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Efeito Borboleta, bela viagem rocker de Rodrigo e Fernando

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Por Fabian Chacur

Quando entrou no Barão Vermelho, em 1992, Rodrigo Santos não só tornou-se membro do primeiro time do rock brasileiro como também ganhou um novo parceiro musical, o guitarrista Fernando Magalhães. Depois de 25 anos, essa amizade não só se consolidou como agora rende um primeiro trabalho em dupla. E que trabalho! Efeito Borboleta (lançado pela Coqueiro Verde) equivale a uma bela viagem rocker.

A ideia dos dois amigos é que este CD seja o primeiro de uma trilogia. Neste volume inicial, temos 15 músicas assinadas por eles. Rodrigo se incumbe de vocais (todos), baixo e violões, enquanto Fernando é o cara das guitarras e violões. Completam o time o tecladista Humberto Barros, que tocou com Rodrigo no Kid Abelha, e o baterista Lucas Frainer, do grupo Rodrigo Santos & Os Lenhadores.

A dobradinha Santos/Magalhães gerou uma fornada de canções roqueiras com várias nuances, sem cair na mesmice. O início não poderia ser melhor, com a virulenta faixa-título, cuja letra detona a situação caótica do mundo e os riscos que corremos de um fim apocalíptico.

A faixa-final, o impactante hard rock A Magnitude da Nossa Insignificância, é uma espécie de complemento da de abertura, trazendo versos ácidos sobre o quanto o ser humano é insignificante perante tudo o que o cerca, embora sempre se ache a última bolacha do pacote.

Entre uma e outra, o ouvinte poderá se divertir com um repertório que investe em rocks certeiros com vocação pop como Navegar, Juntos de Novo e A Vida Bela, a balada com slide guitar inspiradíssima Sem Deixar Pegadas, a ótima stoneana Uma Pequena Lágrima (espécie de Beast Of Burden da dupla), e a belíssima balada folk acústica O Meu Juízo.

Mano é uma bela blues ballad homenageando o saudoso percussionista Peninha, parceiro dos dois no Barãm Vermelho. Sorte é um rock melódico com cara de hit, assim como a incrível Coragem. As duas mereciam entrar imediatamente nas programações das rádios roqueiras deste país, se é que ainda existe alguma. Na pior das hipóteses, nos podcasts dedicados ao rock nacional.

Em outro momento político do repertório (sem cair no panfletário, por sinal), O Fóssil Brasileiro mistura punk e hard rock com versos incisivos como “e se o chão é duro, traiçoeiro, é mais heroico pra partir, do que o espinhoso travesseiro dos assassinos do país”. Por sinal, as letras são sempre muito bem concatenadas, independente do tema desenvolvido- amor, relacionamentos, filosofia de vida, política…

Versátil e com um currículo do tamanho de uma lista telefônica, Rodrigo Santos mostra que aprendeu e muito com todas essas experiências. Ele canta cada vez melhor, com personalidade e estilo, mostrando que sabe tanto ser sideman como frontman, sempre com a mesma categoria. Por sua vez, Fernando Magalhães joga para o time o tempo todo, sem querer ser mais do que as canções, que mandam neste álbum.

O que não significa que, em momentos como 12 Anos de Espera, Sem Deixar Pegadas e A Magnitude da Nossa Insignificância Magalhães não assuma o protagonismo com fúria, técnica e emoção. Como já sabíamos nesses seus tantos anos de Barão Vermelho, é um baita músico. E nas composições, a dupla esbanja inspiração, concisão e talento, manuseando as regras e elementos do rock and roll com uma desenvoltura destinada apenas aos craques.

Se esse é apenas o início de uma trilogia, fica a torcida para que os outros volumes venham logo, pois esta dupla dá provas inequívocas de que estão bem errados aqueles que afirmam ser o rock um gênero morto e com farofa na boca. Provavelmente, são os caras que afirmam uma asneira dessas que se encontram em tal situação. O saudoso mestre Zeca Neves amaria este álbum!

