita paz e emotividade.

O repertório é composto por 13 faixas, sendo uma inédita (I Remember, de Cindy) e 12 releituras de clássicos dos repertórios de Stevie Wonder (Higher Ground), Billie Holiday (God Bless The Child), Muddy Waters (I Just Want To Make Love To You), Marvin Gaye (Mercy Mercy Me-The Ecology) Burt Bacharach (What The World Needs Now), Curtis Mayfield (Gypsy Woman) e dos grupos Swamp Dogg (Total Destruction Of Your Mind) e Chambers Brothers (Are You Ready e Love Peace Happiness). Veja um rápido making of do álbum aqui.

Santana se tornou conhecido mundialmente ao montar o grupo que batizou com seu sobrenome na segunda metade dos anos 60. Sua participação no Festival de Woodstock foi o cartão de visitas para o planeta música, com uma apresentação de Soul Sacrifice que seria eternizada no filme e na respectiva trilha sonora que registrou esse evento marcante para a história do rock. Seus três primeiros álbuns são grandes momentos do rock latino, reverenciados e copiados até hoje por inúmeros músicos. Leia sobre o álbum Santana 3 (1971) aqui.

Após a separação da formação clássica de sua banda original, que voltou a gravar junta em 2016 (leia mais sobre esse retorno aqui), Santana gravou com outras formações de sua banda e com parceiros diversos, além de se envolver com filosofias orientais e ser sempre um defensor ativo e sincero da paz e de causas humanitárias.

Em 1999, quando muitos o encaravam como um nome ligado ao passado, lançou o espetacular álbum Supernatural, o mais vendido de sua carreira, que o trouxe com tudo de volta ao topo das paradas de sucesso mundiais, de onde não mais saiu, para a nossa felicidade.

Sou fã desse cara desde que ouvi em 1971 um compacto duplo contendo as músicas Batuka (para mim, a melhor instrumental da história do rock), Everything’s Coming Our Way e Guajira, todas incluídas no seminal Santana 3. Sou fã dele desde então, e consegui seu autógrafo em 1991, durante o Rock in Rio 2, no qual ele fez dois ótimos shows. Gênio e também ídolo do meu saudoso irmão Victor.

Total Destruction Of Your Mind– Santana+Isley Brothers:

O roqueiro Gregg Allman nos deixa aos 69 anos de idade

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Por Fabian Chacur

Nos últimos tempos, o rock sai de um luto para o outro como que por um passe de sombria mágica. Neste sábado (27), quem nos deixou foi o cantor, compositor, tecladista e guitarrista americano Gregg Allman. Ele tinha 69 anos e ficou conhecido como líder da Allman Brother Band, além de ter desenvolvido uma carreira-solo e também outra banda, a Gregg Allman Band. Ele precisou fazer um transplante de fígado em 2010, e foi diagnosticado com Hepatite C em 1999.

Gregory Lenoir Allman nasceu em Nashville em 8 de dezembro de 1947. Ele iniciou a carreira ao lado do irmão, o guitarrista Duane Allman (1946-1971), e juntos montaram duas bandas a Allman Joys e a Hour Glass. Esta última lançou dois álbuns, Hour Glass (1967) e Power Of Love (1968). Em 1969, mudaram-se para Macon, Georgia, e por lá criaram a The Allman Brothers Band, que lançou seu 1º LP em 1970.

A coisa pegou no breu para a banda com seu terceiro álbum, o ao vivo At Fillmore East (1971), considerado um dos melhores trabalhos do gênero, e que atingiu o 13º lugar na parada americana. Paralelamente à banda, Duane se tornou um concorrido músico de estúdio, e também integrou a banda de Eric Clapton (intitulada Derek & The Dominoes) no aclamado Layla & Other Assorted Love Songs (1970).

Aí, a tragédia entrou em cena na vida de Gregg. O irmão morreu em um acidente de moto durante as gravações do álbum Eat a Peach (1972), que levou o grupo ao 3º lugar nos EUA, o último com Duane e que firmou o som mesclando rock, blues, country e folk que recebeu o rótulo de Southern rock. Pouco depois, foi a vez do baixista Berry Oakley (1948-1972), às vésperas do lançamento de um outro novo trabalho.

