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Tag: rock anos 80 (page 1 of 6)

Mixed Up, do The Cure, sai no Brasil em formato remaster

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Por Fabian Chacur

Em 1990, Robert Smith surpreendeu muita gente ao lançar o álbum duplo em vinil e simples em CD Mixed Up, que trazia remixes com pegada mais dançante e eletrônica de algumas das canções mais conhecidas de seu grupo, o The Cure. Atualmente revisando itens de seu extenso catálogo, o cantor, compositor e músico britânico nos oferece uma versão remasterizada desse trabalho, que chega às lojas brasileiras em CD simples.

Mixed Up continha em sua versão original 12 faixas no LP de vinil e 11 no CD, com direito a hits como Lullaby, Hot Hot Hot!, Close To Me e Lovesong com roupagens totalmente diferentes, além de uma faixa inédita, a ótima mezzo pesadona mezzo dançante Never Enough, que teve direito a clipe e fez um sucesso considerável.

Além do formato standard, que é o disponibilizado no Brasil, também sairá no exterior uma deluxe edition com três álbuns: o CD original remasterizado, um segundo com raros remixes lançados originalmente entre 1982 e 1990 e um terceiro, intitulado Torn Down, com 16 novas remixagens feitas pelo próprio Robert Smith de outras músicas do The Cure, como Shake Dog Shake, Cut Here e A Night Light This.

Never Enough– The Cure:

Nenhum de Nós mostra o seu novo EP com um show no Rio

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Por Fabian Chacur

Dos bem-sucedidos grupos brasileiros de rock surgidos na década de 1980, o Nenhum de Nós sempre se mostrou o mais aberto a se valer de influências e parcerias com os outros países latino-americanos, especialmente Argentina e Uruguai. E este último é o mote de seu novo lançamento, o EP Doble Chapa, lançado em formato físico e digital pelo selo Imã Records. Eles tocam no Rio de Janeiro nesta sexta (29) às 21h no Imperator- Centro Cultural João Nogueira (rua Dias da Cruz, nº 170- Meier- fone 0xx21-2597-3897), com ingressos a R$ 25,00 e R$ 50,00.

Doble Chapa é uma expressão usada para denominar quem vive na fronteira gaúcha perto do Uruguai. A banda gaúcha formada por Thedy Corrêa (vocal e violão), Veco Marques (guitarra e violão), Carlos Stein (guitarra e violão), João Vicenti (teclados e acordeon), e Sady Homrich (bateria) resolveu nomear seu novo EP assim pelo interesse que tem nessa troca de informações musicais e culturais com aquele país.

“Fronteiras podem ser legais na medida que abrigam iniciativas culturais marcadas por peculiaridades; misturar estas particularidades para gerar algo novo é o tom desse nosso novo trabalho”, explica Carlos Stein.

O EP traz cinco faixas, todas não menos do que ótimas, sendo que o delicioso rock melódico Uma Vida Ordinária aparece em duas versões, em castelhano e português, ambas com a participação especial de Fede Lima, líder do grupo uruguaio Socio, um dos mais badalados da cena roqueira daquele país. Na bela balada com veia psicodélica Fã de Faith No More, temos outra convidada bem bacana, a ótima cantora uruguaia Lucía Ferreira, da também incensada banda La Tabaré.

A balançada O Aprendiz conta com as rimas espertas do rapper gaúcho Marck B, enquanto Despliega conta com uma levada dançante e percussão latina. A edição física de Doble Chapa é no capricho, com capa dupla digipack de papelão e encarte com letras e ficha técnica.

Além das novidades do novo disco, o grupo, que também conta com a participação do músico convidado Estevão Camargo (baixo e vocais), dará uma geral em seus inúmeros sucessos desses 31 anos de carreira, entre os quais Camila Camila, Sobre o Tempo, Vou Deixar Que Você Se Vá e Você Vai Lembrar, só para citar alguns. Shows dessa banda são sempre altamente recomendáveis para os fãs de um rock melódico com influências folk e latinas e letras inteligentes e sensíveis.