Efeito Borboleta- Rodrigo Santos e Fernando Magalhães (ouça em streaming):

Grant Hart, ex-Husker Du, faz a sua última e triste viagem

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Por Fabian Chacur

Grant Hart, baterista, vocalista e compositor da seminal banda americana Husker Du, nos deixou nesta quinta-feira (14), aos 56 anos. Ele lutava nos últimos meses contra um câncer no rim, que infelizmente não teve como ser curado. Diversos músicos lamentaram essa inestimável perda, entre eles Bob Mould, seu ex-colega de banda, que divulgou sua tristeza nas redes sociais, conforme ótima matéria da edição online do jornal Star Tribune, da cidade americana de Minneapolis (leia aqui).

Em uma dessas tristes coincidências, o único show de Hart em São Paulo completará quatro anos de sua realização nesta sexta-feira (15). Foi um evento incrível, no qual o artista americano mostrou seu enorme talento e encantou os inúmeros fãs presentes à Galeria Olido (leia a resenha deste show histórico aqui). E o ingresso foi gratuito!

Grantzberg Vernon Hart nasceu em 18 de março de 1961. Ele montou o Husker Du na cidade de Minneapolis, a mesma que deu ao mundo o genial Prince, em 1979. Junto com Bob Mould (guitarra e vocal) e Greg Norton (baixo), o baterista, cantor e compositor resolveu investir em um punk rock bastante agressivo, que ganhou o rótulo de hardcore. O primeiro single do grupo, com as faixas Statues e Amusement, saiu em 1981. O primeiro álbum, o ao vivo Land Speed Record (1982), é um registro básico, cru e hardcore até a medula.

Com o tempo, o Husker Du ampliou os seus horizontes e criou uma sonoridade que pode ser definida de forma geral como se fosse uma mistura do Black Flag com os Byrds. Álbuns como Zen Arcade (1984) e Flip Your Wig (1985) os tornaram bastante conhecidos no meio underground do rock americano, a ponto de atrair a atenção da gravadora Warner, que resolveu apostar nos rockers feiosos e gordinhos, mas muito talentosos.

Candy Apple Grey (1986), a estreia deles na Warner, é uma obra-prima, na qual essa fusão de folk-rock clássico com hardcore soa simplesmente perfeita. Hart e Mould eram os compositores do grupo e também se alternavam como vocalistas principais. Dois craques. Mas as canções de Hart, maravilhas como I Don’t Want To Know If You’re Lonely e Sorry Somehow, são as melhores, poderosos diamantes sônicos bem lapidados, sem perder a energia, nem a ternura, jamais.

Infelizmente, nem esse clássico, nem o seu ótimo sucessor, Warehouse: Songs And Stories (1987), conseguiram bons números de venda. Em 1987, ou seja, há exatos trinta anos, eles acabaram se separando, especialmente devido a brigas entre Hart e Mould, rivalidade que se manteve por muitos e muitos anos e impediu qualquer chance do retorno da banda. E aquela praga que frequentemente atinge pioneiros na música os pegou em cheio.

Logo após o seu fim, bandas como Pixies e, especialmente, Nirvana, beberam com categoria em sua fonte e conseguiram colher os frutos em termos comerciais e de popularidade que foram negados ao Husker Du. Após o fim da banda, Grant Hart iniciou uma carreira-solo com o excelente Intolerance (1989), que este que vos escreve tem autografado pelo autor.

Hart ainda criou a banda Nova Mob, que se manteve por algum tempo na ativa e lançou alguns discos, mas sem sucesso. Depois, retornou à carreira-solo. Seu último trabalho individual foi The Argument (2013). Naquele mesmo ano, foi feito o documentário Every Everyting- The Music, Life & Times Of Grant Hart, de Gorman Bechard (o mesmo de Color Me Obsessed-2011, sobre os Replacements, outra banda seminal de Minneapolis), dando uma geral em sua vida.

