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Coke Luxe e seu rockabilly vintage faz show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Eduardo Moreira, o Eddy Teddy (1950-1997) foi um dos caras mais legais que tive a honra de conhecer no meio musical. Ele organizava no início dos anos 1980 incríveis reuniões em sua casa juntando colecionadores de discos e músicos conhecidos, mistura de feira de discos e palco para jam sessions inesquecíveis. Ele também era cantor e guitarrista, e liderou uma banda que deixou marca na cena rocker brasileira, a Coke Luxe.

Se Eddy infelizmente não está mais conosco, deixou um bom fruto, seu filho Luiz Teddy, que desde 2017 resgatou o Coke Luxe com alta categoria. A banda toca neste domingo (18) em festa que começa a partir das 13h no Nos Trilhos (rua Visconde de Parnaíba, nº 1.253- Mooca- fone 0xx11-99203-2803), com ingressos de R$ 10,00 a R$ 30,00.

O Coke Luxe foi criado em 1981 por Eddy Teddy, que também integrou bandas como Rockterapia, Satisfaction, British Beat e Spectral Zoo. Inspirados no revival do rockabilly dos anos 1950 promovido na época por bandas como os Stray Cats, o time também contava com os experientes Billy Breque (guitarra, também do grupo Pholhas), Little Piga (contrabaixo) e Jipp Willis (bateria). Em pouco tempo, conquistaram um fã-clube fiel, especialmente em São Paulo.

O quarteto lançou dois discos, o compacto É Rockabilly (1983) e o LP Rockabilly Bop (1984), ambos pela Baratos Afins, que em 2001 reuniu o conteúdo desses dois trabalhos, acrescido de faixas bônus, em único CD (ouça aqui).

Com o carisma de seu cantor e o entrosamento de seus músicos, eles fizeram inúmeros shows e participações em programas de TV. Em 1984, por exemplo, foram a banda principal de um show que também contou com os então iniciantes Legião Urbana e Zero, no Centro Cultural São Paulo.

O Coke Luxe se manteve na ativa até o fim dos anos 1980. Com as mortes de Eddy em 1997 e de Litte Piga em 2004, parecia ter saído de vez de cena. No entanto, Luiz Teddy, integrante dos grupos The Krents (que lançou um CD pela mesma Baratos Afins) e Run Devil Run resolveu resgatar a banda do pai com Billy Breque e Jipp Willis e trazendo para a vaga de Litte Piga o ótimo Big Marcel, ex-integrante dos grupos Alex Valenzi & The Hideaway Cats e Grilos Barulhentos.

O retorno em 2017 ocorreu apenas como forma de marcar os 20 anos da precoce partida de Eddy Teddy, mas a repercussão foi tão boa que desde então volta e meia temos Coke Luxe em cena, com apresentações recentes em lugares como o Sesc Belenzinho e no aniversário de São Caetano do Sul (SP). No repertório, petardos do porte de Roque o Azarado, Buzum, I.N.P. Rock, 20º Andar e Ouvir Rock ‘N’ Roll. Para curtir e dançar a mil por hora!

Buzum (ao vivo)- Coke Luxe:

André Midani, do Dia D na França ao maravilhoso mundo da música

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Por Fabian Chacur

A vida é mesmo imprevisível. Pode um cara oriundo da longínqua Síria e criado na França ter sido decisivo para a história da música popular brasileira durante inúmeras décadas? Uma trajetória improvável, porém plenamente real. Esse cara, André Midani, teve uma bela missão, e a cumpriu de forma plena e apaixonada. Mas toda história, infelizmente, tem um fim, e ele nos deixou nesta quinta-feira (13) aos 86 anos de idade, vítima de um câncer que o atormentava há alguns meses, segundo informou seu filho, Phillipe.

Nascido na Síria em 25 de setembro de 1932 (mesma data e mês que eu, que honra!), André veio para o Brasil em 1955, e por aqui, firmou-se na indústria fonográfica, ramo no qual ele havia começado a atuar na França. Sempre com os ouvidos abertos e dono de uma sensibilidade musical enorme, além de ousadia ilimitada, atuou em gravadoras como a EMI-Odeon, Phillips e Warner. Foi decisivo no desenvolvimento das carreiras de gente como João Gilberto, Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Titãs, Lulu Santos e dezenas, senão centenas de outros nomes importantes para a nossa música.

Mesmo com todo esse currículo e todas as suas realizações, Midani sempre se mostrou simpático, acessível e disposto a aprender novas lições. Sua vida incrível foi contada de forma deliciosa no livro Música, Ídolos e Poder- Do Vinil Ao Download (leia a resenha aqui) e na ótima série televisiva André Midani- Do Vinil Ao Download, de 2015 (leia mais aqui).

Não por acaso, executivos do calibre dele começaram a ter menos espaço nas grandes gravadoras transnacionais sediadas no Brasil a partir do final dos anos 1980, quando essas empresas aos poucos entraram em uma decadência cujos frutos podres colhemos atualmente. Para Midani, a música enquanto arte vinha sempre em primeiro lugar. Bom seu legado ter sido devidamente cultuado enquanto ele ainda estava entre nós. Sua passagem se dá em um momento difícil do Brasil, mas que ele fique como exemplo para uma futura volta por cima, em todos os setores, especialmente o da cultura.

Veja entrevista com os diretores da série de TV sobre André Midani:

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