Uma Vida Ordinária (clipe)- Nenhum de Nós:


Barão Vermelho mostra nova cara e os grandes hits em SP

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Por Fabian Chacur

Em 2017, o Barão Vermelho voltou ao cenário rock nacional. No lugar de Roberto Frejat, que optou de vez pela carreira-solo, entrou Rodrigo Suricato, incumbindo-se de vocal, violão e guitarra. Desde então, o time, que depois também perdeu o baixista Rodrigo Santos, está na estrada, mostrando sua nova cara. Eles tocam nesta sexta (27) às 22h30 em São Paulo na Casa Natural Musical (rua Artur de Azevedo, nº 2.134- Pinheiros- fone 0xx11-4003-6860), com ingressos de R$ 140,00 a R$ 200,00.

A atual encarnação desta marcante banda surgida no Rio em 1981 e um dos pilares do rock brasileiro na década de 1980 e desde então traz, além de Suricato, os fundadores Guto Goffi (bateria) e Mauricio Barros (teclados) e Fernando Magalhães (guitarra), este último no time há quase 30 anos. Uma escalação concisa e com muita fome de palco, como seus shows recentes mostraram aos fãs.

Como forma de marcar a fase atual, o grupo acaba de lançar nas plataformas digitais #Barãoprasempre, que traz nove músicas gravadas ao vivo no Rio no Estúdio Palco 41, sendo sete delas releituras elétricas de hits da banda como Pense e Dance, Pro Dia Nascer Feliz, Puro Êxtase e Eu Queria Ter Uma Bomba e as releituras acústicas de Por Você e Brasil, esta última hit da carreira solo do primeiro vocalista da banda, Cazuza. As gravações ainda tiveram Rodrigo Santos como baixista.

No repertório do show, teremos músicas desse álbum digital e também outros sucessos marcantes do Barão Vermelho, entre os quais Bete Balanço, Maior Abandonado e Por Que a Gente é Assim. Além de dar prosseguimento à atual turnê, o grupo promete para um futuro não muito distante um trabalho com canções inéditas.

Pense e Dance (nova versão)- Barão Vermelho:

Cazuza 60 é na verdade 100, mil, mais do que dois mil e um

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Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (4), Cazuza comemoraria 60 anos de idade. Infelizmente, o roqueiro carioca se foi naquele triste sete de julho de 1990, com apenas 32 anos bem vividos, e deixou um vazio não só no rock, como na música e cultura brasileira como um todo.

Tive a honra de entrevistá-lo duas vezes, e de ver um dos shows mais emblemáticos de sua brilhante e breve carreira solo. Vou relembrar alguns momentos desses três contatos de forma aleatória, sem querer ser detalhista demais. O que me vier à mente.

Em 1987, vivi o início de minha carreira jornalística em tempo integral, após dois anos de frilas conciliados com um emprego, digamos, convencional. E em abril daquele ano, participei da entrevista coletiva que Cazuza concedeu em São Paulo para divulgar Só Se For a Dois, seu segundo trabalho solo.

A coletiva ocorreu no bairro do Paraíso, onde ficava na época a sede paulistana da gravadora Polygram, hoje Universal Music. Era a estreia dele pelo selo, após ter lançado o LP que inclui Exagerado em 1985 na Som Livre, meses depois de sair do Barão Vermelho.

Gravei a entrevista no meu heroico gravador grandão, grande parceiro. Tenho essa fita até hoje, e um dia (quando a encontrar, obviamente; mas ela está comigo, tenho certeza) a transcreverei na íntegra para os leitores de Mondo Pop. Por enquanto, ofereço recordações superficiais. Ele foi extremamente simpático com todos.

Ele respondeu todas as nossas perguntas, sem frescuras, e após o final, tirou fotos e deu autógrafos a todos que os solicitaram, eu incluso. Também tirei fotos com ele. Uma saiu meio ruim por causa do flash, e infelizmente é a única que me sobrou, pois a outra foi roubada por uma sobrinha. Que ódio! E tenho fotos da entrevista coletiva, essas bem legais. Preciso escaneá-las, também.

Naquele mesmo dia de 1987, tive a oportunidade de conhecer um de meus ídolos na área do jornalismo musical, o inimitável Ezequiel Neves, com quem também tirei foto, junto com o amigo Humberto Finatti.