Bob Mould voltou a se aproximar do ex-colega de banda nessa fase final. Inclusive, anunciaram há uma semana o lançamento, previsto para novembro deste ano, de Savage Young Du, caixa com três CDs trazendo gravações inéditas da fase inicial do Husker Du. Em julho deste ano, em um de seus últimos shows (ou quem sabe o último), em Minneapolis, Hart teve a participação de integrantes do Soul Asylum, Babes In Toyland e Run Westy Run. Leia mais sobre ele aqui.

Em entrevista concedida em 2009 ao Star Tribune, o músico, que foi amigo de Patty Smith e Willian S. Burroughs, deu uma declaração que pode servir como um belo epitáfio: “Acho que o trabalho que eu produzi durante a minha vida irá mais do que reparar o mundo por alguma inconveniência que eu tenha causado”. Descanse em paz.

Candy Apple Grey- Husker Du (ouça em streaming):

Blitz lançará seu novo DVD e também fará turnê pelos EUA

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Por Fabian Chacur

Embora nunca tenha saído de cena nos últimos anos, a Blitz retomou com força total a carreira nos últimos meses. Lançou Aventuras 2, CD que celebra os 35 anos de sua estreia em disco com convidados especiais e bons elogios por parte de público e crítica. E as novidades não param de pintar. Em outubro, o grupo carioca lançará um novo DVD, gravado ao vivo em abril no Circo Voador, local cuja importância é impar na sua história de muito sucesso.

O grupo liderado pelo trio Evandro Mesquita (vocal e violão), Billy Forghieri (teclados) e Juba (bateria), integrantes de sua formação clássica, também anuncia que fará em fevereiro de 2018 uma turnê pelos EUA. E de quebra, preparam-se para show no Rock in Rio no dia 16 de setembro com participações especiais de Alice Caymmi e Davi Moraes. Será o seu retorno ao evento após 32 anos, eles que foram uma das atrações da histórica edição inicial do evento, em janeiro de 1985.

Em entrevistas, Evandro Mesquita sempre ironiza de forma simpática a previsão de alguns jornalistas apressados, que, com o estouro da banda em 1982 com Você Não Soube Me Amar, previam que seria o sucesso de um único verão. E, desde então, 30 e tantos verões se passaram, e os caras continuam aí, firmes e fortes, com sua mistura de bom-humor, rock and roll e ritmos tropicais, pondo para dançar e se divertir gerações de brasileiros. Quem ri por último…

Noku Pardal– Blitz e Alice Caymmi:

DVD registra Bryan Adams no auge da sua carreira, em 1996

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Por Fabian Chacur

Em 1996, Bryan Adams era um dos artistas mais populares do mundo. Seu mais recente álbum, 18 Til I Die, ocupava o primeiro posto na parada britânica, e vendia muito em diversos outros países. Foi nesse clima, no dia 27 de julho daquele ano, que o roqueiro canadense se apresentou para aproximadamente 70 mil pessoas no lendário estádio de Wembley, em Londres. Agora, enfim o show chega ao formato DVD no Brasil, com o título Wembley 1996 Live. Um registro histórico e incrível.

Para começo de conversa, são 143 minutos de show durante os quais o cantor, compositor e músico se vale apenas de ótima aparelhagem de som, iluminação discreta e cinco músicos. Entreter uma multidão em um estádio valendo-se apenas e tão somente de música não é coisa para qualquer artista. Hoje em dia, torna-se cada vez mais raro. Pois o nosso personagem dá conta da tarefa com carisma, talento e habilidade, sem apelar ou cair no vulgar.

Sua banda de apoio é absurdamente boa, a começar do guitarrista-solo Keith Scott, que o acompanha desde meados de 1982 e está com ele até hoje, com suas intervenções sempre precisas e sem jogar notas foras. Mickey Curry (bateria), Tommy Mandel (teclados e piano), Dave Taylor (baixo) e Danny Cummings (percussão) são os outros craques que se mostram prontos para quaisquer desafios, ajudando Adams a segurar a plateia o tempo todo.