Este LP, Brothers And Sisters (1973), com duas faixas com Oakley (entre elas Ramblin Man), marcou o auge da banda, atingindo o 1º lugar na parada americana, com destaque para o vocal de Gregg. Win, Lose Or Drawn (1975) equivaleu ao fim desse período áureo, atingindo o 5º lugar nos EUA. Pouco depois, rolou a primeira separação da banda, que voltaria em 1979, sairia de cena entre 1981 e 1990 e depois retornaria, lançando seu último CD de estúdio em 2003, Hittin’ The Note.

Além do trabalho com a Allman Brothers Band, que mesmo sem novos trabalhos de estúdio continuou a fazer shows (o último se realizou em 28 de outubro de 2014), Gregg também criou uma banda própria, a Gregg Allman Band, que gravou alguns álbuns, e lançou diversos trabalhos solo, sendo o mais bem-sucedido e elogiado Laid Back (1973), que teve como pico a 13ª colocação na parada ianque.

Gregg Allman casou diversas vezes, sendo o mais famoso o mantido com a estrela da música e do cinema Cher. Juntos, tiveram um filho, o músico Elijah Blue Allman, e gravaram um disco em dupla, creditado a “Allman And Woman” e intitulado Two The Hard Way (1977).

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Este LP vendeu pouco e nunca foi relançado, sendo hoje uma raridade cuja capa escandalosa é mais lembrada do que seu conteúdo musical. Curiosidade: Ramblin Man, dos Allman Brothers, atingiu o segundo lugar na parada americana em 1973, atrás de Half Breed, de…Cher!!!

Um CD inédito do roqueiro americano, intitulado Souther Blood, está previsto para chegar ao mercado ainda este ano. Será seu 7º trabalho solo. O anterior, Low Country Blues (2011), rendeu a ele sua melhor performance sem a banda que o tornou famoso, atingindo o posto de nº 5 e vendendo muito bem. Em 2016, o ao vivo dos Allman Brothers Live From The A&R Studios, com gravações feitas pela banda em 1971, chegou ao número 34 nos EUA.

obs.: no dia 24 de janeiro de 2017, também se foi outro integrante da formação clássica da The Allman Brothers Band, o baterista Butch Trucks, que teria feito 70 anos de idade no último dia 11 de maio.

Ramblin Man– Allman Brothers Band:

Elton John comemora 70 anos com um evento beneficente

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Por Fabian Chacur

Elton John comemora 70 anos de idade neste sábado (25). Como forma de unir o útil ao agradável, ele realizará nessa data um evento de gala que celebrará não só essa efeméride, mas também os 50 anos da incrível parceria com o poeta e letrista Bernie Taupin, iniciada em 1967. A cerimônia terá apresentação do ator Rob Lowe e performances musicais de convidados como Lady Gaga.O local é o Red Studio, em Los Angeles.

O bacana é que toda a arrecadação será destinada à Elton John Foundation (EJAF), que assiste vítimas e entidades que ajudam a combater e a apoiar as vítimas da Aids desde 1993, e o The Hammer Museum, da UCLA (Universidade da Califórnia), que abriga exposições e apoia a arte. Nada mais lógico para um artista que durante toda a sua carreira sempre teve como marca o auxílio a causas nobres das mais diferentes origens, sempre de forma generosa e sincera.

Os números que envolvem a carreira deste cantor, compositor e músico britânico são impressionantes. Ele vendeu mais de 250 milhões de álbum em todo o planeta. Teve 58 singles entre os 40 mais vendidos nos EUA, fez mais de 3.500 shows em mais de 80 países, faturou 12 troféus Ivor Novello, 6 Grammys, um Oscar e um Tony, além de ser membro do Rock And Roll e do Songwriters Hall Of Fame, e ter o título de sir e também o de Cavaleiro de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II.