Na época, trabalhava na editora Imprima, coordenando as revistas de textos de lá, que se notabilizou pelas revistinhas com cifras para violão e guitarra. Um tempo bom, de aprendizado e que me proporcionou a chance de conhecer muita gente boa.

Em 1988, quando começava no Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo), pude rever Cazuza quando ele veio a São Paulo divulgar, com show no extinto (e então badaladíssimo) Aeroanta, no largo da Batata, em Pinheiros, o seu então novo álbum, o incrível Ideologia.

Lembro que tomei um susto (que disfarcei) ao vê-lo bem mais magro do que no encontro anterior. Mas a energia, a simpatia e as ideias bacanas continuavam ali, firmes. O fato de ele portar o vírus HIV ainda não havia se tornado público. Pena que vacilei e não vi aquele show.

Para minha sorte, no final de 1988 Cazuza voltou a São Paulo, desta vez para tocar no antigo Palace (hoje CitiBank Hall) e fazer o show que acabaria gerando, ao ser gravado no Rio, o emblemático álbum ao vivo O Tempo Não Para- Cazuza Ao Vivo. Um show inesquecível.

No início, apesar da energia do roqueiro e de sua banda, a plateia reagiu de forma um pouco fria. Isso, mesmo com o início arrepiante, com o cover de Vida Louca Vida, de Lobão, que no entanto a interpretação apaixonada do autor de Exagerado tornou sua para sempre.

Mesmo irritado, ele tocou o barco. Aos poucos, o público foi entrando no espírito anárquico do artista e se soltou, dançando, pulando, cantando junto e transformando o emepebístico Palace em uma arena rocker.

Aí, Cazuza se soltou, agradecendo o apoio, dizendo que queria fazer shows para pessoas bem loucas e descontraídas, sem frescuras, e proporcionando aos presente um show de maravilhoso rock and roll.

Exagerado, Faz Parte do Meu Show, a então inédita O Tempo Não Para (que Simone regravou de forma canhestra), Brasil (idem com Gal Costa) e Codinome Beija-Flor, só para citar alguns dos clássicos tocados por ele, fizeram a minha noite e a dos milhares de fãs presentes inesquecível.

No Diário Popular, no extinto caderno cultural intitulado Revista, coisa inédita para a publicação: duas críticas. Uma de minha autoria elogiando o show e a atitude de Cazuza em pedir a participação de todos.

Outra do editor (e meu mestre) Osvaldo Faustino criticando o cantor pelo fato de ele ter intimado os presentes a participar. Belo exercício de democracia. E as duas opiniões faziam total sentido, eram pontos de vista que se completavam muito bem, modéstia à parte.

E então, meses de sofrimento de vê-lo doente, da campanha idiota da revista Veja contra ele, o lançamento do inconsistente e duplo Burguesia em 1989 (na verdade uma desculpa para alguém muito doente ter motivação para conseguir se manter vivo, sem sombra de dúvidas) e, em 1990, a morte precoce aos 32 anos.

Duas curiosidades, uma engraçada, outra mórbida. A primeira: no lançamento de Burguesia, a Polygram realizou uma festa na qual todos recebiam o LP. Seis deles vieram com cupons, incluindo o meu. Dois desses seis foram sorteados e ganharam viagens para os Estados Unidos. Eu perdi. Foi o mais perto que fiquei, até hoje, de ir ao exterior…

A outra é quase macabra. No início de 1989, a morte do roqueiro do bem parecia iminente. Então, meu editor na época, Danilo Angrimani Sobrinho, pediu-me uma matéria sobra a carreira de Cazuza, para ficar na gaveta e ser publicada rapidamente no caso da morte do artista. Fiz a contragosto, rezando para que nunca fosse publicada.

Se a morte acabou sendo inevitável, ao menos demorou um ano e meio para que aquela matéria “mortuária” chegasse às páginas do jornal. Mas uma ironia: na época, a redação ainda era na base das máquinas de escrever, laudas de papel, edição na raça etc. E a matéria havia sido feita quando ainda não se sabia como seria Burguesia.