Esse show é uma prova mais do que concreta de como são desinformados aqueles que classificam o autor de Heaven como “apenas um cantor romântico”. Em seus shows pelo mundo afora, o rock and roll básico e melódico sempre come solto, com direito a muita energia. Para que vocês possam ter uma ideia, a primeira balada, Have You Ever Really Loved a Woman?, aparece como sétima música do show, quando o espetáculo já conta com meia hora de duração.

Bryan Adams não é um daqueles artistas inovadores, ou criadores de novos rumos para o rock ou coisa assim. Ele soube estudar os grandes nomes do rock dos anos 50, 60 e 70 e tirar boas lições de suas obras. A partir dali, criou o seu jeito próprio de compor, tocar e cantar, que se não revolucionou nada, certamente ajudou a injetar energia positiva e muita emoção em fãs dos quatro cantos do planeta. E, porque não, influenciar muitos artistas que vieram depois dele.

Com uma voz potente e belíssima, ele encara tanto rockões como The Only Thing That Looks Good On Me Is You, Kids Wanna Rock e She’s Only Happy When She’s Dancin’ como power balllads matadoras como Heaven, It’s Only Love, Somebody e All For Love. Sua empatia com o público é tão grande que praticamente não precisa chama-los para cantar juntos, o que às vezes até o surpreende, algo captado pelas câmeras.

O repertório generoso traz 24 músicas, com direito a várias de 18 Til I Die e de seus trabalhos anteriores, além de alguns covers bacanas, entre os quais Wild Thing (The Troggs). Os arranjos seguem as gravações originais de estúdio, com direito a algumas brincadeiras legais, como Keith Scott brincando com os amplificadores e gerando microfonia e solos incríveis durante a música Touch The Hand, por exemplo.

O show é repleto de momentos legais, entre os quais temos a participação da estrela americana Melissa Etheridge fazendo as vezes de Tina Turner na impactante It’s Only Love. Outra parte marcante é quando o grupo sai do palco principal e toca cinco músicas em um palquinho colocado no meio do povão. Na hora em que apresentam a última música naquele espaço (She’s Only Happy When She’s Dancin’), um montão de gente sobe para dançar com o ídolo.

No palco principal, em sua parte de trás, foi instalada uma arquibancada na qual dezenas de sortudos puderam ver o show de pertinho. Wembley 1996 Live é uma dessas provas de poder de fogo que poucos artistas no mundo podem se gabar de ter. E Bryan Adams, que se mantém ativo de forma admirável, tem em seu currículo um acontecimento como esse. Podem até ser apenas “tolas canções de amor” as que ele canta/compõe. Mas o que há de errado nisso, como diria Paul McCartney?

Heaven (live Wembley 1996)- Bryan Adams:

Stevie Nicks regrava o seu hit Gypsy para abrir nova série

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Por Fabian Chacur

Trinta e cinco anos após o seu lançamento, em 1982, a música Gypsy volta aos holofotes da cultura pop. Sua autora, a cantora e compositora americana Stevie Nicks, a regravou para a abertura da série Gypsy, cuja primeira temporada composta por dez episódios a Netflix disponibilizará para os seus assinantes a partir desta sexta-feira (30).

A criadora da atração, Lisa Rubin, afirmou ter se inspirado no registro original da canção, feita pelo grupo Fleetwood Mac (do qual Stevie faz parte), para escrever seu roteiro. Ao saber disso, a cantora se ofereceu para fazer uma regravação solo dessa música, que contou com a produção de Greg Kurstin, conhecido por trabalhos com Adele e Sia.

Segundo ela, a nova versão, basicamente centrada no formato voz e piano, está mais próxima da forma original como a canção foi concebida. A série será estrelada pela atriz Naomi Watts, estrela de King Kong e Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos e o ator Billy Crudup, este último celebrizado pelo papel do guitarrista Russell Hammond no maravilhoso filme Quase Famosos (Almost Famous-2000).