Elton John nos visitou para shows pela primeira vez em 1995, e já tem datas marcadas para retornar ao nosso país. Ele fará shows, junto com James Taylor, em Curitiba (31/3- Pedreira Paulo Leminski- Curitiba), 1º/4 (Praça da Apoteose- Rio), 4/4 (Anfiteatro do Beira Rio- Porto Alegre) e 6/4 (Allianz Parque- São Paulo).

Leia o belo depoimento de Elton enviado à imprensa em comunicado pela sua gravadora, falando sobre seus planos para o futuro:
“Estou interessado em avançar o tempo todo, com o que eu crio, com as minhas colaborações, e também descobrindo o trabalho de outras pessoas. Acho que a idade é irrelevante, desde que possamos manter nossa mente viva e aberta para o novo. Eu posso ficar empolgado por um artista novo que toca para mim o seu demo como posso ficar com um novo álbum de um dos meus heróis musicais. Eu posso ficar empolgado ao me apresentar em uma nova cidade onde nunca toquei antes, ou revisitando um lugar que conheço bem e ver como ele está mudado. A vida está em um constante estado de fluxo para todos nós, e eu gosto de abraçar isso. Também me sinto muito feliz em usar o meu nome para chamar atenção para a injustiça no mundo e para tentar ajudar sempre que possível. Atualmente, estou mais feliz do que jamais estive.”

Quer ler diversas outras matérias de Mondo Pop sobre esse verdadeiro gênio da música pop? Entre aqui .

Veja o emocionante vídeo em homenagem aos 70 anos de Elton John:

Todd Rundgren lançará novo álbum com vários convidados

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Por Fabian Chacur

Todd Rundgren, um dos nomes com melhor currículo no cenário do rock mundial, lança um novo álbum em breve. Será no dia 12 de maio, com o título White Knight e nos formatos CD (com 15 faixas), LP de vinil (com 11 faixas) e digital (15 faixas). A gravadora será a Cleópatra Records, e infelizmente não há previsão de lançamento no Brasil. O bacana é que vários convidados ilustres marcarão presença.

Entre outros, teremos no novo álbum do cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista americano astros do porte de Daryl Hall (Chance For Us), Donald Fagen, do Steely Dan (Tin Foil Hat), Joe Satriani (Not a Drill), Joe Walsh (Sleep), Trent Reznor e Aticus Ros, do Nine Inch Nails (Deaf Ears), Bettye LaVette (em Naked & Afraid), a cantora Robyn (em That Could Be Me) e Rebop Rundgren, filho de Todd (em Wouldn’t You Like To Know). Ufa! Um elenco de primeira linha.

Vale lembrar que há menos de um ano, precisamente em 12 de agosto de 2016, Rundgren lançou o DVD/Blu-ray/CD (também inédito no Brasil) An Evening With Todd Rundgren Live At Ridgefield, gravado ao vivo em 15 de dezembro de 2015 em Ridgefield, Connecticut (EUA). O trabalho dá uma bela geral na obra do artista, com faixas da carreira-solo e de suas ex-bandas, a Nazz e a Utopia. No repertório, Hello It’s Me, I Saw The Light, Bang The Drum All Day e Love in Action, com 25 faixas nos formatos de vídeo e 18 no CD.

Nascido nos EUA em 22 de junho de 1948, Todd Rundgren tornou-se conhecido inicialmente como integrante da banda Nazz. Em 1970, iniciou a carreira-solo, que rendeu álbuns clássicos como Something/Anything? (1972) e hits como I Saw The Light, além de desenvolver carreira paralela com o grupo Utopia.

Ele produziu discos para artistas como Daryl Hall & John Oates, Grand Funk Railroad, Badfinger, XTC, Meat Loaf e New York Dolls, e participou de três turnês da All Starr Band, de Ringo Starr, com a qual esteve no Brasil em duas ocasiões (leia a resenha de um desses shows aqui).

Black And White (live)- Todd Rundgren:

Rumours, aquele limão azedo que virou a limonada perfeita

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Por Fabian Chacur

Diz um daqueles ditados antigos que se a vida te dá um limão, o melhor é tentar transformá-lo em uma limonada. Pois foi exatamente isso o que a banda anglo-americana Fleetwood Mac nos proporcionou em 1977. O quinteto transformou uma série de relacionamentos afetivos esfacelados, alto consumo de drogas e a enorme pressão para tentar repetir o sucesso de seu álbum anterior, Fleetwood Mac (1975), em um trabalho clássico, campeão de vendas e de qualidade artística, Rumours.