Nem o seu título, que durante meses foi divulgado como A Volta do Barão. Eu estava de folga, e quem publicou a matéria não se preocupou em revisar isso. Ou seja, o leitor do finado Dipo “ganhou” um álbum inexistente de Cazuza…

Cazuza foi um roqueiro perfeito. Voz cheia de energia que superava defeitos técnicos do tipo língua presa, letras maravilhosas e melodias sempre trazidas por parceiros inspirados. Quantas coisas boas a mais ele não teria feito, se não tivesse saído de cena em 1990… Ele só viveu 32 anos, que, no entanto, equivaleram a 60, 100, mais do que 2001… Saudades, exagerado, você faz muita falta!

Ritual– Cazuza:

Leoni e Leo Jaime mostram os hits e novas no Rio e em SP

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Por Fabian Chacur

Dois dos maiores hitmakers do pop-rock brasileiro se reúnem novamente em um show cujo título é uma evidente brincadeira com o nome de uma célebre dupla sertaneja: Leoni & Leonardo. O espetáculo será realizado neste sábado (7) às 21h no Rio, no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº 3,900- loja 160- Shopping VillageMall- fone 0xx21-3431-0100), e no dia 13 (sexta-feira) em São Paulo no Teatro Bradesco (rua Palestra Itália, nº 500- 3º piso- Bourbon Shopping São Paulo- fone 0xx11-3670-4100), ambos com ingressos custando de R$ 50,00 a R$ 160,00.

Os dois artistas são amigos desde o início da década de 1980, e em 1998 fizeram um show, Fotografia, no qual dividiam o palco. Desta vez, além de Leoni nos vocais e baixo e Leo Jaime nos vocais e guitarra, também estarão em cena os experientes Ricardo Palmeira (guitarra), João Pompeo (teclados) e Alexandre Fonseca (bateria).

Composto por algo em torno de 30 músicas, o set list da apresentação trará parcerias deles, entre as quais Fotografia, Solange e A Fórmula do Amor, e também hits das suas respectivas carreiras, entre os quais Garotos II, Nada Mudou, Exagerado, Rock Estrela, Como Eu Quero, Pintura Íntima, Mensagem de Amor, Só Pro Meu Prazer e outras.

A maior novidade divulgada de forma antecipada é uma nova composição feita por eles, A Fórmula do Amor II, revisitando o tema do hit sob uma perspectiva mais madura, embora sem perder o bom humor. Outras surpresas poderão ocorrer durante a apresentação, e não foi divulgado se isso pode ser o embrião de uma turnê maior, de um lançamento em DVD, CD, Blu-ray, vinil ou coisa que o valha. Mas o clima positivo para isso ocorrer fica no ar.

Carro e Grana/A Fórmula do Amor (ao vivo)- Leoni e Leo Jaime:

Paula Toller mostra seu show Como Eu Quero no Vivo Rio

Foto: Leo Aversa

Foto: Leo Aversa

Por Fabian Chacur

Após bem-sucedidas passagens por São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, está chegando a hora de Paula Toller levar o seu novo show, intitulado Como Eu Quero, para sua cidade natal, o Rio de Janeiro. Será no dia 24 (sábado) às 21h no Vivo Rio (Avenida Infante Don Henrique, nº 85-Parque do Flamengo- fone 0xx21-2272-2901), com ingressos que custam de R$ 100,00 a R$ 240,00.

A banda que acompanhará a ex-vocalista do Kid Abelha traz como destaque ninguém menos do que o lendário produtor Liminha, que se incumbe dos arranjos e violão. Gustavo Camardella (violão), Pedro Augusto (teclados), Pedro Dias (baixo) e Adal Fonseca (bateria) completam o time, que proporciona uma moldura sonora mais intimista e delicada, com predominância acústica.

No repertório, algumas novidades, entre as quais as releituras de Ando Meio Desligado (dos Mutantes), Céu Azul (do Charlie Brown Jr.) e Deixa a Vibe Te Levar (versão de Don’t You Worry ’bout a Thing, de Stevie Wonder). Hits solo e do Kid Abelha estarão presentes, entre os quais Fixação, Grand’Hotel e a música que deu nome ao espetáculo, um dos clássicos do songbook da cantora e compositora carioca.