Gypsy foi escrita em 1979, e inicialmente era cogitada para entrar em seu primeiro álbum solo, Bella Donna (1981). No entanto, acabou ficando para o repertório do Fleetwood Mac, e lançada no CD Mirage (1982), que atingiu o primeiro posto na parada americana naquele ano. Lançada no formato single, Gypsy atingiu o posto de nº 12 nos EUA, e é um dos principais hits da carreira dessa grande diva do rock.

Gypsy (releitura)- Stevie Nicks:

Night And Day- Joe Jackson: 35 anos e ainda impecável

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Por Fabian Chacur

Em junho de 1982, Joe Jackson lançou o seu álbum mais ambicioso. Aos 27 anos de idade (completaria 28 em agosto daquele mesmo ano), o cantor, compositor e músico britânico havia surgido com força no cenário musical com uma sonoridade rotulada como new wave pela crítica, e conseguiu ótimos resultados comerciais. Mas Night And Day era um passo adiante dos mais arriscados, pois trazia uma sonoridade bem peculiar.

Ao invés do ótimo rock básico com elementos de reggae e pop presentes em hits como Is She Really Going Out With Him, I’m a Man e Fools In Love, Jackson parecia querer trazer para o seu universo próprio algo do surpreendente disco que lançou em 1981, Jumpin’ Jive, composto por releituras de clássicos da era do swing jazz dos anos 1930 e 1940.

Vale lembrar que ele era quase uma exceção em sua geração, pois tem o piano como o seu instrumento base, ao invés da guitarra. E, embora roqueiro de coração, Jackson traz uma formação composta também por música erudita e jazz, elementos que se incorporaram à sua formação quando estudou música formalmente. Portanto, era questão mesmo de tempo que isso aflorasse no seu trabalho.

Night And Day marcou a saída do artista da Inglaterra rumo aos EUA, mais precisamente a Nova York. Nos estúdios da Big Apple, ele teve a inspiração de usar como tema do novo álbum uma espécie de viagem de um dia por aquela cidade, iniciada à noite e encerrada de dia, como o título entrega. De cara, uma ousadia para aqueles dias: nada de guitarra. A formação básica do disco inclui teclados diversos, baixo, bateria e muita percussão.

Ele usou o seu piano como base para um som no qual a latinidade aflorou com força total, trazendo fortes elementos de salsa, mambo e até um bocadinho de bossa nova. O jazz dá o tom, com espaços para solos mas sem cair em uma proposta intrincada demais, sendo, portanto, bem acessível aos ouvidos médios. O tempero pop e elementos eletrônicos, além de pitadas de rock, arredondaram a coisa toda.

Completando tudo, Jackson nos oferece nove faixas, sendo cinco compondo o lado A do disco de vinil, a faceta “night”, e quatro no lado B, a parte “day”. As canções vão se entrelaçando, e funcionam como se fossem a trilha sonora que acompanha um novato na grande cidade, tentando descobrir suas nuances e superar suas dificuldades de contatos e assimilação com as pessoas.

A abertura com Another World é impactante, seguida pela percussiva e misteriosa Chinatown. T.V. Age, ironizando a forte influência da TV na vida das pessoas, é seguida pela salerosíssima Target, que abre alas para a incrível Steppin’ Out. Maior hit da carreira do artista (chegou ao 6º lugar nos EUA), tem uma batida rítmica mágica, que serve como uma transição da noite para o dia, representado pelas canções do lado B.

A parte day do álbum se inicia com a bela balada Breaking Us In Two, que traz em sua melodia, involuntariamente ou não, trechinhos de Steppin’ Out e da clássica Day After Day, hit do grupo britânico Badfinger. Cancer, com sua letra que lida de forma quase sarcástica com a gravidade dessa doença terrível, é outro orgasmo latino, no qual Jackson faz solos endiabrados de piano nos quais mostra um senso rítmico e melódico digno de um gênio dos teclados.