Para ficar mais claro o contexto em torno do qual Rumours foi gerado, vale um pequeno recuo no tempo. Criado em 1967 na Inglaterra por Mick Fleetwood (bateria) e John McVie (baixo), o Fleetwood Mac surgiu como um combo de blues rock, dos melhores, por sinal. Com o tempo, foi trocando de integrantes e passou por uma fase de transição, incorporando elementos de folk, country e pop ao seu som. Esse período levou o duo fundador e também a mulher de John, a cantora, compositora e tecladista Christine Perfect McVie (que havia entrado na banda em 1970), a se mudar para os EUA.

Lá, iniciaram uma fase positiva, especialmente com a entrada do cantor, compositor e guitarrista Bob Welch. No entanto, não muito tempo após lançarem o álbum ironicamente intitulado Heroes Are Hard To Find (1974), que obteve o seu melhor desempenho na parada americana até então, a posição de nº 34, a péssima notícia. Welch resolveu sair fora do FM, rumo a uma carreira-solo, ele que dividia com Christine o posto de vocalista e compositor principal do grupo.

E aí, como sair dessa enrascada? A solução veio por acaso. Mick Fleetwood procurava um estúdio para gravar o próximo álbum do FM quando o engenheiro de som Keith Olsen mostrou a ele faixas do álbum que havia gravado no estúdio Sound City em 1973 com uma dupla então obscura formada por Lindsey Buckingham (guitarra, vocal e composições) e Stevie Nicks (vocal e composições). O baterista amou o que ouviu, especialmente as passagens de guitarra.

Dias depois, quando a saída de Bob Welch se materializou, Fleetwood ligou para Buckingham e o convidou a ser o novo guitarrista da banda. Ele disse que só aceitaria se pudesse levar com ele para a banda a namorada. A condição foi aceita, e nascia a formação clássica dessa incrível banda, agora anglo-americana. E a estreia do time não poderia ter sido melhor, com um álbum autointitulado que vendeu dez vezes mais do que a média de seus trabalhos anteriores.

Melhor: atingiu, em setembro de 1976, o primeiro posto na parada americana, onde ficou por uma semana. A turnê que estavam fazendo, com shows sempre vibrantes, certamente ajudou na realização dessa façanha. Só que, a essa altura, os problemas começaram a surgir em pencas para a banda. Logo de cara, a pressão do sucesso e da estrada os levou a aumentar em muito o consumo de drogas, tornando-os bastante dependentes desse tipo de aditivo para trabalhar.

De quebra, Christine se encheu das eventuais grosserias do marido e resolveu dar a ele o cartão vermelho, passando a namorar o iluminador dos shows do grupo. Por sua vez, Lindsey e Stevie, que se conheciam desde adolescentes, também começaram a brigar muito, e perceberam que o casamento deles também deveria acabar. Como desgraça pouca é bobagem, Mick Fleetwood viu seu melhor amigo na época levar sua esposa, Jenny Boyd (irmã de Patty, mulher de George Harrison e depois de Eric Clapton, inspiração da música Layla).

O que esperar de um roteiro tenebroso como esse, piorado ainda mais em função da pressão da gravadora Warner por um novo álbum que conseguisse ir além do trabalho de estreia dessa nova escalação do FM? A separação do quinteto, ou ao menos a saída de alguns de seus integrantes, seria o rumo mais lógico. Mas não foi isso o que aconteceu.

Do jeito que dava, eles procuraram deixar as desavenças afetivas de lado e centrar fogo na criação artística. E, surpreendendo a muitos, puseram nas letras das músicas do novo álbum o enredo daquela confusão toda. Não é de se estranhar, portanto, que por sugestão de John McVie o álbum tenha sido intitulado Rumours (boatos, fofocas, em tradução livre). Eram acusações, desabafos, lamentos, sonhos, planos e esperanças para tudo quanto é lado.