Céu Azul– Paula Toller:

A-ha reforça o lirismo de suas músicas em formato acústico

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Por Fabian Chacur

Quem acompanha atentamente a carreira do A-ha sabe que, em meio aos teclados proeminentes e elementos eletrônicos presentes em seus trabalhos, sempre existiram canções altamente melódicas, e com um teor lírico/melancólico, ambientação tipicamente nórdica. Para quem os encara como “apenas mais uma bandinha pop”, recomendo a audição atenta de MTV Unplugged Summer Solstice, álbum duplo gravado ao vivo na sua Noruega natal, em formato acústico.

A ligação A-ha/MTV foi marcante, especialmente pelo fato de seu primeiro grande hit, Take on Me, ter sido divulgado por um dos videoclipes mais populares de todos os tempos. Curiosamente, só agora a banda se propôs a gravar um álbum acústico com o apoio da emissora, quando o formato tão popular nos anos 1990 e 2000 já nem tem mais toda essa força comercial. Ou, quem sabe, seja exatamente por isso que o trio resolveu encarar o desafio apenas agora.

Morten Harket (vocal), Magne Furuholmen (teclados) e Paul Waaktaar-Savoy (guitarra), ao contrário de outros contemporâneos do synth-pop/tecnopop dos anos 80, sempre souberam cuidar bem de suas composições, investindo em boas melodias e soluções harmônicas e de arranjos que iam além de simplesmente se valer dos timbres e batidas eletrônicas para invadir as paradas de sucesso. Quem sabe isso justifique a maior durabilidade de seu repertório.

Com bastante inteligência, o trio selecionou suas canções que mais se adaptassem não só ao formato acústico, mas também a um clima mais intimista que pretendiam imprimir neste trabalho. Isso explica a ausência de hits mais “solares”, digamos assim, como Cry Wolf, You Are The One e Touchy. No entanto, boa parte de suas canções mais conhecidas está aqui, como I’ve Been Losing You, Take on Me, Living Daylights, The Sun Always Shine On TV, Scoundrel Days e Memorial Beach.

O álbum duplo traz 21 faixas. Temos 17, entre hits e outras menos conhecidas (mas também muito boas), extraídas de praticamente todos os álbuns da banda (só dois- East Of The Sun West Of The Moon, de 1990, e o recente Cast In Steel, de 2015, ficaram de fora). Entre as restantes, duas são inéditas, as ótimas This Is Our Home e A Break In The Clouds, e duas são regravações.

Uma das releituras resgata o passado de dois integrantes, Paul e Magne, pois é uma música da banda Brigdes (Sox Of The Fox), projeto deles anterior ao A-ha. A outra é The Killing Moon, um dos maiores sucessos do grupo britânico Echo & The Bunnymen, que conta com a participação especialíssima de seu cantor e líder, Ian McCulloch, também presente na ótima releitura de Scoundrel Days.

Três cantoras também estão neste MTV Unplugged ao lado do grupo norueguês. São elas Lissie (em I’ve Been Losing You), Ingrid Helene Hávik (em The Sun Always Shine On TV) e Alison Moyet (ex-integrante do duo oitentista Yazoo, em Summer Moved On). O grupo também conta com a presença de uma sessão de cordas e de quatro músicos de apoio. O resultado é uma sonoridade delicada, envolvente e que dá ótima moldura às belas melodias de cada música.

Gravado em dois shows realizados em 22 e 23 de junho de 2017 no Giske Harbour Hall, espaço intimista que abrigou apenas 250 pessoas em cada apresentação, o show como um todo demonstra que Morten Harket continua com a mesma potência de voz dos bons tempos, enquanto os colegas de time permanecem com a mesma categoria e postura discreta que sempre os marcou.

MTV Unplugged Summers Solstice equivale a um verdadeiro atestado de relevância artística de uma banda que sempre ofereceu ao seu público um som pop ao mesmo tempo acessível e com o requinte artístico típico de quem gosta do que faz e não o faz apenas para encher suas contas bancárias. Não reinventaram a roda nem revolucionaram a música, mas ofereceram biscoitos finos para as massas. E esse álbum duplo (também disponível em DVD) é mais um deles.