A introspectiva Real Man toca no sempre delicado tema da masculinidade, com um refrão onomatopaico cativante. O álbum é encerrado com uma balada arrebatadora, Slow Song, que desde então costuma encerrar seus shows, e na qual ele defende a necessidade das canções lentas em momentos decisivos da vida. Um encerramento classudo para um grande álbum.

Joe Jackson admite que temia pelo resultado comercial de Night And Day, pelo fato de ser muito diferente dos LPs que havia lançado anteriormente. O público, no entanto, não o decepcionou, pois o álbum atingiu o 3º lugar no Reino Unido e 4º nos EUA, sendo até hoje seu campeão de vendas. Um disco que soa moderno, delicioso e cativante, mesmo 35 anos após seu lançamento. Música boa é para sempre.

obs.: fiz o possível para escrever um bom texto sobre esse, que é um de meus discos favoritos, mas tenho consciência de que não cheguei nem aos pés da crítica que a minha ídala Ana Maria Bahiana escreveu na época, e que não só me levou a procurar esse álbum como, por tabela, acabou me tornando um fã entusiasmado de Joe Jackson. Valeu, Ana!

Night And Day– Joe Jackson:

Biquini Cavadão mostra o seu novo e ótimo CD em SP e RJ

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Por Fabian Chacur

Para quem anda meio cético em relação à qualidade da música lançada nos últimos tempos, uma boa notícia. O grupo Biquini Cavadão acaba de lançar As Voltas Que o Mundo Dá, um desses discos que já chegam ao mercado com a aura de clássico, tal a qualidade de seu conteúdo.

Eles mostram esse trabalho com shows nesta quinta-feira (15) às 20h no Rio no Teatro Imperator-Centro Cultural João Nogueira (rua Dias da Cruz, nº 170- Meyer- fone 0xx21-2597-3897), com ingressos de R$30,00 a R$ 60,00, e na próxima terça-feira (20) às 21h30 em São Paulo no Teatro Bradesco (rua Palestra Itália, nº 500- Perdizes- fone 0xx11-3670-4100), com ingressos de R$ 40,00 a R$ 160,00.

Após a turnê que comemorou seus 30 anos de carreira, o quarteto carioca se mostrou disposto a novas experiências. A primeira equivaleu a convidar o consagrado Liminha para ser o produtor do álbum. Ele não só aceitou a incumbência como também se incumbiu de tocar baixo e fazer gravações adicionais de guitarra, violão, bandolim e loops. A parceria não poderia ter dado mais certo, especialmente pela experiência dele com diversas sonoridades.

Bruno Gouveia (vocal), Carlos Coelho (guitarra, violão, dobro e bandolim), Miguel Flores da Cunha (piano, synth e órgão) e Álvaro ‘Birita’ (bateria e pandeiro) mergulham de cabeça em um pop rock delicioso, repleto de texturas sonoras, belas melodias, letras profundas e uma capacidade de unir sonoridades assimiláveis pelo público médio a uma sofisticação admirável, inspirados em grupos craques nessa praia como Prefab Sprout, Deacon Blue e até os Beatles.

Se possui grande apuro técnico e de arranjos, o que se sobressai no álbum são as canções, diversificadas e bastante inspiradas. O pop puro de Um Rio Sempre Beija o Mar e Como Eu Te Conheci, o clima etéreo de Arco-Íris, o rock mais agitado de Coragem e A Saudade é o Museu do Amor, o apelo de Você Marcou, é uma boa surpresa atrás da outra.

Nas letras, temas bem desenvolvidos, como as idas e vidas do amor, as incertezas de nossos rumos e a esperança em momentos mais iluminados. Nos shows, não devem faltar hits como Tédio, Vento Ventania e Timidez, certamente entremeadas com várias dessa nova e inspirada leva de canções. O Biquini Cavadão chega à maturidade artística proporcionando aos fãs um trabalho consistente, profundo, honesto e, acima de tudo, delicioso de se ouvir.