O mais legal é que esse bafafá todo gerou canções de rock simplesmente perfeitas, repletas de boas melodias, vocalizações impecáveis, arranjos instrumentais precisos e uma perfeição presente apenas no melhor pop. Nunca o termo agridoce se aplicou de forma tão perfeita a um produto artístico como aqui. Era a dor exposta de forma delicada, vibrante e positiva, como se isso fosse possível. Bem, para este quinteto, foi, sim.

A colaboração entre Stevie e Lindsey, o ex-casal mais briguento do time, chega a ser inacreditável, pois fica difícil acreditar que dois caras que praticamente se odiavam naquele momento pudessem, juntos, gravar músicas de forma tão entrosada e artisticamente impecável. Ouça, por exemplo, Go Your Own Way, I Don’t Want To Know, Dreams e Second Hand News com esse background em sua mente. Definitivamente não dá para acreditar. Mas é real!

Enquanto isso, Christine escrevia e interpretava You Make Loving Fun em homenagem ao novo namorado, contando com uma performance maravilhosa de baixo do seu ex, que a infernizava fora das gravações. Além disso, ela ainda compôs a belíssima balada Oh Daddy inspirada no sofrimento de Mick Fleetwood, que ficou afastado durante um bom tempo de suas duas filhas por causa do litígio com Jenny Boyd. Vale lembrar que, nesse período, as duas garotas do FM passaram a morar em apartamentos vizinhos, tomando conta uma da outra.

O vício de cocaína é o mote de Gold Dust Woman, de Stevie, enquanto Never Going Back Again, tocada por Lindsey acompanhado por violão com maestria, registra uma espécie de certeza de que os bons tempos de seu relacionamento com a colega de banda nunca mais voltariam. Ela reclamou do tom mais ácido dele em relação à separação, mas ele garante que nunca disse que “queria sua liberdade”, como Nicks postou na letra de Dreams. Eita! Ah, e a musa pop teve um caso com Mick Fleetwood durante as gravações. Ok, ok!

A vibrante e positiva Don’t Stop, de Christine e na qual ela divide os vocais com Lindsey, é outro ponto alto do álbum, que por sinal só tem pontos altos. Songbird traz Miss McVie sozinha, voz e piano, em uma performance de fazer chorar até um freezer. E em The Chain, temos uma composição coletiva assinada pelos cinco, que fala exatamente sobre essa “corrente” que todos haviam prometido nunca quebrar.

Bem, em termos profissionais, eles de fato não quebraram, pois o Fleetwood Mac prosseguiria décadas afora, com alguns hiatos, mas sempre voltando com força. Rumours ficou incríveis 31 semanas não consecutivas no topo da parada ianque, gerou quatro singles que atingiram o top 10 (incluindo um número 1, Dreams) e vendeu mais de 40 milhões de cópias em todo o mundo, sendo mais de 20 milhões delas nos EUA. Isso é o que eu chamo de um limão bem aproveitado!

Rumours-Fleetwood Mac (ouça em streaming):

Carole King: 75 anos de ótima e brilhante trajetória musical

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Por Fabian Chacur

A primeira vez que ouvi a voz de Carole King na vida foi provavelmente quando It’s Too Late tocou muito nas rádios brasileiras, lá pelos idos de 1971. Mas o contato mais próximo ocorreu em 1973, quando meu saudoso irmão Victor comprou um compacto simples dela, trazendo as músicas Corazón de um lado e Believe in Humanity do outro. Pronto. Não parava mais de tocar aquele raio daquele disco. Ela ganhava mais um fã, entre os seus milhares (milhões?) em todo o mundo.

Miss King chega aos 75 anos nesta quinta-feira (9) como um dos grandes marcos da presença feminina na história do rock e da música pop. Essa cantora, compositora e pianista americana nasceu no dia 9 de fevereiro de 1942, e iniciou sua trajetória musical ainda adolescente. Nessa época, era amiga de dois jovens e ainda desconhecidos músicos, Paul Simon e Neil Sedaka. Este último não só teve um namorico com ela, como também compôs o hit Oh! Carol em sua homenagem.