This Is Our Home(video)- A-ha:

Dire Straits Legacy conta com um elenco de craques do rock

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Por Fabian Chacur

Após o sucesso obtido em sua primeira passagem pelo Brasil em maio de 2017, o Dire Straits Legacy está de volta. Eles se apresentarão em São Paulo nesta quinta (25) às 22h no Espaço das Américas (rua Tagipuru, nº 795- Barra Funda- fone 0xx11-2027-0777), com ingressos de R$ 140,00 a R$ 380,00. Para alguns, pode parecer apenas uma banda cover de luxo, mas na prática é a oportunidade de se ver ao vivo, juntos e em um mesmo espetáculo, músicos com currículos impecáveis.

Em relação ao time do ano passado, temos duas belas novidades. Uma delas é o cantor, compositor, produtor e músico Trevo Horn, uma verdadeira lenda viva. O cara integrou o duo The Buggles, célebre pelo megahit Video Killed The Radio Star, cujo clipe foi o primeiro a ser exibido pela MTV americana, em 1981. Pouco antes, em 1980, foi o vocalista do Yes no álbum Drama, além de ter ajudado na produção e ainda ser o coautor de várias músicas do disco.

Quando o Yes voltou à tona em 1983, Horn já havia saído, mas se incumbiu da produção do excelente álbum 90125, aquele que traz o clássico Owner Of a Lonely Heart. Nessa mesma época, foi o mentor e produtor do grupo tecnopop Frankie Goes To Hollywood (1984), famoso pelos hits Relax e Two Tribes e do álbum Welcome To The Pleasurdome. Ele também trabalhou com Seal em seus discos mais bem-sucedidos comercialmente, e com Malcolm McLaren no icônico álbum Duck Rock (1983), um dos pioneiros da fase inicial do rap/hip hop.

O outro “novato” do DSL é o baterista Steve Ferrone, que começou a se tornar conhecido no meio musical como baterista da Average White Band, nos anos 1970 e 1980. Em 1986, entrou no Duran Duran, participando de álbuns como Notorious (1986) e de turnês. Nos anos 1990, tornou-se o baterista da banda Tom Petty And The Heartbreakers, com quem tocou até 2017. Ele também tocou e gravou com Tina Turner, Eric Clapton e Chaka Khan, entre muitos outros.

Acharam pouco? Pois a folha corrida do resto da turma também merece registro. O tecladista Alan Clark, por exemplo, integrou o Dire Straits entre 1980 e 1993. De quebra, gravou e fez shows ao lado de Tina Turner, e gravou em discos de Bee Gees, Prefab Sprout e Gerry Rafferty. O guitarrista Phil Palmer trabalhou bastante ao lado do amigo Trevor Horn, esteve no Dire Straits durante a turnê On Every Street (1991-92), trabalhou com Eric Clapton e, de quebra, é sobrinho dos irmãos Ray e Dave Davies, fundadores do The Kinks.

O percussionista Danny Cummings também esteve no álbum e turnê On Every Street. Por sua vez, o saxofonista Mel Collins esteve no Dire Straits entre 1983 e 1985, e no progressivo King Crimson em sua fase inicial e nos anos 2000. Ele é o responsável por dois solos de sax icônicos: o de Miss You (1978), dos Rolling Stones, e de Private Dance (1984), música de Mark Knopfler e gravada pela diva Tina Turner.

Completam o time dois artistas italianos que, embora não tão famosos como os colegas de DSL, esbanjam talento. São eles o cantor e guitarrista Marco Caviglia e o tecladista Primiano Dibase. No repertório do show, maravilhas do porte de Sultans Of Swing, Romeo And Juliet, Walk Of Life, On Every Street e Once Upon a Time In The West. Belíssimo time esse daí, heim? Elenco estrelado é pouco!

Once Upon a Time In The West (live)- DSL:

Liminha entrevista craques do pop nacional no Canal Arte 1

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Por Fabian Chacur

Liminha é um dos nomes mais importantes da história da música brasileira. Como produtor, músico e compositor, tornou-se figurinha fácil entre os grandes lançamentos pop nacionais nos últimos 40 anos. Ele estreia nesta sexta (29) às 20h30 no Canal Arte 1 o programa Nas Nuvens- A Fábrica de Hitmakers, no qual entrevista grandes nomes do pop brazuca nas dependências do seminal estúdio Nas Nuvens, criado por ele em 1984 em sociedade com o parceiro Gilberto Gil.