Um Rio Sempre Beija o Mar– Biquini Cavadão:

Frejat traz shows voz/violão a São Paulo e ao Rio de Janeiro

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Por Fabian Chacur

Sem Frejat, o Barão Vermelho voltou à ativa com Rodrigo Suricato nos vocais. Por sua vez, o ex-cantor e guitarrista da banda carioca também mostra suas novas armas. Aliás, apenas duas: voz e violão. Será com esse formato básico e intimista que ele se apresenta nesta quinta (8) às 21h no Rio, no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160- Shopping VillageMall-Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos de R$ 60,00 a R$ 220,00, e nesta sexta (9) em São Paulo no Teatro Opus (avenida das Nações Unidas, nº 4.777- 4º piso- Shopping Villa Lobos- Alto de Pinheiros), com ingressos de R$ 70,00 a R$ 200,00.

Nessas apresentações, o cantor, compositor, guitarrista e violonista dará uma geral em canções de várias fases de seus mais de 30 anos de carreira, com a ex-banda ou em trajetória solo. Pérolas do quilate de Segredos, Amor Pra Recomeçar, Homem Não Chora, Por Você e Todo Amor Que Houver Nessa Vida. Como forma de homenagear alguns de seus compositores favoritos, ele também cantará Trocando em Miúdos e Carpinteiro do Universo, entre outras.

Sem nunca perder o seu espírito de rock ‘n’ roller, Frejat sempre se interessou por outros ritmos e sonoridades, e neste show mais cru e enxuto, trará aos fãs um aspecto mais básico de sua personalidade musical. “A ideia é fazer um show intimista tocando minhas músicas. Algumas delas sucessos e outras que não toco há muitos anos”, adianta.

Segredos (ao vivo)- Frejat:

O Kid Vinil, gentleman que se tornou um herói real do Brasil

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Por Fabian Chacur

O roqueiro pode ser um bom rapaz? Se a figura em questão for um certo Antônio Carlos Senefonte, a resposta é um retumbante sim. Mesmo abraçando o nosso velho e bom rock and roll de corpo, alma, voz e ouvidos, ele sempre teve como marca o fato de ser um gentleman. Kid Vinil, esse cara que infelizmente nos deixou nesta sexta-feira (19) em São Paulo, aos 62 anos, após lutar com bravura para vencer as sequelas de uma parada cardíaca sofrida em 18 de abril em Conselheiro Lafaiete (MG).

Em um país que atualmente se choca diariamente com a desfaçatez com que políticos, empresários e outros seres humanos chafurdam na lama de forma asquerosa para manterem suas negociatas escusas, Kid sempre foi um verdadeiro herói do Brasil, como dizia a letra da música gravada por ele no primeiro álbum do Magazine, autointitulado e lançado em 1983 e um clássico do rock brasileiro.

Oriundo do interior de São Paulo em 10 de março de 1955, Kid não nasceu em berço de ouro, e batalhou muito para chegar onde chegou. Ele trabalhou na gravadora Continental com o brilhante Vitor Martins, aquele mesmo, eterno parceiro de Ivan Lins em grandes clássicos da MPB, e no fim dos anos 1970 já estava trabalhando em rádio e dando seus primeiros passos como cantor de rock.

Kid ajudou como poucos na divulgação, em nosso país, do que de mais relevante ocorria no rock internacional a partir do punk rock. Como radialista, DJ, crítico musical e atuando em gravadoras, educou incontáveis fãs com seu vasto conhecimento musical, sempre aberto e disposto a desencavar tanto raridades como novidades. Com um leve ar professoral, mas descontraído e desinibido.

Na seara musical, começou a ficar conhecido com a banda punk Verminose, que se transformaria em new wave ao mudar o nome para Magazine. Sou Boy foi um dos primeiros grandes sucessos do rock brasileiro geração anos 80, seguido por outros hits como Tique-Tique Nervoso, Comeu, Adivinhão, Glub Glub No Clube e Kid Vinil (aquela que gerou a alcunha “O Herói do Brasil” que tanto o marcou).