Nessa época (fim dos anos 1950), era bastante comum o que se denominou de “canções-resposta”, ou seja, uma música respondendo à temática de outra, e Carole King gravou sua estreia como intérprete em 1959, com Oh! Neil. Na mesma época, conheceu o letrista Gerry Goffin, que se tornou não só seu parceiro de composições como de vida, mesmo. Eles ficaram casados entre 1959 e 1968.

Em termos musicais, Goffin & King virou uma verdadeira grife pop, assinando hits como Up On The Roof, The Loco-Motion, Chains, Will You Love Me Tomorrow, One Fine Day, Going Back, Pleasant Valley Sunday e (You Make Me Feel Like) A Natural Woman, gravadas por artistas do porte de Aretha Franklin, Beatles, The Drifters, The Monkees, The Byrds e inúmeros outros. De tanto ouvir elogios à sua voz nas demos que enviava aos artistas que gravavam suas composições, a moça resolveu dar a cara para bater e assumir uma carreira como intérprete.

Em 1968, seu casamento com Gerry Goffin se acabou, e ela criou ao lado dos músicos Charles Larkey (com que se casou a seguir) e Danny Kortchmar a banda The City, que lançou em 1968 um excelente e pouco ouvido álbum, Now That Everything’s Been Said. Em 1970, saía o ótimo Writer, 1º álbum solo, do qual participou um amigo recente que se tornou outro parceiro bacana, ninguém menos do que James Taylor.

Em 1971m essa parceria renderia belos frutos aos dois músicos. James Taylor se tornaria o verdadeiro astro maior do chamado bittersweet rock com o estouro do álbum Mud Slide Slim And The Blue Horizon, cuja faixa de maior sucesso, You’ve Got a Friend, é uma composição de Carole King, que participa do álbum. Por sua vez, a descendente de judeus enfim conseguiu um sucesso à altura de seu imenso talento, com o estouro de Tapestry.

Considerado um dos melhores discos de todos os tempos independente de gênero musical, Tapestry é uma verdadeira aula de música pop, com fortes doses de soul music, rock, folk, latinidade e country, com direito a belas melodias, letras confessionais e uma voz simplesmente deliciosa. Empurrado pelo incrível single It’s Too Late, dolorido retrato de uma separação entre um casal, o disco chegou ao topo da parada americana.

A partir daí, a carreira-solo de Carole King se tornou imensa, com direito a mais dois álbuns no topo da parada americana (Music, no mesmo 1971, e Wrap Around Joy, em 1974) e hits deliciosos como Jazzman, Corazón, Believe in Humanity e inúmeros outros.

A partir da década de 1980, sua produção discográfica tornou-se um pouco mais esparsa e sem o sucesso comercial de antes, mas a qualidade não caiu, vide os ótimos City Streets (1988) e Colour Of Your Dreams (1993), este último com direito a participação especial de Slash, do Guns N’ Roses, e o hit Now And Forever.

Em 1990, por sinal, Carole King esteve no Brasil pela primeira e por enquanto única vez para shows, tendo se apresentado em São Paulo no extinto Olympia. Não estive no show, mas participei da entrevista coletiva com ela, que se mostrou de uma simpatia impressionante. A ponto de ter tido uma reação bem-humorada a um jornalista desinformado que lhe perguntou sobre o seu “casamento” com James Taylor. “A Carly Simon chegou antes”, brincou.

Na ativa de forma tranquila desde então, ela voltou ao topo das paradas em 2010, quando lançou um histórico álbum gravado ao vivo com James Taylor, Live At The Troubadour (também disponível em DVD), que chegou ao quarto lugar na parada americana e os mostrou de volta ao histórico palco do Troubador, em Los Angeles, onde tocaram no início dos anos 70, pouco antes de estourarem.

Sem exageros ou radicalismos, Carole King teve presença atuante e decisiva na abertura de maiores espaços para as mulheres no universo do rock, abrindo as portas para inúmeras colegas que vieram depois. As belas canções que compôs fazem parte do songbook da música pop, que será relido eternamente. Afinal, o que é bom, é para sempre!!!

Corazón- Carole King:

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