Com direção a cargo de Ricardo Nauenberg e produção da Indústria Imaginaria, a atração estreia com Lulu Santos e tem previstos seis episódios. Os outros terão como protagonistas Bi Ribeiro e João Barone (dos Paralamas do Sucesso), Toni Bellotto (dos Titãs-FOTO), Fernanda Abreu, Paula Toller (do Kid Abelha) e Sérgio Mendes. A pauta é um papo entre o apresentador e seus convidados, esmiuçando alguns de seus maiores hits no melhor estilo Classic Albums. Saiba mais aqui.

Liminha começou a se tornar conhecido no cenário musical brasileiro a partir de 1969, quando entrou nos Mutantes, banda na qual se manteve até 1973. Em 1977, iniciou a carreira como produtor, assinando trabalhos de muito sucesso de artistas como Gilberto Gil, Frenéticas, Banda Black Rio, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Titãs e inúmeros outros. Aos 66 anos de idade, continua na ativa, sempre envolvido com projetos bacanas como esse.

Liminha e Amigos ao vivo:

Blitz mostra muita vitalidade e swing em seu novo DVD

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Por Fabian Chacur

O ano de 2017 entrará para a história da Blitz como um dos melhores de sua bem-sucedida trajetória iniciada em 1982 com o estouro de Você Não Soube Me Amar. Além de terem divulgado com categoria seu mais recente álbum, Aventuras II, um excelente álbum comparável aos seus lançamentos clássicos dos anos 1980, fizeram inúmeros shows sempre lotados e com ótima repercussão por parte do público. O registro dessa atual fase iluminada da banda carioca acaba de sair, pela gravadora Deck em parceria com o Canal Brasil. Trata-se do DVD Blitz No Circo Voador, prova concreta de que esse time não vive só de seu passado de glórias.

O registro foi realizado ao vivo em abril deste ano no mitológico Circo Voador, mesmo espaço alternativo carioca no qual o grupo despontou rumo ao sucesso nacional. No time, temos três integrantes da formação clássica: Evandro Mesquita (vocal), Billy Forghieri (teclados) e o mitológico Roberto “Juba” Gurgel (bateria). Ao seu lado, uma das formações mais estáveis da história do grupo, que traz Cláudia Niemeyer (baixo), Rogério Meanda (guitarra), Andréa Coutinho (backing vocals) e Nicole Cyrne (backing vocals).

Ao contrário do que alguns fariam nesse momento, a Blitz mostrou ousadia e confiança no próprio taco ao incluir 11 das 13 faixas de Aventuras II no show. Boa oportunidade para se conferir o quanto essas novas músicas são boas, pois se encaixam muito bem em meio aos sete clássicos do período 1982-1985 e a um cover certeiro, Aluga-se (de Raul Seixas), sendo que One Love (Bob Marley) e País Tropical (Jorge Ben Jor) foram interpoladas respectivamente nos hits A Dois Passos do Paraíso e Mais Uma de Amor (Geme Geme).

As canções mais recentes da Blitz mantém o clima alto astral e swingado de seus bons tempos, com direito a maravilhas do naipe de Baile Quente (que abre a festança com tudo), Nu na Ilha, Estrangeiro Aventureiro e Chacal Blues. Todas poderiam se tornar hits radiofônicos, se vivêssemos tempos mais democráticos e afeitos ao pop rock.

Algumas participações especiais marcam o show, sendo a de maior destaque a de Alice Caymmi na assumidamente brega Noku Pardal e na releitura do hit Betty Frígida, nas quais ela faz duetos hilariantes com Evandro Mesquita. Afroreggae, Milton Guedes, George Israel, Diogo Albuquerque, Mafram do Maracanã e Silvio Charles também marcam presença, além de Zeca Pagodinho, este graças a uma gravação em áudio/vídeo exibida no telão em Fominha.

Blitz No Circo Voador mostra como é possível para uma banda com 35 anos de estrada ainda soar refrescante e renovada, sem renegar seu legado. Colabora para isso a excelente forma de Evandro, que aos 65 anos de vida aparenta no máximo uns 40, se tanto, além de continuar com voz afiada/afinada e aquela presença de palco simpática e desencanada que sempre o marcaram. Muito bom ver esses caras com esse gás todo. Sinal de que as aventuras estão longe de acabar…

Baile Quente (ao vivo)- Blitz:

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