A partir daí, a vida musical de Mr.Senefonte geraria a banda Kid Vinil e os Heróis do Brasil, na qual se destacava o guitarrista André Christovan e que lançou um único (e ótimo) autointitulado álbum em 1986, um álbum-solo (Kid Vinil) em 1989, um CD do Verminose em 1995 (Xu-Pa-Ki), o álbum com uma nova encarnação do Magazine em 2002 (Na Honestidade) e um DVD retrospectivo em 2013 (Vinil ao Vivo, leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Kid ainda gravou um DVD de releituras de clássicos conhecidos e/ou obscuros de rock em 2010 com o Kid Vinil Xperience (Time Was, em 2010), e um single em vinil em 2014 (leia a resenha aqui). Ele também lançou o Almanaque do Rock em 2009, e a biografia, Um Herói do Brasil, escrita por Ricardo Gozzi e Duca Belintani.

Além de atuar como DJ e de eventuais shows com o Magazine, Kid também participava de shows celebrando os anos 80 ao lado de amigos e contemporâneos daqueles tempos, como Kiko Zambianchi e Ritchie. E infelizmente foi após sua participação em um desses shows que ele sofreu o ataque cardíaco responsável por seu fim prematuro.

Kid Vinil vai fazer muita falta para seus incontáveis fãs, amigos e admiradores, que frequentemente eram as três coisas juntas, pois poucos nomes importantes se faziam tão acessíveis e gentis como ele. O lindo dogão Kosmo ficou sem seu pai, que tristeza!

Magazine- Magazine (1983- em streaming):

O Violeta de Outono faz show em SP com formação original

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Por Fabian Chacur

O Violeta de Outono, um dos grupos mais relevantes da cena paulistana da segunda metade dos anos 1980 e ainda hoje na ativa, dará um belo presente aos seus fãs. No dia 27 de maio, às 21h30, no Sesc Pompeia (rua Clélia, nº 93- Pompeia- fone 0xx11- 3871-7700), o grupo fará um show único no qual sua formação original se reunirá após mais de dez anos. A apresentação marca o relançamento de seu primeiro álbum, de 1987, agora em versão remasterizada.

A banda paulistana surgiu lá pelos idos de 1985, quando Fábio Golfetti (vocal e guitarra) e Cláudio Souza (bateria) saíram da banda Zero e resolveram partir para um novo projeto. Com a adição do baixista Angelo Pastorello, eles fizeram seu primeiro show em dezembro de 1985, no mitológico Teatro Lira Paulistana. Em março de 1986, fariam a primeira de uma série de apresentações no Sesc Pompeia. Naquele mesmo ano, lançaram o seu primeiro EP, pelo selo Wop Bop, cuja repercussão foi tão boa que os levou rumo a uma grande gravadora.

Eles receberam o convite do Plug, selo exclusivo de rock criado pela gravadora BMG-Ariola, e estrearam por lá com Violeta de Outono (1987). O álbum conseguiu ótima repercussão perante o público roqueiro, com um rock psicodélico e autoral com influências progressivas e músicas como Outono e Dia Eterno, e também uma incrível releitura para Tomorrow Never Knows, dos Beatles.

O trio lançou em 1989 Em Toda Parte, e logo a seguir saíram do selo Plug. A partir dos anos 1990, o grupo passou por várias trocas em sua formação, com Fábio sendo o único a se manter de forma constante. Vale lembrar que Angelo Pastorello se tornou um dos fotógrafos mais bem-sucedidos no Brasil na área de moda.

O mais recente álbum de inéditas do Violeta de Outono, intitulado Spaces, saiu em outubro de 2016, e nele Mr. Golfetti tem a seu lado Gabriel Costa (baixo), Fernando Cardoso (teclados) e José Luiz Dinóia (bateria). Os ingressos para o show da formação clássica do grupo no Sesc Pompeia custarão de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Outono– Violeta de Outono:

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